Início História A Silente Vitória Comunista

A Silente Vitória Comunista

RC: 7175 -
A Silente Vitória Comunista
5 (100%) 2 votes
162
0
ARTIGO EM PDF

PIOVESANA, Celso Ilídio [1]

PIOVESANA, Celso Ilídio. A Silente Vitória Comunista. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 2, Vol. 16. pp 75-8 Março de 2017. ISSN: 2448-0959

Somados os três milênios antes da era cristã e mais os seus quatro primeiros séculos, marcam eles os primórdios da civilização. Encontramos nesse período os registros históricos que apontam para um regime de governo universal, sob a égide de um só mandante, o imperador. Esse regime de governo caracteriza o imperialismo, representado por um poder centralizado na mão de uma única pessoa, que fazia com que a sua vontade determinasse a sorte de todo e qualquer cidadão. Assim foram: os impérios como o babilônico, o persa, o medo, de certa forma o egípcio, ainda que mais local, e os grandes como o grego e, especialmente, o maior de todos os anteriores, o romano. Por todo esse tempo, o imperialismo constitui um sistema de governo totalitário cujo destino dependia, sobretudo, dos caprichos e estado emocional de uma única pessoa.

Podemos considerar que o mundo já era globalizado nessa época e o imperador desempenhava um papel como o de um ser divino. É bem verdade que ele não governava sozinho. Contava com o apoio de três classes de poder: o exército, os administradores e o clero. O exército lhe dava garantia para o exercício da soberania, da ordem e do domínio sobre todos os territórios conquistados. Os administradores eram responsáveis pela gestão das riquezas do imperador, organização e controle da produção e cobrança dos impostos, divididos por função e por grandes territórios. Tudo pertencia ao imperador e “justo” é que se pagasse pelo uso da terra ou do que fosse. O clero, por sua vez, era o responsável pelos serviços religiosos dentro de um dogmatismo estabelecido pelo imperador. Constituía a classe de zeladores da religião oficial, a quem todos os povos deviam prestar culto.

Na cidade fortificada, onde ficava o palácio imperial, habitavam os seus homens de confiança, pertencentes a cada uma das três classes de governo. Também, ali conviviam os seus serviçais, na condição de escravos, mas dentro de uma condição privilegiadíssima em relação à massa escrava de origem. Tudo o que havia de melhor em termos de moradia, alimentação, vestuário, educação, segurança e conforto, ali estava. O comércio se fazia pelo escambo, mas não deixava de circular a moeda cunhada pelo imperador para facilitar a negociação de contratos comerciais mais importantes. Luxo e ostentação eram peculiaridades naturais e exclusivas do imperador. Contudo, inveja, traição, roubos, subornos, mortes e tantas outras atitudes envolvendo corrupção permeavam a liderança.

Com uma população mundial pouco inferior a duzentos e cinquenta milhões de pessoas essa elite representava, seguramente, bem menos de um por cento da população mundial. Todo poder e riqueza estavam em suas mãos. Uma pequena parcela da população constituída pelos produtores rurais, criadores de gado, comerciantes, e artesãos estavam sob contínuo controle dos administradores, sendo que, geralmente, o que havia de melhor ia parar na mão do imperador.  O restante da população constituía a grande massa, ou seja, a grande maioria, composta de pessoas qualificadas como escravas e sujeitas a regime de trabalho severo e sem qualquer regalia. Os que chegavam aos trinta anos, certamente desgastados pela lide e castigos impostos, eram bem poucos. As precárias condições de higiene, alimentação e habitação os expunham a constantes enfermidades que muitas vezes se tornavam endêmicas, caso não fossem logo excluídos.

De um modo muito lento e gradativo, de entre os lideres do exército, ou de entre os administradores e até mesmo do clero, líderes foram acumulando poder sobre territórios e povos subtraindo o poder político e econômico do imperador.  Foi uma fase de domínio marcada por líderes como Hamurabi, com os babilônicos, seguido pelos persas de Ciro, Dario e Xerxes, o mais duradouro. Seguiu-se o grego de Alexandre, o Grande, e finalmente, o romano dos doze Césares, culminando com Constantino, o Grande, nascido em 272 d.C. O último dos imperadores romanos, assumiu o reinado em 306 d.C., após a morte de seu pai, Constâncio Cloro, vindo a falecer em 337 d.C.  Reinou em um período já decadente do império romano.

Com a expansão do cristianismo, os imperadores romanos da época e seus lideres, tentaram combater os cristãos sem sucesso. No coliseu muitos cristãos foram lançados aos leões para divertimento das multidões. Constantino foi o articulador dos conflitos entre cristãos e outros grupos religiosos ou grupos que rejeitavam a fé cristã. Estabeleceu o cristianismo como religião oficial do império, após o concílio de Nicéia, hoje Iznik, na Turquia, onde reuniu bispos orientais e ocidentais definindo as crenças fundamentais da fé cristã, tendo assim a aceitação das duas partes. Com isso, acabou sendo o grande responsável pela preservação do cristianismo, tornando-a a religião dominante da Europa.

Com a perda da capacidade de articulação, ante um jogo de interesses conflituosos e muitas vezes escusos, o poder do imperador migra para uma nova classe de lideres. Essa nova classe passou a deter o poder político e econômico nos latifúndios ou territórios que antes lhes fora delegado pelo imperador. Tornam-se donos desses territórios, na verdade com extensão que corresponde a grandes países dos dias de hoje. Isso caracterizou um novo regime de governo – o feudalismo. Portanto, é o imperador perdendo força política, para os senhores feudais. Uma só pessoa não dá conta de promover tantas articulações no sentido de conciliar interesses muitas vezes díspares. Além do crescimento populacional, também o acesso à informação se fazia mais presente na vida das pessoas. Elas passavam a ter o senso crítico mais apurado e, portanto, se tornavam mais seletivas. As imposições forçadas já não tinham o mesmo poder de antes.

Titularam-se reis e estabeleceram seu reinado nos moldes do regime imperialista. Contavam com seus administradores, seu exército e estabeleciam o sistema religioso dentro de certas conveniências e concepção. Tinham os seus palácios estabelecidos dentro de cidades fortificadas e coabitando nela com os seus líderes. Fora dos muros do palácio habitavam os produtores rurais, criadores de gado, comerciantes, e artesãos, mais a classe escrava que trabalhava para atender às necessidades do rei. Se o imperador era único – mesmo considerando haver alguns outros impérios espalhados pelos continentes – europeu, asiático e africano – os senhores feudais se constituíam agora em algumas dezenas de líderes. A formação geopolítica para a formação das nações começa a se delinear nesse período.

Foram pouco mais de três milênios para migrar de um regime fundamentalmente imperialista para um feudalista. O modo de trabalho artesanal predominante, pouco progresso tecnológico teve, e o crescimento demográfico foi pouco expressivo sob o regime imperialista. Mas, é dentro do feudalismo que mudanças significativas começam a se estabelecer. A população experimenta taxas de crescimento mais notáveis. Dos 250 milhões, no início da era cristã, quase dobra ao longo de mil e cem anos – chega a 450 milhões. Era o tempo das grandes circunavegações, marcada especialmente pelo descobrimento do continente americano. A primeira revolução industrial no século XVII representa o marco do progresso promovido dentro desse regime de governo. Sistemas de trabalho e aparelhos bélicos compostos por complexos mecanismos como engrenagens, polias e correias de transmissão, movidos pela força do vento como as hélices dos moinhos, as rodas d´água, ou mesmo por tração animal, ou humana, e o advento das máquinas a vapor, foram, não só um marco da prosperidade promovida pelo feudalismo, como também, fator determinante do seu próprio fim.

Com o modo de produção e as ferramentas de trabalho sofrendo transformações tecnológicas significativas uma nova classe de liderança passa a ser criada. As vias e os meios de transporte assumem dimensões expressivas. É dentro dessa dinâmica que vemos o poder migrando dos senhores feudais para uma nova classe dominante. São os burgueses dotados de um espírito empreendedor – são eles, os industriais, os comerciantes e os banqueiros. A riqueza está agora em suas mãos. A 1ª revolução industrial iniciada na Inglaterra constitui um marco para essa transição. De ferramentas artesanais, agora o mundo ingressa na era das máquinas rudimentares – tração animal, ou acionamento pela força de elementos naturais e potencializada pela força das máquinas a vapor. Agora, são milhares de pessoas que passam a exercer o poder político e econômico. A massa escrava ingressa na era do mercado de trabalho.

Trata-se do regime burguês, termo que procede de “burgo”, de origem germânica, que significa cidade, porém, com características de cidade aberta. As pessoas entram e saem livremente. É o tempo do êxodo rural, com os trabalhadores deixando o campo com destino à cidade. Há uma população ávida por consumir os produtos industrializados e, ao mesmo tempo, ávida por informação e conhecimento. Começa-se a criar a sociedade de consumo, formada por cidadãos com recursos advindos dos ganhos de negócios realizados ou, com o poder aquisitivo de origem salarial. O sistema burguês se estende por aproximadamente dois séculos e meio, de 1650 a 1900. A população nesse período salta de pouco menos de um bilhão para um bilhão, seiscentos e cinquenta milhões de pessoas. Esse crescimento demográfico explosivo passa a representar um grande desafio para a humanidade.

Observemos que nesse período é que as características de governo sofrem significativas mutações. A figura dos reis ou senhores feudais dá lugar a outro tipo de personalidade – o banqueiro, o industrial e o comerciante. Estes ocupados que estão com a administração dos seus próprios negócios, não dispõem de tempo para formar e organizar o exército e o clero, bem como de cuidar das questões urbanas e organização social. Criam assim um sistema de governo para cuidar das questões ligadas à organização urbana e rural, e este por sua vez transfere ao lideres religiosos a gestão das suas próprias organizações.

A ciência se múltipla e a tecnologia através da descoberta do motor elétrico e do motor a combustão, potencializa em muito a capacidade de produzir. Do arado puxado por um cavalo, o homem sobe em uma máquina, chamada trator, que é movida por dezenas de “cavalos”. Na cidade e na empresa, o trabalhador interage com muitos outros e adquire conhecimento e competência para o exercício do seu trabalho. Ainda que de forma muito simples, mas ele começa a ingressar na classe educada. Essa evolução leva a um novo regime de governo, representado pelo capitalismo. A riqueza está nas mãos de quem detém os meios de produção. O lastro de riqueza deixa de ser o ouro e passa a ser o conhecimento do modo de produção e da tecnologia empregada. O trabalho artesanal dá lugar à manufatura e ingressamos na era da mecânica. Estamos no período da segunda revolução industrial, início do século passado.

Tão exponencial quanto o crescimento populacional – o século XX, viu saltar dos 1,65 para mais de seis bilhões de pessoas – a tecnologia da informação através do telégrafo, do rádio e do telefone encurtou distâncias, fazendo chegar ao homem o conhecimento mais pleno de si. Associado às evoluções tecnológicas, bem como ao desenvolvimento das ciências médicas, psicológicas, e sociais, o comportamento, ou hábitos, do homem mudou significativamente, e o sistema político e econômico inexoravelmente sofreu as suas transformações. Esse novo regime de governo, o capitalismo, é representado pelos detentores do conhecimento tecnológico. É esse conhecimento que gera riqueza e, por conseguinte, define o capitalista na figura do banqueiro, do industrial e do comerciante e, nessa ordem, está a sua importância política e econômica.

Um século se passa – de 1900 a 2000 – e uma nova ordem política e econômica se mostra. O capitalismo começa a dar indícios de decadência.  Uma nova ordem se configura graças a importantes mudanças tecnológicas, quais sejam: a eletrônica, daí a informática, a TI – tecnologia da informação – e a era da automação se configurando. É o homem deixando o trabalho físico repetitivo para máquinas inteligentes, que por ele são criadas. É um caixa eletrônico de banco, um aplicativo no celular, uma porta que se abre ou fecha sem a intervenção humana, um veículo que nos conduz sem que haja uma pessoa a dirigi-lo, uma máquina que produz sem o esforço físico do homem. Assim, cria-se uma nova classe de trabalhadores voltada ao desenvolvimento de projetos que promovem sobremodo o desenvolvimento intelectual do homem, propiciando a ele melhor qualidade de vida.

Desaparece assim a figura do capitalista e, em seu lugar, entra em cena o acionista. É a socialização do capital. São mais pessoas que passam a deter o poder nas tomadas de decisão. A televisão é uma das grandes responsáveis pelo processo de mudança do comportamento social, levando em conta que ela torna o homem melhor informado. Leva ao homem simples o padrão de vida dos mais abastados. É a informação a serviço da ampliação da classe educada. Delineia assim, os primeiros passos para a formação do socialismo. Marx o apregoou muito bem, mas cometeu um grave erro. Ao dizer, no Manifesto Comunista, que o poder deve ser tomado pela força, por parte do proletariado, retirando do rico os seus bens e transferindo para o partido, assumindo a liderança política, esqueceu-se de que essa classe não tinha condições de assumir tamanha responsabilidade. Na verdade, nem a tem, inclusive na figura de muitos dos seus líderes atuais.

Vejamos a frase, no capítulo II do Manifesto Comunista de Marx e Engels (1847):

O proletariado utilizará sua supremacia política para arrancar pouco a pouco todo capital à burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção na mão do estado, isto é, do proletariado organizado em classe dominante, e para aumentar, o mais rapidamente possível, o total das forças produtivas.

Mais a frente, nas considerações finais do Manifesto, eles dizem:

Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente. Que as classes dominantes tremam ante a ideia de uma revolução comunista! Os proletários nada tem a perder nela a não ser suas cadeias. Tem um mundo a ganhar.

 Proletários de todos os países, uni-vos!

A redação do Manifesto deu-se após o Congresso da Liga dos Comunistas quando adotarem os seguintes estatutos (Beer, p. 497):

1º O objetivo da Liga é derrubar a burguesia, levar o proletariado à situação de classe dominante, suprimir a velha sociedade baseada na dominação de classe e instaurar uma sociedade nova, sem classes e sem propriedade privada.

2º Para fazer parte da Liga é necessário preencher as condições seguintes:

  1. viver e agir de acordo com as finalidades da Liga; b) ser enérgico e abnegado na propaganda; c) aderir aos princípios do comunismo; d) não fazer parte de qualquer associação anticomunista, política, ou nacional; e) submeter-se às decisões da Liga; f) manter absoluta, discrição acerca de todas as questões da liga; g) ser aceito unanimemente por todas as seções da Liga.

3º Todos os membros da Liga devem considerar-se irmãos e devem ajudar-se mutuamente, em caso de necessidade.

Note que há um traço de arrogância e incitamento à anarquia e à desordem social, peculiaridade de líder revolucionário que adotou para si. Filho de pai judeu, advogado e conselheiro da justiça, portanto com certa ascensão social, Max nasceu na Prússia, um dos fragmentados reinos da Alemanha. Foi perseguido pelo governo absolutista de Guilherme III. Doutorou-se em Filosofia, com cursos em sociologia, política, economia, direito e teologia. Escreveu e dirigiu jornais em Berlim. Dedicou-se ao estudo do capitalismo de modo intensivo até o final da sua vida, obra que de certa forma foi concluída por Engels. Há de se destacar que foi escrito em uma época de regime caracteristicamente burguês, mas que caminhava de modo célere para o capitalismo.

Tal ideologia levou líderes de grandes nações a se promoverem como os grandes transformadores do mundo. Subjugaram povos aos seus ditames tentando padronizá-los até mesmo na indumentária como forma de dizer ao mundo “vejam como somos iguais e melhores”. Nem Rússia e mesmo com a URSS, nem China e mesmo pequenas comunidades como Cuba, jamais foram comunistas. Aniquilaram lideres totalitarista para implantarem uma ditadura severa à grande massa populacional. Destruíram os meios de produção, e foram incompetentes na criação e geração de novos meios de produção. Necessário é que esses meios de produção fossem suficientemente eficazes para atender à crescente demanda de mercado e à sofisticação cada vez maior, dos gostos de indivíduos, que não queriam uniformes, mas sim, estampar nos seus usos e costumes uma marca pessoal que valorizaria sua alta estima e lhes serviria de estímulo para a criação de bens que melhor atenderiam às necessidades humanas. Pessoas não são iguais, mas tem nas suas diferenças a complementaridade do processo de desenvolvimento social. Cabe ao cidadão educado o respeito mútuo para a construção de um mundo melhor.

Por estas considerações e por outros tantos valores, entendemos que, apenas através de um processo educacional consistente e estruturado poder-se-á preparar o cidadão para o exercício pleno da sua responsabilidade social. Que o rico se torne mais rico ainda, mas que o pobre tenha a humildade de saber valorar os bens que lhe cheguem à mão, especialmente a riqueza representada pelo conhecimento que lhe forma as competências profissionais, no exercício pleno das suas faculdades criativas e de sabedoria. O rico deixará de ter medo de perder a sua riqueza porque o principio do sistema é o de assegurar a todo o cidadão o conforto e a qualidade de vida mais excelente. É um compromisso que faz parte de uma cultura coletiva. Assim, o rico verá que com muito menos do que detém, poderá gozar plenamente a sua vida social, profissional e familiar.

De que vale ao rico os seus muitos bens quando o medo de perdê-los lhe tira a paz, comprometendo muitas vezes a harmonia doméstica que é valorizada pela saudável e amável relação conjugal, filial e social? O sucesso não é medido pelo acumulo de bens. Mais vale a vida harmoniosa do pobre que desfruta das benesses da boa convivência familiar e social, do que as muitas riquezas, tendo um lar destruído.

Colocar abundante riqueza nas mãos de pessoas despreparadas, então, o mau gerenciamento fará com que ela escoe em breve tempo. Em contrapartida, tirar abruptamente a riqueza do rico, o conhecimento que ele possui, lhe permitirá a breve recomposição de seu patrimônio.

Alguns há, cujo caráter pode se comparar ao porco que tirado da pocilga e posto no salão nobre do palácio, logo o transforma em um pardieiro imundo. Não é o rico ganancioso, nem o pobre torpe que se há de educar. A índole de ambos está forjada e cristalizada dentro de uma perspectiva egoísta, única e sua apenas.

Objetivamente, é trabalhar na formação do desfavorecido para que ele aprenda a gerir bem as riquezas criadas que, na verdade, não são suas, mas sim para serem compartilhadas, promovendo assim o bem estar coletivo. Ele promove de modo consciente a melhoria da qualidade de vida de todos. Quanto ao rico, por saber gerir bem as suas riquezas, ele as vê ainda mais aumentada, pelo que recebe dos outros. Sentindo-se seguro no compartilhamento com todos, entende que tudo que precisa ele a tem, e que ainda sobeja e, por isso, se alegra. Entende que não faz sentido reter, mas sim, dispor.

Para onde iremos, então?

Com a ampliação crescente da classe educada, ao menos algumas comunidades ou nações poderão experimentar de modo maduro e equilibrado de um regime de governo em que tudo lhes será comum. Dá-se a esse regime de governo o nome de comunismo. Não se uniformiza as pessoas. As diferenças em termos de qualificação e aptidões existirão sempre, e elas se completam na construção do todo. Por serem mais esclarecidas, elas saberão dividir o fruto do seu trabalho de modo mais justo. Não será pela força, nem pela violência, mas pela silente voz da educação.

Podemos notar que são nobres os princípios que regem a formação de uma sociedade comunista. Vejamos nas palavras do Partido Comunista da União Soviética, naquilo que é considerado o Manifesto Comunista do Século XX, que fornece os fundamentos da transição do socialismo para o comunismo.

O comunismo é um sistema social sem classes com uma forma única de propriedade pública dos meios de produção e plena igualdade social de todos os membros da sociedade; nele, o desenvolvimento geral do povo será acompanhado pelo crescimento das forças produtivas através do programa contínuo da ciência e da tecnologia; todos os mananciais da riqueza cooperativa fluirão com maior abundância e o grande princípio “de cada um conforme sua capacidade, a cada um conforme suas necessidades” será uma realidade. O comunismo é uma sociedade superiormente organizada, de trabalhadores livres, socialmente conscientes, em que se estabelecerá o autogoverno público, uma sociedade em que o trabalho para o bem da sociedade se tornará a necessidade primeira, vital, de todos, necessidade proclamada por cada um e por todos, e em que a capacidade de cada indivíduo será empregada para o maior benefício do povo. (Nikitin, p.373)

O século XX apresentou uma explosão demográfica assustadora. Foram mais cinco bilhões de pessoas que nasceram nesses cem anos de história e, mesmo contando com o fantástico desenvolvimento tecnológico, o que observamos é que o planeta Terra continuou com as mesmas dimensões e a exploração dos seus recursos se  deu de modo desordenado e irresponsável. Ficamos presos ao sistema de exploração capitalista e não conseguimos sequer trabalhar na melhor formação do ser humano. Se assim fosse feito, teríamos cidadãos mais conscientes da sua importância social, mas primariamente da sua responsabilidade socioambiental. Não o temos.

As quatro maiores economias mundiais – USA, China, Japão e Alemanha – considerando o Produto Interno Bruto, detém quase que 70% do Produto Mundial. As economias chinesa e japonesa são dependentes da Alta Tecnologia desenvolvida pelos outros dois países aí indicados. Se somarmos o que as empresas desses países produzem em outras nações, poderemos chegar à casa dos 80% ou mais. Simples? Vejamos algumas poucas considerações:

  • 96% dos sistemas operacionais dos computadores do mundo todo estão nas mãos da Microsoft.
  • 100% dos GPS – Sistema de Posicionamento Global – usado em qualquer parte do mundo, é de produção exclusivamente norte americana.
  • No Brasil, não só a tecnologia de prospecção e recalque de petróleo, mas até o “simples” bombeamento do óleo, do litoral para o interior de São Paulo, depende de equipamento produzido por indústria norte-americana.
  • As hidroelétricas nacionais deixariam de cumprir o seu fornecimento caso não dispusessem de geradores com tecnologia norte-americana.

Portanto, muito há a se fazer dentro do regime capitalista, que representa um aperfeiçoamento do burguês, e que tem representado um meio eficiente de conduzir as classes menos favorecidas a uma melhor condição de vida. Às pessoas conscientes não é cabível a revolta ao sistema capitalista, mas sim a gratidão pelo que ele representa em termos de evolução social. O que é inadmissível é a proliferação desordenada das camadas mais pobres. A elas deve ser facultado o acesso ao ensino de qualidade e o ingresso no mercado de trabalho. Naturalmente, serão mais disciplinadas na geração de filhos. Esse papel a Organização das Nações Unidas, especialmente através da Organização Mundial da Saúde e da Organização Internacional do trabalho, o tem feito, sobretudo a partir da década de setenta, do século passado de modo exemplar.

No mundo, raríssimos são os países que tem podido experimentar tal estado de transformação, mas a possibilidade está aberta a todos e ela poderá acontecer. Depende unicamente da forma como se há de preparar as gerações vindouras.

REFERÊNCIAS 

BEER, Max. HISTÓRIA DO SOCIALISMO e das Lutas de Classe. Laemmert, SP, 1968.

NIKITIN, Petr I. FUNDAMENTOS DE ECONOMIA POLÍTICA. Civilização Brasileira, RJ, 1967

[1] Graduação em ENGENHARIA MECÂNICA pela ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS – USP (1971), Especialização em Consultoria Industrial pela UNICAMP (1972) e mestrado em Educação pela Universidade do Oeste Paulista (2003).

Como publicar Artigo Científico

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here