Filosofia Na Escola: A Necessidade De Um Pensar Crítico E Reflexivo Em Torno Do Ensino-Aprendizagem Em Sala De Aula

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ARTIGO ORIGINAL

OLIVEIRA, Rosane Machado de [1]

OLIVEIRA, Rosane Machado de. Filosofia Na Escola: A Necessidade De Um Pensar Crítico E Reflexivo Em Torno Do Ensino-Aprendizagem Em Sala De Aula. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 11, Vol. 07, pp. 25-40 Novembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

O estudo apresentado tem por finalidade verificar a necessidade da escola, dos professores e da comunidade escolar em geral, refletir o ensino de Filosofia na escola e na sala de aula de forma construtiva e significativa. Nota-se, que em algumas instituições de ensino formal, a aprendizagem de Filosofia não é qualitativa, ou seja, não é emancipatória. O objetivo específico da pesquisa é analisar a formação dos professores de Filosofia e o despreparo frente ao ensino-aprendizagem crítico/ reflexivo no ambiente escolar. O objetivo geral é compreender a relevância e a fragmentação da Filosofia na escola enquanto disciplina curricular obrigatória do Ensino Médio. O procedimento metodológico foi desenvolvido através de pesquisa bibliográfica exploratória. O assunto investigado oportuniza entender, que o ensino de Filosofia e os princípios filosóficos do conhecimento devem ser repensados, dialogados, debatidos e refletidos constantemente e coletivamente por toda a comunidade escolar, na busca dos docentes ministrarem um ensino-aprendizagem significativo em prol à disciplina de Filosofia, isto é, um ensino capaz de desenvolver o pensamento crítico/ reflexivo dos estudantes. Contudo, é possível perceber, que há uma certa dificuldade em compreender a Filosofia e sua finalidade na escola, pois a aprendizagem, na maioria das vezes, não é reflexiva, não cativa os educandos, e em alguns casos, não é comparada com a vida cotidiana dos aprendizes.

Palavras-Chave: Ensino-Aprendizagem, Filosofia, Pensamento Crítico, Pensamento Reflexivo.

INTRODUÇÃO

O estudo realizado tem por objetivo específico analisar a formação dos professores de Filosofia e o despreparo docente frente ao ensino-aprendizagem crítico/ reflexivo em sala de aula. O objetivo geral da pesquisa é compreender a relevância da Filosofia na escola enquanto disciplina curricular obrigatória no Ensino Médio.

Contemporaneamente, é possível analisar em muitas escolas brasileiras, que o ensino de Filosofia encontra-se fragmentado, desestruturado, e distanciado da realidade social e da experiência cotidiana dos aprendizes que chegam até a escola, fato esse, que infelizmente, acrescenta pontos negativos ao processo do ensino-aprendizagem de Filosofia.

É relevante que a escola, os professores e a comunidade escolar em geral, obtenham uma consciência crítica, e um entendimento em torno da disciplina de Filosofia, de modo a compreender que não é papel da escola formar filósofos, assim como em história, não é papel da escola formar historiadores.

Portanto, a obrigação da escola está em oportunizar aos aprendizes o acesso ao conhecimento filosófico, de modo a “iluminar” a mente, o caminho, o saber e a vida dos educandos. A escola como instituição social, tem o dever de informar, mediar e formar cidadãos atuantes em sociedade, capazes de se relacionarem com as diversas realidades, pessoas, e grupos existentes, assim como, saberem se posicionar contra ou a favor dos acontecimentos sociais.

Verificou-se em análise a pesquisa, que ensino de Filosofia é imprescindível para o conhecimento humano, para o desenvolvimento do pensamento crítico e reflexivo.

Porém, é preciso que professor saiba mediar o ensino-aprendizagem de Filosofia, e que obtenha uma formação docente estruturada, qualificada e comprometida com as reais necessidades de aprendizagem dos estudantes, na busca de fazer a diferença nos diversos contextos. O docente tem que ser capaz de estimular, de cativar e despertar nos discentes o gosto e o interesse pelo aprendizado, e pelas aulas de Filosofia.

A escolha do tema proposto resultou de estudo, pesquisa, análise e entrosamento pelo assunto abordado, como também, de leitura, e compreensão de ideias de diversos estudiosos que se dedicaram aos estudos de Filosofia.

A abordagem metodológica desenvolveu-se através de pesquisa bibliográfica exploratória (livros impressos, artigos, revistas, dicionários, entre outros.). Para Lakatos e Marconi (2001, p. 183), a pesquisa bibliográfica:

“[…] abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema estudado, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, materiais cartográficos, etc. […] e sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto […]”

Com base em estudo e pesquisa sobre a necessidade de refletir o ensino de Filosofia na escola, elaborou–se o seguinte problema de pesquisa:

Por que em muitas escolas brasileiras o ensino de Filosofia não é crítico, reflexivo e não cativa os estudantes?

Hoje, é possível verificar em algumas instituições escolares, que o ensino de Filosofia contínua sendo ministrado de maneira tradicional em sala de aula, não sendo refletido coletivamente com os discentes a importância da Filosofia para a vida de cada um de nós em sociedade. A falta de mediação, de reflexão, e de clareza em torno da disciplina e de seus conteúdos, faz com que muitos estudantes não se identifiquem com a Filosofia, ou seja, os alunos na sua maioria não são cativados e preparados para aprender a disciplina no contexto formal. É necessário que o professor de Filosofia reflita em torno de sua teoria e prática pedagógica, pois se não há reflexão, certamente o conhecimento não será construtivo/ significativo.

Contudo, não se pode negar que a despreparação de alguns docentes em sala de aula, acaba atingindo não só a aprendizagem dos educandos, mas também, a realidade sociocultural, política, religiosa, econômica e social dos discentes.

O assunto investigado oportuniza compreender o ensino de Filosofia ministrado nas escolas. O estudo visa contribuir positivamente para com filósofos, professores/ educadores das diversas áreas de ensino, principalmente para com os docentes da área de Filosofia, para que possam discutir e refletir a teoria, a prática pedagógica, a concepção de ensino, e os recursos utilizados no ensino-aprendizagem de Filosofia.

2. A NECESSIDADE DE REFLETIR O ENSINO-APRENDIZAGEM DE FILOSOFIA

O termo filosofia vem do grego filos, que traduz a ideia de “amor”, e de sofia, que significa “sabedoria”. Assim, a filosofia contém em si duas significações: “o homem que possui certo saber e o homem que vive e se comporta de um modo peculiar” (MARÍAS, 2004, p. 3). Conforme Abbagnano (2007), pautado na definição do Eutidemo de Platão, filosofia é o uso do saber em proveito do homem, afinal, como Platão dizia:

De nada servia possuir a capacidade de transformar pedras em ouro a quem não soubesse utilizar o ouro, de nada serviria uma ciência que tornasse imortal a quem não soubesse utilizar a imortalidade, e assim por diante. Far-se-ia necessário, portanto, uma ciência que coincidisse fazer e saber utilizar o que é feito, e essa ciência é a Filosofia. (EUTIDEMO, 288 e 290d, citado por ABBAGNANO, 2007, p. 414)

Contemporaneamente, é possível perceber em algumas instituições de ensino, que a Filosofia não tem sido debatida e questionada como deveria pelos profissionais da educação. A Filosofia enquanto disciplina escolar obrigatória no Ensino Médio, não tem sido refletida coletivamente e construtivamente por parte da maioria dos professores/ educadores inseridos no ambiente escolar. De fato, a falta de reflexão filosófica na aprendizagem dos discentes em sala de aula, pode causar impactos cada vez mais negativos e omissos no conhecimento humano dos aprendizes, fazendo com que os alunos terminem o Ensino Médio e não sejam capazes de desenvolver uma consciência crítica em torno dos fatos sociais, da sociedade em que vivem, e do mundo que os cercam.

Diante disso, é necessário discutir concretamente o papel da disciplina de Filosofia no meio educacional, pois, por mais relevante que seja o estudo de Filosofia na formação humana, não há como negar que a disciplina atualmente encontra-se fragmentada.

Se analisarmos reflexivamente e criticamente a ação pedagógica, de forma a promover a passagem da educação do senso comum, assistemática, para a educação sistematizada, que alcança o nível da consciência filosófica, devemos nos indagar “a respeito do homem que se quer formar, quais os valores emergentes que se contrapõem a outros, já decadentes, e quais os pressupostos do conhecimento subjacentes aos métodos e procedimentos utilizados” (ARANHA, 1997, p. 108).

A Filosofia está nos currículos escolares do Ensino Médio. Mas a legitimação da disciplina por professores, alunos, instituições ainda está acontecendo – e depende do que se faz e do que se pensa dela pedagogicamente. (E, por conseguinte, acaba por criar a necessidade de uma filosofia do ensino de Filosofia.) Se por um lado a Filosofia no nível médio de ensino não forma filósofos, por outro, deve permitir ao aluno apropriar-se do modo filosófico de pensar: conceitual-reflexivo-argumentativo-problematizador.

Segundo Aranha (2003, p. 74), filosofia é o pensar reflexivo do homem sobre seu cotidiano para compreender seus atos e seus pensamentos. Não se trata de qualquer reflexão, mas o refletir sobre o próprio pensar; “pensar o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece”. Por meio da reflexão o homem tem outra dimensão, além da oferecida pelo agir imediato e lhe é possibilitada a superação da situação dada e não escolhida.

A filosofia não é uma disciplina empírica, como a história ou a física. É uma disciplina a priori ou que se faz pelo pensamento apenas. Não usamos laboratórios, estatísticas, observações telescópicas ou microscópicas. Neste aspecto, a filosofia está mais próxima da matemática, que é também uma disciplina a priori. Isto não significa que não possamos em filosofia apresentar hipóteses de caráter empírico; mas significa que se é possível testar empiricamente essas hipóteses, não são hipóteses filosóficas: são apenas hipóteses sociológicas, psicológicas, biológicas ou outras. Apesar de a filosofia ser uma disciplina a priori, a informação empírica pode ser relevante em muitas das suas áreas. Essa informação, contudo, é geralmente fornecida pelas outras disciplinas, e não pela filosofia em si.

É lugar-comum, hoje, afirmar que a educação está em crise. Isso, porém, não é novidade, pois ela sempre esteve em crise. Em todos os tempos e lugares a educação foi questionada. Só não o foi e não o é, em sociedades muito fechadas.

Se hoje, entre nós, se questiona a educação é porque existe abertura para tal questionamento. E o papel da Filosofia da Educação é justamente o de fornecer critérios para o debate.

Sabemos que a solução da crise não é apenas uma questão de mais ou menos verbas. Precisamos, antes de mais nada, refletir sobre a educação, colocando questões fundamentais: O homem necessita ser educado? Pode ser educado? O que é a educação? A educação pode ser instrumento de libertação do homem? Para que tipo de sociedade vamos educar?

Platão (427-347 a. C.) sem dúvida é um marco para a história da educação. Foi ele quem fundou a Academia. Influenciado por Sócrates (469-399 a. C.), lançou as bases para a ideia e que a emancipação e a realização do homem se dão por meio do conhecimento, daí a necessidade de uma educação pública, custeada pela sociedade. A Filosofia de Platão tem em seu cerne um projeto sistemático de esclarecimentos dos homens e combate á ignorância, fonte de todos os males da humanidade. Para ele, não há felicidade sem sabedoria.

Nota-se, que no tempo de Platão, a educação era baseada principalmente nos ensinamentos da mitologia e da arte da guerra. As principais fontes da mitologia eram os poemas de Homero e Hesíodo. O projeto pedagógico de Platão pode ser visto como uma correção da educação tradicional calcada na mitologia. Há muitas rupturas entre o pensamento mitológico e o filosófico, mas também há continuidades. Segundo o filósofo, a educação deveria começar pela arte das Musas e terminar com a “Verdade Musa”, a Filosofia. Platão não deixou de fazer uso da figura de Sócrates para incorporar os ensinamentos e o ideal de educador. Muitos outros filósofos também acreditavam na ideia da prática educativa e da sua função em transformar o ser humano pelo conhecimento. Não existe educação sem teoria, assim como não podemos falar de uma prática sem teoria.

Nesse contexto, podemos pensar em duas vertentes para o pensamento teórico prático da educação. Uma vertente que se refere a questões individuais, que se compromete com a ideia de liberdade, levando o educando na busca de autonomia, senso crítico e responsabilidade pelos seus atos. E outra vertente, que se refere ao contexto social, e defende a ideia do ser humano ser educado para ação, porque ele busca a satisfação de suas necessidades, instintos e desejos, necessitando da inter-relação para atingir a satisfação. A escola tem que ser plural, pois é a única capaz de formar cidadãos preparados para uma sociedade marcada pela diversidade, e difundir valores cívicos e democráticos.

A escola tem que ser um espaço, onde o processo de socialização prevaleça, onde a criança, o jovem e o adulto, possam se preparar para viver civilizadamente com a diversidade, buscando integrar-se á sociedade de forma ativa, compreensiva, humana e democrática. No entanto, a instituição de ensino formal, deve ser um espaço acolhedor, de inclusão social, de igualdade, de deveres e direitos iguais para todos. A escola pode, e deve oportunizar o acesso a o saber filosófico no sentido de formar cidadãos conscientes de seus deveres, de seus direitos, de suas atitudes, de suas decisões, e de seus valores. Segundo Arroyo:

A educação moderna vai se configurando nos confrontos sociais e políticos, ora como um dos instrumentos de conquista da liberdade, da participação e da cidadania, ora como um dos mecanismos para controlar e dosar os graus de liberdade, de civilização, de racionalidade e de submissão suportáveis pelas novas formas de produção industrial e pelas novas relações sociais entre os homens. O que importa ressaltar é que relação entre educação e construção de uma nova ordem política não é invenção de educadores ou políticos, trata-se de uma relação que faz parte de um movimento maior de interpretação dos processos de educação e constituição das sociedades modernas. (ARROYO, 1995 p. 36)

A filosofia nos traz grande ajuda para refletir a respeito da realidade e questionar nossas ações, bem como para respeitar pontos de vistas diferentes. É o ato consciente e crítico, o “filosofar espontâneo do homem comum” (ARANHA, 2003, p. 73).

De fato, para que a formação de jovens cidadãos se concretize, é necessário à presença de um professor comprometido com a aprendizagem, com a pesquisa, com a investigação, ou seja, um docente que incentive os discentes a pensar por si só, que busque mediar e auxiliar os alunos em cada descoberta no contexto formal e não formal.

Nota-se, que a escola e a sociedade contemporânea necessitam de profissionais qualificados, com estudos continuados, com experiência na prática educativa filosófica, de modo, a contribuir positivamente para com a sociedade, e para com a formação dos aprendizes. É fato, que a má formação inicial e continuada dos professores interfere negativamente no pensar docente, onde os educadores na maioria das vezes, não questionam a função que exercem enquanto profissionais da educação, acabando por colaborarem com a continuidade de uma sociedade injusta, antiética, exclusiva e com uma educação tradicional e ideológica.

A esse respeito, Lipman (1994, p. 122) salienta: “todos os professores revelam os seus valores através do que dizem e do que fazem, seja pela inflexão de voz, gestos ou expressões faciais, o modo de conduzir a aula ou de fazer uma prova”.

Portanto, a sala de aula deve ser um ambiente calmo, mediado, e favorável ao desenvolvimento das atividades de filosofia, onde o docente tem que ser capaz de filosofar com seus estudantes, de orientar seus alunos passo a passo sobre os conteúdos a serem trabalhados. A orientação pedagógica/ filosófica em sala de aula deve acontecer de forma dinâmica e coerente por parte do educador para com os aprendizes. Na visão de Cunha (2008, p. 13)

O filosofar é, em suma, uma atividade de produção e de reflexão crítica de conhecimentos úteis para a vida […] O filosofar que pretendemos está vinculado à história presente, ao cotidiano, à vida pulsante, aos interesses e motivações dos desafios atuais, em especial, aqueles vividos pelas crianças.

Como verificado, é na escola que além da experiência motora ou emocional, ocorre o desenvolvimento de atividades filosóficas, as quais devem ser desempenhadas com certo cuidado pelo docente em sala de aula. As atividades filosóficas podem expandir a imaginação dos estudantes, como também, fazer com que os discentes obtenham uma reflexão crítica acerca das ações do homem no tempo, no espaço, na sociedade, e dos diversos pensamentos críticos/ reflexivos, filosóficos época após época.

A atividade filosófica é, portanto, uma análise (das condições e princípios do saber e da ação, isto é, dos conhecimentos, da ciência, da religião, da arte, da moral, da política e da história), uma reflexão (volta do pensamento sobre si mesmo para conhecer-se como capacidade para o conhecimento, a linguagem, o sentimento e a ação) e uma crítica (avaliação racional para discernir entre a verdade e a ilusão, a liberdade e a servidão, investigando as causas e condições das ilusões e dos preconceitos individuais e coletivos, das ilusões e dos enganos das teorias e práticas científicas, políticas e artísticas, dos preconceitos religiosos e sociais, da presença e difusão de formas de irracionalidade contrárias ao exercício do pensamento, da linguagem e da liberdade) (CHAUÍ, 2006, p. 23)

É preciso repensar a aprendizagem de Filosofia na escola, de modo que se possa formar sujeitos melhores, éticos e determinados, ou seja, que os estudantes aprendam a pensar com lógica, fundamentar seus pensamentos e respeitar á diversidade de opiniões entre colegas, professores, e demais pessoas em sociedade/ comunidade.

3. A RELEVÂNCIA DA FILOSOFIA E DOS PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS DO CONHECIMENTO NA APRENDIZAGEM CONSTRUTIVA DOS DISCENTES

Os princípios filosóficos do conhecimento sempre foram de muita importância na vida e na aprendizagem de muitas pessoas, época após época na sociedade. No entanto, é possível verificar na escola, que nem sempre os docentes consideram os princípios filosóficos do conhecimento na hora de ensinar e aprender Filosofia, fato esse, que deixa muito há desejar por parte de alguns professores, tanto da rede pública de ensino, quanto na rede privada.

Verifica-se, que o não ensinamento de tais princípios, acaba por ocasionar consequências amplamente negativas no conhecimento dos aprendizes, onde a escola, os professores e a comunidade escolar em geral, não serão capazes de formar cidadãos de pensamento crítico, autônomos e questionadores da realidade social, pois o ensino não é emancipatório, e na maioria das vezes, oculta a realidade do contexto informal. Devemos compreender que o ensino dos princípios filosóficos do conhecimento exige o saber da verdade, que questiona o ser humano, o homem, o pensamento, o universo, a até mesmo do próprio Deus.

A escola deve buscar se enraizar com a realidade não formal e enfatizar essas raízes com seus alunos nas aulas formais. O ensino baseado nos princípios da reflexão e do educar o pensamento, é capaz de moldar o pensamento dos sujeitos, e formar cidadãos questionadores de si e da realidade que o cerca, por este motivo, a escola não pode correr o risco de fragmentar os princípios na hora de ensinar e aprender, pois a mesma deve ter o compromisso educacional de investigar e refletir sobre questões filosóficas de natureza teórica e prática que norteiam a prática pedagógica voltada a atender as demandas da atualidade, e principalmente a diversidade cultural brasileira.

Ou seja, educar é um processo pelo qual o educando entra em contato com um ambiente que propiciará sua adaptação e sua emancipação. Sendo assim, a educação tem como papel tanto a adaptação do indivíduo à sociedade, quanto à construção de sua autonomia. E construir a autonomia de um indivíduo significa oferecer-lhe ferramentas intelectuais capazes de modificar a sua realidade.

Todos os seres humanos têm o direito de decidir nos rumos das suas vidas. Também crianças e jovens têm esse direito, como cabe-lhes o direito de aprender a dominar o uso das ferramentas intelectuais que lhes possibilitem as decisões. Têm direito de ser educados para a autonomia. Nesse sentido, uma iniciação filosófica relativa aos bons procedimentos do filosofar deve ser iniciada quanto antes (LORIERI, 2002, p. 43)

É sabido, que os princípios filosóficos do conhecimento sofrem alterações séculos após séculos, e muitas vezes são fragmentados pelas próprias instituições de ensino, onde os princípios relacionados à existência humana, ao conhecimento da verdade, aos valores éticos, estéticos, e morais passam despercebidos inúmeras vezes. O mundo atualmente vive um momento histórico marcado por grandes transformações sociais, sobretudo tecnológicas, com produção e transmissão de informações em alta velocidade. De fato, as pessoas estão vivenciando uma revolução tecnológica, onde a realidade se faz cada dia mais digital, essa nova conquista exige um redimensionamento do universo do trabalho, da sociedade e da cultura, e consequentemente da educação, a qual é considerada elemento primordial no desenvolvimento das sociedades. O desenvolvimento qualitativo de um país está atrelado à qualidade de sua educação.

A escola tem como parte da superestrutura, que são criadas para produzir e garantir as relações de produção. Observa-se, que a sociedade é uma situação educativa, dado que a vivência entre os homens é condição de educação. Mas esse processo educativo significa tirar o que há de humano dentro do humano, mas em outras palavras, a educação ou processo educativo traz ao homem a capacidade de atuar entre outros homens, aprendendo e ensinando, pois não nascemos com nossas capacidades desenvolvidas, assim, a educação leva o homem há um processo permanente de socialização que progressivamente passa a fazer parte do conjunto de experiências, caráter social e as relações que ele terá com a sociedade.

Em relação a isso Brandão descreve:

Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. (BRANDÃO, 1985, p.7)

Partindo da afirmação de Brandão (1985), é possível constatar que a educação ultrapassa o ambiente escolar, pois ela ocorre “em casa, na rua, na igreja ou na escola”. Além disso, “todos nós envolvemos pedaços da vida com ela”. Por que não escapamos, e por que todos nós temos “pedaços de vida” envolvidos nela? Por que estamos todos os instantes realizando atos de aprendizagem e de ensino?

Pela educação desenvolvemos capacidades e potencialidades para o “saber” e para o “fazer”. A escola contemporânea deve ser aberta ao diálogo, social para com todos, pois a desigualdade entre as pessoas está cada vez mais presente em nossa sociedade, desde então, é necessário que se resgate os princípios filosóficos do conhecimento, os valores éticos e morais, entre outros. Para Kant, a educação tem a função de transformar o ser humano em humano: “O homem não pode tornar-se um verdadeiro homem senão pela educação. Ele é aquilo que a educação dele faz” (KANT, 1996, p. 15).

A importância da educação e dos princípios filosóficos do saber deve ser refletida pelos educadores e pela própria escola, tendo como base a compreensão em torno da educação filosófica e da era tecnológica do século XXI. É preciso respeito, igualdade e apoio há diversidade cultural na escola e na sociedade, é fundamental que os docentes busquem ampliar seus conhecimentos em relação aos princípios filosóficos da educação, do conhecimento e da inclusão no contexto formal.

A educação baseada nos princípios ético-filosóficos certamente é um processo coletivo no qual o ensino-aprendizagem e a construção do conhecimento são valorizados, questionados e efetivado através da relação professor-aluno.

Na relação dos seres humanos entre si isto é o mais sublime: o educando é para o educador estímulo para que se conheça; o educador motiva o educando para o autoconhecimento; o educador não deixa após a morte nenhuma pretensão com relação à sua influência sobre a alma do educando, da mesma forma que o educando não pode imaginar que o educador lhe deva algo. (PIEPER, 2003, p. 145)

Devemos lembrar que os princípios filosóficos do conhecimento abrangem a diversidade de raças, religião, classe, gênero etc., sendo que o ensino escolar pode e deve abranger á diversidade de maneira ética e libertadora. O ensino tradicional ainda presente em algumas escolas brasileiras, deve ser descartado, pois o mesmo, não leva em conta a “bagagem” e a experiência dos estudantes, assim como, não prioriza a diversidade cultural e os princípios filosóficos do conhecimento na educação contemporânea.

Por mais que o tema tratado nesta pesquisa se refere ao ensino de Filosofia na escola, é possível acrescentar, que a escola deve ir além dos muros escolares no ensino-aprendizagem, isto é, a escola deve ir além da sala de aula e encontrar o ambiente não formal no contexto social, onde possa desenvolver propostas curriculares com base nos princípios da reflexão, do pensamento crítico, e da inclusão social que atenda aos interesses de toda á comunidade, e principalmente dos seus educandos.

Portanto, participar da escola, de suas atividades e de suas propostas curriculares é direito da comunidade escolar, assim como exercer o direito á educação básica prevista pela Constituição Brasileira de 1988. No processo de ensino-aprendizagem, os princípios filosóficos do conhecimento devem estar presentes no currículo escolar, e mais do que estar presente, deve ser praticado e flexibilizado em sala de aula pelo mediador que compreenda o valor dos princípios éticos, morais e a diversidade em sala de aula. A educação em pleno século XXI deve ter como principal objetivo, a transformação sociocultural do Brasil, onde o educador tem que ser capaz de provocar, ou seja, despertar no educando o interesse e o sentimento pela busca, pela descoberta filosófica, pela pesquisa, na forma de solucionar os problemas existentes no conhecimento de Filosofia, e nas demais áreas do saber.

4. METODOLOGIA

Na procura de analisar o ensino de Filosofia na escola e na sala de aula, a realização e conclusão deste trabalho, baseou–se em pesquisa bibliográfica exploratória, realizada no Colégio Estadual Santão Antão na cidade de Bela Vista da Caroba – PR, assim como, de pesquisa na biblioteca Universitária do Polo Uninter (Centro Universitário Internacional Uninter), na cidade de Realeza – PR. Na pesquisa, utilizou-se de consulta de livros didáticos, obras de diversos autores, artigos científicos, revistas, dicionários, entre outros. Foi possível identificar, a necessidade da escola juntamente com os professores/educadores, em desenvolver práticas pedagógicas concretas no ensino de Filosofia, podendo incluir como ponto de partida, a realidade sociocultural dos educandos que chegam até a instituição formal, na busca de priorizar o conhecimento já adquiridos pelos estudantes, os quais já trazem para a sala de aula muitas histórias, crenças, tradições, opiniões, sonhos, sentimentos, lutas, alegrias e sofrimentos. Contudo, é preciso que o ensino de Filosofia seja compreendido verdadeiramente pelos discentes, na busca do professor desenvolver um pensamento crítico, ativo e refletivo através da aprendizagem filosófica.

A pesquisa bibliográfica como citada acima, foi realizada com base em material bibliográfico referente ao assunto abordado, analisado em escritos sob a visão de vários autores, assim como em suas obras. Na busca por obter respostas aos questionamentos suscitados pela consecução das metas estabelecidas, optou-se pelo estudo de natureza qualitativa, que para Gil 2008:

Vale-se de procedimentos de coleta de dados os mais variados, o processo de análise e interpretação pode, naturalmente, envolver diferentes modelos de análise. Todavia, é natural admitir que a análise dos dados seja de natureza predominantemente qualitativa (GIL, 2008, p.141)

O estudo de natureza qualitativa possibilitou um entendimento construtivo, como também, uma aprendizagem significativa em torno do ensino de Filosofia.

A pesquisa desenvolveu-se através de investigação, leitura, conhecimento, reflexão, e com base em análise pessoal sobre o tema norteador do trabalho.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Trabalhar a disciplina de Filosofia na escola, de fato, exige critérios, disciplina, acompanhamento, mediação e reflexão docente sobre o ato educativo filosófico, ou seja, sobre o ensinar e o aprender Filosofia. No entanto, foi possível constatar no decorrer da pesquisa, que a Filosofia enquanto campo do conhecimento humano, sempre foi muito relevante no decorrer da história, sendo questionada por diversos pesquisadores, e aguçada com pensamentos e reflexões por parte de muitos filósofos, como o caso, de Platão e Sócrates, citados no decorrer deste trabalho.

Portanto, observa-se que no ambiente educacional contemporâneo, a Filosofia enquanto disciplina escolar não tem sido questionada pela maioria dos profissionais da educação, infelizmente, pelos graduados em Filosofia. Porém, é possível analisar, que a falta de reflexão e questionamento em torno da disciplina causa preocupação e fragmenta o ensino-aprendizagem dos aprendizes. Há uma necessidade da escola, dos professores e da comunidade escolar em geral, em compreender verdadeiramente o papel reflexivo da Filosofia na escola, e na formação crítica dos alunos.

Nota-se, que o ensino de Filosofia no contexto formal deve ter objetivos claros e construtivos, na busca de desenvolver experiências e habilidades qualitativas na formação dos educandos, contribuindo na formação de seres humanos conscientes de si, de seu pensar e de seu agir em sociedade.

Contudo, as atividades de Filosofia devem ser repensadas e valorizadas com mais ênfase pelos educadores e pelas próprias instituições de ensino formal, assim como, as atividades podem e devem ser exploradas nos mais diversos contextos formais e não formais, pois os ambientes diversificados são ferramentas em prol a produção do conhecimento filosófico, os quais podem oportunizar experiências significativas, onde o professor pode mediar e despertar gradativamente, o gosto e o interesse de seus discentes pelas aulas de Filosofia de forma dinâmica e interativa.

Sabe-se, que vivemos em uma era de transformações e evolução tecnológica, desde então, se faz necessário, que o professor/educador tenha uma formação sólida, complementar, crítica e continuada. A formação do educador deve atender há objetivos formativos e qualitativos na educação escolar dos estudantes, na busca do docente saber fazer uso de recursos distintos no ensino-aprendizagem, e desenvolver metodologias de ensino diferenciadas em sala de aula.

O tema discutido e defendido neste trabalho resultou de pesquisa bibliográfica, de análise, de leitura, e de conhecimentos construtivos em torno da problematização apresentada. Contudo, é possível afirmar, que os objetivos da pesquisa foram alcançados como almejado.

Em forma de conclusão do artigo científico, pode-se afirmar que as contribuições trazidas pelo trabalho foram meramente qualitativas e construtivas. É imprescindível que se faça novos estudos especificados sobre o tema, para então, podermos atingir novas metas na educação básica, como também, novos resultados em torno do desempenho dos estudantes do Ensino Médio em Filosofia, tanto das escolas da rede pública de ensino, quanto das escolas privada.

REFERÊNCIAS

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PILETTI, Claudino. Filosofia da Educação. 6. ed. São Paulo: Editora Ática, 1994. (Série Educação), 182 p. Bibliografia. ISBN. 85.08.03586-1.

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VASCONCELOS, José Antônio. Fundamentos Filosóficos da Educação/ José Antonio Vansconcelos. – Curitiba: InterSaberes, 2012. – (Série Fundamentos da Educação). 189 p. Bibliografia. ISBN 978-85-8212-227-3.

[1] Graduada em Pedagogia pela Faculdade Internacional de Curitiba – PR, (FACINTER). Graduanda de Licenciatura Plena em História – Turma de Julho do ano 2016 da (FACINTER). Graduanda de Licenciatura Plena em Sociologia – Turma de Outubro de 2017 da (FACINTER). Especialização em Educação Especial e Inclusiva (FACINTER), Especialização em Docência no Ensino Superior pela Faculdade de Educação São Luís de São Paulo – SP. Especialização em Gestão Escolar: Orientação e Supervisão pela Faculdade de Educação São Luís – SP. Especialização em Ensino Lúdico pela Faculdade de Educação São Luís – SP.

Enviado: Dezembro, 2017

Aprovado: Novembro, 2018

 

Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Faculdade Internacional de Curitiba – PR, (FACINTER). Graduada em Licenciatura Plena em História – pela Faculdade Internacional de Curitiba (FACINTER). Graduanda de Licenciatura Plena em Sociologia – Turma de Outubro de 2017 da (FACINTER). Especialização em Educação Especial e Inclusiva (FACINTER). Especialização em Docência no Ensino Superior pela Faculdade de Educação São Luís de São Paulo – SP. Especialização em Gestão Escolar: Orientação e Supervisão pela Faculdade de Educação São Luís – SP. Especialização em Ensino Lúdico pela Faculdade de Educação São Luís – SP.

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