Síndrome De Burnout No Enfermeiro Intensivista

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Síndrome De Burnout No Enfermeiro Intensivista
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REVISÃO INTEGRATIVA

PINTO, Fernanda da Silva [1], SANTOS, Lucy Marah Raphaela Gabriela Nefertitte de Souza Lima [2], MANO, Gisele Machado Peixoto [3], ARANHA, Ana Lúcia Batista [4]

PINTO, Fernanda Da Silva. Et al. Síndrome de burnout no enfermeiro intensivista. Revista científica multidisciplinar núcleo do conhecimento. Ano 03, ed. 12, vol. 06, pp. 60-76. Dezembro de 2018. Issn:2448-0959

RESUMO

A Síndrome de Burnout é uma consequência do esgotamento físico e mental, por profissionais que se deparam, com estressores do cotidiano em seu ambiente de trabalho. Estudos apontam que a Unidade de Terapia Intensiva é, um dos locais mais críticos, onde o trabalho do enfermeiro intensivista, seja árduo e muitas vezes a exaustão física e mental, faz com que estes profissionais adoeçam. Objetivo: Identificar os fatores que desencadeiam a Síndrome de Burnout no enfermeiro que atua na unidade de terapia intensiva. Métodos: Nesse contexto, foi estabelecida uma revisão integrativa da literatura, quanto a relação da Síndrome de Burnout com o enfermeiro da Unidade de Terapia Intensiva. Resultados: Revisão integrativa da literatura do período de 2013 à 2018, utilizando as bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde- BVS e Scientific Eletronic Library On-line – SCIELO, onde foram encontrados 48 artigos e após serem analisados, apenas 15 foram selecionados para compor este estudo de acordo com os critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos. Conclusão: O enfermeiro intensivista se depara, com grandes desafios profissionais, o maior deles é o ambiente de trabalho, onde situações de emergência e dinamismo, geram uma somatória, fazendo com que os níveis de esgotamento físico e mental sejam altos, desenvolvendo a Síndrome de Burnout. Existe a necessidade de mais estudos, para compreensão de maneiras de implementação de cuidados, para quem já desenvolveu e para prevenir a doença.

Palavra-chave: Esgotamento Profissional, Unidade de Terapia Intensiva.

INTRODUÇÃO

Em meados de 1977, o médico psicanalista Freudenberger, descobriu que esgotamento físico e mental, procedia da sensação de fracasso total no ambiente de trabalho, a definição desse adoecimento físico e psíquico foi denominado por Síndrome de Burnout, que em sua tradução é a palavra “esgotamento”, ou seja, síndrome do esgotamento profissional. Esta síndrome é subdividida em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e realização profissional. (1-3)

Os profissionais da área de saúde, são os que mais manifestam a Síndrome de Burnout devido ao cansaço acumulado por síntese laboral, trazendo à tona os problemas físicos e emocionais relativos ao desgaste do trabalho. Segundo dados de pesquisa, realizada em hospital do Nordeste do Brasil, 68,3% dos profissionais de enfermagem, apresentaram pelo menos uma das três dimensões da Síndrome. Tendo como sintomas: cansaço, fadiga, irritabilidade, aborrecimento por sobrecarga de trabalho, rigidez, inflexibilidade, tonturas, alergias, cefaleia, insônia, oscilações de humor, falta de ar, distúrbios neurológicos, dificuldade de concentração e dificuldade no bom relacionamento interpessoal.. (4-7)

A Síndrome de Burnout está associada com os aspectos laborais do cotidiano, gerando vários fatores relacionados à satisfação e insatisfação no trabalho. O estresse é acometido por enfrentamentos comuns, porém, as dificuldades do dia a dia preenchem toda situação de esgotamento físico e mental na enfermagem, tendo consequências negativas na perspectiva de vida individual, profissional, familiar e social. (6,7)

Na Síndrome de Burnout o profissional quando esta, com alto nível de exaustão física e mental, começa a apresentar o absenteísmo no trabalho, que significa que, o profissional não sente vontade de trabalhar e/ou suas faltas são repetitivas, por não aguentar a pressão que sofre em seu ambiente profissional.(7-8)

Para avaliar a Síndrome de Burnout, existem vários instrumentos, porém o mais utilizado é o Maslach Burnout Inventary (MBI), elaborado em 1981 por Christina Maslach e Susan Jackson, uma escala tipo Likert, direcionando um questionário autoaplicável, com pontuação de (0-6 pontos), com três temas correlacionados: o primeiro de exaustão emocional; o segundo de despersonalização; o terceiro e último, de realização pessoal.(9)

Esta análise demonstra a capacidade psicométrica da MBI, sendo assim, essa escala determina a mensuração das respostas dos profissionais, de acordo com a pontuação, tornando então possível, detectar a existência da Síndrome de Burnout no profissional de enfermagem. (9)

A enfermagem é uma profissão, que enfrenta tarefas dinâmicas, onde existem situações emergenciais, precisando se adaptar, a vários tipos de cenários. Esse enfrentamento se baseia, com o paciente em si, que traz consigo aspectos socioeconômico, cultural, político e pessoal. (3,7)

Existem também situações de condicionamento laboral, como dupla jornada, escassez de material, falta de colaborador, rotatividade de setor, desrespeito da hierarquia, falta de comunicação com equipe multidisciplinar, falta de perspectiva, falta de incentivo por parte da empresa, negligência da chefia, se deparando, ainda, com aspectos humanitários, que traz à tona sentimento de impotência.(9-10)

Um dos setores mais críticos, sobrecarregados, agressivos e de grande exaustão física e mental dentro de um hospital, é a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que foi construída e constituída de acordo com as necessidades de aperfeiçoamento do cuidado do paciente crítico, englobando os cuidados em si, o local de trabalho e materiais utilizados no setor e os profissionais preparados para o cuidado. (11,12)

Pesquisas apontam que neste setor, existe um alto nível de sofrimento psíquico juntamente com as ações realizadas de alta complexidade, bem como turnos cansativos, principalmente o noturno que correlaciona problemas com a qualidade do sono com a associação de desejo em deixar o emprego, porque o tempo de sono, não tem sido respeitado de acordo com a necessidade do corpo. Existem relatos de que as mulheres, que tem cuidados com a casa e filhos, não conseguem manter o nível de qualidade de sono eficaz. (10,12)

Foram citados sobrecarga de trabalho, tais como dupla jornada, quadro reduzido de trabalhadores, tendo então trabalho excessivo no mesmo plantão. Houve relatos de colegas que não cumprem seus deveres, deixando o outro com trabalho extra, faltas e afastamentos, sem que ninguém cubra estes desfalques.(13)

O profissional de enfermagem se depara com a necessidade em ter sentidos aguçados, devido o cuidado com o paciente, lidando com situações de emergências contínuas. Existe também, a grande quantidade de aparelhos, muitos ruídos excessivos, escassez de material, escalas de divisão de pacientes desproporcionais, rotina severa, setor fechado, influenciando na saúde física e mental do profissional, desencadeando um déficit na assistência prestada pelo mesmo ao paciente.(11,12)

Um dos grandes causadores de estresse é, a dificuldade de comunicação na equipe multidisciplinar intrapessoal e interpessoal, desencadeando conflitos, pois, por mais que se tenha o mesmo objetivo, as pessoas pensam e agem de maneiras diversas às rotinas estabelecidas e/ou necessidades do colaborador e do setor, por isso se os conflitos não forem bem administrados complicam-se, de maneira significativa, as relações estabelecidas entre a equipe. (12,14)

Outro grande impacto exaustivo é a falta de reconhecimento e encorajamento profissional. Pesquisas relacionadas a este conceito, mostra-se que quando é realizada uma atividade laboral com qualidade, criam-se expectativas sobre isso, trazendo para si uma necessidade de reconhecimento de sua hierarquia, caso isso não aconteça, o mesmo transforma o prazer em realizar atividades laborais em sofrimento, achando que elas são desnecessárias, sem sentido ou sem reconhecimento, o que leva o absenteísmo. (8, 12,15)

Há também o fato em lidar com a morte iminente, o lidar constante com a morte traz sensações desagradáveis e dolorosas, sentimentos de dor e de impotência, existindo a presença de negação sobre o sentimento, guardando para si o próprio sofrimento, por medo de se constranger perto dos colegas de trabalho e/ou familiares do paciente, mas trazendo prejuízo para seu estado mental. (12,13)

Lidar com a ansiedade e cobrança de familiares por notícias e atenção que muitas vezes são repetitivas, culpando a equipe de enfermagem por erros que não são de sua responsabilidade; bem como falta de material, ambiente físico de trabalho inadequado, desta maneira desencadeia o desgaste físico e mental.(12-15)

A Síndrome de Burnout para ser diagnosticada, entra em fatores de investigação por médico psiquiatra. Vale ressaltar que após diagnosticada, a utilização do Manual de Doenças Relacionadas ao Trabalho, do Ministério da Saúde é imprescindível, pois ele determina todas as diretrizes, que devem ser abordadas referente ao tratamento, que são: psicoterapia, tratamento farmacológico e intervenções psicossociais. (8,14,16)

O diagnóstico de um caso de síndrome de esgotamento profissional deve ser abordado como evento sentinela e indicar investigação da situação de trabalho, visando avaliar o papel da organização do trabalho na determinação do quadro sintomatológico. Podem estar indicadas intervenções na organização do trabalho, assim como medidas de suporte ao grupo de trabalhadores de onde o acometido proveio. (16)

Conforme Ministério da Saúde, a indicação de prevenção da Síndrome de Burnout, está vinculada com o processo do cuidado do ambiente de trabalho, onde nele, envolva a cultura da organização laboral, diminuição da intensidade de trabalho e incluir metas coletivas que resultam no bem-estar do indivíduo e da equipe. (16)

Entende-se ser o esgotamento mental e físico um fator relevante no desencadeamento da Síndrome de Burnout, cuja pesquisa a respeito tem se intensificado nas últimas décadas, mormente um tom preventivo. Estudos apontam que quanto mais baixo o nível de exaustão profissional, menor é a chance da mesma se desenvolver; sendo assim, a qualidade de vida no trabalho é primordial. A implementação de programas que proporcionem ao profissional de enfermagem um ambiente de trabalho salubre em setores como o de Terapia Intensiva possibilitam menor desgaste físico e mental, melhorando a qualidade da Assistência prestada. (11,12,14)

OBJETIVO GERAL

Identificar os fatores que desencadeiam a Síndrome de Burnout no enfermeiro que atua na Unidade de Terapia Intensiva.

MÉTODO

Realizou-se revisão integrativa da literatura sobre a Síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem que atuam na Unidade de Terapia Intensiva. Buscaram-se estudos que avaliassem profissionais da enfermagem, em especial a categoria dos Enfermeiros, onde o foco da pesquisa abordasse os fatores desencadeadores da Síndrome de Burnout, e a relação da mesma com o enfermeiro que atua no setor de Unidade de Terapia Intensiva. O levantamento bibliográfico teve como bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde- BVS, Scientific Eletronic Library On-line- SCIELO. Os critérios de inclusão estabelecidos para a elaboração do artigo foram: 1-) descritores: “esgotamento profissional” e “Unidade de Terapia Intensiva” 2-) idioma em português; 3-) ano de publicação de 2013 a 2018. Foram excluídos estudos que não atendiam os critérios de inclusão previamente estabelecidos para a elaboração do artigo.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Foram selecionados o total de 48 artigos que previamente atenderam critérios de inclusão. Destes, 07 foram duplicados, 03 encontravam-se incompletos, 23 obtiveram amostra diversa da que foi focalizada do presente estudo e 15 foram classificados satisfatoriamente para elaboração do artigo.

Síntese dos Artigos encontrados nas bases de dados de 2013 a 2018

artigo autor/ano tipo de estudo resultados
1- burnout e a organização no trabalho da enfermagem Sobral, RC; Stephan, C; Bedin-Zanatta, A; De-Luca, SR. 2018 Pesquisa mista combinada com abordagem quantitativa e qualitativa A pesquisa aborda a prevalência da Síndrome de Burnout através de relatos e demonstra que os fatores psicossociais de risco no trabalho atuam como fonte de estressores na organização laboral.
2- Síndrome de Burnout uma análise reflexiva Menezes, PCM; Alves, ESRC; Neto, SAA.; Davim, RMB; Guaré, RO. 2017 Estudo qualitativo, descritivo tipo analise reflexiva narrativa com base em artigos científicos e livros. Os estudos demonstram que os fatores desencadeantes da Síndrome possuem quatro dimensões: organização individual trabalho e fatores sociais.
3- O estresse em profissionais de enfermagem: uma revisão sistemática ratochinski,CMW; Powlowypsch, PWM; Grzelczak, MT; Souza, WC; Mascarenhas, LPG. 2016 Revisão sistemática Os resultados mostram que o profissional esta suscetível ao esgotamento físico e mental devido ao enfrentamento de situações de dupla jornada, rotina e preocupação com o outro.
4- Estresse ocupacional no trabalho em enfermagem no brasil: uma revisão integrativa Almeida, RJ; Filho, IMM. 2016 Revisão integrativa da literatura Especificação e compreensão da síndrome subdividida em três categorias: sinais e sintomas e patologia associada a estresse ocupacional; relação da Síndrome de Burnout com estresse ocupacional; risco de estresse ocupacional e área de atuação na enfermagem.
5- Segurança do paciente em enfermagem: interface com estresse e Síndrome de Burnout. rodrigues, cCFM; Santos, VEP; Souza, P. 2016 Revisão integrativa da literatura O estudo aponta que o ambiente de trabalho, é a fonte do estresse e sobrecarga de trabalho gerando falhas.
6- Incidência da Síndrome de Burnout nos profissionais de enfermagem: uma revisão integrativa. Oliveira, RF; Lima, G; Vilela, GS 2017 Revisão integrativa da literatura O estudo demonstra que a SB está presente nos profissionais de enfermagem e que fatores como idade, sexo, tempo de formação, turno de trabalho e questões institucionais, interferem no curso da doença.
7- Síndrome de Burnout em enfermeiros: Uma revisão integrativa. Oliveira, RKM; Costa, TD; Santos, VEP. 2013 Revisão integrativa Este artigo aborda a necessidade de futuras pesquisas sobre Burnout em outros setores hospitalares.
8- Síndrome de Burnout no contexto da Enfermagem Mourão, AL; Costa, ACC; Silva, MM; Lima, KJ. 2017 Estudo descritivo exploratório O estudo aborda o impacto direto da Síndrome de Burnout na prestação de assistência dos colaboradores aos pacientes.
9-Impacto do ambiente de cuidados críticos no Burnout, percepção da qualidade do cuidado e atitude da segurança de equipe de enfermagem Guirardello, EB. 2017 Estudo descritivo transversal Este estudo mostra que ambientes favoráveis tanto na estrutura, como na equipe, traz mais segurança ao paciente e consequentemente menos níveis de profissionais com Burnout.
10- Síndrome de Burnout e o trabalho em turnos na equipe de enfermagem. Vidotti, V; Ribeiro, RB; Galdino, MJQ; Martins, JT; 2018 Estudo transversal O artigo aborda a relevância quantitativa da Síndrome de Burnout no profissional referente ao turno diurno e noturno.
11- Qualidade de vida no trabalho e Burnout em trabalhadores de enfermagem de unidade de terapia intensiva. Schmidt, DRC; Paladin, M; Biato,C; Paes, JT; Oliveira, AR; 2013 Estudo descritivo correlacional de corte transversal Estudo mostra que o enfermeiro de Unidade de Terapia Intensiva tem mais disposição a desenvolver Síndrome de Burnout por causa do ambiente que acomete o esgotamento físico e mental.
12- Adoecimento Psíquico de trabalhadores de unidades de terapia intensiva Monteiro, JK; Oliveira, ALL de; Ribeiro, CS; Grisa, GH; Agostine, N; 2013 Método misto, seqüencial, quantitativo e descritivo Estudo aponta todas as dificuldades de um setor de Unidade de Terapia Intensiva e a necessidade de uma escuta qualificada dos enfermeiros e colaboradores, sobre o ambiente de trabalho, tornando possível melhora no desenvolvimento da Síndrome de Burnout.
13- Síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem de uma unidade de terapia intensiva Fernandes, ls; nitsche, MJt; godoy, i de 2017 Estudo descritivo de abordagem quantitativa, transversal e analítica. Este artigo aborda que o ambiente intensivista é propicio para o desenvolvimento da Síndrome.
14- Preditores da Síndrome de Burnout em Enfermeiros de unidade de terapia intensiva Vasconcelos, EM de; Martino, MMF; 2017 Estudo quantitativo descritivo e transversal Estudo mostra que existe pouco reconhecimento e apoio ao trabalho, sobrecarga entre outros enfrentamentos. Constatando que é necessária uma escuta qualificada pela instituição para esse profissional em sofrimento.
15- Fatores psicossociais e prevalência da síndrome de burnout entre trabalhadores de enfermagem intensivista Silva, JLL; Soares, RS; Costa, FS; Ramos, DS; Lima, FB; Teixeira, LR; 2015 Pesquisa descritiva seccional Este artigo mostra que os fatores psicossociais estão diretamente envolvidos na Síndrome de Burnout.

 

Com base no estudo realizado por meio de dados coletados durante a pesquisa e a análise dos artigos, evidencia-se que a exposição progressiva aos fatores considerados estressores, leva ao esgotamento físico e emocional, interferindo diretamente na qualidade de vida levando o profissional a um prejuízo em relação das funções com o âmbito laboral, que desencadeiam a Síndrome de Burnout.

A Síndrome de Burnout é caracterizada por sintomas específicos (irritabilidade, dores musculares, falta de apetite, esgotamento físico e mental) e pode ser subdividida em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e realização profissional.(13) Logo, caracteriza-se pela perda de significado do trabalho, desmotivação, atitudes negativas e de distanciamento em relação aos outros, o que causam prejuízos no processo de trabalho em saúde. (15)

A exaustão emocional refere-se à falta de energia e entusiasmo, fadiga, por sensação de esgotamento de recursos emocionais, necessários para lidar com a situação estressora, ao qual pode somar-se o sentimento de frustração. A exposição progressiva a estes fatores considerados estressores, leva ao esgotamento físico e emocional, interferindo na qualidade de vida e prejudicando a interação com suas funções e com o ambiente de trabalho que desencadeiam a referida Síndrome. (4)

A dimensão da exaustão emocional representa o componente básico individual do estresse no Burnout. Ela refere-se às sensações de estar além dos limites e exaurido de recursos físicos e emocionais. Os profissionais sentem-se fadigados, esgotados, sem qualquer fonte de reposição. Eles carecem de energia suficiente para enfrentar mais um dia, ou outro problema. (3)

Uma das características evidentes da SB ocorre quando o trabalhador adota atitudes negativas, e é acompanhada por insensibilidade e falta de motivação. A baixa realização pessoal é evidenciada quando há tendência negativa à auto avaliação profissional, aumento da irritabilidade, baixa produtividade, deficiência de relacionamento profissional e perda da motivação, tornando-se infeliz e insatisfeito. (7)

Os estudos mostram que a Síndrome de Burnout se apresenta em vários contextos, de acordo com o que vem sendo distinto sobre o Burnout (em oposição a outros tipos de reações de estresse), é a moldura interpessoal do fenômeno, como também concordam que os profissionais que trabalham diretamente com outras pessoas, assistindo-as, ou como responsáveis por seu desenvolvimento e bem-estar, encontram-se mais suscetíveis ao desenvolvimento do Burnout.(5)

Ainda é relevante destacar que os profissionais de enfermagem estão imersos em rotinas de duplo vínculo empregatício, conciliação com os afazeres domésticos e busca por melhor qualificação profissional, o que resulta em um cotidiano de atividades intensas. Desse modo, o descanso fica comprometido, o que pode refletir no desenvolvimento do estresse e do desencadeamento da referida síndrome nesses profissionais. (8)

Sendo assim, a literatura entende que a Síndrome de Burnout é mais evidente em profissionais de enfermagem como consequência da demanda, sobrecarga de trabalho, dupla jornada, riscos ocupacionais, precariedade de recursos materiais, falta de pessoal qualificado e relações interpessoais conflituosas. Onde o comportamento dos trabalhadores, a eficiência do trabalho, produtividade e utilidade têm consequências inerentes e pode evoluir negativamente ao cuidado do paciente, gerando maior sobrecarga emocional.(1,4)

O ambiente de trabalho no qual o enfermeiro tem a responsabilidade de atuar como líder, tem uma importância fundamental para a evolução da SB. A UTI foi criada a partir da necessidade de aperfeiçoamento material e humano para o atendimento a pacientes em estado crítico, e pode ser apontada como um dos ambientes mais agressivos, exaustivos e sobrecarregados do hospital. Caracteriza-se como ambiente tenso, local onde a morte é uma constante, local em que os sentidos estão sempre aguçados e alertas para qualquer situação de urgência, onde há ruídos excessivos, grande fluxo de profissionais, dificuldade nas relações interprofissionais, pouca comunicação, muitos aparelhos, ansiedade dos familiares, rotinas rígidas e inflexíveis e rapidez dos atendimentos que influenciam no cuidado dos trabalhadores da saúde. (6)

Os profissionais que trabalham em ambientes considerados críticos, como as Unidades de Terapia Intensiva (UTI), apresentam alta predisposição para serem acometidos pelo sofrimento psíquico, tendo em vista a complexidade das ações ali realizadas, o estresse gerado durante a sua realização e a ocorrência de morte de pacientes. (10)

A literatura ressalta a importância do cuidado do enfermeiro, onde a pressão é contínua, devido às responsabilidades de suas ações com o cliente e com a equipe a qual pertence. Em sua prática diária, esses profissionais ao prestarem assistência direta ao paciente, se deparam com os riscos relacionados à atividade laboral de caráter intrínseco e extrínsecos, como elementos químicos, físicos, mecânicos, biológicos e ergonômicos, onde podem desenvolver agravos ocupacionais. Esses profissionais também enfrentam fatores que lhe causam desgastes emocionais, correlacionados ao sofrimento dos pacientes e familiares que estão sendo assistidos. (9)

Essa patologia afeta diretamente na assistência prestada aos pacientes, e no relacionamento do profissional com os colegas de trabalho. A mesma intervém na qualidade de vida e saúde dos trabalhadores acometidos até mesmo fora do ambiente laboral, visto que este se sente cansado e esgotado físico e psicologicamente, o que prejudica e diminui a intensidade de suas atividades rotineiras. Pode-se supor até mesmo que o Burnout seja uma questão de saúde pública, haja vista que um profissional cansado e adoecido mentalmente não possui condições para cuidar de forma efetiva de um paciente. (2)

Embora os estudos utilizados como base para a realização deste trabalho apresentem-se relacionados, na medida em que se descrevem como apontamentos de fatos corriqueiros que passam despercebidos no dia-a-dia da profissão, a síndrome de Burnout apresenta-se como um fenômeno psicossocial emergente entre os trabalhadores de enfermagem, em resposta ao complexo ambiente de trabalho em saúde em que estão inseridos. Mesmo que a enfermagem demonstre diferentes vertentes de atuação, a mesma essencialmente abrange a assistência, o cuidado e os serviços em saúde, o que a configura como uma profissão permeada por desafios constantes, que exigem do profissional a necessidade de adaptar-se a diferentes situações e demandas emergenciais. (11)

As abordagens quanto ao impacto do ambiente, da prática e os resultados para o paciente e a enfermagem, revelam que em ambientes no qual o enfermeiro possui autonomia, controle sobre o ambiente e boas relações com a equipe médica, resultam em menores níveis de Burnout, maior satisfação profissional, menor intenção de deixar o emprego e melhores resultados para o paciente no que se refere à qualidade do cuidado e segurança do mesmo. (12)

Segundo estudo realizado os enfermeiros assistenciais intensivistas, apresentam uma associação significativa de esgotamento quando: não gozam do seu período de férias; do sexo feminino; enfermeiros jovens e sem experiência em UTI; com carga horaria acima de trinta horas semanais; com dupla jornada e os que não fazem atividade física. Entretanto, é necessário buscar um olhar mais amplo sobre os fatores desencadeantes da Síndrome de Burnout, para que haja um estudo mais abrangente, mostrando as necessidades de cuidados e programas para a prevenção da Síndrome.(14)

CONCLUSÃO

observamos neste estudo, que o ambiente laboral é primordial para uma qualidade de vida no trabalho onde os enfermeiros por si só, sofrem grande desgaste físico e mental com a sua profissão, contudo, devem estar sempre prontos para qualquer tipo de situação e dinamismo em seu cotidiano. Porém, o ambiente do setor da Unidade de Terapia Intensiva tem sua somatória para que este desgaste seja ainda maior, por ser um dos setores mais críticos dentro do hospital trazendo à tona dificuldades na realização de suas atividades técnicas por diversos fatores, muitos deles não somente pela realização das atividades, mas cenários implícitos, onde se torna agressivo ao profissional solucionar os enfrentamentos. Dentro deste contexto, entende-se que este desgaste físico e mental são os desencadeadores de vários sintomas e o mais preocupante deles é o absenteísmo, onde o nível de esgotamento é elevado de maneira significativa. Analisando os sintomas, ambiente e profissão, conclui-se que urgem pesquisas para compreender de fato como ter melhoria e cuidados para o profissional que desenvolveu a Síndrome de Burnout e como tomar medidas preventivas para inibir o desenvolvimento da mesma, tendo então ferramentas de qualidade para implementar onde for necessário dentro das condições laborais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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2. Menezes, PCM; Alves, ESRC; Neto, SAA; Davim, RMB; Guaré, RO. Síndrome de Burnout uma análise reflexiva. Revista enferm. UFPE. 2017 [LINK] de: http://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/bde-33768 acessado em 28/08/2018 pag. 5093 – 5097.

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14.Vasconcelos, EM de; Martino, MMF; Preditores da Síndrome de Burnout em Enfermeiros de unidade de terapia intensiva. Rev. Gaúcha de Enferm. 2017 [LINK] de: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-14472017000400417&lang=pt acessado em 28/08/2018 pag. 02,03,06 e 07.

15. Silva, JLL; Soares, RS; Costa, FS; Ramos, DS; Lima, FB; Teixeira, LR; Fatores psicossociais e prevalência da síndrome de Burnout entre trabalhadores de enfermagem intensivista. Rev. Brás. Ter. Intensiva. 2015 [LINK] de: http://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-750767 acessado em 28/08/2018 pag.02,06-08.

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[1] Discente do curso de enfermagem na Universidade Anhembi Morumbi.

[2] Discente do curso de enfermagem na Universidade Anhembi Morumbi.

[3] Docente na Universidade Anhembi Morumbi, especialista em fisiologia do exercício, mestre e doutora em Ciências da Saúde.

[4] Docente na Universidade Anhembi Morumbi, especialista em nefrologia e mestre em Ciências da Saúde.

Enviado: Agosto, 2018

Aprovado: Dezembro, 2018

Como publicar Artigo Científico

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