O entusiasmo excessivo dos torcedores de futebol nas Redes Sociais

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

FONTES, Ludimila Bernardes de Oliveira [1]

FONTES, Ludimila Bernardes de Oliveira. O entusiasmo excessivo dos torcedores de futebol nas Redes Sociais. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 06, Vol. 02, pp. 18-32. Junho de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/comunicacao/entusiasmo-excessivo

RESUMO

O presente estudo destaca as mudanças comportamentais de torcedores de futebol nas Redes Sociais, estabelecendo uma relação do fanatismo esportivo com as torcidas organizadas do Brasil. Para isso, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, baseada em alguns autores como Pimenta (2004), Kloter (2010), McLuhan (1974), com o objetivo de abordar a origem dessas torcidas e toda a repercussão causada nesse grupo de pessoas, admiradoras de um time em questão. A análise foi feita mediante a transmissão dos jogos e com base no relacionamento do fã com a marca no dia a dia, onde demonstram as suas paixões e insatisfações a todo tempo. Além disso, enfatiza a importância do negócio para os clubes como marca nesse novo cenário em que os fãs viralizam as informações de forma instantânea. São abordados ainda, os exemplos de interação dos quatro grandes clubes cariocas que já utilizam as Redes Sociais, para falar diretamente com os seus fieis seguidores de forma interativa, tornando o relacionamento mais próximo, na satisfação dos torcedores.

Palavras-chave: Torcedores, Redes sociais, clubes, seguidores, comportamento.

INTRODUÇÃO

O futebol é conhecido como o esporte que domina o coração de todas as pessoas espalhadas pelo mundo. A atividade, que teve seu surgimento no ano de 1863, virou febre e se tornou uma das mais praticadas em todo o planeta. Além disso, a sua popularidade cresceu devido à praticidade do esporte, sendo de fácil aprendizado, permitindo assim, que qualquer um possa praticá-lo.

Mediante a todo sucesso e repercussão do esporte, ocasionou um grande aumento no número de torcedores. Com isso, formaram-se as primeiras torcidas, as quais na época ainda não eram chamadas torcidas organizadas, como nos dias de hoje. A primeira e oficial teve seu surgimento no ano de 1969 e de lá para cá o número só aumentou. Atualmente, grande parte dos times possui a sua tão vibrante torcida organizada. E o fanatismo no esporte, que é um fenômeno antigo, na atualidade se manifesta de forma crescente nas mídias sociais, fazendo desta um meio para propagação.

As torcidas organizadas sempre foram sinônimo de festa nos estádios, demonstrações de amor ao clube e fidelidade nos jogos. Era prazeroso entoar o canto composto por Neguinho da Beija-Flor, em 1979: “Não quero cadeira numerada, vou sentar na arquibancada pra sentir mais emoção.” Era lá, na arquibancada, onde as pessoas iam para assistir os jogos no meio da bateria, entre as bandeiras das organizadas. Todo mundo queria ser responsável pela festa.

Hoje em dia, vemos uma realidade diferente nos estádios brasileiros. As bandeiras e os instrumentos, que eram os propulsores do espetáculo, agora são considerados armas brancas e estão proibidos de entrar nos estádios brasileiros. Os pais já não querem levar os filhos no meio da torcida, atualmente frequentada por pessoas mal encaradas que defendem suas camisas como se fossem de uma facção.

Hoje, as torcidas organizadas mais destacadas são as que, devido ao uso ostensivo da força e da violência, conseguiram que os feitos fossem respeitados em seu meio e/ou alcançassem boa repercussão na mídia. (Pimenta, 2004, p.267)

O papel das organizadas mudou, e a internet é um dos meios que esses torcedores utilizam para demonstrar medo, marcar brigas e aterrorizar os seguidores de clubes rivais. Como também, o comportamento dos torcedores não é mais o mesmo. Por mais que os grandes clubes façam campanhas online para preservar a paz no estádio, interajam entre si antes dos grandes jogos nas redes sociais e convidem a família para frequentar o estádio, a violência, a tecnologia de assistir os jogos de qualquer lugar e o preço dos ingressos afasta o público de observar os seus ídolos de perto.

Segundo Pimenta (2004), os torcedores fanáticos estão diretamente ligados às torcidas organizadas, as quais são caracterizadas por um grupo de pessoas, admiradoras de um determinado time de futebol, que possui o objetivo de torcer e impulsionar o clube do coração durante os jogos e campeonatos, lutando sempre pela justiça, em todos os momentos da partida, principalmente nos que remetem a confrontos físicos ou verbais, contra o time rival.

A proposta desse estudo é fazer uma analogia entre o fanatismo esportivo e as torcidas organizadas e mostrar como a internet influencia no surgimento das brigas entre times adversários, através de grupos nas redes sociais onde os integrantes combinam horários e locais para se enfrentarem. Além disso, será analisada a reação dos torcedores durante a transmissão dos jogos de seu time nas redes sociais, de que forma eles interagem com as postagens dos jogos que estão sendo transmitidos ao vivo, e como utilizam as redes para compartilhar o amor pelo clube, zombar os torcedores rivais e viralizar as informações. Será abordado ainda, como as redes sociais podem fortalecer a marca do clube no relacionamento com os seguidores, na venda de produtos e ingressos online e nas informações compartilhadas ao longo do dia, que mantém os leitores conectados o tempo inteiro com o clube.

1. O FANATISMO

Segundo o dicionário, a palavra fanatismo significa “sentimento de cuidado excessivo demonstrado por algo ou alguém”. O fanatismo esportivo faz a violência romper as fronteiras do estádio e se estender pelas ruas da cidade. Nessa guerra, o amor ao clube é colocado de lado, os interesses políticos são sobrepostos, e isso acaba afastando família e os verdadeiros torcedores das arquibancadas. Isso se reflete na média de público decrescente nos últimos anos. Segundo Pinsky e Pinsky (2004), a palavra se tornou extremamente banalizada, ou seja, atualmente as pessoas viram fanáticas por qualquer coisa ou hábito e não se dão conta de que a devoção extrema se torna algo preocupante e perigoso.

Apesar da tamanha banalização, existem vários tipos de fanatismo. Como por exemplo, há uma diferença entre um fanático por samba e o outro por um clube de futebol. A diferença é fácil de perceber, devido ao foco de cada um deles.

De acordo com a vertente acima, entende-se que para o fanático não existe outra verdade senão a que ele acredita. Geralmente são pessoas que não aceitam opinião do próximo, e, quando são contrariados, questionam até o fim, por se tratarem de pessoas que alegam possuir a verdade absoluta. Na maioria das vezes, fazem tudo por um ideal e anulam todo o resto por viver em função de uma postura que alegam ser a melhor.

Segundo Pinsky e Pinsky (2004), hoje em dia existem quatro grandes grupos nos quais se divide o fanatismo: o religioso, o racista, o político e o esportivo. E ambos possuem traduções semelhantes e adversas, ou seja, eles são distintos nos seus objetivos, mas são iguais em relação ao amor excessivo que sentem por algo ou alguém.

Devido o aparecimento das torcidas organizadas e do aumento gradativo do fanatismo esportivo, automaticamente começaram a crescer os sinais de violência. E algo que antes era marcado por alegria e vibração dos times, desencadeou inúmeras brigas entre torcidas rivais. O índice teve um aumento tão grande, que o número de vítimas só cresceu de lá para cá. O pior de tudo são os estragos que, na maioria das vezes, essas disputas geram para o patrimônio público.

Chamados de vândalos muitas vezes que surgem notícias de brigas entre torcidas, os grupos parecem defender mais do que o amor pelo clube: infiltrados nas arquibancadas dos estádios, há pessoas que entram em conflito devido a interesses políticos. E esses conflitos podem acontecer contra torcedores do próprio clube, como ocorreu em um episódio no estádio de São Januário, em 8 de julho de 2017, após vitória do Flamengo sobre o Vasco por 1 a 0.

Torcedores vascaínos entraram em guerra com a polícia militar depois do apito final. A confusão começou quando parte da torcida ofendeu o atual presidente do clube, Eurico Miranda. Alguns defensores do mandatário cruzmaltino não aceitaram as críticas e a confusão se proliferou. Com muitos objetos arremessados de um lado para o outro, a Polícia Militar não descartou a entrada desse material proibido dias antes do clássico, o que configurou o clube conivente com a briga e resultou em uma punição severa.

Estabelecida por valores como companheirismo, lealdade, amizade, aversão às organizadas rivais e, dessa forma, demarca outros padrões de relacionamento entre os membros, caracterizados por um estilo diferente de ser, estar e viver. Nesse aspecto, vestimenta própria, cânticos de guerra, masculinidade, transgressões às regras sociais, virilidade, linguagem militar, pertencimento a um grupo coeso e forte, respeito aos mais experientes e apego à violência fazem parte dos diferentes aspectos que marcam as relações entre os associados. Tudo isso é resultado do novo comportamento dos torcedores nas arquibancadas dos estádios de futebol. (Pimenta, 2004, p.272)

Semanas depois, o Ministério Público denunciou a diretoria do Vasco da Gama por contratar torcedores da Força Jovem do time que estavam banidas dos estádios, e de acobertar episódios de violência dentro de São Januário[2]. O MP reuniu imagens e vídeos que provam a atuação de torcedores com credenciais do clube. O presidente Eurico Miranda foi obrigado a se afastar do cargo da presidência do time, sem poder concorrer ao próximo pleito eleitoral, que ocorreu no final do ano passado.

Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior explicam a relação do grupo com os cartolas do futebol brasileiro.

As torcidas geram dinheiro para os times e têm um número de votos capaz de fazer qualquer um se eleger presidente de clube, vereador ou deputado. Além de serem muitos, os integrantes dessas associações têm um perfil socioeconômico acima da média. E, mesmo quando recorrem à violência, criam a plataforma perfeita para que políticos façam política. (2014, p.242).

Com a tecnologia, todos os jogos podem ser vistos ao vivo e simultaneamente de qualquer lugar, o que faz o torcedor se interessar mais por uma nova forma de consumo dos jogos, como veremos a seguir.

2. JOGOS AO VIVO ONLINE E OFFLINE

Em plena era crossmidiática, em que os meios de comunicação cruzam informações e se completam, o futebol passou a fazer parte 24 horas do amante do esporte. A todo o momento, o usuário consome conteúdo e, em dias de jogos, essa busca pela informação instantânea aumenta. Na internet, a notícia é passada em uma mistura dos outros veículos de comunicação. Tem o áudio do rádio, a imagem da TV e o texto de jornais e revistas, tudo em uma só plataforma.

O espetáculo, compreendido na sua totalidade, é simultaneamente o resultado e o projeto do modo de produção existente. Ele não é um complemento ao mundo real, um adereço decorativo. É o coração da irrealidade da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares de informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto do entretenimento, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação onipresente da escolha já feita – o consumo. (Debord, 1997, p. 15).

A internet mudou o conceito de espaço e tempo. Não há distância e nem barreiras no mundo online. As torcidas organizadas se aproveitam disso para marcarem presença em redes sociais. Em seus perfis oficiais, são fotos e vídeos de caravanas, encontros entre membros e festas nos estádios. Mas essa não é a única realidade que eles vivem. Por trás das fanpages, há grupos fechados, restritos aos torcedores que combinam local e horário para entrarem em confronto com os rivais.

O teórico da comunicação, Marshall McLuhan (1974), defendeu a tese de que existem meios quentes e meios frios para passarem a informação para o público, sendo os meios quentes aqueles que transmitem uma alta quantidade de informação, enquanto o meio frio transmite uma gama menor de dados informativos. O rádio, por exemplo, é um meio quente, pois traduz a mensagem de uma forma que prende a atenção do ouvinte sem precisar que ele deixe de fazer outras atividades, fazendo com que todo o conteúdo seja entendido. Já a televisão é um meio frio, pois possibilita a transmissão de áudio e vídeo ao mesmo tempo, possibilitando as pessoas de fazer outras coisas ao mesmo tempo em que assistem TV, desviando a atenção sem deixar de captar informações.  E o que seria a internet?

Nessa visão de McLuhan (1974), a internet torna-se o meio morno, pois possui a informação completa com várias referências, fontes e formatos (vídeo, áudio, texto e gráfico), assim como abre precedente para complemento de informações em blogs, nos comentários das redes e interação com o público. É o que Philip Kotler denomina Marketing 3.0, centrado no ser humano. Segundo Kotler (2010, p.5), “vivemos na Era da participação, a era do paradoxo da globalização e a era da sociedade criativa”.

Segundo Debord (1997), o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas mediatizada por imagens. O autor faz uma relação sobre como a produção de imagens, da dimensão visual da comunicação, funcionam como instrumento de exercício do poder. O que de fato, faz esses torcedores fanáticos se sentirem dessa forma, dominados por toda a sua emoção exagerada em prol de um time de futebol.

Assim, o ser humano é o que define a forma como os clubes lidam com seus torcedores. Os quatro times denominados grandes do Rio de Janeiro possuem perfis ativos em quatro redes sociais: Facebook, Instagram, Twitter e YouTube. Em cada um deles, a informação é tratada de maneira diferente. Enquanto o Twitter faz a cobertura em tempo real da partida com descrições dos lances mais importantes que acontecem, o Instagram e o Facebook trazem vídeos e fotos tanto dos momentos que antecedem o jogo, como a preparação dos atletas e a chegada ao estádio, ou até mesmo os acontecimentos posteriores à partida, como a comemoração no vestiário e as brincadeiras com o rival. Já o canal no YouTube traz conteúdos extras, como entrevistas com jogadores, bastidores da semana e preparação do elenco.

2.1 COMPORTAMENTOS DURANTE OS JOGOS NA INTERNET

Os clubes passaram a informar de forma mais interativa os acontecimentos da partida. A escalação, a informação de gol, as substituições passaram a ser postadas em formato de imagem, que alcança mais gente e viraliza mais rápido nas redes. Na imagem, vemos o exemplo dos quatro grandes clubes do Rio, em diferentes situações. A arte do Vasco antes do jogo começar, o resultado final do Fluminense, o gol do Botafogo e a substituição no Flamengo.

Figura 1: Divulgação do Jogo entre Vasco da Gama e Atlético Mineiro

Fonte: Facebook do Vasco da Gama

Figura 2: Resultado Final do jogo entre Fluminense e Esporte Clube Vitória

Fonte: Facebook do Fluminenese

 

Figura 3: Divulgação com o gol do Botafogo

Fonte: Facebook do Botafogo

Figura 4: Ilustração da substituição do Flamengo

Fonte: Facebook do Flamengo

Tanto na vitória como na derrota, a presença do torcedor nas redes sociais é certa. O usuário aproveita o espaço para criticar, sugerir melhorias, parabenizar o time. Isso rende reações de outros torcedores, movimentando a rede social e evidenciando a importância da ferramenta para o trato dos clubes com seus consumidores, que são as verdadeiras potências das redes sociais. Kotler (2010, p.57) afirma que “as marcas pertencem aos consumidores. A missão da mesma agora passa a ser a missão deles. O que as empresas podem fazer é alinhar as suas ações com a missão da marca”.

Vimos anteriormente que a violência, o preço dos ingressos e a comodidade de assistir o jogo em qualquer lugar afastaram os torcedores do estádio, o que não denota abandono ao time, falta de apoio ou paz para os times trabalharem. Seja para comemorar ou reclamar, os torcedores têm espaço nas redes sociais para protestos e incentivos, e é onde mais fazem jus ao seu direito, como mostra as imagens abaixo após um revés do Fluminense e depois de uma vitória do Vasco.

Figura 5: Engajamento nas redes do Fluminense

Fonte: Facebook do Fluminense

Figura 6: Engajamento nas redes do Vasco

Fonte: Twitter do Vasco

Com o engajamento e a interação do público, os clubes devem deslumbrar a oportunidade de aumentar suas rendas, seja para aumentar o número de sócios, as vendas de materiais esportivos ou negociar espaços para patrocinadores. Engajamento esse, que é medido através do quanto cada torcida curtiu, comentou ou compartilhou qualquer conteúdo que o time em questão publicou no período analisado. As redes sociais não são apenas espaço para interação com os fãs. É preciso se aprofundar na chance de rentabilizar o conteúdo, como veremos no próximo capítulo.

3. A IMPORTÂNCIA DAS REDES COMO NEGÓCIO PARA OS CLUBES

As redes sociais são uma febre, os clubes utilizam bastante, mas ainda não estão aproveitando o potencial para arrecadar dinheiro. De forma geral, os times brasileiros engatinham nesse aspecto, comparados às potências europeias. Segundo o site Chuteira F.C, em 2015, a média por contrato alcançou cerca de U$1,5 Milhão por ano aos grandes de São Paulo, que já possuíam contratos com empresas que patrocinam suas mídias. O Flamengo é o maior clube digital somando as quatro redes sociais que possui: Facebook, Instagram, Twitter e YouTube. Ao todo, são cerca de 20.182.0567 seguidores.[3]

Comparado com o Barcelona, líder entre os times da Europa, percebe-se o quanto o futebol brasileiro deixa de explorar o potencial que tem. Em dezembro de 2016, com 145 milhões de seguidores, o clube espanhol tinha o valor de mídia avaliado em U$25,3 Milhões, de acordo com a revista Forbes. O estudo foi realizado com apoio da plataforma Hookit, especializada em estipular o valor de mídia de marcas na internet. Em cima desses dados, levou-se em conta o número de seguidores, desempenho para engajar o seu público, interações e a geração de receita a partir das redes sociais.

Em São Paulo, o Corinthians é quem sai na frente dos rivais no quesito número de seguidores. Somando as quatro redes sociais, possui 20.090.909, só pouco atrás do líder Flamengo. O Vasco é apenas o sétimo, com cerca de 5.944.447 seguidores. Fluminense segue em 12º, com 3.059.030 seguidores e Botafogo em 14º, com cerca de 2.998.903.

Tabela 1: Ranking Digital dos Clubes Brasileiros

Fonte: IBOPE/ REPUCOM

Em relação ao engajamento nas redes sociais, quem lidera é o Botafogo, clube carioca com uma taxa de 10,4% de engajamento. O resultado é fruto de um levantamento realizado no mês de Março de 2017, pelo software de monitoramento digital chamado Torbit, o qual selecionou os 12 maiores clubes de futebol, além da Chapecoense. Logo após, aparece o Fluminense com uma média de 6,85 e o Atlético Mineiro, com 4,58. Ambos os dados, segue na imagem abaixo.

Tabela 2: Engajamento dos Times Brasileiros nas Redes Sociais

Fonte: TORABIT

No entanto, não é só com patrocinadores de mídias que os clubes podem lucrar mais. Com o seguido crescimento do E-commerce no Brasil, os times de futebol devem estruturar as lojas virtuais para atrair o consumidor e fazer comprá-lo os produtos do time de coração. Segundo a Ebit, o comércio eletrônico brasileiro deve crescer 12% em 2018. E ainda mencionou que a Copa do Mundo deve servir como gatilho de vendas para diversas categorias neste ano. É cada vez mais comum os consumidores fazerem compras online, evitando filas e procuras pelo produto favorito. A insegurança de comprar online de anos atrás diminuiu bastante, e investir nesse mercado é a chance de os clubes aumentarem as receitas com vendas de materiais oficiais.

Visto isso, os times precisam estar prontos para firmar diálogos de qualidade tanto com seu público, quanto investidores. Se a interação é cada vez mais personalizada e dinâmica com os torcedores, os clubes ainda precisam explorar melhor o potencial de ganhar dinheiro através de seus fãs. Precisam dar informações instantâneas, responder dúvidas e torná-los consumidores e sócios. Nesse estudo, percebemos que se os torcedores não frequentam os estádios como antes, seja pela violência, pelo preço dos ingressos ou horários e distância dos jogos, eles acompanham por outros canais: rádio, TV e internet. É a nova forma de consumir conteúdo, em um meio onde as mídias se completam. As equipes devem ter profissionais responsáveis para atrair o público. Por fim, é notório que os clubes devem se planejar e estruturar o comércio na internet, aproveitando o crescimento do e-commerce no país e no exterior.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante da fama de ser um país movido pelo futebol, o Brasil é representado por uma massa extremamente excessiva de torcedores fanáticos, que buscam não só estar sempre conectados com o seu time do peito, como também lutar junto com o mesmo por uma vitória muita das vezes, digamos que sofrida. Essa paixão já virou marca registrada de cada grupo que torce pelo seu clube. E com a internet como mediadora deste fiel e destemido amor, não poderia deixar de ser diferente.  No momento que isso explode, nasce o grande risco que pode transformar o torcedor apaixonado, considerado pacífico em um totalmente fanático, podendo se tornar perigoso.

Em relação às torcidas organizadas, que foram criadas com o intuito de apoiar o time, hoje em dia viraram cenário de grandes cenas de violência. Mas por outro lado, são responsáveis pela festa nas arquibancadas que levanta toda e torcida e agita as partidas de futebol. E mesmo com todo policiamento reforçado nos estádios, as torcidas marcam seus encontros em outros lugares e até mesmo pela internet. E por isso, em respeito a todas as vítimas de brigas ou qualquer ato de violência que esse movimento gerou, novas práticas governamentais devem ser implementadas.

O número de seguidores nas redes sociais de cada time, não para de crescer e a vontade de estar cada vez mais conectado domina a todos que amam o futebol. São criados grupos de debates, encontros e na maioria das vezes, torcidas organizadas que querem provocar tumulto ou usar da violência como ato de rivalidade. Com isso, o que era para ser algo amigável, como uma troca de experiências, ou até mesmo uma disputa sadia entre os clubes, acaba virando uma verdadeira bagunça e guerra sem fim.

Com base nesse estudo, foi possível fazer uma relação entre fanatismo e torcidas organizadas, enfatizando o comportamento excessivo dos torcedores de futebol nas redes sociais. E ao mesmo tempo em que as torcidas causam choque na sociedade por gerarem violência, as mesmas são responsáveis por um show de demonstração de amor pelo time do peito.

Segundo Pimenta (2004), a torcida organizada é semelhante a uma bomba, a qual pode explodir como fonte de alegria ou como também de violência. E algo deve ser feito para que essa explosão seja voltada apenas para o lado positivo, deixando que apenas o lado bom disso, seja extraído. Além disso, o esporte foi criado com o intuito de aproximar as pessoas, servindo como forma de diversão e não como uma ação que estimula atos violentos e a rivalidade compulsória de toda a população.

REFERÊNCIAS

Botafogo continua o líder na taxa de engajamento nas redes sociais. Disponível em: http://www.torabit.com.br/botafogo-continua-o-lider-na-taxa-de-engajamento-nas-redes-sociais/. Acesso em Março de 2018.

Comércio eletrônico brasileiro deve crescer 12% em 2018. Disponível em: https://exame.abril.com.br/economia/comercio-eletronico-brasileiro-deve-crescer-12-em-2018/. Acesso em Março de 2018.

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Trad. Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

E-commerce B2B deve apresentar crescimento no Brasil em 2018. Disponível em: http://www.digai.com.br/2018/01/ecommerce-b2b-crescimento-brasil-2018/. Acesso em Março de 2018.

E-commerce deve faturar R$53,5 bilhões em 2018. Disponível em: http://www.meioemensagem.com.br/home/marketing/2018/03/09/e-commerce-deve-faturar-r-535-bilhoes-em-2018.html. Acesso em Março de 2018.

FACEBOOK. Botafogo. Disponível em https://www.facebook.com/BotafogoOficial/ Acesso em Março/2018.

FACEBOOK. Flamengo. Disponível em https://www.facebook.com/FlamengoOficial/ Acesso em Março/2018.

FACEBOOK. Fluminense. Disponível em https://www.facebook.com/FluminenseFC/ Aceso em Março/2018.

FACEBOOK. Vasco da Gama. Disponível em https://www.facebook.com/vascodagama/ Acesso em Março/2018.

KOTLER, Philip. Marketing 3.0, tradução Ana Beatriz Rodrigues, Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

MCLUHAN, Marshall,  Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem, São Paulo: Cultrix, 1974 – pp. 21-37

PIMENTA, Carlos Alberto Máximo. Torcidas Organizadas – Brutalidade uniformizada no Brasil. In: PINSKY e PINSKY (orgs.), Faces do Fanatismo. São Paulo: Contexto, 2004.

PINSKY, Carla Bassanezi e PINSKY, Jaime. Faces do Fanatismo. São Paulo: Contexto, 2004.

PROSPERI, Luiz Antônio. Clubes brasileiros não sabem ganhar dinheiro nas redes sociais. Disponível em: http://chuteirafc.cartacapital.com.br/clubes-brasileiros-nao-sabem-ganhar-dinheiro-nas-redes-sociais/. Acesso em Março de 2018.

Ranking Digital dos Clubes Brasileiros em 2018. Disponível em: http://www.iboperepucom.com/br/rankings/ranking-digital-dos-clubes-brasileiros-abr2018/. Acesso em Abril de 2018.

ROSSI, Jones e MENDES Leonardo. Guia politicamente incorreto do futebol, São Paulo: LeYa, 2014.

TWITTER. Botafogo. Disponível em https://twitter.com/BotafogoOficial Acessado em Março/2018.

TWITTER. Flamengo. Disponível em https://twitter.com/Flamengo Acessado em Março/2018.

TWITTER. Fluminense. Disponível em https://twitter.com/FluminenseFC Acessado em Março/2018.

TWITTER. Vasco da Gama. Disponível em https://twitter.com/VascodaGama Acessado em Março/2018.

APÊNDICE – REFERÊNCIAS DE NOTA DE RODAPÉ

2. Notícia divulgada em primeira mão no jornal Bom Dia Rio, da Rede Globo, disponível em: https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/ministerio-publico-pede-afastamento-de-eurico-miranda-da-presidencia-do-vasco.ghtml

3. Dados retirados da pesquisa feita em Abril de 2018 pelo Ibope Repucom, disponível em http://www.iboperepucom.com/br/rankings/ranking-digital-dos-clubes-brasileiros-abr2018/

[1] Pós- graduação em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais e graduação em Comunicação Social: Jornalismo.

Enviado: Maio, 2020.

Aprovado: Junho, 2020.

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