Da mesopotâmia para o mundo: Uma história de Israel

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/historia/historia-de-israel
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ARTIGO ORIGINAL

MACHADO, José Ronaldo de Freitas [1]

MACHADO, José Ronaldo de Freitas. Da mesopotâmia para o mundo: Uma história de Israel. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 01, Vol. 08, pp. 129-150. Janeiro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/historia/historia-de-israel, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/historia/historia-de-israel

RESUMO

O objetivo deste artigo é apresentar, brevemente, as contribuições já realizadas em torno das civilizações antigas da Mesopotâmia, que muito contribuiu para a evolução dos povos subsequentes, até chegar ao povo de Israel. A priori, de forma sintetizada, elencar-se-á sobre o povo sumério, suas contribuições e legado deixado para os outros povos. Depois, será postulado acerca do povo acádio, como surgiu e em que contribuiu, para se chegar até Ur dos Caldeus, cidade natal do patriarca Abraão. Não obstante, pontuar-se-á que em Abraão se inicia o povo de Israel, que muitas das vezes é chamado de Judeus. Para tanto, será pontuado, seu crescimento como povo, sobre sua fé, muito breve sobre as tribos de Israel, que são doze, sua monarquia e divisão dos reinos, como Reino do Norte e do Sul, sendo o Norte-Israel e o Sul-Judá. Outro destaque, serão os cativeiros que o povo de Israel sofreu e sua dispersão, até que se tornasse um Estado Independente de Israel no ano de 1948.

Palavras-chave: Mesopotâmia, Ur dos Caldeus, Abraão, Israel, Reino.

INTRODUÇÃO

Os registros históricos das civilizações que se tem acesso, são formidáveis para o aprendizado sobre a origem do mundo antigo, como os primeiros povos, o mito que cada um carregava consigo, seu legado para outras gerações, agrupamentos e inúmeras realizações que marcaram sua época e que ainda hoje causa impacto nos pesquisadores da contemporaneidade.

Embora este artigo, tenha como finalidade tecer comentários sobre os povos da antiguidade, as considerações aqui, serão centralizadas na região da Mesopotâmia; de modo mais detido na relação que possa ser estabelecida, entre a Mesopotâmia e o surgimento de Israel.

Para tanto, os comentários seguirão o viés sintetizado, por não ter a pretensão de exaurir por completo o assunto. Haja vista, que o próprio tema deste artigo, delimita sua preocupação em se observar com praticidade sobre alguns povos da Mesopotâmia e influência aos outros povos, até que se possa escrever sobre Israel como um povo singular na terra da Palestina.

Portanto, uma vez explanado sobre os povos da Mesopotâmia: Os sumérios, os Acádios e Ur dos Caldeus, se segue para a importância da Cidade Ur dos Caldeus, terra essa de muito destaque, por ser onde inicia-se a história de Abraão, o primeiro patriarca do povo de Israel. Assim, enfatizar-se-á a origem de Israel, seu crescimento e estabelecimento por meio doze Tribos. Abordar-se-á também neste trabalho, seu sistema de governo monárquico, a partir de alguns recortes.

Na sequência, será descrita a divisão do Reino de Israel em dois reinos: Reino do Norte, e Reino do Sul. Além disso, mencionar-se-á os períodos que Israel foi cativo de outros povos, a saber: “no Egito, na Assíria e em Babilônia”.

Por fim, brevemente, pontuar-se-á o que foi a dispersão de Israel para o mundo, as marcas teológicas e culturais que imprimiu em outros povos e seu retorno para a Pátria, após longos dois mil anos de exílio.

1. UMA HISTÓRIA ANTES DA HISTÓRIA

Toda história possui um cenário, também ele, histórico, antes de ser contada. Não seria diferente com a história de um povo que, outrora, não era reconhecido como povo independente, mas, unicamente, como nômade, devido às constantes mudanças geográficas as que foi submetido. Pode-se, ao explorar o campo semântico do conceito, dizer que se fala sobre um povo que é, em algumas acepções, errante.

Com isso em mente, é importante salientar que a abordagem que se pretende fazer nesta pesquisa diz respeito à tentativa de se elaborar uma leitura da história de Israel; reconhecido pelos arqueólogos, historiadores, geógrafos, antropólogos e a ONU (Organização as Nações Unidas) como um povo singular, cuja  história se fez, e ainda se faz, de altos e baixos, o que não impediu que ele influenciasse a muitos países, ou seja, o Mundo, com sua cultura e filosofia de vida peculiar, amparadas em crenças motrizes da  constituição identitária do seu povo.

Quando se olha para trás na linha cronológica, pode-se dizer que, antes que houvesse o povo de Israel, existiu e se desenvolveram outras sociedades na Mesopotâmia, postulada, por diversos estudiosos, como berço da civilização antiga. Em alguns momentos desta pesquisa, fatos referentes às sociedades supracitadas serão mencionados para que se possa amparar, por meio do elencar de eventos históricos, as reflexões que se intentar fazer.

Além do exposto, pode-se dizer, ainda, que escrever sobre a história do povo de Israel requer muita sinceridade e cautela para se fazer as devidas observações, porque não é de qualquer povo que se falará, mas de um povo que tem marcas das histórias vividas em suas mentes, almas, e esses são traços que os fizeram ser tão diferentes e, até mesmo, perseguidos, como a história nos revela.

Para demarcar o ponto de onde se iniciarão as reflexões, cabe mencionar que, sabe-se, por intermédio das Escrituras, o que se conhece como “Torá” (תּוֹרָה)[2] – que significa “instrução” e não somente “Lei”, como se tem ensinado ao longo dos anos, com intuito de segmentar a amplitude de significados e conceitos sobre o tema – que a história do universo se originou de um “Ser Supremo”, termo utilizado pelos filósofos pré-socráticos. Para os judeus, utiliza-se a nomenclatura “O Eterno”.

Em contrapartida, no que tange à Ciência, a origem do universo se deu por meio de uma grande expansão que, por sua vez, foi originada de uma explosão, a que chamamos de “Big Bang”. O que importa neste artigo, que fique claro, que um grande evento, ou uma sucessão de pequenos eventos que culminou em um de proporções maiores, foi o responsável pelo início da história do mundo e de todos os seres vivos.

Passados os esclarecimentos iniciais, é relevante que se atente ao seguinte questionamento: “O que se poderia perscrutar, antes da História Oficial de Israel, que ajudaria na compreensão desse país como diferente, não apenas dos demais países do Oriente Médio, mas de todos os países do mundo? ” Na tessitura desse trabalho, tentar-se-á responder à indagação proposta com base nas mais variadas fontes historiográficas, geográficas, antropológicas e teológicas. A última, a partir do viés sustentado pela religião praticada pelo povo de Israel. Para efetivar esse propósito, far-se-á uma releitura da história dos povos que habitaram a Mesopotâmia e que, mais tarde, contribuíram para o advento de Israel.

2. HISTÓRIA DAS CIVILIZAÇÕES ANTIGAS

A história das civilizações antigas tem muito a nos ensinar sobre origens, culturas, agrupamentos, e crenças, sejam elas politeístas ou monoteístas, e como essas práticas exerceram, e exercem influência no paradigma da contemporaneidade. Quando se trata de buscar respostas no passado, muitos estudiosos sentem receio por haver dualismos nas histórias contadas. Todavia, esse temor pode ser dissipado quando se leva em consideração a perspectiva defendida por Santiago, Cerqueira e Pontes (2016, p.9), segundo a qual: “[…] a história faz parte de nossas vidas! Mais do que isso: ela liga o presente ao passado, conferindo significados aos nossos atos e pensamentos”.

Por isso, é necessário ao desenvolvimento do raciocínio que norteia o presente artigo que se explanem as origens das civilizações antigas, a saber: da Mesopotâmia – o ponto de partida eleito para as digressões que tomarão corpo neste texto – que influenciou diretamente no surgimento de Israel como povo.

Ainda que seja notável o trabalho de diversos historiadores em devolverem à África o título de “berço da civilização” ou, em outras palavras, de pontuarem esse continente como o lugar onde tudo começou, neste trabalho não se demorará em descrevê-lo de modo detalhado, porque esta pesquisa concentrar-se-á no estudo dos meandros históricos constituintes da história de um povo que teve raízes na Mesopotâmia, palavra cuja etimologia pode ser definida, conforme (PFEIFFER; VOS; REA; 2007, p. 1257), do seguinte modo: “A palavra Mesopotâmia vem do grego e significa “entre rios”. Esses rios eram o Tigre e o Eufrates”.

Com isso posto, far-se-á se apontamentos rápidos sobre os povos que se estabeleceram na região mesopotâmica e de suas contribuições para o surgimento do povo de Israel, outrora denominado como o povo Hebreu, conforme explicitou Oliveira (2003, p.4): “São conhecidos como Hebreus, ‘filhos de Heber’ (Neto de Sem), ‘Povo dalém do rio Eufrates’”.

Em um momento posterior, esse povo passou a ser chamado de “Israel” – do hebraico, lutar com Deus – por causa de um dos patriarcas dos filhos de Israel, Jacó. Após uma gama de acontecimentos, esse povo passou a ser reconhecido como “Judeus”, termo proveniente de “Judá”, título de uma das doze tribos de Israel, cujos nomes são homônimos dos atribuídos aos doze filhos de Jacó. Essa nomenclatura perdura até os dias atuais e é comumente usada para se referir ao povo israelense.

De posse desse sintético relato sobre como o nome de Israel resultou de uma série de acontecimentos históricos, voltemos nossos olhares para a Mesopotâmia. Acredita-se que essa região tenha abrigado as primeiras civilizações do mundo. Isso aconteceu por ela possuir um solo fértil e ter disponível uma grande quantidade de reservas aquíferas.

Entretanto, mesmo com esses recursos, os povos mesopotâmicos não tinham uma vida fácil, já que os rios apresentavam constantes cheias e causavam inundações durante quase todos os meses do ano. Essa informação foi descrita e difundida por vários estudiosos da história das civilizações antigas. Eles também asseveram que a Mesopotâmia ficava em um local reconhecido como Crescente fértil, por sua aparência em forma de uma lua crescente, o que se poderá observar nos anexos desta pesquisa. Conforme descreveu Tenney (2008, p. 1213), o Crescente fértil:

Este termo refere-se àquela extensão de terra que começa no Golfo Pérsico estendendo-se a noroeste através dos Vales dos Rios Tigre e Eufrates, continuando de oeste a nordeste da costa do Mar Mediterrâneo, desviando para o sul através de Canaã e (popularmente) incluindo o Vale do Rio Nilo. A área descrita possuía forma de uma meia lua e é muito fértil, embora a área em arco fechado seja estéril. Os registros mais primitivos de civilização vêm desta área, e esta foi o centro da civilização até o período da Grécia.

Nesse lugar, mais especificamente no ponto em que, hoje, chamamos de Iraque, começaram a surgir civilizações que, após um longo percurso histórico, se configuraram do modo com que as conhecemos atualmente. Em processo ao momento de situar a Mesopotâmia geograficamente, é necessário que se comece a descrever os povos que habitaram essa região. São eles: Sumérios, Ur dos Caldeus, Assírios, Egípcios e, por fim, os Israelitas. O processo de apresentação desses povos englobará, prioritariamente, sua origem, desenvolvimento, costumes e contribuições para uma das cosmovisões vigentes na contemporaneidade.

3. OS POVOS DA MESOPOTÂMIA

Nesse tópico, far-se-á, em um primeiro momento, um relato dos povos Sumérios e, de modo geral, de sua cultura. Entretanto, não se aprofundará nesse exercício, visto que o objetivo do presente artigo não é o de debruçar-se sobre os pormenores referentes aos povos da Mesopotâmia, mas sim o de pontuar características sociais, políticas e culturais dos mesopotânicos  que contribuíram para o surgimento de outros povos, de modo mais específico, para o surgimento do Povo de  Israel.

3.1 SUMÉRIOS

A história dos Sumérios é intrigante e revolucionária. Ela teve seu início por volta de 4.000 a.C., quando eles se destacaram por sua: “construção de um complexo e desenvolvido sistema de controle de água do Tigre e Eufrates. Construíram barragens, sistemas de drenagem do solo, canais de irrigação e diques”. Outro fato histórico que remete as destacáveis habilidades dos Sumérios é a escrita cuneiforme, que era realizada em placas de argila, vaso e que, por sinal, era de difícil interpretação.

A escrita cuneiforme surgiu cerca de 3.500 a.C, no mesmo período em que surgiram os escritos hieróglifos egípcios. Ela é considerada a escrita mais antiga de todas, o que a configura como um grande legado dos Sumérios para as civilizações posteriore[3]. Além disso, os Sumérios foram os primeiros a povoar e influenciar, de modo mais intenso, os habitantes da Mesopotâmia. Dentre suas contribuições, é possível destacar: a literatura, a urbanização e uma eficiente irrigação e desenvolvimento rentável, este por intermédio da agricultura. Esses fatores foram determinantes para que os Sumérios também se destacassem no que tange à criação de cidades-estados. Conforme expôs o escritor Pinto (2017, s.p.):

O certo foi que se fixaram na Caldeia (média e baixa Mesopotâmia) e lá constituíram ao menos 12 cidades-estados, dentre as quais Ur, Uruk, Nipur e Lacash. Essa revolução urbana, iniciada por volta do ano 3.000 a.C., tinha na figura do Patesi a chefia da cidade-estado. O Patesi era um rei-sacerdote com funções religiosas e militares, controlava as obras públicas como a construção de canais, celeiros e templos, além de desfrutar do poder absoluto.

Com essa bem-estruturada organização social e política, não é de se admirar que a religião politeísta praticada pelos Sumérios tenha se perpetuado por civilizações que vieram em um momento posterior. A História Antiga registra também que os Sumérios, “no campo da Matemática, foram capazes de desenvolver operações algébricas. Além disso, Sumérios também eram grandes construtores e comerciantes. Os zigurates eram os principais centros da adoração religiosa politeísta dos sumérios”.

Essas contribuições foram aproveitadas e reelaboradas pelas civilizações subsequentes e, ao saltar-se algumas marcações na cronologia histórica da humanidade, pode-se chegar ao ponto em que é possível identificá-las como sementes indispensáveis ao germinar de muitos dos conhecimentos difundidos nas sociedades atuais, entre elas, merecem destaques as sementes da escrita, da literatura e das bacias criadas para que se armazenasse água para a agricultura.

As contribuições dos sumérios não influenciaram somente em sua época como fora observado na narrativa acima, mas perdurou várias gerações, como se é apresentado nas demais culturas posteriores, a saber, as cidades-estados até que se chegasse aos Hebreus, que por sua vez se tornou povo de Israel, escolhido pelo seu D’us Altíssimo e por fim, também reconhecido por judeus. Por isso, o propósito a seguir é postular sobre os Acádios, e consequentemente sobre Ur dos Caldeus, que a princípio, era reconhecida como apenas Ur, uma das cidades-estados criadas pelos sumérios que teve uma forte influência na vida do personagem Abrão, como se chamava na sua gênesis, porém, após uma aliança com seu D’us, passou a ser reconhecido e chamado como Abraão.

3.2 ACÁDIOS

A história das civilizações antigas é povoada por guerras, invasões e dominações de um povo sobre o outro. Com isso em mente, cabe ressaltar a estratégia que norteou os Acádios, povo semita. Segundo Arruda (1979, p. 71), “enquanto […] cidades se combatiam, os semitas se instalavam na Mesopotâmia”.

Como se sabe, toda história é construída com sucessos de uns e perdas de outros. Sabe-se, também, que a maioria dos relatos de confrontos históricos de que se tem notícia é contada a partir do ponto de vista dos vencedores. Sem entrar nesse mérito, esse artigo objetiva listar as contribuições históricas e os avanços que propiciaram a proliferação e perpetuação do conhecimento advindo das civilizações provenientes da Mesopotâmia.

Postulou Arruda (1979) que o surgimento dos Acádios se deu a partir de povos originários das orlas do Deserto da Arábia. Pelo que se sabe, esses povos exerciam a profissão de pastores e chegaram a fundar várias cidades. A esse respeito, Arruda (1979) diz que uma delas foi fundada nas margens do Rio Tigre. Dentre as cidades que foram fundadas, a mais célebre era Acad, que deu origem ao nome Acádios. Relata Arruda (1979, p. 71) que o rei “Sargão conquistou e unificou todas as cidades sumérias por volta de 2330 a.C., criando o Primeiro Império Mesopotâmico”. Esse império se expandiu de forma extraordinária pelo Mundo Antigo, e se organizou de modo que conseguiu banir a influência sacerdotal que predominava na vigência dos Sumérios.

Outro dado importante sobre o Império Acádio, cuja capital era Acádia – hoje conhecida como Iraque –, foi a sua queda. Segundo Arruda (1979), quando o império foi invadido por povos gútios, no ano de 2180 a.C., houve um primeiro abalo. O Império começava a se recuperar e foi surpreendido, por volta de 2000 a.C., pelos elamitas. Assim findou-se o Império Acádio.

Após essas breves reflexões sobre os primeiros povos mesopotâmicos, como esse artigo intenta propor uma leitura da História de Israel, é crucial mencionar o surgimento de um personagem icônico para a filiação religiosa e cultural dos israelitas: Abrão. A Bíblia relata que Abrão, filho de Tera, surge no ano de 2000 a.C., e tem, como cidade natal, Ur dos Caldeus. É necessário que se postergue o relato sobre Abrão e sua descendência para que se possa situar Ur dos Caldeus no âmbito mesopotâmico.

4. UR DOS CALDEUS

De acordo com o mencionado sobre os Sumérios, pode-se atribuir a eles a criação das cidades-estados, isto é, entidades política e economicamente independentes entre si.  Uma dessas cidades era Ur, onde nasceu a importante figura bíblica para os Judeus: Abrão. Inicialmente chamado de Abrão, para sinalizar a aliança com o seu D’us, o Eterno, teve uma vogal acrescida no nome, e passou a ser chamado de Abraão, (do heb. Abraham) que sign., “Pai de uma multidão”, conforme (Gênesis 17.5), assim descreveu Moraes (2010, p.78).

A cidade de Ur dos Caldeus tem uma história singular, pontuada por características peculiares. Esta cidade natal de Abraão, Ur, que mais tarde, receberia o nome de “Ur dos Caldeus”, merece ênfase, segundo a descrição de Silva (2014, p. 75): “[…] era altamente civilizada e possuía um extraordinário sistema de leis, economia, religião e arte”. Essas características, faziam de Ur, uma civilização bem avançada e de respeito.

Para tanto, no ano de 1922 e 1934, como se sabe através da arqueologia, houve uma expedição que fez escavações num sítio arqueológico, onde se afirma ser a antiga Ur, sabe-se sobre isso devido Silva (2014) eu seu livro sobre arqueologia.  Como antigamente, Ur foi marcante para seus habitantes, ratifica-se sua importância, conforme relata Beacon (2012, p. 57):

Ur dos Caldeus (28) foi uma das cidades-estados mais ricas já desenterradas das culturas mais antigas do vale da Mesopotâmia. O deus-lua Nanar era adorado ali, e um dos mais famosos reis de Ur foi Ur-Namu. Josué 24.2 declara que a família de Tera adorava ídolos. A cidade foi destruída em cerca de 2100 a.C. e, logo em seguida, ocorreu grande migração para o oeste. Chamavam-se amoritas as famílias que se mudaram para o oeste. A família de Tera estava entre estes migrantes. Planejavam evidentemente ir primeiro à terra de Canaã (31), mas foram detidos, pois morreu Tera em Harã (32).

Os apontamentos de Beacon contribuem muito para o enriquecimento desse artigo, pois a visualização de como se configurou o cenário das civilizações antigas é essencial para averiguarmos o aparecimento do povo de Israel. Esse povo passou por períodos de crescimento, foi subjugado no Egito, depois foi cativo nos domínios dos Babilônios, onde, segundo a História bíblica, permaneceu por setenta anos, até que o Seu D’us lhe resgatou e lhe conduziu para sua Terra Natal, a saber: Jerusalém.

Além de ser subjugado pela Babilônia, o Povo de Israel também teve de se submeter à Assíria, que manteve em cativeiro as dez tribos de Israel. Essas tribos compunham o que ficou conhecido como Reino do Norte, o que aconteceu após a divisão da Monarquia de Israel, que ocorreu no reinado de Roboão, filho de Salomão que o sucedeu como Rei. Esses fatos serão explanados melhor, após alguns esclarecimentos sobre a gênese de Israel.

5. ISRAEL E SUA ORIGEM

Quando se fala sobre o Povo de Israel, é imprescindível, para que se tenha um conhecimento melhor amparado, que se leve em conta que a história desse povo é fortemente permeada por uma concepção religiosa, concepção esta que está intrincada à formação da identidade do povo israelense. A partir disso, para se falar sobre a origem de Israel é essencial que se aborde, primordial e respeitosamente, as narrativas míticas sobre o surgimento desse povo. Para tanto, acerca do “mito” observa-se:

A palavra portuguesa mito vem do grego, múthos, que indica qualquer ideia expressa somente por palavra oral, em contraste com érgon, «trabalho», «ação». Assim, um mito é algo sobre o que os homens falam, mas sem base na realidade. Está em foco algum assunto de conversa, alguma estória, alguma fábula. De fato, no grego, o verbo muthéo significa «contar», «narrar uma ficção». […]. Os mitos sempre serviram de forças impulsionadoras de atos humanos. Mitos sobre deuses que galardoam e castigam têm encorajado os homens a adotarem atitudes particulares e a agirem de determinadas maneiras. Poderíamos mesmo dizer que os mitos são «estórias impulsionadoras», relatos cujo intuito é o de levar os homens à ação, e não meramente narrativas divertidas. Os mitos também são estórias explicativas, que tentam explanar coisas sobre as quais os homens mostram curiosidade, embora não disponham de meios para investigá-las. Naturalmente, os relatos míticos são inventados como se fossem verazes, esperando-se que os homens creiam nos mesmos. De fato, grandes sistemas religiosos têm sido essencialmente mitológicos, pois, embora sistemas inventados pela imaginação humana, têm sido levados a sério. Desde os tempos de Platão, os filósofos precisavam ter extremo cuidado com o que diziam a respeito dos mitos encontrados nos escritos de Homero, mitos esses que se tornaram a base de religiões populares, politeístas. […] (CHAMPLIN, 2013, p. 320)

Nesse campo de significação, importa dizer que a cultura judaica ensina que tudo começou com o patriarca Abrão, que descobriu que Deus é Um e que não poderia ser feita nenhuma imagem de sua pessoa, por Ele ser o Altíssimo. De acordo com o postulado por um dos sábios do Judaísmo, Maimônides (1135-1204), em seus treze princípios da fé judaica, conhecidos como “Ani maamin beemuna” – cujo significado é: “Eu creio com fé completa” – Deus é um Ser ilimitado, infinito e indivisível. Maimônides marcou o Judaísmo com sua fé viva e seus escritos da Mishnê Torá.[4]

O ponto chave do nascimento do povo de Israel está atrelado à história de Abrão. Os israelitas, outrora chamados Hebreus, surgiram na cidade de Ur dos Caldeus, segundo relatos bíblicos, históricos e geográficos e, depois, mudaram-se para Harã. Esse cenário pode ser melhor explicado por Faber (2017, p. 12):

Podemos considerar que a História dos Hebreus inicia com a formação da tribo liderada pelo patriarca Abraão, por volta do ano 2000 a.C, e o seu encerramento com a Diáspora judaica no ano 70 d.C. Este último ocorreu quando o Império Romano expulsou os hebreus de Israel.

A narrativa bíblica esclarece que antes de migrar para a Palestina, Abrão teve duas residências. Passou seus primeiros anos de vida em Ur e, em seguida, um longo período em Harã. Ele teve de deixar amigos, vizinhos e parentes quando saiu de Ur e quando partiu de Harã.

Uma vez que Abrão se estabeleceu na terra de Canaã, teve momentos de muita provação, como foi o episódio de sua descida para o Egito a procura de sustento, em razão da extrema fome que acometeu Canaã. Esse episódio é descrito em Gênesis: “E havia fome naquela terra; e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra (Gênesis 12.10)”. Na terra do Egito, Abrão protagonizou uma situação constrangedora para não perder a esposa, Sarai. Por não conseguir gerar filhos, ela ordenou que a serva, Agar, se deitasse com Abrão para que ele tivesse um filho. Depois, Deus fez uma aliança com o marido de Sarai e lhe prometeu um herdeiro, cujo nome seria Isaque. Do relacionamento de Abrão com a serva já havia nascido Ismael.

Conta-nos a História que de Isaque descendem dois filhos, cujos nomes são: Esaú e Jacó. Houve um desentendimento entre Jacó e Esaú referente à progenitura, comprada por Jacó com comida. Segundo a tradição, antes de morrer, o pai abençoaria os filhos. Jacó foge de seu irmão Esaú após, por um artifício de trapaça, conseguir que seu pai lhe desse uma benção dupla. Ao fugir, ele se escondeu na casa de seu tio, Labão, onde trabalhou para ter, como esposa, Raquel. A permissão para se unir a ela em matrimônio só lhe foi dada após quatorze anos de muito trabalho para o sogro e, antes de poder se casar com ela, teve de se casar com Lia, sua irmã mais velha. Quando conseguiu o que queria, Jacó saiu da tutela do sogro, Labão, com duas esposas, duas concubinas e muitos filhos e prosperidades que lhes eram devidas em face dos seus incansáveis anos de trabalho para seu sogro.

Conforme relatos bíblicos, passada essa etapa Jacó e sua família foram viver do outro lado do “Vale de Jaboque”, perto de um rio “[…] que nasce a 30 km do Jordão e percorre sinuosamente 100 km, fica na região de Gileade. Ali, em suas margens, Jacó lutou contra um Anjo de Deus, episódio que determina a mudança do seu nome, passando a se chamar Israel”. Assim surgiu Israel e sua descendência, conhecida como “as doze tribos de Israel”.

6. ISRAEL E OS CATIVEIROS

Embora seja fascinante descrever a História do Povo de Israel, não serão abordados, neste trabalho, os detalhes das vezes em que ele ficou cativo, uma vez que o objetivo é destacar alguns pontos relevantes sobre essas passagens para que se compreenda a constituição do povo de Israel. Para tanto, os pontos relevantes, diz respeito aos cativeiros: Egípcio, Assírio e Babilônico.

6.1 O CATIVEIRO EGÍPCIO

Conforme os relatos bíblicos, quando o Povo de Israel chegou ao Egito, foi recebido com honras por causa de José, que se tornou um grande governador no Egito. Ainda segundo a Bíblia, José fora vendido pelos seus irmãos aos Ismaelitas, no deserto, foi levado ao Egito, onde foi negociado como escravo para Potifar pessoa de grande confiança de Faraó. Mesmo como escravo, ele se destacou por sua administração e, durante todo o tempo, acreditou que estava com o seu Deus. Até que chegou o dia de sua aclamação como ministro do Faraó, posição que ocupou até o dia da sua morte: “E morreu José da idade de cento e dez anos, e o embalsamaram e o puseram num caixão no Egito” (Gênesis 50. 26).  Conforme a narrativa bíblica, (Êxodo 1.8-14), após a morte de José,

Levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José; o qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós. Eia, usemos de sabedoria para com eles, para que não se multipliquem, e aconteça que, vindo guerra, eles também se ajuntem com os nossos inimigos, e pelejem contra nós, e subam da terra. E puseram sobre eles maiorais de tributos, para os afligirem com suas cargas. Porque edificaram a Faraó cidades-armazéns, Pitom e Ramessés. Mas quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam, e tanto mais cresciam; de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel. E os egípcios faziam servir os filhos de Israel com dureza; assim que lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro e em tijolos, e com todo o trabalho no campo; com todo o seu serviço, em que os obrigavam com dureza.

Acresça-se à determinação do faraó, a expulsão dos hicsos, para que se possa ter uma dimensão de como a situação do povo de Israel ficou complicada.  Conforme Arruda (1979, p. 92): “Depois da expulsão dos hicsos (1580 a.C.), a vida dos hebreus no Egito tornou-se difícil. Eram perseguidos e tinham que pagar pesados impostos ao faraó”.  Arruda (1979) ainda nos ampara no que tange às informações sobre o tempo que durou as dificuldades dos israelitas no Egito, onde permaneceram por quatrocentos e trinta anos. Esses

[5]430 anos, mencionados por Moisés, devem ser considerados desde o chamado de Abrão em Harã, a sua permanência e de seus descendentes em Canaã, e a sua estada no Egito, até o Êxodo. O texto de Êxodo 12:40 foi traduzido pela Septuaginta desta forma: “A permanência dos filhos de Israel, enquanto habitaram na terra do Egito e na terra de Canaã, foi de 430 anos”. Inclusive na era patriarcal os faraós consideravam Canaã como de sua propriedade.

A saída do povo de Israel do Egito, de acordo com os relatos bíblicos, só foi possível por causa da intervenção de Deus, por meio do seu Servo Moisés, que operou os sinais e prodígios no Egito, desse modo, fazendo ruir a soberba de faraó e de seu povo. No momento que sucedeu o seu êxodo do Egito, o Povo de Israel pôde presenciar muitas maravilhas e juízos do seu Eterno Deus, enquanto peregrinava pelo deserto a fim de se estabelecer na terra de Canãa, prometida aos patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó, este que, como já foi dito anteriormente, depois passou a se chamar Israel, que significa: “aquele que luta com Deus” ou “príncipe que prevalece com Deus”.  O nome Israel deriva “[…] do hebraico Yishra’el, cuja composição é realizada a partir da soma dos vocábulos yishra, que pode ser traduzido como “lutador” ou “príncipe”, e El, cuja principal acepção é “Deus”.

Quando o Povo de Israel atravessou o Jordão e tomou posse das cidades e povos daquela terra, Josué, líder daquele povo e sucessor de Moisés, repartiu para cada tribo, a posse de um território, e assim, os israelenses se estabeleceram definitivamente na terra de Canãa. Enquanto o povo vivia na obediência dos mandamentos do seu D’us, prosperavam e cresciam de forma extraordinária. Porém, se falará de outro cativeiro, que teve como objetivo a capital de Israel, a saber, Samaria. Este cativeiro teve como dominadores os Assírios.

6.2 O CATIVEIRO ASSÍRIO

O cativeiro Assírio aconteceu após a cisão da monarquia de Israel, que teve como primeiro rei Saul, depois Davi, e, em sequência, Salomão; este que deixou Roboão para assumir o trono em Jerusalém. Nessa época, ocorre a divisão do reino em: reino do Norte – Israel – e reino do Sul – Judá. Assim postulou Faber (2017, p.13):

Apesar da prosperidade do reinado de Salomão, após sua morte o reino é dividido. No Norte foi formado o Reino de Israel, cuja capital ficava na cidade de Samaria. Já o reino do Sul, foi fundado o Reino de Judá. Apesar do reino do Sul afirmar serem os herdeiros do reino unido, a verdade é que os dois reinos tinham políticas muito parecidas.

Após essa divisão, o reino do Norte teve como rei Jeroboão, filho de Nebate (cf. 1 Reis 12.2), que construiu deuses para o povo, em Betel e Dã, com o formato de bezerros de ouro, o que muito indignou o Deus de Israel. Roboão teve sua oportunidade de ganhar o povo e fazer um belíssimo reinado, porém, acabou desapontando o povo com sua forma rígida de governar.

Tanto o Reino do Norte (10 tribos) quanto o Reino do Sul (2 tribos) não obedeceram às palavras dos profetas, os quais desejavam o retorno do povo à Lei do Senhor seu Deus, o abandono do culto a outros deuses (idolatria) e a prática da justiça como evidência “horizontal” de que amavam e queriam servir com inteireza de coração ao Senhor. A desobediência, a apostasia e as injustiças sociais acarretaram a queda de Samaria para o Império Assírio, conforme demonstra Ellisen (2007, p.131):

Os últimos 30 sombrios anos de Israel foram caracterizados por caos político, com cinco dinastias e quatro assassinatos. O último, Oseias, foi aprisionado por Salmanaser dois anos antes do colapso da cidade, em 722. […] A queda do Reino do Norte foi uma admoestação para Judá de que o Senhor não mais suportaria idolatria em sua terra (Ez 23.11).

Em 722 a.C., Samaria, região que compreendia o reino de Israel, depois de três anos de cerco, foi totalmente destruída pela Assíria. Com isso, o Reino do Norte foi deportado para a Assíria, de onde não mais retornou para a sua terra, dispersou-se por diversos cantos da terra. A essa ação se deu o nome de “diáspora”, que segundo Albuquerque: “[…] é o nome dado às diversas expulsões forçadas dos judeus mundo afora, incluindo a formação de outras comunidades judaicas fora das regiões que hoje são conhecidas como Israel, partes do Líbano e Jordânia”.

6.3 O CATIVEIRO BABILÔNICO

O Reino do Norte, Israel, ficou cativo dos Assírios; o Reino do Sul, Judá, dos babilônios. Afirma-se, que antes do Império Babilônico se estabelecer como potência do mundo antigo, quem estava em evidência era o Império Assírio. Todavia, diz a história que a Assíria não era invencível. Sobre a iminência da queda da Assíria, escreveu Lawrence (2008, p. 99):

Entrementes, um líder tribal caldeu do sul da Mesopotâmia chamado Nabopolassar (pai de Nabucodonosor) tomou o trono da Babilônia em 626 a. C. De acordo com a Crônica da Queda de Nínive, em 616 a. C. Nabopolassar começou a atacar a Assíria com ajuda dos medos, governados então por Ciáxares.

Enquanto isso, em Jerusalém, o rei Josias procurava fazer uma reforma radical. Para isso, destruiu todos os altares de ídolos pagãos e queimou todos os objetos que pudessem distanciar o povo da presença do Eterno. A isso, seguiu-se o momento em que Josias começou a buscar a Deus, o Deus de seu pai, Davi, conforme consta na Bíblia (2 Crônicas 34.3). Entretanto, a busca cessou com a sua morte, o que aconteceu em um confronto com o Faraó Neco.  Enquanto esse embate acontecia, Nabucodonosor derrotou a Assíria e se estabeleceu como a potência do mundo antigo. Esse raciocínio ampara-se em Lawrence (2008, p. 101):

Entre 609 e 605 a. C., Judá enfrentou ameaças de duas frentes: Neco, rei do Egito, matou Josias, rei de Judá, na batalha de Megido em 609 a. C; Nabucodonosor, príncipe da Babilônia, derrotou o Egito em Carquemis, em 605 a. C. Ao prosseguir em direção de Judá, Nabucodonosor recebeu notícia da morte de seu pai e foi obrigado a voltar pelo deserto para assumir o trono vacante.

Nabucodonosor, ao assumir definitivamente o trono da Babilônia, restaurou a cidade, que havia sofrido muitos danos no auge do Império Assírio. Tamanho foi o seu zelo pelas reformas, restaurações, que se dizia não se tratar de obra de homem, mas sim dos deuses. Isso converge com a leitura feita por Andrade (2002, p.50). Para ele, “a singularidade de Babilônia levou Nabucodonosor a esquecer-se de sua condição humana e a julgar-se o próprio Deus”.

Conforme a Bíblia, na história do livro do profeta Daniel, Deus puniu Nabucodonosor pelo comportamento supracitado. No seu livro, o profeta relata o juízo de Deus sobre Nabucodonosor. Aquele fez com que este vivesse como animal por sete anos (cf. Daniel 4.25).

Quando isso aconteceu, Nabucodonosor já havia sitiado Jerusalém e levado muitos cativos para Babilônia. Os primeiros cativos foram levados no ano 606 a.C., segundo (Daniel 1.1). Os segundos, no ano 597 a.C., (2 Reis 24.11, 12) e, os últimos, em 586 a. C., (2 Reis 25.8-11). O retorno de Judá para sua pátria ocorreu quando os Medos-Persas conquistaram Babilônia, o que aconteceu no ano 536 a.C. Mais tarde, os Medos-Persas, permitiram que Judá retornasse para Jerusalém, onde se estabeleceu e viveu em paz com o seu Deus. Esta paz pleiteada por todo o povo de Israel, sempre foi bombardeada pelos os povos do mundo antigo. Porém, quem mais contribuiu para desfazê-la, foi o império Romano, que diretamente trouxe a destruição do segundo templo, forçando a diáspora de Israel pelo mundo.

7. A DIÁSPORA

Para tanto, sobre a diáspora, contribui Olivieri (2013, p. 3): “Em 2 mil anos de exílio, os judeus sempre constituíram minorias em outros países, sendo constantemente discriminados e perseguidos”. Sendo que essas discriminações e perseguições se deram principalmente na Europa Antiga.

Sobre a perseguição, discriminação e mortes que sofreram os judeus, ninguém melhor do que Novinsky (2015) que escreveu sobre as muitas dificuldades enfrentadas, mediante o poder da Inquisição, defendida pelos Papas. Para tanto, cita-se um trecho de Novinsky (2015, p. 11): “É sobre um outro Brasil que vou falar, mantido em sigilo nos arquivos secretos do Santo Ofício da Inquisição durante quinhentos anos”. A fala de Novinsky está baseada nas inúmeras perseguições que os judeus passaram nos países de origem católica, até que chegassem ao Brasil, que não ficou para trás das mesmas perseguições, lhes atribuindo o título de cristãos-novos, conforme a escritora supracitada.

Não obstante, sua indignação pelo que encontrou, novamente postulou (Op. Cit. p. 13): “A Inquisição foi um órgão político que através do terror moldou em Portugal uma cultura do segredo”.  Isso porque eram dissimulados e hipócritas com os judeus e árabes, perante a sociedade. É estranho aos ouvidos dos poderosos, mas foi escrito por um discípulo de Max Weber, conhecido pelo nome de Werner Sombart, que (Ibidem p.19): “[…] a América em todas as suas partes é uma terra judia”. O porquê disse isso então? Claro que é devido as diásporas que fizeram que chegassem ao Brasil, como em outras nações, onde viveram em guetos, pois assim descreveu Novinsky (2015, p.55): “O papa Paulo IV, no século XVI, decretou que todos os judeus que vivessem nos Estados Papais deveriam ser confinados em guetos”. Até onde se sabe o primeiro foi em Veneza, que comportava várias origens de judeus. Entretanto, não se fará mais observações acerca dos guetos, nem das expulsões dos judeus da Inglaterra, Portugal e Espanha, por não ser o tema central as ações da Inquisição, mas somente pontuações por estar dentro do assunto “ A Diáspora”.

Assim a diáspora do povo de Israel, também chamado as vezes de Judeus, teve seu fim, quando “O Moderno Estado de Israel” adquiriu sua independência em 14 de maio de 1948. Desde à independência, as lutas, perseguições, guerras continuaram, porém, a promessa feita aos patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó chegou ao seu ápice. Para tanto, o texto (Isaías 66.8) é aceito, como base para o dia, em que O Estado de Israel foi estabelecido em sua própria terra, de acordo com pesquisadores na área dos estudos sobre Israel.

Todavia, o que nos revela os relatos históricos, foi que Seu Primeiro-Ministro David Ben-Gurion se pronunciou, usando as seguintes palavras de acordo com Dutra (2020, s.p.): “[…] o novo Estado Judeu com uma proclamação de 1000 palavras, sendo a frase inicial: “Na Terra de Israel formou-se o Povo Judeu”, e a última: “Em confiança na Rocha de Israel.” Para tanto, se faz necessário a citação a seguir, que vem evidenciar a Independência de Israel, segundo as observações de Stein (2019, s.p.):

No dia 14 de maio, sexta-feira, após algumas discussões, o Conselho Nacional, criado para examinar as necessidades políticas da comunidade judaica na Palestina votou aceitando o texto final da Declaração de Independência. Naquela tarde, às 16 horas, David Ben-Gurion, presidente do Conselho Nacional, leu a Declaração de Independência no Museu de Tel Aviv. Sem eletricidade em Jerusalém, poucos escutaram as palavras de Ben-Gurion ou o canto e a execução de “Hatikvah”, o hino nacional de Israel. Naquela manhã, sem saber ao certo quando iria eclodir uma guerra com os Estados árabes, Ben-Gurion pediu ao seu secretário que levasse a Declaração a um banco local para ser guardada num cofre.

Embora Israel tenha se fixado em sua terra, suas contribuições teológicas e culturais, ainda peregrinam pelo mundo, uma vez que o judaísmo é a religião base, de muitas outras que surgiram e se reinventaram ao longo da história da humanidade.

Haja vista, que o judaísmo fez nobres contribuições para o surgimento do Cristianismo, tendo como seu líder maior Jesus o Cristo. No entanto, desde que à Independência de Israel aconteceu em maio de 1948, vem sofrendo atentados, perseguições dentre outras retaliações.  Todavia, um sonho se realizou e o desejo de retorno para sua pátria tem acontecido por muitos judeus que estavam espalhados pelo globo terra, desde o princípio de sua diáspora. A esse retorno, dá-se o nome de “Aliá” se acordo com Dutra (2020), que ademais declara que: “O termo Aliá significa ascensão ou elevação espiritual, e passou a ser usado para designar a imigração de judeus para a Eretz Israel – Terra de Israel”.

CONCLUSÃO

A priori, este artigo se preocupou em falar sobre os povos da Mesopotâmia, de forma simplificada, pois a finalidade desta pesquisa, não tinha como abordagem expor todos os povos da Mesopotâmia, mas apenas fazer apontamentos para que se reconheça-a como o berço das civilizações.

Em sequência, ponderou-se acerca dos povos sumérios, e seu estabelecimento entre os rios Tigres e Eufrates, por isso chama-se povos da Mesopotâmia, sua cultura, a agricultura, legado na escrita cuneiforme, que influenciou diretamente as cidades-estados, que os mesmos construíram, até sua queda.

Este artigo, fez questão de falar sobre os Acádios, que herdaram a cultura dos sumérios, que se estabeleceram nas orlas do Deserto da Arábia, que baniu a cultura pastoral, sacerdotal da Suméria e se expandiu pelo mundo de sua época. Nessa tecitura destacou-se a cidade de Ur, que mais tarde, passou a ser reconhecida como Ur dos Caldeus, cidade natal do patriarca Abraão, que muito interessou falar sobre ele neste artigo.

Para tanto, se postulou a respeito de Israel e sua origem, seu crescimento por meio dos patriarcas; Abraão, Isaque e Jacó, que receberam a promessa de uma terra para habitação de todo o povo de Israel. Em sequência, a monarquia de Israel e sua divisão em dois Reinos, a saber, Reino do Norte e do Sul. Ademais, descreveu-se o porquê da divisão e por consequência os cativeiros aos quais teve de submeter-se: Egípcio, o Assírio e o Babilônico.

Por fim, falou-se sobre a diáspora israelense, isto é, os motivos que fizeram com que os judeus, deixassem suas terras e chegassem a outras nações, onde passaram a viver em guetos. Passaram a viver nestes lugares, por causa da ordem do Santo Ofício da Inquisição como uma medida adota para que se impusesse a religião católica a todos os povos.  Passados dois mil anos, no dia 14 de maio de 1948, Israel se torna Estado Independente. Desde então, esse povo tem influenciado a humanidade, com sua crença monoteísta e suas especificidades culturais religiosas.

REFERÊNCIAS

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TENNEY, Merril C. (org.). Enciclopédia da Bíblia. Volume Um de A – C. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.

ANEXO 1

Fonte: <https://www.infoescola.com/geografia/crescente-fertil/>.

ANEXO 2

Fonte: <http://blogdoconsistorio1.blogspot.com.br/2014/07/mesopotamia-phaleg-crio-o-grande-nabucodonozor-zorobabel.html>.

ANEXO 3

Fonte: <http://historiaecoisaetal.blogspot.com.br/2011/07/traducao-do-alfabeto-cuneiforme.html>.

ANEXO 4

Fonte: <http://slideplayer.com.br/slide/8658157/>

APÊNDICE – REFERÊNCIAS DE NOTA DE RODAPÉ

2. A palavra “Torá” ou Torah vem do hebraico e tem como significado “instrução”, “ensinamento” ou “apontamento”; A Torá constitui a base e o fundamento do judaísmo e corresponde aos cinco primeiros livros do Tanakh conjunto de textos sagrados dividido em 24 livros que, juntos, seriam equivalentes à Bíblia Hebraica; Os cinco livros são conhecidos como “Cinco Livros de Moisés” ou, em hebraico, como Chameesha Choomshey Torah e são eles: o Bereshit (Gênesis), Shemôt (Êxodo), Vayicra (Levítico), Bemidbar (Números) e Devarim (Deutero-nômio). MEGACURIOSO. Torá: Descubra 19 fatos sobre o Livro Sagrado do Judaísmo; publicado em 31 jul. 2017. Disponível em: <https://www.megacurioso.com.br/artes-cultura/103482-tora-descubra-19-fatos-sobre-o-livro-sagrado-do-judaismo.htm>. Acesso em 09 maio de 2020.

3. Sobre a escrita cuneiforme, veja mais nos anexos.

4. O Mishnê Torá é a obra magna de Maimônides (o “Rambam” – Rabi Moshê ben Maimon), um trabalho que abrange centenas de capítulos que descrevem todas as leis mencionadas na Torá.

5. WGOSPEL. 400 ou 430 Anos de Escravidão? [S.I] [entre 1997 e 2020]. Disponível em: <http://www.wgospel.com/o-filho-da-promessa-de-abraao/>. Acesso em 15 de jun. de 2020.

[1] Especialista em Ensino de Filosofia e Sociologia pela Faculdade Venda Nova do Imigrante – Faveni (2020). Especialista em Direitos humanos pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar (2019). Especialista em Ciência da Religião pela Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras – Facel (2012). Especialista em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar (2015). Licenciatura em Letras/Inglês pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar (2019). Licenciatura em Filosofia pela Universidade Metropolitana de Santos (2018). Graduado em Teologia pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar (2011). Licenciatura em História pelo Centro Universitário de Jales (2017).

Enviado: Novembro, 2020.

Aprovado: Janeiro, 2021.

Especialista em Ensino de Filosofia e Sociologia pela Faculdade Venda Nova do Imigrante – Faveni (2020). Especialista em Direitos humanos pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar (2019). Especialista em Ciência da Religião pela Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras - Facel (2012). Especialista em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar (2015). Licenciatura em Letras/Inglês pelo Centro Universitário de Maringá - Unicesumar (2019). Licenciatura em Filosofia pela Universidade Metropolitana de Santos (2018). Graduado em Teologia pelo Centro Universitário de Maringá - Unicesumar (2011). Licenciatura em História pelo Centro Universitário de Jales (2017).

1 COMENTÁRIO

  1. Muito bom artigo, fala de maneira clara e objetiva. Tanto da Mesopotâmia e de alguns de seus povos como de Israel, principalmente apontando o período de Israel no Egito tratando este tempo como cativeiro, dando-nos uma melhor visão sobre este período da história do povo judeu. Mostrando mesmo que breve, um pouco do sofrimento dos judeus durante sua diáspora, seu retorno a sua terra natal e mostrando que apesar de tudo guardaram sua fé e sua crença mesmo em épocas tão difíceis de sua história.

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