A Importância de um Atendimento Humanizado no Tratamento do Paciente Oncológico

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CONTEÚDO

SOUSA, Joyce Caroline de Oliveira  [1], SOUSA, Caíque Rodrigues de Carvalho [2]

SOUSA, Joyce Caroline de Oliveira; SOUSA, Caíque Rodrigues de Carvalho. A Importância de um Atendimento Humanizado no Tratamento do Paciente Oncológico. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 9. Ano 02, Vol. 05. pp 126-141, Dezembro de 2017. ISSN:2448-095

RESUMO

Este trabalho tem o objetivo de ressaltar, através de uma revisão de literatura, a importância da adoção do atendimento humanizado durante o curso do tratamento oncológico. Trata-se de uma revisão integrativa, realizada em livros e nas bases de dados BVS, BIREME, SCIELO e Google Acadêmico, através de ensaios experimentais e não experimentais da literatura teórica e empírica, nos idiomas português e espanhol, que contemplassem a humanização no tratamento oncológico. As palavras-chave e os descritores utilizados foram: “Atendimento Humanizado na terapêutica do câncer pela equipe multidisciplinar”. De um total de 30 publicações encontradas, 10 correspondiam diretamente aos objetivos da pesquisa, no qual foram destacados seus pontos positivos e negativos. As demais serviram como material suplementar à última análise dos dados e redação final. Destacou-se o ano de 2014 como o de maior produção, 2 artigos e 1 relato de experiência prática, e, com menos frequência, os anos de 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013, 1 artigo cada. No tocante ao delineamento metodológico, das 10 produções das bases de dados, foram encontrados: 5 artigos científicos, correspondentes a 2 revisões integrativas e 3 pesquisas de campo descritivas; 4 relatos de experiência; e, 1 relato de prática assistencial. É de vital importância relacionar a humanização com a prática dos profissionais da equipe multidisciplinar em qualquer setor envolvido, visto que, durante o tratamento oncológico, permite-se criar uma relação mais próxima e global com o paciente, encontrando soluções para problemas que impactam negativamente na qualidade de vida.

Palavras-Chave: Câncer, Humanização, Oncologia, Equipe Multidisciplinar, Paciente Oncológico.

INTRODUÇÃO

Neoplasia maligna ou câncer refere-se a um conjunto de doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos de maneira rápida, agressiva e incontrolável e apresenta relevância significativa no perfil epidemiológico nacional e mundial, devido à sua elevada incidência e à sua alta taxa de mortalidade, figurando-se entre as principais causas de óbitos em adultos (TONIN, 2011).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o impacto do câncer pelo mundo mais que dobrou em 30 anos, com estimativa para o ano de 2030 de 27 milhões de casos incidentes, 17 milhões de óbitos em decorrência da doença e 75 milhões de pessoas vivas com a neoplasia (INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, 2011).

A descoberta do diagnóstico de câncer em um indivíduo provoca no seio familiar uma sucessão de mudanças, visto que esta situação promove um grande conflito emocional, pois como possui o estigma social de doença incurável, as perspectivas da vida do paciente e de toda a sua família são abaladas pelo sentimento de temor da experiência inesperada que terão que vivenciar (SILVA et al., 2008).

Ao longo dos anos, os avanços tecnológicos na saúde vêm oferecendo melhorias essenciais no diagnóstico e tratamento dos mais diversos tipos de neoplasias. Dentre as modalidades de tratamento oncológico relatam-se: cirurgia, quimioterapia e radioterapia (BARROS, 2010).

No que tange a tumores localizados, a cirurgia ou radioterapia são as intervenções terapêuticas mais indicadas. A quimioterapia é empregada para tratamento sistêmico em pacientes com doença metastática presente e/ou sujeitos ao desenvolvimento de patologias neoplásicas dos mais diversos tipos. À busca e à melhoria da qualidade de vida do paciente portador de neoplasia, a radioterapia se figura como a especialidade terapêutica utilizada em cerca de 50% a 60% dos pacientes oncológicos (BRENTANI; COELHO; KOWALSKI, 2003).

O câncer, apesar de todos os avanços tecnológicos nas modalidades de tratamentos, ainda é considerado como a doença e não como uma doença. Ao receber o diagnóstico, o indivíduo passa a vivenciar um turbilhão de emoções, sensações e temores e se depara com situações que irão modificar toda a sua qualidade de vida.

O profissional da área de saúde, em especial os que atuam no campo de tratamento oncológico, por estar em contato direto com o paciente, deve se atentar da relevância da prestação de um atendimento humanizado e individualizado, visto que, ao acolher as necessidades do adoentado e de sua família, estabelece-se uma relação de confiabilidade favorecendo ao desenvolvimento das relações interpessoais vitais para o sucesso da terapêutica.

Nesse sentido, propôs-se como objetivo deste estudo ressaltar a importância da adoção da humanização durante o curso do tratamento oncológico. Além disso, o pouco conhecimento e a escassez de publicações acerca do tema justifica a realização de uma revisão de literatura, visto que favorece não só o profissional da equipe multidisciplinar bem como o paciente, por si só.

Fases de adaptação do paciente ao tratamento

Apesar de vários estudos que compravam a eficácia terapêutica, o câncer ainda representa ameaça à vida e agrega a ideia de algo que cresce e destrói a vitalidade, com improvável cura. Além disso, está intimamente relacionado com o sofrimento, a dor, a deterioração, as incertezas quanto ao futuro e ao medo da rejeição, o que denota íntima associação com a morte e o morrer (BENARROZ; FAILLACE; BARBOSA, 2009).

Todos os pacientes que recebem o diagnóstico de tumor maligno acabam passando por diferentes períodos de adaptação à doença e aos tratamentos as quais são submetidos. Entender como outras pessoas enfrentam as doenças graves poderia ajudar o paciente oncológico e sua família a se preparar para lidar com suas próprias enfermidades. Conforme Carero et al. (2001), pode-se dizer que uma doença grave consta de quatro fases:

(I) Fase Antes do Diagnóstico: Trata-se da primeira fase, quando o paciente se dá conta ou infere pelo menos uma suspeita de que corre o risco de desenvolver uma doença. Porventura, estende-se por todo o período em que é submetido a exames, e termina no momento em que recebe a confirmação;

(II) Fase Aguda: Sucede ao diagnóstico, quando a pessoa se vê forçada a entender o problema e tem que tomar uma série de decisões acerca de seu cuidado médico, bem como ter uma noção relativa sobre o que está ocorrendo;

(III) Fase Crônica: Corresponde como o período entre o diagnóstico e os resultados do tratamento, quando os pacientes tentam lidar com as demandas da vida cotidiana, ao mesmo tempo, em que recebem terapia e tentam aceitar seus efeitos secundários. Há algum tempo, o período entre o diagnóstico de câncer e a morte era de uns meses, geralmente passados no hospital. Entretanto, atualmente as pessoas podem viver muitos anos depois de receber um diagnóstico de câncer e de se submeter a tratamento especializado;

(IV) Fase de Recuperação ou Morte: Os pacientes, nesta fase, têm que enfrentar os efeitos físicos, psicológicos, religiosos e sociais e ônus monetários do câncer. Inicialmente, a resposta emocional, frente ao diagnóstico desta neoplasia, pode ser relativamente breve, durando alguns dias ou semanas, e pode incluir sentimentos de incredulidade, rejeição e desespero.

Humanização e tratamento oncológico

O tema humanização é muito encontrado em trabalhos relacionados à área da saúde. É de vital importância relacioná-lo com a prática de todo e qualquer profissional constituinte da equipe multidisciplinar em qualquer setor envolvido (WALDOW; BORGES, 2011). O desafio desse tema é criar para os seres humanos oportunidades de existir e viver dignamente.

Na atualidade, esquece-se de que, se as coisas têm preço e podem ser trocadas, alteradas ou comercializadas, as pessoas têm dignidade e clamam por respeito. A manipulação se faz presente, sutilmente, e rouba aquilo que é mais precioso à vida do ser humano: sua dignidade (CARERO et al., 2001).

A busca por um atendimento humanizado, conforme Collectión Sanitaria (2010), teve origem entre os próprios profissionais da saúde, sendo que algumas áreas tomaram iniciativas de forma pioneira e inovadora como, por exemplo, a saúde da mulher (humanização do parto, maternidade segura) e a saúde da criança (Projeto Canguru, para recém-nascidos de baixo peso, e brinquedotecas nos hospitais). Desde o final dos anos 90, o movimento de humanização alcançou dimensões maiores e exigiu posicionamento oficial a respeito (COLLECCIÓN SANITARIA, 2010).

Humanização, oncologia e radioterapia são termos que caminham juntos quando se observa e se considera a magnitude que o câncer assumiu ao longo dos anos. Afinal, a expectativa de vida e a incidência da doença, na população brasileira, crescem nas mesmas proporções em que novos casos são diagnosticados todos os anos, contribuindo para que a busca por tratamento efetivo e de cunho diferenciado, em geral, constitua um desafio para o paciente (DUARTE; NORO, 2010; HADDAD; ZOBOLI, 2010).

Todo e qualquer atendimento prestado é baseado nas relações humanas. As pessoas são diferentes e, consequentemente, pensam de maneiras diferentes. Assim é relevante considerar que atender pessoas corresponde a dar assistência a um público heterogêneo. Quando inserimos a humanização nesse contexto, levamos em conta a importância da comunicação entre profissional e cliente para facilitar a relação confiança-respeito (SILVA et al., 2008).

A humanização, durante o tratamento oncológico, permite criar uma relação mais próxima e global da equipe multiprofissional com o paciente, encontrando soluções para problemas que impactam negativamente na qualidade de vida. Além disso, propicia na atuação e desenvolvimento da terapêutica de forma mais humana, considerando o doente como um ser individualizado e de características próprias sejam elas físicas e/ou emocionais, e melhora a eficácia do tratamento utilizado (DUARTE; NORO, 2010).

METODOLOGIA

O estudo elaborado trata-se de uma revisão bibliográfica que se define como uma pesquisa desenvolvida através de materiais já elaborados, principalmente, livros, revistas e artigos científicos, fornecendo uma visão mais ampla sobre determinado assunto, sendo esta, conduzida por uma questão de pesquisa construída de maneira clara e objetiva (GIL, 2008).

A abordagem metodológica eleita foi revisão integrativa da literatura, que tem como finalidade reunir e resumir o conhecimento científico já produzido sobre o tema investigado, ou seja, permite busca, avaliação e síntese das evidências disponíveis para contribuir com o desenvolvimento do conhecimento na temática. Além do mais, a inclusão de estudos experimentais e não experimentais, para uma compreensão completa do fenômeno analisado, e a combinação de dados da literatura teórica e empírica (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008).

O levantamento da bibliografia se deu no período de janeiro a março de 2016, nas bases de dados da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Biblioteca Regional de Medicina (BIREME), Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e Google Acadêmico, através dos descritores “Atendimento Humanizado”, “Câncer”, “Humanização” e “Terapêutica do Câncer”, sem delimitação de recorte temporal. Foram selecionados artigos publicados que contemplassem a humanização no tratamento oncológico, nas línguas portuguesa e espanhola, totalizando 30 publicações.

Dos trabalhos analisados, 10 publicações de interesse correspondiam diretamente aos objetivos da pesquisa, e as demais, após leituras sucessivas, serviram como material suplementar à última análise dos dados obtidos e redação final deste artigo. 

RESULTADOS

A partir dos diferentes estudos analisados, nessa revisão integrativa, observou-se que a implantação da humanização durante o tratamento oncológico apresenta pontos negativos e positivos (Quadro 1).

Quadro 1 – Trabalhos que contemplam os pontos positivos e negativos na implantação da humanização durante o tratamento oncológico. Próprios autores, 2016.

TÍTULO, AUTOR(ES) E ANO PONTOS POSITIVOS PONTOS NEGATIVOS
  Terminalidade de Vida: Bioética e Humanização em Saúde

(MARENGO; FLÁVIO; SILVA, 2009)

Humanizar o cuidar é dar qualidade à relação profissional da saúde-usuário, ou seja, acolher as angústias do ser humano diante da fragilidade de corpo, mente e espírito, e não se pode humanizar o ambiente hospitalar sem referência ao humano, bem como falar do humano sem referência à Ética. O processo de humanização nas instituições hospitalares de tratamento oncológico pressupõe, em primeiro lugar, a compreensão do significado da vida do ser humano, o que não é uma tarefa fácil, ao envolver diversos fatores, além de princípios éticos, aspectos culturais, econômicos, sociais, entre outros.
Humanização na Enfermagem em Pacientes Oncológicos

(SANTOS; MATOS; GARCIA, 2011)

 

O desenvolvimento de atitudes de humanização, por parte da equipe multiprofissional, contribui para que o paciente se sinta valorizado, com promoção do seu bem-estar. A humanização requer uma mudança, que é difícil, acerca dos valores e princípios que norteiam a prática profissional, no que se refere a um tratamento e cuidado digno, acolhedor com os pacientes oncológicos, por parte dos profissionais das mais diversas áreas da saúde.
A Humanização como “Estratégia de Gestão e Atenção” em Saúde? : Uma Revisão de Literatura (SILVA, 2014) Humanização na saúde, em especial na Oncologia, atua como uma política estratégica, instrumento de mobilização social e institucional, instaurando uma nova dinâmica na esfera da saúde. A instalação de práticas humanizadas requer uma maior responsabilização de todos os agentes e entes envolvidos, o que complica, no processo de produção da saúde.
Grupo Acolhida: Orientação para Pacientes e Acompanhantes que Serão Submetidos à Radioterapia (PEREIRA et al., 2014) A importância e necessidade de uma equipe multidisciplinar, no acompanhamento de um paciente oncológico com desenvolvimento de atitudes humanizadoras, é essencial na melhora da qualidade de vida deste e de seus familiares. Apesar dos progressos da medicina, em relação ao tratamento e a instituição de humanização em hospitais oncológicos em virtude das inúmeras metáforas ligadas ao diagnóstico de câncer, ainda atribuem ao paciente a ideia de que esta patologia é dita como uma sentença de morte, deflagrando assim, uma série de reações e emoções no paciente e na família.
Ações de Humanização do Núcleo de Pesquisa Clínica de um Hospital Público de São Paulo Especializado no Tratamento do Câncer (LONGO et al., 2014) O atendimento humanizado no tratamento do câncer visa contribuir com a saúde e a qualidade de vida da sociedade, isto amparado pela Política Nacional de Humanização. Algumas ações humanizadoras na oncologia geram desconfiança por parte dos pacientes oncológicos, visto que entendem tais ações como um atendimento diferenciado, do dispensado aos demais pacientes.
Projeto Sala de Espera – Ação Humanizada na Radiologia (PORFIRIO et al., 2007) Atitudes humanizadoras, por parte da equipe multidisciplinar, oferecem informações a pacientes oncológicos, bem como os cuidados com a saúde. Desenvolvimento tecnológico alcançado, ao longo dos anos, coloca em segundo plano o ser humano e isto influencia em todo o campo emocional do paciente oncológico, o que compromete a visão de humanização.
Grupo Psicoeducativo de Radioterapia: Relato de Experiência (SANTOS et al., 2014) Atitudes humanizadoras e ações explicativas, durante o tratamento radioterápico, oferecem ao paciente oncológico a percepção de que poderão contar com os profissionais envolvidos no seu cuidado. O paciente oncológico, por situações amedrontadoras, possui dúvidas sobre todo o tratamento a que é submetido, e não por não receber apoio dos profissionais da equipe multidisciplinar, abandonando-o em alguns casos.
Assistência Humanizada ao Cliente Oncológico: Reflexões Junto à Equipe (COSTA; LUNARDI FILHO; SOARES, 2013) A assistência humanizada ao paciente com câncer e seus familiares consiste no emprego de atitudes que permitam a todos verbalizar e valorizar seus sentimentos, e identificar áreas potencialmente problemáticas. A assistência ao paciente oncológico dá mostras de sua complexidade, pois precisa envolver a consideração de múltiplos aspectos, tais como: físicos, psicológicos, sociais, culturais, econômicos e espirituais.
Cuidados Paliativos: Assistência Humanizada a Pacientes com Câncer em Estágio Terminal (JORGE; PAULA, 2014) A humanização e um tratamento oncológico humanizado por meio de cuidados paliativos, contrapondo as revoluções tecnológicas, são favoráveis ao paciente oncológico. O tratamento oncológico humanizado é necessariamente moldado à situação do paciente e às circunstâncias do momento terapêutico em que o mesmo se encontra.
Humanização dos Cuidados em Saúde: Conceitos, Dilemas e Práticas (DESLANDES, 2006) A humanização, enquanto um projeto relativo às práticas e tratamentos oncológicos, envolve relações entre pessoas sempre em interação dinâmica com os contextos de materialidades e não materialidades na qual as relações estão inseridas. Apesar da popularidade do termo humanização, este se apresenta como um conceito multifacetado e complexo.

 

Partindo das variáveis (Quadro 1), foi possível constatar que das dez produções científicas levantadas, destacou-se o ano de 2014 como o de maior produção, com 2 artigos e 1 relato de experiência prática sobre a temática abordada e, com menos frequência, os demais anos (2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013), com 1 artigo cada.

No tocante ao delineamento metodológico, das 10 produções: 5 artigos científicos, correspondentes a 2 revisões integrativas e 3 pesquisas de campo descritivas; 4 relatos de experiência; e, 1 relato de prática assistencial. Revisões sistemáticas da literatura são ferramentas extremamente úteis em pesquisa sobre métodos diagnósticos ou prognósticos desde que embasadas por uma questão claramente formulada, com técnica de busca e seleção de artigos bem planejada (FRONTEIRA, 2013; SOUZA; SILVA; CARVALHO, 2010).

De acordo com a leitura e análise dos trabalhos levantados, foi possível a alocação em grupos temáticos para discussão dos achados: i) Definição de humanização na oncologia; ii) Relevância do atendimento humanizado e seus impactos sobre o paciente oncológico; iii) O profissional da saúde na prática humanizada na oncologia.

DISCUSSÃO

Definição de humanização na oncologia

O debate que envolve a questão e/ou o preceito Humanização aposta em processos relacionais ressignificados, tendo como horizonte uma maior reciprocidade entre as expectativas de vida, de felicidade e a produção dos cuidados. O processo terapêutico, neste sentido, ganha em validade cultural e afetiva, ampliando sua legitimidade (DESLANDES; AYRES, 2005). Esse preceito estaria, por definição relacionada, a se colocar no lugar do paciente oncológico, cujo conceito se alinha a uma série de prerrogativas e propostas de revisão e de mudança nas relações entre equipes profissionais, gestores e usuários dos serviços de saúde, com abrangência ao emprego das tecnologias de escuta, acolhimento, diálogo e negociação para a produção e gestão do cuidado (MARENGO; FLÁVIO; SILVA, 2009).

Diante do cenário de terminalidade de vida, que muitas vezes o paciente oncológico acredita está incluído, é possível programar uma política de assistência e cuidado que honre a dignidade do ser humano doente, com disposições complementares ao preceito de que humanizar é saber promover o bem comum acima da suscetibilidade individual ou das conveniências de um pequeno grupo (LEPARGNEUR, 2003). Segundo Silva (2014), essas disposições se referenciam a uma política estratégica pautada na indissociabilidade entre gestão e atenção, bem como na superação do ideal mercadológico que quantifica e unifica o/a sujeito/doença.

Contrapondo à relevância do desenvolvimento da tecnologia de ponta em radiodiagnóstico e partindo do referencial da existência, um ser humano que, ao receber o diagnóstico de câncer, tiver sua qualidade de vida completamente modificada, o Ministério da Saúde disponibiliza o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar, com propostas e ações definidas de melhorias do atendimento público à saúde (AYRES, 2011). Porfirio et al. (2007) confirma, através de um relato de experiência, que a humanização é um conceito reflexivo, cujas práticas fortalecem a relação paciente-profissional.

A compreensão e a importância atribuída a uma assistência humanizada contribuem para que o conceito humanização seja ampliado, deixando de possuir apenas aspectos teóricos, e atingindo a prática profissional, o que consiste, na conjectura do paciente oncológico: no emprego de atitudes que originem espaços que permitam a todos verbalizar seus sentimentos e valorizá-los; na identificação de áreas potencialmente problemáticas e de fontes de ajuda, que podem estar dentro ou fora da própria família; no fornecimento de informações e esclarecimentos de suas percepções, o que ajuda na busca de soluções dos problemas relacionados à terapêutica e instrumentalização; e, no desempenho de ações de autocuidado, dentro de suas possibilidades (COSTA; LUNARDI FILHO; SOARES, 2013).

Contrariando as definições e considerações relevantes já descritas, a humanização adquire uma essência generalista, cujo real trabalho permanece invisível, pois as práticas paliativas fundamentais na oncologia e constituintes são baseados nas competências clínica e relacional, sendo pouco difundidas no universo do atendimento à saúde no Brasil. Ao se preocupar com essa essência que parte de uma dinâmica ainda prescritiva, pronta e acabada, torna-se imprescindível disseminar informações adequadas, formar equipes profissionais aptas e interessadas, reafirmar os princípios básicos dos cuidados paliativos e, principalmente, demonstrar os resultados exitosos das abordagens terapêuticas na oncologia por si só. (DESLANDES, 2006).

Relevância do atendimento humanizado e seus impactos sobre o paciente oncológico

Uma característica de natureza perversa do câncer é que, tanto o adoecimento em si como o tratamento, envolvem processos dolorosos e complexos que demandam modernos recursos. A situação adquire maior dramaticidade nos casos de doentes sem expectativas de cura que se aproximam da fase final da evolução da doença. Nessa etapa, torna-se fundamental a atenção total à pessoa e seus familiares por cuidadores orientados e organizados com vistas à promoção da qualidade da vida que ainda resta ao doente (AYRES, 2011). Além disso, a equipe multidisciplinar deve estar informada sobre os mais diversos aspectos da patologia e as possibilidades de cura e agravamento de quadro clínico, de modo, a lidar com o sofrimento, a dor e a angústia do envolvido e de seus familiares.

Humanizar o atendimento nas mais diversas situações e especialidades tem sido um desafio constante, pois, ainda se encontra resistência entre os próprios profissionais (SANTOS; MATOS; GARCIA, 2011), apesar das considerações teóricas de que o câncer pertence a um grupo de doenças cuja taxa de mortalidade vai depender do tipo e do desenvolvimento, com difusão de metáforas ligadas ao seu diagnóstico, e os progressos da medicina e a aplicação de atitudes e práticas humanizadas propiciarão esclarecimentos quanto às formas de tratamentos, importância da alimentação, efeitos colaterais e apoio psicológico no auxílio da diminuição de angústia, tensão e ansiedade relacionadas (PEREIRA et al., 2014).

Nos preceitos humanistas, aspectos antropológicos, econômicos, filosóficos, políticos, psicológicos e sociais são situados, e cada um pode ser tratado de modo diferente, sendo o ponto essencial voltado para a necessidade de avaliar as relações dos seres humanos entre si e com o meio social (DESLANDES, 2006; BETTS, 2011). Por isso, a relevância de um atendimento, nesses preceitos, especializado no tratamento do câncer visa contribuir com a saúde e a qualidade de vida da sociedade (LONGO et al., 2014).

De forma singela e ainda sem grandes inovações, o atendimento humanizado favorece a comunicação entre pacientes oncológicos e profissionais, proporcionando a ampliação da relação paciente-profissional (JORGE; PAULA, 2014). Os profissionais de saúde, através de abordagens interativas ou ainda de natureza humanista, facilitam a compreensão e o enfrentamento do momento vivido, minimizando a ansiedade do paciente (PORFIRIO et al., 2007; COSTA; LUNARDI FILHO; SOARES, 2013).

O profissional da saúde na prática humanizada na oncologia

O desafio da humanização é criar para os seres humanos oportunidades de existir e viver dignamente. Na atualidade, a ideia difundida é de que as coisas têm preço e podem ser trocadas, alteradas ou comercializadas. No tocante ao ser humano, as pessoas entendem que têm dignidade e clamam por respeito (MARTINS et al., 2014).

Contemplando a visão de cunho humanístico, o contato direto com seres humanos, em estado de saúde ou doença, coloca o profissional de saúde diante de sua própria vida, dos próprios conflitos e frustrações e, caso não tome cuidado com esses fenômenos, correrá o risco de, ao entrar em contato com outras pessoas, utilizar o distanciamento como mecanismo de defesa, devido às tensões provenientes das fontes: contato frequente com a dor e o sofrimento; receio de cometer erros; e, relações com pacientes difíceis (MARENGO; FLÁVIO; SILVA, 2009; PEREIRA et al., 2014).

As práticas humanizadas contribuem à promoção do bem-estar físicopsíquico, ao aumento da autoestima e a todo o processo de socialização necessário à recuperação do paciente, cabendo aos profissionais reconhecer a real importância de cuidar e/ou humanizar no tratamento oncológico (SANTOS; MATOS; GARCIA, 2011), pois, estão expostos, no seu dia-a-dia de trabalho, a situações geradoras de conflitos, cujos fatores são, dentre outros: as frequentes perdas por morte; as pressões que expõem o modelo médico tradicional de responsabilidade em relação à cura e à longevidade; o trabalho constante com doenças graves e com a tristeza de familiares; e, o contato frequente com o paciente e familiares, levando à criação de vínculo de maior envolvimento com o problema vivido (BETTS, 2011; SANTOS et al., 2014).

O paciente com câncer não deve ser considerado como mais um caso a ser tratado, em mais um dia de trabalho. A equipe multidisciplinar precisa adquirir uma visão holística, na busca de compreender que, nas múltiplas relações desenvolvidas, deve-se estabelecer e proporcionar uma abordagem profissional profundamente solidária, geradora não só de saúde, mas, principalmente, de vida (COSTA; LUNARDI FILHO; SOARES, 2013).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O diagnóstico e  a convivência com o câncer provoca conflito emocional no paciente e sua família, devido tratar esta neoplasia como uma fatalidade. Apesar de que ao longo dos anos, diagnósticos e tratamentos dos diversos tipos de cânceres vem apresentando grande avanços tecnológicos.

É de vital importância relacionar a humanização com a prática dos profissionais da equipe multidisciplinar em qualquer setor envolvido, visto que, durante o tratamento oncológico, permite-se criar uma relação mais próxima e global com o paciente, encontrando soluções para problemas que impactam negativamente na qualidade de vida.

REFERÊNCIAS

AYRES, J. R. C. M. Hermenêutica e humanização das práticas de saúde. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 10, n. 3, p. 549-560, 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csc/v10n3/a13v10n3.pdf>. Acesso em: 06 jan. 2016.

BARROS, C. S. Estudo, avaliação e optimização em Radioterapia IMRT. 2010. 184 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Biomédica). Lisboa: Universidade de Lisboa, 2010.

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DESLANDES, S. F.; AYRES, J. R. C. M. Humanização e cuidado em saúde. Ciência & Saúde Coletiva, Fortaleza, v. 10, p. 510, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csc/v10n3/a01v10n3.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2016.

DESLANDES, S. F. (org.). Humanização dos cuidados em saúde: conceitos, dilemas e práticas. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2006.

DUARTE, M. L. C.; NORO, A. Humanização: uma leitura a partir da compreensão dos profissionais da enfermagem. Rev Gaúcha Enferm, Porto Alegre, v. 31, n. 4, p. 685-692, 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rgenf/v31n4/a11v31n4.pdf>. Acesso em: 20 jan. 2016.

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[1] Tecnologia em Radiologia – IFPI.

[2] Licenciatura em Ciências Biológicas – IFPI.

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