A Interiorização do Ensino Público Superior: O Caso do Instituto Multidisciplinar, Campus Nova Iguaçu, UFRRJ

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MIGUEL, Lailane Lima [1]

MIGUEL, Lailane Lima. A Interiorização do Ensino Público Superior: O Caso do Instituto Multidisciplinar, Campus Nova Iguaçu, UFRRJ. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 07, Vol. 05, pp. 25-37, Julho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

Nesse artigo é feito um estudo de caso sobre a interiorização do ensino público superior, onde se apresenta uma pesquisa feita pelos alunos do curso de administração da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro do campus de Nova Iguaçu sobre o Perfil do Aluno do Instituto Multidisciplinar. A população desse trabalho são estudantes da UFRuralRJ do IM e o estudo foi feito com uma amostra de 146 alunos da universidade. Com base nessa pesquisa, mostram-se quem é o aluno da UFRuralRJ e a opinião deles a respeito da qualidade e do ensino público federal. Com esse trabalho, espera-se contribuir para o aperfeiçoamento da instituição com ideias e questionamentos provocados pelos próprios alunos. A pesquisa desenvolvida, a metodologia utilizada, assim como os dados obtidos, encontram-se descritos em detalhe ao longo do texto.

Palavras-chave: Interiorização do Ensino Público Federal, Qualidade em Educação, Pesquisa.

Introdução

Com a pesquisa feita por amostragem, conhecemos o perfil dos alunos que estudam no Instituto Multidisciplinar (IM) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) do campus de Nova Iguaçu.

O objetivo do levantamento desses dados é conhecer quem são os alunos da UFRRJ, analisando sexo, turno, curso, idade, estado civil, filhos (se possuem ou não), se moram na baixada fluminense, se trabalham, se recebem bolsa auxílio da UFRRJ, renda, transporte, 1° (primeira) opção de curso no vestibular, tentativas de ingresso na universidade, se influenciou a localização do IM, se é o 1° nível superior, se pretende fazer pós-graduação, ensino fundamental e médio foi em escola pública ou privada e se cursaram pré-vestibular particular.

A pesquisa foi feita pelos alunos do curso de Administração para a disciplina de Estatística Aplicada, ministrada pela Professora D. Sc. Adria Ramos de Lyra, no 1° semestre do ano letivo de 2011. Os questionários foram enviados por e-mail em junho de 2011 aos alunos de diversos cursos de nível graduação oferecidos pelo IM. Ao todo foram 146 alunos entrevistados de diversos cursos como:

Administração, Economia, Ciências da Computação, História, Pedagogia, Turismo, Letras e Direito. O valor do erro calculado dessa amostra é de 2,5%.

Alinhada ao plano nacional de expansão das universidades federais, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) inaugurou em 2010 as instalações definitivas de seu Instituto Multidisciplinar (IM) no município de Nova Iguaçu na Baixada Fluminense. Em seus cem anos de existência, a UFRRJ tem se mostrado consciente de seu papel social, científico e tecnológico e, consequentemente, sensível aos problemas e apelos oriundos dos grupos sociais com os quais interage. Atualmente o IM oferece dez cursos de graduação regular e duas habilitações (dentre eles, os bacharelados em Ciência da Computação e em Matemática Aplicada e Computacional), um curso de graduação a distância e três cursos de pós-graduação, atendendo em torno de 2.250 alunos (cerca de 20% do corpo discente da UFRRJ). Para tanto, conta com uma estrutura de 163 professores (17% do corpo docente da universidade), sendo 116 doutores e 65 servidores técnico-administrativos em quatro blocos numa área de 44.000 m2 com 74 salas de aula, 09 laboratórios (dos quais 03 são de informática, para atender, em conjunto, um total de 50 usuários simultâneos), uma biblioteca e um auditório.”

De acordo com Dourado (1998), a expansão do ensino superior deve ser vista como a ampliação das oportunidades educacionais, ou seja, esta relacionada com o aumento no número de matrículas. Já a interiorização esta relacionada com a descentralização da oferta de vagas e na criação de escolas no interior dos Estados e regiões. É nesse contexto, em que o Instituto Multidisciplinar encontra-se inserido. É nesse contexto que em 2006 o Instituto Multidisciplinar foi criado.

Análise dos dados

Nessa seção serão discutidos os principais resultados obtidos através da análise dos dados da entrevista.

O turno do curso

A maioria dos alunos do IM opta por estudar à noite, em seguida outra parcela estuda pela manhã. A minoria dos alunos estuda no turno vespertino. Ver gráfico 1.

Gráfico 1 : 59,9% dos alunos estão matriculados no turno da noite, 24,5% no turno da manhã e 15,6% no turno da tarde.
Gráfico 1 : 59,9% dos alunos estão matriculados no turno da noite, 24,5% no turno da manhã e 15,6% no turno da tarde.

O sexo dos alunos

Observa-se que a maioria dos alunos de IM é do sexo feminino. Ver gráfico 2.

Gráfico 2: 67,3% dos alunos são do sexo feminino, enquanto 32,7% do sexo masculino.
Gráfico 2: 67,3% dos alunos são do sexo feminino, enquanto 32,7% do sexo masculino.

Situação familiar

Ao tentar identificar a situação familiar dos alunos, conclui-se pelo Gráfico 3, que a maioria é solteiro e pelo que Gráfico 4, que a maioria não possui filhos.

Gráfico 3: 81% dos alunos são solteiros, 13,6% casados, 4,2% outros e 1,2% divorciados.
Gráfico 3: 81% dos alunos são solteiros, 13,6% casados, 4,2% outros e 1,2% divorciados.
Gráfico 4: Apenas 10,9% possuem filhos, enquanto 89,1% não.
Gráfico 4: Apenas 10,9% possuem filhos, enquanto 89,1% não.

Sobre a localização do IM

Observa-se que a localização do IM foi um fator que influenciou para a escolha da universidade, ver Gráfico 5. O acesso ao campus é feito através de transporte público, como denota o gráfico 6. E a maioria dos alunos vem da baixada fluminense, como é possível observar no Gráfico 7.

Gráfico 5: 73,5% afirmam que a localização do IM influenciou na escolha e apenas 26,5% diz o contrário.
Gráfico 5: 73,5% afirmam que a localização do IM influenciou na escolha e apenas 26,5% diz o contrário.
Gráfico 6: 74,1% dos estudantes utilizam o ônibus para ir a universidade, 12,9% utiliza o carro, 4,1% outros, 4,9% a pé e 4% bicicleta.
Gráfico 6: 74,1% dos estudantes utilizam o ônibus para ir a universidade, 12,9% utiliza o carro, 4,1% outros, 4,9% a pé e 4% bicicleta.
Gráfico 7: 66% dos alunos moram na baixada fluminense e apenas 34% não moram.
Gráfico 7: 66% dos alunos moram na baixada fluminense e apenas 34% não moram.

Vínculo empregatício

Um detalhe interessante sobre a realidade do IM é que 54,4% dos alunos trabalham e 45,6%

apenas estudam ou possuem bolsa da universidade. Ver gráfico 8. É visto que a maioria trabalha na área de seu curso, ver gráfico 9. O que leva os autores a acreditarem que o curso é responsável pela entrada desse aluno no mercado de trabalho.

Gráfico 8: 54,4% dos alunos trabalham/estagiam e 45,6% não.
Gráfico 8: 54,4% dos alunos trabalham/estagiam e 45,6% não.
Gráfico 9: 57,3% trabalham na área do curso e 42,7% não.
Gráfico 9: 57,3% trabalham na área do curso e 42,7% não.

Possuem algum tipo de bolsa/ auxílio da UFRRJ

Ao perguntar se possuem bolsa/ auxílio da UFRRJ, observa-se que a maioria não possui. Ver o gráfico 10.

Gráfico 10: 75,5% não possuem bolsa/auxílio da UFRuralJ e 24,5% possuem.
Gráfico 10: 75,5% não possuem bolsa/auxílio da UFRuralJ e 24,5% possuem.

Contribuem para a renda familiar

Observa-se que a maioria dos alunos não contribui na renda familiar. Ver gráfico 11.

Gráfico 11: 55,8% dos alunos não contribuem na renda familiar e 44,2% contribuem.
Gráfico 11: 55,8% dos alunos não contribuem na renda familiar e 44,2% contribuem.

Quantas vezes tentaram o vestibular

A maioria dos alunos (65,3%) tentou o vestibular apenas uma vez. Ver gráfico 12.   

Gráfico 12: 65,3% dos alunos tentou vestibular apenas uma vez, 30,6% duas vezes, 4,9% três vezes e 1% acima de quatro vezes.
Gráfico 12: 65,3% dos alunos tentou vestibular apenas uma vez, 30,6% duas vezes, 4,9% três vezes e 1% acima de quatro vezes.

A primeira opção no vestibular

O resultado da pesquisa mostra que a maioria dos alunos (80,3% deles) estão no curso que fizeram como primeira opção no vestibular. Ver gráfico 13.

Gráfico 13: 80,3% dos alunos estão no cursos que decidiram como primeira opção e 19,7% não estão.
Gráfico 13: 80,3% dos alunos estão no cursos que decidiram como primeira opção e 19,7% não estão.

Primeiro curso de nível superior

Ao perguntar se era o primeiro curso de nível superior, a maioria dos estudantes responderam que sim, com 87%  dos alunos. Ver gráfico 14.

Gráfico 14:  87,1% dos alunos estão cursando seu primeiro curso de graduação e 12,9% já possuem alguma graduação anterior.

Interesse em cursar uma pós-graduação

Ao perguntar se tem interesse em fazer pós-graduação, a maioria respondeu que sim com 96%, ou seja, apenas 4% não têm interesse. Isso é muito interessante e mostra que os alunos possuem interesse em continuar estudando depois que terminarem a universidade. Ver gráfico 15.

Gráfico 15: 95,9% dos alunos tem interesse em fazer pós-graduação e apenas 4,1% não pretendem fazê-la.
Gráfico 15: 95,9% dos alunos tem interesse em fazer pós-graduação e apenas 4,1% não pretendem fazê-la.

Fez o ensino fundamental e médio em escola pública

Ao perguntar se estudaram o ensino fundamental e médio em escola pública, responderam que sim 44% e não 35%. Somente o ensino fundamental 3% e somente o ensino médio 18%. Logo conclui- se, que a maioria dos estudantes do IM estudou o ensino fundamental e médio em escolas públicas. Ver Gráfico 16

Gráfico 16: 44,2% dos alunos disseram que estudaram o ensino fundamental e médio em escola pública, 34,7% não estudaram o ensino fundamental e médio em escola pública, 18,4% estudaram somente o ensino médio e 2,7% estudaram somente o ensino fundamental.
Gráfico 16: 44,2% dos alunos disseram que estudaram o ensino fundamental e médio em escola pública, 34,7% não estudaram o ensino fundamental e médio em escola pública, 18,4% estudaram somente o ensino médio e 2,7% estudaram somente o ensino fundamental.

Curso pré-vestibular

É importante observar que a maioria dos estudantes da universidade, 43,5% deles, fez curso pré-vestibular privado e 33,3% cursaram pré-vestibular público. Ver gráfico 17.

Gráfico 17: 43,5% dos alunos fizeram curso pré-vestibular privado, 33,3% não fizeram curso pré-vestibular privado e 23,1% nunca fez pré-vestibular.
Gráfico 17: 43,5% dos alunos fizeram curso pré-vestibular privado, 33,3% não fizeram curso pré-vestibular privado e 23,1% nunca fez pré-vestibular.

Idade dos alunos

É visto nessa relação da idade dos alunos que a média é de 22,85 anos e o desvio padrão é de 5,57.

Gráfico 18
Gráfico 18

Sobre as instalações e como avaliam os professores do IM

Conclusões e trabalhos futuros

Com base nos estudos feitos dos gráficos com as respostas dos entrevistados, conhecemos pela amostra pesquisada quem é o aluno do IM.

Concluiu-se que o perfil do aluno da UFRuralJ no IM na sua maioria é do sexo feminino, estuda à noite, são solteiros, não possuem filhos, a média de idade é de 22, 85 anos, são moradores da baixada fluminense, trabalham e na sua maioria na área do curso em que estudam, não possuem bolsa auxílio da UFRuralJ, não contribuem na renda familiar, usam ônibus circular para ir a universidade, estão atualmente no curso que escolheram como 1° opção, tentaram apenas uma vez o vestibular, a localização do IM influenciou na escolha da universidade, esse é o primeiro curso de nível superior que fazem, pretendem cursar uma pós-graduação, estudaram em escolas públicas (ensino fundamental e médio) e fizeram curso pré-vestibular privado.

Os alunos avaliaram as instalações do IM e o ensino que foram divididos em ótimo, bom, regular e ruim.

Sobre o número de professores atualmente no IM os alunos julgam regulares com 35% e em seguida julgam como ruim, com 31%; sobre a qualificação dos professores os alunos julgam como bom com 44% e em seguida como ótimo, com 35% e sobre a atuação dos professores em sala de aula os alunos julgam como bom com 48% e em seguida julgam como regular, com 26%.

Sobre as instalações, a maioria dos alunos acha a segurança como regular, com 38% e em seguida ótimo com 35%; sobre o bandejão julgaram ruim, com 93%; sobre os serviços a maioria julgou 37% como ruim e em seguida 36% como regular; sobre limpeza os alunos acham bom com 37% e em seguida ótimo com 34%; sobre atendimento dos departamentos os alunos julgam como ruim, com 36% e em seguida regular, com 29%; sobre a biblioteca os alunos julgam como bom, com 35% e em seguida como regular, com 32%; sobre os equipamentos de sala de aula os alunos julgam como regular, com 37% e em seguida como ruim, com 32%; sobre o laboratório (informática) julgam como ruim, com 42% e em seguida como regular, com 29%; sobre estacionamento os alunos julgam como regular, com 33% e em seguida ruim, com 28%; sobre manutenção geral os alunos julgam como bom, com 38% e em seguida regular, com 27%; Já sobre as atividades extracurriculares os alunos julgam como ruim, com 48% e em seguida como regular, com 33%.

Nesse sentido, vemos que a missão da UFRuralRJ de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico da baixada fluminense está sendo atingida, de acordo com o perfil traçado por este trabalho. Diferente do que foi identificado em Pires et al (2007), onde parte significativa dos que ingressam nos cursos oferecidos pela Unidade de Ensino Descentralizada de Nova Iguaçu do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ UnED/NI),  são provenientes de outros estados da federação, municípios adjacentes ou mesmo da cidade Rio de Janeiro.

Como trabalhos futuros pretendem-se estender a pesquisa para outras instituições federais, que surgiram com o mesmo propósito de interiorização da educação superior e a comparação desses resultados.

Referências

DOURADO, L. F. Expansão e interiorização da Universidade Federal de Goiás nos anos 80: a parceria com o poder público municipal. In: IV SEMINÁRIO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS HISTÓRIA, SOCIEDADE, EDUCAÇÃO, 1998, CAMPINAS SP. ANAIS DO IV SEMINÁRIO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS HISTÓRIA, SOCIEDADE, EDUCAÇÃO, 1998. v. ÚNICO. p. 14-29.

PIRES, Rodrigo   Cézar;   FARIA,   Luana   Costa;   GONÇALVES,   Stella   Gomes;   ARAUJO, Fernando Oliveira de.  CEFET/RJ – UnED/ NI: Experiência e Desafios da Interiorização do Ensino Público Federal. Anais do 11° Encontro de Engenharia de Produção da UFRJ (PROFUNDÃO). Rio de Janeiro: UFRJ, 2007.

[1] Bacharela em Administração pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).  Pós-Graduada em Gestão Pública e Direito Administrativo pela Faculdade Internacional Signorelli.

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