A Lousa Digital Interativa no Ensino de Ciências

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FREITAS, Leonardo Luiz Gomes de [1], SOUSA, Caíque Rodrigues de Carvalho [2]

FREITAS, Leonardo Luiz Gomes de; SOUSA, Caíque Rodrigues de Carvalho. A Lousa Digital Interativa no Ensino de Ciências. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 9. Ano 02, Vol. 05. pp 142-153, Dezembro de 2017. ISSN:2448-095

RESUMO

A Era da Informação trouxe consigo a interatividade para dentro da sala de aula. A Lousa Digital Interativa (LDI) tem ajudado a dar uma nova composição às aulas de Ciências, tornando-as mais interativas, num regime de colaboração. A partir de revisões bibliográficas de trabalhos científicos, disponíveis na integra, para consultas na internet, pretendeu-se responder à indagação: Qual a importância da Lousa Digital Interativa para o ensino de Ciências? Para isso, buscaram-se relatar o surgimento do ensino de Ciências e o uso e evolução das ferramentas de trabalho docente, denotando a importância das novas tecnologias na escola, com ênfase à LDI. O ensino de Ciências, na Antiguidade, era superficial e se concentrava nas disciplinas de Matemática e Filosofia Natural, limitado pelo uso de ferramentas elementares que evoluíram através dos tempos. É necessário que o professor acompanhe o processo de democratização das tecnologias digitais e sua integração com o ensino de Ciências.

Palavras-Chave: Lousa Digital Interativa, Tecnologias na Educação, Ensino de Ciências.

INTRODUÇÃO

A Era da Informação tem experimentado acelerado processo de crescimento e popularização, no meio docente e nas escolas brasileiras, das Tecnologias Digitais Interativas (OLIVEIRA; MOURA; SOUSA, 2015).  Situação contrária à que se viviam na Antiguidade, no qual as ferramentas de trabalho do professor eram mais escassas e, portanto, mais limitadas.

Os primeiros ideais de escola surgiram, em especial, na Grécia e Roma. O ensino de Ciências se restringia a aulas de Matemática e Filosofia, disciplinas na qual todo o conhecimento científico parecia estar concentrado e onde se buscava compreender como ocorriam os fenômenos da natureza e como funcionava o ambiente que os rodeava (ROSA, 2012).

A instituição escolar, a partir daí, teria um vasto período de estagnação, com uma função engessada e atendendo a um público restrito, concentrado nas camadas mais altas da sociedade até os fins da Idade Média, quando esteve ligada ao âmbito religioso. Nesse período, conforme Souza, Ferreira e Barros (2009), a educação era institucionalizada e estava voltada à formação do clero e dos membros de uma classe privilegiada.

A Igreja Católica teve largo poderio durante a Idade Média, sua influência não se limitava somente ao campo religioso, mas se estendia a diversas áreas. Com o advento da Reforma Protestante e a pressão da burguesia, insatisfeita com a Igreja Católica, as escolas passaram então, a atender a diferentes classes sociais influenciadas pelas ideias dos reformadores que acreditavam que todos deveriam ser alfabetizados, a fim de estarem aptos a ler e estudar as escrituras (VALETIN, 2010). Desta forma, a educação começava a dar passos largos para se tornar um direito de todos e não apenas privilégio de uma minoria.

A Escola como se conhece hoje, espaço de difusão e democratização do conhecimento aberto para todos os públicos, tem uma história bem recente. Com o crescimento das escolas públicas e a necessidade de criar modelos institucionalizados de ensino, surgem os primeiros aparatos que seriam utilizados neste espaço, dentre eles, o quadro negro.

Conforme Barra (2013), o quadro negro, que teria surgido entre o final do século XVIII e o início do século XIX, era um instrumento de ensino coletivo que aparecia vinculado à simultaneidade do ensino de ler e escrever. Dessa forma, marcava o método de ensino de transmissão simultânea e dividia espaço, tempo e exercícios com a ardósia[3] de uso individual.

O quadro negro e os materiais escolares utilizados pelos professores têm o propósito de facilitar o processo de ensino-aprendizagem, uma vez que corroboram com a finalidade de tornar a aula mais atrativa e, portanto, mais prazerosa.

Nos últimos anos, as Tecnologias Digitais Interativas, gradativamente familiarizada no meio escolar, trouxe a Lousa Digital Interativa (LDI) como o mais novo lançamento do mercado educacional, com a promessa de modificar a maneira como as disciplinas vêm sendo ministradas em sala de aula (TEODORO, 2014). Trata-se de uma ferramenta versátil e multifuncional sendo adotada por diversas escolas, bem como distribuída pelo governo federal, em unidades de ensino técnico e superior, e por governos estaduais, em escolas da rede pública (MELHADO, 2016).

Diante disso, com o intento de relatar o surgimento do ensino de Ciências e o uso e evolução das ferramentas de trabalho docente, denotando a importância das novas tecnologias na escola, com ênfase à LDI, pretendeu-se responder à indagação: Qual a importância da Lousa Digital Interativa para o ensino de Ciências?

METODOLOGIA

O presente trabalho se deu por meio de revisões bibliográficas de trabalhos científicos disponíveis na íntegra para consultas na internet, que tratavam do surgimento da escola e do ensino de Ciências, do uso e evolução das ferramentas de trabalho docente, bem como das dificuldades encontradas pelos professores na atualidade, do papel das novas tecnologias no processo de ensino-aprendizagem de Ciências, tomando como exemplo a LDI e suas possibilidades de uso. Para isso, foram usados os descritores História do Ensino de Ciências.PDF, O surgimento do quadro negro.PDF, Tecnologias na Educação.PDF e A lousa digital.PDF. A análise ocorreu no período de julho e agosto de 2015, com análise suplementar em período posterior (dezembro de 2016), no qual foram considerados os conteúdos dos descritores supracitados.

O SURGIMENTO DO ENSINO DE CIÊNCIAS

Na Antiguidade, as ferramentas de trabalho utilizadas pelos professores eram muito limitadas. Na maioria das vezes, valiam-se de pergaminhos, tábuas de madeira, ábacos, instrumentos musicais, entre outros (MANACORDA, 2002). É importante ressaltar que, nesse período, o ensino de Ciências era fragmentado, delimitado pelo estudo de Matemática e Filosofia Natural.

A necessidade de transmitir conhecimentos, valores e saberes, corroborou para a criação de um sistema de interação social organizado e sistemático, capaz de instruir o homem nos mais variados campos cognitivos (ROSA, 2012). Nessa perspectiva, a ideia de criação da escola começava a tomar forma na Antiguidade, nas quais as educações grega e romana obtiveram ligeiro destaque sobre as demais. A primeira estava associada à ideia de desenvolvimento intelectual e moral, e a segunda, à ideia de equilibrar a evolução do corpo e da mente (COSTA; SANTA BÁRBARA, 2009).

A educação grega não era homogênea. Atenas e Esparta tinham diferentes visões sobre o ato de ensinar. A cidade de Esparta tinha os ideais mais próximos dos de Roma, ao passo que Atenas se dedicava a exaltar a sabedoria acima de outras habilidades (COSTA; SANTA BÁRBARA, 2009). O pedagogo, um escravo que tinha a missão de transmitir conhecimento às crianças atenienses em suas residências, desempenhava um papel essencial na educação grega.

Os atenienses acreditavam que sua cidade-estado iria tornar-se a mais forte se cada menino desenvolvesse integralmente as suas aptidões. O governo não controlava os alunos e as escolas. Um garoto ateniense entrava na escola aos seis anos e ficava sob os cuidados de um pedagogo que ensinava aritmética, literatura, música, escrita e educação física; o aluno decorava muitos poemas e aprendia a fazer parte dos cortejos públicos e religiosos (LOBATO, 2001, p. 25, 26).

Além de possuírem um sistema de ensino organizado, os gregos contavam também com personalidades influentes em diversos campos do conhecimento chamados de filósofos, ou amigos da sabedoria (MANACORDA, 2002). Nomes como Sócrates, Aristóteles e Pitágoras deram origem ao que hoje conhecemos como Ciência. Suas indagações e debates foram imprescindíveis para o avanço da civilização.

Sob a denominação genérica de Filosofia Natural, os gregos antigos criariam uma Ciência com o objetivo de estudar e compreender a Natureza. Essa busca por uma compreensão do mundo físico abrangia um vasto campo, que englobava a Matemática, as Ciências Naturais e as Ciências Físicas (inclusive a Astronomia e a Meteorologia); ou seja, ao tempo dos filósofos pré-socráticos, os campos científicos e filosóficos se confundiam e se inter-relacionavam, ao ponto que os filósofos tanto se dedicavam a especulações filosóficas e metafísicas sobre a origem e a constituição do Universo quanto aos números (Aritmética), áreas (Geometria) e elementos (Física e Química) (ROSA, 2012, p. 100).

A chegada da Idade Média trouxe consigo mudanças de paradigma na educação europeia. O poderio da igreja católica e seu objetivo em tornar o mundo mais cristão, deu impulso à criação de escolas religiosas e universidades que contribuíram para o desenvolvimento da Ciência no velho continente.

Apesar de a educação estar agora a cargo da Igreja, o direito a ingressar na escola continuava sendo privilégio de uma minoria. O período de conturbação religiosa na Europa Medieval contribuiu para uma reflexão necessária sobre a educação. Com o apoio da burguesia (insatisfeita com a intervenção da Igreja Católica em seus negócios), de governantes sedentos por independência do papado e as ideias dos reformadores, surgiu a escola pública, aberta para todos os públicos (SOUZA; FERREIRA; BARROS, 2009).

É no final do século XIX que o uso do quadro-negro instala-se nas escolas e que começa a ocupar um espaço central na sala de aula, período em que paulatinamente consolidam-se os sistemas públicos de instrução elementar e, paralelamente, crescem as exigências de um mínimo de mobiliário e material escolar (BASTOS, 2005, p. 136).

O quadro negro começa então a assumir papel importante no que concerne à pedagogia do professor, que o utilizava para desenhos lineares, transcrições de fórmulas matemáticas, anotações de lições de casa e, principalmente, para aulas de alfabetização. Além do quadro utilizado pelo docente, os alunos dispunham de uma ferramenta individual que compunha seu material escolar, uma espécie de miniquadro negro, uma lousa individual, chamada ardósia.

A lousa ou ardósia também compunha o material escolar do aluno, sendo o seu único instrumento de trabalho até meados do século XIX, antes da generalização do uso do caderno escolar. É um quadrado de madeira que protege a fina placa de xisto retangular (de 20 a 30 cm de comprimento por 15 cm de largura), muitas vezes quadriculado. Os alunos fazem sobre a ardósia várias atividades antes de as copiarem no caderno – as operações matemáticas, a decomposição de frases, escrevem os resultados do cálculo mental e desenham. Além de escrever e calcular, a ardósia foi o suporte essencial das interrogações orais do professor (BASTOS, 2005, p. 137).

O quadro negro evoluiu, passou da cor negra para a verde e desta para a branca sob a representação do quadro de acrílico. No presente século, a LDI, mais novo dispositivo tecnológico presente nas escolas, é apontada como forte candidato para substituir o quadro de acrílico. Apesar de ainda engatinhar, é cada vez mais comum encontrá-la nas salas de aula do país e seu uso tem trazido resultados satisfatórios em relação ao rendimento dos alunos e aproveitamento das aulas. (PERRY, 2011).

NOVAS TECNOLOGIAS NO ENSINO DE CIÊNCIAS

As tecnologias na Educação apontam para uma nova perspectiva, no que se refere à postura docente e eficiência no aproveitamento das aulas.

O ensino de Ciências, ao abordar disciplinas como Química, Matemática, Física e Biologia, fundamental para a formação intelectual dos alunos, é considerado de alta complexidade, sendo um dos mais reprovativos, e de antipatia pelos alunos, seja pela falta de tempo do professor em buscar metodologias alternativas, à facilitação do processo de ensino-aprendizagem, e/ou inexpressão das experiências prévias dos alunos, limitando-se, na maioria das vezes, ao uso de quadro-negro/acrílico, pincel e livro didático, sem contundo contextualizar os conteúdos e fazer uso de instrumentos de laboratório e tecnológicos (MAYER et al., 2013).

Diante disso, é necessário que o docente acompanhe o processo de democratização das tecnologias digitais e sua integração com o ensino de Ciências, sendo indispensáveis treinamentos adequados, oferecidos pelas escolas, para o bom uso de tais tecnologias.

As dificuldades encontradas por alunos e professores no processo ensino-aprendizagem da Matemática são muitas e conhecidas. Por um lado, o aluno não consegue entender a matemática que a escola lhe ensina, muitas vezes é reprovado nessa disciplina ou, então, mesmo que aprovado, sente dificuldades em utilizar o conhecimento “adquirido” (SANTANA; MEDEIROS, 2008, não paginado).

Neste contexto, o papel das novas tecnologias, como laboratórios de ciências e de informática equipados, por exemplo, além de fortalecer a relação professor-aluno e auxiliar os discentes, consiste em propiciar um ambiente no qual o processo de ensino-aprendizagem ocorra e a atuação docente seja favorecida, com conhecimento acessível e regime de colaboração estabelecido.

Partindo desse pressuposto, as tecnologias não podem ser desvinculadas do processo de ensino-aprendizagem, nem inseridas em compartimentos ou fragmentos, mas sempre no sentido de compor meios que favoreçam e venham a somar, para que o aluno possa construir seu conhecimento (DEPINÉ, 2012, p. 7).

No presente século, a explosão tecnológica impulsionada pela democratização da tecnologia digital tem chegado às escolas e trazido consigo novidades a professores e alunos, como imagens, vídeos, hipertextos, animações, simulações, páginas web, jogos educativos, dentre outros (GARCIA et al., 2011).

As novas tecnologias, como a LDI, apesar de não estarem presentes em todas as escolas do país, têm ajudado a melhorar a qualidade das aulas de Ciências, contribuindo assim para uma melhor compreensão do conteúdo por parte dos discentes e tornando a aprendizagem significativa, uma realidade (ESTEVES; FISCARELLI; SOUZA, 2014).

Lousa Digital Interativa

A Era da Informação trouxe consigo a interatividade para dentro da sala de aula. A Lousa Digital Interativa (Figura 1) é um exemplo claro de como a tecnologia têm ajudado a dar uma nova composição para as aulas de Ciências.

Figura 1 – Exemplo de funcionamento da Lousa Digital Interativa. Nakashima e Amaral, 2006.
Figura 1 – Exemplo de funcionamento da Lousa Digital Interativa. Nakashima e Amaral, 2006.

Tudo o que é possível ser realizado por um computador comum, pode ser também executado pela LDI.

A lousa digital é uma tecnologia moderna e inovadora com recursos que podem auxiliar na criação de novas metodologias de ensino. Atualmente existem vários modelos de lousas digitais, variando o tamanho, a marca e o custo, mas a maioria é composta por uma tela conectada a um computador e um projetor multimídia. A superfície dessa tela é sensível ao toque, isto é, quando alguém executa algum movimento sobre ela, o computador registra o que se fez em um software específico que acompanha a lousa digital (NAKASHIMA; AMARAL, 2006, p. 37).

A LDI disponibiliza conexão à internet, uso de softwares variados, simuladores e jogos educativos, apresentações em Power Point e PDF, manuseio de livros didáticos em formato digital, desenhos com formatos geométricos, leitura e edição de imagens e vídeos, figuras ilustrativas, mapas geográficos, tabelas periódicas e, ainda, envio de todo o conteúdo de aula para o e-mail dos alunos (CARVALHO; SCHERER, 2013). Em suma, há diversos recursos que corroboram para a criação de um ambiente de aprendizagem motivador, instigando maior interesse dos alunos e um grande dinamismo durante as aulas.

Não há aprendizagem significativa se não houver organização e seriedade na implantação das novas tecnologias na educação. As vantagens de se utilizar as tecnologias como ferramenta pedagógica são estimular os alunos, dinamizar o conteúdo e fomentar a autonomia e a criatividade. As desvantagens talvez apareçam, quando não houver organização e capacitação dos profissionais envolvidos, assim formando alunos desestimulados, sem senso crítico (ANDRADE, 2011, p. 15).

Neste contexto, a LDI surge como um recurso a ser levado em conta na atividade docente, uma vez que é possível dinamizar as aulas de Ciências, criando maneiras de tornar mais perceptíveis e concretas as temáticas abordadas. Outro fator que contribui para a adoção desse recurso digital consiste no fato de que a grande maioria dos alunos (seja da rede pública ou privada) tem acesso à tecnologia digital e a utiliza frequentemente, sendo assim, um instrumento necessário na relação educação-tecnologia (SERAFIM; SOUSA, 2011).

Nas aulas de Ciências, a importância da LDI se torna mais evidente ainda, uma vez que a interação audiovisual oferecida contribui para a boa compreensão de temas de Química, Matemática, Física e Biologia.

Nas disciplinas de Matemática e Física, é possível desenhar formas geométricas utilizando a caneta interativa que acompanha a Lousa e funciona como uma espécie de mouse. Outra possibilidade é o uso de objetos virtuais de aprendizagens ou simuladores, estando boa parte deles disponíveis em repositórios online de universidades ou sites de programas do governo federal como o RIVED[4] (BRASIL, Rede Interativa Virtual de Educação, 2004).

No que concerne às aulas de Biologia, Nakashima e Amaral (2006) sugerem uma atividade relacionada ao conteúdo “Animais terrestres, aquáticos e voadores”, cujo objetivo é fazer com que os alunos identifiquem os tipos de animais, agrupando-os nos grupos correspondentes e refletindo sobre suas características e importância na Natureza.

A LDI ainda permite integrar softwares dos mais variados campos do conhecimento, como o Google Earth, o Google Maps e o Evobook[5]. Este último é uma espécie de livro digital que permite que imagens inanimadas criem vida em gráficos 3D interativos, proporcionando maior riqueza de detalhes em aulas de Biologia e Química, por exemplo. Ao integrá-lo à Lousa, será possível observar as estruturas moleculares e suas ligações em três dimensões, bem como explorar o corpo humano por diversos ângulos.

Embora a Lousa Digital possa contribuir para o início de mudanças na prática pedagógica dos professores, que venham a favorecer os processos de aprendizagem dos alunos, é importante que os professores, ao usarem essa tecnologia, proponham ações que favoreçam a cooperação entre sujeitos, na busca pela compreensão do objeto em estudo (CARVALHO; SCHERER, 2013, p. 16).

Dessa forma, a LDI abre um leque de possibilidades à prática docente. A aula tradicional, antes empregada, pode ser substituída por uma aula mais interativa, que busca envolver o aluno, de modo que sua curiosidade seja aguçada e, por meio de regime colaborativo, melhores resultados alcançados, tornando assim, a relação professor-aluno mais sólida e mais saudável (PEREIRA; SILVA, 2013).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O ensino de Ciências vivenciado hoje, já não é o mesmo que fora empregado na Antiguidade, com suas limitações e deficiências. O quadro-negro evoluiu, as ferramentas docentes também acompanharam essa transformação e a realidade da tecnologia digital tem trazido mudanças de paradigmas para a instituição escolar, principalmente no que concerne à postura do professor.

Os avanços tecnológicos têm promovido um deslocamento nestes últimos anos no papel do professor frente à incorporação das tecnologias em seu trabalho pedagógico: de uma dimensão de especialista e detentor do conhecimento que instrui para o de um profissional da aprendizagem que incentiva, orienta e motiva o aluno (GARCIA et al., 2011, p. 83).

As novas tecnologias influenciam diretamente no papel do professor moderno que retorna às suas origens com funções semelhantes às que desempenhavam os pedagogos e filósofos, cujo objetivo era assessorar e instruir seus alunos, direcionando-os de acordo com suas obrigações.

É evidente que a interatividade é fundamental para o processo de ensino-aprendizagem e o aluno já vivencia essa realidade no seu dia-a-dia ao utilizar as redes sociais e aplicativos de celulares. O educador, ao fazer uso da Lousa Digital e afins, deve, portanto, construir o conhecimento em conjunto com seus alunos, afim de que estes estejam aptos a enfrentar os desafios que lhes são impostos pela sociedade e pela escola, integrando educação e tecnologia.

A prática docente com o uso das Tecnologias Digitais ainda é um grande desafio. No entanto, as facilidades oferecidas pela LDI, quando empregada no ensino de Ciências, exige maior transigência. É bem verdade, que há ainda desconhecimento por parte dos discentes acerca dessa tecnologia e falta de formação para utilizá-la. Por isso, é necessário que a escola ofereça a seus professores formação adequada para que possam fazer uso de tais ferramentas e assim contribuir para uma educação de qualidade, aliada à tecnologia de ponta.

Segundo Silva (2012), o professor do século XXI deve ser capaz de conhecer muito mais que simplesmente o conteúdo de sua(s) disciplina(s) e práticas pedagógicas, mas deve ter competência para atuar em um mundo que culturalmente convive com imagens, sons, textos, vídeos e diversas outras formas de expressão.

Portanto, assim como o direito à educação pública foi reivindicado durante a Idade Média, as Tecnologias Digitais devem ser requisitadas para que estejam presentes nas escolas brasileiras, de modo, a favorecer a construção do conhecimento e assim melhorar a qualidade da educação brasileira.

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[1] Licenciatura em Física – IFPI.

[2] Licenciatura em Ciências Biológicas – IFPI.

[3]  Pedra cinzento-escura ou azulada, separável em lâminas, com que se cobrem casas ou de que se fazem quadros onde se escreve a giz. Também era utilizada para uso escolar na produção de quadros negros e lousas de uso individual.

[4]  Rede Interativa Virtual de Educação – http://rived.mec.gov.br/

[5]  Evobook é um programa que vem ganhado destaque nos últimos tempos, tendo recebido diversos prêmios, inclusive a nível internacional.

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