Educação sobre a água em jogos digitais

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ARTIGO ORIGINAL

BORGHETTI, Gabriel Franco [1]

BORGHETTI, Gabriel Franco. Educação sobre a água em jogos digitais. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 08, Vol. 09, pp. 88-96. Agosto de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/jogos-digitais

RESUMO

Sabe-se que a água é fundamental para a vida na terra, e também, que a educação é de extrema importância para o ser humano na sociedade. Porém, poucas pessoas sabem ou entendem o quão importante a água é para o planeta, e não existe educação ambiental nas escolas, para que alunos possam aprender. Logo, este estudo possui o objetivo de ensinar sobre a importância da água utilizando jogos de videogames. Foram utilizados alguns jogos para enfatizar a importância da água em alguns tópicos. O jogo “Green the planet” foi utilizado para explicar sobre a origem da água, devido ao tema do jogo ser a criação de planetas. “Final fantasy VII” foi usado para mostrar que a poluição nas águas afeta o planeta inteiro, uma das coisas que é o foco inicial da história do jogo. Por fim, “No man’s Sky” foi citado para falar sobre a diversidade do ecossistema aquático, pois o jogo tem foco na exploração de planetas, mostrando os diversos tipos de ambientes. Através deste estudo, compreende-se a importância da água para o planeta terra e para os humanos, além da necessidade de educação ambiental para que as pessoas possam, desde a infância, entender o quão importante a água é para a vida.

Palavras-chave: Jogos digitais, água, educação, ecossistema, origem.

1. INTRODUÇÃO

Jogos estão presentes na vida de qualquer ser humano. Sendo jogos digitais, jogos de tabuleiros, jogos com caneta e papel ou até mesmo brincadeiras de criança, jogos fazem parte da criação do indivíduo.

Os primeiros jogos digitais começaram a surgir na década de 50, mas apenas nas décadas de 70 e 80 que os jogos digitais se tornaram populares, principalmente com a criação do Atari 2600 e outros videogames que vieram depois, como FAMICON (ou NES como é conhecido nos Estados Unidos) e MASTER SYSTEM.

Com o passar dos anos, foram surgindo vários gêneros de jogos, como ação, aventura, tiro em primeira e terceira pessoa, Role Playing game (RPG), entre outros. E, nesse meio, também surgiram alguns jogos com intuitos de educar as crianças e jovens que jogavam.

Botelho (2004) descreve que os jogos podem servir para treinar capacidades funcionais, ajudar na motivação, Melhora de percepção, capacitação em colaboração com o próximo, integração e execução de ideias aprendidas com o tempo, além de avaliação de aprendizagem.

Os jogos educacionais são um componente estimulante, que podem ajudar no “processo de resgate do interesse do aprendiz, na tentativa de melhorar sua vinculação afetiva com as situações de aprendizagem” (BARBOSA, 1998, p. 03).

Nem todos os jogos precisam ser educacionais para aprender alguma coisa. Neste trabalho, será abordado jogos que não são educacionais, mas que mostram e ensinam como a água é importante em nosso planeta, além de sua origem e como seria o planeta sem ela ou seu ciclo hidrológico.

Com isso, o foco deste trabalho é apresentar jogos que partem de uma ideia sobre a água e executam, apresentando assim, elementos narrativos que mostrem que jogos podem ser usados para ensinar sobre diversos assuntos

2. MATERIAIS E MÉTODOS

2.1 ORIGEM DA ÁGUA

A água é o constituinte inorgânico mais abundante da matéria viva: no homem, mais de 60% do seu peso são constituídos por água e, em algumas espécies de animais aquáticos, essa porcentagem aumenta para 98%. A água é extremamente importante para a conservação da vida. De toda a água do mundo, 97% é salgada, 2,2% são geleiras e 0,8% são de água doce. Desta fração de 0,8%, apenas 3% se apresentam na forma superficial, de extração mais fácil. Esses valores mostram a importância da preservação e do tratamento da água na terra. (VON SPERLING, 2014).

Pouco se sabe sobre a origem da água no planeta terra. Segundo Izidoro et.al (2013), a maior parte da água da terra surgiu a partir de planetesimais (corpos celestes rochosos ou de gelo), como os asteroides carbonáceos, que interagiam com planetas e embriões planetários e se chocavam com a terra. Além disso, uma pequena parcela veio também de cometas e da nebulosa solar.

Freitas (2019) diz que um Cometa é o menor corpo existente no sistema solar. É semelhante aos asteroides, mas é composto principalmente por gelo. Podem ser periódicos, que aparecem e intervalos no sistema solar, como o cometa Halley, e não periódicos, que são aqueles que entram e saem com rapidez do sistema solar, e seguem rumo ao espaço. Um cometa detém uma estrutura física composta de três partes: núcleo, cabeleira ou coma e cauda. Já asteroides, de acordo com Gleiser (2001), são planetesimais rochosos que não formaram um planeta maior por causa da gravidade de Júpiter. Geralmente são encontrados no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter.

No jogo “Green the Planet 2”, é possível ter uma noção de, não só como a água, mas os planetas em si, foram criados. No jogo, o jogador ajuda um grupo de extraterrestres a criar ecossistemas nos planetas em que eles visitam em sua nave, destruindo cometas e asteroides que orbitam pelo espaço. Quando chegam em um planeta, eles armam um canhão para destruir cometas e asteroides, além de um coletor, que absorve os restos dos cometas e asteroides destruídos, transformando em energia para a criação do ecossistema.

Figura 1 – Imagem do jogo “Green the planet 2”.

Fonte:  Captura de tela do vídeo – “Green The Planet 2 Weapons exhibition: All weapons level 11”. Sir Tap Tap, youtube, 2016.

2.2 POLUIÇÃO DA ÁGUA

Entre as principais fontes da contaminação da água estão: esgotos de cidades sem tratamento que são lançados em rios e lagos; aterros sanitários que afetam os lençóis freáticos, os produtos agrícolas que escoam com a chuva sendo arrastados para os rios e lagos, os garimpos que lançam produtos químicos, como o mercúrio, em rios e córregos e as indústrias que utilizam os rios para descarregar seus resíduos tóxicos (EMBRAPA, 1994)

Segundo Derisio (2017), a poluição interfere no ciclo biológico da terra, incluindo assim, o ciclo da água, pois qualquer alteração em um dos parâmetros da água irá mudar ou afetar a organização dos organismos vivos que estão presentes ali.

Para Silveira (1997), o ciclo hidrológico é o efeito no globo terrestre em que ocorre a circulação fechada da água entre a superfície terrestre e a atmosfera, estimulado principalmente pela energia solar ligada com a gravidade e com a rotação da terra.

O jogo “Final Fantasy VII”, lançado para Playstation 1 em 1997, trata desse efeito. A “Shinra”, empresa do jogo, utiliza a força vital da terra para ter energia e abastecer a cidade. Devido a isso, a terra aos poucos está morrendo. E isso afetou todo o ecossistema terrestre, como os ciclos biológicos. Consequentemente, a terra não faz o ciclo hidrológico, resultando em ambientes com pouca vegetação e água.

Figuras 3 e 4 – Final Fantasy VII.

Fonte: Autor
Fonte: Site “Hardcore gamer”.

2.3 ECOSSISTEMA AQUÁTICO

Um sistema ecológico pode ser definido como um conjunto formado por componentes bióticos, como vírus, bactérias, plantas e animas, que se relacionam com o meio abióticos físicos e químicos, compondo assim, um ecossistema (TUNDISI, 2013).

Sendo assim, existe o sistema ecológico terrestre e aquático. Os sistemas aquáticos podem ser de água salgada (Oceano) ou de água doce (lago, rios, áreas alagadas e poças naturais). Para Tundisi (2013), os sistemas de água doce possuem notoriedade em botânica, zoologia, ecologia e economia, pois nesse sistema, possui uma grande variedade de vegetais e animais.

Nesses ambientes se encontram comunidades vegetais aquáticas, como algas, que de acordo com Reynolds (1997), é um termo para abranger organismos fotoautróficos. As algas são principal fonte de oxigênio do planeta, pois elas fixam o CO2 da água e da atmosfera, fazendo delas a principal fonte de absorção de carbono do planeta (TUNDISI, 2013).

A vida aquática possui uma enorme variedade. As primeiras formas de vida começaram nos oceanos e, com o passar do tempo, começaram a habitar sistemas de água doce e ecossistemas terrestres (BARNES e MANN, 1991).

No man’s Sky é um jogo de exploração espacial lançado em 2016 para computadores, Playstation 4 e Xbox One. Nele, os jogadores podem visitar vários planetas gerados proceduralmente pelo sistema, cada um sua própria fauna e flora, e também podem coletar recursos parar melhorar a nave e o equipamento do personagem, além de ser possível fazer comércio e até interagir com outras raças. Entre diversos planetas, existem alguns que possuem lagos e oceanos, também com suas próprias faunas e floras, sendo possível explorá-los, mostrando o quão rico o ecossistema aquático é.

Figuras 5 – No man’s Sky.

Fonte:  Captura de tela do vídeo “No Man’s Sky Underwater Driving” – Boid Gaming, Youtube, 2017.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A água é um recurso muito importante, tanto para o planeta, quanto para os seres humanos. Portanto, deve-se preservá-la afim de que as futuras gerações desfrutem de sua abundância. Mas, para que as pessoas entendam isso, é necessário haver uma educação para que as pessoas possam entendê-la, como ensinar sobre suas características, parâmetros, importância e preservação. Os métodos para isso, podem ser vários, inclusive os jogos, abordados neste trabalho. Jogos costumam ser vistos como perda de tempo, mas usados na maneira correta, assim como qualquer outra coisa, vira uma ferramenta poderosa para ensino e outras coisas mais.

4. REFERÊNCIAS

BARBOSA, Laura Monte Serrat. Projeto de trabalho: uma forma de atuação psicopedagógica. 2.ed. Curitiba: Mont, 1998. 128p.

BARNES, R.S.K.; MANN, K.H. fundamentals of aquatic systems. 2.ed. Nova Jersey: Blackwell Scientific Publications, 1991. 280p.

BOTELHO, Luiz. Jogos educacionais aplicados ao e-learning. Disponível em: <http://www.elearningbrasil.com.br/news/artigos/artigo_48.asp.> Acessado em: 05/01/2020

DERISIO, José Carlos. Introdução ao controle de poluição ambiental. 5. ed. São Paulo: Oficina de textos, 2017. 232p.

EMBRAPA. Atlas do meio ambiente do brasil. Brasília: Terra Viva, 1994.

FREITAS, Eduardo de. Cometa; brasil escola. Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/geografia/cometa.htm.> Acesso em 06/07/2019

GLEISER, Marcelo. O fim da terra e do céu. 1.ed. São Paulo: Companhia de bolso, 2001.

IZIDORO, A. et.al. A compound model for the origin of earth’s water. The American Astronomical Society, vol. 767, 2013.

REYNOLDS, C.S. vegetation processes in the pelagic: a modell for ecosystem theory. Luhe, Alemanha: Inter-Reserch Science Center, Ecology institute, 1997.

SILVEIRA, A. L. L. Ciclo hidrológico e a bacia hidrográfica. In TUCCI, C. E. M. Hidrologia: ciência e aplicação. 4.ed. Porto Alegre: Edusp / ABRH, 1997, 35-51p

TUNDISI, José Galizia; MATSUMURA, Takako. Limnologia. 1. ed. São Paulo: Oficina de textos, 2008.

VON SPERLING, Marcos. Introdução à qualidade das águas e tratamento de esgotos. 4. ed. Minas Gerais: UFMG, v. 1, nº 3, 2014.

[1] Graduando em Engenharia ambiental e sanitária.

Enviado: Maio, 2020.

Aprovado: Agosto, 2020.

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