Gerenciamento Das Informações Contábeis Como Subsídio Aos Processos De Tomadas De Decisão

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/contabilidade/informacoes-contabeis
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ARTIGO ORIGINAL

MARZZONI, David Nogueira Silva [1], SILVA, Antônio Wairan Ferreira da [2], OLIVEIRA, Epaminondas de Azevedo [3]

MARZZONI, David Nogueira Silva. SILVA, Antônio Wairan Ferreira da. OLIVEIRA, Epaminondas de Azevedo. Gerenciamento Das Informações Contábeis Como Subsídio Aos Processos De Tomadas De Decisão. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 03, Vol. 09, pp. 160-175. Março de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/contabilidade/informacoes-contabeis, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/contabilidade/informacoes-contabeis

RESUMO

O objetivo desta pesquisa é analisar a utilização das informações contábeis por empresários de Rondon do Pará/PA. Pois através destes relatórios os gestores podem tomar decisões e diminuir os riscos inerentes ao negócio. Neste sentido foi realizado um estudo para verificar como as informações contábeis influenciam nas tomadas decisões. A metodologia utilizada para realizar a pesquisa se desenvolveu por meio da aplicação de um questionário composto por questões abertas e fechadas para a coleta de dados. Para o estudo foi utilizado uma amostra aleatória de 20 microempresas de um universo de 181 empresas segundo dados da Câmera de Dirigentes Lojistas de Rondon do Pará/PA. Constatou-se que a maior parte dos empreendimentos possuem mais de 5 anos de atividade no mercado, provando ser empresas estabelecidas no comércio. Verificou-se também o grau de relevância dado aos relatórios provenientes da contabilidade e que muitos gestores apesar de considerarem esses relatórios importantes para questões econômicas raramente utilizam-se dessas informações no processo de tomada de decisões gerenciais.

Palavras-chave: Informação contábil, Microempresa, Contabilidade.

1. INTRODUÇÃO

Em um cenário cada vez mais competitivo no âmbito empresarial, a informação torna- se uma ferramenta indispensável para as empresas, sendo algo de fundamental importância para a organização do empreendimento e sua maximização de forma produtiva.

Diariamente as organizações são submetidas a uma quantidade de dados e informações que requerem uma administração específica (BEUREN, 2000). Os gestores a todo momento precisam tomar decisões imprescindíveis em relação ao negócio e saber trabalhar com essas informações para lidar com os problemas com eficácia e ao mesmo tempo ganhar destaque no mercado, este fato transfigura-se como algo complexo, exigindo atenção dos gestores.

Como bem assegura Carvalho e Nakagawa (2004), pode-se dizer que a contabilidade é a ciência responsável por mensurar o patrimônio da entidade, assim fica claro que seu principal objetivo é gerar informações estruturadas e fidedignas para seus usuários a respeito da empresa, não sendo exagero afirmar que a contabilidade tem como função suprir os gestores de dados a fim de gerar informações relevantes que aplicadas de maneira eficiente possibilitem aos usuários alcançarem seus objetivos embasando-se nos relatórios contábeis.

No Brasil as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) exercem um papel extremamente importante na economia do país. Segundo SEBRAE Mato Grosso (2014), existem no Brasil cerca de 9 milhões de MPEs que correspondem a 27% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual este que vem evoluindo nos últimos anos, dessa forma, constata-se que as pequenas empresas são as principais geradoras de riqueza no comércio brasileiro.

Para Baty (1994), as pequenas empresas contribuem significativamente para o desenvolvimento coletivo, colaborando para o crescimento do corpo social e econômico, visto a quantidade de empregos gerados por essas entidades.

Segundo Stroeher (2005) as micro e pequenas empresas requerem uma atenção diferenciada com relação a administração, por possuir arcabouço típico com situações inerentes que as tornam diferentes das grandes empresas, como aspectos tributários, mão de obra específica e questões relativas a contabilidade e finanças.

Mesmo exercendo grande importância socioeconômica, as MPEs apresentam alto índice de mortalidade nos primeiros cinco anos de vida, muitas vezes por falta de administração eficaz por parte dos gestores. Para Marzzoni e Souza (2020) a ausência de consenso relativo ao parecer contábil, reduz a importância das demonstrações em meras obrigações fiscais, ao invés de servir como instrumento de suporte para gestão. Logo, percebe-se a carência dos gestores com relação a uma assessoria eficaz dos contadores.

Stroeher e Freitas (2006) afirmam que os relatórios contábeis dificilmente servem como auxílio nos exercícios empresariais, são considerados na maior parte dos casos como obrigações fiscais, classificados como gastos obrigatórios.

O referido trabalho teve como objetivo identificar a utilização das informações contábeis por empresários do município de Rondon do Pará/PA. Fica, portanto, evidente a necessidade de discussão sobre o tema, haja vista, sua atualidade e principalmente pela relevância nas pesquisas relacionadas às informações contábeis utilizadas para decisões gerenciais.

Diante do exposto, o estudo busca responder a seguinte questão-problema: Como os empresários de Rondon do Pará fazem uso das informações contábeis como base para o processo de tomada de decisões?

O artigo é composto por cinco seções. Após essa introdução é apresentada a revisão da literatura, que aborda os aspectos relacionados à informação contábil, atributos da informação contábil e empresa escritório de contabilidade aspectos gerenciais. A terceira seção contempla a metodologia da pesquisa. A quarta trata da análise dos dados. Na quinta, apresenta- se a conclusão.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 INFORMAÇÃO CONTÁBIL

Baseando-se no método das partidas dobradas para controle e estudo do patrimônio, a contabilidade tem como objetivo aferir e alocar recursos fundando-se nas informações contábeis evidenciadas através de demonstrações contábeis, notas explicativas, laudos, livros ou quaisquer outros meios utilizados pelo profissional ou previstos na legislação.

Conforme Marion (1988), a contabilidade é algo de suma importância para o auxílio nas tomadas de decisões dentro de uma empresa, visto que através dela são coletados dados pecuniários sobre a entidade, materializados por meio de relatórios, que de certa forma influenciará na administração.

Simon (1970) comenta que a informação contábil passou a ser uma ferramenta de fundamental importância que o administrador possui para examinar seu trabalho. As fontes principais da informação contábil são os fatos financeiros corridos em um empreendimento, o profissional contábil tem o papel de observar tais eventos e compila-los para apresentar essas informações mediante relatórios contábeis.

Como bem afirma Oliveira, Müller e Nakamura (2000) além de criar informações, a contabilidade elucida os eventos patrimoniais, dessa forma pode-se planejar exercícios subsequentes, realizar análises, controlar, entre outras finalidades relativas a administração.

As informações contábeis são divididas nos relatórios em grupos de “contas”, classificadas como custos, receitas e despesas que uma empresa pode ter. Algumas vezes esse agrupamento pode causar confusões, algo que muitos gestores não percebem ao analisarem os relatórios contábeis, provocando erros nos demonstrativos.

Se a informação contábil, por um lado, pode ser considerada relevante na tomada de decisão gerencial, muitos usuários não conseguem assimilar essas informações evidenciadas nos relatórios por desconhecerem o conceito de muitos termos utilizados desses demonstrativos (MOREIRA et al. 2013).

Para Beuren (2000) o maior desafio da informação é instruir os administradores do empreendimento a atingirem seus objetivos dentro da organização, saber lidar com essas informações é primordial para o sucesso empresarial.

Dessa forma Atkinson et al. (2000) dizem que a função da contabilidade é produzir informação que venha contribuir nas tomadas de decisões com tempo hábil. A maioria dos gestores não tomam decisões referente a administração baseando-se nas informações contábeis justamente pela falta de entendimento das vantagens que essas informações poderiam trazer no gerenciamento da empresa, com isso fica claro que muitos gestores consideram a contabilidade apenas como uma despesa de caráter fiscal, sem acrescentar valor ao empreendimento (LIMA et al. 2004).

Assim, a contabilidade para atingir sua função de levar informação adequada aos seus usuários, para que tomem decisões fundamentais vinculadas à gestão, deve apresentar algumas características básicas, como ser clara, completa, relevante, íntegra, útil, condigna, e com foco no gerenciamento do empreendimento.

2.2 ATRIBUTOS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL

A informação contábil, em específico as explicitas nas demonstrações contábeis, especialmente as de natureza fiscal, devem proporcionar uma visão razoável da empresa e atender satisfatoriamente os propósitos dos seus usuários. Para que essa informação possa ser consolidada ela precisa possuir algumas características, tais como, confiabilidade, tempestividade, compreensibilidade e comparabilidade, além relevante e fidedigna.

Para Paulo (2002) essas características podem ser primárias e secundárias para a informação válida, considerando uma exceção integral, ou seja, análise de custo benefício da informação, a compreensibilidade sendo características do usuário supondo-se que o mesmo disponha de algum conhecimento de contabilidade e seguimento da entidade, em escala que o qualifique ao entendimento das informações presente nos demonstrativos, na hipótese que garanta analisá-los com profundidade necessária.

A Concretude da informação como linha de autenticação, que é a materialidade, como característica primária tem-se a confiabilidade e relevância e como características secundárias temos a comparabilidade, consistência e uniformidade.

A materialidade simboliza um conceito permeável em relação as características, principalmente da confiabilidade e relevância. Com isso a informação torna-se essencial para o administrador do negócio, quando faz diferença para gestão empresarial, podendo validar ou corrigir perspectivas (STROEHER e FREITAS, 2006).

De acordo com o CPC 00 (R1) (2011) a confiabilidade ou representação fidedigna da informação firma-se na precisão, legitimidade e integralidade dos documentos. Santos (1998) afirma que a comparabilidade exerce interação com a confiabilidade e relevância, colaborando assim para a aplicação da informação de modo eficiente.

A comparabilidade envolve a consistência e uniformidade, possibilitando ao usuário a compreensão do aperfeiçoamento ao longo do tempo, em um mesmo empreendimento ou diversas entidades, usando como referência os mesmos procedimentos nos períodos (PAULO, 2002).

Segundo Santos (1998), a seleção da união eficaz da qualidade da informação está sujeita a necessidade do usuário, ou seja, uma informação relevante para um usuário pode não ser relevante para outro, depende de quem analisa. A contabilidade em sua finalidade de instruir encontra-se inapta a responder as perspectivas de cada perfil de gestor, encontra-se coagida a municiar de um conjunto trivial presumindo ser útil a maior parte dos usufruidores da informação.

2.3 ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE E OS ASPECTOS GERENCIAIS

Flippo e Musinger (1970) afirmam que parte dos gestores exercem suas atividades limitados pela quantidade de materiais (dados) disponíveis por sua agilidade em acessá-los e especialmente aptidão em examiná-los. O bom desempenho de um gestor está conexo em sua competência em aproveitamento de informações, na essência e qualidade de suas decisões.

Os empresários estão mais atentos a informação relativa a questões fiscais, procurando sempre meios para esquivarem-se da carga tributária e esquecendo de aspectos como controle, planejamento, logística e demais pontos ligados ao gerenciamento.

Oliveira, Müller e Nakamura (2000) afirmam que na maior parte das empresas sucedem distorções consideráveis nos demonstrativos contábeis motivados principalmente por fatores de tributação, transformando a informação contábil em documentos que não agregam nenhum valor para a administração, algo manifesto particularmente em empresas de pequeno porte.

Para Carvalho e Nakagawa (2004) a maioria dos demonstrativos contábeis declarados dessa forma configura-se engessada, além de ser altamente influenciados pelas legislações fiscais, fato que dificulta a apresentação das informações gerenciais necessárias. Ainda para os autores, outro fator que dificulta seu processo de elaboração é a diversidade de usuários.

Albuquerque (2004) observou que grande parte das decisões gerenciais são tomadas com base na experiência e palpite dos gestores, e não de uma análise circunstanciada das informações financeiras e mercadológicas. Assim, caberia ao contador estabelecer uma aproximação, participar e conhecer mais o cotidiano empresarial de seus clientes demonstrando com convicção a relevância da contabilidade para uma gestão empresarial de qualidade.

Nesse contexto, justificam-se mais estudos sobre o tema, visto que se torna clara a necessidade de um suporte contábil que possa auxiliar os gerentes a tomarem suas decisões baseados na realidade do seu negócio. De certa forma, as micro e pequenas empresas são pouco estudadas, bem como seu processo de geração e utilização de informações para tomada de decisão, a importância dada à Contabilidade e a forma como são administradas.

3. METODOLOGIA

Quanto a metodologia o presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa descritiva por buscar descrever e apresentar uma visão do uso da Contabilidade no apoio às decisões gerenciais nas microempresas da cidade de Rondon do Pará.

Quanto a abordagem do problema, identifica-se por caráter quantitativo por abordar a opinião dos micro e pequenos empresários a respeito da importância das informações contábeis e ao grau de sua utilização em seus processos diários, por meio de questionamentos que avaliam, no geral, o perfil e a percepção destes a respeito dos benefícios gerenciais que poderão ser obtidos com a utilização de informações contábeis para o suporte às decisões.

Com relação aos procedimentos, o presente estudo caracteriza-se por uma pesquisa de campo, a qual visa descrever fenômenos, perfis ou características de um grupo de indivíduos, que neste caso é o setor micro empresarial de Rondon do Pará/PA.

A população do estudo em questão é o setor micro empresarial da cidade de Rondon do Pará. Quantos aos procedimentos de análise dos dados, os questionários serão tabulados em software Excel, evidenciando por meio de estatística descritiva.

3.1 DELIMITAÇÃO DA AMOSTRA

O escopo de estudo são as microempresas operantes no comércio da cidade de Rondon do Pará, localizada no sudeste do estado do Pará. A princípio foram obtidas informações com relação ao número de microempresas existentes na cidade junto a Câmera de Dirigentes Lojistas de Rondon do Pará (CDL), que indicou existir cerca de 181 microempresas da cidade, desse modo optou-se por uma amostragem composta por 20 empresas de modo aleatório.

3.2 COLETA DOS DADOS

Com relação a coleta de dados foi realizada uma pesquisa de campo mediante questionário composto por 8 questões abertas e fechadas, aplicados pessoalmente em cada empresa. Além de informações passadas diretamente por parte dos gestores que se dispuseram a discutir mais sobre a temática da pesquisa, auxiliando assim com mais clareza na análise.

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS

A amostra foi composta por empresas classificadas como microempresas com base nas informações fornecidas junto a CDL da cidade de Rondon do Pará/PA, os dados da Tabela 1 apresentam o tempo de atividade das empresas da amostra, apresentando a frequência com relação as 20 empresas entrevistadas.

Tabela 1Tempo de funcionamento da empresa

Tempo Frequência %
De 1 a 3 anos 3 15
De 4 a 6 anos 1 5
De 7 a 9 anos 3 15
10 anos ou mais 13 65
Total 20 100

Fonte: Elaborado pelos autores (2020).

Observa-se que existem 13 empreendimentos com 10 anos ou mais de exercício no comércio, apontando uma frequência de 65% em relação a amostra, demonstrando desse modo um percentual considerável de empresas que conseguiram se estabelecer no mercado.

Percebe-se também um número razoável de novos empreendimentos entre 1 a 3 anos, representando 15% da amostra da pesquisa se comparados com a pesquisa realizada por Boas e Morais (2014) em Tangará da Serra-MT que observou uma porcentagem de 22,5% de estabelecimentos entre 1 a 3 anos.

No que se refere aos relatórios fornecidos pela Contabilidade foi realizada uma pergunta de múltipla escolha, com a possibilidade de marcar mais de uma alternativa, com o intuito de analisar quais relatórios estão sendo oferecidos pela contabilidade e após análise dos questionários obteve-se os seguintes resultados conforme dados da Tabela 2.

Tabela 2 – Relatórios recebidos da contabilidade – Exercício 2019.

Relatórios Frequência %
Balanço Patrimonial, Balancetes, Fluxo de Caixa, DRE 8 40
Relatórios fiscais e Trabalhistas 15 75
Relatórios de entrada/saída de mercadorias, receita e pagamentos 10 50
Informações passadas diretamente do contador 5 25
Outros 5 25

Fonte: Elaborado pelos autores (2020).

Nota-se que os relatórios fiscais e trabalhistas são os mais fornecidos pela contabilidade com um percentual de 75%, seguido dos relatórios de entrada/saída de mercadorias, vendas e contas a pagar com cerca de 50% e por fim 40% dos entrevistados afirmaram receber demonstração de fluxo de caixa, balanço patrimonial, balancetes e DRE.

Os percentuais se mostram significativos se levarmos em consideração os estudos realizados por Boas e Morais (2014) que constataram que 24% dos gestores recebiam o balanço patrimonial, 19% a demonstração do fluxo de caixa e 10% o balancete de verificação.

Indagados sobre a relevância da informação contábil no processo de gerenciamento da empresa, 90% dos entrevistados atribuíram esta como importante para tomadas de decisões de caráter econômico-financeiro, conforme Tabela 3.

Tabela 3 – Importância dos relatórios contábeis para gestão empresarial

Alternativas Frequência %
Sim 18 90
Não 2 10
Total 20 100

Fonte: Elaborado pelos autores (2020).

O que corrobora com o estudo realizado por Freitas (2017) em Sant’Ana do Livramento, revelando que a maioria dos gestores consideram os relatórios contábeis fundamenteis para o processo de tomada de decisões gerenciais.

Ao avaliar quais os recursos utilizados com maior periodicidade relacionados a questões de gerenciamento, verificou-se os seguintes resultados de acordo com a Tabela 4. Para isso foi realizada uma pergunta de múltipla escolha com possibilidade de marcar mais de uma opção.

Tabela 4 – Recursos são utilizados com maior frequência para tomada de decisões

Recursos Frequência %
Pesquisa de Mercado 12 60
Planilhas Excel 6 30
Banco de Dados 4 20
Internet 5 25
Relatórios da Contabilidade 3 15
Experiência 14 70
Intuição 4 20

Fonte: Elaborado pelos autores (2020).

A pesquisa aponta que 70% dos gestores tomam decisões baseando-se apenas na sua experiência para administrar o negócio, na sequência a pesquisa de mercado é indicada com 60% como a mais utilizada no gerenciamento, o que afirma o estudo feito por Moreira et al. (2013) em que pesquisaram 146 empresas da cidade de Teófilo Otoni-MG, e observou os mesmos resultados em que grande percentual dos entrevistados administram seus negócios tendo como base sua experiência e pesquisa de mercado como principais recursos para lidar com situações do dia a dia.

Dessa forma, verifica-se que os gestores não compreendem os demonstrativos contábeis da melhor maneira possível, visto que apesar de considera-los importantes para gestão empresarial não os utiliza com frequência na administração do empreendimento (KOS et al., 2014).

Apenas 15% dos gestores utilizam com periodicidade os relatórios contábeis como subsídio a tomada de decisões, frequência preocupante se comparada com a pesquisa realizada por Boas e Morais (2014) que observaram que 76% dos empresários fazem uso dos demonstrativos contábeis como apoio as questões gerenciais.

Em contrapartida, os dados corroboram com a pesquisa de Rebouças et al. (2017) realizada da cidade de Mossoró-RN, em que 17% dos entrevistados afirmaram fazer uso dos relatórios contábeis no que diz respeito a gestão empresarial.

Com relação a percepção dos entrevistados sobre qual área a informação contábil tem maior representatividade e destaque, foi realizada uma pergunta aberta dando assim mais autonomia para o entrevistado refletir sobre a indagação, verificou-se os seguintes resultados conforme Tabela 5.

Tabela 5 – Área em que a informação contábil tem mais utilidade

Área Frequência %
Fiscal e Trabalhista 16 80
Controle Gerencial 3 15
Relatórios em Geral 1 5
Total 20 100

Fonte: Elaborado pelos autores (2020).

Constata-se que 80% dos gestores declararam o setor fiscal e trabalhista como a área na qual a informação contábil tem maior relevância, que segundo Moreira et al. (2013) isso ocorre por falta de compreensão por parte dos gestores do potencial apoio a gestão que a contabilidade pode dispor.

Verifica-se que 15% concordam que os demonstrativos contábeis possuem maior utilidade nas tomadas de decisões e questões associadas ao gerenciamento, contrariando a pesquisa realizada por Boas e Morais (2014) em que 87% alegaram que a informação contábil é importante para a gestão administrativa. Por fim, 5% consideram a informação contábil crucial em todos os setores da instituição.

Sobre continuar o contrato com o seu contador caso fosse simplificado o recolhimento dos impostos e contribuições sociais de modo que não fosse necessário o auxílio do contador para calculá-los, conforme Tabela 6.

Tabela 6 – Disposição em manter com os serviços de contabilidade

Alternativas Frequência %
Sim 12 60
Não 8 40
Total 20 100

Fonte: Elaborado pelos autores (2020).

A pesquisa comprova que 60% dos entrevistados permaneceriam com o contrato de serviços com o contador e 40% não manteriam os serviços caso simplificassem o recolhimento dos impostos e contribuições, indicando que alguns empresários veem a figura do contador como o profissional encarregado de cumprir das obrigações de caráter legislativo.

Em seguida foi perguntado se os gestores se estariam dispostos a pagar a mais ao contador se este oferecesse relatórios com a finalidade de melhorar o desempenho da empresa, segue dados consoante Tabela 7.

Tabela 7 Disponibilidade em contratar uma assessoria contábil

Alternativas Frequência %
Sim 14 70
Não 8 30
Total 20 100

Fonte: Elaborado pelos autores (2020).

Muitos gestores afirmaram que estariam dispostos em pagar a mais caso o contador disponibilizasse relatórios que trouxessem benefícios a gestão, totalizando 70% dos entrevistados, quantidade expressiva, demonstrando que muitos empresários têm interesse em um serviço além do tradicional por parte dos escritórios de contabilidade, e cerca de um terço afirmaram que não pagariam a mais ao profissional por esses serviços.

Comprovando o estudo feito por Brandão e Buesa (2013) na cidade de Vargem Grande Paulista que verificou que 70% dos pesquisados concordam plenamente que a consultoria é um instrumento fundamental na gestão empresarial e que a consultoria junto aos serviços tradicionais facilita o desempenho da empresa.

Por fim, questionados qual o profissional contrataria para mensurar o desempenho da empresa e gerenciá-la, foi realizada uma pergunta aberta, dando mais imparcialidade de respostas aos entrevistados, obteve-se resultados conforme Tabela 8.

Tabela 8 – Profissional que a empresa contrataria para avaliar e controlar o seu desempenho

Profissional Frequência %
Administrador 10 50
Economista 3 15
Contador 3 15
Funcionário 1 5
Não Souberam Opinar 3 15
Total 20 100

Fonte: Elaborado pelos autores (2020).

Pode-se observar que na concepção dos entrevistados, 50% indicam que um administrador pra tal função seria o mais indicado, e apenas 15% designariam essa função a um contador, desse modo, segundo Moreira et al. (2013), o profissional de contabilidade não é conhecido como um profissional que produz informações úteis a gestão empresarial, ou seja, a percepção que se tem a respeito do profissional de contabilidade está relacionada principalmente aos serviços que têm como objetivo cumprir as necessidades do fisco.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo buscou analisar como os empresários e gestores das microempresas na cidade de Rondon do Pará/PÁ estão utilizando-se das informações da contabilidade para as tomadas de decisões e qual a importância atribuída a esses demonstrativos.

Quanto ao objetivo geral pode-se verificar a compreensão dos entrevistados relativo a contabilidade e relatórios contábeis e que alguns desses gestores utilizam-se de determinados demonstrativos para controle empresarial, constatou também quais relatórios são entregues pelo contador com maior constância.

Verifica-se que os escritórios contábeis não oferecem um suporte além do atendimento convencional o que poderia ser um diferencial, visto o percentual considerável de gestores embasando-se nos próprios conhecimentos, sendo uma fonte duvidosa para garantir a continuidade no mercado.

Outro ponto interessante foi que alguns entrevistados não souberam responder qual profissional contratariam para avaliar o desenvolvimento da empresa, revelando a carência de uma assessoria a esses empresários.

Dessa forma, fica evidente que os escritórios de contabilidade além dos serviços tradicionais precisam disponibilizar aos clientes um serviço de assessoria, buscando atender essa carência específica.

Com relação as limitações, a pesquisa abrangeu apenas as microempresas do comércio varejista de Rondon do Pará/PA, excluindo os outros segmentos, houve também muita dificuldade com relação a coleta de dados, os questionários foram aplicados pessoalmente com finalidade de melhor preenchimento e mesmo assim sucedeu ocasiões dificultosas com resistência por parte dos entrevistados, contudo foi possível finalizar a pesquisa com eficiência. Para estudos futuros aconselha-se abranger o leque de segmentos para efeito de comparação entre os setores e porte empresarial.

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[1] Mestrado em andamento em Administração Pública. Especialista em Gestão Pública e Tributária. Graduado em Ciências Contábeis. Graduado em Administração.

[2] Graduando em Direito.

[3] Bacharel em Ciências Contábeis.

Enviado: Maio, 2020.

Aprovado: Março, 2021.

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