Estudo exploratório sobre fobia de insetos e aracnídeos e como isto afeta o cotidiano das pessoas

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Estudo exploratório sobre fobia de insetos e aracnídeos e como isto afeta o cotidiano das pessoas
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ARTIGO ORIGINAL

MORAES, Tatiana Bussaglia de [1]

MORAES, Tatiana Bussaglia de. Estudo exploratório sobre fobia de insetos e aracnídeos e como isto afeta o cotidiano das pessoas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 03, Vol. 01, pp. 165-172. Março de 2019. ISSN: 2448-0959.

RESUMO

O medo sempre fez parte da vida animal e serve, principalmente, para a sua sobrevivência e perpetuação. Porém, nos seres humanos o medo pode tornar-se irracional ou exagerado, afetando a qualidade de vida. O medo exagerado é conhecido como fobia. Em situações de medo intenso, as pessoas costumam vivenciar altas doses de ansiedade que geram reações físicas, como palpitação, falta de ar, tremores e tonturas. Pessoas com fobias específicas tendem a evitar certas situações, animais ou objetos das suas fobias, porém nem sempre é possível, principalmente quando se trata de fobias a insetos e aracnídeos. Por isso, para auxiliar pessoas com fobias específicas a insetos e aracnídeos foi desenvolvido um dispositivo que possibilita aspergir (a uma distância segura) uma dose de inseticida sobre insetos que estejam visíveis sobre uma parede ou sobre um piso, bem como insetos que tenham se escondido atrás ou embaixo de móveis domésticos. O desenvolvimento deste produto gerou uma patente de invenção.

Palavras Chaves: Entomofobia, Aracnofobia, Extensor Telescópico.

INTRODUÇÃO

Medo é um sentimento complexo composto por sinal de alarme e ansiedade. O sinal de alarme pode acontecer com uma situação inesperada e impeditiva cuja resposta instintiva é enfrentar ou fugir. Já a ansiedade é a habilidade de antecipação, um pressentimento de perigo quando há ou não algo que justifique o sinal de alarme (TUAN, 2005).

Medo e ansiedade são rótulos utilizados geralmente para descrever um estado emocional desagradável de apreensão ou tensão que, em graus mais elevados podem ser acompanhados por sintomas fisiológicos como palpitações, tremores, dificuldades para respirar, tonturas e suor (BAPTISTA, CARVALHO e LORY, 2005). Tanto os sintomas como as reações instintivas são difíceis de serem mensuradas e, assim, é praticamente impossível estabelecer um comportamento padrão em situação de perigo ou de pavor.

O medo faz parte da vida dos seres vivos e é este sentimento que protege os animais do perigo. O sentimento de medo que afeta o ser humano induz o instinto de proteção, e o artifício da cautela em situações de perigo. Por outro lado, a existência do sentimento de medo torna o ser humano capaz de superar adversidade e evoluir seu modo de vida. Diante de um perigo mortal, o ser humano e os animais concentram suas forças físicas e mentais apenas na situação de risco iminente para poder enfrentá-la ou fugir com segurança (CICERI, 2004).

Os seres humanos têm muito em comum com os outros animais tanto nas causas que levam à sensação de medo quanto na resposta ao mesmo. Porém a sua capacidade de raciocínio e maior variação emocional faz com que o ser humano consiga experimentar sensações desconhecidas dos outros animais, pois sua imaginação magnífica os tipos e a intensidade do medo extrapolando os limites do risco real (TUAN, 2005).

Apesar da importância do medo para sobrevivência e evolução humana, esta sensação pode se tornar um empecilho à qualidade de vida. Sobretudo quando o medo é exagerado ou desproporcional à situação vivenciada. O medo exagerado pode bloquear a razão e a racionalidade dos indivíduos, mesmo quando suas atitudes são racionais e equilibradas na ausência de perigo.

Quando um indivíduo tem um sentimento de medo exagerado, o simples fato de pensar ou lembrar-se de uma situação que lhe causa tal sensação, seus níveis de estresse e ansiedade podem ser tão altos quanto o da própria situação vivida, este sentimento exagerado difere o medo da fobia e a síndrome do pânico.

De acordo com Diel, Facchine e Dall’Agnol (2003), considerando que tanto os inseticidas agropecuários quanto os domésticos possuem toxicidade similar, estima-se que o uso disseminado e indiscriminado de inseticidas nos domicílios urbanos também cause danos ou agravos à saúde humana, constituindo um potencial problema de Saúde Pública.

Segundo o Anuário da ABIPLA (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins), a categoria principal do mercado de inseticidas domésticos, aerossol, faturou, em 2015, cerca de R$ 792,1 milhões, um aumento de 9,1% com relação ao ano anterior.

De acordo com Becker et al. (2007), a entomofobia que é o medo de insetos, costuma se desenvolver na infância e é considerada o tipo mais comum entre as chamadas fobias específicas.

Sendo assim, o objetivo geral desta pesquisa é tomar conhecimento da proporção de indivíduos que têm medo específico de insetos e aracnídeos. Mais especificamente, coletar informações da proporção deste medo, e de como o medo de insetos e aracnídeos afeta a vida cotidiana dos indivíduos e das pessoas com as quais ele convive, e como estas pessoas lidam com situações cotidianas envolvendo insetos e aracnídeos. Paralelamente a este estudo foi desenvolvido um dispositivo que possibilita pessoas adultas aspergir (a uma distância segura) uma dose de inseticida sobre insetos que estejam visíveis sobre uma parede ou sobre um piso, bem como insetos que tenham se escondido atrás ou embaixo de móveis domésticos. Este dispositivo gerou um pedido de patente registrado no INPI nº BR 10 2016 018657 9 em 15/08/2016. O questionário e o resultado deste trabalho pode ser visto no Anexo A, e no Anexo B a cópia do pedido de patente requerido junto ao INPI.

MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi feita com indivíduos acima de dezoito anos de ambos os sexos e com todos os níveis de escolaridade e de renda, pois uma das hipóteses da pesquisa é a de que o medo de insetos e aracnídeos pode acometer qualquer pessoa. Devido às limitações de tempo e recursos, a presente pesquisa foi aplicada somente nas cidades de Itu e Sorocaba no estado de São Paulo, especificamente para alunos e funcionários da Universidade de Sorocaba e para alunos e servidores do Instituto Federal de São Paulo campus Salto através de questionários online. Os links foram enviados via e-mail para os indivíduos, e os dados foram coletados através da ferramenta Google Forms.

Devido à limitação de recursos para uma pesquisa mais representativa e abrangente, a pesquisa utilizará a técnica de amostragem não probabilística de conveniência. De acordo com Prodanov e Freitas (p. 98, 2013) a amostragem por acessibilidade ou conveniência como é conhecida, é o tipo menos rigoroso de amostragem, onde o selecionam-se os elementos aos quais se tem acesso com mais facilidade. Este tipo de amostragem é aplicado em estudos exploratórios onde não se requer nível elevado de precisão.

RESULTADOS

Foram obtidas 622 respostas, sendo 429 (69%) do sexo feminino e 193 (31%) do sexo masculino. Do total de participantes a maioria (85,5%) tem entre 18 e 35 anos. Com relação à escolaridade 72% possui ensino superior, 16,2% possui ensino médio completo, e os demais (11,8%) possuem algum tipo de especialização.

Dos participantes 26,2% possuem renda familiar acima de cinco salários mínimos, e 46,1% possui renda de até três salários mínimos, e o restante 27,7% até cinco salários mínimos.

De todos os participantes, 75,6% (470 pessoas) respondeu ter medo de insetos ou aracnídeos e, portanto responderam ao questionário completo.

Existem vários níveis de medo. Quanto maior a reação física da pessoa ao medo e mais comportamentos de evitação esta pessoa desenvolve, mais próxima esta pessoa está da fobia. Neste contexto, o presente estudo mostrou que das 470 pessoas que tem medo de algum tipo de inseto ou aracnídeo, menos da metade das pessoas (46,6%) lidam bem com a situação e, portanto, não consideram este medo ilógico ou irracional.

Algumas pessoas relataram que sentem como se estes animais fossem atacá-las (19,8%), 17,2% preferem matar o animal rapidamente, e a maioria relatou que sente vontade de fugir (36,2%) ou que prefere que outra pessoa o mate (26,8%).

Das pessoas que assinalaram que sentem medo, 20% na verdade sentem mais aversão (sic nojo) do que medo efetivamente.

Quando questionadas a respeito da reação ao se depararem com baratas ou aranhas dentro de suas casas 47,2% prefere não se aproximar e pedir para outra pessoa matar, das demais respostas, 5,5% espanta para fora, 7,9% pega vassoura ou rodo para matar, 17,9% prefere usar inseticidas, 16,2% utiliza um chinelo para matar, e somente 5,3% pisa sobre as baratas para matá-las.

Quando questionadas com relação à frequência de algumas atitudes ou ações em determinadas situações:

  • 19% sempre olha para ver se não tem nenhum inseto/aracnídeo no cômodo onde estão, 26% às vezes, 29% raramente e 26% nunca;
  • 6% afirma que o medo de determinado(s) inseto(s) ou aracnídeo(s) influencia no cotidiano, 19% às vezes, 31% raramente e 43% nunca;
  • 31% sempre ficam apreensivos ao entrar em um local onde viram uma aranha ou barata anteriormente, 32% às vezes, 23% raramente e 14% nunca;
  • 51% diz sempre manter suas coisas limpas e arrumadas para não virar ninho de insetos, 21% às vezes, 18% raramente e 10% nunca;
  • 5% disse ter medo de ficar sozinho em casa devido à falta de outra pessoa que possa matar um inseto/aracnídeo caso apareça, 10% às vezes, 15% raramente, e 70% não tem este problema;
  • 10% costuma colocar iscas de inseticida para que os insetos não apareçam vivos pela casa, 14% às vezes o faz, 24% raramente faz, e 52% não costuma utilizar este tipo de veneno;
  • 8% relataram dedetizar a casa para que baratas ou aranhas não apareçam com frequência, 11% às vezes faz, 26% raramente, e 55% nunca dedetiza;
  • 14% dos voluntários têm medo de lugares escuros por pensarem que não poderão ver insetos ou aracnídeos e por consequência não poderão desviar ou fugir, 21%, às vezes fica apreensivo, 31% raramente sente algum incômodo, e 34% nunca se sentiu assim;
  • 25% dos voluntários não gostam de passar perto de bueiros em noites quentes (devido ao fato de maior ocorrência de baratas), 17% às vezes preferem não passar próximo a bueiros, 23% raramente sentem-se assim e 35% nunca evitam esta situação;
  • 35% dos voluntários sempre imaginam que uma barata irá voar e pousar neles ou que uma aranha irá pular neles, por isso não chegam perto destes animais, 20% às vezes pensa nisto, 22% raramente e 23% nunca imagina esta situação;
  • 4% dos voluntários afirmam que o medo de insetos ou aracnídeos sempre afeta suas relações sociais, 8% dizem que às vezes isto afeta, 15% dizem que raramente afeta e 73% nunca afetou;
  • 3% afirmam que têm vergonha de contar a outras pessoas sobre o seu medo de insetos, 10% afirmam que às vezes sente vergonha, 16% diz que raramente se envergonha e 72% não sente vergonha;
  • 5% dos voluntários sentem muita vontade de fazer tratamento psicológico para perder de vez o medo de inseto, 12% às vezes sente esta vontade, 17% raramente pensa sobre isto e 66% não sente vontade ou nunca pensou sobre o assunto;
  • 8% dos voluntários afirmam que seu medo de inseto é tanto, que chegam a sentir taquicardia, suar e tremer na presença de um inseto, 12% às vezes sente tais sintomas, 15% raramente sente e 65% nunca se sentiu assim;

Sobre tratamento psicológico para fobias específicas, 64,5% dos voluntários nunca pensaram na possibilidade de tratamento para se livrar do medo, 6,8% acreditam ser impossível se livrar do medo que possuem, 4% não procuram ajuda pois acreditam que tratamentos psicológicos custam caro, 13,6% gostariam de se livrar de tal incômodo, mas não sabem como buscar tal ajuda, 8,5% acreditam que com o tempo o medo irá desaparecer, e 2,6% pretendem buscar um tratamento psicológico para este tipo de medo específico.

Questionados sobre como se sentiriam se pudessem matar um inseto ou aracnídeo a distância e sem sujeira, 70,4% disseram se sentir mais seguros, para os outros 29,6% não faria diferença.

Foi colocada ainda uma questão aberta opcional para que os voluntários pudessem contar sobre alguma situação inusitada, arriscada ou constrangedora vivenciada ou presenciada, onde algumas respostas foram:

Certo dia uma aranha subiu no meu pé enquanto eu caminhava no parque de Lavras de Salto. O susto foi tão grande que eu chutei a aranha contra um arvore por puro reflexo e quebrei a fíbula do pé. (Homem, 18 a 25 anos, Especialização)

Morei em uma república em que constantemente apareciam baratas, mais de uma todo dia, eu entrava em pânico, espalhava isca pela casa… Já cheguei até a ligar para uma amiga vir até em casa para matá-las, de tanto medo que tinha. Toda noite sonhava com as baratas na minha casa, me atacando. Hoje esse medo diminuiu, mas ainda não consigo matar e tenho que sair do cômodo assim que vejo uma. Também tenho medo de aranhas, mas nunca me deparei com uma muito grande ou assustadora, mas se encontro alguma em casa mato imediatamente, com chinelo ou inseticida. Tenho sempre inseticida em casa. (Feminino, 26 a 35 anos, Mestrado/Doutorado)

Tenho medo de borboletas, mariposas e outros insetos voadores e já passei por muitos episódios constrangedores. Desde pequena meus colegas colocavam insetos sobre a minha carteira. Tenho muitos problemas em restaurantes em ambiente aberto, com flores e jardins porque aparecem borboletas e dou vexame. Como professora passei maus bocados durante uma praga de grilos há dois anos na região. Os grilos, do tamanho de gafanhotos, estavam por toda parte e um dia meus alunos de graduação estavam fazendo prova e eu não conseguia ficar dentro da sala com 6 grilos voando em volta das luminárias. Ficava vigiando os alunos do lado de fora, pelo vidro da porte e foi muito constrangedor. (Feminino, acima de 46 anos, Mestrado/Doutorado)

Raramente entram baratas na minha casa pois tomo todo o cuidado do mundo, mas nas noites muito quentes sinto muito medo de ir até o quintal. Na maioria das vezes que vejo uma parece uma sensação de morte, congelo totalmente, passo a semana seguinte com dores musculares devido à tensão do momento. A respiração desregula inteira e choro muito mesmo. Sentia mais vergonha no começo do namoro, mas hoje em dia já me sinto mais confortável, pois meu namorado já me conhece muito melhor. (Feminino, 18 a 25 anos, Ensino Superior)

Eu morava em uma kitnet, e chegava antes da minha irmã, pois morava com ela. Uma noite quente, cheguei e tinha uma barata no banheiro, desci na entrada do prédio (que não tinha porteiro) e fiquei por 2 horas esperando que alguém de qualquer apartamento chegasse para me ajudar, e assim quando uma moça chegou ela foi ate meu apartamento e matou, enquanto isso fiquei no corredor do prédio. (Feminino, 18 a 25 anos, Ensino Superior)

Usei um inseticida todo pra uma única aranha. (Feminino, 18 a 25 anos, Ensino Superior)

Já dormi dentro do carro porque não conseguia matar a aranha na porta da minha casa, já sai pelada do banho porque tinha uma aranha no chão do meu chuveiro, já chorei e tive que tomar calmante porque uma aranha pulou em mim (mas não picou). (Feminino, 26 a 35 anos, Ensino Superior)

CONCLUSÃO

Este estudo evidenciou que a maioria das pessoas sente medo de algum tipo de inseto ou aracnídeo (75,6% das respostas). Verificou-se ainda, que existem pessoas que se sentem desconfortáveis ao ponto de não conseguirem lidar bem com a situação, precisando da ajuda de outras pessoas para eliminar insetos ou aracnídeos do ambiente doméstico, o que interfere diretamente no quotidiano destas pessoas.

Neste contexto, podemos concluir que existem pessoas que possuem grande dificuldade em lidar com situações comuns e que são corriqueiras para outros, pelo simples fato de que o medo às impede de lidar racionalmente com a situação problema, e que em geral estas pessoas acabam desenvolvendo mecanismos para lidar com tais situações que podem afetar o seu quotidiano e sua qualidade de vida.

A partir do estudo desenvolvido, novas pesquisas poderão ser realizadas, principalmente no campo da psicologia, principalmente visando técnicas para o tratamento de tais fobias.

REFERÊNCIAS

ABIPLA – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DE PRODUTOS DE LIMPEZA E AFINS. Anuário Abipla 2011. 6. ed. São Paulo: Public Projetos Editoriais, 2011. Disponível em: < http://www.abipla.org.br/Novo/Anuario>.

Acesso em: 27 fev. 2017.

BAPTISTA, Américo; CARVALHO, Marina; LORY, Fátima. O medo, a ansiedade e as suas perturbações. Psicologia, Lisboa , v. 19, n. 1-2, p. 267-277, 2005 . Disponível em <http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-20492005000100013&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 05 set. 2017.

BECKER, Eni S. et al. Epidemiology of specific phobia subtypes: findings from the Dresden Mental Health Study. European Psychiatry, v. 22, p. 69 – 74, março 2007.

CICERI, Maria Rita. O medo: lutar ou fugir? as muitas estratégias de um mecanismo de defesa instintivo. São Paulo: Loyola, 2004.

DIEL, C.; FACCHINE, L. A.; DALL’AGNOL, M. M. Inseticidas domésticos: padrão de uso segundo a renda per capita. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 37, n. 1, p. 83-90, 2003.

PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani César de. Metodologia do trabalho científico [recurso eletrônico]: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013.

TUAN, Yi-Fu. Paisagens do medo. São Paulo: Editora UNESP, 2005.

[1] Mestre em Processos Tecnológicos e Ambientais, Bacharel em Administração, Professora.

Enviado: Janeiro, 2019.

Aprovado: Fevereiro, 2019.

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