Efeitos da Aplicação da Técnica de Diafibrólise Percutânea na Amplitude de Movimento Associada de Flexão Tóraco-Lombar e Quadril

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Efeitos da Aplicação da Técnica de Diafibrólise Percutânea na Amplitude de Movimento Associada de Flexão Tóraco-Lombar e Quadril
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RIOS, Eliziane das Chagas dos Santos [1], SANTOS, Débora Regina Almeida dos [2], NASCIMENTO, Andrew Matheus Brito Queiroz [3]

RIOS, Eliziane das Chagas dos Santos; SANTOS, Débora Regina Almeida dos Santos; NASCIMENTO, Andrew Matheus Brito Queiroz. Efeitos da Aplicação da Técnica de Diafibrólise Percutânea na Amplitude de Movimento Associada de Flexão Tóraco-Lombar e Quadril. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 06, Vol. 06, pp. 15-27, Junho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

O presente estudo teve como objetivo analisar os efeitos da técnica de Diafibrólise Percutânea na amplitude de movimento (ADM) associada de flexão tóraco-lombar e quadril, onde participaram voluntárias lotadas na função de zeladora em uma Instituição de Ensino Superior (IES) particular de Porto Velho- RO. Um estudo de caso descritivo e explicativo, acerca de uma intervenção prática que avaliou 8 mulheres com algum grau de restrição de ADM na faixa etária de 18 a 45 anos. Como critérios de inclusão, utilizamos voluntarias relativamente saudáveis, sem nenhuma lesão tecidual nas áreas manipuladas, sedentárias, com encurtamento moderado da fáscia muscular e que aceitassem participar voluntariamente da pesquisa. Sendo previamente avaliadas foram submetidas a medições da flexibilidade por meio do Teste Sentar e Alcançar (TSA) com Banco de Wells e Teste 3º Dedo ao Chão (T3DC), quantificação dos desconfortos através da Escala Visual Analógica (EVA) e o protocolo de aplicação da técnica (Diafibrólise Percutânea-Crochetagem), além de questionários avaliativos. Obteve-se como resultado o aumento da irrigação sanguínea local, relaxamento terapêutico, diminuição da dor, redução da tensão muscular, aumento da flexibilidade dos tecidos moles, aumento da ADM logo após aplicação com manutenção desta, 3 dias após, e nenhum desconforto da Crochetagem. Concluímos então, que a Diafibrólise Percutânea se mostrou eficaz no tratamento de restrições articulares aumentando a ADM associada de flexão tóraco-lombar e quadril em mulheres, não causando nenhum desconforto, além de possuir baixo custo, fácil manuseio e portabilidade.

Palavras-chave: Diafibrólise Percutânea, Crochetagem, Alongamento, Fisioterapia.

1. Introdução

O conhecimento se tornou a palavra de ordem em nossos dias e a pesquisa acadêmica tem gerado e contribuído muito para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos profissionais, com ênfase no fisioterapeuta. Com isso, surgem técnicas inovadoras e por vezes surpreendentes como, por exemplo, a Diafibrólise Percutânea, também conhecida popularmente como Crochetagem.

A Crochetagem é um método de tratamento das algias mecânicas do aparelho locomotor, pela destruição das aderências e dos corpúsculos irritativos inter-aponeuróticos ou mio-aponeuróticos através de ganchos colocados e mobilizados sobre a pele, Fibrólise se trata de alongamentos, ruptura das fibras e Percutânea nada mais é do que a projeção das estruturas anatômicas sobre a pele.

Esta técnica é relativamente nova no Brasil, contudo, foi elaborada no fim da década 40 pelo fisioterapeuta sueco Dr. Kurt Ekman, que embasado nos princípios da Massagem Transversa Profunda (MTP), criada pelo Dr. James Cyriax, e tendo observado as limitações da palpação, elaborou um instrumento com fim específico de ultrapassar esses impedimentos (JORDÃO, 2004).

O gancho de aço utilizado para aplicação é posicionado de maneira a realizar uma tração no  ventre muscular, causando um estresse mecânico pela aplicação de uma  carga ao  tecido, atuando no componente visco elástico do músculo, aumentando assim a sua flexibilidade (LAGÔA; CARDOSO, 2008).

O campo de intervenção desta técnica é amplo e atua principalmente nos tecidos  mio-aponeuróticos  profundos,  nas aderências,  nos depósitos  de  ácido  úrico e/ou  cálcio (corpúsculos), e outras disfunções dos tecidos moles, como,  por exemplo, redução da flexibilidade muscular (BARBOSA e JUNIOR, 2012).

Segundo Kisner e Colby (2009) apud Barbosa e Junior (2012) flexibilidade é a capacidade de mover uma ou várias articulações de modo suave e confortável em uma Amplitude de Movimento (ADM) sem dores e restrições. Contrariamente, a perda da flexibilidade muscular é revelada pela redução da capacidade de um músculo se alongar, limitando a ADM.

A flexibilidade dos tecidos moles surge através de uma combinação harmônica e complexa de fatores físicos, químicos e emocionais, sendo necessária para as diversas atividades de  vida diária e  também para  as atividades profissionais, caso aquela esteja reduzida, implicará desconfortos dolorosos ou  não,  devido a  produzir desequilíbrio das cadeias musculares, redução da produtividade e  eficácia laboral, péssima qualidade de vida, estresse, irritabilidade e outros agravos que  prejudicam a saúde do ser humano, levando a uma  sobrecarga dos serviços  de saúde pública ou privada, podendo inclusive  afetar  o sistema previdenciário,  devido  afastamentos  ou aposentadorias por doenças ocupacionais (BARBOSA e JUNIOR, 2012).

Consequentemente, esta pesquisa buscou um grupo de trabalhadores onde esta flexibilidade é imprescindível para o desempenho das atribuições e que provavelmente estaria comprometida, por conta do sedentarismo observado nas populações atuais.

A região lombar possui uma área de alta concentração de tecido fibroso, sendo que quando uma tensão é exercida, esta estrutura entra em estado de rigidez. Nestes tecidos existe uma plasticidade, e esta responde de acordo com  a  velocidade  de determinado deslizamento, quando rápido o tecido se torna  rígido, mas quando lento e gradual promove aumento no seu comprimento (BARBOSA e JUNIOR, 2012).

Por fim, a técnica de Diafibrólise Percutânea ganha espaço de grande importância e destaque, devido seu baixo custo, grandes benefícios obtidos e a não complexa aplicação desta técnica, além de ser portátil, podendo ser levado a qualquer lugar sem muita dificuldade para transporta-lo, somando mais um instrumento de trabalho no  arsenal dos fisioterapeutas, visando alcançar o seu objetivo final no tratamento da recuperação da total ADM das articulações, principalmente tóraco-lombar e do quadril.

2. Materiais e métodos

O presente estudo caracterizou-se por um estudo de caso descritivo e explicativo, acerca de uma intervenção prática (YIN, 2001 apud VENTURA, 2007). Realizada nas Faculdades Integradas Aparício Carvalho – FIMCA em Porto Velho/ RO, na dependência denominada Centro de Reabilitação, com 8 voluntárias do sexo feminino, idade 18 a 45 anos ocupantes da função de zeladora da IES supracitada.

Como critérios de inclusão participaram mulheres voluntarias relativamente saudáveis, que desempenhavam função de zeladoras onde com isso realizam movimentos de flexão e extensão de forma inadequada, sem nenhuma lesão tecidual nas áreas manipuladas, sedentárias (Se praticante de atividade física, no  máximo  2x  por  semana),  com  encurtamento moderado de fáscia muscular posterior de tóraco-lombar e quadril, acima de 18 anos, zeladora, e que aceitassem participar da pesquisa.

Como critério de exclusão diagnóstico de distúrbios osteomioarticulares em membros inferiores, disfunções na coluna ou lombalgia recente sem ou com diagnostico, bem  como,  a existência de afecções cutâneas ou cicatrizes na regiões tratadas e pessoas com  contraindicações da  Crochetagem, quais sejam, mau estado cutâneo e/ou  circulatório, como  lesão/irritação na pele, varizes e adenomas na região   posterior   da    coxa    e    coluna   lombar,   indivíduos   que    faziam   uso   de anticoagulantes,  reações  hiper-histamínicas,  bem   como,   inflamação  e  hiperalgia na região  de   aplicação  da   técnica,  praticantes  de  atividade  física  regular,  boa flexibilidade e não aceitassem participar da pesquisa incluindo sua reavaliação.

Para coleta de dados foram utilizados os seguintes instrumentos: Crochet ou gancho, que  são instrumentos feitos de  uma estrutura em  aço  inoxidável com  duas curvaturas nas extremidades que  possuem formatos diferentes, uma  maior e outra menor,  para  permitir o contato com  as variadas estruturas a  serem tratadas, tendo ainda, nestas extremidades pequenas espátulas e entre  os ganchos uma  área central para  apoio da mão  e  dedos do  terapeuta.

Instrumentos utilizados para realização da pesquisa foram uma máquina fotográfica digital,  marca Kodak,  modelo EasyShare M531  de  14  megapixels, para  registro dos resultados, o software Microsoft Office Excel 2010,  para  tabulação dos resultados e elaboração de tabelas e gráficos, além do teste t que é designado a avaliar o grau  de  significância; Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), além de fichas de avaliação e intervenção;  Escala  Visual  Analógica  (EVA),  sendo  uma   escala  que   apresenta resultados subjetivos, valorada entre  0 a  10.  Foi utilizada para quantificar o grau de desconforto  e/ou  dor  do  indivíduo.

A mesma foi impressa  colorida  no  tamanho de 20×7  cm em  papel A4; O banco de  Wells e Dillon  que  foi elaborado e personalizado pelos próprios autores, seguindo modelos anteriores, tendo  como  principal objetivo medir a flexibilidade da  região posterior de  tronco  e MMII através do Teste Sentar e Alcançar (TSA). Mede  30  cm  de  altura e  largura, 56  cm  de comprimento com  uma régua padrão na  parte  superior ultrapassando  em  16  cm  a  superfície  de  apoio  dos pés; uma fita  métrica  personalizada  de  30  cm  de  altura,  sendo afixada na  face posterior do Banco  de Wells, onde  o indivíduo se posiciona em perfil à frente da fita e realiza o teste “3º dedo  ao chão” (T3DC).

A pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética em   pesquisa envolvendo  seres humanos  –   CEP  FIMCA,  nº CAAE 30447114.0.0000.0012, seguindo  todos  os preceitos ético-legais estabelecidos de acordo com a Resolução nº 466,  de dezembro de  2012  do  Conselho Nacional de  Saúde (CNS)  que  dispõe acerca das diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos.

Foram  convidadas a participar da  reunião onde  seria explicado sobre o projeto assim  como   a   leitura  do   termo   de   consentimento  livre  e   esclarecido  (TCLE), colaboradoras lotadas na  função de  zeladora, sendo subtotal de  30 mulheres, nessa ocasião foi  realizado  após a  explicação  e  a  leitura do TCLE  a  ficha individual de avaliação,  onde   foi  possível selecionar  as voluntárias  que   se  enquadraram nos critérios de  inclusão para  posterior serem submetidas aplicação dos testes e método objeto desta pesquisa.

Após análise das fichas de avaliação e TCLE restaram somente 8 mulheres,  em outra  data  foi realizado a intervenção com aquelas que  se enquadraram nos critérios. Todas foram submetidas aos seguintes testes e procedimentos:

O primeiro constituído por resultados em centímetros (cm) do Teste do 3º dedo ao  chão  (T3DC),  sendo obtido pela mensuração utilizando fita métrica personalizada de 30 cm afixada na face posterior do Banco  de Wells, antes, imediatamente após e 3 dias após à aplicação da técnica de Crochetagem.

O  segundo foi  o  Teste sentar e  alcançar  (TSA),  sendo  mensurado pela  fita métrica do  Banco  de  Wells, antes, imediatamente após e  3 dias após à  técnica de Crochetagem. O modo  de  execução consiste no indivíduo senta-se de  frente para  o banco, colocando os pés no apoio com  os joelhos estendidos, ergue os braços com as  mãos paralelas ou sobrepostas,  levando  ambas  para   frente  e  empurrando  o marcador para  o mais distante possível. A classificação mais utilizada dos resultados é até  11cm = fraco,  de 12 a 13cm  = regular, de  14 a 18cm = médio, de 19 a 21cm = bom e 22cm  ou mais= excelente.

Sendo todos os resultados, tanto  o T3DC,  quanto o TSA, registrados por  uma máquina fotográfica digital. No T3DC a máquina foi posicionada na altura de 5 a 8 cm do  chão  e  com distância de  aproximadamente 60  a  80  cm  entre  a  máquina e  a  fita métrica.  Já para   o  banco de  Wells,  a  máquina esteve em  uma  vista  superior em relação ao indivíduo, de modo a visualizar o valor obtido.

O terceiro item a ser avaliado foram os resultados da EVA, aplicada 5 vezes em 3 datas diferentes. Na 1ª data, foi aplicada antes e depois do alongamento ativo livre, objetivo de  quantificar o desconforto durante a realização do alongamento ativo livre, a  aplicação da  EVA antes do  alongamento foi  para   eliminar qualquer viés. Sendo mostrada ao  indivíduo e o mesmo quantificou seu desconforto, atribuindo a este um valor de 0 a 10. Na  2ª data, foi aplicada a  EVA antes do  protocolo de  Crochetagem na  coluna tóraco-lombar e isquiotibiais, também para  eliminar algum desconforto anterior, assim eliminando erros, e  após o  protocolo novamente foi  quantificado o  desconforto da técnica através da EVA.

E na  3ª data, sendo completada a  ficha de  intervenção com  preenchimento da EVA 3 dias após à aplicação do protocolo e da questão com a seguinte assertiva: “Há presença de  quadro álgico, desconforto ou incômodo anteriormente relatado durante execução e alguma atividade?”.

O  protocolo de  aplicação foi  dividido em  3  regiões, a  do quadrado lombar, a paravertebral e  a  posterior de  coxa.  A região do  quadrado lombar compreende os seguintes  acidentes  anatômicos,  espinha  ilíaca  póstero-superior  bilateral  e  última costela flutuante (12ª) bilateralmente, formando um retângulo, essa região abrange os músculos quadrado lombar e uma  porção do grupo  eretor  da espinha (GEE). A região paravertebral compreende todas  as  vértebras torácicas  (T1   –  T12) formando  um “corredor” de aproximadamente 14 cm de largura, tendo  como  eixo a coluna vertebral, abrangendo a  porção torácica do  GEE.  A região posterior da  coxa  abrange grupo muscular  isquiotibiais.  Em   cada  região  foram  realizados primeiramente  fase  de palpação digital, instrumental e  3  séries de  10  repetições na  fibrólise, drenagem e raspagem. A fibrólise teve  sentido ascendente.

3. Resultados e discussão

As  análises  foram  feitas  utilizando  o  software  MS  Office  Excel  2010   para tabulação  dos  dados,  representações  gráficas  e  de   tabelas,  que   apresentem  os resultados obtidos em  campo e  em  percentuais. As variáveis foram expressas em média e desvio-padrão. Para comparação entre os valores TSA (Antes, logo após e 3 dias  após),  T3DC  (Antes,  logo  após  e  3  dias  após)  e  EVA  (Antes  e  após  ao alongamento ativo livre, antes e após a crochetagem e após 3 dias da  crochetagem). Foi usado o teste T para amostras dependentes. A significância estatística foi estipulada em 5%.

Gráfico 1: Valores referentes à antes, logo após e 3 dias após aplicação da técnica mensurada através do Banco  de Wells (TSA).
Gráfico 1: Valores referentes à antes, logo após e 3 dias após aplicação da técnica mensurada através do Banco  de Wells (TSA).

Consoante gráfico 1, 37,5%  das participantes continuaram ganhando amplitude de movimento após 3 dias. Em 12,5% manteve após 3 dias o que  ganhou. Em 25% não obtiveram ganho, tendo uma redução em relação ao resultado logo após aplicação. Em 12,5% voltou ao resultado anterior à aplicação da técnica.  Já em 12,5% teve uma redução em relação ao valor logo após aplicação, entretanto, manteve o ganho em relação ao resultado anterior à Crochetagem.

Gráfico 2: Valores referentes à antes, logo após e 3 dias após aplicação da técnica mensurada através do Teste 3º Dedo ao Chão.  
Gráfico 2: Valores referentes à antes, logo após e 3 dias após aplicação da técnica mensurada através do Teste 3º Dedo ao Chão.

Segundo gráfico 2 referente a antes e logo após aplicação da técnica 62,5%  das participantes alcançaram resultados menores, comparando antes  da  aplicação. No entanto, 37,5% tiveram valores maiores logo após aplicação. Já o que se refere aos resultados após 3 dias 75% das participantes mantiveram os valores positivos e 25% mostraram  valores  negativos,  estes  mantiveram  resultados  semelhantes  aos logo após aplicação. Uma observação à participante nº 4, que mostrou resultado favorável nesta mensuração diferente do negativo encontrado logo após aplicação pela mesma participante.

Gráfico 3: Valores referentes à quantificação de desconforto e/ou dor através da Escala Visual Analógica (EVA).
Gráfico 3: Valores referentes à quantificação de desconforto e/ou dor através da Escala Visual Analógica (EVA).Gráfico 3: Valores referentes à quantificação de desconforto e/ou dor através da Escala Visual Analógica (EVA).

Segundo gráfico 3, 100%  das participantes  relataram  algum desconforto  após alongamento   ativo   livre   apresentando média de  4,6  pontos. Em 87,5%  das participantes  não  relataram  dor após  aplicação da crochetagem, apenas  12,5%, relatou dor 3 dias após aplicação atribuindo 2 pontos na EVA.

Gráfico 4: Valores referentes à comparação entre  o grau de desconforto do alongamento ativo livre e a aplicação da Crochetagem mensurado através da Escala Visual Analógica (EVA).
Gráfico 4: Valores referentes à comparação entre  o grau de desconforto do alongamento ativo livre e a aplicação da Crochetagem mensurado através da Escala Visual Analógica (EVA).

Consoante gráfico depois  do  alongamento 4 100%  das participantes relataram  algum  desconforto ativo  livre  e nenhuma relatou  dor  logo  após aplicação  da técnica, ou seja, não há desconforto produzido pela Crochetagem. Segundo  Kiffer (2004) a Diafibrólise percutânea é uma técnica não  invasiva e com  objetivo de  tratamento de  diversas disfunções osteomioarticulares nos tecidos subjacentes à pele.

Sob o prisma desta pesquisa, estas disfunções são causadas principalmente por posturas anti-ergonômicas  adotadas pelas colaboradoras  no desempenho  do  seu labor,  gerando limitação moles,  devolvendo  e/ou funcional.  A Crochetagem atuou reorganizando  os tecidos aumentando a  capacidade  de extensibilidade  dos mesmos. Isto foi observado pelos valores obtidos pelos testes de flexibilidade (TSA e T3DC).

O protocolo de Crochetagem utilizado nesta pesquisa fora aplicado com tensão baixa, tempo relativamente longo, média de 20 minutos, e com pequena elevação da temperatura, devido  hiperemia  local.  Ainda, em regiões (fáscia tóraco-lombar e semi membranoso) que  foram selecionadas para  aplicação, possuem alta concentração de colágeno.  Estudos auxiliam a entender a importância dessas realizado  por  Facio  (2007)   mostrou  que   para   um   aumento informações,  como  o plástico  muscular  é necessário baixa  força,  longo tempo e alta temperatura, e isso  também se aplica no tecido conjuntivo (tendões, ligamentos e outros) em  que  o aumento da  temperatura, diminui a rigidez e aumenta a extensibilidade.

Um dos resultados obtidos desta pesquisa foi o aumento da ADM, devido restauração da flexibilidade  através do gancho.  Resultados similares foram encontrados em um estudo feito  por  Fernandes e  Baumgahrt (2009)  onde aplicaram  a  Crochetagem em um  atleta  de  remo de  alto  rendimento,  observou  que  devido  ação mecânica do gancho houve  restauração da  mobilidade, da capacidade contrátil e  da  ADM, com consequente aumento da flexibilidade muscular.

Outro estudo, que da mesma maneira atuou devolvendo a mobilidade e o aumento da ADM, foi o realizado por Anniboleti et al (2006)  em  que a Crochetagem associada com alongamento foram aplicadas à contratura de  Dupuytren bilateral, o tratamento  teve   duração de  60  dias,  com  sessões de  40  minutos  e  2  vezes por semana.  Após 45 dias o resultado fora recuperação total na mobilidade articular da mão esquerda e parcial da mão direita, bem como, retorno às ( AVD’s) atividades de vida diárias.

Esses estudos descritos confirmam os resultados observados nesta pesquisa, onde as participantes tiveram recuperação da ADM, e com isso, desempenharam as atividades de vida profissional (AVP’s) com  mais conforto, segurança e eficiência, de acordo com relatos das mesmas.

Outro resultado, foi a redução do quadro álgico, encontrado nas participantes, através do gancho. Tal resultado foi encontrado em diversos estudos, como o  realizado  por  Sant’anna  (2004)  no tratamento  de  fascite  plantar  bilateral utilizando somente a  técnica de  Crochetagem, onde  houve  significativa redução do quadro álgico após 10 sessões, sendo que  o indivíduo retornou às atividades de  vida diária, o que  antes estava limitada devido à dor.

Em outro estudo realizado por Silva, Vieira e Santamaria (2008) avaliaram a Crochetagem aplicada em algias generalizadas de 11 pacientes. Foram observadas diminuições significantes em todos os pacientes e em um daqueles reduziu de 8 para 0 ponto na EVA.

Também no estudo realizado por Mello, Baumgarth e Silva (2011)  analisaram  o efeito da Crochetagem  sobre  a  dor  e  ADM na   epicondilite  lateral,  sendo  que   obteve diminuição  significativa  da  dor  (p<0,01)  e  aumento  da  ADM (p<0,01), os autores concluíram que  a técnica se mostrou eficaz para  redução da dor e aumento da ADM, assim como  no nível de atividade funcional.

Mais um resultado desta pesquisa foi a hiperemia superficial e vasodilatação profunda, auxiliando na retirada dos metabólitos e melhorando a  nutrição tecidual. Mesmo não realizando nenhum exame específico, podemos afirmar, com base em estudos e na observação visual.  Um desses estudos foi o realizado por Nascimento (2007) avaliou as alterações no diâmetro das arteríolas nos tendões de ratos após a técnica da Crochetagem, demonstrando que houve  uma vasodilatação profunda, aumentando a  irrigação sanguínea, temperatura local, nutrição do  tecido, aporte de oxigênio  e  mostrou  também  que   a  cada 20  segundos  de  fricção  no  tecido são produzidos cerca de  50 minutos de  hiperemia profunda, auxiliando na eliminação dos metabólitos.

O objetivo específico de analisar os efeitos logo após aplicação foram muito satisfatórios, mostrando  em  ambos  que   uma   das participantes  alcançou  8cm  de aumento de flexibilidade com apenas uma sessão de Crochetagem.

Tais resultados foram corroborados pelos encontrados na pesquisa de Barbosa e Junior (2012), onde aplicaram uma  única sessão de Crochetagem Fisioterapêutica na  fáscia tóraco-lombar e isquiotibiais em  grupo  de  20 mulheres jovens e saudáveis. A média pré-aplicação foi de 23,1 cm e imediatamente após aplicação de 29,4 cm. Os autores concluíram que a técnica foi efetiva no ganho de flexibilidade, onde houve aumento  significativo  na  ADM imediatamente  após a  aplicação  da Crochetagem, inclusive com melhora estatisticamente significante.

Os resultados desta pesquisa foram semelhantes aos encontrados na pesquisa descrita anteriormente, em termos de ganho de flexibilidade, onde as participantes obtiveram ganhos na ADM analisada logo após aplicação da Crochetagem.  A diferença entre esta pesquisa e a de Barbosa e Junior (2012) foi a inclusão de mais um teste de avaliação da flexibilidade, qual seja, o T3DC, além do número da amostra e da alta significância.

Em relação ao outro objetivo específico de analisar os efeitos tardios após aplicação, os resultados foram satisfatórios e surpreendentes, visto que a média do TSA sofreu mínima atenuação de 0,2 cm, enquanto, que o T3DC teve  um aumento de 0,2 cm. Para efeitos de comparação, um estudo realizado por Barbosa e Junior (2012) que aplicaram uma única sessão de Crochetagem na fáscia tóraco-lombar e isquiotibiais em grupo de 20 mulheres jovens e saudáveis, onde mostraram que após 7 dias houve   perda da  flexibilidade nos músculos em  comparação aos resultados obtidos logo após a aplicação da  técnica, voltando aos mesmos valores encontrados antes da mesma. Os fatores que podem ter assistidos na manutenção dos resultados foram a reavaliação de 3  dias  após,  e  não  7  dias,  e as atividades  laborais desempenhadas pelas participantes desta pesquisa.

Com dito no parágrafo anterior, um fator a ser considerado são atividades laborais  desenvolvidas pelas participantes. Um dos critérios de inclusão nesta

pesquisa foram justamente as funções desse labor, ou  seja, de  zeladora, onde  os músculos (isquiotibiais e paravertebrais, principalmente) estão em constante ativação, atuando  por   meio  de   contrações  isotônicas  concêntricas  (extensão  do   tronco), excêntricas  (flexão  de  tronco),  e  por  vezes em  alongamento,  por  exemplo,  quando uma  colaboradora  desta função  está  realizando  a  limpeza  do  chão  de  determinada sala, precisa por várias vezes fazer em uma flexão de tronco associada com flexão de quadril,  talvez  uma  leve  flexão  de  joelho  para  reduzir  a  tensão nos isquiotibiais,  ou seja, para  “afrouxá-los”, devido à dor que  surge na parte  posterior da coxa,  sendo que estes geralmente se encontram encurtados. Uma vez liberadas as estruturas através do gancho, traz alívio do  desconforto,  aumento  da   ADM,  melhora  da   irrigação sanguínea e do rendimento funcional com eficiência.

Isso não exclui que o tratamento com a técnica deve manter regularidade, que segundo Magnusson et al. (2008)  apud Barbosa e Junior (2012)  observaram que  as propriedades visco elásticas retornam à condição basal dentro  de aproximadamente 1 hora  após aplicação de alguma técnica de alongamento, contudo, os resultados desta pesquisa mostraram divergência, conforme discutido nos parágrafos anteriores.

O objetivo específico referente à comparação entre a Crochetagem e o alongamento ativo livre em relação ao desconforto percebido mostrou resultados satisfatórios, sendo que não foram relatadas dores após aplicação da técnica. Porém tais resultados já eram esperados, visto que não foram encontrados na literatura, estudos específicos avaliando o grau de dor após utilização da Diafibrólise Percutânea. Não obstante, Borges (2010) afirmou que as etapas de palpação digital e instrumental são indolores, isso se o terapeuta respeitar a metodologia de aplicação. Porém, dependendo do estado fibroso do tecido uma leve  sensação dolorosa  pode ser sentida durante as etapas de fibrólise ou raspagem.

Uma observação é que 3 dias após aplicação uma  participante relatou dor  na região  lombar  atribuindo  valor  de  2 na  EVA, mas não  podemos afirmar  de  imediato que  tenha sido causada pela técnica, visto que  a  participante pode  ter  lesionado a região lombar no  decorre dos 3 dias subsequentes,  também não  podemos excluir a possibilidade de aplicação de tensão excessiva do gancho, sendo que  a aplicação foi executada pelo mesmo pesquisador em todas as participantes.

Já o alongamento ativo livre apresentou desconfortos por todas as participantes. Em uma revisão bibliográfica de Halbertsma e Goeken (1994)  apud Almeida et  al. (2009),  onde observaram que  o alongamento  em  isquiotibiais encurtados, realizados

por  quatro   semanas,  duas vezes ao  dia,  10  minutos  de  cada vez,   não   mostrou diferença no comprimento das fibras musculares e sim um aumento na  tolerância do indivíduo ao alongamento.  Sendo assim, não alterou a plasticidade das fibras musculares, e sim, elevou o limiar de dor através do alongamento.

Duas observações importantes devem ser feitas quanto ao alongamento, a primeira é que uma  das participantes não  mostrou aumento da dor nem  antes e nem depois do alongamento ativo livre, mantendo o valor 8 na  EVA. A segunda é que em outra participante houve redução da dor após alongamento, demonstrando um de seus efeitos, que para Godinho, Cordeiro e Coimbra (2011), são diminuição do estresse e tensão, relaxamento muscular, aumento do fluxo sanguíneo, diminuição da dor e irritabilidade muscular.

Enfim, devido o reduzido tamanho da amostra e da carente base literária, mais estudos devem ser realizados, principalmente para um melhor esclarecimento sobre os efeitos tardios, que por  ventura, venham a  ocorrer,  e  não  somente em  pacientes com restrições da ADM, mas em outras patologias, gêneros e idades.

Conclusão

A técnica de Diafibrólise Percutânea mostrou grande eficácia, de acordo com os objetivos propostos por este estudo, no tratamento para aumentar ADM associada de flexão tóraco-lombar e quadril, tanto com efeitos imediatos, como com efeitos tardios. Além disso, também obteve êxito na redução de algias que afetam o sistema musculoesquelético, aumento da irrigação sanguínea, redução de edema, entre outras. Outro fator que colabora com a técnica é ausência do desconforto durante e após aplicação.

A Crochetagem não requer conhecimento complexo e nem alto investimento financeiro, devido isto, e ao alcance de seus resultados, coloca-se como uma ferramenta imprescindível na atuação fisioterapêutica, auxiliando este profissional a atingir seus objetivos no tratamento.

Por fim, mais estudos devem ser realizados para fortalecer a literatura, mas principalmente, para um melhor esclarecimento sobre os seus efeitos e benefícios, com  ênfase  nos tardios,  que  por  ventura, venham a  ocorrer. Ademais devem ser estudados não somente em  pacientes com restrições da  ADM,  mas  em   outras patologias, gêneros e idades diferentes das deste estudo em questão.

Referências

ALMEIDA, P.H.F.;  BARANDALIZE, D.; RIBAS, D.I.R.; GALLON, D.; MACEDO, A.C.B.; GOMES,  A.R.S.  Alongamento muscular: suas implicações na  performance e na prevenção  de   lesões.  Fisioterapia  Mov., Curitiba,  v. 22, n. 3, jul./set. 2009. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/rbfis/v12n2/a03v12n2.pdf> Acesso em: 03 mar. 2014.

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[1] Fisioterapeuta Especialista em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica – UNIRON (RO), Docência do Ensino Superior – METROPOLITANA (RO), Fisioterapia Neurofuncional – INSPIRAR (PR),

[2] Bacharéis em Fisioterapia pelas Faculdades Integradas Aparício Carvalho-FIMCA;

[3] Bacharéis em Fisioterapia pelas Faculdades Integradas Aparício Carvalho-FIMCA;

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