Religiosidade, espiritualidade, psicopatologia, esquizofrenia

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ARTIGO DE REVISÃO

SILVA, Alcimar Guedes da [1], CINTRA, Sergio Paulo Vianna [2], MATOS, Elizabeth Santos de [3]

SILVA, Alcimar Guedes da. CINTRA, Sergio Paulo Vianna. MATOS, Elizabeth Santos de. Religiosidade, Espiritualidade, Psicopatologia, Esquizofrenia. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 06, Vol. 09, pp. 153-165. Junho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

A religiosidade e a espiritualidade vêm sendo estudadas há muitos anos. Acredita-se que a religião seja uma das expressões mais antigas da alma do ser humano, possuindo grande importância para alguns indivíduos. Isso se dá pelo fato de a espiritualidade humana ser algo inato, ou seja, cada indivíduo desde o seu nascimento já traz consigo sua espiritualidade, acreditando em uma divindade ou uma força além do que ele é, que o faz crer em um sentido e/ou significado de sua existência. Porem com o surgimento das religiões, e das diversas culturas, essa divindade passou a ser nomeada, uns o chamaram de Deus, outros Javé, Jesus, de acordo com a maneira de cada cultura ensinar sua fé. Mas o que se deve entender é: Qual o limite entre a Fé e a obrigação social com a instituição religiosa? Existem pessoas que não conseguem compreender esse limite, e com isso agem de forma exacerbada, o que desencadeia, em alguns casos, uma patologia, ou uma psicose. Quando a religião (de sua escolha) for vivida de forma saudável, o indivíduo aprenderá a se tornar mais centrado, organizando seus pensamentos. Por outro lado, alguns casos de esquizofrenia, quando trabalhamos com esse tipo de pessoa questões como: lidar com suas perturbações, aprenda a se socializar, estar em contato com outras pessoas, também lhe faz muito bem, etc. Sendo assim pode-se acreditar que em determinadas religiões, é possível que pessoas com esquizofrenia possa ter qualidade de vida.

Palavras-chave: Religiosidade, espiritualidade, psicopatologia, esquizofrenia.

INTRODUÇÃO

A espiritualidade e a religião existem desde os primórdios, o texto a seguir pretende abordar assuntos sobre a espiritualidade, religiosidade e Psicopatologia mais especificamente a Esquizofrenia. Acredita-se que o interesse sobre a espiritualidade e a religiosidade sempre existiu no curso da história humana, a despeito de diferentes épocas ou culturas. A religião segundo Wilges (1995) é conjunto de crenças, leis e ritos que visam um poder que o homem, de fato, considera supremo. No dicionário de português, religião é: crença de que existem forças superiores (sobrenaturais), sendo estas responsáveis pela criação do universo; crença de que essas forças sobrenaturais regem o destino do ser humano e, por isso devem ser respeitadas. Ou seja, a religião é composta por dogmas e ritos, onde os seres humanos estão em busca de uma força superior possa lhes trazer conforto e/ou alívio.

A religião, no plano da Terra, é constituída de dois aspectos: o aspecto humano e o aspecto divino. O aspecto humano é a forma com o qual o homem entende a religião e seus dogmas. É sua cultura, sua forma de viver, é o entendimento do que ele tem do aspecto divino da religião. Diante do exposto, lógico perceber que há uma diversidade muito grande de religiões, porque há uma grande diversidade de entendimento entre os homens. O aspecto divino é a grande Lei da Vida, é a vontade de Deus, a harmonia universal, leis imutáveis que regem nossos destinos. De tempos em tempos, nascem seres com a missão de melhorar o entendimento humano para essa grande Lei da Vida, são aqueles que orientam as grandes massas humanas, direcionam seus pensamentos e tornam-se seus líderes espirituais.

Porém, segundo o que esta sendo discutido acima, pode-se perceber o que há de bom na religião e espiritualidade, também observar-se que algumas pessoas têm desenvolvido algumas psicopatologias, na qual será abordada aqui a Esquizofrenia, onde serão discutidas questões benéficas e/ou maléficas que podem se obter através da religião, no caso de uma pessoa predisposta a desenvolver a esquizofrenia.

A importância do tema a ser discutido, é para mostrar a algumas pessoas de pouco conhecimento que ainda nos dias atuais, têm desenvolvido certos tipos de psicopatologia, por se entregarem ao extremo em suas religiões. O texto visa também esclarecer determinadas questões sobre espiritualidade e religiosidade. Assim também como mostrar algumas melhorias, na Esquizofrenia.

O estudo tem como objetivo discutir a questão religiosidade e a espiritualidade, assim também como as questões psicopatológicas, tanto os transtornos mentais, quanto os desenvolvidos pela exacerbação da religião que também, trará um suposto transtorno mental, que poderá se desencadear no decorrer da vida pessoal e social de cada ser humano.

E também mostrar que algumas psicopatologias podem se desenvolver em um ambiente religioso, assim também podem se obtiver melhoras através da espiritualidade, desde que a pessoa na qual usa dessa espiritualidade faça usa de forma consciente.

Outra questão será discutida em que sentido a religiosidade e a espiritualidade podem ajudar algumas pessoas em suas patologias, como no caso da Esquizofrenia, que por sua vez se for praticadas de forma adequada pode a ajuda-los em seu transtorno de forma que os mesmo possam aprender a encontrar seu centro, e assim obter uma qualidade de vida melhor.

A ideia central a ser focada ao longo do estudo é mostrar que, se pode ter uma qualidade de vida, seguindo uma religião e tendo sua espiritualidade sem abalos desde que, se faça de forma consciente, e não de forma exacerbada, pois essa formar exagerada de se entregar a religião em alguns casos pode fazer com que a pessoa desenvolva alguma psicopatologia.

A pesquisa a seguir se dará em revisões de artigos como já descrito acima e também em observações a serem feitas em campo, como e lugares religiosos onde se pode notar alguma mudança de comportamento nas pessoas para melhor como já dito, ou para pior. Nos casos já descritos como as Psicopatologias as mesmas já especificadas acima.

Este trabalho foi dividido em três tópicos, o tópico 1 aborda espiritualidade e religião, o tópico 2 fala sobre psicopatologia; esquizofrenia e o tópico três apresenta uma metodologia que será utilizado para a discussão texto e livros de Jung falando sobre a espiritualidade e religiosidade, assim também como vídeos como já comentado acima do professor Leonardo Boff, entre outros artigos já escritos onde abordam os assuntos sobre a Esquizofrenia.

O QUE É A ESPIRITUALIDADE E RELIGIOSIDADE NO CONCEITO DE JUNG

Espiritualidade segundo o dicionário é Característica ou qualidade daquilo que é espiritual; a espiritualidade da alma e espiritual seria algo místico. Tudo o que possa demonstrar ou ter fundamento religioso e espiritual (dicionário online de português 2009/2016). O termo espiritualidade apresenta vários significados, no entanto, esse conceito esta ligado ao termo latino “spiritus = espirito” que tem como significado, “cheios de espirito” ou inspirado/animado. Já segundo o professor Leonardo Boff ele diz que:

A função principal da religião, melhor, da espiritualidade é nos religar a todas as coisas e à Fonte donde promana todo o ser, Deus. Esse é o propósito básico de seu grandioso livro Mysterium Coniunctionis (Mistério da Conjunção) que Jung considerava seu opus magnum. Pois nele se trata de realizar a coniuntio, traduzindo, a conjunção do ser humano integral com o mundus unus, o mundo unificado, o mundo do primeiro dia criação quando tudo era um e não havia ainda nenhuma divisão e diferenciação. Espiritualidade significa vivenciar esta situação na medida em que é permanentemente buscada, mesmo que não se deixe apreender e se desloque sempre um passo a frente (BOF 2007, p. 1).

A espiritualidade e a religião existem desde os primórdios, o texto a seguir pretende abordar assuntos sobre a espiritualidade, religiosidade e Psicopatologia mais especificamente a Esquizofrenia. Segundo o professor Leonardo Boff no vídeo espiritualidade e Jung, (2011), ele diz que cabe a Jung o mérito de ter mostrado que espiritualidade não é monopólio das religiões e dos caminhos espirituais […] diz que a espiritualidade e uma dimensão do profundo do humano. Acredita-se que o interesse sobre a espiritualidade e a religiosidade sempre existiu no curso da história humana, a despeito de diferentes épocas ou culturas. Para Jung a espiritualidade, é algo que já nasce com o ser humano, ou seja, a espiritualidade é inata, transcende o humano. Transcender nesse sentido quer dizer que esta além de, e esse conceito pode ser entendido na filosofia. Mas para entender um pouco o pensamento desses filósofos, devemos conhecer alguns mitos, onde cita-se por exemplo: no livro digital, O Mundo de Sofia, mostra uma história nórdica (na Escandinávia) que é de suma importância, que diz respeito a questões espirituais antes do cristianismo, que é a seguinte:

Você certamente já ouviu falar em Thor e seu martelo. Antes de o cristianismo chegar à Noruega, os habitantes daqui acreditavam que Thor cruzavam os céus em uma carruagem puxada por dois bodes. A palavra “trovão” – “torden” em norueguês – quer dizer exatamente “o ruído de Thor”. Em sueco, trovão é “aska”, referindo-se a “jornada dos deuses” pelo céu. […] Quando troveja e relampeja, geralmente também chove, um fenômeno vital para os camponeses da era dos vikings. Por isso Thor passou a ser adorado como deus da fertilidade. A resposta mitológica para a origem da chuva era o agitamento do martelo de Thor. Quando chovia as sementes brotavam e plantação crescia na lavoura. (GAARDER 2012, p. 24).

O trecho acima destacado é para melhor compreender que a espiritualidade transcende, pois como dito nessa historia contada ao povo da Escandinávia através de mitos, mostra claramente que, antes do cristianismo judaico, o povo já acreditava em uma força sobrenatural no caso acima foi nomeado de Thor. Ou seja, Thor era o “Jesus” dos Vikigns, mas o que é importante entender é que, eles já estavam obtendo as respostas que esperavam dessa divindade.

Para Jung a espiritualidade é a exigência fundamental e arquetípica da psique rumo à plena individuação. Para ele o arquétipo de Deus é o que ocupa o centro do self. O seja quando Jung vem falar de uma espiritualidade inata, pode-se ver, por exemplo, as tribos indígenas que, acreditam em uma força sobrenatural e não são adeptos a nenhuma religião, a pergunta é onde aprenderam a adorar seus deuses se não foi levados a eles alguma religião? E é nesse sentido que Jung mostra que a espiritualidade é inata, ou seja, essa vontade de se ligar ao divino nasce com cada um não se faz necessário ter uma religião.

O termo religião vem de latim religio, que significa louvor e referencias aos deuses, que originalmente remonta-se ao universo romano antigo e tem seu significado próximo a algo escrupuloso ou cuidadoso.

Religião é – como diz o vocábulo latino religere – uma acurada e conscienciosa observação daquilo que Rudolf Otto acuradamente chamou de “numinoso”, isto é, uma existência ou um efeito dinâmico não causados por um ato arbitrário. Pelo contrário, o efeito se apodera e domina o sujeito humano, mais sua vítima do que seu criador. Qualquer que seja a sua causa, o numinoso constitui uma condição do sujeito, e é independente de sua vontade (JUNG, 1978, p. 09).

O termo espiritualidade refere-se a todas as formas de religiosidade, Jung, sempre utilizou o conceito religiosidade, isso porque a palavra espiritualidade não era uma palavra da época de Jung como é utilizada nos dias atuais, as palavras de sua época eram religião e religiosidade. Apesar da existência de uma infinidade de religiões, a espiritualidade é apenas uma e a mesma para todo mundo.

As religiões, via de regra, são constituídas por um conjunto de praticas ritualístico, fundamentado em mitos dogmáticos, para os adeptos que não questionam a vida, enquanto a espiritualidade é para quem está desperto em busca de sentido e significado existencial, advindo das experiências e reflexões da relação entre o mundo interior e o mundo exterior. As religiões dominam e reprimem a criatividade infringindo o medo, vergonha, culpa e castigo da danação apontando para perda do paraíso enquanto a espiritualidade possibilita a paz interior, ou seja, confiança e fé no self – que é representado pela imagem de Deus – instancia arquetípica que habita o íntimo de todos os seres humanos. Jung assim encara a religiosidade, como uma atitude do espírito humano, atitude que de acordo com o emprego original do termo religio poderia ser considerada como uma consideração e observação cuidadosa de fatores dinâmicos, que seriam como potencias, que influenciam a consciência e, portanto, na experiência, Jung diz:

“minha opinião é que as religiões se acham tão próximo da alma humana, com tudo quanto elas são e exprimem que a psicologia de maneira alguma pode ignora-las” […] Deus nunca falou com o ser humano senão pela alma e a alma entende, e nós percebemos isso como algo psíquico (2015, p. 16).

O que caracteriza a espiritualidade é, assim, a atitude particular de consciência transformada pela experiência do numinoso. E essas experiências espirituais vão colocar as pessoas em contato com âmbitos situados além da consciência. O importante aqui é saber que Jung, dizia, que a espiritualidade é inata, e o que ele chamava de transcendência é por que para ele antes do homem sempre existiu essa força suprema e depois do homem essa força não deixara de existir, e é movido por essa força que o homem sempre vai buscar um sentido para vida, é onde surge a religião, que estará tentando explicar algumas perguntas básicas que são: De onde vim? Para onde vou? Quem eu sou? Etc. quando se diz que é inato, significa que a pessoa já nasce com essa predisposição (ou seja, o homem traz isso no seu gene que é denominado por Jung de arquétipos), e no decorrer de uma vida social vai se desenvolvendo tais habilidades, no caso da espiritualidade, homem já nasce acreditando nessa força sobrenatural, porem é através da religião que essa força será nomeada; que poderá ser chamado de Deus, Jeová, Buda, Jesus entre outros, que será de acordo com cada religião.

RELIGIOSIDADE E ESQUIZOFRENIA

É importante definir aqui que a religião não traz o mesmo significado que a religiosidade proposta por Jung, aqui irá tratar de dogmas de uma religião qualquer. A religião segundo Wilges (1995) é conjunto de crenças, leis e ritos que visam um poder que o homem, de fato, considera supremo, do qual se julga dependente, com o qual pode entrar em relação pessoal e do qual pode obter favores. As religiões são constituídas por:

      1. Uma doutrina, ou seja, um conjunto de crenças e mitos sobre a origem do cosmos, sobre o sentido da vida, sobre o significado da morte, do sofrimento e do além.
      2. Um conjunto de ritos e cerimônias que empregam e utilizam símbolos religiosos.
      3. Um sistema ético com leis, proibições, regras de conduta, que são mais ou menos claramente expressas e codificadas.
      4. Uma comunidade de fiéis, com diferentes tipos de lideres e sacerdotes, que estão mais ou menos convencidos das crenças e que seguem os preceitos dessa religião (DALGALARRONDO 1995 apud WILGES, 2008, p. 23).

Não serão discutidos aqui aspectos de uma religião especifica, pois as informações aqui contidas são para a discussão sobre esquizofrenia e religiosidade.

Outra questão importante a ser discutido primeiramente é a definição correta da Esquizofrenia.

Espectro da Esquizofrenia e Outros Transtornos Psicóticos incluem esquizofrenia, outros transtornos psicóticos e transtorno (da personalidade) esquizotípica. Esses transtornos são definidos por anormalidades em um ou mais dos cinco domínios a seguir: delírios, alucinações, pensamento (discurso) desorganizado, comportamento motor grosseiramente desorganizado ou anormal (incluindo catatonia) e sintomas negativos. (DSM V digital, p. 128). Porém deve-se atentar-se unicamente ao caso que será discutido que é a Esquizofrenia. Surgem então algumas perguntas, Quais fatores são necessários para se desenvolver esquizofrenia? Uma pessoa saudável pode desenvolver esquizofrenia? O que poderá ocorrer com uma pessoa com esquizofrenia em um ambiente religioso? O esquizofrênico pode levar uma vida normal?

O conceito e a terminologia ligada à antes denominada dementia preacox (que significa demência precoce) surge no final do século XIX.

A esquizofrenia foi inicialmente descrita como doença no final do século XIX pelo psiquiatra alemão Emil Kraepelin. Na época, os pacientes esquizofrênicos eram mantidos em instituições psiquiátricas por longos anos, muitos passavam o resto de suas vidas nos hospitais por não existir um tratamento efetivo a doença. Kraeplin chamou a esquizofrenia inicialmente de demência precoce, pelo fato de acometer pessoas jovens, a maioria na adolescência ou no inicio da vida adulta, e evoluir cronicamente e com degeneração do comportamento. (PALMEIRA; GERALDES; BEZERRA, 2013 p. 49).

O termo esquizofrenia, quem propôs foi o psiquiatra suíço Eugen Bleuler no inicio do século XX. Ele acreditava que o termo demência não seria bem empregado, pois poderia causar confusão com a demência do idoso descrita por Alois Alzheimer (Mal de Alzheimer). Por isso escolheu esse termo que em grego significa mente cindida. Para ele a alteração fundamental na esquizofrenia encontrava-se na incapacidade que os pacientes tinham em associarem seus pensamentos e suas emoções, dando a impressão de uma personalidade fragmentada, contraditória e desestruturada.

Alguns estudos mostram que a esquizofrenia atinge no mundo todo, um percentual mesmo que baixo:

A esquizofrenia é uma das principais doenças mentais e está presente em 1% da população mundial, ocorrendo na mesma proporção em qualquer país do mundo, independente das variações étnicas, ambientais, socioeconômicas e culturais. Outro dado interessante é que a esquizofrenia mantém a mesma prevalência ao longo da história, independente de guerras, catástrofes, epidemias, etc. embora os fatores ambientais não sejam desprezíveis no processo de adoecimento, nenhum deles isoladamente aparece como principal ou determinante. A esquizofrenia é uma doença biológica e, como tal, envolve alterações cerebrais, tanto no nível celular como no químico, acometendo diferentes funções do psiquismo. É errado, portanto, atribuir-se à esquizofrenia causas ou explicações puramente psicológicas, como resultado de traumas, de frustações, ou do estresse. A causa da esquizofrenia é multifatorial, ou seja, engloba fatores genéticos e ambientais (PALMEIRA; GERALDES; BEZERRA, 2013 p. 51).

Essa colocação dos autores já é capaz de explicar nossa segunda pergunta que é se uma pessoa saudável pode desenvolver esquizofrenia? Como eles colocam os dois fatores tanto o genético quanto ambiental deve ocorrer juntos para que haja adoecimento, ou seja, fatores genéticos e ambientais têm a mesma importância. Significa que isoladamente nenhum deles irá determinar a doença.

Percebem-se alguns níveis de alucinações na esquizofrenia, onde pode ocorrer em alguns casos somente um episódio ou surto, que será possível uma intervenção, e em alguns casos pode ocorrer mais de um episódio, ou um episódio profundo onde não será possível intervir, devido estar em um estado muito agudo. Entretanto, aqueles com uma evolução crônica da doença, que sofrem continuamente ou com crises sucessivas, mal controladas, em geral não recuperam um funcionamento normal e necessitarão de tratamento e acompanhamento a longo prazo, incluindo a medicação para controlar os sintomas. O importante é entender que se pode existir diferentes graus de esquizofrenia, nos mais variáveis níveis, onde pode ser de complexidade baixa ou alta.

Mediante essa afirmação, pode-se entrar no tópico seguinte, que é sobre se o ambiente religioso, ou seja, uma instituição religiosa irá atrapalhar ou ajudar. Algumas pessoas têm o hábito de leituras religiosas, no caso dos esquizofrênicos alguns também, desenvolvem o hábito de leitura das escrituras sagradas, com isso pode-se desenvolver delírios do tipo religioso. O delírio religioso tem uma influência importante da cultura e da religião da pessoa, esse tipo de delírio costuma ser o mais difícil de ser identificado, por que em muitos casos são confundidos na própria religião e tendo um tratamento espiritual antes de um tratamento médico. Esse delírio religioso pode ocorrer também, devido uma exacerbação da religiosidade do individuo, Dalgalarrondo diz que:

No século XIX, período de formação da psiquiatria e psicologia moderna, houve um importante debate sobre as possíveis relações entre a religiosidade e o adoecimento mental. Naquele século, uma das formulações mais recorrentes refere-se à idéia e que o excesso de religiosidade, o fanatismo religioso, as práticas religiosas intensas, assim como determinadas formas de religiosidade (como as espiritualistas e as religiosidades dos “povos primitivos”) seriam propiciadores do adoecimento mental (DALGALARRONDO, 2008 p. 147).

Algumas religiões no século XXI, ainda têm agido de forma excessiva ou fanática. E por conta desse fanatismo, encontram-se pessoas com delírio religioso na atualidade, Dalgalarrondo diz que:

A noção de fanatismo religioso é controversa. Tem sido muitas vezes, utilizada como “categoria de acusação” para desqualificar a religiosidade de “outros povos”, “outros grupos sociais”, ou seja, de “outro” radical a ser combatido e deslegitimado. Isso faz parte da tradição de etnocentrismo que o Ocidente sempre praticou. Mesmo assim, considero que (e colocadas essas ressalvas) o constructo “fanatismo” deva ser examinado a luz da psicopatologia, visto que o tema ganha relevância no mundo contemporâneo. Deve-se, antes de tudo, alerta para qualquer reducionismo que simplifique os fenômenos atualmente observados, traduzindo rapidamente o “fanatismo religioso” em pura doença mental (DALGALARRONDO 2008, p. 170).

Alguns grupos de estudos empíricos fazem associações positivas e/ou negativas entre a religião e a saúde mental:

Koeing e Larson (2001) salientam que, embora a maior parte dos estudos empíricos tenha identificado associações positivas entre religião e saúde mental, um subgrupo de estudos registrou associações negativas entre essas duas dimensões. Nos anos 1950 e 1960 diversos estudos relatam, principalmente em estudantes universitários mais religiosos, traços de personalidade como conformismo, dependência, atitudes defensivas, baixa auto-estima, pior ajustamento, perfeccionismo, insegurança e ódio autodirigido (DALGALARRONDO 2008 apud KEOING e LARSON, 2001 p. 188).

Existem autores que irão dizer que a religião pode ser usada para racionalizar (procurar compreender ou explicar algo de maneira racional, lógica, coerente) o ódio, preconceito e a discriminação, como podemos ver a seguir:

Segundo Pruyser (1977) argumenta, há evidências de que a religião pode ser usada para racionalizar ódio, preconceitos e discriminação. A religiosidade exacerbada pode ser encontrada em pessoas especialmente tendentes a dependência, culpa excessiva, perfeccionismo, pensamentos obsessivos e ansiedade. Esse autor também sustenta que alguns grupos de pessoas religiosas podem ter excessiva expectativa em relação a si mesmo e aos outros e tendem a excluir ou depreciar aqueles cujas crenças ou modos de vida difiram muito dos deles (DALGALARRONDO 2008 apud PRUYSER, 1977 p. 188).

Isso irá ocorrer, porque para alguns grupos a religião irá exercer uma ação negativa a saúde mental e ao bem-estar do subjetivo, as religiões fazem emergir com muita frequência sentimentos como, culpa vergonha e medo nas pessoas. Pode ocorrer também junto a tais sentimentos o isolamento social, o rebaixamento da auto-estima em consequência pode-se piorar a saúde mental. Esses acontecimentos poderão ocorrer porque a religião irá estabelecer padrões de conduta e de moralidade de difícil acesso a uma parte da população, gerando um sentimento de incapacidade e enfraquecimento moral nesse grupo. No caso de uma pessoa com predisposição à esquizofrenia, isso poderá contribuir para desencadear a doença, veja um caso para que possa exemplificar.

RELEITURA DE RELATO DE CASO

Esta releitura tem como propósito analisar o estudo de caso intitulado “Prevenindo recaídas” realizado por Leonardo Figueiredo, Maria Thereza de Moraes Geraldes e Ana Beatriz Costa Bezerra em 2013, no livro ENTENDENDO A ESQUIZOFRENIA como a família pode ajudar no tratamento. A partir desse estudo fez-se recorte da página 221 a pagina 223 apresentado a seguir.

“Márcio e Alex são irmãos gêmeos. Ambos desenvolveram esquizofrenia. Márcio teve o primeiro surto aos 21 anos e Alex, aos 28. Apesar de terem a mesma herança genética, tiveram adoecimentos distintos e de maneiras diferentes. Márcio foi criado pelos pais. Sua mãe também é esquizofrênica e teve o primeiro surto logo após o parto. Alex passou a maior parte do tempo com a tia, irmã de seu pai, que o criou devido às dificuldades após o adoecimento da mãe. Eles têm dois irmãos mais velhos, saudáveis. Exemplos como esse mostram o quanto à esquizofrenia é uma doença hibrida, sendo difícil prever clinicamente o que poderá ocorrer somente levando em conta o diagnostico. Enquanto seria esperado que os irmãos desenvolvessem a doença da mesma forma, particularidades do meio em que foram criados e dos fatores do ambiente a que foram expostos podem estabelecer melhor as diferenças entre eles. Márcio vivenciou de perto as dificuldades que a doença da mãe trouxe para ambiente familiar. Alex contou coma proteção da tia, que tinha apenas um filho, já criado, e que se dedicou como mãe à sua criação. Apesar disso ele se relacionava com os irmãos e seu pai, já que todos moravam próximos. Contudo, Márcio certamente absolvia mais as tensões de casa, enquanto Alex passava a maior parte do tempo na casa da tia. A diferença entre eles tornava-se mais evidente à medida que iam crescendo. Márcio sempre foi mais introspectivo e tímido, teve muitas dificuldades escolares, repetiu por duas vezes a oitava série e seus professores reclamavam muito de sua desatenção em sala de aula. Alex não apresentou dificuldades escolares, chegando ao ensino médio sem repetência. Contudo, era mais travesso e explosivo, não tinha a mesma introspecção do irmão. Os problemas na sala eram sempre decorrentes de mau comportamento. Márcio adoeceu ante de concluir o ensino médio. Após alguns meses sem ir à escola, alegando que era importunado pelos colegas que dele caçoavam, passou a falar coisas sem sentido, a se comportar de forma infantil, tornando-se muito dependente do pai, com medo de sair à rua sozinho, sem interesse em qualquer atividade, muito recluso em seu quarto, falando pouco, não se alimentando e, consequentemente perdendo muito peso. Alex, que na época tentava o vestibular para jornalismo, ficou muito abalado com o estado do irmão. Nesse ano não conseguiu aprovação para nenhuma universidade. Apesar de não tocar no assunto, sua tia percebia que ele reagia mal. Ficou mais irritado e agressivo em casa. Quando visitava os pais, batia de frente com eles acusando-os de estarem maltratando o irmão, culpando-os pela doença de Márcio e sendo contrario ao seu tratamento psiquiátrico.com a melhora de Márcio, tudo parecia voltar à normalidade. Mas Alex passou a envolver-se com drogas, principalmente maconha, influenciado por colegas do cursinho pré-vestibular que frequentava. A tia conta que ele tinha dificuldade para fazer amizades e que o uso da droga era uma maneira de ser aceito pelo grupo e, assim, frequentar as festas que eles organizavam. As más influencias e a falta de compromisso com os estudos, fez com que Alex adiasse a entrada na faculdade em 2 anos. Aos 24, interessou-se por sociologia, ingressando na faculdade. Porém, o descompromisso, com os estudos, o hábito de festas e uso de droga comprometeram seu desempenho, ficando para trás nas matérias e perdendo o período. Aos 27 anos, Alex começou a participar de um grupo místico. Viajava na companhia de colegas e passava dias reunido num templo, onde dizia fazer jejuns e orar para salvar o mundo dos pecadores. Deixou o cabelo e a barba crescerem, passou a usar roupas velhas e seu discurso mudou, sempre com um tom religioso e revolucionário. Passou a contestar os professores e, diante dos sucessivos desentendimentos, decidiu trancar a faculdade. Seu pai chegou a ser orientado a buscar uma avaliação psiquiátrica para seu filho, que recusava. Alex foi se tornando agressivo, suas ideias ficaram grandiosas, dizia que estava imbuído de uma missão espiritual, era constrangedor nas reuniões de família, discutindo calorosamente com o pai e com o tio. Até que decidiram leva-lo ao médico, sendo diagnosticado, aos 28 anos, a mesma doença do irmão: esquizofrenia. Dez anos se passaram. Márcio e Alex têm agora 38 anos. Márcio tem 17 anos de doença e, nesse período, mais de dez recaídas, todas com características muito parecidas: isolamento, desorganização do pensamento, medo, lentidão e apatia. Alex tem 10 anos de doença, apenas duas recaídas, em todas com reaparecimento dos delírios religiosos. Márcio e Alex têm personalidades e temperamentos muito diferentes e a forma de adoecimento, as recaídas, e a autonomia entre as crises os faz parecerem pessoas sem qualquer grau de parentesco. Como é possível compreender tal diferença? A mãe deles, Antônia, sempre foi uma pessoa difícil. O pai conta que desde jovem era muito centralizadora, gostava de comandar a casa. O relacionamento era ruim pela atitude tirana da esposa. Após o parto dos gêmeos, ela perdeu completamente a capacidade de coordenar e cuidar da casa e dos filhos, tanto que decidiram pedir ajuda à cunhada. Após alguns meses e sob o tratamento, Antônia foi melhorando e reassumindo as suas características de temperamento. Ela cobrava muito dos filhos, principalmente de Márcio, já que os demais eram quase adultos e Alex morava com a tia. Também compartilhava sentimentos diferentes entre os gêmeos. Ela tinha implicância com Alex, pelo fato de ele ser criado pela tia, e não escondia sua preferência pelo irmão. A predileção, a atitude controladora e autoritária e o temperamento forte foram ingredientes marcantes na criação do filho. Mesmo após o adoecimento de Márcio, Antônia mantinha as mesmas influencias sobre ele. Por varias vezes interrompeu o tratamento, acusando o médico de dopa-lo. Ela própria tinha grande resistência quanto à aceitação de seu tratamento, interrompendo seus medicamentos repetidas vezes. Alex sempre teve um relacionamento difícil com a mãe, tanto que se acostumou a chamar a tia, Edna, de “mãezinha”. Edna tinha um filho bem mais velho, que era casado e não mais morava com eles. Seu esposo trabalhava muito e praticamente só era encontrado em casa aos finais de semanas. Ela e Alex eram muito unidos. Ele mantinha a relação paterna com o pai, mas era nítida a transferência da relação materna para a tia. O clima em casa excetuando-se o da época do adoecimento de Alex, sempre foi muito cordial. Edna acompanhava Alex às consultas com o psiquiatra, conversava com ele da importância dos medicamentos e tomava responsabilidade para si quando percebia que ele esquecia de tomar os remédios. Alex também mudou muito suas atitudes depois da doença. Compreendera a importância de importância de interromper o uso da maconha, afastou-se das amizades de faculdade e da seita que frequentou e tornou-se mais calmo no convívio familiar. Não conseguiu terminar a faculdade pelo desinteresse nas matérias, mas aceitou trabalhar no comércio do tio, ajudando-o nas atividades administrativas.”

ANÁLISE CRÍTICA DO CASO

Percebe-se que no caso de Alex, que a exacerbação dos encontros religiosos, junto com a predisposição a doença, veio desencadear a esquizofrenia nele, e suas recaídas continuaram ligadas a religião, pois nota-se através de seus delírios religiosos. Acredita-se que com a fé pode-se chegar a uma cura para a doença. Isso quando praticada de maneira saudável, ajudando nos relacionamentos sociais e na atividade da pessoa. É possível argumentar que ter uma religião e participar dela envolve estabelecer e manter contato com pessoas de mesma sociedade e dar e receber apoio delas quando isso se faz necessário. Assim, é mais ou menos óbvio que o envolvimento religioso oferece maior apoio social e este tenha efeitos sobre a promoção, prevenção e mesmo alívio de sofrimento e transtornos mentais. Um aspecto disso seria a maior estabilidade familiar e conjugal que a participação religiosa implica, já que a maior parte das religiões incentiva e vigia atentamente a coesão e a boa conduta conjugal e familiar (DALGALARRONDO, 2008, p. 190).

Com essa afirmação, pode-se entrar na ultima questão, sobre as pessoas com esquizofrenia poder levar uma vida saudável. Sim, porém isso só será possível se a pessoa primeiramente aceitar a doença, por conseguinte, seguir corretamente as indicações do seu médico, ou seja, tomando a medicação corretamente, avaliando quanto há recaídas, mantendo um bom relacionamento social, fazendo acompanhamento com um terapeuta e evitando ambientes estressores. Porem quando o paciente não consegue fazer esse movimento, deve-se gravidade das alterações neuroquímicas (níveis de dopamina), intensidade dos sintomas, disfunção cognitiva e dificuldade de processamento das informações do ambiente.

Para que isso possa se tornar mais transparente veja o caso a seguir de ELYN SAKS uma pessoa que tem uma vida aparentemente saldável mesmos tendo esquizofrenia:

RELEITURA DE RELATO DE CASO

Esta releitura tem como propósito analisar o estudo de caso intitulado ELYN SAKS realizado por Leonardo Figueiredo, Maria Thereza de Moraes Geraldes e Ana Beatriz Costa Bezerra em 2013, no livro ENTENDENDO A ESQUIZOFRENIA como a família pode ajudar no tratamento. A partir desse estudo fez-se recorte da página 4 à pagina 5 apresentado a seguir.

“Elyns Saks adoeceu ainda na adolescência, mas só veio a aceitar a doença vinte anos depois de tentar lutar contra as alucinações e as paranoias terríveis que assolavam sua mente. Interrompia os tratamentos, recusava-se a tomar as medicações que segundo ela, traziam-lhe muitos efeitos colaterais e a faziam se sentir artificial. “Eu tinha um pensamento incontrolável de que meu terapeuta era um demônio e que poderia me matar. Era um delírio que me distanciava do tratamento”, recorda-se. Na infância, lembra-se que tinha algumas manias e obsessões, “só podia me levantar da cama se meus chinelos estivessem virados para cima e postos lado a lado”. Por muito tempo cismou, aterrorizada, que havia um homem que durante a noite ficava do lado de fora da sua casa, aguardando-a dormir para entrar e matar sua família. “O primeiro sinal real de psicose, que me lembro, foi aos 15 ou 16 anos, quando fugi da escola (coisa que jamais faria) e corri para casa. No caminho, eu tinha a nítida impressão de que as casas da rua me mandavam mensagens: você é má, você é o diabo, tome cuidado, nós vamos te pegar!” Ela emagreceu muito, isolou-se de todos na escola e, depois, na faculdade. “Eu não queria falar com ninguém, pois achava que assim eu espalharia minha maldade para todo mundo. Quando cheguei ao hospital e me olhei no espelho, tomei um susto. Estava irreconhecível, muito descuidada. “Pensei: qualquer um que olhasse para mim perceberia que estava louca.” Somente aos 40 anos e após várias internações em hospitais psiquiátricos, convenceu-se de que a doença não iria embora sozinha e que precisava da medicação e da psicoterapia. “Por 20 anos lutei com a aceitação. Ironicamente, quanto mais eu aceitava que tinha uma doença mental, menos a doença me dominava – até o ponto em que me libertei. É como se destrancasse uma porta que sempre esteve à minha frente, mas que, por medo, relutava em abrir. Agora sinto que não tem mais volta. “Desde então, passei a levar muito a sério o tratamento.” Os médicos diziam-lhe que alguém que sofria de esquizofrenia não tinha qualquer esperança de sucesso profissional, e alguns lhe pediram que abandonasse a faculdade de Direito. Mas Elyn continuou seus estudos, não só se formou como hoje é uma renomada professora e pesquisadora de sua área. Em 2001, casou-se com Will, “que trouxe mais humor para minha vida e que se tornou uma das principais estrelas de minha história”. É o companheiro que a ajuda nos momentos mais difíceis e mais estresse. “É ele quem me alerta de possíveis sinais e comportamentos que indicam alguma recaída”. Mesmo em tratamento e bem, ela não se descuida. “A psicose não é como um botão que você liga e desliga, é como um dimmer, que você regula o nível de intensidade”. Neste momento, conheço minha doença muito bem e não é tão incomum assim eu ter algum tipo de pensamento psicótico. Então falo para mim mesma: é apenas a minha doença atuando. Mesmo nos períodos em que vão pensar e me controlo para não parecer louca. “É a forma como procuro me livrar dos sintomas”. Elyn escreveu o livro “The Center Cannot Hold: My Journey Through Madness” (sem tradução para o português), onde ela conta sua batalha pessoal contra a esquizofrenia com o intuito de levar esperança às pessoas que sofrem com a doença. O livro foi premiado nos EUA pela Time Magazine como um do dez melhores livros de não ficção do ano. “Espero que minha história ajude a impedir os mitos que cercam a doença mental”. Ela também se tornou uma das críticas mais ferrenhas dos métodos coercitivos utilizados ate hoje na psiquiatria, como as contenções físicas. “Não está claro se utilizar contenções físicas salva ou tira vidas. Nos EUA, de uma a três pessoas morrem toda semana em decorrência de contenções. Eu mesma passei 20 horas amarrada a uma cama, sem que tivesse maltratado ou ameaçado ninguém. Eu não sou antipsiquiatria, pelo contrário, sou a favor da psiquiatria, mas sou antiforça. Não acredito que a força seja eficaz como tratamento, ela é algo terrível contra alguém que já sofre terrivelmente!”

ANÁLISE CRÍTICA DO CASO

Nota-se no caso de Elyn Saks que ela só começou a viver de uma forma melhor a partir do momento em que aceitou sua doença e começou a seguir as recomendações do seu médico, ou seja, é possível que um paciente com esquizofrenia possa ter uma vida saudável desde que ele siga todas as instruções do médico e também faça um acompanhamento com um psicólogo.

Porem caso o paciente não siga as recomendações de seu médico, ou não tenha acesso a um psicólogo, uma questão importante é o amor e o apoio da família são ingredientes importantes para o tratamento e a recuperação da pessoa que sofre de esquizofrenia. E a família deve estar sempre buscando a ajuda de um profissional qualificado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Percebe-se que a religião, por ser uma instituição social construída pelo ser humano, faz com que os mesmo interajam uns com os outros, construindo laços afetivos entre outras questões. Com isso nota-se que a esquizofrenia pode em alguns momentos usufruir destas instituições, pois pessoas que tenha esquizofrenia acabam que necessitando um pouco desses laços afetivos construído nessas instituições. O importante é que, independente de se ter uma religião o ser humano traz com sigo uma espiritualidade, ou seja, é um ser dotado de uma espiritualidade inata como foi dito por Jung, e que foi apresentado ao longo do artigo.

Porem o presente artigo teve por objetivo analisar e discutir sobre o campo psicopatológico (Esquizofrenia), mostrando caso de pessoas predispostas a desenvolver a doença, ou seja, pessoas que podem trazer em sua genética, como descrito ao longo do artigo, e que ligados a uma religião podem agravar ou não dependendo de cada individuo e/ou religião. É o que nota-se no caso descrito acima sobre os irmãos Márcios e Alex. Alex que já tinha predisposição a esquizofrenia deixou se levar e se entregou de forma tão profundo que começou a ter delírios religiosos, acarretando em desenvolver esquizofrenia. A religiosidade tem demonstrado ser fator intimamente relacionado ao enfrentamento da esquizofrenia pelos pacientes.

O impacto da religiosidade entre pacientes esquizofrênicos tem sido campo fértil para estudos principalmente descritivos, de modo que apesar de hipóteses relevantes presentes em suas conclusões, o real entendimento da correlação entre religiosidade e doença mental ainda não está detalhadamente estabelecido.

No caso 2 que se refere à Elyn, é importante notar que pacientes com diagnostico de esquizofrenia podem sim ter uma vida social estabilizada, desde que sigam as recomendações, pode-se perceber também que o ambiente social contribui muito tanto para melhoria quanto para uma piora no quadro. A família também é muito importante tanto para a melhora do esquizofrênico quanto para ajuda-lo a se policiar, ou seja, a estar sempre alertadas supostas recaídas como também observando ambientes que sejam desfavoráveis ou estressantes. O caso Elyn mostra essas questões de forma muito claras.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOF, Leonardo. O Destino do Homem e do Mundo. 2007. Disponível em:<http://leonardoboff.com/site/vista/2009/nov06.htm>. Acesso em: 08 out. 2016.

DALGALARRONDO, Paulo Religião, psicopatologia e saúde mental. São Paulo, Artmed, 2008, 288p.

DICIONÁRIO DE PORTUGUÊS, Aurélio. Dicionário do Aurélio: Dicionário Português. 24/09/2016. ed.[S.I.:s.n.], [2008/2017]. 1050 p. Disponível em:<https://dicionariodoaurelio.com/espiritualidade>. Acesso em: 22 out. 2016.

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia: Romance da história da filosofia. [S.l.]: Companhia das Letras, 2012. 494 p.

JUNG, Carl Gustav. Espiritualidade e Transcendência. Petrópolis: Vozes, 2015. 357 p.

JUNG, Carl Gustav. Volume XI/1 Psicologia e Religião. Petrópolis: Vozes, 1978. 122 p.

PALMEIRA, Leonardo Figueiredo; GERALDES, Maria Thereza de Moraes; BEZERRA, Ana Beatriz Costa. Entendendo a esquizofrenia: Como a família pode ajudar no tratamento? . 2. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2013. 286 p.

PSIQUITRIA, Associação Brasileira de. MANUAL DIAGNOSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS: DSM-5. 5. ed. São Paulo: Artmed, 2012/2013

[1] Aluno do Curso de Bacharelado em Psicologia – Faculdade Sul Fluminense.

[2] Psicologo; Especialista em psicologia clínica, em abordagem Juguiana e em psicologia clínica com fundamentos em psicologia analítica.

[3] Graduada em Pedagogia; Pós graduada em Psicopedagogia; Mestre em Políticas de Educação e Saúde.

Enviado: Abril, 2019.

Aprovado: Junho, 2019.

 

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