ARTIGO ORIGINAL
SILVA, Evandro Rodrigues da [1], BRAGA, Luana Lorena Martins [2], RIBEIRO, Mara Martins [3], JARDIM, Alessandra Silva Lima [4], ARAÚJO, Claudirene Milagres [5]
SILVA, Evandro Rodrigues da et al. Adesão da pessoa idosa ao plano de cuidados de enfermagem em um ambulatório privado. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 10, Vol. 02, pp. 64-86. Outubro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/ambulatorio-privado, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/ambulatorio-privado
RESUMO
O plano de cuidados de enfermagem consiste em um instrumento fundamental para a prática profissional, permitindo a sistematização da assistência de forma segura, elaborado de forma individualizada e participativa, com metas e intervenções voltadas para a promoção, prevenção, recuperação ou reabilitação da saúde. Essa estrutura assegura que o cuidado prestado seja não apenas técnico e científico, mas também ético, humano e centrado na pessoa. A adesão ao plano de cuidados de enfermagem é um fenômeno multidimensional, determinado por diversos motivos, que podem interferir de forma negativa ou positiva na vida do paciente. Objetivo: compreender os fatores que interferem na adesão da pessoa idosa ao plano de cuidados de enfermagem em um ambulatório de uma faculdade privada de Belo Horizonte. Método: estudo de caso de abordagem qualitativa realizado no ambulatório de uma faculdade privada na cidade de Belo Horizonte localizada no estado de Minas Gerais. Foram entrevistados um total de 20 pessoas idosas entre fevereiro e março de 2025, vinculados à linha de cuidados das especialidades de Cardiologia, Cardiologia Geriátrica, Gastroenterologia, Coloproctologia e Endocrinologia, que receberam o plano de cuidados na consulta de enfermagem. Os dados foram coletados a partir de um roteiro de entrevista semiestruturado e analisados por meio da técnica de Análise de Conteúdo Temática de Bardin. Resultados: A partir dos aspectos emergidos por meio das entrevistas, foram elaboradas três grandes categorias que compreendem que as pessoas idosas reconhecem que o plano de cuidados promove a melhoria na qualidade de vida, existem fragilidades e potencialidades que implicam diretamente nos hábitos alimentares e na prática de atividade física. A escuta ativa, o acolhimento e a humanização geram sensação de satisfação no atendimento. Tais fatores interferem na adesão do plano de cuidados de enfermagem. Conclusão: conclui-se que a adesão da pessoa idosa ao plano de cuidados de enfermagem está diretamente relacionada à qualidade da relação estabelecida com os profissionais de saúde, em especial o enfermeiro. Contudo, ainda persistem desafios que dificultam a adesão completa ao plano de cuidados, como o custo elevado de uma alimentação saudável, a escassez de recursos financeiros, a dependência de terceiros para locomoção, múltiplas comorbidades, disposição física e emocional.
Palavras-chave: Plano de Cuidados de Enfermagem, Saúde da Pessoa Idosa, Consulta de Enfermagem.
1. INTRODUÇÃO
O envelhecimento humano é um processo natural, individual, irreversível, que se caracteriza pela diminuição progressiva e gradual da reserva funcional dos indivíduos, denominando-se de senescência. Porém, em situações em que o envelhecimento vem acompanhado de sobrecarga como doenças crônicas e estresse emocional passa a ser chamado de senilidade.1
O Brasil vem enfrentando mudanças em sua estrutura demográfica, com uma clara tendência de elevação no aumento da pessoa idosa da população.2 A sociedade, por sua vez, enfrenta o desafio de criar ambientes inclusivos e políticas que atendam às necessidades de uma população idosa em constante crescimento.3 Sendo o serviço de saúde um dos setores com maior impacto; tendo em vista que, muitas pessoas idosas são acometidas por doenças crônicas e/ou degenerativas.4
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer aumentou, alcançando cerca de 75 anos. Além disso, observa-se um crescimento na proporção da pessoa idosa em relação à população total. Em 2022, foi identificado que o total de pessoas com 65 anos ou mais no país (22.169.101) chegou a 10,9% da população, com uma alta de 57,4% comparado ao ano de 2010, quando esse contingente era de apenas 7,4% da população.5
No entanto, o aumento no número de pessoa idosa não é um problema por si só, mas as doenças crônicas que acompanham essa população representam uma crescente demanda em termos de atenção à saúde, obtendo-se disparidade entre demanda e oferta pelos serviços de saúde, gerando um problema para saúde de forma geral.6 Assim, as necessidades de saúde se tornaram mais complexas, pois as doenças crônicas necessitam de cuidados contínuos.7
Com isso, na tentativa de garantir uma assistência adequada à saúde desse público específico, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), regulamentada pela Portaria nº 2.528/2006, a qual tem como objetivo promover a independência e a autonomia da pessoa idosa, direcionando medidas coletivas e individuais de saúde para essa finalidade, levando em consideração os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). 8
Dessa forma, a transição e a adesão do cuidado destacam-se como uma necessidade para a assistência a pessoa idosa. Sabendo disso, o profissional enfermeiro tem papel fundamental, pois é de sua competência a promoção da saúde da pessoa idosa, por meio da capacidade de identificar os fatores determinantes de qualidade de vida, em seu contexto familiar e social, bem como compreender o sentido de compartilhar as responsabilidades com a equipe de saúde e familiares para contribuir com o desenvolvimento e alcance de uma vida saudável. 9
Além disso, o enfermeiro tem papel na prevenção e monitoramento das doenças prevalentes na população idosa, desenvolvendo ações de caráter individual e coletiva, identificando os agravos, com o intuito de garantir a prevenção específica, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado dos principais problemas da pessoa idosa. 10
Dessa forma, o enfermeiro, por meio das práticas educativas associadas às orientações às pessoas idosas, pode exercer papel essencial na melhora da adesão e do cuidado. 11
De acordo com o Art. 4º da Resolução do COFEN nº 736/2024, o Processo de Enfermagem organiza-se em cinco etapas: avaliação de enfermagem, diagnóstico de enfermagem, planejamento de enfermagem, implementação de enfermagem e evolução de enfermagem. A partir disso, o plano de cuidados de enfermagem consiste em um instrumento fundamental para a prática profissional, permitindo a sistematização da assistência de forma segura, elaborado de forma individualizada e participativa, com metas e intervenções voltadas para a promoção, prevenção, recuperação ou reabilitação da saúde. Essa estrutura assegura que o cuidado prestado seja não apenas técnico e científico, mas também ético, humano e centrado na pessoa.12
A adesão ao plano de cuidados é um fenômeno multidimensional, determinado por diversos motivos, que podem interferir negativamente, a exemplo: condições socioeconômicas, gravidade da doença, os profissionais envolvidos no cuidado e o acesso ao sistema de saúde.13 Além disso, têm-se os fatores ligados ao paciente, os quais abrangem: as crenças a respeito dos medicamentos; o conhecimento e entendimento a respeito da patologia, a importância da adesão ao tratamento, tanto medicamentoso, quanto o não medicamentoso.14
Diante da problemática apresentada, questiona-se: quais são os fatores que interferem na adesão da pessoa idosa ao plano de cuidados de enfermagem do ambulatório de uma faculdade privada de Belo Horizonte?
Neste contexto, o trabalho justifica-se pela importância de o cuidado de enfermagem contemplar ações que incentivem, apoiem e estimulem o exercício da autonomia e o gerenciamento do autocuidado ao idoso. O plano de cuidado deve ser realizado com base em conhecimento técnico-científico e em conjunto, por meio da comunicação centrada no paciente para a melhor tomada de decisões.
Pressupõe-se assim, que o plano de cuidados possa auxiliar a pessoa idosa no autocuidado, permitindo contribuir para o seu bem-estar físico, psíquico e social.
Portanto, o objetivo do presente estudo é compreender os fatores que interferem na adesão da pessoa idosa ao plano de cuidados de enfermagem do ambulatório de uma faculdade privada de Belo Horizonte.
2. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de caso de abordagem qualitativa realizado no ambulatório de uma faculdade privada na cidade de Belo Horizonte localizada no estado de Minas Gerais.
O ambulatório integra uma rede assistencial própria e realiza atendimentos 100% aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). O ambulatório contém uma atuação inter e multidisciplinar das categorias de Enfermagem, Medicina, Fisioterapia, Odontologia e Psicologia, onde os alunos têm a oportunidade de colocar em prática o aprendizado teórico, realizando estágios supervisionados e práticas clínicas. Neste cenário, as pessoas idosas são atendidas por uma equipe multidisciplinar vinculados à linha de cuidados das especialidades de Cardiologia, Cardiologia Geriátrica, Gastroenterologia, Coloproctologia e Endocrinologia, a partir daí, são encaminhados para a consulta de enfermagem, sendo gerado um plano de cuidados para o acompanhamento e monitoramento do quadro clínico.
Foram entrevistadas 20 pessoas idosas vinculados à linha de cuidados supracitada, com idade igual ou superior a 60 anos, sem déficits cognitivos ou alterações comportamentais que realizaram minimamente duas ou mais consultas de enfermagem e receberam o plano de cuidados de enfermagem. Para definição do total da amostra foi utilizado o critério de saturação dos dados, sendo uma ferramenta que pode ser empregada em investigações qualitativas. Os participantes da pesquisa foram identificados de forma alfanumérica, por exemplo ID1, ID2, ID3 e assim sucessivamente, mantendo o anonimato.
A coleta de dados foi realizada entre os meses de janeiro e março de 2025, após a aprovação da pesquisa no Comitê de Ética. Para atender os objetivos propostos pelo estudo, foi elaborado um roteiro da entrevista semiestruturado onde, primeiramente, obteve-se dados pessoais para compreender o perfil das pessoas idosas entrevistadas e, em um segundo momento foram levantadas informações relacionadas ao plano de cuidados de enfermagem, por meio de perguntas abertas direcionadas a temática central.
As entrevistas foram realizadas nos mesmos dias da consulta de enfermagem, em consultórios reservados, utilizando o software de gravação de áudios “Gravador de Voz-URecorder” para registros das entrevistas. Posteriormente os dados foram transcritos, organizados em planilhas eletrônicas e gerado gráficos para análises.
Os dados foram tratados e analisados através da técnica de Análise de Conteúdo Temática (BARDIN)15, através dela, pode-se descrever o conteúdo das mensagens e obter indicadores e conhecimento. Para a condução do estudo, foram seguidas as etapas metodológicas de pré-análise, exploração do material, tratamento dos dados e interpretação dos resultados. A análise interpretativa foi realizada com base nos achados da pesquisa, em consonância com a literatura científica vigente. Considerando-se tratar de dados primários, todos os participantes foram devidamente informados sobre os objetivos, potenciais riscos, benefícios e aspectos relacionados à confidencialidade da pesquisa, tendo assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme preconizado pelos princípios éticos da pesquisa envolvendo seres humanos.
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa, conforme os princípios de proteção devida aos participantes das pesquisas científicas envolvendo seres humanos, sob o número CAAE 83117624.1.0000.5134. O projeto fundamenta-se na Resolução 466 de 12 de dezembro de 2012 do Conselho Nacional de Saúde, que determina diretrizes éticas e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram entrevistados um total de 20 pessoas idosas, sendo: 45% do sexo feminino e 55% do sexo masculino, com idades variáveis entre 60 e 65 anos 30%, entre 66 e 70 anos 25%, entre 71 e 75 anos 20%, entre 66 e 80 anos 25%. Referente ao estado civil, 10% solteiro, 5% divorciado, 50% casado, 30% viúvo e 5% vivem em união estável. Com relação à situação ocupacional, 65% são aposentados, 25% trabalham atualmente, 25% não trabalham atualmente, 10% são pensionistas. Sobre a escolaridade, 15% relatam que concluíram o ensino fundamental, 60% ensino fundamental incompleto, 20% ensino médio completo e 5% ensino médio incompleto. Por fim, o quantitativo de atendimentos das pessoas idosas realizados pelo profissional enfermeiro no ambulatório foram 20% 2 atendimentos, 15% 3 atendimentos, 5% 4 atendimentos, 5% 5 atendimentos e 55% 6 atendimentos ou mais.
As entrevistas aqui apresentadas estão organizadas em três grandes categorias:
3.1 Benefícios do plano de cuidados de enfermagem para a melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas
3.2 “Então, a gente é tão bem acolhido, né?!”: percepção das pessoas idosas sobre a consulta de enfermagem
3.3 Potencialidades e fragilidades na adesão da pessoa idosa aos hábitos alimentares e a prática de atividade física
Vale ressaltar, que este estudo apresenta como limitação o reduzido número de participantes, restrita a uma única instituição, o que pode comprometer a generalização dos achados.
3.1 BENEFÍCIOS DO PLANO DE CUIDADOS DE ENFERMAGEM PARA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DA PESSOA IDOSA
Essa categoria aborda sobre a importância do planejamento individualizado no cuidado da pessoa idosa junto a um atendimento multidimensional, com intuito de proporcionar longevidade com qualidade de vida.
As entrevistas apontam de maneira geral vários benefícios na vida diária das pessoas idosas, como: regularização na pressão arterial, perda de peso, aumento na autoestima e sensação de bem estar emocional.
“Eu sei que bom é demais o carinho e o cuidado, explicação isso é bom, então você tem uma mudança na sua vida de muita coisa, pode ir para frente melhorar sua vida tanto pessoal, também a vida no dia a dia, então você está melhor em tudo”. (ID7)
“Tô aprendendo a viver mais com saúde para ver minhas netas crescer porque minhas neta estão pequenas eu quero ver elas crescer, uma tá com 10 a outra com 5, quero ver elas moça ainda…ajuda muito no estilo de vida para eu ter mais tempo graças a deus que eu vivi até os 75, para eu viver esse tempo bom tenho que está me cuidando, os medicamentos tem que está tomando, tem que tomar vamos tomar, tem muitos benefícios aqui”. (ID11)
“Porque se a gente seguir direitinho a gente consegue aquilo que eles passou aquilo que a gente veio buscar, estou satisfeita já tive grandes resultados…Eu cheguei aqui muito preocupada, meio depressiva, porque eu sai de Belo Horizonte para ir pra lá de Governador Valadares cuidar da família, então assim uma preocupação imensa de deixar minha casa os filhos para cuidar de dois irmão doentes lá com a família toda lá junta na mesma cidade, então aquilo foi eu me esqueci de me cuidar para cuidar dos meus irmãos, então eu cheguei aqui pesando 39 quilos, então assim eu tive o apoio peguei ele e tomei guia”. (ID4)
“…uai, quando entrei aqui estava com quase 80 quilos, hoje estou com 74.” (ID5)
No cuidado de enfermagem, a avaliação integral pode ser utilizada na etapa de identificar os problemas e necessidades, associada ao histórico de enfermagem, promovendo referências para o planejamento de diagnósticos e assistência do cuidado.16
O atendimento multidisciplinar se evidencia como uma percepção positiva das pessoas idosas durante os encaminhamentos para as demais especialidades quando identificado as necessidades na consulta de enfermagem, contribuindo para saúde da pessoa idosa de maneira integral.
“É muito bom, né! Assim depois que eu tô tendo consulta com eles eu achei bem melhor para meu entendimento e tudo, de como está a pressão de como está a glicose, entendeu? E quando tem que encaminhar a gente eles encaminham, muito bom!” (ID2)
“O doutor da enfermagem…me encaminhou para o negócio do ouvido também já passei no ouvido, tirou a cera do ouvido, lá ele mandou eu usar um remédio que eu tô passando usando no ouvido infectado também para tirar a inflamação, tô sendo muito bem atendida aqui do jeitinho que eles tá me orientando eu tô fazendo, tô seguindo…Já curou o trem que tava aqui, uma lesão que tava aqui, aqui assim ficava tudo cheio de caspa, e coçava, sabe?” (ID3)
“Porque eu tô esperando consultas que tem quase uma ano que está lá no posto, não consegue marcar, e aqui depois que colocaram no plano de cuidados eu já passei pelo cardiologista, endocrinologista, por eu vim com endocrinologista, já passei por cardio, agora me encaminhou pro ortopedista”.(ID10)
“Na primeira vez eu recebi a orientação da audição mínima, nem sabia que minha audição estava assim, questão do encaminhamento para otorrino, oftalmologia”. (ID20)
O envelhecimento com qualidade de vida é uma abordagem interdisciplinar, o enfermeiro executa uma função de ligação fundamental entre os profissionais de saúde envolvidos no cuidado da pessoa idosa. Ele contribui com médicos, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais para assegurar uma abordagem holística e adaptada aos cuidados de saúde.17
A abordagem da equipe multidisciplinar promove um acompanhamento das necessidades individuais dos idosos entrevistados, sendo esse direcionamento realizado durante as consultas de enfermagem, promovendo um cuidado multiprofissional para um tratamento eficaz e completo.
“Igual eu tenho Lúpus né, aí eu tô precisando agora do retorno com reumatologia. A moça falou comigo que vai tentar marcar para outra pessoa, por onde eu consulto não está marcando, aí eu passei um ano e meio sem o cuidado da reumatologia por causa que não conseguia, e atrapalha o tratamento da gente, igual hoje já saí daqui com a consulta marcada então!” (ID10)
A educação em saúde é um dos principais métodos estratégicos utilizados pelo enfermeiro na promoção de saúde da pessoa idosa, possibilitando a capacitação do paciente para o autocuidado e prevenção de doenças. 18
“Eu notei que minha saúde melhorou, tenho conseguido acompanhar minha glicose, e também a questão da pressão, sabe!” (ID1)
O plano de cuidados de enfermagem é elaborado centrado nas necessidades específicas de cada pessoa idosa. Nas entrevistas percebe-se que os idosos reconhecem que as orientações repassadas pelo enfermeiro promovem uma autonomia no autocuidado com a saúde, percebido no engajamento e na aplicabilidade do plano de enfermagem na rotina diária.
Tais fatores otimizam a adesão das pessoas idosas ao plano de cuidados de enfermagem e promovem melhorias positivas na qualidade de vida.
3.2 “ENTÃO, A GENTE É TÃO BEM ACOLHIDO, NÉ?!”: PERCEPÇÃO DAS PESSOAS IDOSAS SOBRE A CONSULTA DE ENFERMAGEM
As falas de um modo geral evidenciam a percepção das pessoas idosas sobre a consulta do enfermeiro, através de relatos referente a aplicabilidade do plano de cuidados de enfermagem gerando um sentimento de satisfação com o atendimento realizado.
A consulta de Enfermagem, quando realizada de maneira correta, promove assistência integral e eficiente à pessoa idosa, proporcionando ao profissional a execução de uma abordagem sistemática do cuidado.19
“O plano de cuidados de enfermagem, bom, é um tratamento mais específico pelas coisas que a gente sente, por um cuidado maior. A gente vai no médico, consulta ali, não tem aquela atenção que eles dão à gente aqui”. (ID10)
O enfermeiro é um educador em saúde, e precisa ser um mediador que compreende todo o processo com a aplicabilidade de técnicas, recursos e conhecimentos adequados para ajudar a todos com profissionalismo, se colocando no lugar da outra pessoa e entendendo seus sentimentos e perspectiva.20
“Eu acho os cuidados muito bom, examina direitinho com carinho, explica a gente o que tem que fazer, qual médico tem que ir, e aí marca para daí 30 dias a gente voltar para conversar, se entender, e ele falou comigo para esse mês de fevereiro para ficar assim mais quieta não fazer muita coisa, em março quando eu vier ele já vai orientar a fazer alguns exercícios mais lentos que daqui a pouco vou fazer tudo, fazer as coisas que tenho vontade de fazer”. (ID6)
“Olha eu acho muito bacana porque eles orientam a gente de forma correta e as perguntas a gente sempre tem as respostas e tem um apoio muito grande, a gente chega aqui de uma forma e sai de outra mais grandiosamente, satisfeita”. (ID4)
Observa-se após os relatos das pessoas, que a consulta de enfermagem é um meio de obter informações de como melhorar o estilo de vida com hábitos saudáveis e a aplicação no dia a dia. Essas orientações são implementadas no plano de cuidados de enfermagem, com embasamento teórico científico conforme as especificidades de cada paciente.
O atendimento humanizado, além de gerar um fortalecimento no vínculo de confiança entre profissionais e pacientes, também é um elemento primordial da Política Nacional de Humanização (PNH) na Atenção Primária à Saúde. 21
“Assim, eu gosto muito da consulta, acho que vocês são muito carinhosos, acho assim muito legal, entendeu?” (ID2)
“Então, a gente é tão bem acolhido, né! Por vocês que estão aí no processo de acompanhamento de vocês, eu fico muito feliz de encontrar pessoas que me ajudam a cuidar da minha saúde, né!” (ID1)
“…que até agora só achei coisa boa aqui, não tenho que reclamar de nada, tenho que agradecer o tratamento que a gente está tendo por que a gente sabe a dificuldade de outros lugares. Aqui a gente está tendo todo carinho e atenção. Melhorar mais até estraga!” (ID10)
“Todas as meninas que fui atendida foram muito bom, elas me trataram bem”. (ID9)
No contexto da saúde, um atendimento acolhedor durante as consultas de enfermagem implica envolver as pessoas idosas nas orientações presentes no plano de cuidados, respeitando suas crenças e preferências, escutando suas demandas e queixas com atenção, promovendo uma combinação de empatia e confiança. Durante as entrevistas, foi possível compreender a importância de um atendimento humanizado e acolhedor, estando intimamente relacionado à adesão do idoso ao plano de cuidados de enfermagem.
Ao fortalecer uma conexão emocional e de cooperação entre profissionais de saúde e usuários, o acolhimento caracteriza-se como o principal meio para compreender as necessidades do indivíduo em toda sua integralidade.22
“Primeiro que vou te falar, ele é muito bom, ele é nota 10, aí eu não gosto de perder a consulta dele, só as conversas dele agrada muito, aí eu falei assim eu não pulo as consultas dele, faz a gente ter um estilo de vida…! Eu tenho isso, eu tenho aquilo, a geração cada vez passa muito remédio, que toma que passa, só deu vim cá ele não receitar nada…” (ID11)
“Aí a gente tem uma atenção maior, só tem coisa boa para gente tudo que a gente precisa está encontrando aqui, o jeito de tratar a gente, às vezes você vai no médico não dá tanta atenção a gente, e aqui não a gente sente bem!! A gente sente bem com o tratamento quando você é bem atendida, te acolhe assim com mais carinho! Não sei! Parece que a gente sente um tratamento melhor, é diferente! E quando você vai no médico que te trata com casca e tudo não dá vontade nem de tomar o remédio, tranquilidade de saber que você tem aquela consulta com a data marcada”. (ID10)
Por meio das falas dos idosos entrevistados, fica evidente os benefícios proporcionados por meio da escuta ativa e acolhimento em diferentes aspectos: relato de felicidade, bom atendimento, orientação da forma correta, carinho, cuidado, atenção, entre outros.
Tais aspectos aumentam o vínculo de confiança entre profissional e paciente, gerando maior fidelização à consulta de enfermagem, e consequentemente, ao plano de cuidados.
3.3 POTENCIALIDADE E FRAGILIDADE DA PESSOA IDOSA NA ADESÃO AOS HÁBITOS ALIMENTARES E A PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA
Essa categoria apresenta e discute os principais achados obtidos na análise sobre as potencialidades e fragilidades dos idosos na adesão aos hábitos alimentares saudáveis e à prática de atividade física.
A análise dos dados permite compreender os fatores que favorecem ou dificultam a adoção de comportamentos mais saudáveis, considerando aspectos individuais, sociais, culturais e estruturais. A partir da interpretação crítica dos resultados, busca-se refletir sobre os desafios enfrentados por essa população, bem como identificar oportunidades que possam ser fortalecidas em estratégias de promoção da saúde e qualidade de vida.
Várias pessoas idosas não possuem o conhecimento básico sobre suas necessidades nutricionais, considerando suas particularidades como doenças crônicas ou hereditárias. Com o processo de senescência e senilidade, o sistema fisiológico necessita de uma dieta balanceada, devido à redução na capacidade de absorção e aumento do risco de doenças crônicas.23
Incentivar as pessoas idosas a aderirem a prática de uma alimentação saudável é um fator indispensável para evitar desequilíbrios na saúde e manifestação de comorbidades, permitindo uma boa correlação entre fatores de risco, estado de saúde e contribuindo para uma maior compreensão referente aos hábitos alimentares mais saúdaveis.24
Nesse contexto, salienta-se a importância das orientações alimentares fornecidas no plano de cuidados de enfermagem. Na fala das pessoas idosas entrevistadas, percebe-se importantes benefícios com relação a promoção de hábitos alimentares saudáveis através de educação em saúde feita pelo enfermeiro, como, perda de peso, diminuição dos carboidratos e implementação de frutas e verduras na rotina alimentar.
“Uai, quando entrei aqui estava com quase 80 quilos, hoje estou com 74, melhoramos a alimentação, tudo que eles passam a gente está fazendo”. (ID5)
“Eu tô comendo mais verdura, diminui o arroz, tirei o açúcar e estou tomando adoçante, comendo no horário certo, tomo café de manhã e de tarde, almoço direitinho e janto mais cedo, não muito tarde.” (ID9)
“Tô seguindo a alimentação direitinho, lá em casa eu como arroz, feijão, um ovo, igual a menina passou pra mim, eu como verdura, bastante verdura, e assim por diante. Eu não tenho dificuldade em seguir a alimentação que me passaram, eu sigo ela em dia, igualzinho a menina me indicou.”(ID19)
Entende-se que as ações de promoção de hábitos alimentares saudáveis na pessoa idosa estão relacionadas as mudanças nas práticas alimentares e hábitos de vida, visando reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, hipercalóricos, rico em açúcares, gorduras e sódio, e promovendo uma alimentação equilibrada, composta de alimentos saudáveis, como frutas, legumes e verduras, associados a prática de atividade física.25
“Por exemplo tem dia que a glicemia tá lá em cima, eu sei que comi alguma coisa que afetou aí eu já passo a observar o alimento, a fruta se ela mais doce, a comida se tava uma comida mais gordurosa, aí a gente vai eliminando essas coisa pra ficar melhor”. (ID1)
“Olha eu acho que inclusive a questão da água eles recomendam muito, alimentar na hora certa, eu acho que foi muito boa para gente ter isso aí para ajudar na saúde da gente”. (ID13)
“É muito bom orientar a gente a fazer coisas que a gente não sabia, alimentação eu comia tudo que tinha que via na reta, agora estou controlando”. (ID18)
Por mais difícil que seja a adesão das pessoas idosas à mudança nos hábitos alimentares, identifica-se que muitos reconhecem a importância de uma alimentação saudável rica em nutrientes, que após a adequação da dieta proposta no plano de cuidados de enfermagem, tiveram uma melhora na qualidade de vida.
Entretanto, nas entrevistas realizadas, foi possível identificar fragilidades que implicam diretamente na adesão dos idosos às práticas de hábitos alimentares saudáveis como as dificuldades financeiras que podem dificultar o acesso a uma dieta balanceada rica em nutrientes.
“…a dificuldade, tem que usar fruta a gente não consegue comprar as frutas porque o dinheiro tá curto, né”. (ID3)
“…é essa coisa, é assim, alimentação é difícil, é caro manter um padrão financeiro”. (ID15)
A população brasileira com 60 anos ou mais tem registrado um aumento acentuado, o que acarreta custos altos, especialmente devido à falta de um sistema de saúde que esteja apto para o crescente número das pessoas idosas, as aposentadorias diminuídas e à ausência de políticas públicas adequadas para esse grupo específico.26
“Muitas vezes é financeiro, sabe? Igual eu tava contando para ela, eu tive um problema de um golpe que eles deram em mim, né?! Porque eu moro sozinha né! …, mas acontece que às vezes o dinheiro é menos, tem vez que o dinheiro vem um pouquinho a mais, depois do golpe que levei tá vindo é menos”. (ID8)
A preservação da autonomia na realização das atividades da vida diária é fundamental para a pessoa idosa. Para que isso seja possível, é imprescindível se apropriar de uma alimentação adequada, bem como o apoio contínuo de redes familiares e sociais.27
Observou-se no relato abaixo que apesar do apoio familiar ser um fator importante, a falta de autonomia e a ausência de incentivo familiar na adesão de uma alimentação saudável implica diretamente no cotidiano.
“Alimentação é um problema, eu pago a minha irmã. Eu pago 400,00 por quinzena, ela me dá o café e o almoço, a alimentação é meio fraca… a comida lá é arroz, feijão e carne que já estou enjoado”. (ID19)
O apoio familiar configura-se como um fator essencial para o bem estar das pessoas idosas, representando uma rede de apoio emocional e eficiente.28
Muitas pessoas idosas têm limitações de mobilidade e deslocamento o que dificulta o acesso a supermercados ou feiras, onde podem encontrar alimentos frescos e saudáveis. O apoio familiar nesse contexto é de extrema importância para atuar auxiliando os idosos nesse acesso.
“A gente está sem verdura no quintal, porque a gente mora no sítio, então por causa desta quantidade de chuva que teve morreu todas as plantas, mas também assim a gente mora longe pra gente sair para comprar uma fruta. Às vezes a gente não pode sair àquela hora, e a gente fica em falta com aquilo, e quando a gente tem lá no quintal a gente tem, quando não tem lá no quintal tem que comprar, sair para comprar é longe…” (ID9)
“Olha! Igual eu falo com as pessoas o seguinte: a gente tem um costume da vida toda da gente que a gente não consegue mudar tudo, certo! A gente consegue mudar alguma coisa, não tudo, igual coisa de alimentação geralmente a gente descuida muito com as coisas que a gente deve comprar deve de comer deve ter hora certa, a gente descuida muito é muito, muito difícil de seguir aquilo porque a cabeça da gente fica pensando o que tem que fazer durante o dia, tá certo? Muitas das vezes a gente passa da hora de alimentar, tem dia que a gente alimenta para mais, tem dia que a gente não alimenta nada”. (ID1)
A mudança dos hábitos alimentares das pessoas idosas pode ser um desafio significante, muitas vezes estão acostumados com rotinas estabelecidas ao longo de suas vidas, por isso apresentam resistência a mudanças, podendo ser vistas como uma ameaça ao seu conforto e segurança, levando a uma resistência natural a novas práticas.
No quesito da prática de atividade física, sabe-se que ela é um dos principais determinantes do envelhecimento ativo e saudável e promove diversos benefícios para a população idosa. Auxilia na autonomia a longo prazo, posterga o agravamento do enfraquecimento funcional e surgimento de doenças crônicas, assim como uma vida mais ativa, além de ser um indicador de saúde importante para a redução de limitações, incidência de doenças e aumento nas taxas de mortalidade.29
“Sobre a atividade, igual eu te falei, tem hora que sinto assim meio preguiçoso pra caminhar, mas eu caminho, eu vejo que melhorou a minha vida um pouco”. (ID9)
“Algumas informações são muito enérgicas, igual ele me deu ali para eu andar pelo menos 10 minutos por dia, isso é fundamental, né”! (ID11)
“Igual por exemplo, o cardiologista suspendeu atividade física, a enfermagem manteve a suspensão também, até que o cardiologista libere aquela questão também. (ID17)
As falas dos participantes revelam uma compreensão crescente sobre os benefícios da atividade física, ainda que permeada por desafios cotidianos, como a desmotivação ocasional e orientações médicas específicas.
No entanto, a fala do entrevistado demonstra um aspecto importante: mesmo diante da preguiça, há uma percepção clara de melhora na qualidade de vida com a prática da caminhada, evidenciando a autonomia e o esforço individual em manter-se ativo.
Percebe-se ainda a importância da orientação profissional e da clareza nas informações recebidas, reforçando o papel educativo dos profissionais de saúde no estímulo à prática regular, mesmo que em pequenas quantidades, como os 10 minutos recomendados.
Esses relatos refletem a complexidade do envelhecimento ativo, em que coexistem a motivação, o reconhecimento dos benefícios e as limitações individuais ou clínicas, reforçando a importância de estratégias personalizadas e interdisciplinares para potencializar a adesão segura e contínua às atividades físicas entre pessoas idosas.
As entrevistas evidenciaram que os idosos reconhecem a importância e os benefícios da realização de atividades físicas para a saúde, qualidade de vida e aumento da capacidade funcional. Porém, para sua adesão no dia a dia enfrentam diversas dificuldades e limitações.
O processo de envelhecimento gera diversas alterações morfológicas, neuromusculares, metabólicas, fisiológicas, cognitivas e comportamentais que podem afetar consideravelmente a saúde, autonomia, qualidade de vida e a longevidade.30
“Eles me pediram pra fazer atividade, às vezes eu faço e de vez em quando não. Aí eu caminho de manhã, aí eu dei um tempo, o sol tá muito quente, aí eu parei um pouco, mas eu vou voltar a fazer as caminhadas outra vez. Eu tive dificuldade em fazer porque o sol estava muito quente, vou voltar a fazer outra vez, na minha rua mesmo, perto da casa da minha menina, aí eu dou duas voltas e volto. Num caminho muito tempo não porque as pernas cansam”. (ID9)
“Em algumas coisas, por exemplo assim, eles mandam fazer uma atividade física e eu não estou dando conta por causa da saúde mesmo. Acho que a saúde está bem precária”. (ID10)
Com o envelhecimento, pode ocorrer várias alterações no corpo, como redução da flexibilidade e equilíbrio, o que pode impedir a prática de atividades físicas diárias, aumentando o risco de quedas e lesões.31
“Sobre fazer atividade física, eu tava fazendo dezembro pra cá eu estava com muita dificuldade, janeiro e depois fiquei pior muito cansada, não sabia que era meu coração que estava fraco, de repente dia 02 deve ter 15 dias, eu tinha que ficar deitada ou sentada, dia 02 passei muito mal, estava indo para igreja”. (ID6)
“É atividade física no momento não está tendo como fazer… eu tenho problema de coração e coluna”. (ID20)
Observa-se que as comorbidades apresentadas pelas pessoas idosas surgem como um obstáculo na implementação da prática de atividades físicas em sua rotina diária. A partir dos aspectos manifestados, por meio das entrevistas, foi possível compreender os fatores cansaço, fraqueza muscular, saúde precária e tratamentos de saúde como dificultadores para realização de atividade física.
Diante disso, pode-se afirmar que existem fragilidades e potencialidades que implicam diretamente nos hábitos alimentares e na prática de atividade física. Esses fatores contêm especificidades de acordo com as individualidades de cada pessoa idosa entrevistado, que interferem na adesão ao plano de cuidados de enfermagem.
4. CONCLUSÃO
O presente estudo constatou que a adesão da pessoa idosa ao plano de cuidados de enfermagem é influenciada por diversos fatores de características individuais, sociais e econômicas. A análise das entrevistas demonstrou que a elaboração do plano de cuidados centrado na pessoa, associado ao atendimento humanizado, são imprescindíveis na motivação dos idosos em seguir as intervenções propostas.
Verificou-se que, mesmo diante de limitações como baixa escolaridade, dificuldades financeiras e ausência de suporte familiar, pessoas idosas demonstram interesse e valorização pelo cuidado ofertado.
No entanto, ainda persistem desafios que dificultam a adesão completa ao plano de cuidados, como o custo elevado de uma alimentação saudável, a escassez de recursos financeiros, a dependência de terceiros para locomoção, múltiplas comorbidades, disposição física e emocional limitadas. Esses fatores apontam para a necessidade de políticas públicas mais robustas voltadas ao envelhecimento saudável e ao fortalecimento da promoção de saúde na atenção primária.
A escuta ativa, o acolhimento, a educação em saúde, a articulação interprofissional e o atendimento humanizado configuram-se como pilares fundamentais para o sucesso dessa adesão. Ainda que obstáculos persistam, o estudo revela que é possível alcançar resultados significativos por meio de estratégias simples, porém eficazes, promovidas no âmbito da enfermagem.
Conclui-se que a adesão da pessoa idosa ao plano de cuidados de enfermagem está diretamente relacionada à qualidade da relação estabelecida com os profissionais de saúde, em especial o enfermeiro, cuja atuação se mostrou essencial no processo de orientação, acompanhamento e motivação para mudanças de comportamento. O plano de cuidados individualizado, quando construído de forma participativa e empática, possibilita ao idoso compreender melhor sua condição de saúde e desenvolver autonomia no autocuidado.
Recomenda-se que estudos futuros explorem intervenções específicas que potencializam a adesão ao plano de cuidados, com amostras maiores e em diferentes contextos regionais.
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NOTA
Os autores utilizaram a Inteligência Artificial word versão 2020, Excel versão 2020 e Gravador de Voz-URecorder versão não identificada na plataforma. gravação, transcrição e armazenamento das entrevistas realizadas, bem como verificar concordância verbais, gramática e correções ortográficas. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.
[1] Pós-graduado MBA em Gestão Estratégica de Marketing pela Faculdade Una de Sete Lagoas, Graduado no curso Tecnólogo de Gestão em Logística pela faculdade Promove de Sete Lagoas, Graduando em Enfermagem na Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG) – Brasil com previsão de término em dezembro de 2025. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-1423-4238. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7042764298780055.
[2] Graduanda em Enfermagem na Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG) – Brasil com previsão de término em dezembro de 2025. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-3252-5256. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/9134798662550344.
[3] Orientadora. Mestre em Saúde e Enfermagem (Stricto Sensu, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, 2016); Especialista em Formação de Educadores em Saúde (Pós-Graduação Lato Sensu, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, 2017– 2021); Especialista em Gerontologia (Pós-Graduação Lato Sensu, Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, 2023–2024); Especialista em Enfermagem da Família (Pós-Graduação Lato Sensu, Universidade José do Rosário Vellano – UNIFENAS/BH, 2011–2012); Graduada em Enfermagem pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas (2009). ORCID: https://orcid.org/0009-0007-4555-8314. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4157362002399526.
[4] Co-orientadora. Mestre em Saúde e Enfermagem (Stricto Sensu, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG); Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0108-5002. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4577649399354087.
[5] Co-orientadora. Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente (Stricto Sensu, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, 2013); Especialista em Enfermagem em Terapia Intensiva Neonatal e Pediátrica (Pós-Graduação Lato Sensu, Universidade Católica de Minas Gerais, 2005); Especialista em Controle de Infecção Hospitalar (Pós- Graduação Lato Sensu, Universidade Católica de Minas Gerais, 2002); Bacharel e Licenciada em Enfermagem pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG (1998). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0241-4445. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3684343311665597.
Material recebido: 01 de setembro de 2025.
Material aprovado pelos pares: 18 de setembro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 10 de outubro de 2025.


