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Atividades lúdicas e intervenções neuropsicopedagogicas

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

SILVESTRINI, Drielli Pâmela de Moura [1]

SILVESTRINI, Drielli Pâmela de Moura. Atividades lúdicas e intervenções neuropsicopedagogicas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 05, Vol. 10, pp. 97-124. Maio de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Muitas vezes pela falta de tempo ou de paciência, deixamos de brincar com nossas crianças e isso pode ser algo prejudicial para seu desenvolvimento futuro, pois muito importante a utilização do lúdico tanto na vida cotidiana como no ambiente escolar. É por meio brincadeiras que conseguimos proporcionar um crescimento saudável para as crianças, dando-lhe a chance de se tornar um ser equilibrado. Quando utilizado atividades lúdicas promovemos um ambiente alfabetizador alcançando autonomia de aprendizagem e fazendo com que o educando se interesse para o aprendizado, despertando seu interesse para novos conhecimentos. Através das brincadeiras se constrói a personalidade da criança quando se depara com regras e cargos constituídos para aquela determinada atividade. Neste trabalho, fundamenta-se que as brincadeiras é um fator importante para a transmissão de saber. Pois, através da ludicidade a criança amplia seus conhecimentos e desenvolve aspectos de raciocínio, imaginação, criatividade, entre outros, e tudo isso de forma prazerosa. Com ajuda de profissional principalmente o neuropsicopedagogo podemos ter várias respostas positivas no desenvolvimento emociona, social e acadêmico dessas crianças.

Palavras Chave: Lúdico, desenvolvimento, neuropsicopedagogia.

INTRODUÇÃO

Temos por objetivo tratar sobre a importância do brincar no processo de desenvolvimento da criança, e na intenção da neuropsicopedagogia, tendendo a demonstrar a ludicidade como caminho para o adiantamento e a construção do conhecimento através de brincadeiras, jogos e brinquedos, e como a ajuda de um neuropsicopedagogo pode influenciar nos aspectos positivos.

Andamentos sobre a importância do neuropsicopedagogo usar de maneira adequada a ludicidade, com o objetivo de considerar a importância destas atividades para o desenvolvimento do ser humano.

As atividades lúdicas quando usadas de forma apropriada permitem grande potencial na intervenção do desenvolvimento e conhecimento infantil mais à frente auxilia a construir a personalidade da criança.

É válido brincadeira lúdicas, os jogos, a arte, a música, a expressão corporal, e as atividades que como desempenho principal tem a autonomia da criança.

“Para que as crianças possam exercer sua capacidade de criar é imprescindível que haja riqueza e diversidade nas experiências” Segundo os RCN´s (1998, p. 27) e esses conhecimentos são adquiridos através de brincadeiras ou aprendizagens feitas por intervenção direta e devem ser oferecidos pelos pais e pelas instituições de ensino, e quando necessário a ajuda de um profissional.

Durante a brincadeira a criança tem o comando da linguagem simbólica, fazem sinais, gestos, recriam os objetos e utilizam da imaginação. E para essa brincadeira ser significativa precisa-se de ajuda da família e dos educadores de forma correta.

Compreendendo a importância do brincar para o desenvolvimento infantil, uma vez que se aprende de forma prazerosa e divertida, queremos mostrar aos pais e educadores que as crianças precisam da nossa atenção, e de tal modo conseguiremos entende-las e conhecer o mundo da imaginação que elas vivem, afinal brincar influência a autonomia, a criatividade, o desenvolvimento e o convívio social da criança.

Mostrar modos que interfere nos processos de aprendizagem buscando alcançar informações que possa cooperar para formar o entendimento mais detalhado da aprendizagem de cada indivíduo, sendo elas vistas pelo olhar de pais, professores, e principalmente profissionais capacitados para necessidade de cada dificuldade.

1. BRINCADEIRAS E BRINQUEDOS

Um meio de cultura, uma ocasião que toda a comunidade compartilhava, era assim considerada as brincadeiras de antigamente, era um acontecimento social, um lazer, como o folclore, jogos, e outras festas, e eram apreciadas por crianças e adultos, mas que com o tempo perdeu as conexões comunitárias. “Estes ocorriam em praças públicas, espaços livres sem a supervisão dos adultos, as crianças se misturavam em grupos de diferentes faixas etárias e de ambos os sexos.” (VELASCO, 1996, p. 39).

Era bem comum ver crianças e adultos se divertindo nas ruas, com brincadeiras tradicionais, que fazem parte da cultura popular.

As brincadeiras tradicionais são expressivamente transmitidas de uma geração a outra, fora das instituições oficiais, na rua, nos parques, nas praças etc. Assimiladas pelas crianças de maneira espontânea, mudam de forma com o passar do tempo – variam suas regras, culturas e grupos sociais, mas seu conteúdo permanece o mesmo. (FRIEDMAN, 2006, p.78)

Devido as grandes tecnologias que deprimem as brincadeiras com objetos, dos espaços que se criou entre adultos e crianças, e da falta de segurança na maioria dos ambientes essas atividades foram deixadas de lado, Friedmann afirma esse aspecto, ao dizer que:

Em relação ao espaço das brincadeiras, que era tradicionalmente a rua, houve um recuo: brincar ali é um risco. Dentro de casa, o espaço é muito limitado. Por isso, os condomínios dos apartamentos têm surgido como espaço alternativo de brincadeiras e troca entre as crianças. Na escola, o pátio é a principal “testemunha” do brincar infantil; no clube ou nos centros comunitários, o lúdico tem mais chances de acontecer (FRIEDMANN, 2006, p. 22).

Através de brincadeiras a crianças e os adultos se descobrem e se revelam. Segundo Brasil (2001, p. 22), “brincar é umas das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia”.

Podem ser brinquedos simples, ou até rudimentares diante de alguns padrões impostos pela sociedade, mas são eles, com sua originalidade criatividade que evocam as melhores lembranças da infância de cada um, resgatam o autêntico significado do brincar, preservam valores e tradições da cultura de um povo. (VELASCO, 1996, p. 51)

O brinquedo educativo se auto define como agente de transmissão metódica de conhecimentos e habilidades que, antes de seu surgimento, não eram veiculadas às crianças pelos brinquedos. Simboliza, portanto, uma intervenção deliberada no lazer infantil no sentido de oferecer conteúdo pedagógico ao entretenimento da criança. (Oliveira. 1984, p. 44).

Como citado por Kishimoto:

Os conteúdos veiculados durante as brincadeiras infantis bem como os temas de brincadeiras, os materiais para brincar, as oportunidades para interações sociais e o tempo disponível são todos fatores que dependem basicamente do currículo proposto pela escola. Normalmente a criança precisa de tempo para elaborar as ideias que encontra. Esse fator é bastante negligenciado pela maioria das escolas que privilegiam as atividades individuais orientadas. (KISHIMOTO, 1994, p. 30).

A esse respeito ressalta Velasco (1996, p. 43)

O brincar nunca deixará de ter o seu papel importante na aprendizagem e na terapia, daí a necessidade de não permitirmos suas transformações negativas e estimularmos e permanência e existência da atividade lúdica infantil.

“Brincar é anterior a jogar, conduta social que supõe regras. Brincar é forma mais livre e individual, que designa as formas mais primitivas de exercício funcional, como a lalação”. Segundo Dantas (2013, p. 111), ele acredita que brincar e jogar são termos distintos, e ressalva que o lúdico engloba os dois termos, permitindo que as atividades sejam individuais ou coletivas sendo elas livres ou conduzidas e ambas de forma prazerosa. No dicionário Aurélio (FERREIRA, 2001, p. 433) lúdico é “relativo a jogos, brinquedos e divertimentos”.

Neste sentido, Sebastiani (2003) ressalta que quando as crianças estão brincando elas usam o espaço para investigar e construir conhecimentos. Com isso fica esclarecido que brincar não é simplesmente um entretimento, é além disso um período que eles se desenvolvem de forma física e intelectual.

No primeiro momento a criança brinca e se descobre com seu próprio corpo, descobrindo aos poucos os objetos ao seu redor, Ortiz e Carvalho (2012, p. 103) afirmam que “o bebê começa brincando com os próprios sentidos, num crescente jogo de descobertas, desenvolvimento de habilidades e construções de significados” e ainda que “Tudo é novidade para um bebê que está vendo e percebendo o mundo pela primeira vez, portanto, se lhe for permitido, vai se inserir e conquistar o mundo com sua curiosidade” (2012, p. 104).

Segundo Vygotsky (1998, p. 137) “A essência do brinquedo é a criação de uma nova relação entre o campo do significado e o campo da percepção visual, ou seja, entre situações no pensamento e situações reais”. Então, vale lembrar que o brinquedo proporciona e influencia todos uma forma de enfrentar o mundo e suas ações futuras. Ainda Em, Vygotsky (1998, p.127) descreve que:

No brinquedo, no entanto, os objetos perdem sua força determinadora. A criança vê um objeto, mas age de maneira diferente em relação àquilo que vê. Assim, é alcançada uma condição em que a criança começa a agir independentemente daquilo que vê.

Conforme seu cotidiano, as crianças vão descobrindo novos comportamentos, e novas brincadeiras, assim, Oliveira (2000) afirma que a ação de brincar, faz parte de um procedimento de humanização, que a criança aprende a conciliar a brincadeira de forma concreta, e criando conexões mais duradouros.

Um dos aspectos que marcam a infância é o brinquedo, e este é para a criança aquilo que o trabalho é para o adulto, isto é, sua principal atividade. Toda criança brinca independente da época, cultura ou classe social. O brinquedo é a essência da infância, e o brincar, um ato intuitivo e espontâneo. (SANTOS, 2007. p.9).

É também destacado a importância das atividades lúdicas no RCNEI (BRASIL, 1998, P.58), relatando que “as crianças podem incorporar em suas brincadeiras conhecimentos que foram construindo”. E também ressalta no mesmo a valorização do brinquedo entendidos como:

Componentes ativos do processo educacional que refletem a concepção de educação assumida pela instituição. Constituem-se em poderosos auxiliares da aprendizagem. Sua presença desponta como um dos indicadores importantes para a definição de práticas educativas de qualidade em instituição de educação infantil. (BRASI, 1998, p.67. v. 1).

Sobre o brinquedo Freud (1974, p. 135), destaca:

Errado supor que a criança não leva esse mundo a sério; ao contrário, leva muito a sério sua brincadeira e despende na mesma muita emoção. A antítese de brincar não é o que é sério, mas o que é real. Apesar de toda a emoção com que a criança catequisa seu mundo de brinquedo, ela o distingue perfeitamente da realidade, e gosta de ligar seus objetos e situações imaginados às coisas visíveis e tangíveis do mundo real. Essa conexão é tudo o que diferencia o “brincar infantil”, do “fantasiar”.

As brincadeiras dever ser organizadas de maneira que respeite as diversas capacidades de cada faixa etária de forma que possam agir de modo intencional sobre o que está fazendo, isso envolve múltiplos conhecimentos corporais que podem ser realizados em grupo ou individual.

Na brincadeira, vivenciam concretamente a elaboração e negociação de regras de convivência, assim como a elaboração de um sistema de representação dos diversos sentimentos, das emoções e das construções humanas. Isso ocorre porque a motivação da brincadeira é sempre individual e depende dos recursos emocionais de cada criança que são compartilhados em situações de interação social. Por meio da repetição de determinadas ações imaginadas que se baseiam nas polaridades presença/ausência, bom/mau, prazer/desprazer, passividade/atividade, dentro/fora, grande/pequeno, feio/bonito etc., as crianças também podem internalizar e elaborar suas emoções e sentimentos, desenvolvendo um sentido próprio de moral e de justiça. (BRASIL/MEC, p. 24 1998).

Para Oliveira (2002, p. 160):

Por meio da brincadeira, a criança pequena exercita capacidades nascentes, como as de representar o mundo e de distinguir entre pessoas, possibilitadas especialmente pelos jogos de faz-de-conta e os de alternância respectivamente. Ao brincar, a criança passa a compreender as características dos objetos, seu funcionamento, os elementos da natureza e os acontecimentos sociais. Ao mesmo tempo, ao tomar o papel do outro na brincadeira, começa a perceber as diferenças perspectivas de uma situação, o que lhe facilita a elaboração do diálogo interior característicos de seu pensamento verbal.

Ainda notamos que ao falar em brinquedos e brincadeiras, se repercute como apenas tempo desperdiçado, mas essas considerações não possuem fundamento, uma vez que já durante estes momentos, constrói-se conhecimentos, desenvolve as estruturas psíquicas para o mundo concreto e toda potencialidade que a criança tem, é a brincadeira que faz a criança ser criança. o. O brincar incide a ser uma língua da infância sob o mundo.

1.1 JOGOS

Distintas teorias tentam esclarecer o uso e a função do jogo para o ser humano, como nota Huizinga:

Há uma extraordinária divergência entre as numerosas tentativas de definição da função biológica do jogo. Umas definem as origens e fundamento do jogo em termos de descarga da energia vital superabundante, outras como satisfação de um certo “instinto de imitação”, ou ainda simplesmente como uma “necessidade” de distensão. Segundo uma teoria, o jogo constituiu uma preparação do jovem para as tarefas sérias que mais tarde a vida dele exigirá, segundo outra trata-se de um exercício de autocontrole indispensável ao indivíduo. Outras veem o princípio do jogo como um impulso inato para exercer uma certa faculdade, ou como desejo de dominar ou competir. (2004, p. 4)

Ao pensar em jogos, pensamos em apenas diversão, mas por trás dessas brincadeiras é envolvido fatores que devem ser analisados, pois nesses momentos as crianças constroem, pensa, aprende e se conhece, elas adquirem experiências que farão parte da sua personalidade, Kishimoto (1994) enfatiza que o brinquedo é simulado como um “objeto suporte da brincadeira”, no entanto ela os caracteriza como objetos (bonecas, carrinhos, etc.). Embora os brinquedos podem ser definidos como estruturados e não estruturados, nos quais os estruturados são os que adquirimos prontos

“O jogo contém um elemento de motivação que poucas atividades teriam para a primeira infância: o prazer da atividade lúdica”. (FREIRE, 1997, p.75)

Kishimoto (1993, p. 15) afirma:

Os jogos têm diversas origens e culturas que são transmitidas pelos diferentes jogos e formas de jogar. Este tem função de construir e desenvolver uma convivência entre as crianças estabelecendo regras, critérios e sentidos, possibilitando assim, um convívio mais social e democracia, porque “enquanto manifestação espontânea da cultura popular, os jogos tradicionais têm a função de perpetuar a cultura infantil e desenvolver formas de convivência social.

Santin (2001) destaca uma importante declaração que aborda a importância do jogo, conforme segue:

“O jogo é de fundamental importância para a aprendizagem da criança por que é através dele que a criança aprende, gradualmente desenvolve conceitos de relacionamento casuais ou sociais, o poder de descriminar, de fazer julgamentos, de analisar e sintetizar, de imaginar e formular e inventar ou recriar suas próprias brincadeiras” (SANTIN, p.523, 2001).

Entretanto conseguimos observar que os jogos como todos tem grande relevância na vida social e emocional de todo ser humano, contribuindo com eficácia para grandes aprendizados.

2. A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR

A criança tem direito de brincar e está garantido por leis, no Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL,1990) diz:

Art. 15. A criança e ao adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e a dignidade como as pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.

Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: IV – brincar, praticar esportes e divertir-se.

Brincar é artefato primordial no processo criativo, que leva as crianças a uma circunstância mental necessária para despertar a curiosidade, a fantasia, ao lúdico, as imitações e até mesmo ao próprio conhecimento de si. Assim a mesma se satisfaz através do mundo lúdico, alcança seus anseios e descobre o mundo, por isso a importância de proporcioná-las a se deparar com atividades que excitem e promovam seu desenvolvimento global.

Segundo Velasco (1996, p. 78):

Brincando a criança desenvolve suas capacidades físicas, verbais ou intelectuais. Quando a criança não brinca, ela deixa de estimular, e até mesmo de desenvolver as capacidades inatas podendo vir a ser um adulto inseguro, medroso e agressivo. Já quando brinca à vontade tem maiores possibilidades de se tornar um adulto equilibrado, consciente e afetuoso.

O lúdico colabora de forma positiva no auxílio da aprendizagem promovendo o processo de socialização, comunicação, construção do pensamento e expressão.

Segundo Barros (2000, p. 15)

O brincar da criança, tem uma significação especial para a psicologia do desenvolvimento e para a educação, uma vez que;

      • É condição de todo o processo evolutivo neuropsicológico saudável;
      • Manifesta a forma como a criança está organizando sua realidade e lidando com suas possibilidades, limitações e conflitos;
      • Introduz de forma gradativa, prazerosa e eficiente ao universo sócio histórico-cultural;
      • Abre caminho e embasa o processo de ensino/aprendizagem favorecendo a construção da reflexão, da autonomia e da criatividade.

Cada criança manifesta seus desejos e anseios por meio das brincadeiras, com um jeito único e particular de revelar-se como sente e pensa do mundo a sua volta.

No processo de construção do conhecimento, as crianças se utilizam das mais diferentes linguagens e exercem a capacidade que possuem de terem ideias e hipóteses originais sobre a quilo que querem desvendar. Nessa perspectiva as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem. O conhecimento não se constitui em uma cópia da realidade, mas sim, fruto de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação. (RCN’S VOL I, 1998, p. 21 e 22).

Pelo meio de brincadeiras que essas crianças revelam seus sentimentos e pensamentos. Sendo assim, Fortuna (2011, p. 9) afirma que:

A brincadeira é tão importante para o desenvolvimento humano que até mesmo quando ocorrem brigas ela contribui para o crescimento e a aprendizagem. Negociar perspectivas, convencer o opositor, conquistar adesões para uma causa, ceder, abrir mão, lutar por um ponto de vista – tudo isso ensina a viver.

A esse respeito, de acordo com o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (BRASIL, 1998, p. 27, v.01):

O principal indicador da brincadeira, entre as crianças, é o papel que assumem enquanto brincam. Ao adotar outros papéis na brincadeira, as crianças agem frente à realidade de maneira não-literal, transferindo e substituindo suas ações cotidianas pelas ações e características do papel assumido, utilizando-se de objetos substitutos.

Portanto, permanece claro que a brincadeira é fundamento importante para o desenvolvimento infantil, que permite que a criança transforma e produz novos significados. Conforme Rabinovich (2007), a relação entre o corpo, o movimento, o espaço e os brinquedo, ou brincadeiras que movimentam o corpo é primordial para desenvolvimento da criança.

Ao participar das atividades lúdica temos a capacidade de mostrar o que sabemos e de que maneira, pois garante a diversão e o prazer, potencializa a exploração e a construção do conhecimento. Para Santos (2002, p. 12) a ludicidade:

[…] uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção de conhecimento.

É na pratica de brincar que a criança aprende a operar numa esfera cognitiva, descobrindo o mundo através do seu corpo, e de suas próprias atitudes, Zanluchi (2005, p. 89) observa “Quando brinca, a criança prepara-se a vida, pois é através de sua atividade lúdica que ela vai tendo contato com o mundo físico e social, bem como vai compreendendo como são e como funcionam as coisas. ” De tal modo, destaca-se que quando a criança tem a oportunidade de brincar, ela desenvolve mais facilmente, em cada etapa ao conviver com diferentes situações ela de forma mesmo que simbólica, entra no mundo do adulto.

3. EDUCAÇÃO INFANTIL

3.1 IMPORTÂNCIA DO LÚDICO

Em início vale ressaltar que para uma aprendizagem ser significativa ela precisa ser potencializada de conhecimento assimilado aos conteúdos, edificando o conhecimento, Freire (1997 p 20). “De que nada vale esse enorme esforço para alfabetização se a aprendizagem não foi significativa. E o significado, nessa primeira fase de vida depende, mais do que qualquer outra, da ação corporal”. E na educação infantil o jogo se torna uma solução para facilitar a aprendizagem, por ser algo que desperta o interesse nas crianças. Referente a isso afirma Carvalho (1992, p.14)

[…] desde muito cedo o jogo na vida da criança é de fundamental importância, pois quando ela brinca, explora e manuseia tudo aquilo que está a sua volta, através de esforços físicos se mentais e sem se sentir coagida pelo adulto, começa a ter sentimentos de liberdade, portanto, real valor e atenção as atividades vivenciadas naquele instante.

O ato de brincar é de extrema importância para saúde física, emocional e intelectual da criança. A criança que ter a oportunidade de brinca, habitua-se a utilizar seu tempo livre com criatividade, por isso o brincar tem que ser levado a sério na infância, pois é uma fase que através das brincadeiras as crianças geram seus desenvolvimentos.

“Brincar é coisa séria, porque na brincadeira a criança se reequilibra, recicla suas emoções e sacia sua necessidade de conhecer e reinventar a realidade. Tudo isso desenvolve atenção, concentração e muitas outras habilidades, além de muito, muito prazer em viver e, conviver. Para isso, a criança precisa brincar direito, brincar com objetivo de se desenvolver, de forma a atender todas as suas expectativas de vida, divertindo-se e interagindo com o mundo.” (AMORIM, p.30, 2008)

Para Friedman (2006. P. 81) “a atividade lúdica era um fenômeno social de que todos desfrutavam.” E hoje em dia a maioria das brincadeiras que antes eram de costume, está se perdendo a importância, como brincadeiras folclóricas e populares, e o professor se torna um grande mediador para retomar essas atividades.

A institucionalização da educação contribuiu para alterar de forma expressiva as condições do brincar, que passou do ambiente natural para o oficial. Para a maioria das crianças, o espaço das brincadeiras se transformou em “espaço de trabalho”. A chamada “brincadeira livre” deixou de ser considerada uma atividade produtiva. Hoje, apesar de sua importância na vida social e no desenvolvimento infantil, a brincadeira já não tem espaço na escola, cuja maior preocupação é “preparar” a criança para o processo de alfabetização e desenvolver suas habilidades cognitivas. (FRIEDMAN, 2006. P. 81)

O lúdico pode ser de diferentes modalidades e tipos de brincadeiras, podendo ser classificadas de várias formas, Piaget, segundo Velasco (1996, p. 79) as considerou da seguinte maneira:

Identifica as famílias de jogos por condutas cognitivas e afetivas, habilidades funcionais e de linguagem e atividade sociais”, veremos algumas classificações:

      • Tradicional: é de valor cultural, registra a história de um povo. Ex: brincadeiras folclóricas.
      • Exercício: nesta brincadeira o sistema sensitivo é muito requisitado (tátil, visual, cenestésico, olfativo e gustativo), não deixando de entrar em ação a motricidade infantil. Ex: caixa de música.
      • Simbólico: a criança, nesta brincadeira, deixa vir à tona sua imaginação, assumindo papéis, representando personagens, reinventando histórias. Ex: fantoches.
      • Construção: podemos citar os de: ordenação, montagens e união de peças entre si. Desenvolvendo habilidades manuais, imaginação e inteligência. Ex: lego.
      • Educativo: nesta brincadeira, normalmente, o tema não é livre. São estabelecidos conteúdos para aquisição de conceitos como formas, tamanhos e cores. Ex: quebra-cabeça.
      • Regras: podendo ser simples ou complexas, traduzindo para a criança os limites pessoais e sociais da vida. Ex: xadrez, vôlei

Até mesmo nas atividades cotidianas a criança aprende, e usa sua criatividade, as quais podem ser realizada com as crianças e ocasionar ampla bagagem para o desenvolvimento das mesmas, elas brincam e aprendem em um mesmo momento principalmente quando brinca com outras crianças, permitindo-as a criar, respeitar regras, dividir, conversas.

Aprendizagem é toda atividade cujo resultado é a formação de novos conhecimentos, habilidades, hábitos naquele que a executa, ou a aquisição de novas qualidades nos conhecimentos, habilidades, hábitos que já possuam. O vínculo interno que existe entre a atividade e os novos conhecimentos e habilidades residem no fato de que, durante o processo da atividade, as ações com os objetos e fenômenos formam as representações e conceitos desses objetos e fenômenos (GALPERIN, 2001[d], p.85).

Todas as fases da criança precisam estar junto com o prazer de se conhecer no mesmo momentos que está buscando e adquirindo novos saberes, e a ludicidade é uma ótima maneira para essas oportunidades.

A educação lúdica, na sua essência, além de contribuir e influenciar na formação da criança e do adolescente, possibilitando um crescimento sadio, um enriquecimento permanente, integra-se ao mais alto espírito de uma prática democrática enquanto investe em uma produção séria do conhecimento. A sua prática exige a participação franca, criativa, livre, crítica, promovendo a interação social e tendo em vista o forte compromisso de transformação e modificação do meio (ALMEIDA, 1994, p.41).

3.2 PARTICIPAÇÃO DO DOCENTE NO DESENVOLVIMENTO DO LÚDICO

O professor deve sim conduzir o aluno a aprendizagem significativa durante as brincadeiras, mas não o forçando a apenas isso, pois se durantes essas atividades arrancarmos o espaço da criança, de criar, buscar, e se conhecer, de fato excluímos o prazer do saber.

De certo modo, abranger os jogos e as dentro de uma comunidade, conseguimos descobrir de cada família as suas preocupações e os seus valores. O ato de brincar é um dos fundamentais diferenciais que apontam a ação das crianças e dos adultos no mundo. (SERRÃO,1999).

Portanto, é importante o papel dos professores para aplicar o conhecimento do valor do brincar, agindo na prática, com as crianças. Brincando, a criança representa a relação do corpo e movimento, traduzido e o expressa através de gestos, e este por sua vez, relaciona-se com a apresentação, a compreensão e a percepção do mundo que a criança possui. A sociabilidade das brincadeiras e jogos permitem que se crie laços emocionais, integração produtiva e unidade do grupo. (SERRÃO, 1999, p. 99).

Referente a isso RABINOVICH (2007), destaca a importância de compreender o movimento da criança como linguagem, e a necessidade de a criança ser livre para agir em um ambiente, intencionalmente constituído pelo adulto, mas que lhe propicie a oportunidade de transformar, adaptar, criar, interagir e integrar-se.

[…] a ludicidade é uma necessidade da criança e, para ela se desenvolver integralmente, precisa brincar livremente. Entretanto, isso não significa dizer que o educador não precisa planejar, acompanhar, observar e avaliar essa atividade. Por isso, a brincadeira na escola nunca será totalmente livre, pois essa liberdade é única e exclusivamente da criança […], (SANTOS, 2011, p. 16).

Carvalho (1992, p.28) acrescenta:

(…) o ensino absorvido de maneira lúdica, passa a adquirir um aspecto significativo e afetivo no curso do desenvolvimento da inteligência da criança, já que ela se modifica de ato puramente transmissor a ato transformador em ludicidade, denotando-se, portanto, em jogo.

A ludicidade ajuda o aluno a expressar com facilidade, auxiliando o ouvir, o respeitar partilhando alegria brincar. Quando o educando não tem essas oportunidades ele se sente desmotivado Zanluchi (2005, p.91) alega que “A criança brinca daquilo que vive; extrai sua imaginação lúdica de seu dia-a-dia.”, ou seja, a criança, que tem a chance de brincar, terá um emocional mais controlado, conseguindo assim melhores resultados no desenvolver de seu dia-a-dia.

É imprescindível que o professor observe a classe e procure desenvolver atividades que estejam de acordo o nível de desenvolvimento da mesma, assim como menciona Piaget (1998):

O brincar implica uma dimensão evolutiva com as crianças de diferentes idades, apresentando características especificas, e formas diferenciadas de brincar. Na Educação Infantil deve-se facilitar a aprendizagem utilizando-se de atividades lúdicas que criem um ambiente agradável para favorecer o processo de aquisição de autonomia de aprendizagem. Para tanto, o saber escolar deve ser valorizado socialmente e a aprendizagem e a interação devem ser processos dinâmicos e criativos através de jogos brinquedos e brincadeiras. Piaget (p. 13.1998).

Para melhor compreensão da importância do brincar os educadores devem intervir da maneira apropriada. Não descaracterizando o prazer do lúdico, para obter isso com mais facilidade é necessário se apropriar dos recursos correto, para assim conseguir atender a demanda da escola, em Goés (2008, p 37), afirma que:

[…] a atividade lúdica, o jogo, o brinquedo, a brincadeira, precisam ser melhorados, compreendidos e encontrar maior espaço para ser entendido como educação. Na medida em que os professores compreenderem toda sua capacidade potencial de contribuir no desenvolvimento infantil, grandes mudanças irão acontecer na educação e nos sujeitos que estão inseridos nesse processo.

De acordo com o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (BRASIL, 1998, p. 23, v.01):

Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidado, brincadeiras e aprendizagem orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural.

Assim o professor aproveitara as oportunidades para contribuir com o crescimento do aluno sem prejudicar a sua infância, utilizando as práticas pedagogias corretas, e respeitando seu aluno.

O professor é mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento, organizando e propiciando espaços e situações de aprendizagens que articulem os recursos e capacidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas de cada criança aos seus conhecimentos prévios e aos conteúdos referentes aos diferentes campos de conhecimento humano. Na instituição de educação infantil o professor constitui-se, portanto, no parceiro mais experiente, por excelência, cuja função é propiciar e garantir um ambiente rico, prazeroso, saudável e não discriminatório de experiências educativas e sociais variadas. (BRASIL, 1998, p. 30, v.01)

O docente deve elaborar atividades que sugere possibilidades diferentes, permitindo que o aluno confeccione os seus próprios jogos, para um momento de desenvolvimento e aprendizagem da criança.

Para que o jogo possa desempenhar a função educativa é necessário que este seja pensado e planejado dentro da sistematização do ensino […]. Caso contrário, a escola desvirtua o ato de brincar e, em relação ao brincar, estará fazendo o papel de qualquer outra instituição, como o clube, o circo, ou até mesmo a casa dos amigos e a casa da vovó, onde as crianças reúnem-se apenas para brincar. […], (SANTOS, 2011, p. 17).

Os educadores visam contribuir para todo o desenvolvimento dessas crianças, buscando que no futuro eles estejam prontos para os obstáculos que tendem a enfrentarem sobre essa percepção cita Oliveira, p.19, 2000:

O brincar, por ser uma atividade livre que não inibe a fantasia, favorece o fortalecimento da autonomia da criança e contribui para a não formação e até quebra de estruturas defensivas. Ao brincar de que é a mãe da boneca, por exemplo, a menina não apenas imita e se identifica com a figura materna, mas realmente vive intensamente a situação de poder gerar filhos, e de ser uma mãe boa, forte e confiável.

Gerando ocasiões de aprendizagem e desafios expressivos para o alcance do conhecimento e desenvolvimento destes, conseguiremos um planejamento com metas que buscará sempre a qualificação da prática pedagógica.

3.3 CONTRIBUIÇÃO DA FAMÍLIA

É com a família o primeiro convívio das crianças, e como já sabemos aprender é o resultado da interação entre estruturas mentais e o meio ambiente. Observa Vygotsky (1984, p.103) “a aprendizagem e o desenvolvimento estão estritamente relacionados, sendo que as crianças se inter-relacionam com o meio objetal e social, internalizando o conhecimento advindo de um processo de construção.”

As famílias estão perdendo a conexão com o desenvolvimento de seus filhos, as vezes deixando de lado, o que antes era rotina, afinal tem várias brincadeiras populares que antes era tido como atividade essencial e que hoje não tem valor.

Não podemos negar essa realidade nem as transformações que o brincar sofreu; devemos, sim, tentar “trabalhar” com elas. Acredito que o caminho para isso está no resgate do brincar nos diferentes contextos socioculturais, pensando em saídas integradas na escola, na família e na comunidade. (FRIEDMAN, 2006. P. 81)

Para o alcance de uma aprendizagem significativa é necessário a junção de vários meios como a família, a escola e o mundo social. Em especial destaca-se que a família inicia a aprendizagem dos princípios e valores que segui pelo decorrer da vida.

Para a psicanálise, a família é tida como as condições mínimas, necessárias que garantem o advento de uma subjetividade. Condição essa que se refere ao Outro. Outro no sentido de outro real imediato, dos cuidados, outro no sentido da linguagem, da cultura, que definirá para esse sujeito por advir o lugar que ele ocupará (MENDONÇA, 2009, p.23).

Quando a criança vem ao mundo ela se torna dependente dos pais, e através do seu desenvolvimento, e as suas necessidades se tornai independente, os pais precisam respeitar isso, dando lhe autonomia e direcionamento de forma correta em cada etapa, para assim cooperar com a aquisição necessária para a construção da identidade dessas crianças.

[…] a família ainda é o lugar privilegiado para a promoção da educação infantil. Embora a escola, os clubes, os companheiros e a televisão exerçam grande influência na formação da criança, os valores morais e os padrões de conduta são adquiridos essencialmente através do convívio familiar (GOMIDE, 2009, p. 9)

Ao avaliar os papeis dos pais e dos profissionais na educação infantil, temos dificuldades quanto as práticas metodológicas a serem empregadas, ambos deve ser complementar cada um com sua responsabilidade, ou seja:

O entendimento de que creche e família são instituições que se complementam nas funções de „cuidar‟ e „educar‟ resultará em mais tranquilidade para as crianças, uma vez que elas assumem uma situação de „duplo pertencimento‟, pois na realidade pertencem ao mesmo tempo a estes dois mundos (MAISTRO apud FERMINO, 2002, p.23, grifos do autor).

Tem permanecido as discussões em relação a obrigatoriedade das creches e pré-escolas e aos envolvimentos da família em relação a educação dos filhos:

Uma das características que tem marcado as transformações observadas nas creches é a maneira como se dá o contato entre educadoras e mães e/ou famílias das crianças. Até poucos anos atrás, era mais comum a prática de receber e entregar as crianças no portão da instituição. […]. Fomentou-se, assim, a discussão sobre a relação creche-família e sobre estratégias para abrir as creches à maior participação das famílias. […]. Hoje, é possível encontrar creches abertas, creches mais ou menos abertas, creches fechadas. O processo está ocorrendo, não sem dificuldades (VITORIA apud FERMINO, 2002, p.24).

Esse obstáculo é existente muitas das vezes pela falta de diálogo, as instituições têm bastante dificuldade com os pais que apenas tem o intuito de verificar, se o professor está passando as matérias, e não participam das atividades pedagógicas proposta pelos educadores.

[…] a participação das famílias na creche, se reduz ao espaço de reunião de pais. Isso evidencia que a compreensão do que é participar parece restringir-se a “vir quando são chamados” pela instituição, o que revela a inexistência de um espaço mais efetivo e cotidiano de inclusão no contexto da creche (MAISTRO apud FERMINO, 2002, p.28).

Além disso no RCNEI (BRASIL, 1998), nota que o objetivo fundamental desse documento não é o de consentir que a educação infantil tenha caráter assistencialista, antes, porém, o que se almeja é:

Apontar metas de qualidade que contribuam para que as crianças tenham um desenvolvimento integral de suas identidades, capazes de crescerem como cidadãos cujos direitos à infância são reconhecidos. Visa, também, contribuir para que possa realizar, nas instituições, o objetivo socializador dessa etapa educacional, em ambientes que propiciem o acesso e a 17 ampliações, pelas crianças, dos conhecimentos da realidade social e cultural (BRASIL, 1998, p. 7).

Perante isso, fica claro a necessidade de a família e a escola trabalharem juntos por um mesmo propósitos, definindo o que será exercido por casa parte, para uma educação satisfatória, sendo imprescindível que o cuidado familiar e o cuidado na escola sejam complementários.

4. NEUROPSICOPEDAGOGIA

A neuropsicopedagia, está conquistando espaço, por ser uma novidade na área de pesquisa e conhecimento no desempenho interdisciplinar, como foco no processo de aprendizagem, pois ela agrega conhecimento da neurociência, psicologia e pedagogia, com o intuito de avaliar e auxiliar nos procedimentos didáticos para que ocorre uma melhor aprendizagem.

Dr Marco Tomanick Mercadante, em uma entrevista para a Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPb, através de Racy e Vieira (s.d.), contextualiza a Neuropsicopedagogia com as seguintes palavras:

Um campo do conhecimento que procura reunir os avanços advindos das neurociências com a psicopedagogia. Assim, o profissional com essa perspectiva deve ter conhecimento amplo das bases neurobiológicas do aprendizado, do comportamento e das emoções, e dominar os elementos clássicos da psicopedagogia. Além disso, uma coerência epistemológica que garanta uma adequada articulação dessas áreas dispares do conhecimento é fundamental para a atuação na área.

Neste entendimento Krug (2011 apud Rodrigues 1996, p.40) exibe o conceito de Neuropsicopedagogia como:

Abordagem neurológica de distúrbios e de incapacidades de aprendizagem. A Neuropsicopedagogia é de grande utilidade para o psicopedagogo clínico, pois possibilita o diagnóstico de processos anormais na estrutura, na organização e no funcionamento do sistema nervoso central, por meio de testes de avaliação neuropsicológica, aplicáveis a indivíduos portadores de problemas de aprendizagem.

4.1 PARTICIPAÇÃO DO NEUROPSICOPEDAGOGO NO DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Na educação infantil é necessário já utilizarmos a neuropsicopedagogia, que já são apresentadas como disciplina nos cursos de graduação, voltados a Pedagogia, os Estudos Neuropsicopedagógicos, os quais Forner (2009, p71-72) faz a seguinte citação:

No nível I, a disciplina Estudos Neuropsicopedagógicos chama a atenção, por enfatizar aspectos que contemplam as ideias do estudo. Eis a sua ementa: Estudo do desenvolvimento humano na perspectiva da genética e da Neuropsicopedagogia, aproximando estes saberes com foco nas bases biológicas da aprendizagem, na busca de melhores formas de ensinar e de aprender. Os objetivos da disciplina convertem para a real necessidade de os futuros professores reconhecerem as dificuldades de aprendizagem de seus alunos, bem como as possíveis alternativas de trabalho. Isto é, terem subsídios para planejamento que atenda às demandas que surgem nas salas de aula. A disciplina se propõe a fazer com que os estudantes de Pedagogia conheçam o funcionamento neural, o desenvolvimento neuropsicológico, desde a concepção até a morte, destacando a neuroplasticidade, bem como as bases biológicas e influência do uso de drogas pelos pais de crianças, bases neurológicas da entrada, processamento e saída da visão, audição, tato, movimento e atenção. A partir desses conhecimentos, enfim, busca contribuir para que os professores possam realizar as intervenções, considerando aspectos do desenvolvimento normal e das dificuldades de aprendizagem.

A neuropsicopedagogia é um novo olhar para as diversas dificuldades de aprendizagem, à cerca da neurociência no contexto educativo, Chedid (2007, p.28) descreve:

Para a sala de aula, para a educação, as Neurociências são e serão grandes aliadas, identificando cada ser humano como único e descobrindo a regularidade, o desenvolvimento, o tempo de cada um. […]. Em pleno século XXI, nos deparamos com outras formas de informação além do letramento formal, é necessário conhecer e ensinar outras linguagens que dão acesso a informações imprescindíveis para a comunicação. […] precisamos conhecê-las e entender as modificações que estão ocorrendo, olhar estes cérebros para saber como eles funcionam e determinar mudanças em como ensiná-los.

O ambiente educativo deve sempre buscar, a participação e inserção das diversificadas práticas sociais das crianças, visando ampla socialização, pois é na escola que elas são avaliadas, diante aos grupos que pertence.

Um professor preparado tem a sensibilidade de detectar as dificuldades de cada criança, embora eles necessitem de parcerias, trocar informação com profissionais que consegue ter visões diferentes é essencial também para observar melhor o desenvolvimento de cada indivíduo.

E se a instituição escolar tiver o auxílio de um neuropsicopedagogo poderá desenvolver metodologias para enfrentar os diversos problemas que as crianças têm apresentado, para assim buscar um progresso significativo no comportamento acadêmico, social e emocional da criança.

5. CONCLUSÃO

Esta pesquisa, conforme observou-se, por meio do levantamento bibliográfico, estão presente na vida de todos, inclusive da criança desde muito cedo, e a medida que a criança vão crescendo, as brincadeiras na vida delas ganham uma aparência mais socializador, permitindo que as crianças aprendas a lhe dar com os acontecimentos do seu cotidiano.

Aos professores, compete a ação da mediação do conhecimento, induzindo o aluno ao desenvolvimento, respeitando seu nível de aprendizagem e seus valores.

Os educadores devem fornecer as crianças um ambiente que estimule a imaginação e ajude na desenvoltura da autonomia, levando a causar seu próprio conhecimento, isso tudo permitindo que as tarefas sejam de entretenimento e prazerosas.

O Neuropsicopedagogo também pode ajudar muito durante esse desenvolvimento participando de forma correta na educação dessas crianças.

A criança carece de interagir de forma coletiva, apresentando seu ponto de vista, discordar, apresentar suas dificuldade e facilidades, buscando soluções, e cabe ao professor dar lhe essa oportunidade através da ludicidade, incentivando as mesmas a terem o pensamento crítico e ser participativo.

O jogo provoca nas crianças além que o simples ato de jogar, é por meio dos jogos que ela se expressa e consequentemente se comunica com o mundo; ao jogar a criança aprende e indaga o mundo que a cerca, toda e qualquer atividade lúdica deve ser considerada.

Os papéis dos pais durante o processo didático pedagógico na ludicidade devem sempre incentivar e dar oportunidades para seus filhos, incentivando os mesmo a relação com outras crianças e propondo a eles atividades diversas até mesmo em conjunto.

Como muitas comprovações se os pais, a escola, e o neuropsicopedagogo quando necessário trabalhar de forma conjunta terá mais facilidade para saber quais as necessidades de cada educando, e a maneira correta de incentivar e intervir cada ser.

Brinquedos, jogos e brincadeiras foram criados para satisfazer o desejo do lúdico, por isso se tornou essencial para a vida, por ser a condução do crescimento que permite a criança a oportunidade de descobrir seu universo

Ao finalizar o presente estudo, concluiu-se que o lúdico na educação infantil é um artifício pedagógico que tem que ser desenvolvido com objetivo de proporcionar uma fase de aprendizagem e ensino prazeroso e significativo.

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[1] Graduada em pedagogia; Pós-graduada em Neuropsicopedagogia, Psicopedagogia e Atendimento educacional.

Enviado: Março, 2018.

Aprovado: Maio, 2019.

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Drielli Pâmela de Moura Silvestrini

2 respostas

  1. Apreciei seu artigo. Parabéns!
    Preciso de orientação quanto ao desenvolvimento de projetos/oficinas para escola dentro de minha especialização em Neuropsicopedagogia, mas as orientações na pós não deram um norte e meu estágio foi clínico. Sei que deve ser baseado nas Neurociências aplicadas à educação, na Pedagogia e na Psicologia cognitiva, ou seja, na concepção da aprendizagem a partir do SNC, pelo lúdico, dentro de uma temática de interesse do grupo. Mas como seria a elaboração desse projeto e seu desenvolvimento sem fugir das bases da Neuropsicopedagogia?
    Obrigada, aguardo suas considerações

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