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Marcadores Tumorais na detecção precoce do câncer: Revisão narrativa

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CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

BARREIRO, Jaqueline da Silva1,  MORAES, Chaiane Mara Oliveira2

BARREIRO, Jaqueline da Silva. MORAES, Chaiane Mara Oliveira. Marcadores Tumorais na detecção precoce do câncer: Revisão narrativa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 11, Vol. 03, pp. 05-31. Novembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/marcadores-tumorais, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/marcadores-tumorais

RESUMO

Há décadas, pesquisadores buscam identificar marcadores tumorais comuns a diferentes tipos de câncer. Esses marcadores, como genes e proteínas sinalizadoras, podem facilitar o diagnóstico, prognóstico e tratamento por meio de exames laboratoriais minimamente invasivos. Vários fatores dificultam as pesquisas como a diversidade das formas tumorais, alto custo financeiro para implementação dentro dos sistemas de saúde sejam privados ou públicos e pesquisas cuja abrangência de populações sejam bastante diversas tanto em etnias, gêneros e quantidade de amostras significativas. O objetivo deste trabalho é analisar os principais marcadores tumorais e sua utilidade no diagnóstico e prognóstico oncológico. A metodologia empregada buscou abranger o período de tempo entre os anos 2018 e 2023, nas bases de dados SCIELO e Google Acadêmico, nos idiomas português, inglês e espanhol. Como critério de inclusão as publicações que abordavam sobre o tema na íntegra e, como critério de exclusão, os estudos fora do período de intervalo do referencial teórico informado, de fontes pagas, disponibilizados na forma de resumo e que não tratavam da temática desta pesquisa.

Palavras-chave: Detecção precoce de câncer, Carcinogênese, Biomarcadores tumorais, Proteínas proto-oncogênicas, Técnica de investigação de célula tumoral circulante.

1. INTRODUÇÃO

Segundo o Instituto Nacional do Câncer – INCA 1 câncer é um conjunto de mais de 100 doenças caracterizadas pela proliferação descontrolada de células que invadem tecidos e órgãos, inclusive à distância. Com velocidade, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, formando tumores e metastaseando, ou seja, disseminando-se através de CélulasTtumorais Circulantes (CTC’s) no sangue periférico, órgãos adjacentes ou através do sistema linfático 2, 3.

De acordo com a OMS em 2020, os óbitos por câncer são predominantes no mundo com aproximadamente 10 milhões de casos atestados. Isto demonstra que 1/6 das mortes oriundas de doenças são promovidas pelo câncer 1, 2, 3.

Marcadores Tumorais (MT’s) são proteínas produzidas por tecidos neoplásicos passíveis de serem detectadas e analisadas quantitativamente e qualitativamente por técnicas de análises bioquímicas, imunohistoquímicas, citológicas e moleculares em amostras de tecidos e fluídos biológicos indicando a presença de câncer 4,5,7 . Esses marcadores vêm sendo estudados a fim de aumentar as chances de remissão da doença e sobrevida dos pacientes uma vez que a precocidade na identificação da neoplasia é uma arma poderosa para definição da conduta mais assertiva no tratamento da enfermidade 1-7. Comprovadamente os MT’s são capazes de detectar tumores menores que os exames de imagem de rotina como o raio-X, ultrassom e tomografia 4-20.

Os exames hematológicos são indispensáveis no diagnóstico e entendimento dos processos fisiopatológicos sendo, as pesquisas por marcadores tumorais, biomarcadores e perfil genético, poderosas armas no diagnóstico precoce dessa doença e exaustivamente pesquisadas nos últimos anos 1,2.

O histórico do desenvolvimento das tecnologias em análises clínicas demonstra regularidade e resiliência na busca por exames distintos e próprios para as mais diversas patologias ou, simplesmente, para indicar a ausência de doença, contudo a busca e a caracterização precoce de tumores malignos possui seu especial foco já há algumas décadas 4, 5.

Naoum 4 nos trás um importante histórico onde a pesquisa de sangue oculto nas fezes é registrada como um dos primeiros exames utilizados para investigação e descoberta precoce do Câncer de Colo Retal (CCR), pode-se dizer que esse exame é o precursor dos MT’s, além de ser indicativo de hemorragias do aparelho digestório 4. Pesquisas mais recentes desenvolvidas por Hiscox e Jiang  6 em terapia celular, para esse mesmo tumor CCR, apontam para a proteína ezrina EZR, ligação entre a actina e o citoplasma das células, provando ser um MT que em alta expressão indica um tumor de alta agressividade, grande potencial metastático e com baixa sobrevida dos pacientes.

Outro exame suplementar bastante solicitado e analisado ainda hoje, é a dosagem do cálcio sérico, demonstrando que os canais iônicos também são considerados MT’s. A hipercalcemia resistente sobrevém em várias situações, tais como, no hiperparatireodismo, por exemplo, e em neoplasias como adenocarcinoma de mama, rins, CCR, carcinoma epidermoide de pulmão, leucemia aguda de células T e linfoma 4, 5, 7.

Gasparini et al. 3, Naoum 4 e Zhang et al. 5  apontam para os últimos anos onde buscou-se identificar sinalizadores, fatores de transcrição e genes que fossem comuns a vários tipos de cânceres, reduzindo a dificuldade de diagnóstico, prognóstico e tratamento para a enfermidade através de exames laboratoriais, como: hemograma, RT-PCR (Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa), eletroforese e imunohistoquímica, além de agregar com a bioestatística que também vem sendo muito utilizada para encontrar padrões e correlações entre bancos de dados com acervos mundiais, num esforço colaborativo entre nações, buscando identificação precoce de um mal comum a todas as populações.

Através dos estudos de Zhang et al. 5 e Belchior 23 sabe-se que, diretamente implicado no surgimento de cânceres, estão os sinalizadores WNT, sinalizador canônico que são proteínas: molécula globular com peso aproximado de 40KDa; TGF-ß (Fator de Crescimento Transformador Beta); Notch que é um sinalizador envolvido no desenvolvimento de células embrionárias, diferenciação, proliferação e apoptose celular.

Fatores de transcrição: NF-KB (Fator Nuclear Kappa B) é um sinalizador, sendo um complexo proteico com função de agir como fator de transcrição; TWIST que atuam regulando a expressão gênica no decorrer da embriogênese e a Transcrição Epitelial Mesenquimal (TEM); ZEB2 4 possui em sua constituição os dedos de zinco CYS2- HIS2, como ZEB1, sendo satélites de um home box central.

ZEB1 e ZEB2 são essenciais para a evolução e maturação de tecidos embrionários, regulatório de suas funções e atividades. Reprimem, também, a transcrição do gene da E-Caderina 4; GNB2 5 subunidade beta-2 da proteína de ligação ao nucleotídeo de guanina, codificada pelo gene GNB2.

Zhang et al. 5 nos trazem o receptor para a proteína quinase C, Beta-2  que opera em múltiplos processos celulares e fisiológicos, como no arranjo de complexos de sinalização, tradução proteica, crescimento e proliferação celulares, apoptose e transporte de receptor muscarínico; e, fosfatase alcalina, que ainda é muito utilizada na detecção de cânceres que irradiam para os ossos, como o de próstata e o osteosarcoma. A fosfatase alcalina também é muito utilizada para investigar metástases no fígado provenientes de um câncer primário, como, por exemplo, no pâncreas.

ZHANG et al. 5 num estudo multiômico recente utilizou 24 casos de cânceres humanos diversos, cruzaram-se dados estatísticos de oito plataformas de dados, entre elas, UALCAN (banco de dados web interativo para analisar dados omics de câncer), GEPIA (servidor web para análise de dados transcriptômicos de cânceres), HPA (servidor web com banco de dados transcriptônicos de imunohistoquímica de cânceres, plotadora KM (ferramenta para obter a sobrevida global em diferentes tipos de cânceres), TCGA (The Cancer Genome Atlas Program / Atlas do Genoma do Câncer) e TIMER2 (banco de dados que executa associações entre a pureza do tumor, infiltração de células imunes T CD8+ e expressão de genes), onde a elevada manifestação de GNB2 foi co-relacionada à diminuição de Sobrevida Global (SG) em 23 tipos de cânceres incluindo o CCR e melanomas. Observou-se que o GNB2 executa atuação direta e essencial na gênese do tumor, o que vem a ser prognóstico negativo para os pacientes. Ainda nesse mesmo estudo, apontou-se para o relato de que mutações no gene GNB2 ativariam grandes quantidades de vias de sinalização canônicas como a proteína WNT, o que daria resistência a inibidores de quinase presentes em cânceres do tipo melanoma e Leucemia Mielóide Aguda (LMA).

Esse trabalho justifica-se por dar uma base sólida e objetiva dos MT´s atualmente em uso ou em fase de pesquisa. As dificuldades ao desenvolvimento das pesquisas são muitas , contudo, o avanço tecnológico trás boas perspectivas para o diagnóstico precoce de cânceres. Com base no exposto, o presente trabalho possui como objetivo conceituar os marcadores tumorais e elencar os principais sinalizadores tumorais correlacionando-os a marcadores oncológicos úteis ao diagnóstico de pacientes oncológicos.

Tabela 1: Elenco dos MT´s  apresentadoselenco dos MT´s  apresentados

MARCADOR TUMORAL (MT) FUNÇÃO MÉTODO DE DETECÇÃO CÂNCERES  ASSOCIADOS (CA)

CANAIS IÔNICOS –

Ca⁺⁺ sérico

Identificação da hipercalcemia persistente Eletroforese de proteínas séricas Mama, CCR, rins, pulmão,  LCA-T, mieloma múltiplo, tireóide e paratireóide.
WNT Aponta disfunção nos  processos de desenvolvimento embrionário Imunoistoquímica Melanoma, LMA,  intestinos, mama e CCR.
TGF-ß Citocina inflamatória;  podendo iníciar a mutações genéticas ELISA, RT-PCR imunohistoquímica e Western blot Pâncreas, CCR, gástrico, CCO e CCE, cabeça e pescoço
PSA (Antígeno prostático específico) Codificado por mRNA da peptidase 3 associada à calicreína característico da próstata (KLK3) Hemograma Antígeno prostático específico;  

Próstata

Gene GNB2 Identificação do gene no Cromossomo 7 RT-PCR Carcinoma hepatocelular do fígado e do adenocarcinoma do reto
CA 19.9 Antígeno de superfície celular. Alta produção após  tumor estabelecido Hemograma Antígeno específico Pâncreas, Estômago,Trato Biliar, CCR, Hepatocelular, CA Gástricos
NOTCH Desenvolvimento de células embrionárias, diferenciação, proliferação e apoptose celular, indica presença de tumorigênese  

Imunohistoquímica

Neurológicos, epiteliais  e hematológicos, mama, LLAT, colo uterino, endometrial, CCR, de cabeça e pescoço, renal, pulmonar, pancreático, leucemias e linfomas.
NF-KB Controla transcrição de genes em processos inflamatórios; transcrição gênica polimórfica para CT ELISA, imuno-histoquímica e Western blot

RT-PCR

Orofaríngeos, de esôfago, mama, próstata, LL e mieloma
P53 proteína codificada pelo gene de supressão tumoral Tp53, encontrado no cromossomo 17 e 18 Imunohistoquímica

RT-qPCR

CCR, mama, metástases hepáticas, pulmonares, infiltração pleural, CBC, linfonodais, invasão extra- tireóideana
TWIST Regulando a expressão gênica Imunohistoquímica, immunoblotting

RT-qPCR

 

Mama e pâncreas

 

MGA Proteína específica de produção das glândulas mamárias Imunohistoquímica

RT-PCR

Mama
ZEB1 contém proteínas proto-oncogênicas.  RT-PCR Pâncreas e Hepático
FOSFATASE ALCALINA Qdo.aumentado, utilizada para investigar metástases (hiperbilirrubinemia) Hemograma Metástases hepáticas com origem de CA primário em pâncreas; osteosarcoma origem de CA primário em próstata
EpCAM e  CK (Citoqueratina) marcadores de superfície de células epiteliais Histopatológico Próstata, mama, CCR
SONIC  e  SHH (Hedgehog) Ativação descontrolada do gene smoothened (SMO -H) Histopatológicos CBC’s na pele, próstata, trato digestivo, pâncreas, leucemias, gliomas no SNC e meduloblastomas
DESIDROGENASE LÁCTEA enzima presente em todas as células dos tecidos. Qdo. aumentada indica destruição tecidual.Péssimo prognóstico  

Hemograma

CA´s células germinativas: Testículos e Ovários, melanoma;

Indicador auxiliar para neuroblastoma de próstata e linfoma não-hodkin

cfDNA Circulam livres no sangue, podem estar sob a forma de fita simples e/ou dupla. RT-qPCR Rins, mama e pulmão.
CTC´s Circulam livres no sangue. RT-qPCR  Qualquer tipo de CA.

Fonte: Tabela criada pela autora em 02/2025.

2. MATERIAL E MÉTODOS

Este é um estudo de revisão narrativa da literatura. Esta revisão teve como pergunta norteadora: Através de quais marcadores tumorais é possível diagnosticar o câncer?  Dada a importância global do câncer, é fundamental compreender as variáveis envolvidas no diagnóstico e tratamento, reforçando a relevância dos marcadores tumorais, desta forma, o presente trabalho busca trazer uma contribuição acerca do diagnóstico de tumores malignos.

A busca pela literatura foi iniciada no mês de março de 2023, nas bases de dados SCIELO (Scientific Electronic Library Online),PubMed (Public Medline) e no Google Acadêmico, nos idiomas português, inglês e espanhol, abrangendo artigos publicados entre os anos de 2018 e 2024.

Como critério de inclusão: publicações que abordavam sobre o tema relacionando-o a diagnóstico precoce oncológico através de exames laboratoriais, marcadores tumorais e estudos que abordassem ferramentas que contribuem para um bom prognóstico tumoral publicados na íntegra. Por outro lado, foram excluídos os estudos que não contemplam o período do intervalo de referencial teórico informado, de fontes pagas, disponibilizados na forma de resumo e que não tratavam da temática desta pesquisa.

Utilizados os descritores: “detecção precoce de câncer, carcinogênese, biomarcadores tumorais, proteínas proto-oncogênicas e técnica de investigação de célula tumoral circulante”, utilizando-se os critérios de arranjo e combinação AND e OR, conforme consulta realizada no DeCSMeSH – Descritores em Ciências da Saúde. Além do mencionado, livros também serviram como base referencial no desenvolvimento desta pesquisa.

3. RESULTADOS

3.1 CONCEITOS ATUALIZADOS

As análises laboratoriais, realizadas através de exames bioquímicos, citológicos e moleculares tais como: hemograma, RT-PCR, eletroforese e imunohistoquímica, mostram-se eficientes ao detectar cancros em fases iniciais através de MT’s específicos. Além disso, exames de imagem, como: tomografia com ou sem contraste, mamografia e RX também se mostram exames eficientes ao detectarem alterações em fases iniciais em patologias como o câncer de célula renal e o câncer de mama 3-8, embora esses exames não se utilizem de MT’s para apresentarem seus resultados.

3.1.1 GENES MUTANTES OU PROTONCOGENES e GENES SUPRESSORES

São MT’s  que sintetizam proteínas estimulantes da produção e expansão celular. Essas mutações adquirem função, podendo somente um dos alelos do gene provocar a mutação. Segundo Guedes 7 os principais oncogenes envolvidos no CCR são os genes da família RAS (KRAS e NRAS), sua reprodução e expansão tumoral ocorre quando os controles são restritos e até mesmo extintos pela mutação 7.

Os protoncogenes supressores de tumor inibem o surgimento do mesmo através do controle da atividade mitótica, inibindo, desta forma, o ciclo celular. Os principais genes supressores de tumor relacionados ao CCR são o gene Adenomatous Polyposis Coli (APC) e o gene p53. Assim como anteriormente colocado, exames de imunohistoquímica (anatomopatológico), tomografias com contraste de tórax e abdômen (pela maior sensibilidade), cintilografia óssea e hemograma completo corroboram para estabelecer o diagnóstico do CCR 7.

3.1.2 DNA LIVRE CIRCULANTE (cfDNA)

São MT’s que, segundo os pesquisadores Caglar et al. 12 e Lopes 13 apontam para a difusão metastática do câncer que pode decorrer de Células Tumorais Circulantes (CTC’s) e por Cell Free DNA (cfDNA). A origem do cfDNA não é clara. O que se sabe e é comprovado tanto por Caglar et al. 12 quanto por Lopes 13 é a existência de vários mecanismos que contribuem para a quantidade de DNA circulante. A existência de células mortas ou aquelas em final de vida útil correspondem a mais relevante fonte de MT, porém células em bom funcionamento também podem dar origem a cfDNA 12.

Segundo Caglar et al. 12  a variação do DNA total circulante oscila dependendo do estadiamento da doença. Os mecanismos mais aceitos para sua entrada na corrente sanguínea são: a quebra celular, a morte celular (apoptose), a necrose, os exossomos que propagam espécimes patogênicas e possuem a função de promover e regular a resposta imune, os virossomos que, no interior das células alvo entregam o composto indicado e, por fim, a secreção pelo tumor e macrófagos, tornando o cfDNA livre no sangue na forma de cadeia simples ou dupla sendo as formas de cfDNA liberadas dependentes diretamente do tipo de tumor.

3.1.3 CÉLULAS TUMORAIS CIRCULANTES (CTC’s)

Segundo Lopes 12 essas células diferenciam-se dos demais elementos circulantes no sangue por apresentarem peculiaridades físicas únicas, como: dimensões aumentadas e densidades diferenciadas, além de carga, flexibilidade (deformabilidade), propriedades migratórias e desenvolvimento em meio mais ácido. Muitas das CTC’s expressam marcadores de superfície de células epiteliais como EpCAM e CK.

3.2 PRINCIPAIS MARCADORES TUMORAIS

Os principais marcadores tumorais identificados nessa pesquisa possuem sua origem na TEM apontando para sua importância e relação com os cânceres de mama, CCR, de células renais, de pulmão, de pâncreas, de tireóide, Carcinoma Basocelular (CBC) e Carcinoma Espinocelular (CEC), próstata e muitos MT’s são comuns a vários cânceres. Claro está que, para o diagnóstico de um tumor, vários testes e exames são solicitados e a combinação de mais que um MT para essa detecção é importante para a exata indicação de tratamento, prognóstico, indicação de sobrevida ou prevenção 4,5,7,11,12,13,19,20.

3.2.1 CANAIS IÔNICOS – Ca Sérico

Através da dosagem do cálcio sérico por exame de sangue, demonstrando que a hipercalcemia persistente indica, segundo levantamentos estatísticos realizados por Naum 4 , 45% dos casos de hipercalcemia persistente estão relacionados com algum tipo de câncer.  É apontado como indicativo de adenocarcinoma de mama 4,15,18, rins, CCR, carcinoma epidermoide de pulmão, leucemia aguda de células T no adulto e linfoma 4,5,7, mieloma múltiplo 4 além de hiperparatireoidismo. Diagnosticado por eletroforese de proteínas séricas 4.

3.2.2 WNT (SINALIZADOR CANÔNICO)

A via canônica está envolvida nos processos de desenvolvimento embrionário tais como migração e especialização celular, apontando para cânceres do tipo melanoma, Leucemia Mielóide Aguda (LMA) 5, câncer de intestinos 6 e mama 4,5,7. Associado a ele a elevação dos níveis citoplasmáticos e nuclear da proteína ß- catenina através da deterioração da via wnt/ß-catenina, nas células tumorais, apresenta 90% de ocorrência no CCR 16 e foi a primeira associada a evolução desse câncer. Visualizado através de exame de imunoistoquímica 16.

3.2.3 TGF-ß (FATOR TRANSFORMADOR DE CRESCIMENTO BETA)

Uma das mais relevantes citocinas geradas durante o processo inflamatório crônico, podendo também apresentar-se no processo de angiogênese e atingir bem diretamente o aumento da reprodução e diferenciação de células endoteliais, podendo dar início a mutações genéticas. Encontrado no câncer de pâncreas 3, CCR, gástrico 4,7, CCO (Câncer da Cavidade Oral) e CCE (Câncer de Células Escamosas), cabeça e pescoço 20. Identificação realizada por sequenciamento genético, RT-PCR

21.

3.2.5 PSA (ANTÍGENO PROSTÁTICO ESPECÍFICO)

É o biomarcador consagrado e há muito utilizado para detecção específica do câncer de próstata. O PSA é um antígeno prostático codificado pelo mRNA da peptidase 3 associada à calicreína característico da próstata (KLK3). Identificado através de exame de sangue com solicitação específica para o antígeno 4,19.

3.2.5 GNB2

Segundo Omin 12 esse gene está contido no cromossomo 7 sendo um  biomarcador que possui potencial para identificar, tanto para diagnóstico quanto prognóstico o carcinoma hepatocelular do fígado e do adenocarcinoma do reto 5,17. Identificado através de exame genético específico (RT-PCR).

3.2.6 CA 19.9

Gasparini et al. 3 , Naoum 4 e Souza et al. 16 identificam e descrevem esse antígeno como de superfície celular e, depois do tumor estabelecido há elevação na liberação dessa proteína no sangue periférico, dessa forma, aumentando muito sua taxa. Esse MT surge em várias neoplasias, estando bem indicado na avaliação do câncer de pâncreas por sua alta sensibilidade (70 a 90%) apontando a presença de tumor 3,4,16 e câncer do colon 4. Realizada sua identificação através de exame de sangue com pedido médico específico para a proteína em questão 3,4,16.

3.2.7 NOTCH

Identificado e descrito por Zhang et al. 5 e Belchior 23 esse sinalizador está  envolvido no desenvolvimento de células embrionárias, diferenciação, proliferação e apoptose celular, indicando presença de tumorigênese em neoplasias neurológicas, hematológicas e epiteliais. Associado a uma variedade grande de cânceres como: Leucemia Linfoblástica Aguda de Células T (LLAT), carcinomas de colo uterino, endometrial, colorretal, de cabeça e pescoço, pulmonar, renal, pancreático, leucemias e linfomas e também no câncer de mama. Identificado através do exame imunoistoquímica 5,23.

3.2.8 NF-KB

Segundo Santana 21  o Fator de Transcrição Nuclear Kappa B (NF-KB) age controlando a transcrição de genes em processos inflamatórios e é uma via comum de ativação das proteínas TNF-α e o TGF-β. Essa via de ativação é objeto de estudo e intervenção ao longo do tratamento do câncer, por ser passível de transcrição gênica polimórfica com possibilidade de geração de células tumorais. Apresenta-se nos cânceres orofaríngeos, de esôfago 21, mama, próstata, LL e mieloma 4. Identificados pelo exame RT-PCR 4, 21.

3.2.9 P53

Segundo Guedes 7 e Leite 14  é a proteína codificada pelo gene de supressão tumoral Tp53  encontrado no cromossomo 17 e 18. Identifica CCR 7, metástases hepáticas, infiltração pleural, metástases pulmonares, invasão extra- tireóidea, metástases hepáticas, metástases linfonodais, carcinoma baso celular 12 e mama 14,18. Sua detecção é feita pelo exame de imunohistoquímica RT-qPCR 6,7,14,18 com sonda de TaqMan (sonda utilizada para detectar sequências específicas nos fragmentos de DNA amplificados na PCR).

3.2.10 TWIST

Segundo Leite 14 esse fator de transcrição atua regulando a expressão gênica no decorrer da embriogênese e a TEM, inclusive das metástases. Gallucci 15  nos trás que a super expressão no sangue periférico não é um bom sinal apontando para metástases.  É encontrado nos cânceres de mama 4,14,15,18 e de pâncreas 3 . Obtido pelo exame de imunohistoquímica RT-qPCR e immunoblotting 15,18.

3.2.11 MGA (MAMAGLOBULINA A)

Leite 12, Gallucci 15 e Omin 17 destacam a proteína MGA como específica de produção das glândulas mamárias determinando o diagnóstico representativo do câncer de mama. Diagnosticadas por RT-PCR e imunohistoquímica com imunocoloração para Receptores de Estrogênio (RE) e Receptores de Progesterona (RP) 15.

3.2.12 ZEB1

Gasparini et al. 3 e Naoum 4  descrevem o fator ZEB1 como de transcrição que contém proteínas proto-oncogênicas. Esse marcador foi encontrado por ambos autores no câncer de pâncreas e hepático. Identificado através do RT-PCR.

3.2.13 FOSFATASE ALCALINA

Naoum 4 e Zhang et al. 5  identificam que quando esse índice estiver aumentado, é muito utilizada para investigar metástases no fígado provenientes de um câncer primário, como, por exemplo, no pâncreas e, também , se apontar para uma hiperbilirrubinemia sugere provável metástase hepática 4 e osteosarcoma proveniente de um câncer primário de próstata 4,5. Identificado através do hemograma 4,5.

3.2.14 EpCAM e CITOQUERATINA (CK)

Lopes 13, Silva 20 e Barcelos 22 reiteram que as CK’s são as mais importantes proteínas estruturais presentes nas células epiteliais, sendo que as células basais expressam as CK5 e CK14, ao passo que as luminais expressam CK8 e CK18. Os autores indicam que as CK’s são geradas por clivagem de caspases (cascata de caspases) no curso da apoptose celular, o que gera sua liberação no sangue periférico, circulando então, por todo o corpo 22. Descrevem esses marcadores de superfície de células epiteliais, identificados no sangue periférico em situações apontando cânceres de próstata 13,22, mama, CCR 20 e também quando doenças inflamatórias ou queimaduras na pele acometem o paciente, desta forma, tornam este diagnóstico de câncer por células EpCAM e CK prejudicado nessa situação específica, contudo pode compor conjuntamente com outros marcadores 13,20,22. Detectado por exame histopatológico 20,22.

3.2.15 SONIC HEDGEHOG (SHH)

Leite 14 identifica a origem do estímulo ou ativação descontrolados do gene Smoothened (SMOH) como o gerador do MT SHH. SMOH é a proteína ligante que origina a principal via de diferenciação embriológica, base para a embriogênese normal. SHH está envolvido no processo carcinogênico dos CBC’s na pele, cânceres de próstata, do trato digestivo, pâncreas, leucemias, gliomas no SNC e meduloblastomas. Detectado através de exames histopatológicos utilizando-se a coloração alcian blue.

3.2.16 DESIDROGENASE LÁCTICA

Silva 20 nos trás essa enzima que encontra-se presente em todas as células dos tecidos. Quando aumentada indica relação com destruição tecidual sendo um péssimo prognóstico. Como MT de escolha, indica tumores de células germinativas: testículo e ovários auxiliando na avaliação do estadiamento do tumor. Serve, também, como indicador auxiliar nos cânceres melanoma, neuroblastoma de próstata e linfoma não-hodkin. Para esse indicador temos alguns interferentes que seriam anemias hemolíticas, hepatopatias, doenças musculares e infarto pois elevam seu nível sérico tornando tanto a sensibilidade quanto especificidade baixos devendo ser usado conjuntamente a outros indicadores. Detectado por hemograma.

3.2.17 cfDNA

Segundo Lopes 13 esse MT circulante é disponibilizado em diferentes quantidades e formas na corrente sanguínea, podendo ser liberado sob a forma de fita simples e/ou dupla. Encontrado no câncer de células renais, mama e pulmão. Obtido através do RT- qPCR.

3.2.18 CTC’s

Caglar et al. 12 , Lopes 13  e Silva 20 analisaram esse marcador através da detecção, enumeração, isolamento, enriquecimento e caracterização molecular. No isolamento e para otimização dos filtrados são empregados filtros que levam em conta as particularidades físicas, elétrica e densidade das moléculas. Identificados por RT-PCR e mais especificamente pelo RT-qPCR.

3.3 EXAMES PARA DETECÇÃO DE MT’S

Atualmente o Kit de filtração celular ScrennCell®, (Veridex, Raritan, NJ, EUA) 20  foi o único exame específico encontrado para localização de CTC’s no sangue periférico, liberado pelo Food and Drug Administration (FDA). Monitora pacientes com metástases no CP. Esse exame apresenta a limitação de sensibilidade pois necessita de grande quantidade de amostra sanguínea, a detecção é de 1 CTC/7,5 mL de sangue perfiférico total. Outra limitação é com referência ao equipamento específico exigido para realizar esse teste que é o CellTracksAutoPrep e a unidade CellTracksAnalyzer II (Veridex LLC, Raritan, NJ, EUA) 20.

De acordo com Pinheiro et al. 24 os exames minimamente invasivos e não invasivos cada vez mais tornam-se a preferência de profissionais e pacientes para diagnóstico de câncer. Destaca o autor a biópsia líquida, técnica não invasiva que identifica a cfDNA tumoral na corrente sanguínea. A coleta do material poderá ocorrer  a partir de qualquer fluido corporal, como por exemplo saliva. Identificando-se o código genético do tumor, será viável a identificação das características do câncer, semelhante a uma biópsia tradicional. Contudo, indica o autor que até a presente data, a biópsia líquida ainda não passou ainda por validação clínica completa, logo, essa não é capaz de substituir a biópsia tradicional que exige agendamento, requer anestesia e envolve a remoção ou ressecção de uma fração de tecido sólido do corpo do paciente, onde está localizado o tumor 24-26.

Schimitz et al.33 nos mostra que a Imunohistoquímica (IHC) é uma técnica laboratorial frequentemente aplicada simultaneamente a exames histopatológicos com o objetivo de fornecer uma investigação mais detalhada e objetiva sobre a natureza das células em uma amostra de tecido, pois para identificar a presença e a localização de proteínas típicas em células e tecidos utiliza anticorpos altamente específicos. Segundo os autores, a metodologia do IHC  é crucial para a determinação de tumores pois, como apresentado na tabela 1, diferentes tipos de câncer são capazes de expressar diferentes marcadores, contribuindo para a determinação do subtipo do câncer e indicam o caminho que orientam o tratamento mais acertivo, sendo sua principal vantagem. Já seu custo é variável mas pode ser considerado um exame de alto custo, sendo isso uma desvantagem, contudo, é oferecido pelo sistema único de saúde e planos de saúde o que o torna uma opção viável de pesquisa tanto para profissionais da saúde quanto pacientes.

Análogo à biópsia líquida, segundo Burns et al. 26  a proteômica de célula única trouxe uma grande mudança em todas as áreas que estudam biomarcadores de câncer e o uso de ferramentas proteômicas na pesquisa de sarcomas tem crescido. Ainda segundo o autor, até a presente data, os esforços de pesquisas nessa área têm se concentrado na diferenciação de subtipos histológicos para aumentar a compreensão do entendimento biológico e apontar potenciais biomarcadores diagnósticos, prognósticos e preditivos visando a aplicação clínica. Ding et al. 25  afirmam que os avanços das tecnologias proteômicas transformaram  significativamente os métodos genômicos e baseados em anticorpos. Espectrometria de massa, eletroforese em gel 2-D ,microdissecção por captura a laser, padrões de proteínas e identificação de marcadores moleculares de câncer são exemplos de tecnologias significativas 27.

Naoum 4 indica a eficácia do exame de Citogenética de Fish (Hibridização in situ por Fluorescência) sendo o método que viabiliza a análise e observação da fragmentação de cromossomos e suas partes realinhadas ou translocadas em cromossomos diversos. Ainda que não sejam indicações de custo acessíveis, ambps os exames: citogenética de Fish e RT-PCR, são os exames mais relevantes para busca de MT’s cromossômicos 20.

Apresentam Silva20 e Nascimento32 o exame RT-PCR como identificador de alterações genéticas que sugerem indicação de câncer ou risco aumentado para desenvolvimento de tumores, dessa forma, permite acompanhar tanto a evolução do tumor quanto a resposta ao tratamento. Os autores ainda ressaltam que o montante final de DNA produzido com a técnica de  amplificação isotérmica mediada por laço (LAMP), técnica que utiliza um único tubo para a amplificação do DNA, apresenta-se como uma opção de menor custo para os laboratórios detectarem certas doenças. A combinação de LAMP com uma etapa de transcrição reversa permite a identificação de RNA, sendo maior do que na RT-PCR e um resultado positivo do exame pode ser observado  a olho nu, sem demandar por uma máquina específica para leitura dos  resultados. O RT-PCR é oferecido por planos de saúde e pelo sistema único de saúde no Brasil e, por esse motivo, seu custo vem diminuindo, principalmente após a pandemia do Covid 19, tornando-se um teste cada vez mais ao alcance dos profissionais da saúde e pacientes.

O método de Fish, por possuir alta sensibilidade e especificidade na identificação de anomalias genéticas, as detecta a nível molecular e é realizado  em um tempo relativamente curto permitindo resultados rápidos decisivos para o adequado manejo do paciente. Contudo sua grande desvantagem na atualidade é o custo elevado, não sendo oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tão pouco é oferecido pelos planos de saúde, a essas desvantagens soma-se a necessidade de equipamentos especiais de alta tecnologia para ler seus resultados34, 35.

4. DISCUSSÃO

Para reconhecimento dos marcadores tumorais, a utilização de alguns anticorpos podem ser dificultadas pela grande quantidade de expressão de proteínas sobre a superfície celular pois alguns tumores não apresentam, por exemplo, EpCAM e CK’s por baixa afinidade ou número de receptores reduzidos ao longo da via de transformação da TEM. Para identificação de CT’s diminuindo custos, pode-se aplicar um filtro diretamente no exame de imunocitoquímica para isolar células pelo tamanho utilizando o mesmo método ScreenCell® podendo realizar cultura de células vivas 20.

É importante destacar que a hipóxia é uma das mais relevantes características do biossistema ou microambiente tumoral, conferindo para o fenótipo das CT’s, tumorigenicidade e metástases. Dessa forma, o aumento da expressão das cfDNA está diretamente ligada ao processo progressivo carcinogênico 13,22,24,25.

As metástases do câncer podem decorrer de células tumorais circulantes (CTC’s) 3-21. Esse fato já foi devidamente comprovado em cânceres metastáticos de mama e CCR 3-7,12,13,18,19,21, apontando para a conclusão de que, conforme aumenta o número de CTC’s no sangue periférico, piores são as Sobrevidas Livres de Progressão (SLP) e Sobrevida Global (SG) dos pacientes 3-21 . Quando há propagação das células tumorais, através da invasão da rede vascular vizinha ou de vasos formados dentro do próprio tumor, em ambas as situações, há estímulo de modificação do tecido epitélio-mesenquimal (TEM) 4,5,7,12,13,14,18.  Vários autores 5,10,12,16,17,20,22,25,27 certificam que concentrações mínimas de oncogenes ativas são capazes de converter uma célula não tumorigênica em uma célula absolutamente tumorigênica. Comprovando esses dados Gasparini et al. 3  demonstra que as CTC’s  são bons biomarcadores, pois foi demonstrado em seu trabalho que nas coortes de pacientes analisados, nenhum dos voluntários saudáveis apresentou CTC’s, apontado para sua especificidade. Outrossim, o isolamento dessas células viabiliza a análise proteômica, genética e molecular das células tumorais de forma não invasiva 22,25,26,27.

A evolução das tecnologias em saúde remete a exames cada vez mais precisos e não invasivos e, nesse contexto, tanto a proteômica quanto a biópsia líquida,  esta com custo mais acessível tanto para pacientes como para o sistema de saúde e com menor trauma para o paciente 20-27. Também exames mais tradicionais, apontados por Salazar 19, demonstram sua eficácia como os exames de imagem PET-CT, mamografia e, até mesmo, o RX. Ainda é possível contar, para os estudos e pesquisas, com a bioestatística que facilita muito a pesquisa com resultados confiáveis e diversificação de populações pois os bancos de dados não vislumbram fronteiras étnicas 5, 20-27.

As tendências e inovações clínicas e laboratoriais necessariamente passam pelo desenvolvimento da inteligência artificial que possibilitará maior eficiência, agilidade na entrega de resultados e redução de custos, extremamente importante para a oferta tanto no sistema público de saúde quanto na rede particular e convênios.

Outra tendência é a genômica e a medicina personalizada, que foca na análise do perfil genético individualizado, permitem diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficientes e eficazes, adequados às demandas de cada paciente 28-30.

As testagens rápidas e descentralizadas tendem à expansão, pois trazem a possibilidade de realização de exames em locais mais acessíveis à população ou até mesmo em casa, trazendo maior facilidade de acesso, controle e monitoramente de doenças 27-28.

A análise de Big Data ou seja, análise de enormes volumes de dados da saúde que contemplam grandes bancos de dados nacionais e internacionais como os já citados anteriormente e descritos em ZHANG et al. 5: VALCAN, GEPIA, TCGA, plotadora KM e TIMER2 alimentados por governos, universidades, hospitais permitirão a  identificação, através de dados estatísticos, der padrões e tendências regionais e populacionais, trazendo maior apoio e contribuindo para a expansão tanto da prevenção de doenças quanto no desenvolvimento de novas terapias.

A integração de prontuários eletrônicos dos sistemas laboratoriais com hospitais e a base de dados do sistema único de saúde, permitirão o acesso facilitado e seguro aos resultados dos exames, promovendo rapidez na tomada de decisão e o acompanhamento médico que é decisivo para o tratamento dos pacientes 28-29.

As práticas de sustentabilidade também entram na pauta do futuro da saúde. Tecnologias e processos que reduzam ao máximo o impacto ambiental gerado pelas atividades laboratoriais como: melhor adequação do consumo de energia, utilização de energia solar e melhor utilização de luz natural; a reutilização de água e minimizar desperdícios dos recursos hídricos; redução do consumo de materiais descartáveis através da adesão aos materiais reutilizáveis e adotando políticas e parcerias com fornecedores que possuam programs de reciclagem, são medidas extremamente pertinentes e um importante passo na direção da redução do impacto ambiental 28-30.

Os desafios são muitos pois passam por mudança de paradigmas, mudança nas grades curriculares dos cursos na área da saúde, discussões éticas e regulatórias envolvendo governos e sociedade para que garantam a segurança e privacidade dos dados 31.

Todo o desafio também trás oportunidades. A ampliação e personalização da medicina, a busca por testes diagnósticos rápidos e a eficiência sustentável abrirão portas para novas oportunidades de negócios no setor tanto para laboratórios quanto demais empresas 30-31.

As perspectivas futuras para a detecção de CA´s passam pelo desenvolvimento tecnológico que aprimora as análises clínicas, genéticas e exames por imagem. A integração de todas essas tecnologias e, uma mudança de paradigma na área da saúde, apontam para grande ênfase na medicina preventiva e personalizada sendo a prerrogativa dessas tendências. Processos laboratoriais cada vez mais automatizados, a análise de Big Data, a inteligência artificial, a expansão da testagem genômica e a medicina personalizada são algumas das tendências que moldarão o futuro das análises clínicas e da medicina 28-31.

5. CONCLUSÃO

Esse estudo apresenta o avanço nas pesquisas por biomarcadores específicos para o câncer, a dificuldade na realização de exames devido a muitas variantes, bem como, em razão do alto custo financeiro. Tais apontamentos refletem no paciente, visto que muitos exames não são cobertos por planos de saúde e, tampouco, pelo Sistema de Saúde Público (SUS). O governo deverá  desenvolver políticas públicas que promovam a implementação de exames de MT’s nos sistemas de saúde.

Nesta seara, ainda, observam-se as descobertas de novas formas de detecção dos MT’s, embora alguns avanços ainda estejam acontecendo, como podem ser observados na transformação molecular da TEM, no avanço tumoral e na eficácia do tratamento pela resistência a drogas citotóxicas. Para que haja um melhor entendimento deste processo, maiores estudos precisam ser realizados, tanto quanto o treinamento de profissionais da saúde capacitando-os a enteder e desenvolver as novas tecnologias através de programas de formação de profissionais que incluam temas de informática na saúde e saúde digital, como parte integrante das competências necessárias do profissional em formação.

Também pode ser observado que, a grande maioria dos MT’s, detecta o tumor já estabelecido, independentemente de seu tamanho ou metástases. A resposta à pergunta norteadora desse trabalho: Através de quais marcadores tumorais é possível diagnosticar o câncer? Foi parcialmente respondida, contudo, como ainda não estabeleceu-se um MT específico de prevenção, ou seja, sua detecção antes do estabelecimento do tumor maligno, indica claramente que o desafio é muito grande e mais pesquisas deverão ser realizadas bem como o incentivo por parte dos governos a promoverem o fomenteo de políticas públicas que implementem os exames de MT´s nos sistemas de saúde.

REFERÊNCIAS

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INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES

1 Pós-graduação-lato sensu em Bioquímica; Pós-graduação latu sensu em Cosmetologia estética; Pós-graduação lato sensu em docência do ensino superior; Graduação em Biomedicina; Graduação em Estética; Graduação em Administração de empresas. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-6522-7000. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/1490149739221143.

2 Orientadora. Mestrado em Ciências da Saúde; Pós-graduação lato sensu em Análises Clínicas; Pós-graduação lato sensu em hematologia; Graduação em Biomedicina. ORCID: 0000-0002-0801-8091. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/1248306566175820.

Contribuição dos autores:

Jaqueline da Silva Barreiro: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.

Chaiane Mara Oliveira Moraes: Revisão.

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse:

Não há conflito de interesse.

Agradecimentos e Financiamento:

Não há financiamento.

Informações sobre Direitos Autorais e Licença:

Este é um artigo de Acesso Aberto distribuído sob os termos da Creative Commons Attribution License, que permite uso, distribuição e reprodução irrestritos em qualquer meio, desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.

Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação:

Material recebido: 22 de julho de 2025.

Material aprovado pelos pares: 18 de agosto de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 30 de outubro de 2025.

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Jaqueline da Silva Barreiro

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