O manejo de pacientes com lesão por pressão na unidade de terapia intensiva

DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI
SOLICITAR AGORA!
5/5 - (1 vote)
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
WhatsApp
Email

CONTEÚDO

REVISÃO INTEGRATIVA

CUSTÓDIO, Mariana Crisostomo [1]

CUSTÓDIO, Mariana Crisostomo. O manejo de pacientes com lesão por pressão na unidade de terapia intensiva. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 07, Ed. 02, Vol. 04, pp. 176-188. Fevereiro de 2022. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/manejo-de-pacientes

RESUMO

Introdução: Apesar de ter evoluído significativamente ao longo dos anos, a Unidade de Terapia Intensiva usualmente é predominada por pacientes com perda de integridade cutânea, ocasionada por pressão prolongada combinada a fricção e cisalhamento, o que pode levar a danos indesejáveis comprometendo a segurança do paciente. Nesse sentido, a Lesão por Pressão (LPP) é um indicador da qualidade da assistência e pode ser considerado um evento adverso evitável. Objetivo: Este estudo tem como objetivo analisar a publicação científica nacional acerca do manejo das lesões por pressão pelo enfermeiro intensivista. Pergunta problema: Como ocorre o manejo das lesões por pressão pelo enfermeiro intensivista? Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa de abordagem qualitativa, realizada na base online da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), cujos descritores utilizados foram: “Enfermagem”, “Terapia Intensiva”, “Lesão por Pressão”. Utilizou-se como critérios de inclusão: 1. O texto estar inteiramente disponível através da visualização on-line; 2. Estar no idioma português, 3. Ser do tipo de documento artigo; 4. Estar de acordo com o objeto de estudo. Foram selecionados artigos publicados entre os anos de 2016 e 2021. Após a exclusão de artigos duplicados e sem relevância, contou-se com uma amostra de 23 artigos científicos. Resultados: Após a análise, os dados foram categorizados em três sessões: 1. Identificação dos fatores de risco para o desenvolvimento de LPP; 2. Prevenção e Tratamento de LPP; 3. Dificuldades no Manejo das LPP. Dos 23 artigos, 12 (52,17%) abordam a Identificação dos fatores de risco para desenvolvimento de LPP. No que diz respeito à Prevenção de tratamento de LPP, foram contabilizados 16 (69,56%) artigos que discorrem sobre o assunto. E, por fim, 11 (47,82%) que abordam as Dificuldades no Manejo das LPP.  Conclusão: Pode-se concluir que o manejo das lesões por pressão na unidade de terapia intensiva se dá por meio da identificação dos fatores de risco, da prevenção e do tratamento adequado, em meio a dificuldades que fazem parte da prática assistencial. As ocorrências dessas lesões estão diretamente relacionadas ao manejo deficiente. Sendo assim, faz-se necessário a elaboração de políticas públicas que assegurem a prática assistencial de qualidade, além da aplicação de estratégias de educação permanente.

Palavras-chave: Enfermagem, Terapia Intensiva, Lesão por Pressão.

1. INTRODUÇÃO

A assistência de enfermagem no contexto da terapia intensiva tem evoluído significativamente ao longo dos anos. Entretanto, a fragilidade, necessidade de cuidados intensivos, realização de procedimentos invasivos e utilização de dispositivos acessórios, são alguns dos fatores que ainda contribuem para o risco de prejuízo na integridade da pele que pode resultar em lesões, sendo mais comum a Lesão Por Pressão (LPP). (RODRIGUES et al., 2021)

Segundo o National Pressure Injury Advisory Panel (2019), a LPP é definida como um dano restrito à pele e aos seus tecidos subjacentes, sendo frequentemente presente sobre uma proeminência óssea ou relacionado ao uso de dispositivos médicos. Essas lesões surgem em pele íntegra e resultam da pressão intensa, prolongada em combinação com a fricção e o cisalhamento.

Nesse contexto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) define a segurança do paciente como a diminuição ao mínimo aceitável dos riscos de danos desnecessários durante a atenção em saúde e reconhece as LPP como evento adverso. Segundo esta, os eventos adversos podem levar a complicações indesejáveis, o que compromete a segurança do paciente e representam um dos maiores desafios para a qualidade no setor saúde. Entre os danos decorrentes das LPP, estão: dor, risco elevado de sepse, aumento do tempo de internação e da taxa de mortalidade, inevitabilidade de correções cirúrgicas e aumento dos custos hospitalares. (REBOUÇAS et al., 2020)

Nesse sentido, a lesão por pressão (LPP) é um indicador da qualidade da assistência de enfermagem por ser considerado um evento adverso evitável. Assim, é importante que os profissionais realizem boas práticas com vistas à segurança do paciente, através de medidas de prevenção que podem reduzir a ocorrência desse evento que está ligado intimamente com a segurança do paciente. A enfermagem em seu campo de atuação deve ter como objetivo o atendimento de qualidade, buscando reduzir os possíveis riscos. (REBOUÇAS et al., 2020)

A ocorrência de LPP prolonga a hospitalização e os custos do tratamento, aumenta o risco para o desenvolvimento de outras complicações como infecções, o que dificulta a recuperação e representa um acréscimo no sofrimento emocional e físico dos pacientes. As estratégias para diminuir a prevalência das lesões por pressão ainda caminham a passos lentos e é notável a necessidade de uma equipe multiprofissional capacitada e interligada no cuidar. (WELLER et al., 2019)

Pressupõe-se que a ocorrência de lesão por pressão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) esteja relacionada diretamente ao manejo deficiente, o que pode resultar, dentre outros fatores, da não identificação dos riscos, do tratamento inadequado e/ou da falta de conhecimento dos profissionais.

Dada à importância e o impacto das LPP, e por ser considerada um evento adverso passível de prevenção através de boas práticas nos serviços de saúde, surgiu o seguinte questionamento: Como ocorre o manejo das lesões por pressão pelo enfermeiro intensivista?

Diante do exposto, este estudo tem como objetivo analisar a publicação científica nacional acerca do manejo das lesões por pressão pelo enfermeiro intensivista.

Acredita-se que os resultados encontrados fornecerão subsídios para o planejamento da assistência de enfermagem e para a intensificação das estratégias de prevenção, que poderão contribuir para melhoria do cuidado, com vistas à redução de eventos adversos por meio de estratégias efetivas de prevenção e práticas seguras relacionadas à LPP, oferecendo importantes melhorias aos enfermeiros, gestores e equipe de saúde.

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa de abordagem qualitativa, que oportuna à investigação dos significados das relações humanas, elementar para compreensão do tema escolhido. Esta é uma técnica de mapeamento da literatura numa determinada área de investigação, na qual permite que o investigador tenha uma visão abrangente do que se encontra publicado num determinado domínio. (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008)

Para a realização desta pesquisa, foram seguidas as seguintes etapas: 1. Identificação do tema; 2. Busca e seleção da literatura científica, 3. Avaliação dos estudos; 4. Apresentação da revisão. Foi realizada uma busca bibliográfica no período de março a agosto de 2021, na qual foram selecionados artigos publicados nos últimos cinco anos, ou seja, entre os anos de 2016 e 2021, utilizando a base online da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) ─ Enfermagem e Literatura latinoamericana em Ciências da Saúde.

Os descritores utilizados foram: “Enfermagem”, “Terapia Intensiva” e “Lesão por Pressão”. Utilizou-se como critérios de inclusão: 1. O texto estar inteiramente disponível através da visualização on-line; 2. Estar no idioma português, 3. Ser do tipo de documento artigo; 4. Estar de acordo com o objeto de estudo. Utilizou-se como critérios de exclusão: 1. Estudos não disponíveis para leitura na íntegra; 2. Estudos em outros idiomas; 3. Relatos de experiências, teses, dissertações e ensaios clínicos; 4. Estudos que não correspondem à questão norteadora; 5. Artigos duplicados.

3. ANÁLISE DOS RESULTADOS

Inicialmente, foram encontrados 56 artigos. Após a aplicação dos critérios de exclusão, contou-se com uma amostra de 23 artigos científicos. A partir da leitura e análise dos resultados, foi possível perceber que o manejo das lesões por pressão pelo enfermeiro intensivista se dá através de três fatores. Estes fatores foram categorizados em três sessões a serem discutidas nos tópicos a seguir, a saber: 1. Identificação dos fatores de risco para o desenvolvimento de Lesão por Pressão; 2. Prevenção e Tratamento de Lesões por Pressão; 3. Dificuldades no Manejo das Lesões por Pressão. Estas sessões abordam temáticas que compõem o manejo da Lesão por Pressão na UTI, e que podem influenciar positiva ou negativamente no cuidado prestado e no prognóstico do paciente.

Dos 23 artigos analisados, 12 (52,17%) abordam a temática da Identificação dos fatores de risco para desenvolvimento de LPP. No que diz respeito à Prevenção de tratamento de LPP, foram contabilizados 16 (69,56%) artigos que discorrem sobre o assunto. E, por fim, 11 (47,82%), dos 23 artigos abordam as Dificuldades no Manejo das LPP. Deste modo, pode-se observar que o assunto de maior abrangência dentro desta amostra foi prevenção e tratamento de LPP.

3.1 IDENTIFICAÇÃO DOS FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DE LPP

Mais da metade dos artigos discorrem acerca do reconhecimento de fatores de risco para o desenvolvimento de LPP, fator importante para a identificação antecipada e prevenção/tratamento precoce. Segundo Ramalho et al. (2021), na maior parte dos casos, as LPP são evitáveis e sua ocorrência está frequentemente relacionada à quebra nos protocolos de cuidados com a pele ou até mesmo à inexistência de protocolos baseados em evidência científica. Isto reflete não só a qualidade da assistência de enfermagem, como a situação de todo o sistema de saúde.

A diminuição da perfusão e oxigenação devido à pressão, o estado nutricional prejudicado, o excesso de umidade na pele, o aumento de temperatura corporal, a idade avançada, a percepção sensorial prejudicada, a restrição de mobilidade e atividade, o estado hematológico e o estado de saúde no geral são algumas das diversas condições podem ser consideradas de risco para as LPP. Além disso, são fatores de risco adicionais: a pele frágil, a presença de lesões pré-existentes mesmo que cicatrizadas, o prejuízo circulatório nas extremidades por doença vascular, diabetes ou uso de tabaco. (RODRIGUES et al., 2021)

Pacientes internados nas UTI são ainda mais vulneráveis e apresentam maior probabilidade de desenvolverem LPP quando sob o efeito de drogas vasoativas e sedação, o que pode acarretar maior tempo de internação, comprometendo a mobilidade física, aumentando o tempo de ventilação mecânica e uso de muitos dispositivos médicos, que embora essenciais no cuidado aos pacientes críticos, podem causar eventos adversos. (GALETTO et al., 2021)

Também identificados no estudo de forma abrangente, são aspectos de risco para o desenvolvimento de LPP: a umidade da pele que resulta da incontinência urinária e fecal, o tempo médio de internação, o elevado grau de dependência, mobilidade reduzida no leito e perda da sensibilidade. Além disso, também foi citado o cisalhamento, a coagulopatia, aspectos nutricionais e instabilidade hemodinâmica. (PRADO et al., 2021; RAMALHO et al., 2020)

Para Ali et al. (2020), todos os pacientes críticos internados em unidades de terapia intensiva são considerados mais vulneráveis e apresentam riscos mais elevados para o desenvolvimento dessas lesões devido à reduzida mobilidade no leito, sedação, instabilidade clínica com necessidade do uso de drogas vasoativas e intervenções invasivas, bem como colocam os autores citados anteriormente.

Desta forma, é possível considerar que há um consenso na bibliografia de que forças de atrito, pressão, fricção, cisalhamento mobilidade reduzida, nível de consciência diminuído e maior tempo de internação contribuem para o aparecimento de LPP. (SANTOS et al., 2020; CACIANO et al., 2020)

Além disso, Otto et al. (2019) e Weller et al. (2019) consideram que dias de balanço hídrico positivo e uso de antibióticos, bem como a posição prona, usada frequentemente no tratamento da síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), também são fatores desencadeantes de perda da integridade cutânea.

Dentre os fatores e risco já citados anteriormente, Sanches et al. (2018) e Borghardt et al. (2016) acrescentam a hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, múltiplos cateteres intravenosos, dieta zero, perfil hematológico, metabólico e outras comorbidades, além de tabagismo e alterações no IMC.

3.2 PREVENÇÃO E TRATAMENTO DE LPP

Existem diversas formas de prevenção e tratamento de lesões por pressão. Para Ramalho et al. (2019), a avaliação diária do risco de desenvolvimento de LPP, utilizando a escala de Braden, a inspeção frequente da pele, o reposicionamento conforme tolerância do paciente, o uso de espumas multicamadas com silicone e bordas como cobertura profilática, superfícies de suporte com espuma viscoelástica e alternância de pressão, manejo da umidade, avaliação e intervenção nutricional, estão entre as formas de prevenção.

Outra forma de prevenção é utilizar o banho de leito, quando indicado, para identificação das LPP. Uma vez que esse é o momento em que o profissional consegue avaliar o paciente como um todo, através da inspeção de proeminências ósseas, por exemplo. (GALETTO, 2021)

Rebouças et al. (2020), cita as boas práticas como a forma de melhor eficácia para a prevenção de LPP e as define com um conjunto de técnicas, processos, procedimentos e atividades, utilizados, comprovados e reconhecidos por diversas organizações. A saber, são boas práticas encontradas na bibliografia: realizar a limpeza e hidratação da pele ressecada, inspecionar da pele dos pacientes na admissão, evitar massagear áreas de proeminência óssea ou hiperemiada, realizar a mudança de decúbito, utilizar superfícies de redistribuição de pressão e realizar a avaliação diária, utilizando a Escala de Braden.

Além disso, também foi pontuada a importância de Utilização de cobertura profilática fina na interface dispositivo-pele quando aplicável, somada à redistribuição de pressão, uso de dispositivos auxiliares para o posicionamento, tais como coxins e travesseiros para alívio de pressão.  Inspeção rigorosa da pele antes da realização da pronação, manutenção da pele limpa e seca através da higienização adequada com produtos de limpeza com pH levemente ácido, reposicionamento do paciente a cada duas ou quatro horas, monitoramento da tensão das fixações dos dispositivos e promoção do alívio de pressão e rodízio dos sítios de colocação do oxímetro. (RAMALHO et al., 2020)

No que diz respeito à mudança sistemática de decúbito, de acordo com Santos et al. (2020), Caciano et al. (2019) e Sanches et al. (2018) esta deve ser realizada para alívio da pressão, utilizando medidas de apoio como almofadas, coxins e rolos de espuma para que haja a distribuição do peso corporal, promovendo alívio das extremidades ósseas a cada duas horas, e elevação da cabeceira de no máximo 30º.

Também estão entre os cuidados encontrados na literatura, a implementação de um plano de prevenção de LPP baseado nos riscos apresentados pelos pacientes, a aplicação da Escala de Braden, a identificação dos riscos, inspeção diária da pele sob e ao redor dos dispositivos médicos, adesão de estratégias institucionais para prevenção de LPP (protocolos, rotinas, procedimentos operacionais padrão), documentação e registro dos resultados das avaliações dos pacientes, registro dos regimes de reposicionamentos, frequência e a posição adotada, reavaliação diária de risco de desenvolvimento de LPP em todos os pacientes e uso de  intervenções de enfermagem. (MANGANELLI et al., 2019; ZIMMERMANN et al., 2018)

No que tange a posição PRONA, bastante implementada na Síndrome da Respiratória Aguda Grave (SRAG), a literatura sugere a utilização de coxins na região do tórax superior e pelve para auxiliar a redistribuição da pressão corporal, colchão de ar, utilização do checklist da prova segura, cuidados de enfermagem padronizados e capacitação da equipe. (WELLER et al., 2019)

Silva et al. (2018), Vasconcelos et al. (2017) e Holanda et al. (2018) discorrem sobre estratégias de prevenção como o reposicionamento do paciente no leito, uso de colchões especiais, a avaliação nutricional (promover alimentação mais cedo possível aos pacientes que apresentam risco), a avaliação da pele por meio da escala de Braden na admissão do paciente, o uso de protocolo institucional atualizado de cuidados com a pele e o uso de coxins e travesseiros para elevação do calcanhar.

O uso da tecnologia de informação e comunicação como forma de prevenção e tratamento das lesões por pressão também aparece como fator importante. Através deste recurso é possível estabelecer uma comunicação efetiva por meio de prontuários eletrônicos a fim de acrescentar qualidade à assistência. Além disso, este recurso também pode favorecer estratégias de treinamento em equipe nos moldes da educação permanente. (CALDINI et al., 2018)

Embora mais da metade a amostra tenha abordado a prevenção e tratamento das lesões por pressão, ainda se verifica um baixo número de publicações que abordem a temática das coberturas e curativos, fato substancial para o restabelecimento da integridade da pele, principalmente em lesões mais avançadas. Dentre os artigos analisados, poucos citam o uso de coberturas se restringindo apenas ao uso de curativo hidrocoloide preventivo em pacientes com risco elevado, e aplicação de espuma de silicone em pontos de pressão. (MENDONÇA et al., 2018; SILVA et al., 2018)

Além disso, Mendonça et al. (2018) citam como forma de prevenção a troca de fixação de cateter orotraqueal (COT) e/ou cateter nasoenteral (CNE), inspeção da pele, manutenção de períneo limpo e seco, observação do posicionamento e da fixação de COT e manutenção da cabeceira do leito elevada a 30 graus.

3.3 DIFICULDADES NO MANEJO DAS LESÕES POR PRESSÃO

Embora abordadas em menor número de publicações, as dificuldades no manejo das Lesões por Pressão, são um fator que demandam especial atenção.

Segundo Ramalho et al. (2021), problemas institucionais relacionados à sobrecarga de trabalho, à falta de tempo para preparo da mão de obra contratada e às dificuldades para compra e utilização de produtos direcionados à prevenção de LPP, são fatores que dificultam o manejo de LPP na unidade de terapia intensiva.

Além disso, muitos profissionais nem sempre conhecem os riscos dos dispositivos médicos no desenvolvimento de lesões e costumam prestar mais atenção nas lesões por pressão tradicionais que acometem proeminências ósseas. Muitos desvalorizam as LPP no contexto de cuidados críticos e referem dificuldade em mensurar o impacto que as LPP causam na vida dos pacientes após a alta devido a fatores como elevada carga de trabalho, quantitativo de pessoal inadequado e escassez de recursos e treinamento. (GALETTO et al., 2021)

Muitos são os desafios para implementação das recomendações de prevenção, para Ramalho et al. (2020) e Ali et al. (2020), recursos materiais limitados, recursos humanos limitados, enorme carga de trabalho, esgotamento e fadiga da equipe, falta de recursos materiais adequados, pacientes em extrema gravidade, nos quais o mínimo reposicionamento pode gerar piora hemodinâmica estão entre os desafios.

Há um consenso na literatura quanto à qualidade da assistência, uma vez que a falta de conhecimento impacta diretamente sobre as ações preventivas e, consequentemente, sobre a incidência e prevalência da LPP. Além disso, a subnotificação nos prontuários, a ausência de registro e a alta rotatividade dos pacientes no setor contribuem como dificuldade para o acompanhamento da taxa de incidência, prevalência e notificação das lesões. (SANTOS et al., 2020; ALBUQUERQUE et al., 2018)

Em suas publicações, Manganelli et al. (2019) e Barboza et al. (2018), ratificam itens presentes nos estudos anteriores. Para eles, a falta de registros de enfermagem acerca das avaliações dos pacientes e das medidas preventivas de LPP adotadas, a falta de recursos humanos (número insuficiente de profissionais), a alta complexidade dos pacientes internados na unidade, o excesso da carga de trabalho e a grande quantidade de pacientes internados são fatores que dificultam o manejo qualificado. E, ainda trazem a falta de capacitações e educação permanente na temática de prevenção de LPP, a falta de tempo para realizar as medidas preventivas, a pouca adesão da equipe de enfermagem para aplicação de medidas preventivas de LPP, os recursos materiais deficientes (falta de dispositivos adequados para a prevenção de LPP), o preenchimento inadequado de instrumentos para avaliação de risco de desenvolvimento de LPP, a pouca adesão da equipe de enfermagem para avaliação de risco de LPP, a ausência de instrumentos para avaliação de risco de desenvolvimento de LPP, a carga horária de curta duração e a não realização da mudança de decúbito por instabilidade hemodinâmica.

Mendonça et al. (2018) aponta que cuidados com a pele não são valorizados o suficiente nos ambientes de UTI para os clientes com condição clínica comprometida, pois muitas vezes as prioridades terapêuticas se sobrepõem às ações de prevenção de tal lesão. Somado a isso, Borghardt et al. (2016) indica que estudos apontam altos custos no tratamento de pacientes hospitalizados portadores de LLP, fator preocupante, uma vez observada a escassez de recursos enfrentada por muitas instituições públicas. (BORGHARDT et al., 2016)

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir desta pesquisa foi possível perceber que a ocorrência de lesões por pressão está diretamente relacionada ao manejo deficiente, o que resulta da não identificação dos riscos, do tratamento inadequado, da falta de conhecimento dos profissionais e da carência de recursos nas instituições de saúde.

Diante da questão norteadora: Como ocorre o manejo das lesões por pressão pelo enfermeiro intensivista? Foi possível perceber que o manejo das lesões por pressão na unidade de terapia intensiva se dá por meio da identificação dos fatores de risco, da prevenção e do tratamento adequado, em meio a dificuldades que fazem parte da prática assistencial.

Sendo assim, faz-se necessário a elaboração de políticas públicas que assegurem a prática assistencial de qualidade, de forma a diminuir as dificuldades relacionadas à escassez de recursos. Além da aplicação de estratégias de educação permanente, a fim de preparar o profissional de enfermagem para a prevenção e tratamento adequado. Espera-se que esta pesquisa contribua para a construção e publicação de mais estudos, desta forma colaborando positivamente para a prática assistencial.

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, Adriana Montenegro de et al. Teste de conhecimento sobre lesão por pressão. Rev. enferm. UFPE online. 12(6): 1738-1750. Jun 2018. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/234578/29223 Acesso em: 7 set. 2021.

ALI, Yasmin Cardoso Metwaly; SOUZA, Taís Milena Pantaleão; GARCIA, Paulo Carlos; NOGUEIRA, Paula Cristina. Incidencia de Lesão Por Pressão e Tempo de Assistência de Enfermagem em Terapia Intensiva. ESTIMA Braz. J.  Enterostomal. 2020. Disponível em: <https://doi.org/10.30886/estima.v18.849_IN>. Acesso em: 5 set. 2021.

BARBOSA, Taís Paugliuco; BECCARIA, Lúcia Marinilza; SILVA, Daniele Cristiny da; BASTOS, Alessandra Soler. Associação entre sedação e eventos adversos em pacientes de terapia intensiva. Acta Paul. Enferm. 31(2): 194-200. 2018. São Paulo. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/1982-0194201800028>. Acesso em: 7set. 2021.

BORGHARDT, Andressa Tomazini et al. Úlcera por pressão em pacientes críticos: incidência e fatores. Rev. bras. Enferm. 69(3): 460-467. 2016. Espirito Santo. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/0034-7167.2016690307i> . Acesso em: 5 set. 2021.

CALDINI, Luana Nunes et alAvaliação de tecnologia educativa sobre lesão por pressão baseada em indicadores de qualidade assistenciais. Rev Rene (Online). 19: e32695. 2018. Ceará. Disponível em: <http://periodicos.ufc.br/rene/article/view/32695/pdf_1>. Acesso em: 6 set. 2021.

CACIANO, Kelly Regina Pires da Silva et al. Intervenções de Enfermagem para pacientes neurocríticos. Rev enferm UFPE on line. Pernambuco. 2019.13:e243847. Disponível em: <https://doi.org/10.5205/1981-8963.20120243847>. Acesso em: 5 set. 2021.

European Pressure Ulcer Advisory Panel (EPUAP);  National Pressure Injury Advisory Panel (NPIAP) and Pan Pacific Pressure Injury Alliance (PPPIA). Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries: Quick Reference Guide. Emily Haesler (Ed.). 2019.

GALETTO, Sabrina Guterres da Silva et al.Percepção de profissionais de enfermagem sobre lesões por pressão relacionadas a dispositivos médicos. Esc. Anna Nery Rev. Enferm ; 25(2): e20200225, 2021. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2020-0225>. Acesso em: 6 set. 2021.

HOLANDA, Odair Queiroz de et al. Efetividade do protocolo para prevenção de lesões por pressão implantado em Unidade de Terapia Intensiva. Espaç. saúde (Online) ; 19(2): [ 64-74 ], dez.2018. Disponível em: <https://docs.bvsalud.org/biblioref/2019/03/981822/6-efetividade-do-protocolo-609-1071-1-rv.pdf>. Acesso em: 7 set. 2021.

MANGANELLI, Rigielli Ribeiro; KIRCHHOH, Raquel Soares; PIESZAK, Greice Machado; DORNELLES, Carla da Silveira. Intervenções de enfermeiros na prevenção de lesão por pressão em uma unidade de terapia intensiva. Rev. Enferm. UFSM. 2019. vol.9, e41:p1-21. Disponível em: <https://doi.org/10.5902/2179769233881>. Acesso em: 4 set. 2021.

MENDES, Karina Dal Sasso; SILVEIRA, Renata Cristina de Campos Pereira; GALVAO, Cristina Maria. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto contexto – enferm., Florianópolis , v. 17, n. 4, p. 758-764, Dec. 2008. Disponível em: < https://doi.org/10.1590/S0104-07072008000400018>. Acesso em: 4 set. 2021.

MENDONÇA, Paula Knoch; LOUREIRO, Marisa Dias Rolan; JÚNIOR, Marcos Antônio Ferreira; SOUZA, Albert Schiaveto de. Ocorrência e fatores de risco para lesões por pressão em centros de terapia intensiva. Rev. enferm. UFPE on line. 12(2): 303-311. fev.2018. Disponível em: <https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/23251/27794>. Acesso em: 6 set. 2021.

MENDONÇA, Paula Knoch; LOUREIRO, Marisa Dias Rolan; FROTA, Oleci Pereira; SOUZA, Albert Schiaveto de. Prevenção de lesão por pressão: ações prescritas por enfermeiros de centros de terapia intensiva. Texto & contexto enferm. 27(4): e4610017. Mato Grosso do Sul, 2018. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/0104-07072018004610017>. Acesso em: 7 set. 2021.

OTTO, Carolina; SCHUMACHER, Beatriz; WIESE, Luiz Paulo de Lemos; FERRO, Carlos, RODRIGUES, Raquel Antonacci. Fatores de risco para o desenvolvimento de lesão por pressão em pacientes críticos. Enferm. foco (Brasília). 10(1): 07-11.  jan. 2019. Disponível em: <http://revista.cofen.gov.br/index.php/enfermagem/article/view/1323/485>. Acesso em: 4 set. 2021.

PRADO, Athaynne Ramos de Aguiar; FIGUEIREDO, Nébia Maria Almeida; SÉ, Aline Coutinho Santo. et al. Incidência de lesão por pressão em lesados medulares inter-nados em unidades de terapia intensiva. Rev Fun Care Online.2021. jan./dez.; 13:1135-1141. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.9789/2175-5361.rpcfo.v13.9119>. Acesso em: 4 set. 2021.

RAMALHO, Aline de Oliveira; FREITAS, Paula de Souza Silva; MORAES, Juliano Teixeira; NOGUEIRA, Paula Cristina. Reflexões sobre as recomendações para prevenção de lesões por pressão durante a pandemia de covid-19. ESTIMA, Braz. J. Enterostomal Ther., 2020, 18: e2520. Disponível em: <https://doi.org/10.30886/estima.v18.940_PT>. Acesso em: 10 set. 2021.

RAMALHO, Aline de Oliveira; ROSA, Talita dos Santos; SANTOS, Vera Lúcia Conceição de Gouveia; NOGUEIRA, Paula Cristina. Acute skin failure e lesão por pressão no paciente com Covid-19: um relato de caso. ESTIMA, Braz. J. Enterostomal Ther., 2021, 19: e0521. Disponível em: <https://doi.org/10.30886/estima.v19.1007_PT>. Acesso em 10 set. 2021.

REBOUÇAS, Ruhama de Oliveira et al. Qualidade da assistência em uma unidade de terapia intensiva para prevenção de lesão por pressão. ESTIMA, Braz. J. Enterostomal Ther., 2020, 18: e3420. Disponível em: <https://doi.org/10.30886/estima.v18.947_PT>. Acesso em: 10 set. 2021.

RODRIGUES, Jacqueline Marques; GREGÓRIO, Kemily Covre; WESTIN, Ursula Marcondes; GARBUIO, Danielle. Incidência e fatores relacionados ao aparecimento de lesões por pressão em unidade de terapia intensiva. ESTIMA, Braz. J. Enterostomal Ther., 2021, 19: e1121. Disponível em: <https://doi.org/10.30886/estima.v19.1014_PT>. Acesso em: 10 set. 2021.

SANCHES, Bruna. et al. Adesão da enfermagem ao protocolo de lesão por pressão em unidade de terapia intensiva. Arquivos de Ciências da Saúde, [S.l.], v. 25, n. 3, p. 27-31, dez. 2018. ISSN 2318-3691. Disponível em: <https://doi.org/10.17696/2318-3691.25.3.2018.1058>. Acesso em: 12 set. 2021.

SANTOS, Camila Curcino. et al. Educação em serviço para a prevenção de lesão por pressão através do planejamento estratégico situacional. REVISA. 2020; 9(4): 773-83. Disponível em: <https://doi.org/10.36239/revisa.v9.n4.p773a783>. Acesso em: 11 set. 2021.

SILVA, Makcine Timm; PALU, Ligia Aparecida; BRUSAMARELLO, Tatiana. Prevenção de complicações evitáveis em uma unidade de terapia intensiva: uma revisão integrativa. Saude e pesqui. (Impr.) ; 11(3): 613-621, Set-Dez 2018. Disponível em: <https://periodicos.unicesumar.edu.br/index.php/saudpesq/article/view/6547>. Acesso em: 10 set. 2021.

VASCONCELOS, Josilene de Melo Buriti; CALIRI, Maria Helena Larcher. Ações de enfermagem antes e após um protocolo de prevenção de lesões por pressão em terapia intensiva. Esc. Anna Nery Rev. Enferm ; 21(1): e20170001, Paraíba, 2017. Disponível em: <https://doi.org/10.5935/1414-8145.20170001>. Acesso em: 11 set. 2021.

WELLER, Dulce Ines et al. Perfil clínico e complicações em pacientes pronados: uma coorte de um hospital universitário. Clin. biomed. res ; 39(4): 301-306, 2019. Disponível em: <https://seer.ufrgs.br/hcpa/article/view/96420/pdf>. Acesso em: 10 set. 2021.

ZIMMERMANN, Guilherme dos Santos et al. Predição de risco de lesão por pressão em pacientes de unidade de terapia intensiva: revisão integrativa. Texto & contexto enferm ; 27(3): e3250017, São Paulo, 2018. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/0104-07072018003250017>. Acesso em: 11 set. 2021.

[1] Pós-graduada em Enfermagem em UTI pela União Brasileira de Faculdades (UNIBF), Pós-graduanda em Clínica Médico-Cirúrgica pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Graduada em Enfermagem pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). ORCID: 0000-0001-6946-2463.

Enviado: Outubro, 2021.

Aprovado: Fevereiro, 2022.

5/5 - (1 vote)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

DOWNLOAD PDF
RC: 107022
POXA QUE TRISTE!😥

Este Artigo ainda não possui registro DOI, sem ele não podemos calcular as Citações!

Solicitar Registro DOI
Pesquisar por categoria…
Este anúncio ajuda a manter a Educação gratuita
WeCreativez WhatsApp Support
Temos uma equipe de suporte avançado. Entre em contato conosco!
👋 Olá, Precisa de ajuda para enviar um Artigo Científico?