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Treinamento de Força na Melhoria da Qualidade de Vida de Idosos: Uma Observação das Abordagens Literárias

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Treinamento de Força na Melhoria da Qualidade de Vida de Idosos: Uma Observação das Abordagens Literárias
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PALOMBO, Kevin Henrique [1], MIGUEL, Henrique [2]

PALOMBO, Kevin Henrique; MIGUEL, Henrique. Treinamento de Força na Melhoria da Qualidade de Vida de Idosos: Uma Observação das Abordagens Literárias. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 03, Vol. 04, pp. 63-72, Março de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

A busca por atividades que propiciem qualidade de vida, especialmente na última década, tem refletido em números que indicam o reconhecimento, por parte da população em geral, dos benefícios da atividade física no cotidiano das pessoas. Alguns dados atuais mostram um aumento significativo do número de idosos, tal como uma população local consecutivamente menos saudável e com variados problemas de saúde. Sendo assim, o objetivo desta pesquisa foi verificar na literatura, artigos que abordem a temática principal do estudo, ressaltando os benefícios que a prática do treinamento de força pode promover na terceira idade em relação à qualidade de vida. Foi realizada uma consulta por artigos científicos selecionados através de busca no banco de dados da Plataforma Google Acadêmico, utilizando os seguintes descritores: Qualidade de vida, Saúde, Atividade Física, Envelhecimento e Treinamento de Força, dos quais, os artigos na ordem de maior relevância com os dados necessários foram utilizados. Observou-se que o treinamento de força pode fornecer diversos benefícios para os idosos, entre eles: melhora na qualidade de vida e na autonomia funcional, aumento da força, flexibilidade, desenvolvimento motor, força máxima em membros superiores e inferiores, resistência de força, bem como melhora significativa na auto-estima e fatores relacionados à satisfação.

Palavras-Chave: Treinamento de Força, Idosos, Musculação, Autonomia, Qualidade de Vida.

INTRODUÇÃO

A busca por atividades que propiciem qualidade de vida, especialmente na última década, tem refletido em números que indicam o reconhecimento, por parte da população em geral, dos benefícios da atividade física no cotidiano das pessoas (NERI, 1993). De acordo com dados revistos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) (2005), percebe-se um aumento significativo do número de idosos, tal como uma população local consecutivamente menos saudável e com variados problemas de saúde.

Para Neri (2002) o envelhecimento é individualizado e, sendo assim, cada pessoa possui diferenças nos aspectos de origens genético-biológicas, sócio-históricas e psicológicas. Por ser este fenômeno causador de processos degenerativos, progressivos e irreversíveis, que altera fatores biológicos, psíquicos e sociais, torna-se imprescindível estimular a população idosa a desenvolver hábitos que resultem numa melhor qualidade de vida através de um tipo de treino específico (BRITO, LITVOC, 2004).

No indivíduo com mais idade, o envelhecimento pode desencadear perda significativa de força muscular e diminuição na densidade óssea, tendo como consequências imediatas a elevação dos índices de quedas e fraturas (LIDLE, et al.,1997; GALLAGHER et al., 1997; FRONTERA et al., 2000). Com isso, a procura pela atividade física é de extrema importância na terceira idade.

Segundo Rigueira (2014) o treinamento de força, também conhecido por muitos como treinamento resistido, ocorre através da ativação voluntária de músculos específicos, contra a resistência externa que pode ser: pesos livres (halteres e barras), pela própria massa corporal do praticante ou por uma infinidade de outros exercícios (elásticos, molas, máquinas etc.)

O treinamento com peso (TP), por exemplo, tem sido um dos mais eficientes quando se trata de benefícios na terceira idade e, quando comparado aos exercícios aeróbios, devido às modificações que ocorrem na força muscular em reduzido período de treino associado à prática constante, demonstra melhorias nas capacidades físicas, tais como, flexibilidade, força, resistência e até mesmo melhoras no equilíbrio. Com a otimização desses componentes, a independência e a capacidade funcional dos idosos tornam-se ferramentas essenciais para aumento da longevidade com qualidade de vida.

O profissional de educação física (área da saúde) tem um papel muito importante neste processo, pois através do desenvolvimento e aplicação de programas de exercícios (ou acompanhamento) poderá contribuir para a promoção de benefícios nos aspectos psicossociais e fisiológicos, além da possibilidade de prevenção de algumas doenças e lesões, que culminem no prolongamento da expectativa de vida da população (DIAS, GURJÃO, MARUCCI, 2006).

A realização desta pesquisa se justifica em virtude da observação do aumento da população idosa no Brasil e no mundo e, na possibilidade de indicar meios alternativos para a manutenção da saúde e melhora da qualidade de vida de indivíduos. É importante ressaltar que despertar e estimular a população idosa a desenvolver hábitos que resultam numa melhor qualidade de vida através de um tipo de treino específico e sistematizado para que possam trazer resultados significativos à sua saúde ainda é uma tática muito melhor que esperar os idosos adoecerem e tentar tratar suas patologias.

Diante disso, o objetivo deste trabalho foi verificar, na literatura, artigos que abordem a temática principal do estudo, ressaltando os benefícios que a prática do treinamento de força pode promover na terceira idade em relação à qualidade de vida.

METODOLOGIA

Este estudo constitui-se de uma pesquisa bibliográfica, realizada para o período compreendido entre os anos de 2002 e 2017, na qual se realizou uma consulta por artigos científicos selecionados através de busca no banco de dados da Plataforma Google Acadêmico, utilizando os seguintes descritores: Qualidade de vida, Saúde, Atividade Física, Envelhecimento e Treinamento de Força.

Procedimentos Preliminares

Inicialmente, foram selecionados na Plataforma Google Acadêmico, os itens “classificar por relevância” e o período pretendido da publicação dos artigos, que foi de 2002 a 2017. Os descritores “treinamento de força” e “idosos” foram utilizados primeiramente, dando um resultado de 44.400 originais. Somou-se aos anteriores o termo “saúde”, onde foram filtrados 28.340 originais. A seguir, acrescentou-se o termo “qualidade de vida”, e os resultados foram filtrados para 16.300 publicações. Na sequência foi somado o termo “envelhecimento”, onde obteve-se 9.500 resultados, e finalmente, utilizou-se junto aos demais, o termo “atividade física” e a filtragem mostrou 1.300 resultados.

Critérios de Inclusão e Exclusão

Os critérios de inclusão para os estudos encontrados foram artigos publicados em revistas indexadas pela Capes, redigidos em língua portuguesa e estrangeiras, com foco principal de pesquisa associado ao assunto “qualidade de vida em idosos” e “treino resistido de força”. Foram excluídos estudos que relatavam o emprego de outras modalidades de treino. Ao final, os nove primeiros artigos na ordem de maior relevância encontrados no site, que apresentavam pesquisas de campo (aplicações práticas), foram utilizados para os resultados da pesquisa.

RESULTADOS

Os artigos aqui destacados, mesmo sendo em pequeno número, trazem importantes relatos devido ao apontamento de dados que oferecem informações relevantes sobre o papel do treinamento de força para idosos.

O Quadro 1, relaciona os autores, a metodologia utilizada nos trabalhos e os principais resultados obtidos nesses estudos. Eles seguem na ordem cronológica.

AUTOR/ANO METODOLOGIA RESULTADOS
VAGETTI, OLIVEIRA, 2003. 4 mulheres sedentárias com idades entre 60 e 65 anos, foram submetidas a um programa específico de musculação por quatro meses, num total de 48 sessões. Para avaliar os níveis de força, utilizou-se o teste de repetição máxima (R.M.) e para o tratamento estatístico, o teste de Tukey MSD. Todas as mulheres apresentaram uma excelente evolução ao comparar os dados iniciais e finais de resistência de força.
PEDRO, AMORIM, 2008. Participaram do estudo 16 idosos, oito praticantes de musculação (idade 65 ±6,19 anos) e oito não praticantes (idade 68 ± 4,98 anos). Foram comparadas massa e força muscular em idosos praticantes e não praticantes de musculação. Foram realizados testes de força com repetição máxima e testes de equilíbrio estático e dinâmico através de escala de Tinetti e Berg. Os idosos treinados em musculação apresentaram maiores valores de circunferências de Braço e de Coxa, das Escalas de Berg de Tinetti (Equilíbrio) e dos testes de repetição submáxima no Supino e no Leg Press em relação aos sedentários.
SOUZA e SOUZA, 2008. 34 voluntários, de ambos os sexos, com idade entre 50 e 75 anos, residentes em Uberlândia e inscritos na academia do SESC. As mensurações foram realizadas no SESC, consistindo de testes que avaliam a capacidade funcional do idoso e uma escala que avalia a auto percepção do desempenho para realizar as atividades da vida diária (AVD), ambos propostos por Andreotti e Okuma. O programa de treinamento compreendeu 6 meses, com frequência de duas vezes por semana e uma hora de duração cada sessão. Para verificar as diferenças existentes no desempenho das AVD entre o pré e pós-treinamento utilizou-se o teste t pareado. O nível de significância foi definido como p<0,05. (comparado pré e pós realização do programa) Foi observado uma melhora significativa nos testes caminhar 800 metros, sentar e levantar da cadeira, subir degraus, levantar do solo, habilidades manuais e calçar meias após a realização do programa de exercícios.

 

AUTOR/ANO METODOLOGIA RESULTADOS
COSTA et al, 2009. 18 idosos, homens e mulheres, com idade de 68 anos em média, foram divididos em dois grupos (controle e experimental). O experimental foi submetido a um treinamento de quadríceps utilizando banco extensor e leg press 45 graus por oito semanas. ração da capacidade funcionar meio do teste de subir escada. 2×2 com um ost hoc de Turkey para comparação entre os grupos. Aumento considerável para o grupo experimental no desempenho no teste funcional (pré e pós-treino), o que conclui que a musculação é muito eficaz no estudo realizado.
ROCHA, et al 2009. 33 idosas divididas em três grupos, sendo: Grupo de Musculação (GM), composto por 11 idosas com idade média 74±8 anos; e Grupo de Ginástica Localizada (GG), formado por 11 idosas com idade média 67±7 anos. De ambos os grupos, todas eram participantes de programas comunitários de exercício físico por, no mínimo, seis meses. Além disso, o Grupo Controle (GC), composto por 11 voluntárias moradoras de asilo, com idade média de 78±13 anos, não praticantes de exercício físico por, no mínimo, 10 anos. Para avaliação da força muscular, todas as voluntárias realizaram o teste de preensão manual. Foi encontrada diferença estatística significativa (p=0,0001) entre o grupo GG (26,09±4,68kg) e o GC (15,27±5,35kg), e

entre os GM (26,09±6,28kg) e GC (p=0,0003). Porém, na comparação entre os grupos que praticaram exercícios físicos, os resultados não apresentaram diferença significativa.

VITAL, et al 2011. 14 idosos, aleatoriamente divididos 2 grupos, onde o primeiro (grupo 1) realizou o treinamento resistido de 8 semanas, três vezes por semana, três séries de 12 repetições, intervalo de 2 minutos entre séries e exercícios. Os exercícios foram: puxador pegada aberta, leg-press, tríceps pulley e extensor do joelho. O outro (grupo 2), grupo controle, não participou do treinamento. As atidões funcionais foram avaliadas pela bateria de testes da AAHPERD. Para avaliação da força utilizamos o teste de 1 RM O teste t de student demonstrou não haver diferença entre pré e pós na bateria da AAHPERD, apenas na flexibilidade. Quando comparado a força pré e pós do grupo 1 houve diferença significativa em todos os exercícios.

 

AUTOR/ANO METODOLOGIA RESULTADOS
SILVA et al, 2012.. Foram comparados os níveis de desenvolvimento motor de idosos fisicamente ativos praticantes de musculação e sedentários, da cidade de Nerópolis–GO. A pesquisa contou com 159 indivíduos, sendo 78 fisicamente ativos que constituíram um grupo ‘musculação’ e 81 não fisicamente ativos cujo grupo denominou-se ‘sedentários’. Na análise estatística foi executado um teste t para amostras independentes com o intuito de comparar dois grupos distintos de idosos. Ainda foi procedido um teste de risco relativo para identificar a grandeza do risco de apresentar uma baixa aptidão física em ambos os grupos. Os resultados obtidos nas comparações foram melhoras significativas no grupo que pratica musculação, em relação ao desenvolvimento motor além de possibilitar menores perdas da motricidade humana.
BARROS, SOUZA, 2012 Foram selecionados 10 idosos, 1 homem e 9 mulheres, com média de idade de 70.6, sendo a idade mínima 61 anos e a máxima 79 anos. O treinamento resistido se deu com 2 sessões semanais, 20 sessões no total (10 semanas), constituído por nove exercícios, divididos em dois grupos, obedecendo à ordem alternada por segmento parte anterior e posterior intercalados com períodos de descanso de 1 minuto. As variáveis do movimento analisadas foram: posição e postura; velocidade de execução; amplitude do movimento; volume e intensidade. Os idosos foram avaliados antes do treinamento e após o treinamento. Foi orientado aos idosos que não praticassem a musculação ou treinamento resistido em outros locais. Para a coleta foi aplicado Teste “subir degraus”. avaliados obtiveram os seguintes resultados no teste de “subir degraus”, pré e pós-treinamento, respectivamente: individuo 1 55/60cm, individuo 2 25/30cm, individuo 3 45/50cm, individuo 4 30/30cm, individuo 5 50/50cm, individuo 6 15/20cm, individuo 7 60/70cm, individuo 8 20/20cm, individuo 9 30/35cm, individuo 10 35/35cm, fazendo com que a média total passasse de 36,5 cm para 40 cm, pré e pós-treinamento respectivamente. Considerou-se então que o treinamento e/ou a intervenção foi eficaz no aumento de força dos membros inferiores dos idosos em questão.
SILVA, et al 2016. O estudo foi do tipo transversal e a amostra composta por 24 idosos (17 mulheres) praticantes de musculação (PM) (68,7 ± 5,4 anos) e fisicamente inativos (FI) (76,2 ± 8,2 anos), escolhidos aleatoriamente em duas academias da cidade de João Pessoa. A qualidade de vida foi avaliada por meio do SF-36. O nível de atividade física foi avaliado através do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) versão curta, composto por oito perguntas objetivas e subjetivas. Para análise dos dados, utilizou-se de ferramentas da estatística descritiva. Após teste de normalidade (Shapiro Wilk), a comparação entre os grupos foi realizada através do teste t-Student para os dados paramétricos e Mann-Whitney para os não paramétricos, considerando o p < 0,05. Sete dos oito domínios que envolvem a qualidade de vida apresentaram diferença significativa entre os grupos. Ocorreram diferenças significativas nos domínios da capacidade funcional (PM =83,75% e FI=39,58%), da vitalidade (PM =75,42% e FI =49,58%) e da limitação por aspectos físicos (PM = 91,67% e FI = 29,17%). Não houve diferença significativa no domínio da saúde mental.

 

DISCUSSÃO

O número de pessoas que atinge a terceira idade, considerando que se encontrem iguais ou superiores aos 60 anos, está aumentando significativamente, fazendo com que o envelhecimento seja um dos principais fenômenos mundiais de maior ocorrência nos últimos anos, especialmente em países mais desenvolvidos. (BARROS E SOUZA, 2012).

A grande questão atual é que os idosos estão cada vez mais presentes e abundantes na sociedade, o que gera maior preocupação em manter e/ou melhorar a funcionalidade e qualidade de vida deles. Funcionalmente, há a redução na força e perdas no tecido muscular, que, teoricamente, são simultâneas. Entretanto, Gallahue e Ozmun (2001) afirmam que mesmo ocorrendo a perda de massa ou atrofia muscular decorrentes da idade, elas também podem acontecer pela inatividade física.

De acordo com Matsudo (2001) a perda da massa e força muscular é o principal fator gerador da diminuição da mobilidade e da capacidade funcional do indivíduo que está envelhecendo. Concordando com este autor, Barros e Souza (2012) afirmam que a diminuição da massa muscular é a principal razão para a redução na capacidade de produção de força com a idade. Essa diminuição associada com a idade denomina-se Sarcopenia. Os estudos verificados neste trabalho mostraram que a musculação, ou o treinamento de força, podem melhorar significativamente a resistência de força (VAGETTI; OLIVEIRA, 2001), as medidas de circunferência e total de 1RM (repetição máxima) (PEDRO, AMORIM, 2008), a capacidade de gerar força muscular e flexibilidade (VITAL, 2011).

O treinamento de força (TF) é muito eficaz para o sistema musculoesquelético, e apropriadamente prescrito e supervisionado, têm efeitos muito benéficos quanto à força e resistência muscular, função cardiovascular, metabolismo, fatores de riscos coronarianos e na sensação psicossocial de bem-estar (SOUZA e SOUZA, 2008).

A musculação é uma ótima alternativa para isso. De acordo com SILVA (2012), além dos benefícios fisiológicos, há o bem-estar físico, psicológico e social para os idosos praticantes de musculação. Costa et al (2009) e Barros e Souza (2012), de acordo com seus estudos realizados, afirmam que em idosos a musculação em membros inferiores traz mais força, equilíbrio, coordenação e funcionalidade em suas atividades de vida diária (AVD).

De acordo com Pedro e Amorim (2008), a perda de massa e força muscular e equilíbrio são características do envelhecimento que podem levar um indivíduo à dependência funcional. Portanto, praticar atividade física, especialmente realizando o treinamento de força, significa intervir positivamente na queda dessas variáveis físicas e assim, proporcionar uma independência funcional.

O treino resistido, segundo Vagetti e Oliveira (2003) e Silva et al (2012), acarreta em mais força para os idosos praticantes de musculação, além de apresentarem seu desenvolvimento motor superior aos sedentários e menores perdas da motricidade humana.

Barros e Souza (2012) afirmam ainda que o treino de musculação intercalando musculaturas (anteriores e posteriores) de membros inferiores, executado duas vezes na semana, tornando a atividade regular, aumenta a força muscular, melhora a qualidade de vida, autonomia e independência do idoso. Além disso, na terceira idade, a musculação tem por objetivo aumentar a massa muscular, a densidade óssea, aperfeiçoando o desempenho relacionado a força, melhorando a condição funcional do aluno, fazendo com que ele realize os esforços da vida diária com mais segurança, disposição e facilidade. As pesquisas verificadas nesta revisão relatam melhorias na qualidade de vida (BARROS; SOUZA, 2012), nas atividades de vida diárias (AVDS), como por exemplo, subir escadas, sentar, levantar, calçar meias (SOUZA; SOUZA, 2008) e na capacidade funcional, possibilitando se locomover com mais facilidade e resolver situações com mais autonomia (SILVA et al., 2016). Além disso, a incidência de lesões durante a aula é muito reduzida, em função da ausência de choques entre as pessoas, de movimentos violentos e mínimos riscos de quedas.

Vital (2011) ainda comprovou, segundo seu estudo, que a musculatura de membro superior também melhora com o treinamento resistido e pode ser intercalada com membro inferior. Ainda segundo esse estudo, a flexibilidade dos idosos participantes também teve alterações benéficas. Ainda neste preceito, notam-se outros benefícios do treinamento de força: redução de peso corporal, redução da massa de gordura corporal e manutenção da massa muscular em indivíduos idosos saudáveis, aumento da ação da insulina, manutenção ou melhora na densidade mineral óssea (evitando a osteoporose), ou no conteúdo mineral corporal total, aumento da massa e da força muscular, equilíbrio dinâmico e os níveis totais de atividade física. Todos esses benefícios podem resultar na diminuição do risco de fraturas ósseas e consequentemente na melhoria da qualidade de vida dos idosos.

CONCLUSÃO

Com o aumento da população idosa, o profissional de educação deve atentar-se em atualizar e aprofundar seus conhecimentos, se especializando ainda mais nessa área em constante crescimento. O conhecimento necessário para implantação de um treino específico e sistematizado contribui para uma melhora nos aspectos físicos e psicológicos, prolongando a longevidade dessa população. Portanto, estar preparado é imprescindível para atender esse nicho de mercado e oferecer atendimento de qualidade aos idosos que estão sendo inseridos na pirâmide etária.

De acordo com os relatos da literatura pesquisada observou-se que o treinamento de força pode fornecer diversos benefícios para os idosos, dentre eles: melhora na qualidade de vida e na autonomia funcional, aumento da força, flexibilidade, desenvolvimento motor, força máxima em membros superiores e inferiores, resistência de força, bem como melhora significativa na auto-estima e fatores relacionados à satisfação.

Contudo, faz necessário mais estudo com este propósito, a fim de verificar outros possíveis benefícios que demais tipos de exercício podem fornecer a este público, complementando os que foram aqui identificados.

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[1] Graduado – Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal – Curso de Educação Física

[2] Docente – Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal – Curso de Educação Física

Como publicar Artigo Científico
Mestre em Engenharia Biomédica (2016) pela Universidade Camilo Castelo Branco (bolsista CAPES). Especialista em Treinamento Desportivo pela UniFMU/SP (2009). Graduado em Educação Física (licenciatura e bacharelado) pelo Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino de São João da Boa Vista - UniFAE (2007). Docente dos departamentos de educação física da FFCL - FEUC (São José do Rio Pardo - SP) e da UNIPINHAL (Espírito Santo do Pinhal - SP) . Colaborador/pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Futebol e Futsal da USP (GEPEFFS-USP). Co-coordenador do Núcleo de Pesquisas em Educação Física e Esportes - NUPEFE/FEUC. Docente dos cursos de pós-graduação Lato Sensu ENAF/DSE. Autor de vários livros e artigos no ramo dos esportes, fitness, saúde e qualidade de vida. Tem como principais pontos de atuação o Treinamento Desportivo (Treinamento Personalizado, Treinamento Resistido e Funcional no exercício físico e nos desportos); a Fisiologia do Exercício (Adaptações neurofisiológicas ao treinamento, Recursos Ergogênicos e Esteroides Anabolizantes); Pedagogia do Treinamento dos Desportos Coletivos.

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