O Ensino De Japonês Como Língua Estrangeira Através De Materiais Online Autodidáticos E Suas Possibilidades

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ARTIGO ORIGINAL

LIMA, Leonardo Teixeira Miyamoto de [1], BARBIERI, Sueli Caraçço [2]

LIMA, Leonardo Teixeira Miyamoto de. BARBIERI, Sueli Caraçço. O Ensino De Japonês Como Língua Estrangeira Através De Materiais Online Autodidáticos E Suas Possibilidades. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 05, Vol. 05, pp. 191-208. Maio de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/ensino-de-japones

RESUMO

A evolução de novas metodologias no ensino de línguas tem traçado novos perfis de alunos, com habilidades desenvolvidas no que o material em especifico pode oferecer. Quando abordamos o tema “autodidatismo” isso se intensifica, pois com um enorme aliado como a internet, a atualização e o acesso a materiais de estudo se tornam extremamente fáceis. Focado no ensino de língua japonesa, o trabalho foi elaborado com uma pesquisa documental relativo ao ensino de japonês como LE e sua utilização hoje como material autônomo em ambiente online. Após um melhor esclarecimento relativo à metodologia, complementou-se com uma pesquisa de campo através de uma entrevista à vários alunos que utilizam como forma de estudo estes materiais disponíveis na internet. Como resultado, junto a uma reflexão sobre o papel do professor a frente a estes materiais, chegou-se a uma melhor compreensão de como estes materiais e as metodologias são utilizados por estudantes autodidatas e universitários, e de que forma são melhor aproveitadas e colocadas em suas rotinas de estudo.

Palavras-chave: Material, Autodidatismo, Online, Língua japonesa.

1. INTRODUÇÃO

O artigo reflete sobre os materiais autodidáticos em japonês como LE, seus alunos, efeitos, bases, resultados e suas possíveis evoluções usando a metodologia em ambiente online. A pesquisa está delimitada baseando-se no material disponível fora e dentro da internet na área do autodidatismo, levando em conta alunos que estudam a língua japonesa como LE. Com uma pesquisa documental, foram utilizados trabalhos sobre o assunto com autores brasileiros, japoneses e portugueses com foco no aprendizado da língua japonesa de forma autônoma. O tema se limita a entender como essa metodologia ajuda o aluno atual e quais serão suas possibilidades no futuro com o avanço continuo da internet visto cada vez mais a facilidade de encontrar e utilizar essa nova forma de estudo e esses tipos de estudante. Como conclusão parcial a se buscar, o artigo explana e evidência as possibilidades do autodidatismo no ensino de japonês como LE comparando as pesquisas documentais e de campo feitas, chegando assim, a resultados de suas capacidades como material no ensino autodidático de japonês como LE junto a nós professores e como devemos encarar estes materiais e essa metodologia.

2. O ENSINO DE JAPONÊS NO BRASIL

2.1 A ENTRADA DA LÍNGUA JAPONESA NO BRASIL

Segundo Aiko (2006, p.1) “No Brasil, podemos considerar inicio do ensino da língua japonesa coincidente com o inicio da imigração japonesa”. Podemos colocar que os imigrantes não deixaram suas raízes de lado e continuaram o aprendizado do idioma nativo. Assim como coloca Aiko (2006, p.1)

O ensino realizado com o material didático utilizado pelas crianças japonesas era plenamente satisfatório, pois as primeiras gerações de descendentes de japoneses, em sua grande maioria, tinham língua japonesa como língua materna.

Mesmo em solo brasileiro a utilização e estudo do idioma japonês eram intensos a ponto de manter todos os descendentes nascidos no Brasil com a língua portuguesa como segunda língua. Principalmente, reuniam todas as crianças da colônia que em sua grande maioria foram filhos e netos de japoneses nascidos no Brasil. A aula era ministrada com o uso de material das escolas japonesas no qual os principais pontos eram a escrita e leitura, pois já havia a comunicação em casa e no dia-a-dia. (NAKAYAMA, 1992)

2.2 O ENSINO DE JAPONÊS PARA BRASILEIROS

Como coloca Aiko (2006 p.1)

As pessoas de segunda geração em diante, mormente se afastaram do núcleo familiar por motivos de estudo e/ou trabalho, deixaram de praticar a língua japonesa. (…) Os descendentes da terceira geração em diante, em geral, não fazem uso da língua japonesa em seu cotidiano, nem no restrito círculo familiar.

Assim podemos entender que em duas gerações, não temos tantos alunos descendentes como antigamente. Os estudantes antes que vinham de berço com a língua japonesa, hoje deram lugar a um aluno que adquire o japonês como língua estrangeira, doravante LE. Aiko (2006, p.2) afirma;

Isso fez com que o ensino da forma que estava correndo, ou seja, uma maneira muito próxima do ensino de língua materna, não suprisse mais as necessidades dos estudantes, fazendo com que professores e especialistas começassem a procurar por novas metodologias e materiais adequados para atender a esse novo tipo de clientela. (…) de forma que descendentes também passaram a se interessar por sua economia. Politica, cultura, língua e religião, para citar apenas alguns aspectos de interesse.

Junto à mudança de alunos, naturalmente a mudança de abordagens em sala de aula se torna inevitável. Assim como inicialmente tínhamos alunos quase “nativos”, seguindo para um aluno “estrangeiro”, hoje temos alunos que adquirem como LE o idioma japonês de forma autônoma. A cada geração as metodologias de aprendizado mudam seja por aluno ou por algum avanço tecnológico, devido a essas questões, pesquisadores e professores estão em constante criatividade, elaborando metodologias das quais possam formar alunos com cada vez mais possibilidades na área de estudo. Na língua japonesa isso não é diferente, pois ao mesmo tempo vemos um aumento na área segundo Aiko (2006, p.2)

Hoje em dia, existem grupos de pesquisadores com atuação dentro das universidades que tratam de Japão em vários aspectos, sua língua e cultura tendo como foco o ensino para estrangeiros. (…) Além de universitários interessados de estudar o Japão e no Japão, hoje em dia boa parte da clientela dos cursos de língua japonesa é movida pelo interesse em manga e anime japoneses.

A evolução da área de pesquisa ao redor do Japão e seu idioma proporciona hoje uma maior escala de estudos das metodologias de ensino de sua língua como LE. Pois considerando não somente seu envolvimento com o Brasil mas a crescente busca por suas áreas de estudo, entendemos que mais e mais alunos ainda procurarão o japonês seja para diversão ou pesquisa.

2.3 OS MATERIAIS AUTODIDÁTICOS ONLINE

A facilidade de obtenção da informação que pode ser adquirida em segundos e até gratuitamente, trás a grande possibilidade de adquirir conhecimento somente com alguns cliques. Não é de se impressionar que hoje as informações são extremamente compartilhadas, ao ponto de conhecer um país todo sem mesmo ido visitá-lo. Assim como podemos ver com Silva (2017, p.1)

Com a possibilidade de digitalização de livros, revistas, teses, artigos, dentre outros, e o acesso à internet, é possível que uma pessoa comece a leitura de um arquivo compartilhado por outra, que está a milhares de quilômetros da primeira, em questão de segundos. Etapas de revisões bibliográficas – que demoravam semanas apenas para se conseguir o acesso manual aos artigos e teses – hoje podem ser reduzidas a minutos. Desde que compartilhada livremente, a informação se tornou significantemente mais acessível e mais aberta nas últimas décadas.

Com uma rede que faz o trabalho de informar ao seu usuário as principais pesquisas do que ele procura e lhe dá a escolha de filtrar o conteúdo a ser absorvido, entram então, nossos alunos alvos que colocamos como autodidatas. Segundo o site Dicio (2012) a palavra autodidatismo se define como; “Capacidade de instruir-se sem o auxílio de um mentor ou de professores”. Somente com essa frase já podemos comprovar que a internet pode ser um enorme auxilio a alguém que procura estudar de forma autônoma. Dentro desta evolução, nós professores, estamos lidando hoje com alunos que procuram metodologias inovadoras e fáceis, com objetivos e gostos específicos na área. Com uma rotina acelerada pela tecnologia que apresenta perguntas em “segundos”. Como coloca Aiko (2006, p.3);

Esses fatos mostram que, de ano a ano, tanto o objetivo dos que procuram o aprendizado da língua japonesa quanto o perfil da clientela tem mudado. Qual quer que seja o objetivo de estudo, todos os que têm procurado o ensino de língua japonesa têm interesse em aprender o máximo num mínimo de tempo. Cabe, então, à instituição de ensino juntamente com o seu colegiado de professores procurar recursos e metodologias que permitam atender a esses anseios.

Com uma geração que procura itens com resultados imediatos, é natural que a mesma procure um curso com resultados rápidos. Sabemos que mesmo perante uma infinidade de metodologias, não existem abordagens com aulas de enormes até mesmo pela sua limitação na absorção do conteúdo devido ao interesse e motivação do aluno. Apesar dos casos, possuímos possibilidades nos matérias autodidáticos online nesse quesito. Questões como, avançar em seu ritmo ou um material disponível por 24 horas já ajudam o aluno a seguir progredindo mais rapidamente em busca de seu objetivo. Ainda somado a uma grande variedade de aplicativos lúdicos do idioma, a variação e o interesse podem prolongar o estudo em muito mais tempo.  Assim como coloca Fraga (2015, p.10)

Texto escrito, vídeo, imagem, música, realidades virtuais, softwares, hiperlinks são alguns tipos de mídias e textos que se entrecruzam em ambiente virtual, mas que podem, eles mesmos, apresentarem diferentes formatos, planos estéticos e organizações. Se ficarmos com o texto, em sua acepção lata, por exemplo, nada se mostrará mais amplo que a internet para receber e vincular suas variadas formas de apresentação.

A inacabável forma de apresentação de conteúdo faz com que a metodologia autônoma ganhe força e todo aprendizado possa ser mais facilmente absorvido, tornando uma aula intensiva de horas em conteúdos de assimilação descontraídas. Como coloca Fraga (2015, p.9), “Na internet, um mesmo tema pode perambular por diversos espaços, mídias e discursos exigindo o agenciamento de saberes diversos e de diferentes capacidades de leituras.” Todo conteúdo acaba desenvolvendo várias especificidades e uma forte maleabilidade de formas de abordagem. O ensino de línguas estrangeiras se mostra bem farto nas redes de internet para alunos que procuram estudar sozinhos. Com uma globalização sem limites, um segundo idioma acaba se tornando extremamente necessário. Seja por qualquer motivo, buscamos naturalmente hoje os mais variados idiomas por uma necessidade pessoal ou profissional. Araújo (2018, p.3) afirma sobre esta informação;

Outra característica inerente aos praticantes da autodidaxia é que o meio, por vezes, é mais importante que o fim. Para o autodidata, o processo da busca de informação é mais gratificante do que a obtenção do dado procurado. A exigência de diplomas faz com que o autodidata, hoje, canalize seu interesse para um hobby, ao contrário dos antigos, que desenvolviam os seus conhecimentos sozinhos e não precisavam de um diploma para filosofar ou para criar suas teorias.

A procura pela língua vem de necessidades acadêmicas ou curiosidades segundo Araújo (2018, p.3 – 4)

Contudo, vale ressaltar que outros autodidatas começam a estudar pela necessidade de complementar a sua formação acadêmica fora da sala de aula. (…) Muitos autodidatas procuram a aprendizagem não guiada para satisfazer determinadas curiosidades, como, por exemplo, traduzir uma música, ou conhecer outras culturas, no caso específico das LE (línguas estrangeiras) e das variantes dialetais.

No caso especifico das línguas, a cultura acaba se tornando uma grande porta de entrada para muitos alunos. Assim como visto no caso da língua japonesa, a cultura em si é uma das maiores portas de entrada no momento. Junto a isso a praticidade da internet auxilia vários alunos em sua procura por sua segunda língua como complementos acadêmicos ou hobbies no grande leque de opções e apresentações de conteúdo que se pode encontrar em rede mundial.

2.4 O AUTODIDATISMO E A LÍNGUA JAPONESA COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA

O Japão hoje possui uma das melhores qualidades em quesito de conexão de rede de computadores chegando a proporcionar uma enorme troca de cultura e idioma sem igual em suas metodologias para estrangeiros. Nossa metodologia alvo, a autodidaxia que segundo Dicio (2019) se trata de; “Aprendizado sem mestre” no qual podemos colocar que são materiais livres e autônomos no geral. Uma grande parte destes alunos não se reconhece como, porém o simples fato de fazer um curso a distância, pesquisar a fundo sobre uma curiosidade ou um tema, estudar por conta para melhorar seu desempenho já são fundamentos de um autodidatismo. Assim como coloca Araújo (2018, p.4)

Muitos alunos adeptos de cursos à distância, vinculadas ou não a uma Instituição de Ensino Superior, a cursos apostilados, a telecursos, a reciclagens profissionais, por exemplo, não se reconhecem autodidatas, entretanto praticam claramente a autodidaxia a partir do instante em que são tomados pela vontade de conhecer.

O aprendizado de Japonês como LE de forma autodidática vem crescendo em grande ritmo segundo a pesquisa de um dos grandes nomes na área; o professor Masami Ikeda (2016, p.70), no qual coloca:

O crescimento da internet e da tecnologia móvel trouxeram mudanças ao cenário que gira em torno do aprendizado de línguas estrangeiras. Com a proximidade de modos de aprendizado de idiomas estrangeiros, não somente a língua japonesa, mas aumentou muito a oportunidade para estudar vários idiomas devido ao fácil acesso até mesmo a nativos da língua.  (…) Pela adição da nova opção (autodidatismo), não somente a diversidade de aprendizado no histórico dos alunos, mas igualmente o número de alunos autodidatas e suas habilidades tem obtido um aumento repentino nos últimos anos. (tradução nossa)[3]

Com uma maior demanda devido a celulares e outros aparelhos, o autodidatismo tem se tornado uma opção fácil e descontraída para procurar aprender uma LE. Muitas vezes, com jogos e materiais lúdicos, acaba se tornando divertido aprender um novo idioma, pois o mesmo é abordado não como uma tarefa, mas sim como um lazer. O ponto mais importante é que muito destes alunos, seguem uma trilhagem de aprendizado que ultrapassa as salas de aulas, chegando a desenvolver as 4 habilidades somente com uma rotina de materiais baseados na autodidaxia. O que nos coloca hoje em uma teoria de que as possibilidades tem se aumentado de tamanha forma, que no futuro as salas de aula possam se tornar em sua maioria totalmente online. O professor Ikeda (2016, p70) mostrou em seus resultados;

Dentre os alunos, temos estudantes de mestrado que não possuem históricos de aulas do idioma japonês em seu currículo, ultrapassando a compreensão e já adquirindo até mesmo as 4 habilidades no idioma. Nos decorrentes anos, somente com o estudo autodidático, tem aumentado casos de alunos com um japonês mais preciso, fluente e redações excelentes chegando aos níveis avançados da língua. Isso é algo que não era possível nem de se imaginar no passado. (tradução nossa)[4]

Em sua pesquisa o professor Ikeda (2016) analisou o nível autônomo de universitários do Instituto de tecnologia de Massachusetts. Em seus gráficos ele pesquisou o número de alunos que estudaram ou estudam sozinhos antes mesmo de sua matricula no curso. Além de um enorme aumento nos estudantes que usam a metodologia, foi descoberto que basicamente haviam dois modelos de alunos. Os iniciantes e os avançados que pulavam de nível diretamente através dos estudos sozinhos.

Podemos dividir os autodidatas que se matriculam em nosso curso em dois modelos. Os que sem experiência nenhuma “iniciam do 0” e os que após iniciarem, nas férias e dias sem aula, estudam sozinhos todo o conteúdo a frente, pulando vários níveis. Os “Adiantados” (tradução nossa)[5]

Os alvos de pesquisa mostram segundo Ikeda (2016, p.73) alguns pontos. Os alunos iniciantes possuem como motivação, os hobbies (animes e musica) enquanto os alunos avançados somente procuram aprender mais rápido o conteúdo. No geral a tabela mostra que os alunos iniciantes trabalham mais com o material fora do curso utilizando, filmes, Skype, redes-sociais e aplicativos de celular abordando o conteúdo que interessar no momento. Enquanto os alunos adiantados estudam com o material que foi passado o conteúdo a seguir. Segundo o professor Shirai (2008);

O tempo de estudo do aluno e seu nível de língua nem sempre são proporcionais. Porém, existem algumas claras similaridades entre os alunos autodidatas que chegaram até o nível médio avançado da língua japonesa. São eles, 1) Por gostar é que se aprende, 2) Continuar é a principal chave 3) Uma enorme causa de Input resulta em Output 4) Flexibilidade (tradução nossa)[6]

Entendemos então que estes alunos, assim como colocado anteriormente por Araújo (2018), muito se vem de hobbies e interesses específicos. O primeiro ponto mostrado pelo professor Shirai (2008, p34) é realmente refletido isso, ao ponto que mostra ser a base de continuação de muitos alunos no estudo. Como segundo ponto mostra que criar uma rotina de estudos mesmo que inconsciente disso, como por exemplo, deixar suas redes sociais em língua japonesa, assistir filmes ou escutar musica acaba se tornando um ponto importante pelo o estimulo continuo. Como terceiro ponto ele explica:

A maioria dos autodidatas utilizam uma grande parte de seu tempo tentando inicialmente absorver o idioma japonês por completo. Com o aperfeiçoamento da escuta no decorrer do tempo, aos poucos utilizam o que absorveram a medida da necessidade. (tradução nossa)[7]

Os estudantes absorvem o máximo de informações possíveis e com a confiança usam no momento apropriado ou seja um imenso “input” que causa um “output” de informações. Referente ao quarto item Shirai (2008, p.57) explica;

Estudiosos autodidatas têm a flexibilidade de absorver todo o idioma japonês sem analisá-lo ou compará-lo com outros idiomas. Um exemplo disso é memorizar as legendas de desenhos japoneses. Além disso, pode-se dizer que existe uma consciência muito alta de aceitar o japonês sem questionar e tentar adquirir o japonês de forma natural que chegam até eles. (tradução nossa)[8]

Podemos refletir que a flexibilidade de simplesmente escutar ou ler uma frase em japonês e somente adquiri-la é um dos pontos cruciais desses estudantes. Não ficar preso a regras e simplesmente tentar utiliza-la mesmo que errado e sem medo acaba se tornando um grande item que auxilia no avanço dos mesmos. Como resultado, o professor destaca que o aumento destes alunos é esperado segundo suas pesquisas. Entender esta transformação na sala de aula é um dever nosso, assim como coloca Ikeda (2016, p.78)

È esperado que nos seguimentos dos anos, cresçam cada vez mais o número de estudantes autodidatas. É deduzível que muitos professores de japonês através da tentativa e erro passarão por muitos desafios ainda nessa área de ensino. (…) Para os professores isso é uma chance de trabalhar a autonomia do estudante e desenvolve-la.  Para criar assim um ambiente onde os alunos que já tem essa autonomia possam ensinar uns aos outros, assim trabalhando com a colaboração entre o aprendizado dentro da universidade e fora dela. (tradução nossa)[9]

Cabe a nós como tutores então, entender o processo de evolução desses alunos e fazer com que não somente a metodologia, mas também a sala de aula se torne um ambiente propício e vantajoso para sua evolução no idioma.

2.5 OS MATERIAIS AUTODIDÁTICOS DE JAPONÊS

Com o impacto mundial que o Japão causa seja por sua cultura ou poder como potência, sua língua tem ganhado maior espaço entre os estudantes. Hoje possuímos uma extensa possibilidade de materiais da área de línguas estrangeiras. Com poucos cliques podemos encontrar sites de ensino de japonês online completo e gratuito, sendo alguns deles, até oferecidos por organizações japonesas. Além deste ainda possuímos comunidades de aprendizado de línguas em redes como o Facebook e Instagram, aplicativos gratuitos de celulares com jogos sobre o idioma para aprendizado e por fim programas de vídeos com legendas para um completo desenvolvimento das 4 habilidades. Os alunos de japonês como LE, utilizam algumas táticas segundo Ikeda (2016), Aqui temos modelos clássicos de exemplos como a utilização de animes, músicas e filmes. Segundo o professor a legenda que aparece é pesquisada pelos alunos fazendo com que a não somente tenham um exemplo real da entonação mas igualmente da escrita. O ponto de maior proveito segundo ele seria a pesquisa de palavras pelos alunos devido ao interesse.

  • Para Conversação;

Comumente são utilizadas plataformas como Skype, Twitter, Facebook, Instagram e Line nesta parte. Com elas os alunos tem contato ao vivo com japoneses, praticando entonação e fluência. A maior curiosidade aqui, se trata de que os alunos que não possuem amigos nativos ou colegas no idioma, usam assistentes digitais disponíveis no celular e computadores como a “Siri” ou “Ok Google” para conferir sua fluência no idioma. Caso o assistente digital não reconheça a palavra, eles checam a forma de fala e suas dúvidas através de vídeos. Alguns alunos responderam que conversar sozinho é efetivo igualmente.

  • Para Escrita (Ideogramas e Gramática japonesa);

Em sua maior parte são utilizados, blogs, grupos de japonês em redes sociais e aplicativos de celulares. O interessante aqui seria o fato de que muitos desses aplicativos são escolhidos baseados nas amizades do aluno e motiva-o através de pontuações e competições entre seu ciclo de amizades. Os aplicativos são inteiramente completos, ensinando a escrita, ordem de traços e até mesmo com desafios diários e estímulos lúdicos. Vale relembrar que aqui se pode ver o comentário do professor Shirai (2008) referente à simplesmente aceitar o idioma sem ver suas regras gramaticais. Os aplicativos tem exatamente este papel nesta parte, reforçando o conteúdo adquirido sem nenhuma explicação gramatical ou linguística. Como forma de fixação, a interação em redes sociais com japoneses através de responder e ler comentários de nativos sobre os mesmos tópicos.

Podemos ver que os materiais autodidáticos online gratuitos suprem muito bem o que se procura pelos alunos desta metodologia, pois com a criatividade e inovação muitos destes recursos se mostraram altamente proveitosos no ensino.

2.6 ENTREVISTA A ESTUDANTES AUTODIDATAS DE JAPONÊS COMO LE E SEUS RESULTADOS

Através de um questionário, abordaram-se alunos de um grupo de aprendizado de língua japonesa como LE em rede social. Muitos destes utilizam o material disponível pela internet e estudam de forma autônoma. Procurou-se então fazer e destacar as seguintes questões. 1) Como iniciou o aprendizado da língua, 2) Seu tempo de aprendizado, 3) Se possui proficiência ou seu nível na língua, 4) Se utiliza ou utilizou materiais autodidáticos, 5) Quais recursos autodidáticos e se são provenientes da internet, 6) Quais foram os pontos fortes/fracos e se recomendam.

Utilizando o “Google formulários”, foi montado o presente questionário via internet visando um maior alcance da pesquisa. Disponibilizado em 4 rede-sociais, os questionários alcançaram mais de 60 indivíduos que estudam a língua japonesa como LE. Em sua primeira questão observa-se que 56,9% dos alunos começaram seus estudos da língua por alguma escola de idiomas. Apesar de ser a grande maioria, 17,2% responderam “Sempre estudei sozinho” e 8% fizeram cursos online segundo o questionário. Mesmo com o recente avanço dos materiais online e autodidáticos, percebe-se pelos números, a evolução pelas escolhas desses materiais autônomos. O tempo de estudo no idioma dos alunos pesquisados em sua grande maioria se dividem em dois principais pontos, sendo; “menos de um ano” e “mais de 5 anos” formando quase metade dos alunos pesquisados. Mais da metade dos mesmos não possuem proficiência na língua, mas grande parte se nivela como “Iniciante” ou “Iniciante – médio”. Indiferente dos níveis, tempo ou proficiência, 88,1% dos alunos já utilizaram algum método onde estudou a língua japonesa sem o auxílio de professores ou seja baseados na autodidaxia. O principal é que 92,9% destes alunos que responderam esta questão, também afirmaram terem utilizado a internet para tal forma de estudo. Fica então claro que nos dias de hoje as relações entre autodidaxia e internet são extremamente fortes pelo grupo pesquisado.

Dentre os principais materiais temos; Filmes, animes e similares (72,7%), Aplicativos de celular (70,9%) e vídeo aulas (70,9%). Logo ainda atrás vemos; Livros (65,5%), Musicas (50,9%) e Redes sociais com (29,1%). Uma parte que também relaciona isso, seria a opção “outros” no qual o estudante poderia escrever seu material fora das opções. Aqui podemos ver que a maioria deles escreveram opções como aplicativos e métodos autodidáticos pela internet como “Websites” e “Jogos”.

Para a pergunta “Na sua opinião, quais foram as vantagens de estudar a língua japonesa autonomamente?”, em principal resposta, podemos ver vários estudantes tocando em questões como “horário” e “ritmo”. A possibilidade de aprender um idioma em um horário confortável, e ainda por cima poder escolher estudar sem pressão ou em um ritmo mais acelerado é o principal atrativo destes alunos. Podemos ver que assim como alguns não gostam das pressões das provas e gostam de um ritmo mais calmo, outros afirmam serem ajudados pelos aplicativos por ficarem a frente no conteúdo. Ainda hoje então podemos entender que ter um conteúdo maleável para estudo e ainda poder se programar para uma rotina, acaba sendo um maior atrativo que o fator financeiro no geral. Para a pergunta “Por outro lado, houveram desvantagens de estudar a língua japonesa autonomamente? Como principais comentários pude ler; “Dificuldade para tirar dúvidas”, “Procurar um material bom”, “manter foco”. Acredito muito que apenas estamos iniciando um trajeto pelo materiais autodidáticos online, que segundo minha pesquisa mostrou até aqui um grande crescimento. Com a média de sua evolução, pontos como uma rota de estudos, com auxilio de aplicativos que tirem as principais dúvidas e jogos com desafios diários possam resolver tais problemas vistos. O grande ponto é que em apenas alguns anos evoluímos até um grande nível, sendo que com vozes como a dessa pesquisa possamos evoluir mais e mais com estas recomendações.

Como última pergunta da pesquisa, explicitou-se “Por fim, você recomenda a utilização destes materiais autodidáticos? Por quê?”. A grande maioria colocou como resposta “sim” explicando que além da praticidade, horários, ritmo, rotina, fixação e rotas de estudo. Já a minoria que respondeu “Não” informa questões como; Não ter disciplina e fácil desistência. Como as duas partes colocam, a vontade de aprender o idioma influência muito no aprendizado do mesmo. Sem supervisão, o estudo acaba sendo por dedicação dos alunos que precisam ter em noção a motivação para o seu avanço no idioma.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da coleta de dados acima explicitada, compreende-se que a grande maioria dos pesquisados mostra que apesar de grande parte terem advindo de escolas de idiomas ou terem estudado sozinhos, mais de 80% utilizaram meios autodidáticos para evolução de seu aprendizado no idioma. Quase 100% dos mesmos que utilizaram tal método, optaram pela internet para sua evolução independente de seu nível ou tempo no idioma. Entender que mesmo alunos com mais de 5 anos de estudos no idioma ou alunos que acabaram de iniciar possuem como um de seus recursos estes materiais provindos da internet, nos faz refletir que sua evolução, utilização e propagação está avançando dentre o aprendizado de japonês como LE.

Após a pesquisa documental mostrar a imensa variedade de materiais autodidáticos junto à criatividade dos alunos com a pesquisa de campo, entende-se que muitos destes métodos são em uma alta porcentagem utilizados por todos os tipos de alunos dentro do grupo pesquisado. Apesar de um maior destaque como “material de apoio” os materiais autodidáticos, possuem a importante função de estudo complementar, com uma grande assistência no quesito “tempo” e “ritmo” do aluno. Acredita-se que a produção de materiais através da internet e de forma gratuita aumentará rapidamente, com novas formas de enfatizar seus pontos fortes e mais comprados pelos alunos. Sendo de rico potencial, daqui em diante o estudo da autodidaxia pode ajudar consideravelmente na produção de materiais que estarão por vir, no qual com a evolução das redes de conexão existentes pode alcançar formas de aprendizado mais rápidas e fáceis a cada ano.

REFERÊNCIAS

DA SILVA, Ricardo Araújo, Autodidaxia: Autoconhecimento e Conhecimento Ed Realize, Revista, 2018. Disponível em: < http://www.editorarealize.com.br/revistas/conedu/trabalhos/TRABALHO_EV117_MD1_SA17_ID10017_10092018150756.pdf> Acesso em 12 de dezembro de 2019.

DE OLIVEIRA, Ana Amélia Furtado. Ensino-aprendizagem de língua estrangeira in-tandem pela ead: uma proposta para alunos intercambistas, posto online no dia 31 dezembro 2016. Acesso em 11 julho de 2019. URL: https://revistas.rcaap.pt/uiips/article/view/14447/10834

DICIO. Autodidaxia. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/autodidaxia/> Acesso em 12 de dezembro de 2019.

EAD. É possível aprender idiomas online? Disponível em: < https://www.ead.com.br/cursos-online/e-possivel-aprender-idiomas-online.html> Acesso em 12 de dezembro de 2019.

FRAGA, Danilo, A escola de Babel: autodidatismo e autonomia no mundo virtual. Tese de especialização, Universidade Salvador, 2015.

IKEDA, Masami. Era das possibilidades do autodidatismo – A diversificação na história da língua japonesa e seus efeitos em aula CAJLE 2016 Proceedings. pp. 70 – 79. disponível em <http://www.cajle.info/wp-content/uploads/2016/09/CAJLE2016Proceedigns_10_IkedaMasami.pdf> Acesso em 22 de agosto de 2019. (Tradução nossa) [10]

LUCAS O e SILVA. Didatismo e autodidatismo: um auxílio no ensino e na aprendizagem da matemática. In V Colóquio de educação de matemática. Minas Gerais. Anais. Minas Gerais: UFJF. 2017

NAKAYAMA, H. Terminologia do ensino de língua japonesa. In Encontro Nacional de Professores Universitários de Língua Literatura e cultura japonesa. São Paulo. Anais. São Paulo: USP. 1992 p 42 – 45.

OGASSAWARA, Aiko, O ENSINO DA ESCRITA JAPONESA: Um estudo terminológico bilíngue (japonês – português). Tese de Mestrado, Instituto de letras – Universidade de Brasília, 2006. Pesquisa sobre materiais online autodidáticos no ensino de japonês como LE. Pesquisa em formulário disponível em:< https://forms.gle/nqfgWWPhqTNahpYL6> Acesso em 30 de janeiro de 2020.

SHIRAI, Yasuhiro. O que é a teoria de aquisição de segunda língua? – A ciência do aprendizado na língua estrangeira. Editora Iwanami. 2008 (Tradução nossa) [11]

APÊNDICE – REFERÊNCIA DE NOTA DE RODAPÉ

3. “インターネットの普及とモバイル・テクノロジーの発達は、外国語学習を取り巻く環境に、様々な変化をもたらした。外国語が身近な存在になった今、言語習得手段の選択肢が広がったのは日本語も例外ではなく、学習者はどこにいても日本語母語話者と容易につながることができるようになった。…「独学」という選択肢が新たに加わったことで、学習者の学習歴が多様化しただけでなく、独学編入者の数も能力も、ここ数年急上昇している”

4. 中には、大学での日本語履修前に、正式な日本語学習歴なく受動的知識を超えて、日本語の四技能を習得してしまう者もいる。特に近年、独学のみで上級レベルに達し、驚くほど正確かつ自然な日本語で、流暢に会話をしたり見事な作文を 書いたりするケースが急増しているが、以前は想像もできなかったことである

5. 本学の日 本語コースに編入してくる独学者は、大きく2つのタイプに分けられる。全くの 初心者の状態から始める「0 からスタート」タイプと、本学の初級コースで日本 語学習を始めた後、休暇中に次のレベル内容を独学し、その後中上級コースに編 入する「飛び級」タイプである。

6. 学習期間の長さと言語能力は 必ずしも比例しない。しかし、独学のみで日本語の中上級レベルに達した者の間 には、いくつかの共通点がはっきりと観察される。1) 好きこそ物の上手なれ2) 継続は力なり3 大量のインプット → アウトプット4) 柔軟性

7. 独学成功者の多くは、まず膨大な時間を使って徹底的に日本語をインプットしている。聴解力を極めるにつれ、徐々に必要に応じたアウトプットが容易にできるようになるようである。

8. 独学者は、日本語を分析したり他の言語と比較したりせずに、丸ごと吸収しようとする柔軟性がある。アニメの台詞を丸暗記するのも、その一例である。また、生の日本語をそのまま受け入れて、自然な日本語を身につけようとする意識も非常に高いと言える。

9. 恐らく今後も独学者はますます増え続けることが予想される。そして、この新しい時代の中で、新たな課題に直面し、試行錯誤を重ねている日本語教師も大勢いるのではないかと察する。(…) 教師にとっては学習者オートノミーを育成する絶好のチャンスであろう。既にオートノミーを 身につけている独学者と、その他の学習者が同じ教室で学び合い、教え合えるような環境作りのために、今後は学内のみならず、学外の動向にも目を向け、他機関と連携してこの問題に取り組めればと思う。

10. 池田雅美(2016)「独学可能な時代―多様化する日本語学習歴と授業活動 への影響」『CAJLE 2016 Proceedings』70-79

11. 白井恭弘 (2008) 『外国語学習の科学−第二言語習得論とは何か』岩波書店

[1] Pós-graduando em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa para Estrangeiros (UNINTER) e Graduado em Letras Japonês (UFPR).

[2] Graduada em Letras Português-Inglês (Faculdades Integradas de Santo Ângelo – FISA-RS) e Pedagogia pela Universidade de Maringá (UNICESUMAR-PR). Especialista no Ensino de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira (UTFPR), pós-graduada em EAD e as novas tecnologias (UNICESUMAR-PR), orientadora de TCC do Grupo UNINTER.

Enviado: Junho, 2020.

Aprovado: Maio, 2021.

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