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O papel do professor na inclusão do aluno autista

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

ANGELO, Jamisson Da Silva [1]

ANGELO, Jamisson Da Silva. O papel do professor na inclusão do aluno autista. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 07, Vol. 03, pp. 137-150. Julho de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/aluno-autista

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo uma reflexão em torno das práticas educacionais voltadas para o ensino inclusivo, em especial, para o autismo. Usou-se nessa produção a metodologia descritiva pois, é possível notar que, embora o tema inclusão tenha ganhado força nas últimas décadas, as ações práticas em torno do acolhimento de pessoas com necessidades diversas ainda se mostram ineficientes, por isso a necessidade de tratar deste assunto. O autismo é caracterizado como uma condição neurológica e, segundo teóricos, não existe uma conceituação única e específica que possa abarcar esta condição. Geralmente, o quadro se manifesta antes dos três anos de idade e pode comprometer em algum grau o desenvolvimento da criança. Sintomas como dificuldade de se relacionar com o ambiente em que estão inseridos, dificuldade com linguagem verbal, ausência ou pouco contato visual com os pais e demais crianças, podem ser os primeiros sinais a indicar que algo está acontecendo.  Parte-se da compreensão de que, diante da conturbada experiência do indivíduo a lidar com o autismo e com as complicações que podem surgir, principalmente durante a fase escolar, uma educação dinâmica, plural e inclusiva precisa ser estabelecida, com o intuito de responder às necessidades de seus alunos.

Palavras-Chaves: Lúdico, Educação Pública, Ensino da Matemática.

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como tema as práticas educacionais voltadas para o ensino inclusivo, em especial, para o autismo. É possível notar que, embora o tema inclusão tenha ganhado força nas últimas décadas, as ações práticas em torno do acolhimento de pessoas com necessidades diversas ainda se mostram ineficientes.

O autismo é caracterizado como uma condição neurológica e, segundo teóricos, não existe uma conceituação única e específica que possa abarcar esta condição. Geralmente, o quadro se manifesta antes dos três anos de idade e pode comprometer em algum grau o desenvolvimento da criança. Sintomas como dificuldade de se relacionar com o ambiente em que estão inseridos, dificuldade com linguagem verbal, ausência ou pouco contato visual com os pais e demais crianças podem ser os primeiros sinais a indicar que algo está acontecendo.

Parte-se da compreensão de que, diante da conturbada experiência do indivíduo a lidar com o autismo e com as complicações que podem surgir, principalmente durante a fase escolar, uma educação dinâmica, plural e inclusiva precisa ser estabelecida com o intuito de responder às necessidades de seus alunos.

Para que isso ocorra, no entanto, é fundamental que haja um grau intenso de cooperação entre as políticas governamentais, as instituições acolhedoras, as instituições escolares, os pais e responsáveis por crianças autistas e, por fim, toda a sociedade em que estão inseridos, pois cabe aos pais, aos governantes e principalmente professores, o dever de tentar conhecer os educandos para que seja aplicada a diferenciação pedagógica adequada para as características, interesses, saberes e necessidades de cada um (SANCHES e TEODORO, 2006).

Por isso, este estudo teve origem com as seguintes questões: como uma educação inclusiva pode acolher alunos com autismo? Como podem ser estabelecidas redes de parceria entre pais, escola e sociedade para lidar com as dificuldades enfrentadas por essas crianças? Que atividades verificadas na prática do dia-a-dia podem contribuir com a questão? Em síntese: Como a teoria e a prática podem contribuir para um aprendizado especializado nas deficiências dos alunos?

Como metodologia de pesquisa, optou-se por realizar uma análise com apoio na literatura sobre o tema em questão, os aspectos gerais do Autismo, como conceituação, questões frequentes, contexto histórico de políticas inclusivas e contexto escolar.  Para tal, o estudo se baseou em artigos publicados em bases de dados, sites de pesquisa, bibliotecas virtuais, livros, revistas e periódicos científicos. Ressalta-se que, por se tratar de um tema tão abrangente, não é possível esgotar o assunto em questão diante de sua complexidade e das possibilidades de discussão.

2. AUTISMO NO CONTEXTO ESCOLAR

O Ensino no Brasil tem passado por algumas mudanças no decorrer dos anos, com novos desafios a serem abordados. Nesse sentido, a inclusão escolar consiste em um tema que está em pauta atualmente, direcionando discussões acerca de soluções que garantam, de fato, todos os direitos do ser humano, independentemente da sua condição em que se encontra.

Para alguns profissionais na área da educação, receber um aluno com um diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma sala de ensino regular, em muitos casos pode assustar no começo. E agora? Será que eu vou conseguir ajudar esse meu aluno? Vou conseguir estimular a interação dele com os demais alunos? Que informações são necessárias para que eu consiga desenvolver o meu trabalho acolhendo adequadamente um aluno autista?

De acordo com Gauderer (1987), crianças com autismo podem apresentar dificuldade de aprendizagem, mas podem desenvolver habilidades linguísticas, motoras e interativas quando expostas a programas de estímulo à aprendizagem.

Nesse contexto, cabe à escola elaborar métodos e estratégias para que crianças autistas possam desenvolver suas habilidades, se integrando de forma plena ao meio e interagindo com as demais crianças. A família pode auxiliar neste processo, sendo responsável por construir uma parceria com a ela, capaz de fornecer ao aluno autista os meios necessários para que ele se sinta seguro e confortável na escola. Uma tarefa importante é dedicar algumas horas por dia para conversar com as crianças sobre as impressões deles sobre o espaço, sobre o que aprenderam etc.

O processo de aprendizagem de crianças com autismo pode ocorrer de forma mais lenta e gradativa, por isso é fundamental que o educador esteja qualificado para atender esse aluno, construindo técnicas de comunicação que possam atingi-lo de maneira significativa.

É preciso compreender que o ensino é uma das principais esferas a ser trabalhada no caso de crianças autistas. No entanto, é necessário estar pronto para atender às solicitações das crianças autistas, flexibilizar o diálogo, estimular a interação e ampliar a qualidade do convívio escolar para toda comunidade.

O conteúdo do programa de uma criança autista deve estar de acordo com seu potencial, de acordo com sua idade e de acordo com o seu interesse. Se a criança estiver executando uma atividade nova de maneira inadequada, é importante a intervenção rápida do professor, mesmo que para isso seja necessário segurar a mão da criança ou até mesmo dizer-lhe a resposta. (PEETERS, 1998, s/p.).

De acordo com as propostas da educação inclusiva (TRATADO DA GUATEMALA, 1991; DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994), todos os alunos devem ter acesso ao ensino regular, ainda que apresentem algum quadro de deficiência sensorial, mental e cognitiva ou que tenham transtornos severos de comportamento. Nesse sentido, a escola deve adaptar o seu sistema para atender a todos os alunos presentes em classes regulares. Para tal, a educação inclusiva deve ser cuidadosamente planejada e conduzida dentro de uma escola plural, capaz de pensar em práticas que estimulem atividades heterogêneas.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) orienta aos sistemas de ensino a garantirem aos alunos: currículo, métodos, recursos e organização próprios para suprir suas necessidades. Atualmente, ainda é possível verificar a existência de algumas organizações especiais ou organizações escolares regulares que possuem dentro do seu sistema de funcionamento turmas especiais de condutas típicas.

São poucos os relatos sobre iniciativas e práticas de inclusão de alunos com autismo em classes regulares. Neste caso, observa-se que a inclusão tem sido realizada de acordo com as seguintes formas:

1) a criança frequenta a turma diariamente, em tempo integral;

2)  a criança frequenta a turma regular diariamente, em horário parcial;

3) a criança frequenta a turma regular durante alguns dias na semana, no horário integral da aula;

4) a criança frequenta a turma regular algumas vezes na semana, em horário parcial.

Em quase todos os casos, os alunos portadores de autismo utilizam recursos especializados para acompanhar o seu desenvolvimento, como institutos de educação especial, fonoaudiólogos, medicações, terapias e fatores similares (AIRES; ARAÚJO; NASCIMENTO, 2014).

A escola deve focar em uma educação inclusiva para tornar o ensino plural e qualificado, além de favorecer a aprendizagem dessas de alunos autistas, que por vezes apresentam dificuldade de interação.

Educar uma criança autista é uma experiência que leva o professor a rever e questionar suas ideias sobre desenvolvimento, educação, normalidade e competência profissional. Torna-se um desafio descrever um impacto dos primeiros contatos entre este professor e estas crianças tão desconhecidas e na maioria das vezes imprevisíveis (BEREOHFF, 1991, s/p.).

Sendo assim, devemos pensar na inclusão como um todo, não somente incluir este aluno no espaço escolar, mas pensar em maneiras eficazes para que de fato essa inclusão ocorra. E, acompanhar de uma maneira integral, para que ele possa sentir que o ambiente que ele irá conviver agora, está sendo favorável para o mesmo.

2.1 INCLUSÃO                                                   

Em 1994, na Espanha, foi assinada a Declaração de Salamanca, evento realizado pela UNESCO na Conferência Mundial Sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e qualidade, na qual demanda que os Estados devem oferecer educação para todas as pessoas com deficiência no sistema educacional, priorizando o acesso e melhorias, que tem como princípios fundamentais:

  • toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem,
  • toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas,
  • sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades,
  • aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades,
  • escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos; além disso, tais escolas provêm uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o sistema educacional.

A inclusão é sempre destaque nos debates quando o assunto é educação. Apesar de estar prescrito em Lei: nº 13.146, de 6 de julho de 2015. O direito de educação para todos, infelizmente não é o que ocorre em grande parte das escolas regulares em nosso país. Em muitas, se pararmos para observar, existem o que eles dizem ser ‘’inclusão’’, porém em muitos casos somente aceitam a matrícula e tratam o aluno com alguma deficiência de modo distintos dos demais alunos ditos como ‘’normais’’.

A inclusão não é somente aceitar a matrícula de um aluno, é ir além com projetos e propostas que apesar dos desafios apresentados, sejam ministrados com êxito e pensando em todos por um aprendizado comum. Mantoan (2009), relata que a inclusão é estar com pessoas diferentes de nós e reconhecer e compreender o outro, em todos os quesitos. É o acolhimento de todas as pessoas, sem exceção.

Contudo, Mantoan diz que:

A escola insiste em afirmar que os alunos são diferentes quando se matriculam em uma série escolar, mas o objetivo escolar, no final desse período letivo, é que eles se igualem em conhecimentos a um padrão que é estabelecido para aquela série, caso contrário serão excluídos por repetência ou passarão a frequentar os grupos de reforço e de aceleração da aprendizagem e outros programas embrutecedores da inteligência (MANTOAN, 2011, p. 38).

E em muitos casos, se vê que a inclusão não ocorre de fato em diversas escolas ditas como regular, por questão do currículo pré-estabelecido, agindo como um todo e não pensando nas singularidades de cada aluno.

A inclusão escolar está articulada a movimentos sociais mais amplos, que exigem maior igualdade e mecanismos mais equitativos no acesso a bens e serviços. Ligada a sociedades democráticas que estão pautadas no mérito individual e na igualdade de oportunidades, a inclusão propõe a desigualdade de tratamento como forma de restituir uma igualdade que foi rompida por formas segregadora de ensino especial e regular (MANTOAN, 2006, p. 16).

O desenvolvimento do autista acontece em diversos sentidos, altos e baixos. Ele precisa de acomodação, como já dizia Piaget (para Piaget a aprendizagem e o desenvolvimento são concebidos como processos resultantes da formação contínua de esquemas, que são produzidos pela adaptação – assimilação e acomodação) dentro da sua aprendizagem; muitas vezes pode levar um tempo maior que as outras crianças, isso acontece principalmente na adolescência. O período de acomodação pode levar até 3 meses, o que causa a falsa impressão de que a criança não vai sair daquele estágio.

O termo “inclusão” refere-se ao ensino de alunos com necessidades especiais ao lado de pares tipicamente em desenvolvimento. É benéfico para os alunos com necessidades especiais aprenderem salas de aula inclusivas, uma vez que beneficia tanto os alunos incluídos como os seus pares, que se beneficiam da exposição a uma diversidade de alunos (AARONS e GITTENS, 1992, p. 59).

Aarons e Gittens (1992), utilizaram uma abordagem qualitativa de estudo de caso para identificar os efeitos da inclusão bem-sucedida em estudantes com autismo. Suas descobertas indicaram que os alunos autistas que são educados em salas de aula inclusivas têm melhores habilidades sociais, exibem maior engajamento e habilidades sociais (AARONS e GITTENS, 1992) e níveis mais altos de sucesso.

A inclusão tem mais a ver com a aceitação, que vem depois da compreensão. Essa compreensão somente é possível após uma experiência similar, que possibilita o desenvolvimento da empatia emocional. Mesmo que difícil, é imprescindível se colocar no lugar da pessoa com autismo para ter uma visão mais completa e solidária acerca das dificuldades e necessidades das pessoas do espectro autista.

O desafio da inclusão deve incorporar a possibilidade das pessoas não autistas (ou normoneurais, como algumas organizações de pessoas com Asperger costumam dizer) de experimentar as formas de perceber o mundo com as dificuldades do autismo, para compreender muitos dos comportamentos, desenvolver estratégias de apoio e se motivar a ajudar e incluir as pessoas que veem o mundo de uma forma diferente (CANDEIAS, 1993, p. 28).

Para Camargo (2009) no mundo da inclusão do autismo, nem sempre se desenvolvem atividades para que outros alunos, familiares e professores consigam experimentar, em parte, as dificuldades que têm e que muitas vezes permitem compreender os motivos da conduta diferente, das dificuldades para aceitar mudanças repentinas ou certos tipos de estímulos, e que explicam muitas as outras dificuldades da pessoa com autismo.

Nesse processo de inclusão, deve-se pensar em ações que visam a inclusão de todos na sala de aula como:

  • Pensar em uma sala de aula com a oportunidade de estudos e pesquisa para todos;
  • Trabalhos que buscam mostrar as diferenças em sala;
  • Troca de experiências entre todos.

Essas são algumas possibilidades que se deve pensar no dia a dia na comunidade escolar, promovendo mudanças e não deixando de lado os direitos que todos possuem de aprender.

3. O PAPEL DO DOCENTE

Embora muito importante, a inclusão não ocorre apenas quando a criança é matriculada no ensino regular. O docente é visto como um dos principais agentes no trabalho com alunos que apresentam algum tipo de dificuldade, porém, o espaço em que essas crianças passaram tanto tempo de suas vidas, necessita de um bom trabalho. Nesse sentido, a escola precisa dispor de recursos de variadas espécies para estimular a inclusão. Crianças que apresentam autismo podem ter mais dificuldade de aprendizagem, mas podem desenvolver habilidades linguísticas, motoras e interativas quando expostas a programas de estímulo à  aprendizagem, como enfatiza Gauderer (1987).

Nesse contexto, cabe à escola elaborar métodos e estratégias para que os alunos possam desenvolver suas habilidades, se integrando de forma plena ao meio e interagindo com os demais colegas. A família pode auxiliar neste processo, sendo responsável por construir uma parceria com os educadores a fim de fornecer ao aluno os meios necessários para que ele se sinta seguro e confortável na escola. Uma tarefa importante é dedicar algumas horas por dia para conversar com as crianças sobre as impressões deles sobre o espaço, sobre o que aprenderam, etc.

Como a aprendizagem dos alunos com alguma necessidade pode ocorrer de forma mais lenta e gradativa, é fundamental que o educador esteja qualificado para atender suas especificidades, construindo técnicas de comunicação que possam atingi-lo de maneira significativa. É preciso compreender que o ensino é uma das principais esferas a ser trabalhada no caso dessas crianças. Sendo assim, é preciso estar pronto para atender as solicitações desse público, flexibilizar o diálogo, estimular a interação e ampliar a qualidade do convívio escolar para toda comunidade.

Todo esforço é necessário para ensinar um aluno disgráfico a ler e processar informações com muito mais eficácia. Deve-se usar métodos apropriados e com eficiência. O papel dos pais e professores é identificar contribuir para que o transtorno seja identificado o mais cedo possível e compreender como a criança disgráfica aprende e como necessita de um tratamento necessário.

De acordo com Tavares (2008):

O professor deve ler as atividades da criança de tal maneira que ela não subestime sua habilidade. As respostas orais são as melhores da sua capacidade de trabalho escrito. A avaliação deve ser feita de acordo com seu conhecimento e não com suas dificuldades e erros de ortografia. (TAVARES, 2008, p 22).

A ação e o planejamento do professor serão necessários para a construção da aprendizagem do aluno com dificuldade, uma vez que, compreendendo as particularidades de cada um, avaliando de acordo com seu progresso, reconhece-se esses avanços passo a passo. É importante compreender que os alunos precisam receber estímulos para todas as suas realizações de aprendizado, para que eles criem táticas para avançar seu aprendizado e, dessa forma, se tornarem mais seguros.

Deve-se desenvolver, ainda, outras estratégias para melhorar o desempenho do aluno como: respeitar o ritmo de aprendizado, não mencionar para o aluno que ele é lento ou não inteligente, trabalhar com atividades para desenvolver consciência fonológica em sala de aula, estimular a autoconfiança e não realizar atividades que façam com que ele se sinta envergonhado diante dos colegas.

De acordo com as propostas da educação inclusiva (TRATADO DA GUATEMALA, 1991; DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994), todos os alunos devem ter acesso ao ensino regular, ainda que apresentem algum quadro de deficiência sensorial, mental e cognitiva ou que tenham transtornos severos de comportamento. Nesse sentido, a escola deve adaptar o seu sistema para atender a todos os alunos presentes em classes regulares. Para tal, a educação inclusiva deve ser cuidadosamente planejada e conduzida dentro de uma escola plural, capaz de pensar em práticas que estimulem atividades heterogêneas.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) orienta aos sistemas de ensino a garantirem aos alunos: currículo, métodos, recursos e organização próprios para suprir suas necessidades. Atualmente, ainda é possível verificar a existência de algumas organizações especiais ou organizações escolares regulares que possuem dentro do seu sistema de funcionamento turmas especiais de condutas típicas. São poucos os relatos sobre iniciativas e práticas de inclusão de alunos com necessidades especiais em classes regulares.

Neste caso, observa-se que a inclusão tem sido realizada de acordo com as seguintes formas:

  1. a criança frequenta a turma diariamente, em tempo integral;
  2. a criança frequenta a turma regular diariamente, em horário parcial;
  3. a criança frequenta a turma regular durante alguns dias na semana, no horário integral da aula;
  4. a criança frequenta a turma regular algumas vezes na semana, em horário parcial.

Em quase todos os casos, os alunos portadores de necessidades especiais utilizam recursos especializados para acompanhar o seu desenvolvimento, como institutos de educação especial, fonoaudiólogos, medicações, terapias e fatores similares.

Educar uma criança que necessita de um atendimento especial consiste em um fenômeno que permite ao professor refletir sobre suas práticas e suas concepções sobre um ensino que contemple todos os estudantes. Muitas vezes, o contato com essas crianças pode parecer assustador para o docente, principalmente se este possuir pouca experiência docente.

Deve-se pensar na inclusão como um todo, não somente incluir este aluno no espaço escolar, mas pensar em maneiras eficazes para que de fato essa inclusão ocorra. Deve-se atentar, ainda, para o acompanhamento de forma integral, para que o aluno possa sentir que o ambiente que ele irá conviver será favorável para o seu convívio e sua aprendizagem.

Assim, compreende-se que educação inclusiva necessita de transformações com a finalidade de aperfeiçoar a qualidade de ensino. A gestão escolar deve estar constantemente pensando e repensando práticas que envolvam a formação de seus profissionais, a melhoria de estruturas e atendimento ao público que necessita ser incluído por meio do ensino regular. Como a aprendizagem dos alunos com necessidades especiais pode ocorrer de forma mais lenta e gradativa, é fundamental que o educador esteja qualificado para atender suas especificidades, construindo técnicas de comunicação que possam atingi-lo de maneira significativa.

É preciso compreender que o ensino é uma das principais esferas a ser trabalhada no caso dessas crianças. Sendo assim, é preciso estar pronto para atender as solicitações desse público, flexibilizar o diálogo, estimular a interação e ampliar a qualidade do convívio escolar para toda comunidade.

Educar uma criança com necessidades educacionais especiais consiste em um fenômeno que permite ao professor refletir sobre suas práticas e suas concepções sobre um ensino que contemple todos os estudantes. Muitas vezes, o contato com essas crianças pode parecer assustador para o docente, principalmente se este possuir pouca experiência docente.  É oportuno ressaltar que por mais importante que seja inserir a criança com deficiência na sala de aula regular, é necessário criar meios para que ela permaneça na escola, sem que tenha prejuízos em seu desenvolvimento.

Nesse sentido, os princípios da escola inclusiva devem garantir, conforme (BALBINO, 2010):

  • O direito à educação;
  • O direito à igualdade de oportunidades;
  • Escolas responsivas e de boa qualidade;
  • O direito de aprendizagem;
  • O direito à participação.

Quanto a isso, também há alguns aspectos práticos que o professor carece usar para incluir o aluno autista na escola, a seguir:

  • Importância de respostas humanizadas;
  • Potencializar o trabalho pedagógico com as inteligências múltiplas;
  • Investir nas metodologias ativas;
  • Diversificar estratégias pedagógicas;
  • Planejar as aulas com estratégias diferentes;
  • Bom convívio, respeito, empatia, a mesma qualidade de ensino a todos, com as mesmas condições de desenvolvimento.
  • Ser um excelente mediador.
  • Socialização;
  • Trabalhos em grupo.
  • Desenvolver na criança a autoconfiança e a independência.
  • Flexibilizar o diálogo.

Nesse sentido, segundo Santos (2008, p. 30) “é que os professores devem direcionar sua prática pedagógica e tornar possível a socialização da criança com autismo na sala de aula e adequar a sua metodologia para atender as necessidades destes”. Em muitas situações, as crianças com autismo acabam ficando às margens do conhecimento ou não participam das atividades, o que exige do professor sensibilidade para incluí-lo ao máximo no convívio com o meio, visto que é no processo de socialização e interação que se constitui o desenvolvimento e aprendizagem.

4. CONCLUSÃO

Observa-se a necessidade do desenvolvimento de um trabalho em conjunto entre escola, educador, aluno e família, que pode funcionar como uma das maiores chaves para solucionar ou ao menos reduzir os impactos negativos causados pelas principais dificuldades de aprendizagem. Diante das perspectivas apresentadas e da discussão realizada, percebe-se que há algumas falhas no sistema de ensino relativas ao processo de educação inclusiva.

O ponto mais importante a ser observado é que indivíduos com autismo têm o potencial de crescimento e desenvolvimento. Ao contrário do que se pode ouvir de alguns profissionais ou ler em livros, o autismo é tratável. É importante encontrar serviços, tratamentos e educação para crianças autistas o mais cedo possível. Quanto mais cedo essas crianças receberem tratamento adequado, melhor o seu prognóstico.

Tanto a família quanto a escola podem desempenhar um importante papel na assistência ao desenvolvimento de crianças com autismo. Crianças pré-escolares típicas aprendem principalmente no brincar, e a importância do brincar no ensino da linguagem e habilidades sociais não pode ser subestimada. Idealmente, muitas das técnicas usadas no comportamento aplicado à análise, integração sensorial e outras terapias podem ser estendidas ao longo do dia pela família e amigos.

O professor é um mediador essencial no processo de adaptação e integração do aluno no âmbito escolar. Esse professor deve realmente estar preparado profissionalmente para receber esse aluno com TEA.  Observando sempre os recursos disponíveis em mãos para ajudar esse aluno.

Os educadores devem sempre prezar por um ensino de qualidade, inovando, aperfeiçoando suas práticas e abandonando as que não contemplam todos os alunos e, ainda, deve permanecer com aquelas práticas que podem ser benéficas, mesmo se somadas a outras novas. Deve-se sempre estar atualizado de acordo com os novos desafios a serem enfrentados por esses alunos e trabalhar com o objetivo de formar seres humanos capazes de decifrar a sua realidade e pensar o mundo de forma complexa e ativa.

REFERÊNCIAS

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BALBINO, E. S. A inclusão de uma aluna com deficiência visual na Universidade Estadual de Alagoas: um estudo de caso. 2010. 122 f. Dissertação (Mestrado em Educação Brasileira) – Universidade Federal de Alagoas. Centro de Educação. Programa de Pós-graduação em Educação Brasileira, Maceió, 2010.

BEREOHFF, A. M. P. Autismo, uma visão multidisciplinar. São Paulo: GEPAPI, 1991.

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GADIA, C. A. et al. Autismo e doenças invasivas de desenvolvimento. Jornal de Pediatria. v.80, n.2, p.83- 94, 2004.

GAUDERER, E. C. AutismoDécada de 80. Uma atualização para os que atuam na área: do especialista aos pais. Ed. Almed, 2ª edição, 1987.

GOLSE, B.; DELION, P. Autisme: état des lieux et horizons. Ramonville- Saint-Agne: Érès, 2005.

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MANTOAN, M. T. E. Inclusão escolar: pontos e contrapontos São Paulo : Summus, 2006.

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TENENTE, L. B. A visão da escola sobre a inclusão de crianças com autismo.  (Dissertação) – Mestrado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. PUC, São Paulo, 2017.

[1] Pós-graduado em proeja pelo IFMT. Pedagogo – formado pela UFMT, também graduado em História – pela Universidade UNIDERP.

Enviado: Outubro, 2020.

Aprovado: Julho, 2021.

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Jamisson Da Silva Ângelo

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