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Políticas públicas de assistência e amparo na saúde mental de moradores de rua: uma entrevista com pessoas em situação de rua na cidade de Juazeiro do Norte – CE

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

SILVA, Silvoneide Rumão da [1]

SILVA, Silvoneide Rumão da. Políticas públicas de assistência e amparo na saúde mental de moradores de rua: uma entrevista com pessoas em situação de rua na cidade de Juazeiro do NorteCE. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 07, Vol. 08, pp. 61-73. Julho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Recentemente as políticas públicas de Assistência vem contribuindo com a saúde mental dos moradores de rua, porém esses indivíduos estão mais suscetíveis a adoecimentos. Assim, o objetivo desse artigo é investigar a contribuição da vida nas ruas para o adoecimento mental dessas pessoas, verificar a porcentagem de uso de álcool e drogas desse grupo, e pesquisar as dificuldades enfrentadas pelos mesmos. Esse trabalho foi realizado através de uma entrevista semi estruturada com onze moradores de rua. O resultado confirma que quem vive nas ruas tem uma fragilidade maior para adoecer, e sua saúde mental está sempre alterada em consequência das drogas do medo de ser assassinado e das dificuldades, como: fome, falta de banho e contato social.

Palavras-Chave: Moradores de rua, saúde mental, políticas públicas de assistência.

1. INTRODUÇÃO

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (2014), a saúde mental está relacionada com a situação de bem-estar de cada sujeito, na qual ele percebe o seu potencial, não conseguindo lhe dar com as emoções normais do dia a dia, fazendo com que esse indivíduo perca sua produtividade na comunidade em que vive (LOUREIRO, et alia, 2014).

Para a psicopatologia o conceito de saúde mental está relacionado ao contexto sociocultural, sendo necessário realizar o estudo entre o sujeito e o meio em que este vive. É normal na visão dessa abordagem o sujeito que não tem nenhuma doença mental definida (DALGALARRONDO, 2008).

Dessa forma a psicopatologia não faz um julgamento antecipado de sujeitos que supostamente pode ter algum problema de saúde mental antes de realizar um estudo do indivíduo no meio em que vive.

Diante disso, pretende-se realizar um estudo bibliográfico sobre a Saúde Mental dos moradores de rua, com o objetivo de analisar a influência das políticas assistenciais para a recuperação dos moradores de rua; compreender quais os fatores que levam o sujeito a deixar seu lar e seus familiares para morar nas ruas; entender as consequências psicológicas que esses estão impostos e identificar de que forma as políticas públicas de assistência e seus equipamentos tem atendido aos moradores de rua e a sua importância para saúde mental dos mesmos.

Visto que os sujeitos em situação de rua enfrentam diversos problemas que afetam a sua estrutura psicológica, podendo assim, acarretar um adoecimento psíquico. Além de enfrentarem preconceito social, falta de afeto e cuidados familiares.

Assim o interesse dessa pesquisa sobre a Saúde Mental dos Moradores de Rua, surgiu a partir de uma visita da pesquisadora ao Centro POP, em que a mesma sentiu o desejo de encontrar respostas para entender o porquê de algumas pessoas deixarem seu lar e viver nas ruas passando tantas necessidades.

Por tanto, será utilizado um método bibliográfico com uma pesquisa em documentos científicos que abordam sobre esse assunto.

Dessa forma, espera-se contribuir para o conhecimento da sociedade, mostrando a importância de se cuidar da saúde mental e instruindo a comunidade sobre as consequências de se morar nas ruas, além de incentivar a população a acolher aos moradores de rua, tentando ajuda-los em busca de uma solução para saírem das ruas e não julga-los pela situação em que vivem, mas sim entender que são humanos e tem os mesmos direitos que todos.

Além disso, pretendem-se contribuir com esse trabalho, para novas pesquisas em que outros pesquisadores tragam discursões importantes sobre a saúde mental dos moradores de rua, apresentado os problemas e soluções eficazes para a situação dos sujeitos que estão em situação de rua.

2. A REFORMA DA SAÚDE MENTAL E SUA RELAÇÃO COM OS MORADORES DE RUA

De forma geral a saúde é citada pela Constituição Federal (1988) como sendo um direito de todos e dever do estado, sendo garantida através das políticas sociais, com a visão de prevenção das doenças, promovendo assim, o acesso universal e igualitário a todos os sujeitos.

Para tanto, entende-se que a saúde abrange toda a população incluindo os moradores de rua que como mencionado no tópico anterior não busca atendimento na saúde pública por vários motivos, sendo um deles o desconhecimento dos seus direitos.

A saúde mental brasileira vem sendo alterada com a reforma psiquiatra desde a década de 1980, com as necessidades emergentes que assolavam a sociedade brasileira em relação às pessoas que sofriam algum transtorno mental. Assim, a atenção voltada para a saúde mental se dá de outra forma a partir da reforma psiquiátrica. Anterior aos movimentos que levaram a reforma na saúde mental, os sujeitos não só com doença mental, mas em diversas situações de riscos eram postos em um mesmo ambiente, sem tratamento e prevenções, assim, como também os indivíduos que moravam nas ruas, apresentando riscos para a sociedade, eram colocados juntos a esses (ROSA, 2008).

Mas com as reformas psiquiátricas, essa situação melhorou em partes na qual o doente mental é separado dos demais sujeitos da sociedade, com tratamentos diferenciados. Em relação aos moradores de rua da atualidade, é visto que não são mais trancados em um hospital psiquiátricos junto com os doentes, mas as circunstâncias em que vivem pode gerar um adoecimento mental.

Embora os moradores de rua também tenham direitos garantidos pela Constituição Federal como saúde, educação, lazer, segurança previdência social, dentre outros, o que pode ser observado é que essa população vive sem direitos sociais, como se fossem excluídas de usufruir de tais benefícios que o estado promove. Com isso, compreende-se que a saúde mental desses sujeitos pode estar relacionada fortemente com a falta de seus direitos que são esquecidos ou desistidos pelos próprios moradores de rua que tem medo, vergonha de acordo com os autores abaixo de buscar seus direitos. Com isso eles passam diversas necessidades que leva a um adoecimento mental. (RODRIGUES; CALLERO, 2015).

Mesmo com as mudanças na saúde mental Bisneto (2007, 59), fala sobre as necessidades em relação ao atendimento, argumentado que:

As reformas no sistema de saúde não melhoraram o quadro sanitário brasileiro, a situação psiquiátrica permanece gravíssima, a associação da loucura com problemas sociais variados é uma constante, a relação de implicação entre a questão social.

O Brasil criou uma política de saúde mental e seus serviços comunitários para acolher aos doentes mentais, embora haja um projeto voltado para a saúde mental é visto que muitos portadores de doença mental não são atendidos dentro desses projetos políticos saúde pública, pois há vários fatores que contribuem para o desatendimento do sujeito nesse âmbito da saúde (MELLO; ABREU; FEIJÓ, 2007).

Além da política de saúde mental e dos seus órgãos públicos, tem-se atualmente os consultórios de rua que se destinam especificamente para atender as pessoas em situação de rua, mas é um projeto que só tem nas grandes capitais como Salvador e São Paulo e mesmo sendo voltada para esse público é pouco utilizado devido esse os moradores de rua não procurar atendimento (SILVA, 2016).

Com isso, entende-se que a população em situação de rua por se sentir excluída como já foi explanado, também se recusa a buscar atendimento na saúde. Além disso, “a falta de conhecimento a respeito das doenças mentais e o estigma relacionada a estas ainda são as maiores barreiras para o tratamento” (MELLO; ABREU; FEIJÓ, 2007, p. 203).

Mesmo sabendo que várias doenças mentais podem ser prevenidas, é visto que há uma falha na prevenção de doenças. Com isso, a Organização Mundial de Saúde no ano de 2001 propõe algumas recomendações para o tratamento como: facilitar o tratamento da saúde mental no setor público; garantir que sejam disponíveis medicações psicotrópicas no âmbito da saúde; instruir a sociedade sobre a doença mental; ampliar nacionalmente os programas que envolvem saúde mental; capacitar os profissionais dessa área (MELLO; ABREU; FEIJÓ, 2007).

Pode-se considerar que essas propostas tem uma visão ampliada sobre a saúde mental, e que se tais sugestões acontecessem traria mudanças significativas na vida dos sujeitos, proporcionando a essa qualidade de vida.

2.1 MORADORES DE RUA

Os moradores de ruas são pessoas que vivem em várias partes da cidade como: pontes, viadutos, becos, praças e marquises, nas ruas e rodoviárias, prédios abandonados. Assim, os moradores de rua não têm lugares fixos para morar, mas em alguns casos tem como apoio a permanência em um determinado lugar como, por exemplo, prédios abandonados (MDS, 2011).

Outro conceito de moradores de rua é uma classe de pessoas heterogêneas, contendo sujeitos com diferentes realidades, tendo em comum à situação de pobreza completa, além disso, também tem a falta de pertencimento de uma comunidade ou sociedade formal. De modo geral essas pessoas pertencem a uma sociedade, mas o que se ver são seus direitos sociais, de ter uma vida digna, sendo negados ou não recorridos pelos mesmos por motivo de vergonha humilhação dentre outros que afastam esses indivíduos de obter seus direitos (OLIVEIRA; FEITOSA 2016).

Diante disso, é percebido que os moradores de rua vivem em lugares que não tem condições de promover uma cidadania, além das necessidades diversas que esses sujeitos passam como: a falta de alimentação, de saúde, de higiene pessoal dentre outros fatores.

Para Pereira (2013) a vida nas ruas traz condições desumanas para os sujeitos que de alguma forma está vivendo sem moradia. Com isso, eles estão mais sucessíveis a adoecimentos pelas condições em que vivem, dormindo no chão ou em papelões, passando muito tempo sem cuidados e higiene pessoal dentre outras necessidades que foram citadas anteriormente. Em relação à saúde não se tem o conhecimento da busca por essa população, devido às muitas barreiras que existem.

Assim, de acordo com Rosa, Secco, Bretas (2006) relata que os moradores de rua além das suas necessidades básicas, também sofrem preconceito da sociedade, que trata essas pessoas como lixo ou objeto sem nenhum valor. E mediante a isso, esses moradores de ruas não são vistos como seres humanos que têm direitos e deveres de uma vida digna, como: moradia, alimentação, educação, saneamento básico.

Diante disso, os autores Rosa, Secco, Bretas dizem que:

Quando não são ignorados, são tratados como objetos da tutela estatal, na filantropia privada ou da caridade das igrejas. Se, por um lado, são tidos como incômodos ocupantes das vias públicas, por outro, sentem-se incomodados, pelos olhares que lhes são direcionados. A relação pública privada se mistura no cotidiano do pivô da rua (ROSA, SECCO, BRETAS, 2006, p.332).

Portanto é compreendido que a sociedade rejeita as pessoas em situação de rua e que os mesmos desconhecem seus direitos. Mas existem outros fatores que também contribuem para que esses indivíduos não sejam valorizados e não usufruam de uma vida com qualidade como a escolha de se afastar da família e da sociedade porque se tornou usuário de drogas ilícitas como o crack que predomina entre os moradores de rua segundo os atores supracitados e as decepções amorosas ou a desestrutura na família.

Segundo Bulla et alia (2004) de modo geral a população que vive nas ruas mostra-se com roupas sujas, descalços ou sapatos velhos, por não ter condições de obter outros, apresentado assim uma aparência desagradável para a sociedade, que na maioria das vezes desprezam pessoas com tais aparências. Diante disso, vale ressaltar que o principal motivo que leva os indivíduos a viverem nas ruas é: contextos de rupturas sucessivas na qual, em muita frequência, são associados ao uso de drogas e álcool, que está ligado tanto a quem mora na rua como as pessoas de sua família.

Além disso, é possível encontrar nas ruas sujeitos que saiu das suas pequenas cidades em busca de emprego nas grandes cidades, e por não encontrar e sem condições de moradia acabam vivendo nas ruas. Há ainda outras pessoas que vivem nas ruas e que são os catadores de lixo, que por não ter emprego juntam objetos das ruas para venderem ou usarem em busca de sua sobrevivência (COSTA, 2005).

Diante disso, Snow e Anderson (1998, p.77) afirmam que “o mundo social dos moradores de rua constitui-se em uma subcultura, ainda que limitada ou incompleta”. Esse mundo não é criado e nem planejado pelas pessoas que moram nas ruas, pelo menos de início elas são obrigadas pelas circunstâncias alheias ou do seu controle.

2.1.1 CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS DA MORADIA EM RUA

Os moradores de rua têm grandes chances de desenvolver doenças mentais e reações psicológicas anormais. Essas pessoas podem desenvolver esses sintomas como consequência de um fato profundamente doloroso, podendo ser compreendido pela situação em que vive nas ruas. Nesse sentido o afastamento do lar pode causar muito estresse e sofrimento, desenvolvendo doenças físicas e mentais. Tais relações que envolvem os transtornos mentais e ambientes estressantes não são diretas, mas uma construção de uma vivência com vários fatores. Para tanto, a ruptura da família e a perda do lar são fenômenos que influenciam no aparecimento de doenças, além de outros fatores, como por exemplo, as drogas ilícitas (BOTTIL, et al, 2010).

As drogas ilícitas podem causar dependência química, além de comprometer a saúde física e mental, que é o resultado de uma determinada substância psicoativa no organismo. Tal substancia causa reação compulsiva de usar a droga para obter um efeito psíquico ou fugir do desconforto pela ausência da mesma. Essa compulsão se instala no sujeito sem que o mesmo perceba. O sujeito que é dependente da droga ilícita que de início admito que usa por opção tem o reconhecimento da reação do organismo e a acreditar que não existe solução a não ser continuar usando tal substancia (SILVA, 2013).

Além disso, pelas condições em que sobrevivem os moradores de rua podem adquirir o sofrimento mental. Esse público podem apresentar distúrbios psicóticos agudos e vários sintomas como: retardo psicomotor, apatia e déficit de memória, decorrente de toda adversidade que estão submetidos (BOTTIL, et alia, 2010).

De forma geral, os distúrbios mentais maiores precedem à condição de morar nas ruas, e também a situação precária de sobrevivências nas ruas pode acentuar os seus sintomas anteriores, como também favorecer o surgimento de outros distúrbios, induzindo a uma alta prevalência de comorbidade em tais indivíduos, tornando os casos ainda mais graves.

3. MÉTODO

Pesquisa de campo, tipo qualitativa, com uma entrevista semiestruturada realizada através de um questionário que continha perguntas abertas e fechadas. Para Paulo Dalgalarrondo (2008), a entrevista é uma técnica do profissional da área da saúde em geral e da saúde mental, essa habilidade é desenvolvida em partes e outras vezes é intuitiva, que dependa da personalidade de cada profissional de como os mesmos apresentam suas sensibilidades nas relações sociais.

A entrevista foi realizada em março de 2018 com 11 moradores de rua em um evento realizado para esse público, na qual se encontravam umas 50 pessoas em situação de rua. Os requisitos para participar da entrevista era apenas morar nas ruas e ser maior de 18 anos de idade, sendo que todos os participantes tinham de 24 anos pra cima.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Após a entrevista realizada, foram coletados os seguintes dados em relação há algumas perguntas direcionadas aos participantes. Perguntas: o que o levou a morar nas ruas e quanto tempo faz que está nelas? Respostas: Não tenho casa e nem emprego, já faz uns trinta anos que moro nas ruas (LJ); Meu pai me levou por que não tinha condições financeiras para me criar (JM); Desemprego, falta de condições financeiras, fiquei deprimida por não ter nada, e fui morar nas ruas faz uns dois anos (GP); Drogas, medo de ser assassinado, já faz cinco anos que estou nessa vida (SL); Minha família separou, pai e mãe, depois fui morar com os avos e eles morreram e então eu fui pras ruas e está com quinze anos que estou aqui (AJ); Tive muitos prejuízos, fui roubado e fiquei sem condições (TS); Desentendimento (LG) Brigava muito com meus pais por usar drogas e então faz uns 5 anos que moro nas ruas (PM); Porque gostei das ruas (JS); As mulheres, separei vendi a casa dividi e gastei minha parte e fui para as ruas (JG); Afastamento por morte dos parentes e por não ter onde viver, e meus filhos não me aceitam porque uso drogas (MS);

Pergunta: Quais são as dificuldades que você passa diariamente por morar nas ruas? Resposta: Briga com os colegas que mexe nas minhas coisas, sou capaz de matar, sou muito revoltado (PM); Estão matando as pessoas nas ruas e ninguém toma as providencias (JM); Falta saúde, somos maltratados e temos muita solidão, falta de afeto (MS); Falta de comida (SL); Todas que é ruim (LG); Quando vou dormir tenho medo de ser confundido por outra pessoa que cometeu algum crime e ser morto (TS); Falta comida, água pra banho e levamos muito chingamento (LJ); Dormida, falta de comida, a indiferença das pessoas e muitos querem nos matar (GP); Falta de banho, comida, falta de convívio com outras pessoas, com a sociedade, apanhamos e somos discriminados (AJ); São as pirangagem, que nos trava e briga (JS); Pior a noite, tenho medo de ser assassinado sempre (JG).

Gráfico I – sexo dos indivíduos entrevistados

Fonte: primaria, Juazeiro do Norte –CE, Brasil 2018

No gráfico acima, é observado que (64%) dos morados entrevistados são homens e (36%) mulheres

GRÁFICO 2 –Idade das mulheres entrevistados

Fonte: primaria, Juazeiro do Norte –CE, Brasil 2018

O gráfico 2 mostra que as idades dos moradores de rua são maiores no início da vida adulta e perto da terceira idade, sendo (36%) entre 24 e 30 anos, acima de 54 anos também essa mesma porcentagem e entre 41 e 54 anos é (27%).

GRÁFICO 3 – Estados civil dos entrevistadas

Fonte: primaria, Juazeiro do Norte – CE, Brasil 2018

Somente através da conscientização e da responsabilidade social pode ser possível haver mudanças na vida destas pessoas. A psicologia tem um olhar para esse fenômeno compreendendo o cotidiano social sem perder de vista a realidade que cerca esses indivíduos em situação de rua.

Para tanto, é necessário um olhar mais prático, tendo o conhecimento de que as políticas assistências para o atendimento dos moradores de rua já existem em lei e que os direitos a uma vida digna como: moradia, saúde, educação, lazer e alimentação é garantido pela Constituição Federal de 1988.

Gráfico 4 – Escolaridade dos entrevistados

Fonte: primaria, Juazeiro do Norte –CE, Brasil 2018

Em relação a escolaridade dos entrevistados, analisou-se que (55%) possui ensino fundamental incompleto, (36%) não possui escolaridade e (9%) tem ensino superior. Além disso, (80%) desses entrevistados diz já ter frequentado o Centro de Referência Especializada para População em Situação de Rua – Centro POP, que é uma das instituição de Políticas pública e Assistência a moradores de rua voltada exclusivamente para esse público.

Gráfico 5 – Uso de drogas

Fonte: primaria, Juazeiro do Norte –CE Brasil 2018

Diante desse último gráfico, identificou-se que todos são usuários de drogas, sendo que (36%) usa, álcool, cigarro, crack e maconha (18%) usa só álcool sendo que outros moradores com essa mesma porcentagem não usa nada e (9%) usa só crack, só cigarro e só álcool.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa feita com um grupo de moradores de rua que estão totalmente excluído de programas sociais, como se percebe na entrevista, mostrou o quanto essa população é desigual dos demais grupos sociais. O que percebe-se na colocação deles é que estes passam por fatores muito estressantes como o medo de ser assassinado por se confundido com pessoas que cometem crimes, a fome, a falta de banho e contato social, coloca tais pessoas em uma fragilidade maior para o adoecimento mental. Os moradores de rua já não se dispõe das referências que constituem um indivíduo como um ser social como a própria identidade, o trabalho, casa, família, e o que lhes resta é o próprio corpo enquanto instrumento de mediação do uso de álcool, e drogas. Funciona então como um amortecedor para quem vive nas ruas, e são alvo de estigma e preconceito em tempo integral, o alcoolismo e uso de outras drogas foi quase absoluto no grupo observado, a degradação causada pelas condições físicas, que essas dependências causam quanto nas relações sociais que foram comprometidos.

Com relação ao adoecimento da população de rua os meios de violência estão muito presentes, seja por briga no interior dos agrupamentos ou por conta de agressões.

Somente através da conscientização e da responsabilidade social pode ser possível haver mudanças na vida destas pessoas. A psicologia tem um olhar para esse fenômeno compreendendo o cotidiano social sem perder de vista a realidade que cerca esses indivíduos em situação de rua.

Para tanto, é necessário um olhar mais prático, tendo o conhecimento de que as políticas assistências para o atendimento dos moradores de rua já existem em lei e que os direitos a uma vida digna como: moradia, saúde, educação, lazer e alimentação é garantido pela Constituição Federal de 1988.

REFERÊNCIAS

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[1] Graduada em Psicologia com especialização em psicopedagogia.

Enviado: Abril, 2018.

Aprovado: Julho, 2019.

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