A gestão educacional/escolar no ensino médio

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ARTIGO ORIGINAL

SOUZA, Fabrícia Melo de [1], DINIZ, Ariele Silva [2], LIMA, Eliane Barbosa [3], LIMA, Luzia Ferreira [4], ARAÚJO, Cássila Maria Ferreira [5], SILVA, Rosileia Gonçalves da [6], PEREIRA, Elenir Ferreira [7]

SOUZA, Fabrícia Melo de. Et al. A gestão educacional/escolar no ensino médio. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 10, Vol. 13, pp. 18-33. Outubro de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O presente artigo aborda o Ensino Médio no Brasil e busca uma compreensão da gestão no âmbito da educacional e escolar, realizando uma visita a uma instituição para compreender se realmente a teoria se apresenta na prática dessa instituição. Por meio de uma abordagem qualitativa, alguns dados foram coletados através de uma entrevista com a diretora adjunta de uma escola estadual pertencente ao município de Naviraí-MS. A partir desses dados coletados, pode-se observar como ocorre a gestão de uma escola pública do Ensino Médio.

Palavras-chave: educação escolar, gestão educacional, gestão escolar, democracia.

INTRODUÇÃO

O presente artigo aborda a gestão educacional e escolar, tendo como objetivo verificar como ocorre a gestão na atualidade sendo realizada em uma escola pública do Ensino Médio no município de Naviraí-MS.

Tem como principais objetivos abordar o Ensino Médio, caracterizar a gestão educacional e gestão escolar de modo geral apresentando seu conceito e sua importância para a organização de uma escola democrática, justa e igualitária para todos.

O estudo foi realizado através de pesquisas bibliográficas, referências que propiciaram uma compreensão de como seria uma escola com gestão democrática. Também foi realizada uma entrevista com a gestora de escola pública para ver se realmente tudo o que os autores nos apresentam de fato ocorrem no cotidiano das escolas.

O tema deste artigo foi de suma importância para que todos os integrantes do grupo pudessem compreender e caracterizar a gestão em seus aspectos gerais, como é a organização da escola, como é a função de direção/gestão na rotina diária, e se realmente a gestão democrática se efetiva no cotidiano.

1. O ENSINO MÉDIO

Em 1942, com a Reforma Gustavo Capanema, surge a estrutura e a existência do Ensino Médio, com duração de três anos, com o objetivo de preparar para ingressar no ensino superior. Também havia cursos profissionalizantes, com objetivos de atender a demanda dos cursos técnicos. O projeto da escola técnica teve como meta auxiliar jovens na carreira profissional, como nos relata Kuenzer (1997b), sendo que a clientela que se atendia eram as camadas mais pobres da sociedade.

Desde o momento que surge, a educação diretamente articulada ao trabalho se estrutura como um sistema diferenciado e paralelo ao sistema de ensino regular marcado por finalidade bem específica: a preparação dos pobres, marginalizados e desvalidos da sorte para atuarem no sistema produtivo nas funções técnicas localizadas nos níveis baixo e médio da hierarquia ocupacional. (KUENZER, 1997b, p.12).

Na década de 1960, baseado na Lei 4.024/61, surge a elaboração das leis educacionais no congresso; uma forma de propor projetos e medidas que contribuíssem com a educação. Segundo Saviani (2002), a lei 4024/61 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), tinha o objetivo de deformar o projeto original de diretrizes para a educação nacional.

Na década de 1980, com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, foi estabelecido o papel do Estado e da iniciativa privada em relação à educação, no inciso II é posto como lei a progressiva universalização do Ensino Médio gratuito, (Art. 208, II). contudo, o termo “progressivo” traz um caráter subjetivo. No primeiro parágrafo desse capítulo é estabelecido que: o acesso ao ensino obrigatório é direito público subjetivo.

Bueno (2000) pondera que o modelo apresentado de Ensino Médio é realizado/foi idealizado por técnicos, especialistas, agências internacionais, e que teria reflexo sobre a Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), deveria ter uma maior abertura da participação do setor privado, estímulos de recursos, diretrizes que tratassem os meios de comunicação e de tecnologia científica, estratégias de melhoria na qualidade e expansão do Ensino Médio, propostas por reformas de currículo, programas de acompanhamento de resultados, Ensino Médio à distância, articulação entre escola e empresa.

Segundo Bueno (2000), no Brasil, o crescimento do Ensino Médio apresenta um resultado satisfatório, sendo que 50% dos jovens entre 15 e 19 anos encontram-se matriculados, e a cada ano em torno de 25% concluem-no, no entanto, os indicadores de qualidade de ensino apresentam/parecem estar longe de indicar subsídios para que o aluno participe integralmente da sociedade, por isso há uma necessidade de ampliação nessa área de educação para que houvesse um crescimento.

Domingues et al (2000) nos diz que a grade curricular do Ensino Médio foi estabelecida inicialmente pela Lei n° 5692/71 e pela legislação complementar, sendo o núcleo formado pelas disciplinas Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira Moderna, Matemática, Biologia, Química, Física, História e Geografia, que ocupam quase toda a carga horária geral do curso. Atualmente, consta com as seguintes disciplinas: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física, Arte e Informática); Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias (Biologia, Física, Química, Matemática);
Ciências Humanas e suas Tecnologias (História, Geografia, Sociologia, Antropologia, Filosofia e Política).

O currículo para o Ensino Médio deve ser realizado/desenvolvido de uma forma coletiva, em cada unidade escolar, parte da elaboração de projeto político-pedagógico. Para a elaboração precisa se levar em conta a autonomia da escola, em suas dimensões pedagógica, a administrativa, jurídico e financeira (DOMINGUES, et al 2000).

2. A GESTÃO EDUCACIONAL E ESCOLAR

Em relação à gestão educacional e escolar, segundo Garcia (1987), entende-se por gestão educacional o conjunto de medidas que são adotadas para cumprir o que lhe é pertinente, sendo assim, entendido como a administração dos planos e programas de trabalho apresentados para o conjunto das instituições que realizam a educação. No campo educacional, é decidir o rumo que a educação deve seguir.

A gestão da educação, como tomada de decisões, utilização racional de recursos para a realização de determinados fins (Paro, 2000; Ferreira, 1999, 2004), necessita ser repensada e ressignificada ante a “cultura globalizada”, a partir dessa determinações e à luz dos compromissos com a fraternidade, a solidariedade, a justiça social e a construção humana do mundo. (FERREIRA, 2004, p. 1231).

Garcia (1987) afirma que a gestão educacional brasileira apresenta falhas por parte dos representantes governamentais. Ainda justifica como problemas a troca dos ministros de educação. Essa foi uma crítica do passado.

O que mais chama a atenção na gestão educacional brasileira é a sua descontinuidade. Reflexo da pouca importância que os dirigentes devotam à educação, o Ministério da Educação, desde que foi criado já teve 54 Ministros, entre efetivos e interinos. Levando-se em conta que o Ministério foi criado em 1931 fica fácil perceber que temos a média de um ministro por ano. A falta de tempo para elaboração de propostas mais consistentes transformou o governo federal num repositório de planos e programas concebidos aleatoriamente, sem vínculos maiores com as necessidades mais prementes do sistema educacional como um todo. (GARCIA, 1987, p.18).

Garcia (1987) esclarece que o governo federal possui a função de coordenar, planejar e equalização de oportunidades. No entanto, acrescentam as funções de avaliar como a Prova Brasil, Enem, Enade e de regulamentação como a definição dos Parâmetros Curriculares Nacionais das Diretrizes Curriculares Nacionais, entre outros.

De acordo com Dourado (2007), ocorre uma distorção com as políticas e a gestão educacional no Brasil, o principal ponto de partida é a questão da qualidade de ensino, gerando um desafio para o sistema de educação brasileira atualmente e sob as ações e programas das políticas educacionais.

Ainda para Dourado (2007), precisamos de um ensino de qualidade, que vise uma pedagogia voltada para preparar melhor os cidadãos participativos na sociedade, com senso crítico e democrático, apontar as falhas existentes hoje para buscar na educação um ensino de melhor qualidade a todos.

Souza et al (2009) comenta que a gestão educacional visa a participação dos atores sociais, em que o Estado compartilha o processo educativo com a sociedade, transferindo parte da responsabilidade do Estado à sociedade. As reformas político-institucionais e administrativas, sob argumentos da melhoria de ensino são diretamente responsabilidade do Estado.

De acordo com Paula et al (2008) a gestão escolar democrática é uma questão bastante discutida atualmente, pois se procura encontrar uma solução para a transformação no sistema atual de ensino. Passando de descentralização do poder, há uma necessidade da participação de todos no segmento da escola e da comunidade para envolver a sociedade como um todo.

Segundo Souza (2009), um fator importante que inviabiliza um ensino de qualidade é a desvalorização dos profissionais de educação, especialmente, os professores. Os desafios que enfrentam em seu início de carreira, a falta de estrutura e material nas escolas, extensas jornadas de trabalho e salas numerosas contribuem para que isso ocorra.

Como a autora nos diz, a escola é um ambiente responsável pelo conhecimento. Atualmente, em um mundo totalmente globalizado requer-se uma nova postura de transmissão desses saberes: alunos criativos, críticos, preparados para a área de mercado. Partindo desta ideia é necessária uma postura diferenciada dos gestores de escola, que passem a reformular estratégias, pois requer-se novas posturas no setor educacional.

O gestor escolar precisa romper com as barreiras entre a teoria e prática, repensar sua forma de administrar. Sendo o ponto de partida a gestão democrática onde todos possam participar deste processo, expor suas ideias e prioridades da escola. Exige um conhecimento do cliente que possui em sua escola, ocorrendo mudanças no ambiente em forma de adaptar a escola para um espaço livre de articular ideias. (PAULA, 2008).

A escola deve ser analisada como um ambiente agradável, com variedades de ideias.

A Escola como uma instituição que deve procurar a socialização do saber, da ciência, da técnica e das artes produzidas socialmente, deve estar comprometida politicamente e ser capaz de interpretar as carências reveladas pela sociedade, direcionando essas necessidades em função de princípios educativos capazes de responder as demandas sociais. (HORA, 1994, p.34).

Paula (2008) ressalta que uma gestão escolar deve ser democrática, que priorize a realização do ser humano, construído com a colaboração e construção da escola igualitária e participativa.

Atualmente, com tantas evoluções requer-se dos profissionais da educação um novo papel, que seja voltado para a formação de ambientes democráticos nas escolas, que haja mais participação de todos da comunidade e principalmente uma postura diferenciada da gestão escolar com visão ampla.

Ressaltando a ideia de uma escola mais participativa, cabe mencionarmos a gestão democrática que surge como ideal para solucionar as dificuldades apresentadas no ensino brasileiro e o acesso a todos. Entendem-se, como uma forma de administrar a escola atribuindo àqueles que fazem parte da mesma, participação ativa na tomada das decisões em relação à organização, políticas, metodologias, processos educativos, recursos financeiros; não ficando somente a cargo do diretor toda essa responsabilidade.

A ideia de democracia vem ao encontro de uma necessidade de criar meios em que toda a comunidade escolar venha a colaborar com a melhoria do ensino brasileiro.

É possível apontar instituições de ensino que poderiam ser modelo na construção do caminho para a democratização da escola pública. São aquelas que buscam, na construção coletiva, superar desafios e romper com a rotina burocrática. Longe de desempenhar uma função meramente burocrática, o Diretor vai estabelecendo um relacionamento entre “meios e fins” para superação na de escola problemas educacionais e administrativos. (GARBIN, 2009 p.2).

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n. 9.394/96, no art. 14., VIII, reforça o que foi posto na Constituição de 1988:

Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;
II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.

O diretor não deve somente tomar as decisões devidas na escola juntamente com os funcionários que nela trabalham, mas sim, estar certo da realidade da comunidade em que a escola está inserida, suas necessidades e interesses. Abrir as portas da escola a todos que fazem parte dela, para que os problemas enfrentados sejam cada vez menores e haja a valorização do ensino. Que todos os cidadãos façam parte dessa democracia, para que principalmente as elaborações das políticas educacionais tornem-se eficazes. E que os erros e acertos não se detenham somente ao diretor, e sim a todos em que nela participam.

Garbin (2009) afirma que a gestão democrática vem com a ideia de modificar o paradigma autoritário pelo democrático, dar oportunidade de os indivíduos, que estão envolvidos, libertarem seu potencial, mostrar seus talentos e sua criatividade, na solução de problemas cotidianos. Na gestão democrática, a participação de cada pessoa é fundamental, independentemente do nível hierárquico.

Vale ressaltar que antes da Constituição vir a explanar a importância da gestão democrática, existia um pensamento dessa necessidade anterior ao regime militar. Sendo que esta ideia teve que esperar por um longo período para ganhar força e, por fim, tornar-se o ideal das conquistas no nosso país. A partir de 1982, surgem partidos contra o regime militar, que vêm ao encontro das necessidades do povo brasileiro.

A gestão democrática surge com intuito de salientar a necessidade de uma participação de toda a comunidade escolar ou para debater as questões relacionadas a um ensino de qualidade, necessidades e interesses para que a escola atenda o que sua clientela necessita, caracterizando a importância da aprendizagem.

3. A ESCOLA PESQUISADA E SUA GESTÃO

A pesquisa foi realizada em uma escola estadual, mantida, portanto, pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul. Por estar no centro da cidade, recebe alunos de classes distintas, desde a classe média alta, até a classe baixa, de bairros pobres próximos ao centro, sendo sua clientela considerada mista.

Segundo o projeto político-pedagógico (2009), a escola prima pela gestão democrática, na qual todos têm seu espaço: colegiado, APM, alunos, professores, funcionários, comunidade. É a maior da rede Estadual e aberta à população em um modo geral. É a mais procurada para atividades extra-escolares, é procurada por voluntários, possui parcerias com alunos estagiários ao mercado de trabalho, pais são incentivados a procurar a escola com frequência.

A entidade possui disponível dezenove salas de aula, uma biblioteca, uma sala de leitura, uma sala de vídeo, duas salas de tecnologias educacionais, uma quadra coberta e uma descoberta, um laboratório de Ciências e, no ano de 2011, atendeu aproximadamente 1516 alunos. Possui uma extensão em bairro afastado e em parceria com a Rede municipal de Naviraí-MS oferece também cursinho pré-vestibular no período noturno.

Possui um quadro de funcionários internos de aproximadamente 100 pessoas, entre Direção, Coordenação, Funcionários Administrativos e Professores, todos possuem formação específica na sua atuação. Oferece aos alunos merenda escolar, serviços odontológicos, encaminha para um psicólogo, fonoaudiólogo ou médico oftalmologista quando necessário.

Como aponta o projeto político-pedagógico (2009), tem como filosofia de ensino a formação integral dos educandos, inserção dos educandos ao mundo tecnológico, participação efetiva dos professores e alunos nos laboratórios de informática, participação efetiva dos professores e alunos no laboratório de Ciências, diminuição dos índices de evasão e repetência, aumento do quadro profissional efetivo, desenvolvimento de projetos em todas as áreas de conhecimento e consolidação das Jornadas Pedagógicas.

Sendo o objetivo geral para o Ensino Médio, de acordo com o projeto político-pedagógico, consolidar e aprofundar os conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental, possibilitando o prosseguimento dos estudos, a participação efetiva como agente transformador social e a preparação básica para o trabalho e para a flexibilidade de adaptação às novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento superior.

Os dados apresentados a seguir foram obtidos mediante a uma entrevista concedida pela gestora atual da Escola Estadual do município de Naviraí-MS, com enfoque na contextualização da gestão em todos os campos em que ela atua: educacional, escolar e democrático.

4. DISCUSSÃO DOS DADOS COLETADOS

Tabela 1: Tabela de perguntas realizada na entrevista com a gestora.

1) Concepção gestão escolar. 2) Dificuldades e facilidades do cotidiano. 3) A política filosófica norteadora do trabalho. 4) Especificidade da gestão na escola de Ensino Médio.
É saber enxergar cada parte da escola como importante, dar importância para cada situação, é não impor nada, direcionar o grupo para uma direção, não exigindo nada sem participação de todos. Temos mundos bem diferentes como: administrativos, merenda e professores.

Outro ponto é a extensão de pessoas que se trabalha e por ser muito numerosa a escola

A democracia acima de tudo e a participação de todos, com ajuda de todos os professores e o que eles acham melhor, não perder nunca esse foco. Tudo é destinado somente ao Ensino Médio, mas temos um oitavo e nono de manhã para quem está se encaminhando para o Ensino Médio.

 

5) Prioridade do Projeto Político-Pedagógico. 6) Dados levantados nas avaliações. 7) A escola dos seus sonhos.
O PPP é um documento essencial da escola, pois lá irá encontrar que na gestão o que se prioriza é a administração democrática, a avaliação e a filosofia que visa que o aluno venha a se tornar um excelente cidadão. É trabalhado na escola, com a participação em olimpíada de matemática, trabalha-se com os alunos no Enem, o que tem melhorado os resultados das notas. Acredito que facilitaria muito se o gestor tivesse um assessor que trabalhasse com o cargo da parte financeira, para cuidar da parte burocrática. E ter uma equipe multidisciplinar na escola.

Fonte: Autoras.

Como pode-se observar na primeira pergunta, ela relata que gestão é algo amplo e que precisa estar constantemente interagindo com todos os setores da instituição, pois é o gestor quem define tarefas, para que assim se possa cumprir um bom andamento das atividades na escola. Na questão seguinte, ela aponta que precisa ser uma boa articuladora entre os vários setores que uma instituição possui, pois cada qual apresenta perfil e características próprias que precisam ser levadas em consideração, devido ao motivo de que uma instituição não pode caminhar sem se ter união um com outros.

Percebemos pela sua conversa durante a entrevista que ela realmente procura ter um comprometimento com toda a comunidade escolar e aberta para todas as questões que possam surgir nesse âmbito.

Se for analisada suas ideias, verifica-se que gestão é isso mesmo, requer enfrentar desafios, e romper com a teoria e prática diária de salas de aulas. Como ela mesma cita, com a participação de todos tanto funcionários como sociedade.

Com relação à filosofia da escola, ela realmente é condizente ao conceito que verificamos de democracia que conta com a participação de todos os envolvido na escola, com compromisso com a educação e a possível apresentação de soluções aos problemas vivenciados.

Ressalta-se que no projeto político-pedagógico existe uma especificidade do Ensino Médio, tanto como objetivo geral como específico, que está totalmente voltado aos desenvolvimentos das disciplinas de uma forma que proporcione um conhecimento de mundo real a eles, não sendo a resposta que se obteve na conversa.

O projeto político-pedagógico é sem dúvida um dos maiores documentos que se tem na escola. Como ela ressalta, é um dos documentos com detalhes minuciosos, que requer a participação de todos da escola, que visa a colocação da prática dessas ações nas suas atividades.

A escola procura desenvolver atividades que desenvolvam a aprendizagem dos alunos da melhor forma possível, estimulando a participação em olimpíadas e a avaliação do Enem, o que tem proporcionado à escola um bom resultado. Como a direção aponta, ela e os professores procuram estabelecer numa flexibilidade com os alunos do período noturno, pois se houver uma grande cobrança por parte deles, eles não conseguem executar as atividades propostas fora de sala de aula devido ao fato de trabalhem, resultando em um alto índice de evasão.

E que não se pode fazer um bom trabalho sem a ajuda de outros profissionais para que realmente possam atingir as necessidades que são cabíveis a escola, e que acabam sendo de total responsabilidade dela.

É possível concluir que há ainda certa importância dada à parte burocrática da escola, já que ela só pode caminhar a partir desses registros, tanto na parte financeira e pedagógica. Não perdendo o foco no seu principal produto: o aluno. Se a escola não estiver de acordo com o que o seu aluno busca, não importa os atrativos que ela possa possuir, sempre haverá evasão.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No presente trabalho observou-se as mudanças realizadas no Ensino Médio, que há muito tempo deixou de ser um ensino preparatório simplesmente para o trabalho, uma escola tecnicista, e se tornou um ensino voltado para formação de cidadão que atendam a necessidades de uma sociedade totalmente tecnológica, onde cada vez mais requer novo perfil de profissionais.

A partir da LDB o Ensino Médio passou a compor a Educação Básica que tem como finalidade assegurar aos alunos sua formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. A ideia da Lei é resgatar a natureza essencialmente cultural do Ensino Médio, articulando formação geral e científica, aprimorando o educando para o convívio em outras culturas e respeitando as diferenças de cada individuo ou grupo.

De acordo com os dados obtidos, percebemos que estava havendo por parte de todos os envolvidos da instituição uma gestão voltada para a democracia, visando sempre às habilidades e o desenvolvimento dos alunos como nos recomenda a constituição e as leis da educação.

Essa é a ideia de uma gestão democrática, que permite à escola tomar decisões que sejam adequadas a sua realidade e o lugar onde está instalada. Nenhuma escola ou instituição consegue trabalhar sozinha, tampouco sem ajuda do governo, ambos devem estar sempre unidos para que se possa realizar uma educação de qualidade. Trabalhando assim, a escola se fortalece como um todo.

Para que as escolas se tornem totalmente democráticas, precisam passar pelo processo de conscientização por parte de todos os envolvidos na instituição, e a sociedade passe a ter consciência que, para tornarmos um país com alunos críticos, necessitamos desse processo para podermos avançar uma qualidade do ensino.

Precisamos de gestores com consciência ao administrar as escolas, que tenham o mínimo de noção de como se deve atuar na gestão democrática, e que visem programas para atrair os pais e membros da comunidade em participação com a escola.

REFERÊNCIAS

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FERREIRA, N. S. C. Repensando e ressignificando a gestão democrática da educação na “cultura globalizada”. Educ. Soc. [on-line]. 2004, v. 25, n. 89, pp. 1227-1249.

GARBIN, T. ALMEIDA, J. Gestão escolar democrática: limites e possibilidades – uma discussão sempre necessária. Disponível em: http://www.diadiaeducação.pr.gov.>. Acessado em: 25 out.2018.

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HORA, D. L. Gestão democrática na escola. São Paulo: Papirus, 1994.

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KUENZER, Ensino de 2º grau: o trabalho como princípio educativo. 3º edição. São Paulo: Cortez, 1997.

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NAVIRAÍ-MS- Pros posta Política Pedagógica, Escola Estadual Presidente Médici, ano 2009.

PAULA. R.L. Schneckenberg. M.Gestão escolar democrática: desafio para o gestor do século XXI.Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3, nº1, março de 2008.

SOUZA. L.A. SIVIERI. L.M. SCHENKEL. C.A.S. Crise da Gestão Educacional no Brasil. Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Docência na Educação Superior da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Uberaba – MG 2009.

[1] Graduada em Pedagogia e pós em: Educação Infantil e Series Iniciais e Educação Especial e Inclusão.

[2] Pós em: Educação Infantil e Series Iniciais.

[3] Pedagoga com pós em: Educação Especial, Educação Infantis e Series Iniciais e Psicopedagogia.

[4] Graduada em Pedagogia e letras com pós em: Educação Especial, Educação Infantil e Series Iniciais e em Língua Portuguesa.

[5] Pedagogo com pós em andamento em Educação Infantil e Series Iniciais.

[6] Graduada em Educação Física.

[7] Pedagoga e Artes Visuais com pós em: Educação Infantil e Series iniciais do Ensino Fundamental, Educação Especial, Neuropedagogia e Pedagogia Social.

Enviado: Abril, 2019.

Aprovado: Outubro, 2019.

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