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A perspectiva de intertextual da literatura infanto-juvenil como instrumento mediador de reflexão no processo educativo

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A perspectiva de intertextual da literatura infanto-juvenil como instrumento mediador de reflexão no processo educativo
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RABELO, Josival Carvalho [1], CAMPOS, Pablo Kristian Trindade [2], COUTO, Gabriel Donato Ramos [3]

RABELO, Josival Carvalho, CAMPOS, Pablo Kristian Trindade, COUTO, Gabriel Donato Ramos. A perspectiva de intertextual da literatura infanto-juvenil como instrumento mediador de reflexão no processo educativo. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 09, Vol. 01, pp. 05-16, Setembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

De um mundo ao outro, o ser humano é educado. Por isso, os contextos variam e sua educação enquanto indivíduos também se modificam com o tempo. De certo modo, cada pessoa nasce, se desenvolve, reproduz e morre. Esse é o ciclo natural da vida. Dessa maneira, cada ser humano passa por fases, logo por etapas de educação distintas. Isso tudo ao longo de um período formal e informal formam sua personalidade. No entanto, são reflexos de tantos outros traços de influência do meio social, do mundo. Afinal, o ciclo normal de cada indivíduo transita-se pela infância para a vida adulta, da concepção ingênua de mundo ao mundo complexo. Isso, até uma visão cada vez mais crítica da realidade. Por essa razão, as distintas obras e pensadores expostos neste material de estudo e pesquisa se complementam para esclarecer à educação humanizada.

Palavras-chave: Ser humano, Educação,tempo, Mundos.

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, houve um aumento significativo no número de experiências, debates e propostas para reformas educacionais. Assim, há uma crescente necessidade de atribuir à Escola e à Literatura a função de ser o meio de informação, treinamento e prazer (COELHO, 1985).

Como resultado dessa atitude, a literatura infanto-juvenil está se tornando uma das principais ferramentas para desenvolver uma nova mentalidade. Deste modo, a importância de estudos sobre a relação entre a literatura infantil e os valores pelos quais nossas crianças querem passar é evidente (KHÉDE, 1990).

Dessarte, a necessidade de uma harmonia entre os valores presentes na literatura infanto-juvenil e as exigências do novo milênio, com seus novos valores crescentes, merecem. Assim, essa literatura não pode ser vista como entretenimento simples (GÓES, 1991).

A ação pedagógica, juntamente com a criança, passou a privilegiar o livro como essencial para o desenvolvimento acadêmico e afirmação cultural. A função social da Literatura infanto-juvenil é provocar na criança novos modos de pensar, levando-o a mudar não só os paradigmas, mas também seu ponto de vista como cidadão, agindo inteligentemente em busca da compreensão do mundo (CUNHA, 1985).

Portanto, ao começar essa obra, do mundo infanto-juvenil ao contexto do adulto educado. Tal artigo reúne ideias de diversos autores dentro de uma perspectiva de intertextualidade e compreensão de educação. Assim, suas relações são comuns e distintas, no entanto próximas entre si. Parece um paradoxo, a princípio porque o entendimento explora: “O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos; seguida da “História da Educação: do Iluminismo à indústria cultural (1823-2005), de Sônia Marrach; da Arte Pela Educação, de Herbert Read; A Prática Educativa: como ensinar, de Antoni Zabala; e a Educação Especial no Brasil: história e políticas públicas, de Marcos J. S. Mazzotta. Como ver, campos amplos de educação e estudo exploratório do saber.

DESENVOLVIMENTO

Inicialmente, parte-se de literatura Infanto-Juvenil, da história, da importância da arte e da prática educativa, à educação especial. Com isso, para refletir sobre os contextos e os desafios de cada época e da educação como um todo. Apreende disso, o significado do imaginário das crianças para o desenvolvimento delas, o conhecimento da realidade, do mundo do de “faz de conta” infantil. Assim, bem como dos outros contextos ocultos da educação, da importância da arte para o aprendizado, para a relação social. E, sobretudo o ensino aos portadores de necessidades especiais no Brasil, na questão da acessibilidade e inclusão social.

De forma resumida: “O Meu Pé de Laranja Lima” traz um personagem de vida difícil, um menino chamado Zezé, filho de família muito pobre e numerosa. Seu pai, em condição de desempregado e sua mãe, empregada de uma tecelaria. Por ora, ele uma criança sonhadora e inteligente, que muitas vezes precisou trabalhar para ter o mínimo (alguns trocados); enquanto outras, tinham muito sem trabalho, esses eram filhos de famílias com dinheiro (“ricos”). Logo, aquele Zezé garoto “aprendeu cedo demais às coisas, […] na escola sabia muito em comparação com os demais colegas de turma, era considerado pela professora um bom garoto. Ainda criança, era doido por histórias” (VASCONCELLOS, 1975, p. 12). Por essas razões, a educação é importante. Ela não é uma ciência exata, é humana.

Em meio as suas frustrações, travessuras e descrenças do natal, conhece de modo inusitado uma árvore, era um pé de laranja lima (no final foi cortado). O qual falara com ele surpreendentemente. Parecia mágica, ele se tornou o seu confidente (“miguinho”). Na vida adulta, teve apoio de algumas pessoas, como Manuel Valadares e outros.

Na obra, “Outras histórias da educação: do Iluminismo à Indústria cultural (1823-2005)” revela dentro dos seus nove capítulos, os quais estão divididos em duas partes outras faces da educação e daquela sociedade até a mais recente.

Os fatos por detrás de uma sociedade ditam ainda conservadora ou posteriormente libertária ou democrática escondem sua arrogância e controle sobre outra classe social, sobre o pensamento de controle do homem sobre o homem.

Às ideias iluministas entraram em conflito com os ideais dos conservadores. “O Iluminismo que é tanto um conjunto de ideias quanto um fenômeno social” (MARRACH, 2009, p. 15). Daí começa, surge o novo homem, mais pensante e esclarecido. Como também as lutas, até mesmo guerras. O poder da elite começara a ser ameaçado, assim como o governo de poucos. Os impérios começam a cair, e inicia-se em seguida a sociedade administrada. Outra forma integrada de controle, talvez menos agressiva por um lado. “O sonho acabou, o mundo caiu, nasce à nova sociedade: administrada; mas, com reivindicações” (Ibid, p. 108). Então, nem tudo é claro. Há muita escuridão ainda, embora acendessem algumas luzes na humanidade.

De algum modo, não muito diferente acontece no campo da educação essa nova atitude idealizada. Para tanto, àquela escola tradicional que servia ao estado, aos dominantes ou imperadores como instrumento de controle e submissão. A partir desse ponto, principia outra realidade, cuja educação tinha que ser plena, transformar, libertar, ser humana. Onde o homem deveria ter uma formação autodidata, crítica e, mais que reprodução, criar a cidadania política. Isto é, conscientizar, principalmente a juventude. Dessa forma, “a consciência, essa visão mais global, mais profunda da sociedade é fundamental para o indivíduo viver em uma em época de mudança” (Ibid, p.119). No entanto, as mudanças ainda estão em curso na educação.

Talvez, por isso o iluminismo fora considerado, segundo Kant: “[…], como se sabe, foi definido como a maioridade do gênero humano, em outras palavras, o uso maduro da razão” (Ibidem, p. 14). Liberdade ou o contrário? O contexto da civilização industrial era muito complexo e obscuro. Pois, não havia uma clareza. O homem era preso à escuridão da ignorância, desconhecia sua condição, sua miséria até então.

Entretanto, havia aqueles que tinham o conhecimento, e suas expressões serviam de crítica e reflexão, muitas das vezes com teor de humor ou ironia. Como muitos jornalistas, (imprensas como: Tifis Pernambucano [Pernambuco], de Frei Caneca; Sentinela da Liberdade, de Cipriano Barata [Bahia] e certos escritores, poetas (Gregório de Matos; eram as “luzes da razão” também, que denunciavam as injustiças, a escravidão do homem negro, assim como a exploração do homem branco e tantas outras mazelas da época.

No Brasil, essas pessoas de grande intelecto e cultura eram muitas das vezes perseguidas, presas ou até mesmo mortas por difundir as ideias iluministas ou por simplesmente tentar esclarecer as coisas, os fatos por detrás das intenções, – que pareciam cômodas e justas aos olhos dos alienados da época.

No entanto, não eram. Apenas eram formas alternativas de controle social; e para atender a interesses das elites, dos poucos privilegiados e dominantes.

Dessa forma, a pedagogia era “[…] a educação, que deveria ser uma formação para a emancipação, veio a tornar-se um instrumento constituinte da servidão e da alienação […] vocação reducionista” (Ibidem, p.14). Doravante, aconteceram os debates entre os séculos XVIII e XIX: “[…] na educação criar o novo homem para a nova sociedade e a liberdade de faca” (Ibidem, p. 40-41).

De fato, a tirania da liberdade enfrentada pela adversidade de uma sociedade atrasada, burocrática e absolutista. Onde os liberais radicais procuraram esclarecer a opinião pública diante do verticalismo da (elite). Nisso, igualmente “há um abismo, provocado por duas guerras mundiais, revoluções e experiências totalitárias” (Ibidem, p. 104). Por isso, muitos indivíduos têm pensamentos e atitudes retrógrados.

Decerto, a pedagogia moderna é reduzida para três práticas tradicionais, resumindo, surge à educação emancipadora. Já no Brasil, acelera a transição da sociedade agrário-escravocrata para a urbano-industrial. Ao longo dos anos, transita a educação do aluno dócil para o aluno questionador, (formação integral). Segundo Rousseau: “Pronto para construir a sociedade livre” (Ibidem, p. 139). Atualmente, há uma massificação do ensino e da cultura (uma nova propaganda).

O homem consumidor, capitalista, mecanizado ou de mercadoria “sofrido pelas transformações condicionadas pelo progresso técnico e econômico […]. O homem moderno perdeu a experiência e a memória”, segundo Benjamin (Ibidem, p. 152). Assim, perdera-se a liberdade como ser humano.

Essa é a nova cena da utopia de sociedade sem classe. Por isso, o problema da escola pública é diante das mudanças em percurso: preparar o trabalhador para operar máquinas ou para a liberdade intelectual. Enfim, adota-se a primeira ideia. Nesse período, a nova escola entre os anos 20 aos 60 tinha como educadores: Fernando Azevedo, Anísio Teixeira e Cecília Meireles. E no Brasil, Florestan Fernandes, anos 50 e 60.

Depois como proposta de transição, no país surge Paulo Freire com outro pensamento e atitude de educação “relacionando alfabetização e conscientização voltadas para a liberdade, de acordo com o princípio humanístico” (Ibidem, p. 194). Segundo ainda Freire, “a liberdade é o principal problema do mundo moderno, de nosso mundo” (Ibidem, p. 179). Paradoxalmente, disse Cecília sobre o papel da Escola Nova: “formar cidadãos capazes de participar criticamente da vida pública” (Ibidem, p. 183). No entanto, não se soube ou não se quis fazer isso. Na época, a educação servia aos interesses dominantes, não era popular nem libertadora. Desse modo, a educação ainda servia aos interesses da elite, estava no controle de tudo.

Além do mais, o ensino passara a ser como uma empresa capitalista, “economia da educação” (Ibidem, p. 205). Mais na frente acentuam-se à falta de comunicação, ou seja, o autoritarismo (ditadura militar).

Mesmo em virtude dos acontecimentos ao longo dos séculos, dos desafios da pedagogia e da sociedade, bem como das novidades e das ideias iluministas transformadoras, inclusive das discussões e das muitas lutas políticas. Isto é, mudaram várias coisas, muitos pensamentos (e o controle das almas). Porém, “o mito da educação para a cidadania […] que buscava o esclarecimento e a autonomia do indivíduo […] capaz de cuidar de seu bem-estar, sem esquecer-se da coisa pública” (Ibidem, p. 232). Entretanto, continua ainda a linguagem persuasiva dos meios de comunicação, levado pelo mercado. Pois bem, exercer outra autoridade como autonomia e liberdade nesse contexto, onde é tarefa talvez utópica.

Por conseguinte, um sonho de sociedade justa! Por isso, atentem-se a reflexão, (Ibidem, p. 262): “Antes das técnicas de reprodução, a arte tinha função ritual, estava ligada à tradição, à religião, à nobreza, e era profundamente elitista.” Contudo, o Estado assume o controle, mormente no Brasil, controlando os meios de comunicação e a indústria cultural. Com isso, submetida ao capital, individual. Porque, a educação não tem uma ideologia definida nem uma sociedade emancipadora ainda.

Na verdade, há uma crise instalada na educação brasileira. E, essa crise não é recente, vem desde a colonização do Brasil pelos portugueses vindos da Europa. Ou seja, há uma cultura longa de exploração perversa.

Já na obra: Arte Pela Educação, o autor trabalha sobre as duas possibilidades irreconciliáveis e outras concepções de educação, mas, primeiro, inicia-se com a ideia de o homem deveria ser para se tornar o que é; ou o que não é. Esses são os objetivos. Está aí o princípio e a confusão sobre as teorias. Diante disso, talvez se esqueça dos processos de maturação física e adaptação social das crianças. Do mistério da mente delas.

Outra coisa também é relevante à educação como disciplina moral. Por isso, direcionada a dois propósitos: multiforme ou uniforme. Isto é, a essência é diferenciada. Sua definição é individualizada em sociedade. Desse modo, já dizia Herbet Read (2001): “Se um indivíduo alcançar a integração social, será chamado de bom cidadão; se não o fizer, será chamado de mau cidadão” (p.6). A educação deve ser mais que isso, precisa do desenho e da transformação social. Da música e dança, da poesia e teatro, engenho (pensamento). Ou seja, da percepção e da imaginação. Perante isso, “a arte é representação, a ciência é explicação – da mesma realidade” (Ibid, 2001, p. 12). Em resumo: O objetivo é formar artistas, pessoas críticas e atuantes por meio do ensino crítico, libertador e eficiente.

Agora, no capítulo IX, ele fala da sua inexperiência, pois não é professor. Teoriza sobre o ensino, o educador. Trabalha a ideia da atividade experimental, do fazer as coisas com crianças. Isto é, os pequenos precisam participar, produzir junto (relação professor e aluno é recíproca), fazer uma seleção no meio dessa amizade. Pois, os elementos as educam, assim como as relações. Para isso, deve-se à compreensão do educador e também como elemento desse processo de interação. De forma gradual o professor aprende e antecipa à realidade do aluno (sensibilidade). Ou seja, têm-se visão construtiva. Assim, “o mundo – todo o meio ambiente, a natureza e a sociedade – ‘educa’ o homem” (Ibidem, p. 320). Ou seja, em cada ambiente.

De fato, não depende apenas da escola. O professor precisa saber o que quer como filosofia de educação. Por isso, todo profissional da escola deve ter ciência da sua responsabilidade para com a educação.

Com isso, a obra Prática Educativa: como ensinar expõe sobre a compreensão dos desafios, e, como o professor deve ser em seu ofício docente. O que implica, ter competência e experiência o bastante, principalmente para saber mediar o conhecimento, planejar e trabalhar na direção da aprendizagem significativa. Ou seja, uma concepção construtivista, criteriosa, diferente.

Assim, mediante o conhecimento e a experiência do professor aliada com sua habilidade social e intelectual consegue fazer de uma aula simples, um grande aprendizado (um espetáculo). Algo diferente, com prazer e significativo aos alunos. Para isso, ele precisa estudar sempre, realizar formação continuada e aprimorar o seu ensino.

Outros passos importantes, o professor saber observar a turma em suas particularidades, o que sabem e o que ainda não sabem (conhecimentos prévios). Tudo deve servir de base para um bom planejamento no processo educativo e adequação das atividades. Pelo exposto, disse Zabala: “um dos objetivos de qualquer bom profissional consiste em ser cada vez mais competente em seu ofício” (2008, p. 13). O que significa superar desafios ininterruptamente.

Nessa concepção mediadora, “o ensino tem que ajudar a estabelecer tantos vínculos essenciais e não-arbitrários entre os novos conteúdos e os conhecimentos prévios quanto permita a situação” (Idem, p. 38). Não basta vender ou dar aula, é preciso ser mais, ir além disso. Isto é, surpreender o aluno (o), conhecer e se adaptar à correção das dificuldades. Um caminho possível: leituras que envolvam alunos; fazendo também pesquisas, observações, exposições, estudos de acordo com sua realidade, e muito mais.

O ato de fazer cópias apenas não ensina, reproduz (é conservador); por isso é preciso provocar, utilizar outros meios, outras mídias, seja o computador, a televisão etc.

Na educação, o compreender do contexto é enriquecer o ensino (aprendizagem), não se ensina só de modo tradicional (reducionista); é preciso um novo modelo (construção). Por essa perspectiva, cada profissional deve ter uma visão especial, uma linha de trabalho, mas pensando sempre no aluno, no processo ensino-aprendizagem do grupo. No aprender com qualidade. Decerto, para Zabala (Ibid, p. 18): “conjunto de atividades ordenadas, estruturadas e articuladas para a realização de certos objetivos educacionais, que têm um princípio e um fim conhecidos tanto pelos professores como pelos alunos […].” E, por isso é imprescindível conhecer e haver uma sequência didática, (o sentido e o papel da educação, a função do saber), mas é preciso, inclusive, às vezes quebrá-la para que o aluno saia da zona de conforto.

Por isso, de modo interessante é a concepção construtivista, onde há momentos sucessivos de equilíbrio, desequilíbrio e reequilíbrio. Assim, a relação pessoal influencia muito na aprendizagem, como para a inserção social. É, sobretudo, analisar as capacidades que se pretende desenvolver nos alunos para a sociedade.

As capacidades cognitivas de cada aluno são diferentes, porém, igualmente, capaz de trabalhar os conteúdos, sejam factuais, conceituais, procedimentais e atitudinais. Cada professor deve decidir: ensino adaptativo ou reprodutivo? Este reproduz, vem de cima para baixo, (do professor para o aluno); já o outro, o professor é o intermediador do saber (processo meta-cognição).

A organização social da classe e do estudo são outros dilemas da educação! Zabala afirma que, além das grandes declarações de princípios, sua função social “tem sido selecionar os melhores em relação à sua capacidade para seguir uma carreira universitária ou para obter qualquer outro título de prestígio reconhecido” (Ibidem, p. 27). Desse modo, subvalorando o valor informativo dos processos que os alunos (as) seguem ao longo da escolarização da pessoa.

Há grupos dentro da direção da escola, de maneira semelhante acontece com a turma também, formam-se grupos fixos ao invés de flexíveis. Ou seja, em turmas grandes costuma muitas das vezes os alunos ou profissionais da educação não conhecerem os demais colegas, não ter uma maior aproximação. Há uma relação de certa forma distante. Não incomum acontece na distribuição do espaço escolar, no social, com os conteúdos e distribuição do tempo. Enfim, há uma distorção, é fragmentado, sistemático demais. Traduzindo: tradicional.

Mas, o planejamento é necessário para que se estabeleça um horário que pode variar conforme as atividades previstas no transcurso de certo tempo. Afinal, globalizar ou seguir a matéria por disciplina? A metodologia fragmentada limita o aprendizado, o aluno. Por isso, o caminho mais aceitável seria o todo (global). Partir do geral para o específico.

O aluno deve ser o primeiro (o centro); já a matéria, a segunda. Do contrário, é disciplinar ou interdisciplinar. É preciso especialmente ser transdisciplinar. Formar plenamente para o exercício da cidadania, para a vida. O que somos, o que sabemos e o que sabemos fazer.

O conhecimento enciclopédico é limitante do saber, reduz o aluno a uma habilidade; enquanto que o de instrumento de análise, compreensão e participação social faz com que ele cresça, seja mais próximo da plenitude. Que consiga encontrar suas próprias respostas, ser criativo, ser um ser humano crítico.

Há duas opções, na verdade um paradoxo diante do ensino: tradicional ou o construtivista. Este deve ser um dos caminhos, o da construção (moderno). Contanto, a avaliação, quanto à autoavaliação não pode ser um episódio ou um engano; mas algo que deve ser planejado seriamente. Assim, também de nenhum modo os materiais curriculares podem substituir a atividade construtiva do professor.

Finalmente, a obra da autora Lucia Reily, Escola Inclusiva: Linguagem e mediação trabalham sobre os variados instrumentos de aprendizagem e a reflexão sobre a prática vigente de ensino. Onde “a palavra se tornou o próprio objeto de estudo. Saiu da linguagem e adentro na metalinguagem” (2004, p. 21). Procura compreender e fazer entender o papel da escola, da família e do professor. Vai além do ofertar vagas no ensino regular, tenta conscientizar as pessoas, inclusive provocar as autoridades para o poder, para mudar.

Com isso, busca inserir os alunos com necessidades especiais de acordo com especificidade. Não basta oportunizar o ensino deles no sistema regular, é preciso dum espaço próprio para isso, duma preparação para lidar com essa demanda, essa gente necessita duma atenção diferenciada, humana. Muitos professores não têm certa habilidade para trabalhar com esse público diferenciado. Sua preparação fora para os alunos considerados “normais.”

Diante doutra realidade (especial), o professor fica perdido por não saber lidar adequadamente; outros não têm interesse, isolam o aluno especial num canto. Pois bem, isso não é inclusão, é exclusão dentro do espaço escolar. Dentro de onde deveria havê-la.

Mas, segundo a obra da autora Lucia Reily: (Idem, p. 60) “existem algumas soluções já consagradas e amplamente utilizadas nas salas de recursos ou em classes especiais, como o cubaritmo e o sorobã…” (ábaco). Além desses, há outros como blocos lógicos, material dourado, tangran, entre outros.

Para a educação inclusiva há variadas formas para incluir ou adaptar-se nos sistemas de comunicação, fácil não é; mas, há caminhos possíveis, como a suplementar e a alternativa. A questão dos jogos, do “faz de conta,” do contar histórias. Por isso, “linguagem e comunicação são conceitos complexos, […] considerados sinônimos pelo senso comum” (Idem, p. 67). Ao refletir, considera-se cada situação como importantes análises interventivas, sejam físicas e/ou mental, ou até mesmo as duas concomitantemente.

De grande iniciativa, um passo é dado à inclusão dessas pessoas com necessidades especiais. Ou seja, pode haver crianças e pessoas adultas com síndrome de down, paralisia cerebral, deficiência visual, auditiva, motora e outras. Todas precisam de uma atenção específica.

Com as ações imprescindíveis dos sistemas de adaptação Bliss, braile, língua de sinais, pranchas e outros que foram importantes e que ainda também são. Além do código escrito para os “normais”; todos os sistemas e códigos de linguagem e comunicação são importantes para o desenvolvimento da pessoa especial. Ou seja, deve haver um constante respeito, como também se adaptar a cada realidade, ao contexto da pessoa. Uma posição especial perante os sujeitos em formação.

Outro detalhe importante para a linguagem e a oralidade (o imaginário) é contar histórias para elas ouvirem, é essencial para o letramento, para o desenvolvimento pleno. Segundo Emília Ferreiro e Ana Teberosky: isso vale para crianças com e sem necessidades especiais” (1984). Abaixo, elas ainda acrescentam sobre a criança:

Aprende a falar naturalmente, porque se encontra imersa num mar de linguagem, onde sentidos são constituídos nas trocas entre interlocutores […] níveis variados de competência linguística […]. O domínio da língua se dá de forma contextualizada, em práticas significativas, não por meio de exercícios artificiais. (p. 89).

O espaço escolar deve ser inclusivo, mas sozinho não resolve. É preciso dum entendimento, como instrumento de sinais corporais e físicos (gestual e pictórico). Enfim requer reflexão, envolvimento da família, da escola e profissionais de saúde.

A escola que inclui trabalha com jogos, com histórias, a acessibilidade dos alunos e outros, intertextos, interpretações, leituras com a escrita convencional e as alternativas (mídias visuais, auditivas, sinais, objetos, ampliação gráfica, etc.) Além do mais, pode-se consultar “profissionais especializados, que contribuam para auxiliar o professor a encontrar maneiras simples de resolver problemas de acessibilidade na prática pedagógica” (Ibid, p. 111). Para isso, o diálogo é importante à formação humana.

A linguagem da educação inclusiva deve ser sempre mediar o saber, o conhecimento, mas dentro da realidade da inserção social dos alunos portadores de necessidades especiais. Os instrumentos descobertos e inventados são apreensões de cada contexto, de cada aluno especial. Variados portadores de necessidades especiais ajudaram à humanidade a aperfeiçoar as invenções, contribuindo significativamente para suprir suas necessidades e a dos outros, ao longo do tempo.

Com base nessa ideia, expôs a autora “[…] o letramento, em braile ou em grafia, é cidadania: é a marca que identifica o sujeito como capaz de partilhar da cultura de sua comunidade” (Ibidem, p. 165). Dessa maneira, o desafio para com essa educação especial é de extrema especialidade.

De tudo isso já exposto, profissionais da pedagogia poderão suprir muitas dessas limitações, ao desenvolver estratégias propícias de aprendizado e inclusão. Inclusive, de si mesmos, através dos meios possíveis de cursos de formação, informação, readaptação e acessibilidade a todos. Para isso, necessita-se pôr em prática, construir juntos, envolver corpo e alma no processo. Do contrário, portanto é uma tarefa distante, meramente utópica. Portanto, integrar não inclui.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No esforço de normalizar a vida cotidiana, muitas vezes as relações escolares com o meio social substituem a realidade vivida por uma utopia pedagógica. Desta forma, os conflitos existentes que permeiam a comunidade da comunidade envolvente nem sempre são devidamente questionados.

Na medida em que a obra literária infanto-juvenil é produzida, o texto pode se tornar um importante instrumento de intervenção na realidade. Desse modo, os textos literários selecionados e adotados acabam refletindo a ideologia das tendências educacionais atuais. A literatura infanto-juvenil é entendida como um agente emancipador, capaz de projetar a criança para além do universo cotidiano, criando a vida como ela ainda pode ser vivida.

Dessarte, seu caráter educativo, em sentido amplo, deve ser resgatado, em detrimento da função meramente pedagógica. Cada vez mais, autores de textos infantis tentam criar, via literatura, um espaço harmonioso entre a criatividade e as relações da criança com o mundo, estimulando a curiosidade, a descoberta, o prazer da palavra poética.

Portanto, a educação é um complexo de relações sociais e afetivas. De uma cultura de poder e transformação social ou reprodução das dequigualdades existentes. Assim, para o sucesso da inclusão ou fracasso da integração. Então, toda forma de educação e ensino deve ser especialmente desenvolvida. Portanto, para alunos e seres humanos especiais como um todo.

REFERÊNCIAS

COELHO, Nelly Novaes. Panorama histórico da literatura infantil/juvenil. São Paulo: Ed. Quiron, 1985.

CUNHA, Maria Antonieta Antunes. Literatura infantil: teoria e prática. São Paulo: Ed. Àtica, 1985.

GÓES, Lúcia Pimentel. Introdução a literatura infantil e juvenil. 2.ed. São Paulo: Ed. Pioneira,1991.

KHÉDE, Sônia Salomão. Personagens da literatura infanto-juvenil. 2. ed. São Paulo: Ática. 1990. p. 21.

MARRACH, Sônia. Outras histórias da educação: do Iluminismo à Indústria cultural (1823-2005). – Ed. UNESP. – São Paulo, 2009.

READ, Herbert. 1893-1968. A educação pela arte. Tradução Valter Lellis Siqueira. – São Paulo: Martins Fontes, 2001. – (coleção a)

REILY, Lucia. Escola Inclusiva: Linguagem e mediação. (Série Educação Especial). 2. ed. – Campinas, SP: Papirus, 2004.

VASCONCELOS, José Mauro de. O Meu Pé de Laranja Lima. 2. ed. – Edição Melhoramentos. – São Paulo, 1975.

ZABALA, Antoni. A Prática Educativa: como ensinar. – Artes Médicas. – Porto Alegre, 1998.

[1] Graduando do 8º período do curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Assim, acadêmico do Centro Universitário UniAGES.

[2] Engenheiro Civil, Licenciado em Matemática e Especialista em Planejamento Urbano e Gestão Ambiental.

[3] Licenciado em Filosofia, Especialista em Ciências Jurídicas e em Jornalismo Jurídico.

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