ARTIGO DE REVISÃO
ARAÚJO, Rivana Nóbrega de [1], VILLAMAGNA, Maíra Rodrigues [2]
ARAÚJO, Rivana Nóbrega de. VILLAMAGNA, Maíra Rodrigues. Exposição ao ruído como um dos riscos ocupacionais aos trabalhadores de oficinas de metalurgia. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 10, Vol. 01, pp. 92-104. Outubro de 2026. ISSN: 2448-0959. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/exposicao-ao-ruido
RESUMO
Este estudo, por meio de um levantamento bibliográfico, pretendeu verificar se os autores relataram problemas de audição em trabalhadores de oficina metalúrgica e se identificaram medidas de controle importantes na prevenção de problemas de audição dos seus funcionários, analisando assim as normas referentes à saúde do trabalhador e aos riscos ambientais, por meio de pesquisas das Normas Regulamentadoras nº 7 (PCMSO) e nº 9 (PPRA), além da NHO 01 e NR 15. O objetivo deste estudo foi relatar problemas de audição dos trabalhadores de oficina metalúrgica causados pelo ruído ocupacional no ambiente de trabalho a partir das consequências da propagação do nível de ruído. A metodologia utilizada baseou-se em fontes de dados da literatura, realizando um levantamento bibliográfico na base SciELO e a busca de artigos científicos no Google Acadêmico utilizando termos como: Ruído; Proteção Auditiva; Danos auditivos. Os critérios de inclusão foram trabalhadores das indústrias metalúrgicas expostos a elevados níveis de ruído. Os critérios de exclusão aplicados consideraram indústrias que não emitem ruído excessivo. Devem existir recursos para garantir a qualidade de vida no trabalho, em ambiente seguro contra perdas auditivas, com medidas de controle ambiental e uso consciente dos equipamentos de proteção disponibilizados pela empresa.
Palavras-chave: Ruído ocupacional, Oficina metalúrgica, Medidas de controle.
1. INTRODUÇÃO
Os riscos ocupacionais da exposição ao ruído intenso prejudicam não apenas a produtividade dos trabalhadores, tendo em vista que causam danos para as empresas, mas principalmente a saúde do trabalhador. Este precisa estar bem adaptado para um bom desempenho de suas funções com recursos adequados que contribuam para bons resultados de ambos, trabalhadores e empresas.
Em diversos contextos laborais, é comum que o trabalhador não perceba, de forma imediata, a progressão de enfermidades relacionadas ao trabalho, o que pode levar à diminuição do rendimento profissional. Essas situações frequentemente resultam no aumento do absenteísmo, afastamentos temporários e, em casos mais graves, aposentadoria por invalidez, mesmo em indivíduos em idade produtiva. Trata-se de um impacto significativo, tanto econômica quanto socialmente, que pode ser prevenido mediante ações sistemáticas de vigilância em saúde ocupacional. Para tanto, torna-se fundamental o conhecimento dos riscos ambientais presentes no ambiente laboral, de modo a viabilizar intervenções direcionadas à eliminação ou controle dos fatores de risco cuja exposição ultrapasse os limites de tolerância estabelecidos (Ganime et al., 2010).
Segundo Silveira e Saliba (2020), a Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) é caracterizada como uma patologia neurossensorial, cumulativa, irreversível e de caráter progressivo, resultante da exposição prolongada a níveis elevados de pressão sonora no ambiente de trabalho. Além das consequências auditivas, o ruído em alta intensidade pode provocar alterações psicofisiológicas, como estresse, ansiedade e variações na pressão arterial, afetando negativamente o bem-estar físico e social do trabalhador.
Segundo Araújo (2002) apud Heintze (2017), a perda auditiva dos funcionários em empresas metalúrgicas é provocada pelo alto ruído ao que o funcionário está exposto e pelo não uso de protetores auriculares.
Nota-se como a exposição prolongada ao ruído prejudica neurologicamente, fisicamente e até emocionalmente o indivíduo no ambiente de trabalho e na vida pessoal, dificultando suas ações e decisões. A falta de proteção adequada ou o não uso dos equipamentos acarreta ainda mais consequências ao funcionário da empresa.
Conforme ressalta Ribeiro (2014), o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), instituído pela Norma Regulamentadora nº 7 (NR-7), integra um conjunto mais abrangente de ações promovidas pelas empresas no âmbito da saúde ocupacional. O programa deve estar articulado com as demais Normas Regulamentadoras (NRs) e visa à prevenção, ao rastreamento e ao diagnóstico precoce de agravos à saúde vinculados às atividades laborais.
Nesse cenário, a auditoria se apresenta como um instrumento técnico, sistemático e criterioso de avaliação das práticas desenvolvidas, com o propósito de verificar sua conformidade com os padrões previamente definidos. Sua finalidade ultrapassa a simples identificação de falhas e não conformidades, assumindo um papel educativo, ao propor soluções e recomendações que favoreçam a melhoria contínua dos processos institucionais (Ribeiro, 2014).
Segundo Mascarini et al. (2020), um programa de conservação auditiva deve ser criado e conter: avaliação dos níveis de exposição ao ruído, utilização de medidas de proteção auditiva coletivas e individuais, acompanhamento ambiental, médico e audiométrico. Dessa forma, a decisão quanto à adoção do Equipamento de Proteção Individual (EPI) deve ser fundamentada em uma análise criteriosa das condições específicas do posto de trabalho. Tal avaliação deve considerar a intensidade do ruído presente no ambiente e o tempo de exposição diária do trabalhador, possibilitando, assim, a escolha do tipo de protetor auditivo mais adequado e eficaz para a proteção da saúde ocupacional.
A utilização de EPI é recomendada quando não houver viabilidade de adotar medidas de proteção coletiva na ordem hierárquica de proteção de acordo com o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) ou até que tais medidas sejam definitivamente inseridas.
Podemos ter a ideia de que um EPI precisa de todo um acompanhamento para ser utilizado, porém antes de ser avaliado o ambiente de trabalho, sendo necessário um estudo mais apropriado para que se indique um equipamento adequado ao trabalhador. Sendo assim, o presente trabalho é baseado em literaturas bibliográficas sobre oficinas de metalurgia, tendo em vista que é uma área bastante insalubre devido aos variados tipos de ruídos existentes a depender de cada estabelecimento (indústria, fábricas, etc.). O funcionário exposto a ruídos frequentes fica com sua saúde comprometida, muitas vezes pode perder a audição, ser acometido de diversas doenças que serão relatadas ao longo desse estudo.
Muitos trabalhadores, por sua vez, acabam por se acomodar com os ruídos e não fazem questão da sua proteção, fazendo com que a saúde auditiva deles seja cada vez mais prejudicada. Sabemos que, para prevenir esses riscos, devem existir recursos através dos quais os funcionários possam fazer uso conscientemente dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) disponibilizados pela empresa a que prestam serviços. É de suma importância sempre ser averiguado se as medidas cabíveis estão sendo tomadas por todos, desde o estabelecimento até os funcionários.
Pretende-se, com esse estudo, analisar se os trabalhadores fazem uso dos EPI adequadamente enquanto permanecem expostos aos ruídos de trabalho.
Vale ressaltar a atuação dos profissionais da saúde e órgãos fiscalizadores nas ações de vigilância e segurança do trabalho aos riscos profissionais, os recursos suficientes por meio de estudos e treinamentos que tornem o ambiente de trabalho mais seguro para todos os envolvidos.
2. MÉTODOS
A metodologia foi realizada a partir das fontes de dados para o tipo de estudo de revisão da literatura do Google Acadêmico de artigos científicos no período de agosto a outubro de 2021. Para a composição da presente revisão, foi realizado um levantamento bibliográfico nas bases de dados SciELO, dados do Ministério da Saúde, revistas especializadas na área da saúde, universidades e periódicos, utilizando como assuntos relacionados à combinação: Ruído; Proteção Auditiva; Danos auditivos. Foram escolhidos 7 artigos dos 10 pesquisados, descrevendo acerca dos locais de trabalho, consequência e medidas de controle na prevenção ao ruído ocupacional.
Os critérios de inclusão são relacionados a pessoas que trabalham nas indústrias metalúrgicas, funcionários da linha de produção com exposição a níveis de pressão sonora elevados, sendo frequentes relatos de alguns sintomas como dor de cabeça, zumbido e perda de audição. Outros inclusos também foram as medidas de controle como uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC), realização de exames como audiometria e planejamento de prevenção aos ruídos, etc.
Critérios de exclusão utilizados estão relacionados a outras indústrias que não estão expostos a ruídos excessivos, também não fazem parte trabalhadores com sintomas não relacionados a ruídos. Outros pontos excluídos são os de equipamentos de proteção que não fazem parte de isolamento sonoro individual e coletivo. As avaliações médicas que não indiquem sintomas relacionados à perda ou problemas na audição.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Assim, notou-se a necessidade de uma análise comparativa, conforme o Quadro 1 abaixo, com apoio de alguns estudos, sendo escolhidos 7 artigos dos 10 pesquisados, descrevendo acerca dos locais de trabalho, consequência e medidas de controle na prevenção ao ruído ocupacional.
Quadro 1 – Análise dos riscos identificados nos artigos científicos
| Autores / Título | Local de Trabalho | Consequência | Medidas de Controle |
| Ganime et al. (2010)
O ruído como um dos riscos ocupacionais: uma revisão de literatura |
Indústria processadora
de madeira, de Botucatu, SP. |
27 funcionários da linha
de produção com esforço físico moderado-intenso, altas temperaturas e elevados níveis de ruído. |
a) Na fonte: redução do
ruído interno no parque industrial; b) Planejamento físico: isolando edifícios/ máquinas e adequação de estruturas; c) Controle dos níveis de ruído por manutenção. |
| Arezes (2002)
Percepção do risco de exposição ocupacional ao ruído |
Indústrias (visão geral). | A exposição a níveis de
pressão sonora elevados constitui causa principal de hipoacusia sonotraumática (25% dos trabalhadores com incapacidade). |
Necessidade de análises
quantitativas de fatores centrais, como níveis de pressão sonora e perda auditiva, integrados à percepção de risco e uso da Proteção Individual Auditiva (PIA). |
| Araújo (2002)
Perda auditiva induzida pelo ruído em trabalhadores de metalúrgica |
Indústria metalúrgica em
Goiânia (187 trabalhadores, jan-mar/ 2000). |
Audiometrias: 21%
sugestivas de PAIR, 72% normais e 7% outras alterações. Sintomas: dificuldade de fala (12%), zumbido (13%), tonturas (12%), etc. |
Execução de
audiometrias ocupacionais periódicas (frequências de 250 a 8000 Hz) e avaliação otorrinolaringológica com otoscopia. |
| Gonçalves e Iguti
(2006) Análise de programas de preservação da audição em quatro indústrias metalúrgicas de Piracicaba, São Paulo, Brasil |
Quatro metalúrgicas de
Piracicaba, SP (741 trabalhadores, 1997– 2001). |
41% apresentaram
alterações auditivas. Exposição superior a 84 dB(A) em 69,5% dos trabalhadores. Deslocamento do limiar auditivo em 104 casos. |
Programas de
Preservação da Audição não vêm sendo conduzidos adequadamente e legislações não são cumpridas. |
| Regis, Crispim e
Ferreira (2014) Incidência e prevalência de perda auditiva induzida por ruído em trabalhadores de uma indústria metalúrgica, Manaus – AM, Brasil |
Indústria metalúrgica do
polo de Manaus, AM. |
Prevalência de perda
auditiva de 44,23% (28,89% de PAIR). Frequência de 6000 Hz mais afetada. |
Ações preventivas a
partir de exposição a 80 dBA (jornada de 8h). Fortalecimento do avanço legislativo e científico. |
| Castro (2014)
Perda auditiva induzida por ruído e o uso de protetores auditivos em indústrias metalúrgicas brasileiras |
Revisão de diversos
locais (Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília). |
Casos elevados de PAIR
mesmo com uso regular de EPA. Ruído entre 65 e 105 dB(A). Uso inadequado dos protetores. |
Uso de protetores
auditivos como medida temporária até a adoção de medidas de engenharia na fonte (Mendes, 2013). |
| Gusmão, Meira e
Ferrite (2021) Fatores associados à notificação de perda auditiva induzida por ruído no Brasil, 2013-2015: estudo ecológico |
5.570 municípios
brasileiros (estudo ecológico nacional). |
Apenas 5,0% dos
municípios notificaram PAIR no SINAN. Subnotificação elevada no país. |
Ampliação do Cerest,
capacitação para notificação, investimento em municípios de baixo IDH e atuação de fonoaudiólogos. |
Fonte: autores, 2026.
Na tabela acima, cada autor descreve seus resultados com base nas observações da rotina dos trabalhadores em indústrias de metalurgia e foi adicionado um estudo de fábrica de madeira para demonstrar que os resultados foram semelhantes. Trabalhar na metalurgia causa ruído e em consequência desconforto sonoro. Foram evidenciadas também dores musculares, dor de cabeça e zumbidos por causa de ruído ambiental.
Os trabalhadores mais atingidos são os que lidam na linha de produção da metalurgia causando esforço físico intenso e elevados níveis de ruído, podendo acarretar outras doenças auditivas frequentes em ambientes industriais. Nos exames da audiometria, os trabalhadores se encontravam expostos a ruído superior a 84 dB(A).
Na maioria dos setores industriais, o estudo mostra que os Programas de Preservação da Audição e as legislações não estão sendo cumpridas e a exposição ao ruído continua excessiva. Os protetores auditivos auxiliam e devem ser usados na prevenção dos ruídos até que se complementem com medidas de engenharia para reduzir a intensidade do ruído no ambiente e efetivamente preservar a audição da população exposta.
Conforme os autores, para elevados níveis de ruído, medidas de controle no ambiente e equipamentos de proteção são essenciais para redução dos problemas. Sendo um dos casos com maior índice patológico, a hipoacusia sonotraumática, a qual abrange cerca de 25% dos trabalhadores com incapacidade devido à pressão sonora elevada. Na metalurgia, dos exames de audiometria realizados, 21% sugestivas de PAIR, nota-se a importância da análise e da avaliação das frequências periodicamente. Desses trabalhadores, 41% apresentaram alterações auditivas (idade média de 42,3 anos; tempo médio de serviço de 16,7 anos). O estudo revela que além dos exames não estarem sendo cumpridos, as legislações também não estão sendo obedecidas. A maior parte de 48% da amostra avaliada, sendo a frequência de 6000 Hz mais afetada, particularmente em orelha esquerda.
Assim, os estudos e as legislações ainda são escassos e essa proporção só aumenta. O que implica dizer que as medidas preventivas devem ser um conjunto de fatores a ser realizado como uma regulamentação mais efetiva como controle do uso de equipamentos individuais e coletivos, exames regulares, manutenção e calibração dos equipamentos que são de suma importância para mitigar doenças relacionadas pela falta de cuidados no controle dos ruídos em indústrias que lidam com essa exposição frequentemente.
4. CONCLUSÕES
O objetivo deste estudo foi relatar problemas de audição dos trabalhadores de oficina metalúrgica causados pelo ruído ocupacional no ambiente de trabalho a partir das consequências da propagação do nível de ruído.
Com base na exposição do ruído aos trabalhadores em indústrias e com o objetivo de relatar problemas de audição dos trabalhadores de oficina metalúrgica causados pelo ruído ocupacional no ambiente de trabalho a partir das consequências da propagação do nível de ruído, percebe-se neste estudo que o ruído ocupacional causa graves incômodos, ocasionando doenças não só fisicamente na audição como também de forma psicológica.
A falta de medidas preventivas na condição do trabalho afeta não só os funcionários, mas também todo um ambiente de trabalho, tendo em vista que não bastam apenas o equipamento de proteção coletivo e individual, leis mais atuantes, avaliações periódicas, equipamentos em bom estado de conservação. É de suma importância a assistência de profissionais com medidas de proteção que precisam ser implantadas para gerar um controle mais eficaz para reduzir os problemas causados pela exposição excessiva dos ruídos nos ambientes mais expostos.
As políticas públicas podem gerar formas de prevenção para evitar que esse problema de saúde não seja mais um percentual de doenças relacionadas ao trabalho. As indústrias podem colaborar com as medidas de controle, pois evita que tenham prejuízos com a falta de funcionários e problemas trabalhistas para aqueles que tiveram sua saúde prejudicada.
REFERÊNCIAS
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INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES
[1] Pós-graduação em Higiene Ocupacional; Pós-graduação em Vigilância Sanitária; Graduação em Enfermagem. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1334-107X. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8217953179819086.
[2] Orientadora. Mestrado em Estatística e Experimentação Agropecuária; Especialização em Matemática e Estatística; Graduação em Licenciatura em Matemática. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7907-877X. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8379420640913455.
Contribuição dos autores:
Rivana Nóbrega de Araújo: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.
Maíra Rodrigues Villamagna: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.
INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL
Conflito de interesse:
N/A.
Agradecimentos:
N/A.
Financiamento:
N/A.
Nota de presença de IA:
N/A.
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- ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
- Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.
Histórico da Publicação:
Material recebido: 02 de abril de 2024.
Material aprovado pelos pares: 26 de fevereiro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 06 de outubro de 2026.





