Indisciplina no Ensino Fundamental II: Causas e Consequências [1]

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Indisciplina no Ensino Fundamental II: Causas e Consequências [1]
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SILVA, Adriane Raquel da [2], SABIÃO, Roseline Martins [3]

SILVA, Adriane Raquel da; SABIÃO, Roseline Martins. Indisciplina no Ensino Fundamental II: Causas e Consequências. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 02, Vol. 01, pp. 49-62, Fevereiro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

A educação é um direito adquirido e garantido por lei a todas as crianças e adolescentes do país. A escola e os professores são parte fundamental para que esta educação se concretize. A pesquisa feita com relação a indisciplina escolar, parte do princípio de trazer à tona uma discussão sobre o assunto. O tema indisciplina é um dos motivos que dificulta o processo de ensino e aprendizagem em sala de aula, onde o professor não está encontrando um caminho para que o aluno tenha uma aprendizagem satisfatória. No presente estudo a metodologia adotada foi a descritivo-qualitativa, cuja base de dados foi pesquisa em livros específicos em matemática e educação, artigos científicos que discutem esta questão, pesquisa no Google acadêmico, universidades governamentais, bibliotecas digitais e monografias especializadas. O presente artigo científico propõe uma reflexão sobre a questão indisciplinar no cotidiano da escola atual. Comparada à desordem, ao desrespeito referente a normas de conduta e à falta de limites, a indisciplina habitualmente é atribuída ao aluno e em suas relações durante o período escolar. O estudo conclui que, a indisciplina é uma responsabilidade da família, do estado e dos professores.

Palavras-Chaves: Indisciplina, Discussão, Professor, Família, Ensino e Aprendizagem.

1. INTRODUÇÃO

Para se estudar a indisciplina devemos entenda-la. Segundo Aquino (1996, p. 40), a indisciplina é traduzida como: “bagunça, tumulto, falta de limite, maus comportamentos, desrespeito às figuras de autoridades”. Estes problemas vêm influenciando o andamento escolar em diversos aspectos como por exemplo, as relações entre educador e educando em sala de aula.

Dessa forma, constitui um cenário com questões que precisam ser investigadas e resolvidas. A indisciplina escolar tem se configurado um dos principais desafios da educação contemporânea e diversas perspectivas de análise têm sido utilizadas para se avançar a compreensão desta questão.

Com base em leituras teóricas, e pesquisas em sites, acerca do conjunto de desafios criados pela indisciplina no Ensino Fundamental II, no intuito de esclarecer alguns fatos que possam ajudar em uma melhor convivência entre professor e aluno em sala de aula, e que possam envolver também a família, a qual é parte fundamental neste processo de reestruturação da educação no país.

Além disso, “Acredita-se que frequentar uma Instituição Escolar deva significar a evolução e o progresso do ser humano” (SERRÃO; BALEEIRO, 1999, p. 23) e de acordo com pesquisas realizadas, sabe-se que este aprendizado não é conquistado só na presença de professores, mas principalmente na companhia de seus familiares e na sociedade em que o aluno está inserido.

É importante ressaltar, que a indisciplina é ocasionada, muitas vezes por falta de estrutura familiar e também da própria escola para que o professor possa ministrar sua aula com um pouco mais de tranquilidade, entre outros problemas que serão analisados na pesquisa literária que será aqui desenvolvida.

O interesse em se pesquisar sobre a questão da indisciplina escolar, parte do princípio de trazer à tona uma discussão sobre o assunto. O tema indisciplina é um dos motivos que dificulta o processo de ensino e aprendizagem na sala de aula, no qual o professor não está encontrando um caminho para que o aluno tenha uma aprendizagem satisfatória.

Segundo Aquino (1996, p. 09) “há muitos os distúrbios disciplinares deixaram de ser um evento esporádico e particular no cotidiano das escolas brasileiras para se tornarem talvez um dos maiores obstáculos pedagógicos dos dias atuais”. Diante desta questão, gerou-se a necessidade de se descobrir como resolver este problema de indisciplina em sala de aula. É necessário relatar para os alunos que a falta de interesse não pode continuar, assim o professor vai ministrar aulas mais prazerosas.

Nesse contexto, o aluno terá prazer em ir à aula e o professor terá um motivo a mais para preparar a aula com amor, por saber que poderá expor sua matéria sem interrupções de alunos indisciplinados. Com isso, a aula terá um andamento normal e o professor poderá dar o conteúdo proposto para aquele dia.

Ressalta-se que o objetivo é conhecer os principais motivos que levam os alunos a serem indisciplinados em sala de aula, no Ensino Fundamental II. Identificar onde se inicia esta indisciplina na escola. Verificar se a relação professor-aluno pode influenciar na indisciplina em sala de aula. Ainda através de pesquisa bibliográfica analisar até que ponto a insatisfação dos educadores pelas aulas e pela estrutura escolar pode gerar a indisciplina.

Contudo, no presente estudo a metodologia adotada foi a descritivo-qualitativa, cuja base de dados foi pesquisada em livros específicos em matemática e educação, artigos científicos que discutem esta questão, pesquisa no Google acadêmico, universidades governamentais, bibliotecas digitais e monografias especializadas. Portanto, com base nos textos lidos, a fundamentação do artigo foi feita e chegou-se às considerações finais sobre o tema. O período da pesquisa foi de fevereiro a outubro de 2017.

Esse objeto de estudo está dividido em 3 capítulos que versam sobre indisciplina escolar e por fim as considerações finais.

2. O INICIO DA INDISCIPLINA

2.1 Contribuição da Família na Indisciplina

Os pais têm um papel importante na vida de seus filhos Poli (2009, 01) afirma que, “Os pais são responsáveis pela educação dos filhos e a escola deve ser parceira na educação das crianças. Os pais não devem delegar para o colégio toda a responsabilidade da educação de seus filhos, mas se aproximar da escola para buscar e incentivar essa parceria”.

A indisciplina escolar é um dos maiores problemas enfrentado no Brasil, esta falta de indisciplina se inicia principalmente, em casa, devido à falta de presença dos pais, pois, na maioria eles trabalham fora e seus filhos ficam com babás ou dependendo da idade até mesmo sozinha em casa. Para Vasconcelos (2009, p.240): “[…] é muito comum ouvirmos dos professores a queixa de que os pais não estabelecem limites, não educam seus filhos com princípios básicos como saber se comportar respeitar os outros, saber esperar sua vez, etc.” Então, os educandos acabam sendo indisciplinados talvez para chamar atenção dos próprios pais.

A falta de estrutura familiar também é um ponto importante encontrado no estudo da indisciplina realizado por, Tiba ele cita: “O ambiente também interfere na disciplina” (TIBA, 2006, pág. 128).  A criança reproduz em sua vida o exemplo adquirido em casa. Se em sua casa ela convive com brigas e desrespeito entre os familiares, provavelmente a personalidade que vai se desenvolver é de uma pessoa agressiva, rebelde e provavelmente de pouco caráter. Desse modo, os pais devem ter muito cuidado com o exemplo que passa para seus filhos. Além disso, destaca-se as famílias monoparentais, que segundo Dias (2010) são:

formadas após o divórcio ou separação, situação em que o pai ou mãe assume o cuidado com os filhos. A constituição, ao esgaçar o conceito de família, elencou como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus dependentes (DIAS, 2010, p. 48).

Devido a nova família, a criança pode desenvolver uma necessidade de chamar a atenção geralmente do pai que não costuma a acompanhar de perto a vida de seu filho.

Com isto, a criança começa a desenvolver uma personalidade difícil, na qual pode se tornar depressiva ou violenta. Quando depressiva, ela pode ter atitudes de querer agredir verbalmente as outras pessoas ou se tornar uma pessoa inquieta. De acordo com Camacho (2001 p.01), essa violência mascarada pode tornar-se perigosa porque como não é controlada, passa a ocorrer cotidianamente. Sendo assim, banalizada e considerada como comportamento normal de adolescente. A violência é outra forma de demostrar que está precisando de atenção, o adolescente começa a agredir todos que estão a sua volta, inclusive os colegas de escola e professores.

A família deste educando deve procurar ser mais presente em sua vida, demonstrando que se importam com eles e que não precisão ser indisciplinados para terem atenção.

2.2 Escola e indisciplina.

A escola deve ser respeitada como era antes, “ Na instituição escolar a ideia de disciplina e suas práticas, vem sendo culturalmente elaborada há séculos. Sob uma perspectiva histórica a relação entre educação e disciplina parece inerente ao projeto civilizatório do ocidente” (DANNELLS, 1997, p.01). Contudo, a escola nos dias de hoje não é respeitada como era a anos atrás.

“E é nesse sentido que as palavras de Abramovar et al, (2004, p. 01) coloca-se: “No espaço escolar as incivilidades atendem a diferentes finalidades e se expressam de formas complexas, seja como violência, as incivilidades ameaçam o funcionamento da escola e a convivência que ali ocorre”.  Na escola que o professor tenta passar para os alunos lições como cidadania.

A educação no Ensino Fundamental II no Brasil é obrigatória, (ECA, BRASIL, 1997 p. 01) mas, há pais que mandam seus filhos para a escola simplesmente para ter um tempo para descansar ou dar um passeio. Outros enviam por não terem condições de dar para a criança sequer o alimento. Isso mesmo, têm alunos que saem de casa sem comer nada e seu único alimento será aquele consumido na escola. Com isso, a educação não é levada a sério nem pelos pais e, menos ainda pelos educandos.

Na atualidade, percebe-se que o aluno não tem compromisso com a educação, eles vão para a escola para comer ou para simplesmente passar o tempo já que estão ali por obrigação ou por necessidade. A escola deixou de ser um local que a criança vê como um lugar interessante; aprender não é mais um objetivo destes educandos, não têm mais perspectivas em do adquirir conhecimento para obter uma vida melhor e mais digna.

Assim, a indisciplina se torna frequente na escola por falta de comunicação dos pais com seus filhos e porque o educando não tem mais compromisso com relação a necessidade de aprender, uma vez que eles sabem que no final do ano eles serão agraciados com a facilidade de “passar de ano” já que atualmente o aluno não pode mais ser reprovado pelos professores.

2.3 Educação começa em casa: Educação informal

O ensino informal é responsável por transmitir valores que serão muito importantes para as crianças e adolescentes no futuro. De acordo com as palavras de LaTaillee; Menin (2009 p. 01), a expressão “crise de valores, muito usada na educação, remete à noção de que os valores morais estariam “doentes” e, portanto, correndo risco de extinção”. Remete também a uma ausência de legitimação da moral, como se tudo fosse permitido.

Essa falta de limites vai afetar de modo preocupante a educação em sala de aula. Para Aquino (1996), “a escola é um lugar de desconstrução e reconstrução, com várias visões da realidade do aluno, a disciplina que acontece na escola pode partir da boa educação trazida de casa agindo no convívio social, para a escola o aluno que não comete atos indisciplinar teme o castigo, e isso é bom”.

É importante ressaltar que os professores não estão sabendo conduzir as aulas com estes jovens que pensam poder agir como querem, sem serem responsáveis pelos seus atos Guillot (2008) mostra: “Os professores que gritam, se irritam, castigam, fazem isso por falta de autoridade, a autoridade reconhecida e respeitada favorece a disciplina, que permite conviver e trabalhar em boas condições” (GUILLOT, 2008, p.17).

Quando os professores não têm autoridade em sala de aula, isso pode fazer com que o aluno pense que tem o direito de fazer o que quer inclusive agredi-lo fisicamente. No Brasil, a violência física contra o professo aumentou de maneira significativa.

3. A INDISCIPLINA E A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO

3.1 O Professor em buscas de mudar a indisciplina de seus alunos

Alguns estudos que envolvem a relação professor-aluno, vem sendo discutidos por vários especialistas em educação tais com Tiba (2006); Pereira (2013 p 01) e Piaget (2016 p 01). Esta pesquisa vem mostrar que, é necessário repensar o modo como às aulas estão sendo ministradas, para que o aluno tenha maior interesse em acompanha-las, segundo Piaget (1998, p 181-190):

Mas, ainda que fôssemos educadores até a medula dos ossos, é preciso conhecer não apenas as matérias que ensinamos, mas também a própria criança, a quem nos dirigimos, ou o adolescente: em suma, o aluno enquanto ser vivo, que reage, se transforma e se desenvolve mentalmente segundo leis tão complexas como as de seu organismo físico.

Cabe ao docente, com sua dedicação e objetividade, trazer para a sala de aula uma maneira diferenciada de passar o conteúdo. Para Marchesi (2006 p. 01) “É preciso estar preparado para ensinar aos alunos com problemas de comportamento na escola. Uma preparação que vai se adquirindo por meio de reflexão sobre os fatos que ocorrem na sala de aula”.

Cabe ao docente, com sua dedicação e objetividade, trazer para a sala de aula uma maneira diferenciada de passar o conteúdo. Para Marchesi (2006 p. 01) “O professor não apenas transmite uma informação ou faz perguntas, mas também ouve os alunos”. Deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressar-se, a expor opiniões e dar respostas. O trabalho docente nunca é unidirecional.

Partindo da concepção de que o professor é um mediador, aquele que não segue por essa linha de raciocínio, não vai conquistar seus alunos como cita Freire (1996, p.73).

O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca. (p. 73)

3.2 O educando é indisciplinado em sala de aula

Nem sempre o aluno quer atrapalhar a aula, mas por ser rotulado como um indisciplinado acaba agindo como tal. Quanto mais discriminado o educando mais   terá em sua cabeça que é uma pessoa indisciplinada, segundo Fukui (1992, p. 115) “Alunos menos preparados, com problemas de disciplina ou de adaptação à rotina escolar, tenderiam a abandonar os estudos, mas não abandonar a escola, que aparece como uma das únicas alternativas de encontro de jovens”. E ali fará de tudo para chamar atenção dos demais alunos.

Por outro, lado a indisciplina pode vir de um adolescente que esteja simplesmente com alto-estima baixa, por não ter sido preparado adequadamente nas series inicias, através dessa dificuldade de se relacionar com outros alunos, por não saber se expressar de maneira adequada, com cita: (SZYMANSKI, 2006, p. 167). “[…] perde-se a autoestima quando se passa por muitas decepções e frustrações, situações de perda, ou quando não se é reconhecido por nada que se faz, isto é, quando o outro nada deseja de nós e, portanto, aprende-se a nada desejar”.

Cabe ao professor mostrar aos alunos usando seus conhecimentos, que todos são capazes de aprender. Como afirma Clark (2005, p. 157,158):

Não importa que tipo  de notas tiveram no passado e não me importa em que tipo de encrenca se meteram antes: este é um novo ano e vamos começar novamente. Podem ter certeza de que, se estiverem dispostos a seguirem as regras e os procedimentos e tentarem fazer o melhor, neste ano todos vocês serão astros.

Resta a escola e aos professores se adaptar as dificuldades que vem aparecendo com o passar dos dias, se necessário procurar ajuda de um profissional psicopedagogo por exemplo, Pain (1985, p. 13) fala que: “O professor em sala de aula, além de ensinar tem a responsabilidade se ser um exemplo, para esses alunos indisciplinados e tentar ajudá-los a lidar com seus problemas, trazidos de casa e mesmo adquiridos ali na própria sala de aula e na escola”.

O educando pode ainda ter alguns problemas de saúde que o levara a ter atitudes indisciplinadas. Cita-se os seguintes problemas: TDAH (Transtorno de déficit de atenção e Hiperatividade) e Bullying.

O TDAH é uma síndrome que os professores sempre ajudam aos pais a descobrirem, por notar as atitudes diferenciadas de seus filhos, de acordo com Assef et. al., (2007 p. 01) os indivíduos com TDAH caracterizam-se por: baixa intolerância à espera, alta necessidade de recompensa imediata, falha na previsão das consequências, déficit de auto regulação e presença de respostas rápidas, porém imprecisas. O Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade é muito comum entre os alunos e uma grande causa da indisciplina pois o educando não consegui prestar atenção no que a professora está dando em sala de aula. Outro problema comum nos dias de hoje é o Bullying  a prática de atos violentos, intencionais e repetidos, contra uma pessoa indefesa, que podem causar danos físicos e psicológicos às vítimas. O termo surgiu a partir do inglês bully​, palavra que significa tirano, brigão ou valentão, na tradução para o português.

No Brasil, o bullying é traduzido como o ato de bulir, tocar, bater, socar, zombar, tripudiar, ridicularizar, colocar apelidos, humilhar e etc.  Muitos jovens sofrem com essa violência em nossas escolas, e este sofrimento faz com que se tornem agressivos para se proteger de tanta violência. De acordo com Felizardo (2007 p. 01), o Bullying é “toda forma de agressão”, física ou verbal, exercida de maneira continua, sem motivo aparente, causando consequências que vão do âmbito emocional até na aprendizagem, O bullying pode marcar de forma definitiva a vida dos alunos envolvidos, com trauma e depressão.

Podemos citar como exemplo de Bullying recente um caso que aconteceu em uma escola particular de Goiânia, como sita a matéria do G1.globo.com, “Um aluno do ensino fundamental atirou contra colegas em uma escola particular de Goiânia nesta sexta-feira (20/10/2017) de manhã. Dois morreram e quatro ficaram feridos. A arma era da mãe do atirador, uma policial militar”. Segundo informações tudo aconteceu porque o aluno sofria Bullying por parte dos colegas

4. A INSATISFAÇÃO DOS PROFESSORES E A INDISCIPLINA

4.2 Desvalorização do Professor

O país passa por grandes dificuldades financeiras, e uma das áreas mais afetas é com certeza a educação. Patto (1990), afirma que dentre os fatores que colaboram para o fracasso escolar está a alta insatisfação dos professores em relação às suas condições de trabalho.  Infelizmente os professores que tem um importante papel na educação de nossas crianças e adolescentes já não são mais tão valorizados com deveriam.

O professor está desapontado, o fato é que ser educador não é uma carreira cogitada pela maioria. A explicação para este desmerecimento da profissão não é só, uma, pode-se começar pelo salário, que pela carga de tarefas deveria ser pelo menos três vezes mais. E a falta de reconhecimento em relação ao trabalho, como cita Santomé (2006, p. 35):

Uma das questões que mais chama a atenção no sistema educativo, principalmente na rede pública, é a constatação de uma classe docente que não se sente realizada. As palavras desmotivação, desmoralização e desilusão surgem sempre que alguém conversa com um grupo de docentes.

Dessa forma, esta falta de incentivo o educador se vê sem motivo para se dedicar, segundo Guerra (2000, p. 71) “o problema da motivação dos professores é complexo porque conduz a um ciclo vicioso: se não estão motivados, não se entregarão de corpo e alma à sua profissão, nem desfrutarão das suas dimensões mais reconfortantes.”  Ainda sobre motivação Chiavenato (2004) salienta que motivação é um processo psicológico básico, junto com as percepções, atitude, personalidade, aprendizagem, sendo um importante processo da compreensão humana.

Contudo, na sala de aula o professor deixa de se importar com as atitudes dos alunos, e se propõe apenas a ministrar suas aulas sem se envolver com as dificuldades dos educandos. Isso faz com que o ambiente se torne um local propicio a indisciplina já que a matéria vai perdendo a importância por não ser entendida, então o aluno se distrai e acaba tomando atitudes inadequadas.

4.3 A Insegurança dos Professores

A indisciplina em sala de aula está preocupando, “[…] hoje um dos problemas mais graves da educação básica em todo o país, é a forma como os alunos tratam os professores” (LONGO, 2008, p. 5). O professor fica cada vez mais exposto a vários tipos de violência. De acordo com a pesquisa feita pelo INEP (2014), mais de um terço dos professores brasileiros (34%) atuam em escolas cujos diretores afirmam verificar semanalmente intimidação ou ofensa verbal entre os alunos, o que coloca o Brasil no topo do ranking de violência nas escolas entre os países participantes (INEP, 2014).

Com salas cada vez mais lotadas, os educadores passam a ter atitudes mais agressivas, como falar mais alto e castigar os jovens indisciplinados, sobre este assunto Guillot (2008, p. 176) ressalta “Os professores que gritam, se irritam, castigam, fazem isso por falta de autoridade, a autoridade reconhecida e respeitada favorece a disciplina, que permite conviver e trabalhar em boas condições. A autoridade imposta suscita submissão e revolta, logo se revela contra produtiva”. Com esta atitude o corpo docente acaba perdendo a autoridade.

Ainda dentro deste contexto, é importante citar o aumento da violência física contra o professo em sala de aula, Nóvoa (1999, p.107) afirma que “Presentemente observamos que o aluno pode permitir-se, com bastante impunidade, diversas agressões verbais, físicas e psicológicas aos professores ou aos colegas, sem que na prática funcionem os mecanismos de arbitragem teoricamente existentes”. Deixando assim, o professor cada vez mais exposto.

A falta de segurança faz com que o educador perca espaço dentro da sala de aula onde a indisciplina é cada vez maior, e a segurança cada vez menor. As leis precisão ser revistas, para que o ambiente escolar se torne um lugar seguro e confortável para o professor dar sua aula, e para o aluno ter prazer em estar ali aprendendo.

CONCLUSÃO

O presente artigo tem como finalidade mostrar aos pais e professores que, as crianças e adolescentes podem através da indisciplina estar mostrando que algo está errado em sua educação. Os pais precisam ter mais tempo e interesse pela vida de seus filhos, acompanhar de perto os seus passos em casa e na escola, para que os educandos se sintam mais protegidos.

Na escola a união entre pais e professores será a melhor solução para sanar a indisciplina em sala de aula. Alunos que são bem-educados em casa saberão ter respeito pelos pais e professores, saberá respeitar as regras estabelecidas pela direção da escola. Uma boa educação informal fara de uma criança um adulto responsável.

O educador tem papel fundamental na vida de seus alunos, ele que vai trazer conhecimento através das matérias ministradas em sala de aula, mas para que isso ocorra, as leis precisam ser mudadas. Nossos professores têm que ser mais valorizados, terem uma melhor estrutura para trabalharem, segurança dentro e fora da sala de aula.

O professor precisa se preparar melhor para li dar com diferentes tipos de alunos, as aulas precisam ser um pouco mais interessantes para que o aluno volte a ter interesse por elas, mas isso só será possível se o educador não precisar dar aula nos três turnos para poder viver com dignidade.

Os governantes precisam saber que só com uma boa educação o país poderá se tornar um país de primeiro mundo, caso contrário irá continuar com tanta desigualdade entre a população, onde poucos tem muito, e muitos têm pouco, onde a violência predomina em nossas favelas e a corrupção inunda nosso governo.

 REFERÊNCIA

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[1] Trabalho apresentado à Faculdade Patos de Minas, como requisito parcial para a conclusão do Curso de Licenciatura em Matemática.

[2] Graduanda em Matemática pela Faculdade Patos de Minas (FPM).

[3] Graduada em Letras (UEMG), Especialista em Língua Portuguesa, Linguística e Artes (FIJ), Especialização em Docência e Didática do Ensino Superior (FPM). Professora orientadora da Faculdade Patos de Minas (FPM).

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