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Limitações de pacientes portadores de transtorno da falta de atenção com hiperatividade: uma revisão integrativa

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CONTEÚDO

ESTADO DA ARTE

JULIANI, Joseane do Nascimento [1], LUCIANO, Cristiana da Costa [2]

JULIANI, Joseane do Nascimento, LUCIANO, Cristiana da Costa. Limitações de pacientes portadores de transtorno da falta de atenção com hiperatividade: uma revisão integrativa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 02, Vol. 01, pp. 159-172. Fevereiro de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) tem como características a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade persistente e inapropriada para a idade. O objetivo do nosso trabalho foi avaliar a produção científica acerca das complicações e limitações de pacientes com transtorno da falta de atenção com hiperatividade. Para isso, foi realizada a revisão integrativa da literatura com o intuito de reunir, analisar e sintetizar os estudos existentes sobre a temática proposta, publicados entre 2010 e 2016. A base de dados acessada foi a Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), com os descritores “transtorno da falta de atenção com hiperatividade”, “transtorno de déficit de atenção e Hiperatividade (TDAH)”, “destreza motora” e “desempenho psicomotor”. Os resultados obtidos após a análise evidenciaram que o indivíduo com TDAH sofre com algumas comorbidades que podem ser evitadas ou amenizadas quando há diagnóstico precoce e acompanhamento correto. Além disso, podemos concluir que indivíduos com TDAH têm seu aprendizado prejudicado e a coordenação motora é inferior em comparação a indivíduos sem TDAH.

Palavras-chave: Transtorno da falta de atenção com hiperatividade, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Destreza motora, Desempenho psicomotor.

INTRODUÇÃO

O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é uma disfunção neurológica que leva a distúrbios emocionais, comportamentais, perceptivos e motores, tendo mais incidência em crianças e adolescentes (RODRIGUES; NASCIMENTO; PALÁCIO, 2011) e apresentando, como características centrais do TDAH, a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade (KLEIN; LAMPRECHT 2012).

O desenvolvimento desse transtorno no indivíduo, segundo Anflor (2014), pode ser associado às complicações durante a gravidez e o parto, sendo eles hemorragia pré-parto, duração prolongada do parto, sofrimento fetal e baixo peso ao nascer. Além das associações supracitadas, podemos demonstrar os fatores ambientais, que também podem acarretar o desenvolvimento do TDAH, como pobreza, baixo nível de educação materna, desentendimentos familiares, presença de transtornos mentais em pais, filhos de pais solteiros, conflito paternal crônico e abuso sexual.

Com o desenvolvimento do transtorno, o paciente apresenta alterações cognitivas e comportamentais, principalmente no fator emocional. Esses pacientes apresentam hiperexcitabilidade, baixa autoestima, fraco desempenho acadêmico, dificuldades nas relações sociais, familiares e financeiras (ANFLOR, 2014).

Conforme Silva (2013), o diagnóstico do TDAH é clínico e baseado em dois sistemas, o primeiro a classificação internacional de doenças (CID-10) e o segundo o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV). No DSM-IV, o transtorno é subdividido em: predominante desatento, predominante hiperativo/impulsivo e predominante combinado, que seriam os dois anteriores associados.

Após o diagnóstico, os trabalhadores da área da Saúde (TAS) desempenham um papel-chave na gestão de cuidados às crianças com TDAH. Deles se requer cuidadosa anamnese, utilização de escalas de avaliação padronizadas, muita atenção ao comportamento do paciente e relatórios dos informantes. Esses TAS têm um importante papel ao desenvolverem em estratégias para alcançar os objetivos voltados aos cuidados com os pacientes e familiares tanto em casa como na escola (ANFLOR, 2014).

Frente ao exposto, nossa revisão integrativa justifica-se pela necessidade de ter conhecimento voltado às complicações e limitações de pacientes portadores de TDAH, sendo de suma importância que o TAS enfermeiro seja inserido, de forma prioritária, na atenção voltada à assistência aos pacientes e aos seus familiares. Contudo, surge a seguinte problemática: quais as complicações e limitações do paciente portador de TDAH? Os TAS estão preparados para ofertar assistência a esses pacientes? As escolas sabem lidar com estudantes portadores de TDAH?

OBJETIVO

Identificar produção científica acerca de assistência, complicações e limitações dos pacientes portadores de transtorno da falta de atenção com hiperatividade.

REVISÃO DA LITERATURA

A Associação Americana de Psiquiatria, através do DSM-IV, define TDAH como um padrão persistente de desatenção e/ ou hiperatividade (SIQUEIRA; GIANNETTI, 2011), em que a desatenção, frequente nesses indivíduos, afeta diretamente o desenvolvimento do autocontrole. Existem crianças com TDAH identificadas apenas como desatentas ou hiperativo-impulsivas, mas a maioria corresponde ao tipo combinado, cerca de 62% (JOU et al., 2010).

Em pesquisas realizadas mundialmente, a prevalência do transtorno é de 5% (JACOBSEN, 2016), entretanto, no Brasil, essa porcentagem está entre 3,5% e 8,0%, em ambos os sexos (MAINARDES, 2010).

Esse transtorno é diagnosticado utilizando os critérios do sistema DSM-5 (Quadro 1, a seguir), que colhe informações junto aos professores e pais, por meio de clínica. Ao apresentar os sintomas, a criança é monitorada por 6 (seis) meses, dentro dos quais se analisa seu desempenho acadêmico e/ou social, a desatenção e a hiperatividade/impulsividade.

Quadro 1Sintomas de TDAH e com suas respectivas características

Desatenção
Falha para prestar atenção a detalhes
Dificuldade para manter a atenção sustentada nas tarefas
Frequentemente parece não escutar quando se fala diretamente com ele(a)
Frequentemente não segue instruções ou falha na finalização de tarefas
Tem dificuldade para organizar tarefas ou atividades
Frequentemente perde coisas necessárias para a realização de tarefas
É facilmente distraído por estímulos externos
É frequentemente esquecido em atividades diárias
Hiperatividade
Mexe os ombros com frequência ou se move na cadeira
Levanta-se da cadeira na sala de aula
Levanta-se em outros locais onde se espera que permaneça sentado
Corre ou sobe excessivamente nas coisas
Tem dificuldade de brincar calmamente
Está frequentemente “a ponto de” “e parece” ligado a um motor
Fala excessivamente
Impulsividade
Explode em respostas antes das questões serem completas
Tem dificuldade em esperar a vez
Frequentemente interrompe os outros

Fonte: Adaptado de http://www.scielo.br/img/revistas/jped/v80n2s0/s0a08t01.gif.

Frente aos critérios analisados no quadro anterior, segundo Correia (2014), são necessários, para fechar o diagnóstico de TDAH, seis ou mais critérios de cada alteração observada, tais como desatenção, hiperatividade e impulsividade.

Após o diagnóstico positivo, é preciso começar o tratamento para que o indivíduo consiga melhorar seu desempenho na escola e seu relacionamento com a família e a sociedade. O tratamento do TDAH é realizado por meio de medicamento e com equipe multiprofissional, sendo o medicamento utilizado a Ritalina R, que pode causar efeitos colaterais como nervosismo, insônia, perda de apetite, ansiedade e aumento da pressão arterial (TASSOTTI, 2015).

Mesmo com o tratamento, os indivíduos apresentam complicações e limitações que prejudicam seu cotidiano, sendo elas: relacionamento interpessoal (SOUZA; FRIGHETTO; SANTOS, 2013); realização de tarefas diárias (MAINARDES, 2010); funções cognitivas (FONTES; FISCHER 2014); dificuldade escolar (SOUZA; FRIGHETTO; SANTOS, 2013; ALVES; ESTARLINO; MIRANDA, 2014); associação com outros transtornos e comorbidades (SILVA, 2013).

Conforme Mainardes (2010), os indivíduos com TDAH não prestam atenção a detalhes e, assim, cometem erros nos trabalhos escolares e nas tarefas diárias, tampouco conseguem atender todas as solicitações ou instruções passadas por professores ou familiares, comprometendo os trabalhos realizados e dificultando as tarefas que exigem planejamento.

Essa dificuldade em planejar e executar tarefas se deve à alteração na função executiva, entretanto, as funções cognitivas também apresentam alterações, acarretando deficiência de percepção, atenção, memória e linguagem (FONTES; FISCHER, 2014). A função cognitiva alterada nesse indivíduo está diretamente relacionada à dificuldade de aprendizagem, onde a paciência faz toda a diferença para o sucesso escolar (SOUZA; FRIGHETTO; SANTOS, 2013).

O sucesso escolar é difícil e/ou demorado pela dificuldade em aprender, principalmente na fase inicial da escolarização, na qual o mau desempenho é justificado por estudos incompletos, necessidade de reforço, repetências e expulsões (ALVES; ESTARLINO; MIRANDA, 2014).

Sendo assim, é fundamental, conforme Silva (2013), que os profissionais delimitem o que são prejuízos advindos do próprio transtorno e aqueles relativos à presença de comorbidades. Estima-se que 80% dos pacientes apresenta, na fase adulta, alguma comorbidade e que aproximadamente 56% dos indivíduos têm no mínimo dois outros transtornos, o que provoca um impacto na apresentação clínica do TDAH.

METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa, com a finalidade de reunir e sintetizar evidências científicas sobre delimitado tema, de maneira sistemática e ordenada, aprofundando o conhecimento a respeito do tema investigado, permitindo a síntese de múltiplos estudos e conclusões gerais a respeito de uma área particular. A revisão integrativa é dividida nas seguintes etapas: estabelecimento do objetivo, estabelecimento dos critérios para a seleção da amostra, definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados, análise das evidências, apresentação e discussão dos resultados (MARTINATO et al., 2010).

Foi realizada uma busca na base de dados da Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), sendo utilizados os descritores “ciência da saúde (DeCs)”, “transtorno da falta de atenção com hiperatividade”, “transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)”, “destreza motora” e “desempenho psicomotor”, sendo pesquisados de forma isolada.

Os critérios de inclusão utilizados foram artigos escritos em português, abordados durante o ano de 2010 a 2016 e disponíveis na íntegra. Para os critérios de exclusão foram abordadas publicações em teses, monografias, dissertações, livros e artigos que não abordavam a nossa temática.

A busca pelos artigos ocorreu no mês de março de 2016 e, primeiramente, realizou-se a leitura do título, selecionando somente aqueles que se enquadravam na temática. Em seguida, realizou-se a leitura do resumo do material selecionado, verificando quais respondiam a nossa hipótese de pesquisa. Após essa etapa, realizou-se a leitura completa de cada artigo selecionado e a categorização frente às temáticas abordadas, sendo comorbidades da TDAH e desempenho de paciente com TDAH.Com a leitura, verificou-se que TDAH e transtorno da falta de atenção com hiperatividade tinham artigos em comum, sendo ambos abordados de forma agrupada.

A análise dos dados extraídos foi computada em uma planilha e, depois, realizada de forma descritiva, permitindo avaliar as evidências, identificar a necessidade de investigações futuras acerca da temática e oferecer fundamentos para a prática profissional.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Nossa busca resultou em vários artigos (ver Gráfico 1), tendo sido a pesquisa realizada de forma isolada através dos DeCS.

Gráfico 1 – Relação de artigos encontrados na busca de dados LILACS por meio dos DeCS

Fonte: Dados da pesquisa.

Frente aos artigos encontrados, realizamos uma análise intensa, que resultou em nove artigos que abordavam a nossa temática, sendo classificados em duas temáticas, sendo dois artigos (22,2%) para as comorbidades do TDAH e sete artigos (77,7%) para desempenho de pacientes com TDAH, conforme Gráfico 2.

Gráfico 2 – Representação dos artigos selecionados e categorizados por temática

Fonte: Dados da pesquisa.

Para a divisão dos artigos em temática, construímos uma planilha para computar os dados achados e agrupar a similaridade (ver Quadro 2).

Quadro 2 – Demonstração dos artigos divididos em suas temáticas

N Nome do Artigo Autor/Ano DeCS Objetivo Evidências científicas
Temática 1 – Comorbidades do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade
1 Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, comorbidades e situações de risco. REINHARDT

;

REINHARDT

, 2013.

TDAH Verificar situações de urgência em pacientes com TDAH. Pacientes com TDAH possuem um risco maior de ter urgências médicas e transtornos associados.
2 Repercussões do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) na experiência universitária. OLIVEIRA; DIAS, 2015. TDAH Verificar de que forma o diagnóstico do TDAH interfere na vida acadêmica de estudantes universitários. Estudantes com TDAH apresentam dificuldade em habilidades de organização e comprometim ento da memória.
Temática 2 – Desempenho de pacientes com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade
3 Coordenação motora fina de escolares com dislexia e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. OKUDA et al., 2011a. TDAH Caracterizar os achados cognitivos linguísticos e a neuroimagem de escolares disléxicos, com TDAH e bom desempenho escolar. Escolares com TDAH apresentaram dificuldade na coordenação espacial.
4 Há relação entre desenvolvimento psicomotor e dificuldade de aprendizagem? Estudo comparativo de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, dificuldade escolar e transtorno de aprendizagem. CARVALHO;

Ciasca; Rodrigues, 2015.

TDAH Avaliar o desempenho psicomotor de crianças com transtorno de aprendizagem (TA), dificuldade escolar (DE) e TDAH. Constatou-se que o grupo TDAH teve o pior desempenho em algumas habilidades.

(continua)

(Continuação do Quadro 2)

N Nome do Artigo Autor/Ano DeCS Objetivo Evidências científicas
5 Função motora fina, sensorial e perceptiva de escolares com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. OKUDA et al., 2011b. TDAH Caracterizar e comparar as funções motora fina, sensorial e de perceptiva com escolares TDAH. Escolares com TDAH apresentaram atraso no desenvolvime nto da coordenação motora fina, sensorial, perceptiva e disgrafia.
6 Desempenho de escolares com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em tarefas metalinguísticas e de leitura. CUNHA et al., 2013. TDAH Caracterizar o desempenho de escolares com TDAH em tarefas metalinguísticas e de leitura. Escolares com TDAH apresentam desempenho inferior nas tarefas mais complexas.
7 Percepção viso-motora de escolares com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade.

 

GERMANO et al., 2013. TDAH Caracterizar as habilidades de percepção viso-motor de escolares com TDAH. Escolares deste estudo apresentam alterações de percepção viso-motor.
8 Desempenho cognitivolinguístico e achados de neuroimagem de escolares com dislexia, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade.

 

CAPELLINI et al., 2011. TDAH Descrever e comparar o desempenho da coordenação motora fina em escolares com dislexia e TDAH. Escolares com TDAH apresentam dificuldades para acionar processamento visual refinado.
9 Desempenho motor de escolares com e sem transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH).

 

SILVA et al., 2012. DP Comparar o desempenho motor de escolares com e sem indicativo de TDAH. Os escolares com TDAH tiveram um desempenho pior nos testes motores.

* DP = Desempenho Psicomotor Fonte: Dados da pesquisa.

Temática 1 – Comorbidades do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade

Na nossa primeira temática, será discutido quais são as comorbidades que os pacientes com TDAH podem apresentam e qual é a consequência que elas acarretam no indivíduo. É de suma importância para os TAS, para a educação e pra os familiares conhecerem sobre esse assunto, pois, assim, a criança poderá ter um melhor acompanhamento, o que favorecerá seu desenvolvimento.

Pacientes com TDAH possuem mais risco de ferimentos acidentais e problemas de trânsito. Reinhardt e Reinhardt (2013) apontam a associação que homens jovens com o transtorno têm com suicídio, condição que aumenta em pacientes com comorbidades, particularmente com transtorno de conduta e depressão. Pacientes mulheres com TDAH apresentam um risco de até 3,6 vezes maior de ter transtornos alimentares em relação a mulheres que não tem TDAH.

Universitários com TDAH apresentam algumas limitações, conforme Oliveira e Dias (2015), sendo que os próprios acadêmicos acreditam e afirmam terem limitações em planejar tarefas e realizá-las, na gestão de tempo e dos prazos pré estabelecidos para elas. Afirmam, ainda, terem dificuldades em evitar distrações no ambiente universitário, o que prejudica os estudos e a obtenção de boas notas.

Os dois estudos apresentam comorbidades que o indivíduo com TDAH pode apresentar ao longo da sua vida. Por esse motivo, familiares e TAS precisam dar importância aos pequenos sinais que a criança e/ou adolescente apresente, pois, por meio dessa conduta, podemos prevenir que o quadro se agrave e prejudique a sua vida pessoal, estudantil e profissional.

Temática 2 – Desempenho de pacientes com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade

Nesta segunda temática, abordamos o desenvolvimento acadêmico e motor de pacientes com TDAH, suas dificuldades e as áreas neles afetadas.

O desenvolvimento da coordenação motora fina apresenta um atraso em escolares com TDAH em relação aos que não apresentam o transtorno (OKUDA et al., 2011a). Complementando o estudo anterior, Okuda et al. (2011b) afirmam que os escolares com TDAH apresentam atraso no desenvolvimento da coordenação fina, mas também no desenvolvimento sensorial, perceptivo e disgrafia. Para Silva et al. (2012), o motivo desse atraso é consequência da dificuldade de aplicar força constante e invariável nos movimentos pelas crianças que apresentam o transtorno.

Segundo Capellini et al (2011), os indivíduos com TDAH apresentam uma hipo-ativação na região frontal, acarretando um déficit nas funções executivas, sendo as funções mais prejudicadas a leitura e a escrita.

Conforme Germano et al. (2013), os pacientes também apresentam alterações de percepção viso-motor. Cunha et al. (2013) acreditam que isso acontece pelo fato de o processamento das informações auditiva e visual ser prejudicada nesse indivíduo, devido à desatenção, um dos sintomas do transtorno (CUNHA et al., 2013).

Conforme Carvalho, Ciasca e Rodrigues (2015), o indivíduo com TDAH pode apresentar prejuízo no desempenho acadêmico e social pelo comprometimento na aquisição e aprendizagem da linguagem escrita.

Ambos os estudos apresentam alterações no desenvolvimento do indivíduo. O desenvolvimento da coordenação motora fina é o mais prejudicado, dificultando, portanto, ações simples como a escrita. Isso acontece pela hipo-ativação na região frontal. O indivíduo pode apresentar prejuízo no processamento da informação auditiva e visual, trazendo para o indivíduo um prejuízo na vida acadêmica e social.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O TDAH é um transtorno que deve ser mais estudado e repassado para a sociedade, pois muitos ainda o desconhecem e, por esse motivo, os familiares e profissionais de educação e de saúde não oferecem a assistência necessária e até julgam e castigam o indivíduo, sem entender que não é “birra” ou “má criação”, e sim alguém que precisa de ajuda e acompanhamento especializado.

O diagnóstico do TDAH deve ser realizado por profissionais capacitados e de maneira mais precoce possível, por meio de anamnese com uso de escala, que é de fácil acesso e fundamental para confirmar o diagnóstico. Após essa confirmação dos danos que o TDAH cause na vida social e/ou escolar do indivíduo, é oferecido o tratamento terapêutico e/ou medicamentoso, lembrando que cada indivíduo tem seu tratamento direcionado aos danos próprio dele e, por isso, é individualizado.

Os TAS e de educação devem trabalhar os déficits desse indivíduo para que seja possível amenizá-los ou eliminá-los em alguns casos. Desse modo, o indivíduo pode ter uma vida mais próxima da normalidade, sem grandes prejuízos nas diversas áreas afetadas. Esse paciente deve ter acompanhamento multiprofissional (médicos, enfermeiros, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psicopedagogo, entre outros). Como o tratamento é individualizado, ele só será acompanhado por aqueles que supram a sua necessidade.

Foi encontrado somente um artigo abordando a assistência de enfermagem no paciente com TDAH. Isso mostra o déficit de estudos, conhecimentos e interesse por parte dos profissionais da enfermagem em saber mais sobre o indivíduo, pois um dos princípios é o cuidado integral, biopsicossocial. Os enfermeiros precisam pesquisar mais sobre o assunto e realizar trabalhos sobre o tema para conseguirem acompanhar e realizar sua assistência com perfeição.

O enfermeiro deverá ter capacidade de identificar, acompanhar e orientar a família e os TAS, bem como os trabalhadores de educação. Ainda, é preciso que seja capaz de treinar a equipe de enfermagem e ministrar palestras para o corpo docente e os alunos, pois assim levará conhecimento, e isso propiciará que o preconceito que ainda existe com crianças e adolescentes com TDAH seja possivelmente eliminado ou amenizado, visto que eles precisam de amor, atenção, cuidado e tratamento, e não de julgamentos.

REFERÊNCIAS

ALVES, L. M.; ESTARLINO, P. R.; MIRANDA, R. S. S. A concorrência entre transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e transtorno de aprendizagem em escolares. Revista Tecer, Belo Horizonte, v. 7, n. 13, s/p, nov. 2014.

ANFLOR, E. P. Cuidados de enfermagem à criança e adolescente com transtorno de atenção e hiperatividade: uma revisão integrativa. 2014. 31f. Monografia (Graduação em Enfermagem) – Escola de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre- RS, 2014.

CAPELLINI, S. P. et al. Desempenho cognitivo-linguístico e achados de neuroimagem de escolares com dislexia, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde, Marília-SP, v. 36, n. 3, p. 144-9, set./dez., 2011.

CARVALHO, M. C. C.; CIASCA, S. M.; RODRIGUES S. D. Há relação entre desenvolvimento psicomotor e dificuldade de aprendizagem? Estudo comparativo de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, dificuldade escolar e transtorno de aprendizagem. Revista Psicopedagogia, Campinas- SP, v. 99, n. 32, p. 293-301, 2015.

CORREIA, C. T. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH): entre o diagnóstico e o desejado controle dos corpos. 2014. Graduação (Monografia) –. UNIVATES, Lajeado- RS, 2014.

CUNHA, V. L. O. et al. Desempenho de escolares com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em tarefas metalinguísticas e de leitura. Revista CEFAC, São Paulo, v. 15, n. 1, p. 40-50, jan./fev. 2013.

FONTES, M. A.; FISCHER, P. C. Neuropsicologia e as funções cognitivas. Disponível em: <http://www.plenamente.com.br/artigo/66/neuropsicologia-asfuncoes-cognitivas.php#.V0RIoTUrLcf>. Acesso em: 24 maio. 2016.

GERMANO, G. D. et al. Percepção viso-motora de escolares com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. CoDAS, Marília- SP, v. 25, n. 4, p. 41- 337, ago. 2013.

JACOBSEN, G. M. Funções executivas na infância: impacto de idade, sexo, tipo de escola, escolaridade parenteral e sintomas de desatenção e hiperatividade. Tese (Doutorado) – Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre- RS, 2016.

JOU, G. I. et al. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade: um olhar no ensino fundamental. Revista Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre- RS, v. 1, n. 23, p.29-36, 2010.

KLEIN, A. I.; LAMPRECHT, R. R. A compreensão em leitura e a consciência fonológica em crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Revista Signo, Santa Cruz do Sul, v. 37, n. 63, p. 25-54, jul.-dez. 2012.

MAINARDES, S. C. C. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade na infância e adolescência pela perspectiva da neurobiologia. Revista saúde e pesquisa, Maringá, v. 3, n. 3, p. 385-391, set./dez. 2010.

MARTINATO, M. C. N. B. et al. Absenteísmo na enfermagem: uma revisão integrativa. Revista Gaúcha Enfermagem, Porto Alegre-RS, s/v, s/n, s/p, mar. 2010.

OKUDA, P. M. M. et al. Coordenação motora fina de escolares com dislexia e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. Revista CEVAC, São Paulo, v. 13, n. 5, p. 876-885, set./out. 2011a.

OKUDA, M. M. P. et al. Função motora fina, sensorial e perceptiva de escolares com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Marília- SP, v. 23, n. 4, p. 7-351, 2011b.

OLIVEIRA, C. T.; DIAS, A. C. G. Repercussões do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) na experiência universitária. Revista Psicologia: Ciência e profissão, Rio Grande do Sul, v. 35, n. 2, p. 613-629, 2015.

REINHARDT, M. C.; REINHARDT, C. A. U. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, comorbidades e situações de risco. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 89, n.2, p. 124-130, mar. 2013.

RODRIGUES, F. C. A. B. M. R.; NASCIMENTO, A. D. M.; PALÁCIO, S. M. Avaliação

psicomotora em crianças com e sem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. VII EPCC, Maringá-Paraná, 2011.

SIQUEIRA, C. M.; GIANETTI, J. G. Mau desempenho escolar: uma visão atual. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 57, n. 1, p. 78-87, 2011.

SILVA, J. et al. Desempenho motor de escolares com e sem transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). ConScientiae Saúde, Florianópolis, v. 1, n. 1, p. 7684, ago. 2012.

SILVA, K. O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade: um recorte da produção científica recente. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013.

SOUZA, V. M. ; FRIGHETTO, A. M.; SANTOS, J. C. Refletindo sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade na Educação Infantil e Séries Iniciais. Revista Narrativa, Mato Grosso, v. 1, n. 2, s/p, 2013.

TASSOTTI, C. TDAH: diagnóstico diferencial e tratamento. Ijuí: Unijuí, 2015.

[1] Graduada em enfermagem.

[2] Professora orientadora de TCC, Enfermeira, Mestre em Genética pela Universidade Pontifícia de Goiás (PUC/GO), Doutoranda em Enfermagem pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

Enviado: Janeiro, 2018

Aprovado: Fevereiro, 2019

 

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