Reflexões da Arte na Educação Infantil

0
2066
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
PDF

ARTIGO ORIGINAL

ANGELO, Jamisson da Silva [1]

ANGELO, Jamisson da Silva. Reflexões da Arte na Educação Infantil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 11, Vol. 08, pp. 23-36. Novembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/pedagogia/reflexoes-da-arte

RESUMO

Este estudo tem como objetivo principal identificar como a arte pode ser importante para o desenvolvimento infantil, dentro do contexto de formar indivíduos que possam contribuir positivamente para a sociedade como um todo, um paradigma diametralmente oposto daquele em que a escola tem como objetivo fundamental formar indivíduos aptos para entrar no mercado de trabalho. O caso é que nesse modelo, as expressões artísticas e culturais de uma sociedade ficam em segundo plano por não serem consideradas importantes para a formação da criança e o resultado disso é apenas uma acumulação de conhecimentos, sem que sejam trabalhadas as dimensões mentais e emocionais do indivíduo. A fim de tornar mais fácil a internalização dos conteúdos apresentados neste estudo, ele foi dividido em cinco tópicos principais, na forma de uma apresentação do panorama do ensino de arte no Brasil, delimitação do conceito de infância e educação infantil e por fim, uma apresentação dos tipos de arte e a sua importância para o desenvolvimento da criança, com foco nas artes visuais, música e teatro.

Palavras-chave: Pedagogia, arte, Educação Infantil.

INTRODUÇÃO

Este estudo tem como objetivo principal identificar como a arte pode ser importante para o desenvolvimento infantil, dentro do contexto de formar indivíduos que possam contribuir positivamente para a sociedade como um todo, um paradigma diametralmente oposto daquele em que a escola tem como objetivo fundamental formar indivíduos aptos para entrar no mercado de trabalho.

O caso é que nesse modelo, as expressões artísticas e culturais de uma sociedade ficam em segundo plano por não serem consideradas importantes para a formação da criança e o resultado disso é apenas uma acumulação de conhecimentos, sem que sejam trabalhadas as dimensões mentais e emocionais do indivíduo.

A fim de tornar mais fácil a internalização dos conteúdos apresentados neste estudo, ele foi dividido em cinco tópicos principais, na forma de uma apresentação do panorama do ensino de arte no Brasil, delimitação do conceito de infância e educação infantil e por fim, uma apresentação dos tipos de arte e a sua importância para o desenvolvimento da criança, com foco nas artes visuais, música e teatro.

Este processo irá se materializar a partir da realização de uma revisão de literatura acerca do tema principal e assuntos correlatos, o que por sua vez será estruturada em cima de uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo e finalidade exploratória. Desta forma, espera-se que este estudo possa contribuir para o trabalho de outros pesquisadores, estudantes e demais interessados.

O ENSINO DE ARTE NO BRASIL

Segundo Costa (2006) ensinar arte para crianças implica na necessidade de dominar um conjunto maior de conhecimentos e compreensões psicológicas acerca dos anseios das crianças por parte do professor, mais do que conhecimentos técnicos no âmbito da pedagogia. Portanto, defende que o melhor professor de arte seria aquele artista que soubesse equilibrar compreensão das mazelas humanas e desejo de contribuir para o desenvolvimento de crianças e jovens.

Além disso, Costa (2006) entende que os professores de arte devem levar em consideração o contexto sociocultural que permeia as vidas de seus alunos, o que significa que o professor deve ser capaz de extrapolar os limites das diretrizes curriculares.

Ou seja, além de saber arte devem saber aplicar conhecimentos de arte na educação escolar com foco no contexto sociocultural dos alunos. “O educador deve direcionar seus alunos explorando sua criatividade, a pluralidade de temas, o fazer artístico, as potencialidades, (…) as curiosidades e flexibilidades dos alunos” (COSTA, 2006, p.28).

Por sua vez, Maranhão (2016) considera que as artes nunca foram tão estudadas como nos últimos anos, portanto, é natural pensar que esta dimensão da expressão humana deva estar presente nas diretrizes curriculares da Educação Fundamental, não apenas como uma forma de dar vazão a criatividade dos alunos, mas também para torná-los legítimos apreciadores do saber artístico.

Desta forma, Maranhão (2016) aponta que a instituição de ensino é o local ideal para formar conhecedores das artes, o que implica no acesso a todas as formas de expressão artística produzidas pelo homem, como as obras de arte. Além disso, afirma que estas expressões artísticas são uma forma de o homem dialogar com o meio que o cerca, sendo que o resultado desse processo é um indivíduo que conhecedor do mundo e conhecedor de si mesmo. Portanto, entende que quanto mais cedo se der a educação artística, melhor.

É muito importante estimular a reflexão das crianças na construção dos conhecimentos artísticos, desenvolverem nelas a capacidade de fruir a arte na sua totalidade, fazendo-as perceber que, além do desenho e da pintura, existem inúmeras outras formas de manifestação artística como a música, a escultura, a dança, o teatro. (COSTA, 2006, p.29).

 Partindo destas considerações, Costa (2006) reforça que os professores de educação artística devem se manter constantemente atualizados a fim de que possam desenvolver uma didática de boa qualidade, o que envolve cursos, discussões, debates, e dinâmicas com colegas de trabalho. O que por consequência, os tornaria capazes de pinçar expressões artísticas que mais contribuiriam com a formação dos alunos, dentro daquele entendimento de levar em consideração o contexto sociocultural.

‘Compreender uma função implica olhar construtivamente a articulação de seus elementos, suas tonalidades, suas linhas e volumes. Enfim, apreciá-la.’ (PILLAR, 2009, p.17). Essa representação visual alfabetiza, faz relação com a linguagem verbal, entendendo a informação. Há Arte fora da escola e essa vai possibilitar um acesso a um repertório amplo dessa linguagem. (MARANHÃO, 2016, p.45).

No tocante a que tipo de expressões artísticas que podem ser utilizadas em dinâmicas de sala de aula, Maranhão (2016) argumenta que em primeiro lugar não deve ser feita uma distinção entre as expressões artísticas que são feitas na comunidade onde a escola está inserida, ou seja, a arte de rua, ou “da rua”, e as artes que são realizadas no interior de uma escola, local que considera como facilitador do acesso a arte.

Conforme Maranhão (2016), a escola deve ser o local por excelência onde a criança aprende a fazer uma leitura mais profunda das expressões artísticas, podendo desta forma entender os códigos que são passados pelas imagens dos outdoors, as artes feitas em muros, que se encontram em galerias e na televisão. “E isso é sistematizado na escola, ao longo da aprendizagem, conhecendo as manifestações artísticas, suas relações com o contexto em que se encontra.” (MARANHÃO, 2016, p.46).

Nesse sentido Costa (2006) defende que a dinâmica pedagógica estabelecida pelo professor de arte não deve ficar restrita ao ambiente de sala de aula, e, além disso, as expressões culturais da comunidade aonde a escola está inserida também devem ser abordadas na escola, o que traz como resultado uma sinergia entre comunidade e escola, na qual conhecimentos são produzidos, reproduzidos, ressignificados.

Em suma, Costa (2006) aponta que um professor de arte deve ser um profundo conhecedor das expressões artísticas humanas a nível pessoal, regional, nacional e internacional, sendo capazes de estabelecer um diálogo entre a cultura da comunidade aonde a escola está inserida e os conteúdos a serem ministrados em sala de aula, pois dessa forma as crianças serão capazes de formar uma cultura estética que respeite as manifestações locais e globais, além de saberem decodificar o mundo que as cerca.

Vivemos em um mundo de imagens, informações, estímulos visuais e midiáticos. Nos diversos contextos, essas imagens comunicam e informam algo. Na instituição escola, a Arte Visual perpassa um desenho, uma pintura, uma modelagem, uma fotografia, entre outras diversas formas de expressão e comunicação e recursos para essa exploração, como suporte, materiais, etc. As Artes Visuais estão presentes diariamente na vida das crianças, como expressão e comunicação. Quando as crianças desenham, modelam, recortam e colam, com vários materiais, são formas de se expressar, comunicar e dar sentido a sensações, sentimentos, pensamentos e realidade. (MARANHÃO, 2016, p.46).

De acordo com Silva et al (2010) o ensino de Arte no Brasil passou por uma série de transformações ao longo dos anos, no entanto, uma presença constante é a de metodologias que foram sendo importadas sem nenhuma preocupação com a adaptação para o contexto brasileiro, algo que ocorre desde o período das missões jesuíticas, momento a partir do qual as expressões culturais verdadeiramente nacionais, como a indígena foram sendo colocadas em segundo plano ou substituídas por outras, como é o caso do neoclássico que foi posto em evidência, em detrimento do barroco.

Nesse sentido Araújo (2010) comenta que o ensino da arte no Brasil surgiu com as missões jesuítas. No entanto, como buscavam catequizar e pacificar os índios, a cultura indígena não tinha espaço nessa didática, apenas a cultura de base Greco-romana, na forma de músicas, danças, peças teatrais e poesia.

Conforme Araújo (2010) as origens da arte e do homem se confundem, pois as primeiras expressões artísticas de que se tem notícia remontam à pré-história, o fato é que nesse período o homem já sentia a necessidade de se expressar e registrar fatos de seu cotidiano, caçadas e animais.

E partindo dessas considerações afirma que a arte é uma linguagem eminentemente simbólica, por meio da qual é possível comunicar significados relativos a presença do homem na terra. “Ela ajuda no desenvolvimento total do indivíduo, fomentando a imaginação e contribuindo para uma formação mais ampla”. (ARAÚJO, 2010, p.12).

De acordo com Silva et al (2010) também é digno de nota o fato de que até boa parte do Século XX o escopo de interesse das instituições escolares pela arte, e a abordagem desta em sala de aula não ultrapassava o ensino de técnicas de desenho pois julgava-se que saber desenhar era útil para uma formação técnica, lembrando que a educação moderna buscava formar indivíduos para o mercado de trabalho, portanto, a educação artística ficava em segundo plano, pois o mercado buscava por operários e não por artistas.

A disciplina Desenho, apresentada sob a forma de Desenho Geométrico, Desenho do Natural e Desenho Pedagógico, era considerada mais por seu aspecto funcional do que uma experiência em arte. (BRASIL, 2000, p. 25). Em meados da segunda metade do século XX, a pedagogia experimental sinalizava um novo lugar para arte na educação. No momento em que a criança conquista seu lugar como sujeito, com características próprias, deixando de ser apenas um projeto de adulto, o desenho infantil passa ser objeto de estudo cognitivo. (SILVA et al, 2010, p.2).

Conforme Maranhão (2016) esta nova arte tem conquistado muito espaço ao longo dos últimos anos, com a compreensão de que a linguagem artística tem muito a oferecer para o desenvolvimento cognitivo, expressivo, sensorial, estético e cultural. Além da compreensão que se formou no sentido de afirmar que a arte é capaz de promover significativos avanços no âmbito cultural, histórico e social, pois a arte desperta a criatividade e por consequência o lúdico.

Nesse sentido Maranhão (2016) também expõe que a criança já é um sujeito de cultura e que vai conhecendo o mundo ao dialogar com seu meio e com a ajuda de seus pares, em outras palavras, a criança quando chega à escola a sua vida já possui algum sentido, pois apesar da idade, ela já delimita os contornos do que faz sentido para ela a partir dos dados obtidos em seu meio familiar e convívio com parentes.

Por outro lado, Araújo (2010) aponta para um movimento que vai para o extremo oposto, no sentido de negar o que representou o passado, e que valoriza em excesso tudo o que é novo em detrimento do antigo. O que entende como sendo reflexo de um desconhecimento sobre o que representa o passado, e sua importância.

Portanto, defende que não somente a arte deve ser estudada, mas também a história do ensino da arte, algo imprescindível para qualquer gestor que busque construir um novo paradigma educacional em arte. A conclusão a que Araújo (2010) chega em seu estudo é que a urgência de um estudo da arte que leve em consideração o local se deve ao fato de que é muito difícil ensinar arte se o ensino das artes no Brasil foi contaminado pelo espírito neoclássico desde o século 19.

Desta forma, em primeiro lugar um professor de artes deve ter um profundo conhecimento da história da arte a nível local, regional, nacional e internacional para poder se perguntar o que seria realmente a arte autêntica brasileira, visto que há muito tempo a visão de mundo burguesa imperou sob as expressões culturais da massa, como a arte barroca que foi sendo relegada a um segundo plano em comparação com a arte neoclássica.

Assim, a visão de arte popular é substituída pela arte burguesa. Pela primeira vez tínhamos um estilo artístico em sintonia com o que estava acontecendo na Europa. Com isso recebemos fortes influências da cultura europeia e de sua arte neoclássica através dos desenhos, construções e esculturas que propunham uma volta aos padrões da arte clássica da Antiguidade. (ARAÚJO, 2010, p.14).

A conclusão que se retira disso é que não só as aulas de arte para crianças deve ser reciclada para abordar principalmente a autêntica arte brasileira, o próprio ensino de história da arte deve ser reformado para abordar estas expressões culturais autenticas, do passado e do presente. Visto que a formação artística dos alunos deve estar conectada com o seu cotidiano.

TIPOS DE ARTE E SUA IMPORTÂNCIA NA EDUCAÇÃO

Conforme Silva e Abrão (2019) antropologicamente, é possível definir como arte todas as expressões artísticas e culturais por meio das quais os indivíduos compreendem melhor o mundo e a si mesmos. E enquanto área do conhecimento defendem que a arte se relaciona com a cultura na forma de esculturas e pinturas, por exemplo.

Em suma, Silva e Abrão (2019) afirmam que a arte é um fenômeno essencialmente humano, pois este muitas vezes faz uso da arte para expressar por meio de símbolos o que não consegue expressar através de palavras, algo que pode ser feito por meio da literatura, dança, música, teatro, arquitetura, fotografia e desenho, para ser breve.

O fato é que, segundo o que foi definido pelo Parâmetro Curricular de Arte, a Educação Artística deve capacitar o jovem a desenvolver seu pensamento artístico e percepção estética, o que por consequência irá influenciar na maneira que este jovem irá ordenar e dar sentido a sua vida.

Na Educação Infantil as crianças poderão desenvolver sua competência estética e artística nas diversas modalidades da área de Arte (Artes Visuais, Dança, Música, Teatro), tanto para produzir trabalhos pessoais e grupais quanto para que possa, progressivamente, apreciar, desfrutar, valorizar e julgar os bens artísticos de distintos povos e culturas produzidos ao longo da história e na contemporaneidade. Tais modalidades estabelecem critérios como intuito de promover a formação artística e estética do aluno e a sua participação na sociedade. (SILVA; ABRÃO, 2019, p.6).

Por sua vez, Araújo (2010) aponta que o terceiro volume do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) datado de 1998, traz em seu bojo um capítulo que trata exclusivamente das Artes Visuais, caracterizando-se como um importante referencial norteador do trabalho de professores de educação artística, legitimando desta forma que campo do conhecimento humano é tão importante quanto os demais na formação e desenvolvimento das crianças.

Em seu entendimento, as Artes Visuais podem ser igualmente consideradas como linguagens e, portanto, uma forma de expressão e comunicação humana com a mesma importância da escrita, o que justifica a sua presença nas diretrizes curriculares das escolas.

Nesse sentido, Silva e Abrão (2019) chamam a atenção para o fato de que os desenhos realizados ao longo de um jogo de amarelinha, trabalhados na terra, em um muro ou no próprio corpo são igualmente uma linguagem, que pertence ao campo das Artes Visuais. E assim sendo merecem o devido respeito e consideração como algo digno de ser trabalhado nas crianças.

O que deve ficar claro é que estes desenhos dão vazão a sensibilidade das crianças e possuem o importante papel de desenvolver modalidades mais finas de inteligência, sem contar as outras atividades que as crianças naturalmente realizam, como desenho, pintura, colagem, gravura, fotografia, desenho no computador entre outros.

Segundo Martins (1998), a arte, não imita objetos, ideias ou conceitos. Ela cria algo novo, porque não é cópia ou pura reprodução, mas a representação simbólica de objetos e ideias – que também podem ser visuais, sonoros, gestuais, corporais, entre outros – presentificados em uma nova realidade, sob outro ponto de vista. Portanto para o desenvolvimento da criança, são de fundamental relevância a experimentação e a sensibilização. O que a criança é, o que sente e sabe, ela aprende na exploração dos sentidos e dos contatos diretos. (SILVA; ABRÃO, 2019, p.6).

Por sua vez, Costa (2006) defende que a Educação Artística não se presta somente a dinâmicas de realização de trabalhos artísticos e posteriores reflexões acerca do que cada aluno fez, pois deve abordar também reflexões sobre os padrões da natureza e sobre produções artísticas de cunho individual e coletivo.

O que leva a crer que a Educação Artística para o Ensino Fundamental deve contar com dois módulos distintos, teórico e prático, sendo que no primeiro as crianças entrariam em contato com a história da arte e aprenderiam a “descodificar” e “ressignificar” as expressões artísticas de seu tempo e de tempos passados, ao passo que nas aulas práticas poderiam dar vazão a sua sensibilidade, o que por consequência contribuiria para o seu desenvolvimento enquanto pessoa.

Por sua vez, Araújo (2010) aponta para a existência de um descompasso entre a prática e a teoria no âmbito da Educação Artística, pois em muitas diretrizes curriculares as Artes Visuais são abordadas de maneiras muito aquém de suas possibilidades, na forma de passatempos ou as dinâmicas de sala de aula se restringem ao campo meramente decorativo.

No entanto, Araújo (2010) defende que o trabalho com as Artes Visuais na Educação Primária é de importância fundamental para o desenvolvimento das crianças, desde que respeitadas as faixas etárias e o patamar de desenvolvimento das crianças, bem como as suas singularidades, pois dessa forma a criança pode transformar o seu interior da melhor forma possível. “A criança, em seu processo de aprendizagem em artes, delineia uma trajetória de criação e construção individual.” (ARAÚJO, 2010, p.32).

Nesse sentido, Araújo (2010) aponta que o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) traz consigo uma série de parâmetros por meio dos quais é possível organizar a didática de aprendizagem em arte, com foco na faixa etária entre zero a três anos e de quatro a seis, como se segue:

De zero a três anos de idade:

        • De “ampliar o conhecimento de mundo que possuem, manipulando diferentes objetos e materiais, explorando suas características, propriedades e possibilidades de manuseio e entrando em contato com formas diversas de expressão artística;”
        • De “utilizar diversos materiais gráficos e plásticos sobre diferentes superfícies para ampliar suas possibilidades de expressão e comunicação.” (ARAÚJO, 2010, p.32).

 De quatro a seis anos de idade:

        • “Interessar-se pelas próprias produções, pelas de outras crianças e pelas diversas obras artísticas (regionais, nacionais ou internacionais) com as quais entrem em contato, ampliando seu conhecimento do mundo e da cultura;”
        • “Produzir trabalhos de arte, utilizando a linguagem do desenho, da pintura, da modelagem, da colagem, da construção, desenvolvendo o gosto, o cuidado e o respeito pelo processo de produção e criação.” (ARAÚJO, 2010, p.32).

Por sua vez, Silva e Abrão (2019) defendem que nas aulas de Educação Artística, as crianças devem ser motivadas a utilizar os cinco sentidos, que se caracterizam como filtros sensíveis por meio dos quais elas podem interpretar o mundo que as cerca. Portanto, ao travarem contato com obras de arte, estas podem ser identificadas como canais de conhecimento que atuam no sentido de despertar a sensibilidade da criança.

Portanto, Silva e Abrão (2019) estabelecem que diante desse contexto, as Artes Visuais devem ser entendidas como uma linguagem eminentemente visual, mas que também faz uso de expressões escritas, pois conta com uma estrutura e características próprias e seu aprendizado, de forma prática ou teórica, deve envolver o fazer artístico, a apreciação e a reflexão.

Para Martins (1998), ensinar a Arte significa articular três campos conceituais: a criação, a percepção e o conhecimento da produção artístico-estética da humanidade. Assim, a arte é articulada ao fazer arte, o apreciar arte e o refletir sobre a arte, e a reflexão, se interliga com a contextualização. A educação em artes visuais como: desenho, teatro, danças típicas requer trabalho continuamente informado sobre os conteúdos e experiências relacionadas aos materiais, às técnicas, às formas visuais de diversos momentos da história (IBIDEM). (SILVA; ABRÃO, 2019, p.7).

Em seu estudo, Costa (2006) defende que a Educação Artística só pode se tornar significativa quando o objeto de estudo é a própria arte, e para este fim, a criança deve travar contato com diversos recursos, técnicas e instrumentos, pois dessa forma poderá conhecer as especificidades de cada uma das linguagens artísticas, assim a aprendizagem em arte irá se afastar do paradigma das aulas de desenho e desenho geométrico.

Em suma, o potencial em matéria de desenvolvimento infantil é melhor explorado quando o objeto de estudo da Educação Artística são as obras de arte, ou seja, o contato com elas, lembrando que as manifestações culturais e artísticas do ser humano são uma forma de linguagem e de interpretação e ressignificação da realidade.

Portanto, inegavelmente isso traz reflexos positivos para o desenvolvimento das crianças. “Essa apropriação converte-se em competências simbólicas porque instiga esse aprendiz a desvelar seu modo singular de perceber (…) e ampliar sua possibilidade de produção e leitura do mundo” (COSTA, 2006, p.23).

Por sua vez, Andrade (2013) segue no mesmo entendimento de que a Educação Artística não deve se restringir a atividades no campo do desenho geométrico, pois limita a capacidade de expressão individual e o fortalecimento das habilidades e tendências individuais.

Portanto, defende que por meio do estudo da história da arte e através do contato com expressões culturais e artísticas, a inteligência do aluno é estimulada e a personalidade é melhor formada, bem como as relações interpessoais, pois a  discussão sobre obras de arte faz com que as crianças desenvolvam o espírito crítico e a reflexão.

Em suma, Andrade (2013) afirma que a arte não pode ficar relegada a um papel secundário na formação individual de alunos, pois é capaz de estimular a criatividade e a reflexão sobre qual é o papel do indivíduo no mundo, se saindo muito bem tanto no campo prático em sala de aula quanto no plano teórico, o que evidencia que as possibilidades ainda se apresentam muito retraídas. Nesse sentido, Silva et al (2010) aponta que:

Podemos destacar a “Proposta ou Metodologia Triangular” difundida e orientada por Ana Mae Barbosa, que vem se afirmando por sua maior abrangência cultural. Essa proposta pedagógica integradora tem por base trabalhar três vertentes do conhecimento em arte: o fazer artístico, a leitura da imagem e a contextualização histórica. Outra ação que está interferindo na melhoria do ensino e da aprendizagem de Arte se refere a estudos sobre a educação estética do cotidiano, complementando a formação estético-artística dos alunos. (SILVA et al, 2010, p.3).

Por outro lado, para que o potencial da Educação Artística possa ser plenamente explorado, isso passa necessariamente pelo estímulo ao encontro com novas formas de expressão dos saberes, “para adaptar-se ao conhecimento em artes, dessa forma a arte deixa de ser uma disciplina que serve apenas como forma de integrar a grade curricular.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo do processo de realização de pesquisa bibliográfica e revisão de literatura observou-se que intervenções artísticas no âmbito da educação infantil servem a uma série de propósitos em campos distintos da atividade humana, o que eleva significativamente a complexidade do tema.

Em primeiro lugar é importante notar que a arte pode ser utilizada em sala de aula para criar uma sinergia maior entre professores e alunos, fugindo do padrão hierárquico onde o professor fica passando os conteúdos e os alunos devem se esforçar para absorvê-los, um padrão cujas origens se confundem com as demandas da revolução industrial por jovens formados para trabalhar nas fábricas, o que significa que nesse modelo escolar não havia espaço para a sensibilidade artística.

Isso significa que a arte tem um papel fundamental de quebrar com esse paradigma de escola cuja função única e exclusiva é a de formar indivíduos aptos para o mercado de trabalho, mas que não sabem lidar com o seu lado emocional e nem dialogar com o universo que os cerca.

Portanto, ao término deste estudo, compreende-se que a utilização da arte, da música e do teatro, entre outras possibilidades no contexto escolar serve ao propósito de formar em primeiro lugar seres humanos melhores que possam contribuir para a sociedade como um todo, algo que está mundo além de uma contribuição meramente mercadológica, cujo resultado são indivíduos com profundas angústias e vazios existenciais.

Isso ocorre, pois como foi dito sobre o teatro, mais importante do que o resultado é o processo, no qual as crianças discutem sobre os textos que devem ser abordados, quem se encaixa melhor em que papel, como devem ser as fantasias, a etapa de decorar os roteiros e a realização da peça propriamente dita.

E juntamente com a música, é possível observar que todas essas atividades mexem com todas as dimensões do espírito humano, como a dimensão física, emocional, intelectual e a sensibilidade artística, algo que é feito sem que as crianças percebam, pois estão inteiramente engajadas na atividade, ao invés de uma matéria que é passada de forma mecânica, o que certamente irá desestimulá-las.

REFERÊNCIAS

ARAUJO, Tânia Cristina Buzatto de. A importância da arte-educação na educação infantil. 2010. 66 f. Trabalho de conclusão de curso (licenciatura – Pedagogia) – Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências de Rio Claro, 2010. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/118100. Acesso em: setembro,2020.

CALDEIRA, Bianca Laura. O conceito de Infância no decorrer da historia. [S. l.]: Educadores, 2010. Disponível em: <http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/Pedagogia/o_conceito_de_infancia_no_decorrer_da_historia.pdf.> Acesso em: setembro,2020.

CAMPOS, Rubia Silva; TOLIO, Elisiane M. Moro.; SILVA, Maria José de Souza Vaz e. A Importância da Música na Educação Infantil. Revista Interfaces do Conhecimento. v. 01 | n. 01 | p. 112-124 (ISSN – 2674-998X) out./jan. – 2019/2020 | Barra do Garças – MT. Disponível em:< http://periodicos.unicathedral.edu.br/revistainterfaces/article/view/385>. Acesso em: setembro,2020.

COELHO, MÁRCIA AZEVEDO. TEATRO NA ESCOLA: UMA POSSIBILIDADE DE EDUCAÇÃO EFETIVA. POLÊM!CA, [S.l.], v. 13, n. 2, p. 1208-1224, maio 2014. ISSN 1676-0727. Disponível em: <https://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/polemica/article/view/10617>. Acesso em: setembro,2020.

COSTA, Elian Harsche da. A importância da Arte para o Desenvolvimento da Criança. Orientadora: Profª Maria Esther de Araújo Oliveira. Curso de Pós-Graduação “Latu Sensu”. Instituto a Vez do Mestre. Universidade Candido Mendes, Vitória, 2006. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/118100. Acesso em: setembro,2020.

FERREIRA, Danielle. A importância da música na educação infantil. (Monografia). Universidade Cândido Mendes. 2014. Encontrado em:  https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/3716. Acesso em: setembro,2020.

FONSECA, J. J. S., MORAES, A.M. Metodologia da pesquisa científica. Ceará: UEC, 2002.

FRANÇA, M.A.S. A Música e sua importância para o processo de ensino e aprendizagem infantil. Anais… IV Encontro Ouvindo Coisas e III Encontro de Educação Musical e Pesquisa (auto)biográfica: Sons da vida, Autobiografando histórias, 10 e 11 de outubro de 2014 – Universidade Federal de Santa Maria/RS Encontrado em:  https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/ppge/wp-content/uploads/sites/547/2019/10/Anais_IV_Ouvindo_2014.pdf#page=79. Acesso em: setembro,2020.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

GODOI, Luis Rodrigo. A Importância da Música na Educação Infantil. Monografia (Graduação em Pedagogia) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2011. Disponível em: https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/11/a-importancia-da-musica-na-educacao-infantil.pdf. Acesso em: setembro,2020.

GOLDENBERG, M. A arte de pesquisar. Rio de Janeiro: Record, 1997.

GONÇALVES, Raphaela Dany Freitas Silveira. O estado da arte da infância e da educação infantil do campo: debates históricos, construções atuais. 2013. 165f. Dissertação (Mestrado Acadêmico em Educação)- Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, 2013. Disponível em: http://tede2.uefs.br:8080/handle/tede/165. Acesso em: setembro,2020.

LIMA, A. C. da S. Os contos de fadas na educação infantil: reflexões sobre contribuições do teatro no processo de ensino-aprendizagem. 2017. 23f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Letras)- Universidade Estadual da Paraíba, Guarabira, 2018. Disponível em: http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/handle/123456789/15945. Acesso em: setembro,2020.

LIMA, G.P.; SANT’ANNA, V.L.L. A música na educação infantil e suas contribuições. Pedagogia em Ação [Internet]. 2015;101-16. Disponível em: http://periodicos.pucminas.br/index.php/pedagogiacao/article/viewFile/9227/7680. Acesso em: setembro, 2020.

MAIA, Janaina. Concepções de Criança, Infância e de Educação dos Professores de Educação Infantil. Campo Grande – MS. Universidade Católica Dom Bosco, 2012. Disponível em: https://site.ucdb.br/public/md-dissertacoes/11459-janaina-nogueira-maia.pdf. Acesso em: setembro,2020.

MARANHAO, Dominique Cristina Souza de Sena. Os saberes das artes visuais na educação infantil: o olhar de uma professora numa Escola Pública Municipal de Natal/RN. 2016. 95f. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de Artes – Profartes) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2016. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/23243. Acesso em: setembro,2020.

NASCIMENTO, M. L. B. P. Algumas considerações sobre a infância e as políticas de educação infantil. Educação & Linguagem, São Paulo, v.14, n.23/24, p. 146-159, 2011. Disponível em: https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/EL/article/view/2914. Acesso em: setembro,2020.

OSINSKI, D. R. B.; ANTONIO, R. C. Criança livre ou artista mirim? As exposições de arte infantil no Paraná (1940-1960). Impulso, Piracicaba, v. 20, n. 50, p. 49-61, jul.-dez. 2010a. Disponível em: https://www.metodista.br/revistas/revistas-unimep/index.php/impulso/article/view/371. Acesso em: setembro,2020.

OSINSKI, D. R. B.; SIMÃO, G. Emma Kleè Koch e as exposições de arte infantil: rituais coloridos pela educação moderna (1949-1952). Revista Brasileira de História da Educação, v. 14, n. 1[34], p. 195-222, 25 abr. 2014. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/rbhe/article/view/38869. Acesso em: setembro,2020.

SALLES, Conceição Gislâne Nóbrega de Lima. A Invenção da infância no pensamento filosófico e suas implicações na educação. In: SILVA, Alexsandro da; SALLES, Conceição Gislâne Nóbrega de Lima (orgs.). Temas em educação: diálogos Contemporâneos. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2010. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/5120/512051607010.pdf. Acesso em: setembro,2020.

SANTOS, A. R. Metodologia científica: a construção do conhecimento. 4ª. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.

SANTOS, A.; SANTOS, A. O teatro e suas contribuições para educação infantil na escola pública. Anais… XVI ENDIPE – Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino – UNICAMP, São Paulo, p. 5452–5463, 2012. Disponível em: http://www2.fct.unesp.br/docentes/geo/raul/geografia_humana2017/teatro_educa%E7%E3o2.pdf. Acesso em: setembro,2020.

SANTOS, Anderson Oramisio; DA MATA JUNIOR, Delcio Geraldo. TEATRO: DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Revista Valore, [S.l.], v. 4, n. 1, p. 762-774, nov. 2019. ISSN 2525-9008. Disponível em: <https://revistavalore.emnuvens.com.br/valore/article/view/215>. Acesso em: setembro,2020.

SANTANA, S. S. A. de. Teatro e educação infantil: um encontro possível. 2011. 67f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia)- Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, 2011. Disponível em: http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/handle/123456789/2007. Acesso em: setembro,2020.

SILVA, Elizangela Aparecida da et al. Fazendo arte para aprender: A importância das artes visuais no ato educativo. In: Pedagogia em ação. v.2, n.2, p. 1-117,nov. 2010. Disponível em: <http://periodicos.pucminas.br/index.php/pedagogiacao/article/viewFile/4850/5029> Acesso em: setembro,2020.

SILVA, J.B.; ABRÃO, K.R. O processo do ensino e aprendizagem da arte e sua contribuição para a formação da criança na educação infantil. Revista Humanidades e Inovação, v. 6, n. 13, 2019. Disponível em: < https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/708. Acesso em: setembro,2020.

[1] Pós Graduado em proeja pelo IFMT. Pedagogo – formado pela UFMT, também graduado em História – pela Universidade UNIDERP.

Enviado: Outubro, 2020.

Aprovado: Novembro, 2020.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here