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Creche Para Idosos: Um Novo Campo de Atuação para Pedagogos

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Creche Para Idosos: Um Novo Campo de Atuação para Pedagogos
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CUNHA, Angélica Rangel do Nascimento [1]

CUNHA, Angélica Rangel do Nascimento. Creche Para Idosos: Creche Para Idosos: Um Novo Campo de Atuação para Pedagogos.Um Novo Campo de Atuação para Pedagogos. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 04, Vol. 05, pp. 107-118, Abril de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

Com as mudanças que vêm ocorrendo na sociedade contemporânea, percebemos a ênfase atual no termo creche para idosos, designando um espaço onde o idoso é respeitado em sua singularidade, cuidado e pode realizar várias atividades educativas e artísticas em um mesmo lugar. O pedagogo que atua nestes espaços precisa estar em sintonia com os profissionais especialistas em geriatria, para que ambos realizem um trabalho multidisciplinar que vise o bem-estar físico, mental, social e educativo da pessoa idosa. Neste estudo, foram considerados os locais de pesquisa e como o idoso é atendido e realiza suas atividades. As transformações no perfil do profissional pedagogo, ampliou seu campo de atuação culminando em uma atuação direta no campo de atendimento geriátrico.

Palavras-chave: Creche, Idosos, Pedagogos.

Introdução

O texto apresenta um tema novo e que precisa de mais pesquisas e investigação, “creche para idosos”. O antigo conceito de asilo foi abandonado, por fazer entender que seria um local onde se abandona pessoas, como o foi quando se deu o surgimento de creches para crianças, que se chamaram asilos onde ficavam as crianças de famílias proletárias para que se libertasse a mão de obra feminina para o trabalho.

A creche para idosos surge com uma ressignificação do que é um asilo, até porque idosos não são como crianças e possuem suas próprias especificidades e necessidades diferenciadas.

A terceira idade é acompanhada de um conjunto de práticas, instituições e agentes especializados encarregados de definir e atender às necessidades da população. Foi a partir de 1970 que, na maioria das sociedades europeias e americanas, o idoso passou a ser visto como vítima de marginalização e da solidão (Debert apud Barros e Moraes, 2003)

A atuação de pedagogos neste campo se faz necessária devido às necessidades pedagógicas dos idosos. Estes precisam manter-se ativos, trabalhando tanto a questão física, cuidados com a saúde, quanto à memória e psicomotricidade[2], isto, para evitar doenças ou mesmo a progressão das mesmas.

O conceito de creche

Compreendemos a palavra creche como o local onde as crianças passam o dia brincando, aprendendo e sendo cuidadas. A palavra creche tem origem na França:

O termo “creche” é tomado emprestado da língua francesa, na qual designa presépio. Na realidade, não foram apenas às palavras creche, ou salle d’asile, que a França forneceu ao Brasil, mas toda a ideia de finalidade e funcionamento destas instituições. (Pardal,2005 apud Vasconcellos)

O movimento de filantropia foi o que deu origem as creches, para atender crianças das classes populares, liberando a mão de obra feminina para o trabalho. “Também no Brasil a creche teve por finalidade liberar a mão de obra da mãe pobre; no caso, o da escrava ou ex – escrava.”

Surge também outro termo para designar uma creche, o asilo: Assim definido: “Ao contrário das creches, as salas de asilo francesas não aceitavam apenas as crianças cujas mães trabalhassem.” É um conceito revolucionário para a época, mas carregado de uma ideologia, se a mãe pode colocar o filho na creche, mesmo não sendo pobre, existe aí uma tendência de controle da educação da infância, por parte da classe dominante.

A creche poderia também fornecer à classe dominante um ganho secundário, além de liberar a mão de obra feminina e garantir a sobrevivência das crianças da classe trabalhadora, ela podia ser um lugar privilegiado de controle dessa classe[3]. (Pardal, 2005 apud Vasconcellos)

O campo de pesquisa

O campo de pesquisa escolhido teve como critério base utilizado a referência no atendimento aos idosos, a qualidade de suas instalações, a proposta pedagógica e a organização que respeite o direito do idoso.  As duas instituições estão localizadas em bairros tradicionais do município do Rio de Janeiro, e atende aos idosos de classe média.

A estrutura física da instituição é adaptada às necessidades funcionais do idoso, como: alimentar-se; vestir-se; tomar banho; locomover-se; conter urina e fezes. E também as necessidades físicas e psicológicas, como exercícios físicos e atividades intelectuais: pintura, leitura, trabalhos artesanais, festas e passeios.

Metodologia

A metodologia de pesquisa aplicada foi à entrevista, com perguntas contendo seis questões direcionadas aos gestores e pedagogos e que busca explicar a atuação de profissionais de educação, em um ambiente de atendimento para idosos. Um outro instrumento que busca investigar como se comportam os idosos no ambiente de creche é o método de coleta de dados, observação, baseado nos estudos de Lüdke e André. Essa forma de coleta de dados permite esclarecer e analisar várias questões:

Sendo o principal instrumento da investigação, o observador pode recorrer aos conhecimentos e experiências pessoais como auxiliares no processo de compreensão e interpretação do fenômeno estudado. A introspecção e a reflexão pessoal têm papel importante na pesquisa naturalística. (Lüdke e  André,1986)

A forma de observação escolhida foi à participante, onde:

O ‘’observador como participante’’ é um papel em que a identidade do pesquisador e os objetivos do estudo são revelados ao grupo pesquisado desde o início. Nessa posição, o pesquisador pode ter acesso a uma gama variada de informações, até mesmo confidenciais, pedindo cooperação ao grupo. Contudo, terá em geral que aceitar o controle do grupo sobre o que será ou não tornado público pela pesquisa.[4] (Lüdke e André, 1986)

Os nomes das instituições foram mantidos em sigilo por questões éticas e por não ocasionar problemas com relação às autorizações para divulgações de imagens e informações, o que inviabilizaria a pesquisa.

Dados da pesquisa

A entrevista foi realizada com os gestores e pedagogos, utilizando o mesmo questionário para as duas instituições, com o objetivo de estabelecer comparações sobre a forma como o idoso é tratado e que tipo de atendimento oferece.

Questões da entrevista:

1-A instituição utiliza o termo creche ao invés de asilos. Por quê?

Gestor instituição 1 – Sim. Porque hoje o que os filhos procuram, quando chegam a nossa instituição é qualidade para os seus pais, e creche para idosos é sinônimo de aconchego e cuidados.

Gestor instituição 2- Utilizamos o termo creche, porque pensamos ser mais adequado ao tipo de tratamento que é dispensado ao idoso na atualidade (carinho, atenção, atividades de lúdicas e de lazer)

2-Quais são os tipos de atividades desenvolvidas na creche para idosos?

Gestor instituição 1- Aulas de música, oficinas de artesanato (crochê, tricô, macramê); oficinas de dança de salão; pintura em tela; festas temáticas; excursões e passeios culturais.

Gestor instituição 2- Os idosos têm aulas de informática, aprendem a acessar a internet (instagran,facebook,whatsapp,twitter); aulas de artes manuais (crochê, decoupagê, petwork, macramê);aulas de dança(dança do ventre, dança de salão); festas temáticas; passeios e excursões.

3-Existe alguma característica que aproxima o idoso de uma criança, para que frequente uma creche?

Pedagogo instituição 1- Pode –se dizer que o idoso necessita de atenção, compreensão e carinho dos que cuidam deles e nisso o idoso é igual à criança.

Pedagogo instituição 2- Não podemos afirmar que o idoso é igual a uma criança nesse ou naquele aspecto, ele possui necessidades diferenciadas de uma criança. A pessoa na 3ª idade necessita manter a mente em atividade, diferente da criança que precisa de atividades para desenvolver o seu potencial.

4-Em média, quantas horas o idoso permanece na instituição?

Gestor instituição 1- Aqui o regime é de 8 horas e eles permanecem aqui sempre por este período de tempo, exceto quando saem para os passeios e excursões.

Gestor instituição 2- Em geral permanece de 6 a 12 horas. Essa variação ocorre porque nem todos os familiares, querem deixá-los tão longe de casa e da família por muito tempo e pensam em deixar apenas para que convivam com outros idosos.

5-Quais os atendimentos multiprofissionais que os idosos recebem?

Gestor instituição 1- Cardiologia, Geriatria, Fisioterapia, Massoterapia, Pilates, Yoga e musculação com profissionais de Educação Física.

Gestor instituição 2-Terapia ocupacional, atendimento psicopedagógico, fisioterapia, massoterapia, yoga, thai chi chuan, musculação, ginástica localizada, geriatria, cardiologia, angiologia e neurologia.

6-Como é o trabalho pedagógico realizado e quais atividades são desenvolvidas com os idosos?

Pedagogo instituição 1- O trabalho pedagógico é feito com base em pesquisas sobre necessidades dos idosos, usando a psicologia como base para organizar as tarefas diárias de estimulação, manutenção da saúde psíquica e mental. Desenvolvemos atividades com jogos, palavras cruzadas, sudokô, xadrez, damas, jogo da velha; as oficinas de pintura em tela, criando a sua própria arte; depois os idosos fazem exposições sobre o que fizeram para os familiares.

Pedagogo instituição 2- O trabalho realizado por min com os idosos é feito junto ao geriatra, professor de educação física e neurologista principalmente, com eles analisamos e estudamos a melhor forma de melhorar a saúde mental e psicomotora da pessoa idosa. As atividades desenvolvidas com eles são os jogos de tabuleiro, jogos no computador, bingo; oficinas de artes (construção de maquetes, desenhos).

Creche também para idosos?

Iniciamos com um questionamento importante, porque hoje, o termo creche foi introduzido no ambiente de atendimento geriátrico, por qual razão isso acontece. Nas pesquisas feitas junto a esses locais de atendimento, apareceram outros termos para esses locais, tais como: casa de repouso, lar, casa- lar, casa de convivência.Todos possuem uma relação estreita com o ambiente familiar, observamos isso,com o uso das palavras casa e lar.

O uso do termo asilo não foi identificado nas falas dos entrevistados, relatam apenas que era usado antigamente e ainda permanece no imaginário popular, quando faz referência ao local onde os idosos vivem ou convivem. A palavra creche vem sendo cada vez mais utilizada, para designar os locais onde os idosos passam o seu tempo, seja em regime de internato, quando o idoso mora na instituição ou externato, quando permanece na instituição durante o dia e volta para a casa dos familiares à noite e finais de semana.

Segundo Debert (1999), ’’(…) a perspectiva do idoso como fonte de recurso exige a criação de um novo ideal de produtividade, com receitas que ensinam aos que não querem sentir-se velhos, a maneira adequada de dirigir a vida e participar de atividades de lazer e de prevenção contra a velhice. ’’

Nas entrevistas realizadas, com os gestores destas instituições foi observado que a palavra creche veio substituir a palavra asilo, porque esta última faz referência ao depósito de idosos, como o era no caso de crianças. E o termo “creche” significaria hoje, o local de convívio harmonioso, desenvolvimento educativo, cuidados com a saúde, prática de exercícios, trocas com outros idosos, práticas e desenvolvimento motor com o auxílio de atividades de artes plásticas e artes manuais.

A sociedade sofreu imensas transformações sociais, rápidas e difíceis de acompanhar; incluindo as questões de apoio e auxílio para a 3º idade,

As modificações no perfil da faixa etária sofridas na estrutura populacional, em decorrência do declínio das taxas de fecundidade e de mortalidade infantil, aliado ao desenvolvimento tecnológico e terapêutico no tratamento de doenças, especialmente as crônicas, têm provocado o aumento proporcional do número de idosos, propiciando o envelhecimento populacional em um curto espaço de tempo. (Braz e Ciosak,2009)

Cresce cada vez mais, a necessidade de estabelecer um local onde as pessoas da 3º idade possam conviver trocar experiências, fazer atividades físicas, receber cuidados médicos especiais e se divertir. Assim, surge o termo creche para designar esse espaço para o idoso.

Se a instituições para idosos, conhecidas como asilos, se destinavam à velhice desvalida, hoje, na sociedade marcada pelo envelhecimento, passam a ter uma nova missão: cuidar de idosos necessitados de várias modalidades de serviços; em face das perdas funcionais que tornaram problemática a vida a sós ou com a família. (Leite,1996)

A palavra creche hoje, no caso do atendimento infantil se tornou um local onde a criança recebe cuidados como: alimentação, banho, atenção individualizada e educativa: diferentemente do que ocorria no passado, o depósito de crianças. A creche para idosos, pode ser entendida como um local onde: recebe cuidados médicos especializados, se diverte, faz atividades artesanais, troca conhecimentos com outros idosos e também participam de atividades educativas.

A atuação do pedagogo em creches para idosos

O pedagogo atua nestes espaços não escolares, como um profissional apto ao desenvolvimento de projetos educativos que facilitem e melhorem a qualidade de vida do idoso, vislumbrando a especificidade inerente à idade da pessoa idosa.

Com as mudanças na estrutura da sociedade, o perfil profissional do pedagogo sofreu transformações significativas, e hoje ainda persiste uma confusão sobre onde e como deve atuar este profissional, por isso que para Saviani,2008:

Em resumo , o espírito que presidiu á elaboração das diretrizes curriculares nacionais do curso de pedagogia foi a consideração de que o pedagogo é um docente formado em curso de licenciatura para atuar na “Educação infantil e nos anos iniciais do Ensino fundamental, nos cursos de Ensino médio, na modalidade normal, e em cursos de educação profissional na área de serviços e apoio escolar, bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos.

Neste fragmento afirmou-se que o pedagogo tem como base em sua formação à docência e o que não foi explicado é qual ou quais áreas de atuação que necessitam de conhecimentos pedagógicos. As creches para idosos ficam assim, incluídas nas áreas que necessitem desses conhecimentos pedagógicos, como novo campo de atuação do profissional de educação.

A mudança das reformas dos anos 80 e 90, pouco a pouco trazem novos desafios para o curso de pedagogia e percebemos que estas alterações legais associadas as transformações e exigências sociais fizeram com que a atuação do pedagogo, ultrapasse as fronteiras das escolas e cargos executivos (diretorias, secretarias, ministério) e este profissional passa a atuar em outras instituições, até porque as transformações ocorridas no currículo da pedagogia o capacita para tal. (Ceroni,2006)

O pedagogo pode atuar nessas creches como: articulador de projetos educativos voltados para manter a memória saudável da pessoa idosa, com dinâmicas de grupo, contação de histórias, leitura, pintura, trabalhos manuais, etc.

Na busca por uma melhor qualidade de vida para o idoso que vise possibilitar a sua capacidade funcional, ou seja, exercer atividades da vida diária:

As AVDs incluem: alimentar-se: vestir-se; tomar banho; locomover-se; conter urina e fezes. Por sua vez, as AVDs incluem: usar o telefone; fazer compras, viajar; preparar as refeições, gerenciar as finanças e tomar medicamentos. (Coelho Filho,2006)

As atividades da vida diária podem ser entendidas como práticas educativas, o idoso precisa saber como ler, escrever e contar para ser bem-sucedido nas atividades cotidianas e mesmo que saiba; sabemos que a falta de estimulo para o cérebro pode acarretar perda de memória que gera uma incapacidade para realizar tarefas simples. E ai que entra a educação que realiza esse trabalho de prevenção e manutenção da capacidade funcional do cérebro, porque é importante que seja realizado: “A manutenção da independência e prevenção da incapacidade constituem objetivo central do cuidado do idoso.” (Coelho Filho, 2006)

A educação precisa atuar junto à equipe multiprofissional que trabalha em prol dos cuidados da vida do idoso, fazendo valer o Estatuto do idoso, que diz: art. 21. O poder público criará oportunidades de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a eles destinados.

Pedagogo não só na escola

O pedagogo enfrenta hoje, um grande desafio, a dualidade profissional que engloba o campo pedagógico, o trabalho em escolas de Educação infantil, ensino fundamental, cargos de gestão, espaços não escolares como: serviços de saúde, produção de material didático, empresas e espaços de atendimento aos idosos (creches), e outros.

A escola não é o único lugar onde o profissional pedagogo, encontra espaço para o seu trabalho, haja vista, a formação ampla deste profissional:

Pedagogo é o profissional que atua em várias instâncias de prática educativa, direta ou indiretamente ligadas à organização e aos processos de transmissão e assimilação ativa de saberes e modos de ação, tendo em vista objetivos de formação humana definidos em sua contextualização histórica. (Libâneo ,2005)

Percebemos que o campo profissional do pedagogo não se restringe apenas aos fazeres escolares, ele engloba todos e qualquer ato educativo que se tenha necessidade de um profissional pedagogo.

É quase unânime entre os estudiosos, hoje, o entendimento de que as práticas educativas estendem-se às mais variadas instâncias da vida social não se restringindo, portanto, à escola devam ser a referência da formação do pedagogo escolar. (Libâneo, 2005)

Ainda contamos a afirmação de Libâneo[5], que: “O educador não é mais apenas o docente são os múltiplos agentes educativos conforme as instâncias em que operem (família, escola, meios de comunicação, fábrica, movimentos sociais etc.).”

Os diversos campos de atuação que o pedagogo pode estabelecer sua prática destacamos o campo educativo de desenvolvimento geriátrico, ou seja, a atuação em creches ou casas que recebem pessoas da 3º idade.

Segundo Debert, (1999) ‘’(…) a terceira idade é um termo inventado para reincorporar os mais velhos na sociedade, criando um mercado e padrões de consumo específicos aos idosos, além de programas que visam transformar o envelhecimento em um momento propício para o prazer e para a realização pessoal.’’

Nestes locais, o profissional pode criar um projeto educativo que viabilize o bem-estar, valorize as memórias e a história de vida dessas pessoas que tanto tem a ensinar.

Creche para idosos, um novo campo a descobrir

O campo de atuação de pedagogos em creches para idosos é um campo novo e que precisam de muitas investigações, estudos mais aprofundados gerarão frutos para o trabalho pedagógico, nestas instituições.

A atuação nestes espaços pode gerar dúvidas, inquietações quanto à necessidade desse profissional, mas sabemos que:’’ há uma diversidade de práticas educativas na sociedade e, em todas elas desde que se configurem como intencionais, está presente a ação pedagógica.’’ (Libâneo ,2008 p.124)

As necessidades educacionais, não dizem respeito apenas às crianças e jovens que precisam aprender para depois ingressar no mercado de trabalho, segundo o Estatuto do idoso, Art. 2º, O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta lei, configurando-se, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social, em condições de liberdade e dignidade.  (Grifos Nossos)

A saúde mental e intelectual cabe neste caso, ao pedagogo, pois é este quem realiza atividades de cunho pedagógico que pode garantir a manutenção da memória e estimulação do cérebro. A educação do idoso deve priorizar o constante exercício de estimulação, ele precisa estar ocupado com atividades que lhes dão prazer, para que não sofram com depressão, que pode ser comum no idoso, principalmente depois que se aposenta:

A aposentadoria funciona para muitos, como evento estressor, e pessoas que não desenvolvem mecanismos adaptativos nesta fase da vida (engajar-se em novos projetos, por exemplo) podem sofrer sérias consequências, como o declínio físico e mental. (Coelho Filho, 2006)

Para evitar que todos esses eventos aconteçam na vida da pessoa na 3º idade, é que o pedagogo realize um trabalho global, juntamente com outros profissionais especializados em geriatria, ambos em busca da qualidade de vida para o idoso.

Considerações Finais

Durante a construção deste texto, buscamos analisar a necessidade e o porquê de um profissional, o pedagogo, que em inúmeras ocasiões é apontado como eminentemente da área escolar; realizar trabalhos em instituições, casa- lar, asilos ou creches que recebem os idosos.

Creche para idosos é um termo muito recente e ainda não caiu no uso de todas as instituições que cuidam de idosos. Não há também uma bibliografia que fale sobre o assunto e no próprio Estatuto do idoso, há citações que se referem a estas instituições como, casa-lar e o tipo de atendimento como, asilar.

No Estatuto do idoso encontramos essas citações nos seguintes trechos:

Título I, V – priorização do atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento do atendimento asilar, exceto dos que não possuam ou careçam de condições de manutenção da própria sobrevivência; (grifos nossos)

Art. 35. Todas as entidades de longa permanência, ou casa-lar, são obrigadas a firmar contrato de prestação de serviços com a pessoa idosa. (grifos nossos).

A creche para idosos precisam de mais investigações e estudos aprofundados para poder entender quais são suas reais funções agora e no futuro, porque as mudanças são recentes, mais só saberemos se o atendimento ao idoso que antes era visto como um peso para a família e também para a instituição de atendimento ou se o nome “creche” torna o atendimento mais humano e digno para a pessoa idosa.

Referências Bibliográficas:

BRASIL. Estatuto do idoso: Lei Federal nº10. 741,de 01 de outubro de 2003.Brasília,DF: Secretaria Especial dos Direitos Humanos,2004

BRAZ, Elizabeth; CIOSAK, Suely Itsuko. O tornar-se cuidadora na senescência.Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 13,n. 2, jun.2009.Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-81452009000200019&lng=pt&nrm=iso>.acesso em:19 jun. 2012.http://dx.doi.org/10.1590/S1414-81452009000200019.

CERONI, Mary Rosane. O perfil do pedagogo para atuação em espaços não-escolares. An1Congr.Intern.Pedagogia Social Mar.2006.Disponível em:http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=msc000000092006000100040&script=sci_arttext.Acesso em:20/12/2010

COELHO Filho JM. A abordagem clínica do idoso. Universidade Federal do Ceará, disciplina geriatria. Disponível em: http://www.ebah.com.br/contente/ABAAABK_kAK/abordagem_clínica_idoso_versao_a_disciplina_geriatria_1. Acesso em:28/06/2011

DEBERT, Guita Grin. A antropologia e o estudo dos grupos e das categorias de idade. IN: Lins de Barros, Myriam Moraes(org.).Velhice ou terceira idade?3 ed.Rio de Janeiro:FJV,2003

___________________. A reinvenção da velhice. São Paulo: EDUSP; FAPESP, 1999

LEITE, Paulo Fernando. Exercício, Envelhecimento e promoção de Saúde. Belo Horizonte: Health, 1996.

LIBÂNEO, José Carlos. Diretrizes Curriculares da Pedagogia-Um adeus à pedagogia e aos pedagogos? Universidade Católica de Goiás, 2005. Disponível em:http://www.cead.ufsc.br/pedagogia/textos/josecarloslibâneo.htm.Acesso em:08/03/2008

LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos, para quê?8ª ed. São Paulo: Cortez, 2005.

LüDKE, Menga; André, Marli E.D.A. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. 1ª ed. São Paulo:EPU,1986

SAVIANI, Demerval. A pedagogia no Brasil: história e teoria. Campinas, SP: Autores Associados, 2008

VASCONCELLOS, Vera Maria Ramos de (org.). Educação da Infância: História e política. 3ªed.São Paulo:DP&A Editora,2005

[1] Doutoranda em Educação e professora de Educação infantil

[2] Psicomotricidade, ver em: https://psicomotricidade.com. br/

[3] Ibid.,

[4] Lüdke, Menga; André, Marli E.D.A. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. 1ª ed. São Paulo:EPU,19865 Ibid.,p.25 Ibid.,p.28

[5]  LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos, para quê?8ª ed. São Paulo: Cortez, 2005.6Ibid. p.487 Ibid.,p.568 Ibid.,p.729

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