As Redes Sociais Como O Futuro Das Transmissões Esportivas

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/comunicacao/transmissoes-esportivas
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ARTIGO ORIGINAL

COSTA, Daniel Pereira [1]

COSTA, Daniel Pereira. As Redes Sociais Como O Futuro Das Transmissões Esportivas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 05, Vol. 15, pp. 166-176. Maio de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/comunicacao/transmissoes-esportivas, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/comunicacao/transmissoes-esportivas

RESUMO

As transmissões esportivas se revolucionaram ao longo do tempo. O rádio e a televisão foram os principais meios de comunicação na história, porém com a explosão da internet e criação das redes sociais, estas vêm sendo a nova tendência na forma de transmitir nos últimos anos. Com o advento da pandemia da Covid-19, o número de pessoas em casa aumentou exponencialmente e o consumo desse tipo de produto em plataformas digitais acompanhou esse desenvolvimento. O presente artigo tem como objetivo ilustrar como as redes sociais são o futuro da transmissão esportiva pegando como referencial o método que os clubes brasileiros estão usando para se reinventar e poderem trazer os seus torcedores, até então distanciados devido à crise sanitária mundial, a um ambiente de transmissão com características próprias destes times e uma possibilidade de interatividade maior. Alguns autores e definições também foram expostos ao longo do presente trabalho com a finalidade de elucidar os termos principais.

Palavras-chave: Redes Sociais, Transmissão Esportiva, Streaming, Comunicação.

1. INTRODUÇÃO

O futebol e os esportes no geral só são como conhecemos hoje graças à disseminação feita pelos meios de comunicação. Primeiramente, o jornal impresso trazia aos torcedores informações a respeito das partidas, jogadores, etc. Até então não acontecia a transmissão ao vivo de qualquer um desses eventos. Só com o rádio que esse mecanismo foi desenvolvido utilizando das descrições sonoras sobre os momentos dos jogos.

O aparelho radiofônico foi um importante instrumento na massificação dos esportes no Brasil. Através dele foram criados ídolos e jargões famosos do futebol. Os clubes se consolidaram muito com a ajuda desse meio. Tal meio foi um fator de aproximação com o público. A linguagem utilizada nas transmissões era descritiva e emocionante, fazendo com que o ouvinte se sentisse dentro de campo.

A primeira transmissão esportiva no Brasil foi realizada por Leopoldo Santana em 1922, de acordo com Ribeiro (2007). Mesmo que não fosse uma transmissão na íntegra, mas uma série de boletins recebidos por telefones e retransmitidos por alto-falantes.

Pouco mais de um mês após o presidente Epitácio Pessoa fazer um discurso pela Rádio Difusora do Rio de Janeiro, nas comemorações do centenário da Independência do país, em 15 de outubro de 1922, Casper Líbero, dono do Jornal A Gazeta, de São Paulo, convidou Leopoldo Santana para irradiar o jogo entre Brasil e Argentina, válido pelo Campeonato Sul-Americano, disputado no estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. (RIBEIRO, 2007, p. 59).

O próximo passo dado nas transmissões esportivas foi a utilização da televisão. A TV reunia tudo que o impresso e o rádio tinham, quebrando a hegemonia deste que foi presente durante a primeira metade do século XX, como explica Ribeiro (2007). O narrador não precisava mais descrever o lance minuciosamente, pois o telespectador já estava vendo.

A primeira emissora de rádio especializada em esporte atravessava sua mais grave crise. Não era só ela, afinal as grandes verbas publicitárias estavam quase todas direcionadas para a televisão. A Pan-americana deixava de ser a emissora dos esportes para transformar-se na jovem Pan, aproveitando o sucesso dos programas de audiência exibidos pela Tv Record, do mesmo grupo, sobre a Jovem Guarda. (RIBEIRO, 2007, p. 201).

Passando por este constante processo de evolução que chegamos ao objeto de estudo deste artigo: a relação das redes sociais com o futuro da transmissão esportiva. A internet as trouxe junto consigo e a possibilidade de acompanhar em tempo real jogos, rodadas e campeonatos do mundo inteiro. A interatividade e o imediatismo são características desse tipo de transmissão, da qual o espectador pode participar dentro das plataformas com comentários, doações etc.

O usuário comum também pode colaborar para a geração de conteúdo e se fazer mais presente e participativo, perdendo a característica de receptor passivo, para se tornar agente de disseminação de informações através de ferramentas como blogs, chats, fóruns, micro-bloggings, sites de relacionamentos etc. (RUFINO et al., 2010, p. 2)

No mundo inteiro, esse método já vinha se tornando tendência, todavia a pandemia da Covid-19 trouxe à tona a importância de utilizar as redes sociais como um evento lucrativo. Sem poder contar com a presença do público nos estádios devido às regras sanitárias, as receitas de faturamento por bilheteria zeraram e os clubes no mundo todo se viram em uma situação delicada. A Consultoria Sports Value realizou um estudo que mostra uma projeção de perda de US$ 15 bilhões para o esporte mundial por conta da Covid-19. Com as pessoas presas nas suas respectivas casas, os clubes perceberam que o ambiente digital seria fundamental nesse processo de reconstrução financeira utilizando das redes sociais para transmitir jogos e se reaproximarem dos torcedores (SPORTS VALUE, 2020)

No Brasil, tal fato se deu com maior incidência devido à Medida Provisória 984/2020, assinada pelo Presidente Jair Bolsonaro em 18 de junho de 2020, que ficou conhecida como ‘Medida Provisória do Mandante’. Nela foram alteradas as regras de direito de transmissão de partidas de futebol instituídas no artigo 42° da Lei Pelé (Lei 9.615/1998). Dando ao mandante da partida o direito de arena do evento esportivo, podendo optar, por exemplo, em transmiti-lo em alguma plataforma digital. Antes, a transmissão só poderia ser feita por uma emissora de TV que tivesse fechado negociações com as duas equipes envolvidas no jogo (BRASIL, 2020). Mesmo com a medida perdendo a validade, posteriormente em outubro de 2020, ela foi o estopim que os clubes brasileiros precisavam para utilizar as redes sociais para transmitirem seus jogos.

2. DESENVOLVIMENTO

Um conjunto de dois elementos definem as redes sociais: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas conexões (interações ou laços sociais que ligam as pessoas) (CESTARI e STOROPOLI, 2017 apud RECUERO, 2009). Também podemos definir redes a partir da visão de Tomaél e Marteleto (2006). Como elucidam as autoras, estas seriam um conjunto de pessoas (ou organizações ou outras entidades sociais) conectadas por relacionamentos sociais, motivados pela amizade e por relações de trabalho ou compartilhamento de informações e, por meio dessas ligações, vão construindo e reconstruindo a estrutura social. (TOMAÉL; MARTELETO, 2006, p. 75).

Precisamos compreender também, o conceito de comunicação, até porque, as redes sociais são processos incluídos nesta definição. Como explica Hohlfeldt (2001):

Partindo do pressuposto de que a comunicação é a troca de mensagens, pode-se dizer que o processo comunicacional é, antes de tudo, uma práxis objetiva. Trata-se de uma habilidade que se aprende, uma habilidade exclusivamente humana. Ela ocorre através da linguagem que é também uma capacidade que pertence apenas ao ser humano. Como o ser humano é além do mais, eminentemente social, isto é, ele é incapaz de viver isolado e solitário, decorre daí o fato de ser o fenômeno da comunicação também um fenômeno social. (HOHLFELDT, 2001, p. 61).

Criada em 1969, nos EUA, para melhorar a comunicação entre pesquisadores e militares durante a Guerra Fria, a internet só foi liberada para uso comercial em 1987. Boyd e Ellison (2007), apontam o SixDegrees.com que data de 1997, como sendo o primeiro site a possuir as características que potencializam uma rede social.

Atualmente, em relatórios publicados em parceria pela We Are Social e a Hootsuite, mais de 1,3 milhão de novos usuários em média ingressaram nas redes sociais todos os dias durante 2020, o que equivale a 15,5 novos usuários a cada segundo (AMPER, 2021). Ou seja, cada vez mais pessoas são dependentes deste tipo de ferramentas. Segundo Torres e Ferraz (2013), o poder da comunicação que antes era restrito a conglomerados de mídia e organizações passou para o indivíduo que produz, compartilha e divulga conteúdo na internet, tudo isso devido ao fenômeno das redes sociais.

O objeto deste estudo irá focar nas redes sociais que permitem a transmissão ao vivo dentro de suas plataformas de streaming. Podemos citar o Facebook, Instagram, Twitch e Youtube. Todavia, o que seriam esses serviços de streaming?

A transmissão via streaming é uma nova tecnologia que impulsiona a troca de material em forma de áudio e/ou vídeo através das redes digitais. Valendo-se dessa nova ferramenta, é possível ter acesso a filmes, músicas e eventos em tempo real, dentre outras inúmeras possibilidades, sem a necessidade de arquivar cada conteúdo em um computador através do download, o que torna o fluxo ainda mais acelerado e a velocidade praticamente instantânea. Nos últimos anos, a tecnologia streaming tem ganhado espaço no Brasil por conta da valorização e desenvolvimento do mercado da banda larga. A possibilidade de obter conexões móveis com fluxo de dados maiores e velocidades mais instáveis, otimizou o uso do streaming e com isso ocorrendo em todo o mundo, a tecnologia promoveu mudanças no cenário de consumo e produção de mídia (CAMARGO, 2017, p. 2)

Como fora citado no presente artigo o ‘boom’ das transmissões esportivas nas redes sociais ocorreu no período da pandemia de Covid-19, porém tais meios já vinham sendo utilizados aqui no Brasil há alguns anos. A Champions League, tradicional campeonato entre clubes europeus, teve em 2018 sua primeira transmissão via Facebook no Brasil. O canal Esporte Interativo, que meses antes havia abandonado a sua participação dentro da TV fechada, investiu na plataforma para levar ao público a partida entre Barcelona e PSV pela fase de grupos da competição. De início, a repercussão foi negativa com comentários na página reclamando dos constantes travamentos do Facebook Watch durante a transmissão.

No entanto, tal fato foi sendo superado ao longo do tempo pela plataforma até o momento que ela adquiriu o recorde de maior live já transmitida no mundo inteiro alcançando o pico de 4,2 milhões de espectadores no Facebook do Esporte Interativo, durante a final da Liga dos Campeões entre Bayern de Munique e PSG em agosto de 2020 (LUCENA, 2021). Vale salientar que tal duelo ocorreu já no período de isolamento devido ao Coronavírus.

Outro campeonato importante, a Copa Libertadores da América, também migrou para a plataforma do ao vivo no Facebook.  O duelo entre Grêmio e Internacional em março de 2020 foi a partida entre clubes brasileiros mais assistida na plataforma com 2,1 milhões de pessoas assistindo, só perdendo no mundo inteiro para a final da Champions já citada e sua semifinal entre PSG e RB Leipzig que atingiu a marca de 2,9 milhões de espectadores. (ALVES, 2020).

Essas transmissões podem se encaixar no conceito de Live Streaming, que Hideki (2019) explica que se utiliza da mesma transmissão de dados; porém, o conteúdo transmitido está acontecendo em tempo real, ou seja, ao vivo. Este conteúdo transmitido pode ser desde um evento social como um show de música, até mesmo a transmissão de uma gameplay em um videogame ou computador.

O Youtube também vem utilizando os serviços de streaming para transmitir eventos esportivos. A maior audiência em transmissão ao vivo no mundo na plataforma ficou com a final da Taça Rio disputada entre Flamengo e Fluminense no dia 08 de julho de 2020. A partida que foi transmitida pelo canal do Fluminense, a TVFlu, chegou ao pico 3,6 milhões de acessos simultâneos. No final de 2020, o Youtube divulgou a lista dos vídeos da categoria em alta, ou seja, aqueles mais consumidos, com exceção de videoclipes, trailers e vídeos infantis. Esse duelo da final da Taça Rio liderou o ranking, seguido de outra partida do Carioca, o jogo entre Flamengo e Boavista transmitido pela FlaTV que angariou a marca de 2,2 milhões de espectadores assistindo concomitantemente (SACCHITIELLO, 2020).

Todos esses exemplos de sucesso levaram os clubes cariocas a levar esse tipo de transmissão mais a sério. A emissora Rede Globo, que até então possuía uma relação hegemônica em relação à transmissão, não acertou valores na renegociação dos direitos, o que abriu espaço para a fragmentação desses em busca de faturamento. A transmissão na TV aberta ficou sob domínio da emissora Rede Record, porém a TV fechada, o pay-per-view, ficou sob encargo dos clubes, ou seja, as marcas farão suas transmissões com equipes próprias utilizando o Youtube e as operadoras de TV como Claro, Sky e Oi. Em relação aos canais dos clubes, a arrecadação será de 100% enquanto nas operadoras o valor será de 53% dividido conforme a demanda de cada torcida. O assinante poderá informar sua preferência no momento da compra (COSTA et al., 2021).

Interessante notar que através desse tipo de transmissão no Youtube os torcedores podem fazer doações através de um mecanismo chamado super chat, o qual o espectador paga para que o seu comentário seja lido pelos narradores se tornando um novo meio de obtenção de lucros desenvolvido pelos clubes nesse período que os torcedores não podem ir ao estádio. Inclusive, é de se perceber o crescimento dos próprios canais dos times após a introdução desse novo tipo de transmissão. A FlaTV, em dezembro de 2020, tinha cinco milhões e 890 mil inscritos, em março de 2021, já alcança a marca de seis milhões e 50 mil inscritos. O mesmo vale para a VascoTV que pulou de 927 para 961 mil inscritos, para TVFlu que foi de 620 para 627 mil e para BotafogoTV que saltou de 295 para 298 mil inscritos, todas nesse mesmo período de comparação entre dezembro de 2020 e março de 2021 (IBOPE REPUCOM, 2021).

Tudo isso só é possível graças à constante transformação pelo qual passa o consumidor que cada vez mais é interativo e anseia por atualizações constantes, como afirma Camargo (2017, p. 4):

[…] A mobilidade do consumidor de mídia também deve ser levada em consideração. O consumidor da era digital demanda atualizações cada vez mais rápidas e plataformas cada vez mais dinâmicas e, além do aspecto de consumo, interesse e distribuição, a necessidade do trabalho em equipe na era digital, independente de estarem situadas dentro ou fora do mundo físico, também é algo que deve ser colocado em pauta. Equipes trabalhando em sintonia são necessárias para que, por exemplo, seja feita a atualização das notícias nas redes sociais ou para transmissão em streaming de áudio ou vídeo do local de algum acontecimento. Ou seja, todo esse submundo do mundo móvel e das tecnologias avançadas como o streaming, necessita de uma problematização, a fim de entender essas múltiplas facetas da prática jornalística e do conteúdo de notícias […].

Em decorrência disso, além das conhecidas redes sociais como as já citadas Youtube e Facebook outras vão surgindo. Um exemplo disso é a Twitch: fundada em 2005 foi um apêndice da Justin.tv, criada para atender os jogadores, que cresceu rapidamente e reteve grande parte do tráfego do site. No mês de junho de 2011, observando o potencial desta aba, os criadores da plataforma decidiram destacá-la da JTV criando uma nova plataforma denominada Twitch TV como explicam Aleixo e Vargas (2018). Ela foi desenvolvida com a proposta de ser um site usado para que as pessoas fizessem lives de suas vidas, algo no estilo dos reality shows, mas posteriormente ganhou fama com a utilização para a categoria de jogos de videogame e computador (IGLESIAS, 2019).

Até que chegamos ao ponto da plataforma ser utilizada como streaming de uma partida de futebol. O duelo entre Athletico Paranaense e Vasco da Gama em 2020 foi a primeira partida da história do campeonato brasileiro transmitida pela Twitch. O mais interessante é que a partida foi mostrada em perfis de torcedores fanáticos pelos clubes na plataforma: o ‘Drakoporcento’ para os athleticanos e o ‘Casimito’ para os vascaínos. Pode-se considerar que essa primeira experiência foi um sucesso já que somou 200 mil visualizações únicas nos dois canais e um pico de 25 mil acessos simultâneos, o que pode ser pouco comparado ao que um jogo em TV aberta proporciona, mas um grande feito para uma primeira vez da plataforma.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em tempos de crise, causada pela Covid-19, os clubes souberam se reinventar bem em relação a utilizar as redes sociais para transmissões de seus jogos e também para adquirir mais seguidores e lucros. É perceptível que o consumidor seja de qual for o gênero está sempre em busca de evolução e o do futebol não é diferente. Durante anos, a forma de se transmitir uma partida mudou de maneira relevante e a utilização das redes sociais como um meio surge no horizonte como o futuro desse tipo de negócio. Cabe aos clubes e aos profissionais de comunicação envolvidos saberem aproveitar esses novos métodos para crescimento tanto profissional quanto econômico. Porém, é de se notar que ainda temos um caminho longo a se trilhar para que o crescimento desse tipo de transmissão possa englobar a todos os fiéis torcedores apaixonados pelo Brasil.

Ressaltemos que somente 134 milhões de brasileiros ou 74% do total acessaram a internet nos últimos três meses, ou seja, 26% da população ou aproximadamente 47 milhões de pessoas nunca acessaram à web, de acordo com o último estudo TIC domicílios, de 2019, produzido pelo Centro Regional para o Desenvolvimento de Estudos sobre a Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil. Essa parcela seriam os excluídos digitais – e que dificilmente deverão ingressar na lista de consumidores do comércio eletrônico nos próximos meses ou até anos (VENTURA, 2021)

Com uma parte ainda tão grande de sua população fora do espectro eletrônico, a televisão, principalmente a aberta, ainda é o único método de se assistir uma partida do seu clube preferido, mormente para os mais idosos e menos favorecidos financeiramente. O desafio dos clubes e dos comunicadores sociais é conciliar a transmissão para ambos públicos até que essa transição esteja completa. Outro obstáculo são os números de audiência se comparados a TV. Os feitos citados das transmissões de Facebook, Youtube e Twitch são relevantes, mas pequenos se comparados aos da televisão aberta. Na última rodada do Campeonato Brasileiro, por exemplo, o duelo entre Flamengo e São Paulo chegou a 5,657 milhões de telespectadores somente no Rio de Janeiro, enquanto o maior streaming atingido pelo Facebook a já mencionada final da Liga dos Campeões atingiu 4,2 milhões de espectadores no geral.

Mas destaca-se que o futuro das transmissões esportivas passa pelas redes sociais. Até porque o mundo está inserido no âmbito digital atualmente. Celulares, tablets, notebooks, todos esses meios eletrônicos vêm para substituir as TVs. Novas tecnologias atraem novos públicos, que consequentemente exigem novas demandas e cabe então um planejamento estratégico para atingir o máximo de público-alvo. Pensar a transmissão de acordo com o meio. Devemos salientar que os serviços de live streaming têm em suas principais características sincronia, transmissão do programa do próprio usuário em tempo real, utilização dos próprios dispositivos, interação entre audiência e o locutor e, por fim, a possibilidade de um sistema de gratificação, como aponta Gros (2017).

O indivíduo que assiste no celular é dinâmico, interativo, tomado de pressa enquanto o fiel à televisão tem características diferentes como prezar pela qualidade da imagem, tamanho, pelo sincronismo com o tempo real, o que ainda é um defeito das transmissões on-line que normalmente são defasadas em tempo em relação à TV. A chave do sucesso das transmissões assim como de todo o processo de comunicação é se reinventar, reconstruir e as redes sociais são o instrumento para isso.

REFERÊNCIAS

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ALVES, S. Com 4,2 milhões de espectadores no Facebook, final da Champions se torna a maior live da história. B9 [S.I] 24 ago. 2020. Disponível em: < https://www.b9.com.br/130778/com-42-milhoes-de-espectadores-no-facebook-final-da-champions-se-torna-a-maior-live-da-historia/>. Acesso em: 11 abr. 2021.

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[1] Pós-graduado em Marketing e Redes Sociais pela UNIBF; Pós-graduado em Comunicação Empresarial pela UNIBF; Graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela UERJ.

Enviado: Abril, 2021.

Aprovado: Maio, 2021.

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