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Um olhar sobre a relação contextual de aplicabilidade entre o currículo, a cultura e a pedagogia

RC: 47152
169
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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/relacao-contextual

CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

ARAÚJO, Francimar de Oliveira [1]

ARAÚJO, Francimar de Oliveira. Um olhar sobre a relação contextual de aplicabilidade entre o currículo, a cultura e a pedagogia. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 03, Vol. 06, pp. 71-89. Março de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/relacao-contextual

RESUMO

O presente artigo se propõe a instigar os leitores e pesquisadores da temática apresentada, e, assim, apresenta várias reflexões sobre as correlações históricas que fazem parte da correlação aplicativa dos conceitos históricos entre o currículo, a cultura, e a pedagogia no âmbito social. Dessa maneira, a partir dos pensamentos apresentados acerca da origem e desenvolvimento de cada tópico abordado, os apreciadores desse artigo poderão ampliar seus conhecimentos e/ou aprimorar suas ideias pertinentes as temáticas exibidas nesta obra.  Sendo assim, como o conhecimento é algo em contínua transformação, a leitura deste artigo possibilitará, aos seus exploradores, novas reflexões, posicionamentos e releituras no que diz respeito às inter-relações do contexto em que ocorre o processo de ensino-aprendizagem, especialmente no que tange à relação que ocorre entre o currículo, a cultura e a pedagogia.

Palavras-chave: Pedagogia, currículo, cultura, sociedade, educação.

1. INTRODUÇÃO

Diante de tantas mudanças e transformações ocorridas no contexto do processo educacional ao longo dos anos, nós, educadores e pessoas envolvidas direta ou indiretamente com a arte da educação, podemos perceber a grande importância de estarmos diariamente praticando leituras e novas releituras em relação ao funcionamento do ensino-aprendizagem no sentido de atender satisfatória e adequadamente aos anseios tanto dos estudantes quanto, também, da sociedade contemporânea. Com isso, e de acordo com a Série Lições de Minas (1999), entende-se, neste artigo, a leitura como necessária para a construção da cidadania e para a formação de homens livres e aptos a participar da grande obra que é a humanidade.

Por conseguinte, este documento acadêmico propõe a apresentação das considerações relevantes relacionadas aos conceitos sobre a formação da Pedagogia, do Currículo e da Cultura, mostrando, para tanto, as distinções entre cada tópico, correlacionando as ligações de funcionamento entre os mesmos para refletir sobre as influências da atuação da pedagogia no ensino aprendizagem integrada às concepções de cultura e currículo. Dessa maneira, espera-se que o leitor possa compreender de forma objetiva e clara os conceitos citados anteriormente e as correlações existentes entre cada um deles assim como deve perceber, também, as transformações da aplicabilidade que cada um passou dentro do contexto educacional ao decorrer dos últimos anos.

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 REFLEXÕES SOBRE A PEDAGOGIA

Iniciando as reflexões, pode-se destacar a Pedagogia no seu âmbito histórico de pensamentos. Segundo Aranha (2006), na antiga Grécia os filósofos começam a se questionar qual seria a melhor maneira de repassar a educação, e, com estes pensamentos, surgiu a Pedagogia. Sendo assim, de acordo com o pensamento e as ideias de Durkheim (1965), a Pedagogia é vista sob a compreensão de um método literário que coloca em afronta a educação praticada e, dessa maneira, posiciona-se contrária à ideologia da ilusão. Afirmação essa, compreendida nos períodos finais e iniciais dos séculos XIX e XX, respectivamente.

Entretanto, o filósofo Herbart, antes de Durkheim, compreende a ideia da palavra Pedagogia exatamente dentro de um contexto relacionado a outros aspectos ideológicos. O filósofo Herbart (2003), conceitua, então, a Pedagogia como a ciência da educação. Dessa forma, o referido autor fundamenta a Pedagogia a partir da ótica da Psicologia, ideia essa que é divulgada nos tempos atuais. Somando-se a ideia do conceito de Pedagogia, apresentada no parágrafo anterior, pode-se fazer um paralelo comparativo com o termo didática, o qual é visto sob o ponto de vista de uma técnica.

[…] a didática expressa uma prática pedagógica que decorre da relação básica do sistema capitalista num momento histórico determinado; portanto como as classes sociais se relacionam vão se materializar em técnicas, processos, métodos, tecnologias, inclusive processos pedagógicos que se realizam através de uma certa relação pedagógica (MARTINS, 2006, p. 23).

Sendo assim, essa ideia representa-se como uma variável que compreende a prática do professor juntamente com uma interação de métodos e leis voltadas ao funcionamento e aplicabilidade da aprendizagem escolar.

Como instrumentalização o momento em que o professor, por meio da ação docente transmite aos educandos os conhecimentos científicos construídos pela humanidade de forma a libertá-los do estado de ignorância, e consequentemente das diferenças sociais em que vivem (SAVIANI, 2006, p.71).

Desse modo, pode-se afirmar que dentro da Pedagogia há uma área de interferência, a qual pode ser entendida como a área da Didática. Complementando a informação do parágrafo anterior, torna-se importante destacar que a pedagogia é vista, na maioria dos casos, como uma ilusão de ótica dentro do ensino-aprendizagem. Para Libâneo (2006), a Didática é tomada como “disciplina integradora” que engloba um conjunto de conhecimentos que entrelaçam contribuições de diferentes esferas científicas (Teorias da Educação e do Conhecimento, Psicologia, Sociologia, Filosofia).

No entanto, refere-se, também, a um ponto de vista macro como uma área teórica educacional. Por conseguinte, a Didática é entendida como o conjunto de métodos que orientam o funcionamento educacional. Sendo assim, enfatiza-se agora a Didática, de acordo com as perspectivas teóricas-filosóficas de Herbart e Dewey. Desse modo, deve-se compreender, primeiramente, que a didática herbatiana centra-se no professor, o qual se apropria do conhecimento e repassa aos alunos, de maneira mecânica.

[…] subsume correntes pedagógicas que se formularam desde a Antiguidade, tendo em comum uma visão filosófica essencialista de homem e uma visão pedagógica centrada no educador (professor), no adulto, no intelecto, nos conteúdos cognitivos transmitidos pelo professor aos alunos, na disciplina, na memorização. Distinguem-se, no interior dessa concepção, duas vertentes: a religiosa e a leiga (OLIVEIRA, 2009, p.52).

Nesse caso, o mais importante a ser considerado é o alcance dos resultados esperados na aprendizagem dos alunos. Já em relação à ideia de didática de John Dewey (1959), privilegia-se o aluno, e, assim, os discentes constroem de maneira contínua a abstração das questões estudadas assim como apresentam suas devidas soluções. Sendo assim, podemos compreender a seguinte afirmação:

O uso da problematização no ensino-aprendizagem, é de suma importância para que ocorra o conhecimento significativo, uma vez que a aprendizagem ocorreria mediante as experiências anteriores vivenciadas pelo aluno, onde ele não só desenvolveria a técnica como também o intelecto e a moralidade em vista ao seu desenvolvimento integral (DEWEY, 1959, p. 24).

Contudo, atualmente, privilegia-se o próprio caminho do desenvolvimento cognitivo, o que não nos impede de dizer que isso se configura como um espelho da metodologia científica experimental, fazendo, portanto, com que haja uma interação com os conhecimentos básicos a serem apropriados por todo o alunado. Procedimento esse que se encontra embutido no centro dos conceitos pedagógicos inovadores, ou seja, o “aprender a aprender”. Importante lembrar, também, que a Filosofia da Educação, e, também, a Pedagogia, procuraram, ao longo dos anos, nomear as indefinições conceituais no mundo educacional por meio da palavra e da reflexão sobre o modelo pedagógico.

Somente nas definições atuais filosofia e educação são consideradas processos distintos. “Na sua origem, a filosofia é propriamente um projeto educativo; num segundo momento, a filosofia fornece os fundamentos do projeto pedagógico e a pedagogia vira uma consequência do projeto filosófico; num terceiro momento, a filosofia assume a tarefa crítica relativa às teorias educacionais” (BOTTER, 2012, p. 20).

E a principal reflexão feita é exatamente o seguinte: A pedagogia representa essencialmente o quê? A prática pedagógica simboliza realmente, o quê?

Para responder as duas perguntas anteriores pode-se compreender que a Pedagogia e o fazer pedagógico são atos tão naturais ao ser humano, porém, em muitas das vezes, não percebemos a realização desse ato. O ato de ensinar e o ato de aprender com alguém sendo permeado pelo outro nessa relação é algo espontâneo, e, dessa forma, natural ao ser humano que, em geral, não se apercebe realizando esse ato.  Ademais, ao refletirmos sobre origem do termo pedagogia que, aliás, é um termo de origem grega, e, ainda, uma conjunção de duas outras palavras, podemos perceber que dá para se aprofundar um pouco mais intensamente no sentido original do que realmente é a Pedagogia. Na Grécia antiga, a palavra Paidagogia designava cuidados juntamente com a guarda da criança ou adolescente.

A palavra paidagogos nomeava inicialmente o escravo que conduzia acriança, com o tempo o sentido do conceito ampliou-se para designar toda teoria sobre a educação. […]. Os gregos esboçaram as primeiras linhas conscientes da ação pedagógica e assim influenciaram por séculos a cultura ocidental (ARANHA, 2006, p. 67).

A expressão paida também é utilizada por alguns autores para denotar aquele que é ingênuo, aquele que ainda não tem a experiência, aquele que não tem o governo sobre a própria existência, ou, ainda, que não pode dirigir a própria vida, como, por exemplo, um escravo. Sendo assim, no pensamento da antiguidade, é aquele que ainda não é capaz de controlar a própria existência ou não tem o domínio sobre si mesmo, sendo a pessoa adequada a levar sobre si a identidade da expressão já citada. Por conseguinte, o termo grego gogia advém do verbo agogé, que significa condução. Dessa forma, é interessante destacarmos o seguinte: os primeiros pedagogos ou os primeiros que receberam esse título de pedagogos, na verdade, eram escravos de família dos aristocratas que tinham suas crianças, isto é, seus filhos e precisavam se deslocar pela cidade, como, por exemplo, ir para o ginásio ou para os mais variados locais.

Dessa forma, o pedagogo é aquele que recebe a incumbência de pegar na mão da criança e levar de um lugar para outro, realizando, portanto, o ato de conduzir a criança, o ingênuo, o inocente. Com o passar do tempo e dos séculos, os próprios mestres que recebiam essas crianças nos locais de aprendizado nos locais de prática de ginástica começaram a se intitular, também, como pedagogos, porém não era uma pedagogia física, ou seja, não era o ato de levar de um lugar para outro, contudo, era um ato de condução da alma, isto é, do espírito do indivíduo, em geral para dentro dele mesmo, para o que ele de fato era ligado: à sua própria personalidade. Configura-se como uma representação espiritual que visa compreender como o indivíduo deveria ser.

Isso era denotado como alma para os gregos. Sendo assim, é possível destacar que nasceu a ideia do tangível em direção ao intangível. Logo, pode-se enfatizar que no início o pedagogo representava a pessoa que literalmente ajudava no deslocamento das crianças e adolescentes entre vários lugares, ou seja, de maneira tangível, material. Durante as transformações conceituais ocorridas em várias épocas, a noção se deslocou, portanto, de algo material para algo espiritual, algo do campo do intangível, do conhecimento, dos valores, dos saberes, ou seja,  compreende, também, o não material. Além do mais, referindo-se à concepção de pedagogo nas últimas décadas, podemos entender o seguinte:

Pedagogo é o profissional que atua em várias instâncias da prática educativa, direta ou indiretamente ligadas à organização e aos processos de transmissão e assimilação ativa dos saberes e modos de ação, tendo em vista objetivos deformação humana definidos em sua contextualização histórica (LIBÂNEO, 2005, p. 52).

Dessa maneira, como educadores e profissionais envolvidos direta ou indiretamente na pesquisa e no debruçamento do processo histórico de desenvolvimento do ensino aprendizagem no nosso país e no mundo, temos a oportunidade de visualizar as várias formas de concepções atribuídas aos pedagogos e à Pedagogia durante muitos anos de construção, ampliação e transformação do conhecimento, no âmbito das mais diversas esferas sociais.

2.2 CURRÍCULO E DOCÊNCIA

Diante de tantas incertezas e dúvidas vividas pelos educadores da atualidade é destacada, neste artigo, a necessidade de os educadores realizarem uma ou várias viagens reflexivas perante o contexto de inovações e a todo o processo de oferta e aplicabilidade de ideias no processo de ensino-aprendizagem nos últimos anos.

A razão e o sentido da escola é a aprendizagem. O processo de (re) construção do conhecimento é o próprio objetivo do trabalho educativo. Portanto, o centro e o eixo da escola é a aprendência, única razão de ser. Todas as atividades dessa instituição só fazem sentido quando centradas na (re) construção do conhecimento, na aprendizagem e na busca (WITTMANN; KLIPPEL, 2010, p. 81).

Dessa maneira, nós, educadores, percebemos a notória necessidade de refundação da escola perante as transformações e mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas. Sendo assim, pode-se destacar três elementos fundamentais para encorpar a tal refundação escolar já mencionados, os quais são: a pessoa, a partilha e a prudência. Interessante enfatizar que a temática apresentada neste artigo correlaciona estreitamente com uma ligação de duas palavras às quais são Docência e Decência, enfatizando que a união de significado desses dois vocábulos torna possível um trabalho da Pedagogia da Emancipação, ou seja, defende-se um ensino-aprendizagem que liberte as pessoas em todo o seu contexto de vida escolar e extraescolar.

Além do mais, deve-se destacar, também, que diante de todo o exposto já feito neste documento, é importante destacar que a ação pedagógica, ao longo do século anterior, foi baseada na ideia de um “padrão perfeito” de estudante, porém, na verdade, tal aluno nunca existiu. Essa prática deu origem a um grande dilema para os educadores com o passar dos anos, levando em consideração que a sociedade sempre passou por mudanças de interesses e, nesse contexto, o ensino com esse modelo citado permanecia estático e, consequentemente, não atendia satisfatoriamente aos anseios de vida dos educandos.

Atualmente, sabemos que o mencionado “padrão perfeito” de aluno desapareceu completamente e, hoje, nos deparamos com uma diversidade enorme, formada por educandos de todas as origens. Sendo assim, pode-se afirmar que tem faltado, dentro do processo educacional, uma teoria da pessoa (da pessoalidade) que nos auxilie no entendimento de que as pessoas têm, cada uma, o seu lado singular e o seu lado das variações pessoais de ser e agir, tanto os docentes quanto os discentes. Importante enfatizar, também, que, nos últimos anos, os educadores têm insistido na arte da educação do ponto de vista que reitera uma profissão humanizada e orientada pelo comportamento e interesses da sociedade.

O pedagogo será aquele profissional capaz de mediar teoria pedagógica e práxis educativa e deverá estar comprometido com a construção de um projeto político voltado à emancipação dos sujeitos da práxis na busca de novas e significativas relações sociais desejadas pelos sujeitos (FRANCO, 2003, p. 110).

Sendo assim, como educadores, podemos perceber que os desinteresses apresentados pelos alunos considerados pertencentes à uma nova realidade social, ou seja, alunos que colocam, dentro da escola, suas próprias realidades de vida, configurando um corpo-a-corpo diário a que os educadores estão sugestionados é um desafio da educação atual. Dessa maneira, este artigo aponta para a necessidade que os educadores têm de exercitar práticas de auto formação, de maneira contínua, reflexiva, aprimorada, inovadora, transformadora e, acima de tudo, é preciso que a auto formação realmente tenha significado e faça sentido na sua vida como profissional da educação. Segundo Freire (1996), o bom professor é o que consegue, a partir da fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento.

Nesse contexto, o profissional educador poderá intervir significativamente na vida dos seus alunos e o ensino-aprendizagem realmente ganhará um real sentido na vida de toda a comunidade escolar e extraescolar. Com relação ao tópico “a partilha”, pode-se destacar que ele enfatiza uma reflexão relacionada aos conceitos culturais assim como o conceito está ligado às ideias sobre gênero e referentes à equação “poder-saber-conviver”. Dessa maneira, a análise dos conceitos citados anteriormente se fundamenta em dois aspectos, os quais são: o aspecto da distinção e o aspecto da convivência. Nós, educadores, sabemos que no contexto educacional de hoje é dada uma grande atenção ao conceito das diferenças.

Assim sendo, esta atenção traduz o desejo de responder com exatidão aos mais variados estudantes com pensamentos diferentes que as escolas precisam receber e atender atualmente, acompanhando, sobretudo, os seus projetos de vida que são muito diferentes daqueles que estávamos habituados. Referindo-se agora ao conceito de conviver, destaco um dos vários fatores que aproxima as pessoas dentro da escola. Trata-se do desejo de compartilhar as leis da vida em sociedade, e, também, o desejo de partilhar a vivência social de maneira coletiva e harmoniosa, ou seja, de aprender as regras de vivência social, isto é, a prática do aprender e ensinar dialogando e praticando a democracia e as normas de convivência em toda a sociedade globalizada.

Por conseguinte, no cenário educacional atual, percebemos a emergência do professor coletivo (do professor como coletivo) sendo esta a realidade mais notória que toda a sociedade escolar e extraescolar pode perceber nos dias de hoje, ou seja, a profissão de professor ganhou um sentido de evolução do campo da atuação individual para o campo da atuação coletiva. Dessa maneira, pode-se entender que o professor, dentro da sua profissão de educador, precisa, urgentemente, mudar o seu conhecimento profissional para que haja uma prática conjunta com toda a sociedade. Dessa maneira, pode-se destacar que o currículo moderno se consolidou durante a passagem do século XIX para o século XX, uma vez que percebemos um contexto harmonioso de conhecimentos assim como a presença de um padrão básico de ensino-aprendizagem, acompanhado da didática para a sua transmissão.

O currículo e seu significado na sociedade contemporânea. Remete-nos a aprofundar a questão curricular como processo social que se realiza no espaço concreto da escola e que deve garantir, aos sujeitos envolvidos, acesso a diferentes referenciais de leitura e relacionamento com o mundo, proporcionando-lhes não apenas conhecimento e outras vivências, mas também contribuindo para a sua inserção na instituição histórico-social (SACRISTÁN; 2000, p. 15).

Assim sendo, surge, no contexto educacional, dois questionamentos principais: Ensinar o que satisfatoriamente? Aquilo a ser ensinado dever ser feito de que maneira? De acordo com o Reboul (1971), vale à pena ensinar aquilo que torna as pessoas libertas e unidas em torno de um mesmo propósito, ou seja, aquilo que harmoniza a sociedade de maneira que faça sentido e tenha real significado para todos os seres sociais. E, além do mais, vale à pena ensinar aquilo que dá vida à investigação, à experimentação e à ludicidade, deixando, então, a vida mais prazerosa, pois há mais desejo de viver. Dessa maneira, pode-se dizer sobre a concepção de currículo que ele necessita trazer questionamentos relacionados à existência ou não da ligação entre o saber científico e o senso comum na prática dos professores em sala de aula. Nesse sentido, Tardif (2007, p. 13) nos mostra:

[…] a história das disciplinas escolares, a história dos programas escolares, e a história das ideias e das práticas pedagógicas, o que os professores nos ensinam (os saberes a serem ensinados) e sua maneira de ensinar (“o saber ensinar”) evoluem com o tempo e suas mudanças sociais. No tempo da Pedagogia, o que era “verdadeiro”, “útil” e “bom” ontem já não o é mais hoje. Desse ponto de vista, o saber dos professores (tanto os saberes a serem ensinados quanto o saber-ensinar) está assentado naquilo que Bourdieu chama de arbitrário cultural: ele não se baseia em nenhuma ciência, em nenhuma lógica, em nenhuma evidência natural. Noutras Palavras, a Pedagogia, a Didática, a Aprendizagem, e o Ensino são construções sociais cujos conteúdos, formas e modalidades dependem eminentemente da história de uma sociedade, de sua cultura legitima e de suas culturas (técnicas, humanísticas, cientificas, populares, etc..) e de seus poderes e contra poderes, das hierarquias que predominam na educação formal e informal, etc.

Referindo-se agora ao “como ensinar”, pode-se enfatizar, em relação à prática docente, que, na ausência de sentimentos emotivos, o educador dificilmente conseguirá atrair ideias fundamentadas na racionalidade por parte dos seus alunos. Por conseguinte, sempre pensamos na expressão Pedagogia partindo do seu sentido mais simplificado para o seu sentido mais abrangente. Consequentemente, fechamo-nos dentro de um contexto de paradigmas que os questionamentos teóricos mais apurados chegam a desconstruir degrau por degrau. E, atualmente, torna-se bem notório a nossa necessidade de chegarmos a um paradigma inovador sobre o que é currículo e o que é ensino aprendizagem.

Estudos históricos apontam que a primeira menção ao termo currículo data de 1633, quando ele aparece nos registros da Universidade Glasgow referindo-se ao curso inteiro seguido pelos estudantes. Embora essa menção ao termo não implique propriamente o surgimento de um campo de estudos de currículo, é importante observar que ela já embute uma associação entre currículo e princípios de globalidade estrutural e de sequenciação da experiência educacional ou a ideia de um plano de aprendizagem. Já nesse momento, o currículo dizia respeito a organizar a experiência escolar de sujeitos agrupados, característica presente em um dos mais consolidados sentidos de currículo (LOPES; MACEDO, 2011, p. 20).

Além do mais, enquanto educadores e apreciadores da arte educacional, é possível compreender que o currículo é exatamente aquilo que nós precisamos aprender e colocar em prática na nossa vida. Compreende, também, tudo aquilo que o aluno estuda. Entretanto, ao estudar as particularidades conceituais e históricas sobre o currículo, podemos compreender que, no conceito desse referido termo, alinham-se muitos níveis, aspectos e circunstâncias formadoras que devem ser levados em consideração no momento de uma análise mais conceitual e histórica. Portanto, diante de todas as ideias relacionadas ao contexto educacional apresentadas neste artigo, pode-se dizer que a formação dos professores se encontra diante da urgente precisão de fortalecer os docentes em profissionais e humanos detentores de novos conhecimentos, ou seja, de maneira a desenvolver uma contínua multiplicação de saberes inovadores.

Segundo André (2002), a formação docente deixa muitas questões abertas sobre quais processos e práticas seriam mais efetivos no contexto da Educação Brasileira, além de que muitas políticas deveriam ser formuladas tendo em vista essa formação. Dessa maneira, é de fundamental importância a aplicação dos métodos de capacitação continuada na prática docente. Pimenta (2000), sugere que os saberes pedagógicos podem colaborar com a prática ao serem mobilizados a partir de problemas enfrentados na prática, pois, desse modo, cria-se a interdependência entre os saberes teóricos e experienciais. Sendo assim, como educadores, precisamos praticar no nosso cotidiano escolar e extraescolar novas leituras, releituras e reflexões sobre a convivência e essas devem estar relacionadas aos interesses pessoais e coletivos da sociedade na qual estamos inseridos, zelando, sempre, pelo bem comum.

2.3 REFLEXÕES SOBRE CULTURA

Sabendo que a construção e o desenvolvimento social estão baseados na troca de experiências contínuas entre as pessoas e que o conhecimento é intrinsecamente coletivo, podemos, a partir de então, desenvolver uma reflexão sobre as ligações entre a cultura e os dois tópicos já apresentados neste documento, os quais são Pedagogia e Currículo. Para Dussel (2003), a pedagogia é, antes de tudo, uma prática que reflete sobre as formas de transmissão da cultura e na própria prática de transmiti-la. Dessa maneira, quando pensamos em Cultura, refletimos sobre várias áreas do relacionamento humano como, por exemplo, sobre as artes, estilo de vida, grau de estudo, dentre outras coisas.

O conteúdo é condição lógica do ensino, e o currículo é, antes de mais nada, a seleção cultural estruturada sob chaves psicopedagógicos dessa cultura que se oferece como projeto para a instituição escolar. esquecer isto supõe introduzir-se por um caminho no qual se perde de vista a função cultural da escola e do ensino (SACRISTÁN, 2000, p. 19).

Entretanto, é necessário pensar na seguinte questão: o que as artes, o estilo de vida e o grau de estudo têm em comum entre si para serem chamadas de culturas? É preciso compreender que a palavra cultura é de origem latina, isto é, advém de colere, que significa cuidar de e tomar conta de. Sendo assim, quando se toma conta de alguma coisa, começa-se, então, a fazer cultura, isto é, quando se cuida de algo ou se administra um bem, tem-se a cultura. Por conseguinte, a palavra colere formou os vocábulos agricultura, floricultura, piscultura, etc. E, dessa forma, podemos indagar o que essas palavras citadas têm em comum? É a palavra cultura propriamente dita. A título de exemplo, no caso da palavra agricultura, o significado é tomar conta das produções agrícolas e das demais produções da terra. Floricultura compreende o ato de cuidar das flores e a Psicultura de tomar conta de peixes.

Dessa forma, as palavras colere e cultura significam tomar a natureza e cuidar dela. Logo, a natureza por si só não fornece os melhores frutos. Por exemplo, morangos, na natureza, estão passíveis de várias pragas, podendo ficar deteriorados. Com a ação do agricultor que cuida do morango, o fruto fica mais bonito. Outro exemplo é a goiaba, quando encontrada no pé pode ocorrer que a fruta esteja infectada por fungos, e, assim, a fruta não nos servirá mais como alimento. Agora, quando encontramos a goiaba no mercado, provavelmente ela estará limpinha, bonitinha e sem fungos, isto porque a fruta foi cuidada por meio da cultura. Então, a cultura compreende justamente o ato de transformar a natureza. Mas, em nosso caso, qual natureza a cultura vai transformar? A natureza humana.

Uma educação comprometida com a “sabedoria” de viver junto respeitando as diferenças, comprometida com a construção de um mundo mais humano e justo para todos os que nele habitam, independentemente de raça, cor, credo ou opção de vida (FERREIRA, 2004, p. 306-307).

Sendo assim, a cultura é uma maneira de o ser humano desenvolver e modificar aquilo que denominamos de estado natural do próprio ser humano. Castro (2010), relata que, em termos gerais, a cultura é, pois, parte ou o próprio modo de vida em movimento. O que nos leva a perceber que todos os exemplos têm em comum a transformação da natureza. Além do mais, como o termo cultura é apresentado como a transformação da natureza pela humanidade, ao analisar as ideias apresentadas anteriormente sobre o conceito do referido termo, podemos compreender que os seres humanos têm a capacidade de se adaptar a qualquer ambiente e situação em grande vantagem, quando comparados a quaisquer outras espécies de seres vivos no nosso planeta, isso porque as outras espécies de seres vivos não possuem, de igual modo, a capacidade de abstração e raciocínio que os seres humanos possuem.

A educação é baseada não nas formas da sociedade, nas tradições sem sentido da escola e na completa ignorância da infância, mas no conhecimento da verdadeira natureza do homem. O homem natural não é o homem selvagem, mas o homem governado e dirigido pelas leis de sua própria natureza, tais leis podem ser descobertas como quaisquer outras por meio da investigação (MONROE, 1983, p. 258).

No entanto, mesmo com a vantagem dos seres humanos em relação à sua racionalidade quando comparado aos outros seres vivos, é importante enfatizar que a sabedoria é fundamental para o desenvolvimento do conhecimento e está ligada diretamente à nossa origem e à história da sociedade na qual vivemos. Sendo assim, a construção do conhecimento, seja ele científico ou de senso comum, é produto de uma cultura fundamentada entre muitas gerações assim como retransmitida por meio da linguagem oral e verbal. Nessa perspectiva, a afirmação a seguir complementa o contexto de ideias que este artigo articula.

A compensação que o homem tem pelos seus dotes corporais relativamente pobres é o cérebro grande e complexo, centro de um extenso e delicado sistema nervoso, que lhe permite desenvolver sua própria cultura (CHILDE, 1986, p. 40-41).

Nessa afirmação anterior, o que nós encontramos nela que nos ajuda a entender o que é a cultura em relação à natureza? Além do mais, com a nossa capacidade de raciocínio, nós conseguimos raciocinar sobre a natureza e modificá-la. Essa modificação é a cultura. Esse cuidado que o ser humano tem com a natureza é que vai determinar a cultura e a cultura é transmitida não pelo sangue: a humanidade modifica a cultura pela sua racionalidade e não por instinto, como é o caso dos animais. É transmitida de uma geração para outra e essa cultura se acumula e é transmitida. O que a gente poderia se perguntar é: já que a cultura transforma a natureza, que tipo de transformação seria essa? Será que a cultura estaria dentro da natureza? A cultura seria algo natural? Ou, ao transformar a natureza, a cultura é algo diferente da natureza?

Para uma melhor compreensão a essas perguntas precisamos compreender as relações culturais desenvolvidas pelas mais variadas sociedades. Dessa maneira, alguém já deve ter ouvido a seguinte frase: “fulaninho não tem cultura” ou “fulaninho é muito mal-educado”. Podemos notar que muitas pessoas confundem cultura com educação. Outras acabam confundindo cultura com etiqueta. O que podemos perceber é que muitas pessoas têm a visão de cultura do senso comum. E essa visão do senso comum compreende essa cultura como se fosse algo ligado necessariamente a esses comportamentos de etiqueta. Como, por exemplo: cultura é uma pessoa que lê bons livros; é uma pessoa que fala de forma erudita; é uma pessoa que come, na mesa, de forma adequada ao usar garfo e faca, dentre outros.

Segundo Roble (2012), somos parte de um equilíbrio natural e dependemos desse equilíbrio para a manutenção de nossa vida. Nesse sentido, sabemos que esses exemplos citados anteriormente não são cultura, mas sim revelam um aspecto cultural, hábito cultural e comportamento cultural. Logo, cultura não é algo que alguns possuem e outros não. Não existe possibilidade de alguém falar que o outro não tem cultura. Isso está errado do ponto de vista social, porque todo mundo tem cultura. Dessa maneira, pode-se afirmar que cultura não tem nada a ver com certos padrões considerados ideais por algumas pessoas ou alguns grupos sociais. Por conseguinte, podemos afirmar que cultura é qualquer relação social. É qualquer hábito ou prática cultural.

A cultura é uma fachada que disfarça mecanismos sociais de diferenciação, os objetos artísticos sendo “apenas” meios para a naturalização da natureza social dos gostos; os julgamentos estéticos são apenas denegações deste trabalho de naturalização, que só pode ser realizado se desconhecido enquanto tal (HENNION, 2002, p. 81-82).

Então, frases do tipo “MPB é cultura e FUNK, não”; “samba é cultura e pagode não” e que a “música clássica é cultura e o Rap não” podem ser escutadas no dia-a-dia. Pode-se entender que alguns aspectos culturais são mais bem aceitos ou menos aceitos pela sociedade. Todavia, em nenhum momento, pode-se afirmar ou colocar que certo hábito cultural não é cultura. Isso não faz sentido. Isso é visão cultural do senso comum que compreende esse pensamento como correto. É algo problemático, pois se manifesta nos mais variados meios sociais.

Rivalidades e lutas em uma disputa improvisada sustentada por um dado fundo musical, executados em um equipamento cuja qualidade não importa contanto que seja alto o bastante, para serem ouvidos no calor do momento por colegas, companheiros, iguais (HENNION, 2002, p. 88).

No entanto, em uma mesma sociedade, há várias e distintas compreensões sobre vários assuntos, isto é, há entendimentos sobre alguns temas que não necessariamente são verdades. O que podemos afirmar é que isso é o senso comum. Assim, a visão de cultura do senso comum entende a cultura como algo ligado à educação, e, dessa forma, bate de frente com a visão cultural da Sociologia. Para a Sociologia cultura é um conjunto de hábitos, práticas, comportamentos, vivências e regras práticas de ambientações sociais. Não necessariamente está ligado a vivências de um grupo. Não é porque um grupo de elite considera que balé, música clássica, assistir uma boa ópera é cultura que, por exemplo, um baile funk ou uma festa com rap ou pagode não é cultura. É bom compreender que tudo isso é cultura, ou seja, o funkeiro tem cultura.

Dessa maneira, devemos romper com a ideia de que devemos considerar que umas pessoas têm cultura e outras não. Diante da Sociologia esse viés não apenas é equivocado, como também é preconceituoso. Devemos ter muito cuidado em não relacionar a cultura como algo interligado à educação. Devemos, ainda, ter muito cuidado em não falar cultura como algo interligado à etiqueta, isto é, a um comportamento adequado. A cultura está ligada à qualquer prática de um grupo. Então, se numa relação de um grupo, de um grande agrupamento social, houver um tipo de música, é a cultura daquele grupo. Sendo assim, devemos pensar nas relações culturais presentes no contexto social, e, assim, podemos dizer que a cultura se modifica de acordo com cada período histórico, ou seja, ela se modifica historicamente.

Com isso, Eagleton (2005), afirma que a cultura não é unicamente aquilo de que vivemos. Ela também é, em grande medida, aquilo para o que vivemos. Ela significa afeto, relacionamento, memória, parentesco, lugar, comunidade, satisfação emocional, prazer intelectual, um sentido de significado último. A cultura se modifica de acordo com o tempo. Vamos imaginar a seguinte cena: um avô ou uma tia mais idosos, nesse contexto, acabam se deparando com um embate cultural. E por que um embate cultural? Porque essas pessoas nasceram e viveram momentos históricos diferentes. As culturas relacionadas a esses processos, ou seja, a esses momentos se modificam. Então, o que é normal, culturalmente, hoje, pode não ser normal, culturalmente, amanhã. Dessa maneira, é interessante que a gente entenda e perceba que a cultura varia. A cultura não é fechada, ela se altera, isto é, não é um ambiente fechado, consolidado.

Logo, é importante destacar que a cultura sofre influências dos interesses dos mais variados grupos sociais ao longo dos anos. Segundo Lopes (2005), a cultura refere-se às “teias” de significados tecidas pelo homem ao longo de sua existência. A título de exemplo, vejamos: se a gente, hoje, em 2020, pudéssemos voltar no tempo para 1850, com certeza não conseguiríamos aplicar os mesmos comportamentos de hoje naquela época. Isso ocorre porque a cultura não está ligada somente a posições determinadas, permanentes, o que explica o seu caráter de modificação contínua. Kramer (1998), afirma que a tradição cultural, simultânea a cada grupo, a seus valores, a suas trajetórias, a suas experiências, a seu saber e ao acesso ao acervo cultural disponível pode favorecer o desenvolvimento da pessoa.

Alguns hábitos culturais dos anos 90 já são malvistos hoje em dia. Vejamos: por exemplo, alguns filmes dos anos 80 retratavam pessoas fumando dentro de um avião, e, na década passada, era possível ver professores fumando nas salas de aula. Hoje em dia, essas práticas são inadmissíveis, o que mostra a alteração das relações e hábitos culturais ao decorrer do tempo. Dessa maneira, podemos perceber que o período histórico tem a ver com a cultura, com nossos comportamentos e com nossas tradições, visto que a identidade cultural de uma sociedade é formada no contexto de convivência civilizadora. Ela se forma a partir de hábitos e comportamentos que são incorporados historicamente e não são fechados e nem consolidados. O que é visto como civilizado e correto hoje em dia, caso aplicado em contextos de épocas passadas, não teria a mesma aceitação.

Outro ponto interessante a ser entendido nas relações culturais são as práticas, saberes e normas, ou seja, são regulamentações e comportamentos. Para Freire (1996), esses valores dão suporte para a elaboração de uma ideia ou de uma concepção sobre a realidade. Sendo assim, podemos enfatizar que o processo de relacionamento social qual demonstra as formas como a gente se comunica e como nos expressamos com as pessoas a nossa volta, como nossos pais, amigos, vizinhos etc. Tudo isso tem a ver e está interligado e em comunicação com os processos culturais. Dessa forma, podemos citar como exemplo: se pegarmos nosso celular e enviarmos mensagem para um amigo qualquer e ele não responder em cinco minutos, já iremos supor que ele está nos ignorando.

Isso ocorre porque, hoje em dia, as formas de interação social são diferentes. Agora, imagine essa vivência há 50 anos, período no qual não havia como falar com a pessoa que estava fora de casa porque não existia celular. Dessa maneira, podemos fazer uma reflexão paralela entre tudo o que já foi exposto neste documento e o seguinte pensamento do texto de uma das medidas aprovadas na conferência do prêmio Nobel, ocorrida no palácio do Eliseu – Paris: a riqueza da humanidade reside, também, na sua diversidade. Ela deve ser protegida em todos os seus aspectos – cultural, biológico, filosófico, espiritual.

Para isso a tolerância, a opinião do outro e a recusa das verdades definitivas, devem ser sempre lembradas (BARRETO, 2000). Dessa forma, a cultura além de ser influenciada pelo período histórico, ela, também, é influenciada pelas formas de comportamento nas interações. As formas de comportamento dizem respeito, ainda, à comunicação entre os indivíduos. Compreende, ainda, o processo de fala que se manifesta nas relações entre os indivíduos. Sendo assim, é possível concluir que a Sociologia é formada por um grande bloco que compreende as ciências sociais e está dividido em três ramos, os quais são: Ciências Políticas, Antropologia e Sociologia.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que as Ciências Políticas compreendem e analisam a regulamentação das formas de Estado, de governo, as constituições e as regras de comportamento estatal e governamental. Pensam, também, em como se modificam ao longo do tempo e como as formações políticas alteram ao longo do tempo. A Sociologia, por sua vez, visa refletir sobre as relações sociais que se manifestam na sociedade. Considera tanto as relações grandiosas como a globalização quanto relações marcadas pelo racismo, por exemplo. A Antropologia, por fim, é o ramo responsável por estudar a cultura. Compreende o conceito de cultura e como ela é entendida nos grupos sociais. Pensa-se em como a cultura é entendida, por exemplo, em uma tribo indígena na Amazônia ou como é entendida, por exemplo, em uma tribo de Esquimós no norte do Canadá.

Assim, a Antropologia compreende os aspectos sociológicos, sob a ótica das Ciências Sociais, e, então, propõe o estudo da cultura. Desse modo, de acordo com as apresentações relatadas neste artigo sobre a aplicabilidade entre o currículo, a cultura e a pedagogia podemos notar que os conceitos e definições de cada um desses termos citados passaram por modificações de uso e sentido ao decorrer dos anos, atendendo e se adaptando aos interesses sociais de cada época. Por fim, a aplicabilidade conceitual entre o currículo, a cultura e a pedagogia sempre passou por transformações ao longo da história e isso é muito pertinente no contexto educacional, já que o conhecimento não é algo pronto e acabado, pelo contrário, é algo em contínuo aprimoramento, passando por inúmeras mudanças ao longo do tempo, de acordo com os interesses sociais de cada época.

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[1] Mestrando em Ciências da Educação (2019) pelo CECAP (Instituto Superior de Educação do Cecap – Iscecap). Licenciado em Pedagogia (2005) pela Universidade Estadual do Vale do Acaraú/UVA. Graduado em Matemática (2013) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN. Especialista em Educação Ambiental e Geografia do Semiárido (2011) pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte/IFRN.

Enviado: Novembro, 2019.

Aprovado: Março, 2020.

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Francimar de Oliveira Araújo

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