A formação de professores para atuarem com o surdo

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A formação de professores para atuarem com o surdo
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ARTIGO ORIGINAL 

LIMA, Francisdalva Barbosa [1]

LIMA, Francisdalva Barbosa. A formação de professores para atuarem com o surdo. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 06, Vol. 02, pp. 05-19, Junho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O presente artigo busca destacar a importância da formação de professores para atuarem com o surdo, no processo educativo inclusivo. Tendo como base a proposta de ensino do Decreto nº 5.626/05 que determina a submissão da disciplina de Libras nos cursos de formação de educadores e de fonoaudiólogo e demais cursos superiores na categoria optativa. Elencaremos a Constituição Federal Brasileira (1988), Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) nº 9394/96, Plano Nacional de Educação (2014) assim como a Política Nacional de Educação Especial na probabilidade da Formação Inclusiva (2008) que dão um aparato legal de uma educação de qualidade. A Língua Brasileira de Sinais pertencente à comunidade surda brasileira assim como afirma a Lei de Libras nº 10.436/02, todavia encontramos desafios desde a formação do professor a sala de aula, devido à falta de informação e formação que atenda a necessidade dos estudantes. Então é preciso escolas preparadas para oportunizar com atendimentos educacionais especializados, que ofereça instrutor/interprete de Libras, Tecnologia Assistiva (TA), professores bilíngues preparados à realidade do educando e uma comunidade escolar interativa, não podendo exigir do surdo algo que não é de sua competência linguística (língua oral), e assim perceber que é digno da pessoa surda o uso da língua de sinais na capacidade e instrução do conhecimento.

Palavras-chave: Formação do professor, inclusão, libras.

INTRODUÇÃO

A educação é feita de paradigmas, e a formação inicial deveria propor condições de um trabalho docente consciente, não só de teoria, mas de conceber e compreender a realidade as práticas pedagógicas provindas da política da inclusão escolar, até mesmo as práticas pedagógicas dos professores de classe comum com alunos com necessidades educacionais, são ainda recentes no país. (SAVIANI, 2010).

A formação de professores para educação de surdos vem ganhando destaque nos últimos anos devido a necessidade de discutir sobre a disciplina de Libras nos cursos de licenciatura e consequentemente influi no processo ensino-aprendizagem oferecidos em nossa comunidade, majoritária ouvinte, em contrapartida, eles são uma minoria linguística, mas há necessidade de desmitificar situações históricas, visto que os surdos eram impostos ao método oralista. Faz necessário respeitar a diferença linguística e cultural para não estigmatizar a surdez como patologia.

É verdade que a inclusão na sala de aula está sem do aprendida no dia a dia, com relação à inclusão de educandos surdos, mas, devemos proporcionar acesso à cultura surda, a Libras, aos elementos que fortalecem a identidade bilíngue, assim como propõe o PNE, Plano Nacional de Educação (2014).

A formação de professores deveria garantir uma sólida cultura que lhes permita atingir uma aguda consciência da realidade em que vão atuar associadas a um consistente preparo teórico-científico que os capacite à realização constante, preparação consistente de suas atividades curriculares e atendimento às necessidades pedagógicas dos alunos, revendo e reelaborando os conteúdos e os métodos do ensino ministrado.

Compreender que a formação do professor precisa ser contínua e continuada que o conhecimento seja progressivo e sistematizado com perspectivas de inovar, vencer os desafios, faz-se necessário deixar de ver a educação como processo de integração, mas sim como inclusão, fundamentada nas concepções de direitos humanos, pois a civilidade é um direito de todos, com garantia de possibilidade e permanência nas escolas.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/96 no artigo 59 revela que os sistemas de ensino devem oferecer currículo, métodos, recursos, organização específicos para servir as necessidades dos educandos, sempre considerando as particularidades do aluno, seus desejos, circunstâncias de vida e de trabalho, mediando cursos de avaliação.

Através dessa política surgem escolas, classes e instituições especializadas para atender as pessoas com carência, com um tempo vê que há necessidade de inserir-se as pessoas em um recinto onde todos possam interagir. Segundo Stumpf (2004, p.144) “a escola é um espaço privilegiado que deve proporcionar a seus alunos […] as situações necessárias e essas interações significativas […] que darão início e continuidade a seus processos de aprendizagem”.

Desta forma o Ministério da Educação junto com a Secretaria de educação Especial propaga uma Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (2008) visa constituir políticas públicas de uma educação de qualidade para todos os alunos. Onde as escolas precisam estar capacitadas para cobrar todos os educandos e que tenham uma educação de qualidade, com profissionais de educação qualificados para atender as necessidades dos discentes.

METODOLOGIA

Uma forma de promover a formação do professor para a educação de surdos, traçamos uma abordagem qualitativa, num estudo exploratório para apresentar fundamentos consistentes, descritivo no sentido de expor as colocações dos autores pesquisados, assim como as legislações que abordam o tema e de forma discursiva buscamos explicitar e reconhecer quais as dificuldades para levar em consideração a situação atual da educação inclusiva para o surdo.

Na teoria vygostkyana,1995 concebe a aprendizagem e o desenvolvimento como processos contínuos, que apontam para mudanças no contexto social, tanto na sala de aula como fora dela, propõe uma teoria sócio histórica do desenvolvimento da aprendizagem, postulando que o pensamento e ações humanas são medidas pela linguagem.

Guijarro, (1997) mostra a necessidade de se repensar na escola, a aprendizagem e a formação do professor para atender à diversidade.

Assim os postulados dos autores relacionam a linguagem como agente construtor de conhecimentos e impulsionador das transformações das práticas sociais, fornecendo as bases para a elaboração do trabalho.

É importante que o professor seja apoiado e orientado no cotidiano escolar, de maneira a ser suscetível de ponderar de fazer censura constante sobre sua ideia, com suporte em recursos teóricos e metodológicos afim de recriá-la constantemente. Esta reflexão não deve se restringir apenas a uma teorização para compreender e explicar a realização, mas ser efetivamente crítica, de forma que sem cessar é necessário seja competente de reformular e recriar a realidade vivenciada em classe. Com o apoio financeiro da capes realizamos o I Seminário Nacional Especiais (2004), contando com uma participação significativa de profissionais, pais e estudantes oriundos de vários estados brasileiros.

Reconhece-se que desenvolver o processo de educação inclusiva não é algo fácil. Não é algo que consiga por um “passe de mágica”, requer planejamento, aceitação das diversas maneiras de ser e de se expressar de cada aprendiz, assim como uma meditação permanente sobre as práticas na escola, visando a oferta de resposta adequadas às suas necessidades.

Por tanto, urge mudança no sistema de valores e crenças existentes, na organização dos serviços, nas formas de perceber os alunos de maneira geral, sejam eles considerados dentro dos padrões na normalidade ou apresentam algum tipo de necessidade educacional especial, como também na forma de ensiná-los, com suas necessidades especiais.

É necessário investir, cada vez mais, neste sentido. A partir da realidade vivenciada nas escolas que se constituíram em campo para as investigações empreendidas por integrantes de base de pesquisa, vê-se avanços significativos ocorrendo, como por exemplo barreiras de medo, do desconhecimento, do preconceito, da descrença, sendo aos poucos derrubadas. Vê-se progressos pedagógicos de muitos alunos em ambientes comuns de ensino, professores se empenhando para conhecer mais sobre como atuar com diferenças de seus alunos, alguns voltando aos bancos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, outros participando de cursos, fora do horário de trabalho, até mesmo aos sábados.

Para tanto percebe-se em Nóvoa, (1992) que a formação de professores deve estimular uma situação crítico-reflexiva, que forneça aos mestres aos meios de um raciocínio autônomo e que facilite as dinâmicas de auto formação participada, aderindo aos princípios e valores inclusivos: agir profissionalmente utilizando os recursos e conhecimentos técnicos e específicos à formação acadêmica, mas sem esquecer que cada profissional, antes de sê-lo, é uma pessoa e cada aluno também o é; e, finalmente, auto conscientizar de que cada ação pedagógica é, sempre uma ação coletiva, apesar da solidão que muitas vezes ocorre quando o pensar e o fazer do professor não dão conta dos muitos problemas que enfrenta.

Portanto, a introdução dos desenvolvimentos vivenciados pelos diferentes grupos sociais é a obrigação que está posta para a formação do professor, principalmente na perspectiva da educação inclusiva. Este processo de formação, por sua vez, poderá favorecer a exclusão se não tiver em suas bases experiências e orientações inclusivas. A partir do compartilhamento destes saberes e experiências tem-se a convicção de que é preciso persistir, aceitar desafios, acreditar que a inclusão dessas pessoas é algo possível de ampliar cada vez mais o leque de ações empreendidas e de pessoas envolvidas nesse processo. É necessário, principalmente, investir tempo, esforços e recursos para que ela deixe de ser apenas um aspecto garantido na legislação e em documentos educacionais, uma utopia ou uma mera formalidade, como ainda é considerado por muitos, para ser uma realidade nas escolas regulares brasileiras de uma forma geral. (Vygotsky, 1995).

Segundo Martinez (2003, p.138) “o reconhecimento da característica de uma sociedade inclusiva supõe o reconhecimento do fenômeno de exclusão social como características da sociedade contemporânea”. Retoma-se então as três dimensões da inclusão em educação, agora em conta o aspecto da constituição do sujeito do professor.

Construir e cultivar culturas de inclusão no seio das experiências dos professores enquanto pessoas e educadores requer respeito e a compreensão da diversidade e de si mesmo como sendo parte da diversidade; com o objetivo de garantir o aumento da participação e da aprendizagem de todos é necessário aumentar a própria aprendizagem profissional e também a participação ativa como sujeito da inclusão. Construir e cultivar políticas de inclusão pressupõe planejar novas formas de atuação, com intencionalidade e ousadia, a fim de que os aspectos criativos do trabalho docente possibilitem novas formas de intervenção que garantam a participação de todos em diferentes campos de atuação e em diferentes espaços, aqui, mais uma vez, o sujeito professor entra em cena, na medida em que planejar é pensar e criar estratégias. O pensar é um ato individual, mas não é solitário. Afinal, não podemos esquecer que ninguém pensa sozinho. Pensar envolve ouvir e ser ouvido pelos os outros. É no pensar com o outro e para o outro que o professor pode encontrar estratégias adequadas a cada tipo de situações e problema enfrentado

Construir e cultivar práticas de inclusão pressupõe, também, manter-se motivado e envolvido para fazer a inclusão no dia a dia da sala de aula, não deixando que valores não inclusivos, como comodismo, elitismo, pessimismo, entre tantos outros, afetem a forma de trabalhar e planejar do professor, evitando assim excluir os alunos que apresentam diferentes ritmos de aprendizagem.

A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Através da Declaração de Salamanca (1994, p. 11), é feito um apelo aos governos para “assegurar que, num contexto de mudança sistemática, os eventos de formação do professorado, tanto inicial como contínua, estejam voltados para receber às necessidades educacionais especiais nas escolas”.

Dessa forma, nenhum profissional de ensino pode ser omitido de ser capacitado para a inclusão. Todos têm muito que aprender sobre ela, pois, conforme situa González (2002), com a educação inclusiva os educadores têm características possível de criar o clima adequado para o propósito e a cooperação; incentivar os discentes, produzindo esperanças e utilizando auxílio de amor próprio e medalhas; firmar-se a diferença como parte da audição; incentivar a confluência de todos os educadores por meio da atividade em equipe.

Para tanto, requer-se especialmente uma efetiva preparação de profissionais de educação, que proporcione um continuado desenvolvimento pedagógico e educacional, que reverta numa nova maneira de perceber e praticar com as diferenças de todos os alunos em classe. Preparação que os faça conscientes não apenas das características e potencialidades dos seus alunos, orientá-los em um ambiente inclusivo, assim como da necessidade de refletirem sempre sobre a sua prática, a fim de modificá-la quando necessário.

Enquanto não houver a oferta para esta instrução em nível superior, os professores devem participar de orientações de qualificação profissional sobre tais temas, ofertados pelos departamentos de educação e pelas instituições de ensino superior em parceria com organizações não-governamentais representativas das comunidades surdas.

Encaixa-se ao psicólogo e ao assistente social anunciar e orientar os pais (família) acerca das questões relativas à surdez; levar a família a meditar sobre a importância de sua participação no processamento de desenvolvimento da criança surda; assistir a família em suas necessidades psicossociais. (Vygotsky,1989, p. 60).

Na improbabilidade de contar com esses profissionais, tais serventias devem ser exercidas pela gestão da escola. Cabe ao professor/instrutor surdo, ensinar a Língua de sinais aos familiares; falar sobre suas habilidades enquanto surdo; orientar os pais na questão da comunidade com os filhos surdos, tendo em vista sua participação no desenvolvimento da linguagem das crianças. (Brasil,2001c,).

Skliar, cujas atividades na área da surdez tem sido uma relação no País brasileiro, ao tratar da formação do professor, ressalta a dimensão política dessa formação. Ele propõe ruptura com o modelo vigente caracterizado como positivista, histórico despotencializado. (Skliar, 1997, p.7). E defende uma ressignificação da escola como espaço de fronteiras e onde diferentes identidades possam conviver.

De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a educação infantil Brasil, (2001c), o professor deve desenvolver com as crianças a formação pessoal e social e conhecimento do mundo.

Tendo em consideração à formação pessoal e social, como frisa os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais, 1997) programa a ser desenvolvido é obrigação priorizar a questão da identidade e autonomia da criança. No que diz respeito ao estudo do mundo, devem ser adotados as ações que envolvam: expressão corporal; artes visuais; matemática; linguagem oral e escrita. O avanço de todas essas atividades com crianças surdas faz-se necessário que se realiza adequações e adaptações curriculares. Nessa perspectiva, cabe aos professores planejar atividades que propicie em o aprendizado de Libras sejam produções textuais e sinalizadas contextualizadas, com temas atuais de interesse tanto escolar quanto social.

FORMAÇÃO PESSOAL E SOCIAL

Toda criança tem o direito de construir uma personalidade original sua, agrupar-se como pessoa, adaptar-se consigo mesma até que tenha uma semelhança, e aparência humanamente respeitado. A começar da vitória pessoalmente. O professor deve facilitar e estimular a interação do aluno com surdez no grupo de colegas (total ou parcial), pois é por meio dessa relação que ele virá a enriquecer suas possibilidades de comunicação e expressão. Assim como outras crianças, o aluno com surdez vai compreendendo quais as atitudes e desempenho que ele deve ter para ser permitido no grupo, e isso ocorre por meio da observação e da imitação. (Santos e Souza 2002).

Recurso da contrafação é importante em todas as etapas do desenvolvimento do educando com surdez.

O educador não deve dar um título diferenciado a uma criança só por causa da surdez. Ela, como as outras criançadas devem respeitar as normas e aceitar os termos estabelecidos pela escola, e esses devem ser bem definidos. Dar o exemplo é uma das formas mais seguras para crianças com surdez entender as normatizações e os julgamentos, visto que incluir com o que vê, e não com o que ouve.

Apesar das regras na área da conversação oral, expressão corporal, artes visuais, matemática, a criança com ensurdecimento tem condições de se desenvolver como as outras crianças de sua idade. Aprender zelar de sua higiene pessoal, tomar conta de seu material, colaborar nos acordos coletivos, ajudar os colegas, saber receber ajuda, assumir papéis, tomar iniciativa, etc. são exercícios simples, mas que ajudam a fortalecer na criança a responsabilidade e a autonomia, contribuindo também para uma interação maior com os colegas de classe. O superdotado e/ou tratamento diferenciado dado a ele somente prejudicam o seu crescimento pessoal cognitivo.

LINGUAGEM ORAL E ESCRITA

Para o progresso de todas essas atividades com crianças surdas faz-se necessário que se realize adequações e adaptações curriculares. Os surdos não frequentavam escolas por serem desacreditados de sua capacidade de aprender e proibidos de exercer funções com os mesmos direitos de um cidadão.

Os mais importantes educadores de Surdos passaram a existir no século XVI, na Europa. Suas metodologias de ensino criadas, faz-se atualmente uso como: a língua auditiva oral nativa, sinais, datilologia (representação manual do alfabeto) e outros códigos visuais.

A primeira educação de Surdos no Brasil, iniciou-se no segundo império, com o Educador Francês Hernest Huet, que deu início o primeiro estabelecimento de Ensino Especializado para meninos surdos no país a solicitação de Dom Pedro II. A partir desta escola os Surdos estiveram a oportunidade de criar a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

A língua de sinais é comparável, a outras línguas orais, pois consegue passar o mesmo sentido e significado. Assim como a língua oral, a língua de sinais através de seus usuários é capaz de discutir filosofia, literatura, política, trabalho, poesias, contar estórias, dramatizações, teatrais e até cantar.

FORMAÇÃO E INCLUSÃO: O PROFESSOR E O EQUILIBRISTA

A ação pedagógica dos professores se configura historicamente ao longo das experiências obtidas em diferentes contextos. Nestes contextos eles vivenciam diferentes emoções, criam representações, resolvem conflitos, tomam decisões. Essas construções de sentidos delineiam sua prática pedagógica, bem como a forma de olhar os desafios e as diversidades. (MARTINEZ,2003;138).

Nóvoa (1992, p. 54) também afirma que a formação do profissional se constrói por meio de um “grande esforço de questionamento crítica sobre as ideias de reorganização permanente de uma igualdade pessoal. Por isso é tão importante empossar na pessoa e dar um estabelecimento ao saber da experiência”.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Este trabalho teve uma abordagem qualitativa adotando questionamentos, como suporte para adquirir informações por intermédio dos professores, verificando a qualidade e consideração do atendimento a formação de professores da Educação Especial, incluídos no ensino regular. A partir desta pesquisa pretendo analisar que um professor com formação em LIBRAS tem condições de ensinar pessoas com surdez junto aos alunos ouvintes, participando das aulas e desenvolvendo um aprendizado significativo. Como embasamento ao trabalho realizado fez se necessário alguns fundamentos teóricos, na busca de qualificar os educandos tendo como o tema: FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA ATUAREM COM O SURDO. É considerável criar uma maneira de assistência e solidariedade e consentir que a criança com surdez faça as coisas normalmente, obedecendo também aos limites comportamentais. Uma proposta de educação bilíngue é consolidada quando se faz uso de duas línguas no ensino-aprendizagem, com proposta de um currículo, atividades, eventos, ações, que oportunizam uma ação interativa e não apenas tradutória, enfim todos que fazem a escola usem a língua Portuguesa e a Libras, sempre respeitando as peculiaridades do aluno surdo.

Para Sassaki (1997, p.3) a inclusão é o “processo pela qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais”. Nessa perspectiva a escola se adapta cria meios para subsidiar uma proposta que atenda às necessidades do seu aluno, o professor preparado para receber a demanda social.

Assim a formação profissional dos professores, para que seja efetuada de uma forma que dê resultados eficientes e a futura atuação dos mesmos tenha aplicação satisfatória, a mesma deve levar em consideração não apenas os aspectos curriculares, mas também proporcionar uma reflexão a respeito da atuação e de como suas experiências e formações pessoais podem interagir com a atuação profissional.

Não significa dizer que a formação técnica tem menos importância, conforme mostrado por Inforsato (1996, p. 99):

Não se trata de desprezar a formação técnica dos professores, posto que, sem ela, as intervenções na prática educativa se tornam lacunares, e, às vezes, impossível. O que se torna problemático é encarar a formação como prioritariamente técnica. Acredito que tal formação deva ser vista de maneira que as atividades desenvolvidas ao longo de seu curso sejam momento propiciadores para que as pessoas ajam e, ao mesmo tempo, reflitam sobre seus modos de agir.

Em determinadas brincadeiras, onde a ênfase é a fala ou o som, deve-se estudar uma maneira de interagir: ou lhe dando um apoio visual (língua de sinais) ou dando-lhe um papel em que ela possa utilizar a imitação. A criança compreende muito bem quando é incluso ou não no grupo. Com o tempo o professor descobre que, além da mãe ou de algum outro integrante familiar, sabe entendê-la e pode fazê-la compreender suas vitórias, colocar limites e elogiar seus esforços. A preocupação do professor é não deixar a criança muito dependente dele, dando-lhe espaço de autonomia como nenhuma outra criança, mas, ao mesmo tempo, oportunizar lugares e papéis mais adequado, para que saiba integrar-se e tomar suas decisões dentro da turma. Em termos de comunicação, o professor deve utilizar a língua de sinais, assumindo o acordo de repassar tamanho conhecimento aos outros componentes da escola, adquirindo deles o encorajamento contínuo à criança. É fácil reconhecer as potencialidades de uma criança com surdez.

Quando a criança surda se depara na creche, naturalmente é envolvida nas amizades com os demais alunos. A conversação entre os colegas poderá ser mais fácil e verdadeira se o professor de LIBRAS ensinar a todos a língua de sinais.

CONCLUSÃO

Apesar de não esgotar a discussão teórica acerca da temática investigada, sobre a Formação de professores para atuarem com o surdo. Verificou-se que os professores têm possibilidades de motivar os alunos, ou seja, a hipótese levantada a partir do problema científico apontado produzindo expectativas positivas e utilizando reforços de autoestima e reconhecimento. Nossos estudos aqui não se propõem a resultados definitivos. São reflexões e discussões em relação às experiências que nós professores do ensino regular no processo de inclusão do aluno surdo. Uma formação dialógica e consciente do papel do professor para cidadania inclusiva, mas temos consciência que é uma construção contínua, pois estamos falando de língua, cultura e identidade diferente das pessoas ouvintes. São desafios que precisamos vencer, a prática nos tornará mais próximos do ideal de educação que os surdos almejam.

Destacamos, como importante, a formação dos professores diante da proposta de uma educação inclusiva dos alunos com necessidades educacionais especiais. Formação esta que observe cursos, debates, seminários, pensamentos teóricos e ações em vínculo a essa educação.

Ressaltamos também que a ação pedagógica dos professores está relacionada à sua constituição histórica, em outras palavras, aos seus valores e convicções e às características dos espaços sociais onde conviveu, convive/e ou vive. E isso exige uma disposição intensa para trocar com o outro, aprendendo e ensinando nesta relação; criando novos sentidos para sua prática e construindo subjetivamente novas posturas políticas e valores pedagógicos.

Terminamos ressaltando a necessidade de se valorizar e formar professores ativos, criativos e verdadeiramente comprometidos com o processo de inclusão em educação, que encarem o trabalho docente como desafio duradouro e como lugar de concepção de sentidos, valores emocionais e, sobretudo, que lutem com otimismo e persistência.

A integração desse olhar para a formação do educador é uma experiência de replicar as demandas dos estudantes que tem vivido dificuldades em suas trajetórias escolares de sucesso. Certamente, essa experiência será mais rica, e simultaneamente, mas conflituosa na medida que pressupõe o revigoramento da identidade de um grupo diferenciado em qualidade de toda uma série de problemas reconhecido de denominação e segregação. O que defendo, em outras palavras, é a necessidade de formar profissionais que acolhem o novo presente em cada aluno surdo, livre de preconceito e comprometido politicamente com a colocação cultural e social de fornecer sentido, de construir conhecimentos e diferenciar a integridade do desenvolvimento e respeito de suas diferenças.

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PADDEN, Carol A Journal Article; in: Golen New Sletter of techology and Education, volume 1 (1989).

[1] Licenciada em Pedagogia pela FALBE. Especialista em Psicopedagogia Institucional pela INTA. Especialista em Libras Português Tradução e Interpretação pela faculdade DOM BOSCO. Cursando mestrado em Ciências da Educação pela LOGOS university International, UNILOGOS, Miami, Estados Unidos.

Enviado: Abril, 2019.

Aprovado: Junho, 2019.

 

Licenciada em Pedagogia pela FALBE. Especialista em Psicopedagogia Institucional pela INTA. Especialista em Libras Português Tradução e Interpretação pela faculdade DOM BOSCO. Cursando mestrado em Ciências da Educação pela LOGOS university International, UNILOGOS, Miami, Estados Unidos.

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