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A Historiografia da Associação Espírita José Eusébio e o Sonho de um Homem de Formar Cidadãos [1]

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CONTEÚDO

TENÓRIO, Nelma Costa [2]

TENÓRIO, Nelma Costa. A Historiografia da Associação Espírita José Eusébio e o Sonho de um Homem de Formar Cidadãos. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 06. Ano 02, Vol. 01. pp 84-102, Setembro de 2017. ISSN:2448-0959

Resumo

O presente trabalho buscou reconstruir a historiografia do Centro Espírita José Eusébio, porém antes de adentrar nesse escopo, se traçou comentários acerca da religião e seus ensinamentos, dando enfoque no espiritismo, discorrendo sobre conceitos e princípios basilares ensinados. De posse dessas informações, o trabalho avançou no sentido de apresentar o Centro Espírita abordado, discorrendo sobre seu fundador, Jayme Xavier Silva, bem como sobre os trabalhos desenvolvidos por ele. Conhecendo um pouco da história que envolve todo o Centro Espírita em tela, se buscou entender o funcionamento deste de maneira geral e como ele influenciava a comunidade local. O trabalho seguiu mostrando a forma e a maneira como fora constituído seu patrimônio, dando ênfase nas dificuldades enfrentadas à época. Progrediu tecendo considerações sobre a Escola Zaneli Caldas, relatando a importância de tal escola para a comunidade local e evoluiu descrevendo seu desmembramento. Por fim, fora feita e evolução de toda a história do Centro Espírita José Eusébio, citando seus últimos administradores e narrando sua atual situação.

Palavras-chave: Espiritismo, Educação, Caridade.

Introdução

Ao visitar um templo religioso é muito comum observarmos o desperdício de grandes áreas que ficam à disposição de seus organizadores para serem utilizadas da maneira que achem convenientes. Este fato vem se repetindo por diversas religiões ou filosofias, que acreditam na utilização destas áreas para um único fim: religioso ou doutrinário.

O fundador da Associação Espirita José Eusébio, fundada em 15 de julho de 1928, localizada na Rua Elísio de Carvalho nº 83/84 na Pajuçara, Maceió/AL, com apenas dezoito anos de idade, tinha uma visão futurista do trabalho religioso e de que forma esse trabalho poderia contribuir para uma sociedade carente de educação, saúde e de respeito humano. Jayme Xavier da Silva trabalhou durante cinquenta e nove anos, incansavelmente, para manter e adaptar um Centro Espirita de poucos recursos a uma escola que ia do jardim infantil ao Fundamental completo.

Ao adentrar na atual Associação Espirita José Eusébio, não é possível imaginar que naquele espaço funcionou uma escola e havia um administrador que colocou a educação básica acima de qualquer obstáculo para formar cidadãos, os que ali passaram.

Um dos grandes incentivadores da elaboração deste trabalho foi a falta de conhecimento por parte dos sócios contribuintes, trabalhadores e frequentadores da Associação Espirita José Eusébio, que hoje conta com prédio de um quarteirão, sem que essas pessoas tomem conhecimento de como esse patrimônio foi adquirido e de que um homem dedicou toda uma vida a pedir e se preocupar com os menos favorecidos.

O trabalho a ser realizado construirá a historiografia da Associação Espirita José Eusébio e de seu fundador Jayme Xavier da Silva, que ficou à frente da mesma durante o período de 15 julho 1928 a 04 de julho de 1987, e o que levou a Associação Espirita José Eusébio ao desmembramento da Escola Zanelis Caldas de suas dependências.

Metodologia

A base deste trabalho foi em pesquisas nos livros de Atas da Associação Espirita José Eusébio. Entrevistas com parentes e amigos de seu fundador Jayme Xavier da Silva. Nos livros da codificação espírita: Livro dos Espíritos; Livro dos Médiuns e Evangelho Segundo O Espiritismo de Allan Kardec. O livro, A manutenção da Casa Espirita, Rodrigo Félix da Cruz, publicação digital. Entrevista com atual diretora da Escola Zaneli Caldas, professores e alunos.

Revisão Bibliográfica

Os primeiros sinais de presença humana sobre a terra são registrados através de pinturas em cavernas e alguns objetos encontrados por pesquisadores. Neles, já aparecem gravuras de homens cultuando ou temendo deuses, mostrando sinais de religiosidade e a necessidade premente da crença em uma força divina.

Com o avanço da sociedade e disseminação dos povos e culturas, foram surgindo várias religiões e culto a diversos deuses – de todas as formas, humana ou animal. São inúmeras crenças, politeístas aos monoteístas, que tem como expoente no ocidente a figura de Jesus Cristo.

Como seu lastro principal é a fé, muitas vezes, deixa-se de lado estudos mais aprofundados quando o assunto é religião. É sobre o estudo macro de algumas religiões, o que geralmente é feito por historiadores e pesquisadores renomados, tendo em vista o notável interesse de milhões de fiéis. Foi assim com o cristianismo e suas vertentes, como o catolicismo e o espiritismo.

Entretanto, muitas vezes são deixando de lado histórias, que tem como pano de fundo a religiosidade, mas cujo interesse é de uma comunidade mais restrita e que não desperta interesse geral de historiadores. Como é observado, como exemplo, a história de templos, de igrejas evangélicas e centros espíritas, que tiveram grande importância na formação cultural de uma dada comunidade e cujo roteiro histórico deixa de ser catalogado.

Percebendo essa necessidade, foi dado início pesquisa sobre a história da Associação Espírita José Eusébio, localizada no Bairro da Pajuçara, na cidade de Maceió, Alagoas. Com certeza, esse templo onde há muitos anos se estuda os ensinamentos da doutrina espírita, guarda histórias de interesse de um público especializado como os espíritas e da comunidade.

No decorrer desses anos, desde a sua fundação, milhares de pessoas visitaram aquele templo ou mesmo famílias convivem ao lado de uma edificação de estudos espíritas e pouco sabem sobre sua história. Quem foram seus fundadores, o porquê dele ter sido criado, o que lá já foi discutido, quais suas conquistas e avanços. São apenas algumas das indagações que somente um estudo histórico pode responder.

Antes de mergulhar nesse mundo novo que somente pode ser descoberto através de muita pesquisa de campo a ser desenvolvida durante este trabalho, vamos fazer uma breve digressão histórica sobre o surgimento da religião espírita, tendo em vista que é esse objeto de estudo é uma associação espírita onde pessoas se reúnem para o estudo dos ensinamentos de Allan Kardec, fundador da doutrina denominada de Kardecista.

Conforme já ressaltado anteriormente, com o desenvolvimento da Arqueologia, Paleontologia e Antropologia foram possíveis à compreensão e estudo do homem e sua religiosidade. O indício mais antigo da prática religiosa do homem é o sepultamento, o que revela uma preocupação da vida após a morte. Este fato é observado nos detalhes de preparação dos corpos e objetos encontrados nas sepulturas e nas pirâmides do Egito.

A religião do Egito era politeísta, o seu povo acreditava em vários deuses. Acreditava na perpetuação da alma. A conservação do corpo era reservada aos faraós e alguns sacerdotes. As pirâmides tinham função de abrigar e proteger o corpo do faraó mumificado e seus pertences, joias, objetos pessoais e outros bens materiais para servi-lo em seu retorno a vida.

Outras religiões surgiram aos longos dos anos, espalhadas pelo homem e suas movimentações. Segundo, Bezerra, (2010/11,). “isso ocorreu, no decorrer do tempo, influenciadas por outras religiões de diversos povos que entravam em contatos”.

Pires, (1964), afirma que desde a antiguidade, algumas ideias fundamentais dominam toda a metafísica humana, passando pelo Império Romano e culminando na obra dos pais da igreja e dos últimos pagãos. Essas ideias consistem na concepção grega de Deus como inteligência suprema que arquitetou o universo; na herança grega do mundo como um sistema de relações jurídicas; e na crença judaica da criação do mundo.

Com o nascimento de Jesus Cristo, o mundo passa a ter uma nova concepção de religião, o Cristianismo. Baseado nos ensinamentos de Jesus, onde ele colocou o amor ao próximo e o perdão como pré-requisitos para a salvação do espírito e evolução da humanidade. Estes ensinamentos foram repassados por seus discípulos através de pergaminhos onde mais tarde serviriam de instrumento para a divulgação do Novo Testamento. O livro da Bíblia que contribuiria fundamentalmente para o surgimento da “cultura espírita”.

No campo religioso o dogmatismo das igrejas começava a perder espaço para outras correntes espiritualistas. Stoll. (2004), assinala para um movimento de cunho religioso e intelectualizado que, a partir desse momento começa a ganhar destaque na Europa. O chamado Espiritualismo Moderno, tradição que reuniu de forma difuso e ecléticas diversas teorias.

Relata-se que tal movimento iniciou-se nos Estados Unidos da América, especificamente no Oeste do Estado Novo Iorque, região de forte cultura mística religiosa, que abrigava diversos grupos ligados às novas doutrinas espiritualistas. Essa doutrina surgiu ao passo em que os acontecimentos espíritas ocorriam e eram divulgados em todo mundo.

Entretanto, com relação a esses fenômenos, nada chamou mais atenção da sociedade no século XIX, que as mesas girantes, dançantes ou falantes. Tal fenômeno propagou-se pela América do Norte e pela Europa em meados desse século. Fatos que foram documentados por Thiesen e Wantuil. (1980), como de grande importância da época.

Em 1853, conforme Thiesen e Wantuil. (1980), comunicar-se com mesas era o passatempo predileto nas reuniões da alta aristocracia parisiense. As pessoas sentavam-se ao redor das mesas e espalmavam suas mãos acima dela, gerando uma espécie de corrente energética que fazia os móveis se movimentarem, levantarem, responderem indagações com batidas. Foi esse fenômeno que motivou o estudo do professor Hippolyte Léon Denizard Rivail a buscar explicações racionais para essas consideradas manifestações mediúnicas.

A partir de 1855, o professor Rivail iniciou suas experiências com o mundo da espiritualidade. Adotou o pseudônimo de Allan Kardec e estabeleceu as bases da Codificação Espírita no aspecto filosófico, científico e religioso. Durante 12 anos dirigiu a Revista Espírita de estudos psicológicos, lançada em abril de 1855. Ainda nesse ano, fundava a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, com o objetivo de promover estudos que favorecessem o progresso do espiritismo.

Foi com base nos seus conhecimentos e com auxílio dos espíritos, que em 18 de abril de 1857, Allan Kardec, lança no mercado uma obra que mudaria a convicção religiosa de uma parte da sociedade, o Livro dos Espíritos. É composto de perguntas influenciadas por seu guia espiritual e respondidas pelos espíritos ditos superiores, as quais serviriam para tirar o véu da ignorância do homem a respeito da vida além-túmulo.

Em o Livro dos Espíritos, é transmitido ao homem o conhecimento da natureza de Deus, de que consiste o universo, o que leva as desigualdades sociais, o sofrimento do corpo e de que forma o homem pode evoluir espiritualmente passando por provas que ele mesmo solicita antes da reencarnação.

Segundo Kardec, (1857). O espírito é criado simples e ignorante, cabe ao livre arbítrio do homem fazê-lo evoluir ou regredir em sua experiência corpórea. No livro, os espíritos orientam o homem como deve proceder ao crescimento moral e como ele poder se manter protegido das influências negativas de outros espíritos, que interferem no pensamento e nas suas ações.

Kardec, como pedagogo e cientista pesquisador, auxiliado por espíritos protetores e avaliadores do seu trabalho, deu início ao livro que serviria de instrumento de trabalho para as casas espíritas, a exemplo da Associação Espírita José Eusébio, objeto deste estudo. E em 15 de janeiro de 1861, foi publicado o segundo livro da codificação espírita, O Livro dos Médiuns.

Neste livro, Kardec dedica o capítulo XXX, as suas experiências como presidente fundador da primeira Sociedade Espírita do mundo, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, fundada em 13 de abril de 1858. Nesta casa foi adotado um regulamento dividido em quatro capítulos, onde está exposto em artigos e suas prerrogativas.

É orientado que o regulamento não está sendo apresentado como lei absoluta, mas fruto dos estudos e experiências com os espíritos, portanto fica aberto as outras sociedades espíritas, que assim desejar fazer uso deste. Este regulamento é utilizado nas casas espíritas federativas em pleno século XXI.

No primeiro capítulo do regulamento são questionados os fins e formação da sociedade espírita. A sociedade tem por objetivo o estudo e divulgação da doutrina espírita. Analisar os fenômenos espíritas e sua aplicação às ciências morais, físicas, históricas e psicológicas. São defesas nela as questões políticas, de controvérsia religiosa e de economia social. Toma por título: Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Kardec, (1861, p 371).

O segundo capítulo trata da administração da casa espírita e das obrigações de seu presidente junto aos interesses da sociedade e da ciência espírita. Cabe a direção-geral e seus auxiliares a conservação do patrimônio e a conservação de seu arquivo. O presidente é nomeado através de eleição por um mandato de três anos. (Kardec, 1861, p 372).

Kardec mostra a responsabilidade de um presidente de uma casa espírita, pelo desenvolvimento material e espiritual dos sócios e convidados. Faz referência a conservação do arquivo. A casa espírita é uma filantropia e como tal deve comprovar suas atividades e prestação de contas aos associados no período por seu estatuto determinado. É através da organização de seu arquivo que poderá levar para sócios futuros o registro de atividades precisas. Detalha como e quando se pode associar e de que forma se deve contribuir para a manutenção e andamento desta Sociedade. Como se trata de uma sociedade sem fins lucrativos, todas atividades devem ser registradas em livro de ata, a fim de comprovações futuras.

Foi com base neste regulamento, que deram início às pesquisas no arquivo da Associação Espirita José Eusébio, localizada na Rua Elísio de Carvalho nº 83, Pajuçara, Maceió/AL.

Fundação do Grupo Espírita José Eusébio

Ao iniciar as pesquisas no acervo da Associação Espírita José Eusébio, surgiu o primeiro questionamento: o Livro de Atas de nº 01 do Grupo Espírita José Eusébio, não estava nos seus arquivos. Fato lamentável, provavelmente continha explicações fundamentais para este trabalho. Foram feitos vários questionamentos a respeito do desaparecimento deste livro dado a sua importância documental. Como não se obteve sucesso na busca. Passaram para o Livro de Atas nº 02 de 1954, do Grupo Espírita José Eusébio, que foi elaborado por seu fundador, Silva, Jayme Xavier, sem esquecer um só detalhe nas anotações. Em sua primeira página trazia um resumo dos fatos contidos no Livro de Atas do Grupo Espírita José Eusébio de nº 01 de 1928. Onde foi respondido o primeiro questionamento desta pesquisa. Onde estaria o Livro de Atas de nº 01 do Grupo Espírita José Eusébio de 15 de julho de 1928.

Na página de nº 01 do Livro de Atas nº 02 de 1954, do Grupo Espirita José Eusébio. Continha à informação de que “O livro de nº 01 do Grupo Espírita José Eusébio, tinha sido incinerado por encontrar-se sem condições de manuseamento”. A descoberta foi alívio para os presentes, que passaram a estudar detalhadamente a história.

Em 15 de julho de 1928, um grupo de doze pessoas espíritas estava sentado à volta de uma pequena mesa com duas cadeiras e um banco para duas pessoas, os outros permaneceram em pé. Era uma pequena casa, sem luz elétrica, situada na Rua Elísio de Carvalho S/N, Pajuçara, Maceió/AL. Esta casa teria sido alugada por cinco cruzeiros ao mês, com o propósito de realizar estudos da doutrina espírita e seus trabalhos.

Ficou estabelecido entre os presentes que seria feita uma reunião mediúnica para que a espiritualidade superior indicasse o responsável e futuro presidente da nova casa espírita do estado de Alagoas. Entre eles estava Jayme Xavier Silva, um jovem de dezoito anos de idade, classe média e estudante, que iniciou seus estudos da Doutrina Espirita na Federação Espirita do Estado de Alagoas.

Às vinte horas deu-se início a reunião em que a espiritualidade superior ali presente designava Jayme Xavier Silva como presidente fundador do Centro Espírita José Eusébio. Fato comemorado por todos. Conheciam o jovem e sabiam de sua responsabilidade com os trabalhos da Doutrina Espírita. O esclarecimento dado pela espiritualidade superior era que ele teria um grande trabalho a realizar nesta casa de caridade que estava sendo fundada àquele momento.

O Grupo Espírita se desenvolveu seguindo os ensinamentos da Doutrina Kardescista. Realizando palestras doutrinárias aos sábados, estudos doutrinários as quartas-feiras e reunião mediúnica as segundas-feiras. Durante um longo período o grupo espírita permaneceu seguindo sua rotina doutrinária e buscando ajuda de sócios e frequentadores para melhorar seu espaço físico funcional.

Fundação da Escola Zaneli Caldas

Silva, (1971, P.22). Narrava que por inspiração de uma das fundadoras do Grupo Espírita José Eusébio, Marinete Freitas, foi aberta a escola primária para as crianças carentes da comunidade. Alugaram uma casinha em frente ao Grupo Espírita José Eusébio, com doações de amigos e colaboradores compraram o que consideravam necessário para uma pequena escola.

Em 1939 foi fundada à Escola Zanelis Caldas, o nome em homenagem a um integrante do grupo que não se fazia mais presente entre os “encarnados,” termo usado para identificar uma pessoa viva. As matrículas foram realizadas com vinte e dois alunos. A escola era um exemplo para a comunidade local. Os alunos ao se matricularem recebiam o fardamento, o material escolar e um par de sandálias do tipo japonesa.

Começaram a aparecer mães em busca de um lugar para deixar os filhos, sem idade escolar, elas precisavam trabalhar e não tinham com quem deixá-los. Jayme e colaboradores organizaram uma sala dentro da escola com doações de berços e matérias necessários para a manutenção dos pequenos. Foi formada uma turma com oito crianças de jardim infantil e creche, em horário integral. A escola era mantida com auxílio de sócios, colaboradores e listas passadas em repartições públicas do estado.

Com o passar do tempo a escola foi crescendo e aumentando a procura de novos alunos. O trabalho da escola era feito por voluntários e contratados do Grupo Espírita José Eusébio, que não entendia os dois espaços de forma separada, era uma só comunidade mantenedora de esclarecimento espiritual e trabalho social para todos que ali adentravam.

Era comum nas assembleias o presidente Jayme fazer retrospectivas da história da casa espírita, fato que veio a colaborar com a pesquisa deste trabalho. Na Assembleia de Ata 32ª de 15 de julho de 1971, data de aniversário de quarenta e três anos do Grupo Espírita José Eusébio, Jayme esclarece que o terreno em que foi construído o atual Grupo Espirita José Eusébio e Escola na Rua Elísio de Carvalho nº 67, foi doação do casal, Eunete Lins da Silva e Acácio Nunes da Silva. Este dia em especial, o presidente pede que fique registrado em ata para futura história do Grupo Espírita José Eusébio, “que fomos obrigados a suspender temporariamente as sessões mediúnicas do Grupo Espírita José Eusébio, por falta de frequência dos trabalhadores, fato que causa especial tristeza ao presidente da casa”. (Silva, 1954.p.24.). Dizia que “infelizmente não podia realizar todas as tarefas da sociedade espírita, caso lhe fosse permitido por Deus, não faltaria nenhum tipo de assistência aos desamparados”.

Mas que aquele momento era de grande importância para todos ali presentes por fazerem parte de um grupo de trabalhadores que começavam a ganhar destaque no cenário espírita do estado de Alagoas, por seu desenvolvimento na área social da comunidade carente onde estava localizado. Fazia questão de prestar contas de cada centavo recebido nas doações ao Grupo Espirita José Eusébio, eram para a manutenção do Grupo Espírita e da escola. Que a maioria das doações eram frutos de grandes caminhadas iniciadas as seis da manhã até as dezessete horas da tarde, em repartições públicas, residências, lojas e em qualquer outra localidade que houvesse uma contribuição para ir buscar.

Jayme continua sua narração, levando os presentes para outras datas importantes. Em 1953, é feita uma Assembleia Extraordinária e o Grupo Espirita José Eusébio passa a chamar-se Centro Espirita José Eusébio.

O ano de 1955 é mais uma data importante para comunidade espírita e local. É fundada a Escola Profissional “Irmã Argêmira”, que em seu início contava com uma máquina de costura adquirida através de uma lista passada nas Repartições Públicas e no comércio de Maceió/AL. Foi arrecadado um total de CR$. 5.965,00. Receberam ainda doações de uma mesa de corte, uma tesoura, agulhas de bordar e algumas peças de linhas. A Escola profissional seria destinada às meninas da Escola Zaneli Caldas, para aprenderem a costurar e bordar. Em seguida, seu dirigente foi em busca de mais uma capacitação para a escola profissional. Passando outra lista de arrecadação para compra de máquinas de datilografia, que serviriam para o aprendizado dos jovens da escola. Anos depois foi incorporada a camisaria e logo em seguida a alfaiataria todas tendo a mesma forma de início, sempre com muita força de vontade, doações e pouco capital financeiro.

O Centro Espírita José Eusébio e a Escola não paravam de crescer. Os espaços eram adquiridos através de compras de pequenos pedaços de terrenos vizinhos. Seu fundador tinha novos sonhos e não via nas dificuldades empecilhos para não realizá-los. Mas não poderia ser um trabalho solitário, mas de todos que faziam parte deste grupo. Era comum nas assembleias os seus chamamentos para os trabalhos da caridade, lembrando que o homem precisa tanto do espiritual como do material enquanto estivesse no Planeta Terra.

Em 1957, à Escola Zaneli Caldas, passa a se chamar Grupo Escolar Zaneli Caldas, com registro na Secretaria Municipal de Educação e Secretaria de Educação do Estado de Alagoas. Considerada de utilidade pública passa a receber verbas dos governos Municipal, Estadual e Federal. Estas contribuições não eram suficientes para manter todos os trabalhos na área social que o Centro Espirita oferecia à comunidade. Para Jayme Xavier Silva, “o trabalho era necessário e que o Grupo Espirita não tinha saído do foco da Doutrina Espírita, continuava realizando seus trabalhos doutrinários dentro das exigências da Federação Espirita do Estado de Alagoas”.

Silva, (1954. de nº 02. P 28), o presidente do Centro Espirita José Eusébio, comunica que a partir desse momento o Grupo Escolar Zaneli Caldas passará a ser chamado de Ginásio Zaneli Caldas, lembrando que o momento era de grande alegria e festividades para os presentes. Comunica que o próximo trabalho do grupo é montar uma biblioteca, já que os alunos precisavam aprender o hábito de ler e pesquisar através de livros, mas não tinham condições de comprá-los o que vinha dificultando seus aprendizados.

Em 1957, foi fundada a biblioteca Leopoldo Machado, com mais de 653 obras. Em 1966, a biblioteca já contava com mais de 1000 obras. A biblioteca hoje é uma fonte de renda para Associação Espirita José Eusébio com o nome de Livraria Leopoldo Machado, vendendo livros da Codificação Espírita.

O ginásio chegou ao auge em 1978, com 666 alunos, onde também estava sendo comemorada a conclusão da primeira turma do ginasial. O cerimonial da formatura foi realizado na Federação Espírita do Estado de Alagoas, contando com a presença do paraninfo da turma, Bacharel Luiz Renato de Paiva Lima e convidados.

O Centro Espirita José Eusébio manteve seu desenvolvimento com muitas dificuldades devido às condições de saúde de seu presidente fundador Jayme Xavier Silva, que não cansava de lamentar nas Assembleias Gerais a falta de apoio de seus trabalhadores, companheiros de jornadas, associados e diretores nos trabalhos da administração e arrecadação de donativos para a manutenção do Centro, Ginásio e dos trabalhos de assistência aos necessitados, que o Centro auxiliava com distribuições de remédios e alimentos.

Silva, (1983, p. 43). Comunica que por motivo de saúde está impossibilitado de realizar as cobranças das taxas dos associados do Centro Espirita José Eusébio, que este trabalho será realizado por um ex-aluno da escola e hoje sócio contribuinte do Centro Espírita José Eusébio, Edson Gomes dos Santos. Ele será contratado pelo regime da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Outro fato muito grave que está causando grandes problemas financeiros para manutenção das obrigações do Centro Espírita é de ordem judicial, visto que um ex-diretor do Ginásio e uma professora, que se apresentaram ao presidente do Centro Espírita desejando fazer um trabalho voluntário, colocaram o Ginásio na Justiça para pagar suas horas trabalhadas. O professor que teria sido eleito diretor do Ginásio Zaneli Caldas estava se recursando a sair do cargo e por ser convocado a deixa-lo, colocou o Centro Espírita na Justiça trabalhista, levando ao Centro um grande prejuízo financeiro. Todos esses fatos vêm contribuindo para a redução de matrículas de novos alunos e com isso levando o Ginásio Zaneli Caldas a não oferecer no próximo ano 1984 as 5ª, 6ª e 7ª séries. Neste momento o Presidente comunica aos presentes a nomeação para o cargo de Diretor do Ginásio Zaneli Caldas, sua filha Célia Lima Silva, já que a mesma é professora e outra filha para o cargo de vice-diretora.

Silva. (1984, p. 46). Nesta Assembleia de posse da nova Diretória do Centro Espírita José Eusébio, formada pelo Presidente Jayme Xavier da Silva, Vice-Presidente Edson Gomes dos Santos. O Presidente faz o relatório das atividades do Centro Espírita José Eusébio e do Ginásio Zaneli Caldas. Comemora a feliz ideia do Vice-Presidente Edson de abrir a Escola de Evangelização Marinete Freitas, que vem contribuindo com a educação evangélica dos alunos da escola e jovens da comunidade. Neste momento o Presidente Jayme, muito cansado, passa a narrar parte de sua história.

Jayme Xavier Silva; nasceu em 1910; filho de uma família de classe média alta; casado com Jacilda Lima Silva com quem teve oito filhos biológicos e dois adotivos. Lembra que ao tomar posse na presidência do José Eusébio, era um jovem de dezoito anos de idade, que deixou de estudar para ser vendedor de seguros, “fato que muito se orgulha”, disse ele. Nestes anos, dedicou-se ao trabalho que, para ele, é o mais gratificante de todos, ajudou a cada pessoa que adentrou no Centro Espírita José Eusébio no que ele podia. Sabe que deixou muito a desejar como pai e esposo, mas sua mulher e filhos conviviam no Centro e viam seu trabalho, entenderiam sua ausência nas horas que estava dedicando-se aos necessitados.

Dedicou 55 anos da sua vida à frente do Centro Espirita José Eusébio. Agradecia a Deus por ter lhe dado saúde e permitido chegar até aquele momento. Esclarecia que não ficou à frente do Centro Espirita, porque quis, pois a cada três anos tinha eleição para Diretoria do Centro, mas não aparecia um “filho de Deus” que quisesse dividir este trabalho. Estava deixando seu filho Leão Hipólito Lima Silva como tesoureiro. A filha, Célia Lima Silva Diretora do Ginásio, acreditando que este voltaria a oferecer apenas o primário por falta de apoio financeiro. Esta foi a última participação de Jayme Xavier Silva no Centro Espírita José Eusébio, passando a administrar de sua casa por motivo de saúde. Em 1986, Jayme mesmo afastado do Centro Espírita, manda fazer a limpeza da escola e compra um freezer para sua cozinha. Em 1987 Jayme entrega o Centro Espírita José Eusébio a Jarden Caldas, dizendo que “estava entregando um filho a ele, que ele cuidasse como assim sendo”. Jayme Xavier Silva desencarna em 1992, sem ter ido mais uma única vez ao Centro Espírita José Eusébio.

O Centro Espírita José Eusébio sob a Presidência de Jarden Caldas.

Jarden Caldas ficou na presidência do Centro Espírita José Eusébio de 15 de julho de 1987 a 15 de julho de 1993. Ao tomar posse do Centro Espírita José Eusébio, Jarden Caldas entende que seu antigo presidente administrava o centro de forma improvisada. Era feito tudo de acordo com a necessidade do momento. Era fácil de entender devido às dificuldades financeiras como também os problemas de saúde que Jayme Xavier Silva vinha passando nos últimos anos.

O presidente Jarden Caldas convoca uma assembleia e coloca os sócios e trabalhadores cientes das necessidades do Centro Espírita e do Ginásio. É feito um levantamento dos bens do centro espírita e fica decidido por unanimidade que seria colocada à venda uma casa situada na Rua Feliz Deserto, Jaraguá, Maceió/AL, Realizada a venda no valor de Cr$. 31.500.000,00. Que seria destinado ao conserto da Kombi do centro espírita e na reforma do Centro Espírita.

A administração do Centro torna-se cada dia mais difícil em relação aos problemas com os trabalhadores do centro espírita e a manutenção do Ginásio Zaneli Caldas. Entre vários outros, a Diretora do Ginásio Zaneli Caldas, Célia Lima Silva pede demissão passando a Direção do Ginásio para sua cunhada e sócia do Centro Espírita, Marli Tenório Costa Silva.

Jarden comunica que não permanecerá na presidência do Centro Espírita José Eusébio, na próxima gestão. Fato que é recebido com muita tristeza pelos trabalhadores e sócios que apostaram nele, bem como seu antigo presidente.

O Centro Espírita José Eusébio sob a Presidência de João Antônio Alves- 1º período.

Na Assembleia Geral Extraordinária de Ata 69ª 22 de junho de 1993 do Livro de Atas nº 02, é eleita a nova Diretoria do Centro Espirita José Eusébio, tendo na Presidência, João Antônio Alves, por indicação do vice-presidente Edson Gomes dos Santos, por ser um espírita conceituado. João Antônio Alves, pernambucano de Panelas recém-chegado do Rio de Janeiro.

João Antônio Alves permaneceu por dois períodos a frente do Centro Espírita José Eusébio. O primeiro período compreende de 20 de julho de 1993 a 27 de junho de 1999. Segundo seus sócios e trabalhadores, este foi o período mais crítico do Centro Espírita José Eusébio, depois do afastamento do presidente Jayme.

O grande entrave deste período foi o Ginásio Zaneli Caldas que não sobreviveu às mudanças e dificuldades, voltando a funcionar como Grupo Escolar Zaneli Caldas, oferecendo da 1ª a 4ª série primarias. O centro espírita durante a transição da administração do presidente Jayme Xavier Silva e a atual diretoria passou a trabalhar mais o assistencialismo. Este trabalho é feito até o momento pela sua atual direção que entre outras atividades assistencialistas, o trabalho com as gestantes, onde são cadastradas e durante a gestação tem orientação de cuidados com a saúde dela e do feto. Recebem feiras mensais e ao término da gestação levam todo o enxoval do bebê. Outro trabalho muito importante é a distribuição de feiras mensais com mais de cem famílias carentes cadastradas.

A escola era mantida por seu fundador como parte integrante ou até mesmo fundamental para o Centro Espírita José Eusébio. Todos os seus avanços e problemas era relatado nos mínimos detalhes nas atas do livro de Atas nº 02 do Grupo Espírita José Eusébio. Fato que não foi observado nas atas das novas diretorias. Nas observações feitas nas atas conta entre outras a solicitação da Diretora da escola, Marli Tenório Costa Silva, de maior comprometimento da Direção do Centro Espírita José Eusébio com as necessidades por que vinha passando a escola. Em 1998, o Presidente João Antônio Alves faz uma Assembleia e solicita a Diretora do Grupo Escolar Zaneli Caldas a documentação de verbas recebidas pela escola através do convênio com a SEMED. Na ocasião informa que implantará um Regimento Interno entre a Direção da Escola e a Direção do Centro Espírita José Eusébio. Na Assembleia de nº 120 de 30 de agosto de 1998, Marli Tenório Costa Silva passa as mãos do Presidente João Antônio Alves, os comprovantes da verba recebida da SEMED, órgão da Educação Municipal de Maceió/AL, que mantém convênio com o Grupo Escolar Zaneli Caldas.

Na Assembleia de nº 127 de 25 de abril de 1999, do Livro de Atas nº 03 de 1997, O Presidente João Antônio Alves informa que não concorrerá à próxima gestão do Centro Espírita José Eusébio, passando as mãos do Vice-Diretor Manoel Jovino da Silva, solicitando que o mesmo fique responsável por sua elaboração. Neste momento a Diretora do Grupo Escola Zaneli Caldas, Marli Tenório Costa Silva agradece o apoio recebido pela atual gestão.

O Centro Espírita José Eusébio sob a Presidência de Manoel Jovino da Silva e Leão Hipólito Lima Silva.

Em 27 de junho de 1999 foi realizada a eleição da nova Diretoria do Centro Espírita José Eusébio, que administrará o centro espírita de julho de 1999 a julho de2002. Foi o único momento em que um familiar do Presidente fundador do Centro Espírita José Eusébio, Jayme Xavier da Silva, chegou próximo da Direção do Centro Espírita.

Leão Hipólito Lima Silva, aos 14 anos de idade iniciou os trabalhos no Centro Espírita José Eusébio ao lado de seu pai e Presidente Jayme Xavier Silva. Durante esse período exerceu várias funções no centro, entre elas as de tesoureiro e Diretor do Departamento Mediúnico, funções fundamentais para a manutenção de uma casa espírita. Foi na eleição de 27 de junho 1999, em que tinha como Presidente Manoel Jovino da silva, Vice-presidente Leão Hipólito Lima Silva, que abriu a possibilidade de um descendente de Jayme Xavier Silva ocupar um cargo de gestor do Centro Espírita José Eusébio. Segundo o Presidente Manoel Jovino da Silva foi uma grande parceria, por ter na pessoa do Vice-presidente Leão Hipólito Lima Silva. Um dos maiores conhecedores da Doutrina Espírita, principalmente em relação à prática mediúnica, pré-requisito importantíssimo para um companheiro de trabalho na área espiritual.

Nesta gestão houve uma maior aproximação do Centro Espírita José Eusébio com o Grupo Escolar Zaneli Caldas. A Diretora do Grupo Escolar é também esposa do Vice-presidente Leão Hipólito Lima Silva, bem como Diretora Cultural do Centro Espírita José Eusébio. Facilitando um maior diálogo e administração entre os dois Departamentos. Esta aproximação levou a maiores cobranças por parte de integrantes da Diretoria do Centro Espírita José Eusébio. Questionando entre outros, quantos trabalhadores são pagos pelo Centro Espírita e maior comprometimento da Diretora do Grupo Escolar Zaneli Caldas em relação a maiores esclarecimentos administrativos. Cobranças do cumprimento Regimento Interno elaborado pela gestão anterior.

Foi criado um Livro de Registro de reuniões entre o Centro Espirita José Eusébio e o Grupo Escolar Zaneli Caldas. Na reunião de nº 01 de 07 de agosto de 2001, foi solicitada a Diretora do Grupo Escolar Zaneli Caldas, informações sobre um número de CGC do Grupo Zaneli Caldas, já que o mesmo faz parte e é dependente e situado nas dependências do Centro Espírita José Eusébio e o motivo da ausência de Marli nas reuniões administrativas do Centro. Marli comunica que o Presidente está ciente de suas ausências e que o motivo são as discórdias geradas nas reuniões. O CGC, um conselho, estatuto e abertura de conta bancária na Caixa Econômica Federal em nome Grupo Escolar Zaneli Caldas foram necessários para firmação de convênio com a Secretaria de Educação Municipal. Exigências necessárias para obtenção de recursos financeiros e materiais para o funcionamento do Grupo. Todos os documentos foram entregues a Diretoria do Centro Espirita José Eusébio. A Diretora comunica que recebeu uma secretária concursada da Secretaria Municipal de Educação e solicitou uma merendeira e uma serviçal de serviços gerais para melhor funcionamento do Grupo Escolar.

Um fato novo nas pesquisas foi a aquisição de um terreno pelo então Presidente Manoel Jovino da Silva, para a construção de um galpão onde seriam realizados estudos evangélicos e recreação para a comunidade carente do local. Este terreno foi uma doação e está localizado no Bairro Virgem dos Pobres, uma das comunidades mais carentes de Maceió/ AL.

O Centro Espírita José Eusébio sob a Presidência de João Antônio Alves- 2º período.

Em 24 de junho de 2002 é realizada mais uma Assembleia de posse para uma nova administração do Centro Espírita José Eusébio. Tendo como Presidente João Antônio Alves e como Vice-presidente Frausina Cavalcante de Carvalho. Marli Tenório Costa Silva participa desta Diretoria como Diretora Cultural, não estando entre os eleitos, Leão Hipólito Lima da Silva. Ele esteve presente nas Diretorias do Centro Espírita José Eusébio desde 1984, quando foi colocado como tesoureiro por seu pai e Presidente do Centro Espírita José Eusébio, Jayme Xavier Silva.

Durante a gestão anterior houve uma grande movimentação em relação à administração e comunicação do Grupo Escola Zaneli Caldas, por parte de Diretores da gestão, que entre outras coisas cobravam participação da Diretora do Grupo nas reuniões de Diretoria e a presença de integrante da Diretoria nas reuniões do Grupo Escolar. Isto causou entre outras coisas as medidas tomadas pela Diretora Marli Tenório Costa Silva.

A Ata de nº 178 do Livro de Atas de nº 03, p 77. É realizada mais uma reunião do Centro Espírita José Eusébio. O Presidente comunica aos presentes que serão feitos esclarecimentos a respeito da atual situação do Grupo Escolar Zaneli Caldas, que naquele momento só estava ligado ao Centro Espírita no espaço físico. Isto devido ao convênio firmado entre a Diretora do Grupo Zaneli Caldas e a Secretaria Municipal de Educação em 21 maio de 1999. Presidente do Centro Espírita José Eusébio pede a Diretora Marli Tenório Costa Silva que fizesse cumprir o contrato assinado entre A Secretaria Municipal de Educação e o Centro Espírita José Eusébio e informa que presta serviço a escola na merenda e limpeza, tornando assim oneráveis aos cofres do Centro Espírita José Eusébio. O Presidente pede que Marli Tenório Costa Silva assine uma declaração assumindo a responsabilidade do convênio assinado com a Secretaria Municipal de Educação.

A partir deste momento a comunicação entre o Presidente do Centro Espírita José Eusébio e a Diretora do Grupo Escolar Zanelis ficou quase impossível. Os alunos ocupavam os espaços do Centro Espírita nos turnos matutino e vespertino. O presidente cobrava os deveres da Secretaria Municipal de Educação com a escola que agora era de sua responsabilidade e entre outras medidas executadas para que a Secretaria de Educação Municipal cumprisse com o acordado com Centro Espírita.

Em 16 de setembro de 2009, a Escola Municipal Zaneli Caldas recebe da Prefeitura Municipal de Maceió um prédio próprio de estrutura moderna, localizado na Praça da Maravilha 89, Poço. A escola conta com dez salas de aula, laboratório de informática, refeitório, biblioteca, sala de recurso, sala de vídeo. Funcionam os dois horários do 1º ao 5º ano ensino fundamental com 245 alunos dos quais permanecem em horário integral no Programa Mais Educação 150 alunos.

O Presidente João Antônio Alves permaneceu à frente da Associação Espírita até junho de 2011. Quando foi eleito o seu Vice-presidente Jarbas Cabral Fagundes, conhecido trabalhador e divulgador da Doutrina Espírita no estado de Alagoas.

O Centro Espírita José Eusébio sob a Presidência de Jarbas Cabral Fagundes e Ana Paula Reis Costa.

Jarbas Cabral Fagundes, Engenheiro mecânico, paraibano, 56 anos. Tendo como Vice-presidente Ana Paula Reis Costa. Estão há cinco anos à frente da Associação Espírita José Eusébio. São referências no espiritismo estadual por estarem sempre se atualizando nos estudos e trabalhos orientados pela Federação Espirita Brasileira. O que veio contribuir para um maior diálogo e abertura nos estudos e trabalhos da Associação Espirita José Eusébio.

A Associação Espirita José Eusébio ocupa todo o seu espaço físico com trabalhos e estudos onde vai do atendimento fraterno a distribuição de café e sopas para famílias carentes. O espaço físico é o mesmo adquirido por seu fundador, mas com reformas modernas, acompanhando as necessidades de cada trabalho e estudo.

Considerações Finais

As pesquisas realizadas neste artigo serviram para conscientizar sócios e trabalhadores da Associação Espírita José Eusébio do trabalho efetuado por seu fundador na área espiritual e social em prol do bem comum. Outro fato relevante é o afastamento de seus descendentes que poderão ser vistos como pessoas que contribuíram doando parte das suas vidas para a manutenção da Associação Espirita José Eusébio através de seus genitores. Que a partir deste trabalho de pesquisa os trabalhadores da associação Espirita José Eusébio e da Escola Municipal Zaneli Caldas passarão a olhar com outras lentes para esse templo histórico.

Referências

ALVES, João Antônio, Livro de Atas nº 03, 1997.

BEZERRA, Karine. História Geral das Religiões. Encontrado em:  http://www.unicap.br/observatorio2/wp-content/uploads/2011/10/HISTORIA-GERAL-DAS-RELIGIOES-karina-Bezerra.pdf.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Ed. FEB. Rio de Janeiro. 1996

KARDEC,Allan. Livro dos Médiuns. 2ª edição. Ed. FEB. Rio de Janeiro. 2013

PIRES, Emmanual O Consolador. Ed. Paideia. SP. 1964

SILVA, Jayme Xavier. Livro de Atas nº 02. 1954

SILVA, Manoel Jovino da. Livro de Atas de Assembleia Geral. 2001

STOLL, Sandra J. Narrativas biograficas: a construção da indentidade espírita no Brasil. Estud. av. vol.18 no.52 São Paulo Sept./Dec. 2004

VASCONCELOS, Daniel Arthur Lisboa. Identidades (IN) Visíveis: um estudo de caso da cultura Espírita em Santana do Ipanema-Alagoas. 2009

Wantuil, Zêus; Thiesen, Francisco. Allan Kardec: O Codificador.2. Ed. FEB. Rio de Janeiro. 204. 2.V. , 2000

[1] Artigo resultado do trabalho apresentado à disciplina Prática de Pesquisa em História como parte dos pré-requisitos para a obtenção do diploma de Licenciatura em História, 2016

[2] Historiadora

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Uma resposta

  1. Ola sou da Bahia , eum uma meditacao em busca da espiritualidade e entendimento algo citou esse nome e em uma pesquisa encontrei, fiz uma leitura da historiografia e nao tenho duvida de que e realmente o que buscava , me ajudem estou a procura de uma casa , sou de Itabuna Bahia e nao consigo me encontrar , me Ajudem

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