ARTIGO ORIGINAL
PEREIRA, Natália Silva [1], SOUSA, Elis Maria de [2]
PEREIRA, Natália Silva. SOUSA, Elis Maria de. A formação do professor alfabetizador no primeiro ano do Ensino Fundamental: Os desafios na prática docente. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 12, Vol. 01, pp. 79-94. Dezembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/desafios-na-pratica-docente, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/desafios-na-pratica-docente
RESUMO
Este artigo analisa a formação do professor alfabetizador e os desafios que permeiam sua prática docente. Apresenta, inicialmente, um panorama histórico da alfabetização no Brasil, destacando como o acesso restrito à escolarização, voltado sobretudo às elites, contribuiu para a manutenção de elevados índices de analfabetismo. Discute a relevância da formação inicial e continuada do docente, ressaltando que o curso de Pedagogia oferece bases teóricas e metodológicas fundamentais, embora apresente lacunas no aprofundamento de práticas específicas voltadas ao ensino da leitura e da escrita. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, desenvolvida por meio de levantamento bibliográfico, tendo como principais referenciais teóricos Mortatti (2004), Soares (2016), entre outros. O estudo diferencia alfabetização e letramento, enfatizando que ambos são processos complementares e indispensáveis para uma aprendizagem significativa, articulando a decodificação do sistema de escrita com o uso social e crítico da leitura e da produção textual. Conclui-se, a partir dos estudos de Mortatti e Soares, que a qualidade da alfabetização está diretamente relacionada à formação sólida e permanente do professor, fator essencial para garantir o direito à educação de qualidade para todos.
Palavras-chave: Alfabetização, Formação docente, Letramento, Prática pedagógica.
1. INTRODUÇÃO
A alfabetização é a fase escolar mais importante na vida de um indivíduo, pois marca o início de sua inserção no mundo da leitura e da escrita. No entanto, no Brasil, a história da alfabetização foi marcada pela desigualdade, visto que, durante várias décadas, a escola esteve restrita às classes mais favorecidas.
Diante desse contexto, o professor alfabetizador assume um papel fundamental, quando atua como mediador no processo de ensino-aprendizagem, possibilitando ao estudante a apropriação do saber sistematizado. Para que o pedagogo exerça essa função com eficiência, é importante que esteja em constante formação, a qual precisa ser sólida e contínua, contemplando tanto a teoria quanto a prática. Nesse sentido, o curso de Pedagogia, com suas disciplinas teórico-metodológicas e o Estágio Supervisionado, torna-se essencial para a preparação e formação do futuro professor.
Além disso, compreender a alfabetização e o letramento é indispensável, pois não basta apenas ensinar o código escrito; é necessário formar indivíduos capazes de utilizar a leitura e a escrita em situações reais de comunicação. Ao apropriar-se dos códigos linguísticos de forma crítica e reflexiva, o estudante torna-se apto a participar ativamente da vida em sociedade.
O percurso metodológico desta pesquisa fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de levantamento bibliográfico e complementada por um relato de experiência vivenciado durante o Estágio Supervisionado do curso de Pedagogia. O levantamento bibliográfico buscou reunir e analisar produções acadêmicas, legislações e documentos oficiais que tratam da alfabetização, do letramento e da formação docente, priorizando autores de referência como Mortatti (2004), Soares (2016) e Carvalho (2017), além de documentos normativos como a LDB nº 9.394/1996 e as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Pedagogia.
Em complemento, o relato de experiência possibilitou observar práticas pedagógicas em sala de aula, refletir sobre a atuação docente e relacionar a teoria estudada com a prática cotidiana. Essa etapa foi tratada como uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo e reflexivo, evidenciando como a vivência prática contribui para a compreensão do processo de alfabetização e para a formação profissional do futuro pedagogo.
2. A HISTÓRIA DA ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL
O Brasil é um país caracterizado por uma população heterogênea e miscigenada, cuja formação resulta da interação entre povos indígenas originários, africanos trazidos através do tráfico negreiro, colonizadores portugueses e posteriormente outros grupos de imigrantes europeus. Essa diversidade cultural e étnica foi determinante para a constituição da identidade nacional, como destaca Darcy Ribeiro (1995, p. 19-21) ao analisar a formação do povo brasileiro. No entanto, devido a processos históricos de exclusão e desigualdade social e econômica, ainda se observa um número expressivo de analfabetismo, reflexo de um desenvolvimento educacional marcado por profundas disparidades (Marcilio, 2016a, p. 25-27).
A história da alfabetização, segundo Marcilio (2016b), é marcada por diferentes fases, nas quais a escolarização esteve, por muito tempo, restrita às elites, excluindo grande parte da população. Esse processo de exclusão não era uma novidade no mundo ocidental, pois, já na Idade Média, a escola era destinada a poucos, revelando que a educação, desde cedo, não foi pensada para todos. Contudo, ao se observar o caso brasileiro, percebe-se que a restrição ao acesso escolar foi ainda mais acentuada, perpetuando desigualdades sociais e regionais.
Com o passar dos anos, no contexto brasileiro, a educação foi se tornando gradualmente mais acessível e um número maior de pessoas teve oportunidades de escolarização. Entretanto, esse processo ocorreu de forma lenta e desigual, refletindo as profundas disparidades sociais do país. Durante grande parte da história, a maioria da população permaneceu sem acesso à escola, o que contribuiu para que o analfabetismo se consolidasse como um dos principais problemas educacionais do Brasil (Marcilio, 2016a).
Somente mais tarde, algumas mudanças políticas e legislações começaram a valorizar a alfabetização. Pode-se citar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei nº 4.024/1961), que organizou o sistema educacional brasileiro e destacou a importância do ensino para todos. Posteriormente, a nova LDB (Lei nº 9.394/1996) reforçou o direito de toda criança frequentar a escola e definiu a alfabetização como prioridade nos primeiros anos do Ensino Fundamental.
Mesmo com esses avanços, o Brasil ainda enfrenta dificuldades significativas no campo da alfabetização, sobretudo em regiões mais pobres e afastadas, onde as escolas nem sempre oferecem condições adequadas de funcionamento. Nesse contexto, torna-se evidente que a história da alfabetização no país foi marcada por avanços importantes, mas também por permanentes desafios.
2.1 A FORMAÇÃO DO PROFESSOR ALFABETIZADOR
A formação dos professores alfabetizadores é uma temática bastante discutida na atualidade, visto que esses profissionais representam um dos pilares mais importantes no processo de aprendizagem, que é a alfabetização. Esse momento é central para a inserção de crianças no mundo letrado.
Nesse cenário, o professor se torna o mediador entre o estudante e o conhecimento científico. Cabe a ele organizar situações didáticas que favoreçam a compreensão do sistema de escrita alfabética, e o desenvolvimento de práticas sociais de leitura e escrita. Portanto, pensar na formação de professores alfabetizadores é refletir sobre a qualidade da própria educação, sabendo que o eixo desse processo depende diretamente da formação desse profissional.
Portanto, o ideal seria que essa formação inicial fornecesse não apenas conteúdos pedagógicos gerais, mas também bases teóricas consistentes em linguística, didática e metodologias específicas para o ensino da leitura e da escrita.
Entretanto, em alguns casos, os cursos de licenciatura ainda apresentam lacunas, oferecendo pouco espaço para a vivência de situações reais da sala de aula ou para o estudo aprofundado das metodologias específicas da alfabetização. A pesquisa de Lotfi (2011, p. 14) mostra que, embora existam orientações legais como as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia, os cursos de Pedagogia no Brasil ainda não contemplam de maneira satisfatória.
Por outro lado, investir na formação continuada se mostra cada vez mais necessário e se revela algo indispensável para a atuação docente, já que a sociedade e a própria escola estão em constante transformação. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96) estabelece a obrigatoriedade da formação continuada para professores, visando à atualização e ao aprimoramento profissional. Em seus artigos 62 e 67, reforça-se a importância de programas de formação continuada promovidos pelas instituições de ensino para garantir que os professores acompanhem as mudanças e inovações na área educacional e tenham acesso a oportunidades de atualização e aperfeiçoamento. Nesse sentido destaca-se também o Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica PARFOR[3].
Dessa forma, entender a formação do professor alfabetizador implica reconhecer que ela não pode se restringir apenas ao momento inicial da licenciatura, mas precisa ser entendida como um processo contínuo, permanente e articulado com demandas sociais, culturais e educacionais que se renovam constantemente. Refletir sobre essa formação é também pensar sobre os rumos da educação brasileira. Investir na preparação desses professores significa também resguardar o direito à educação de qualidade de todas as crianças.
Nesse ponto, para compreender a relevância desse processo, é necessário entender melhor o que significam alfabetização e analfabetismo.
2.2 DEFINIÇÃO DE ANALFABETISMO E ALFABETIZAÇÃO
A leitura e a escrita são fatores fundamentais para o pleno desenvolvimento humano; elas nos possibilitam a comunicação e o acesso ao conhecimento. Entender, então, o conceito de analfabetismo e alfabetização é fundamental, pois, embora estejam diretamente relacionados, representam realidades diferentes no processo educativo e também social.
Segundo Mortatti (2004, p. 15):
Saber ler e escrever, saber utilizar as letras e a escrita nas diferentes situações do cotidiano são, hoje, necessidades tidas como inquestionáveis, tanto para o exercício pleno da cidadania, no plano individual, quanto para a medida do nível de desenvolvimento de uma nação, no nível sociocultural e político.
Para melhor compreensão do processo de desenvolvimento científico do indivíduo, o analfabetismo é a condição de pessoas que não conseguiram aprender a ler e escrever ou que não tiveram acesso à educação sistematizada. Refere-se a um fenômeno educacional, social e econômico. O analfabetismo restringe a participação das pessoas em diferentes práticas sociais, causando desde a dificuldade de compreensão de informações básicas até o acesso a direitos fundamentais para sobrevivência humana. Assim como, pode trazer várias consequências para nossas vidas, como a exclusão social, a dificuldade de acesso a empregos qualificados, a dependência de terceiros e a limitação da participação cívica, afetando não só o indivíduo, como também o desenvolvimento socioeconômico do país.
A alfabetização, por sua vez, é o processo de ensinar a ler e escrever e constitui a base para a aprendizagem e compreensão do mundo, através da linguagem escrita. É o caminho para romper o ciclo do analfabetismo e consequentemente a etapa mais importante do processo de desenvolvimento.
Para Mortatti (2004, p. 33),
Saber ler e escrever, utilizar a leitura e a escrita nas diferentes situações do cotidiano continuam sendo necessidades inquestionáveis tanto para o exercício pleno da cidadania, quanto para a medida do nível de desenvolvimento de uma nação.
A alfabetização não se resume somente a aprender a ler e escrever, mas possibilita ao sujeito o acesso à oportunidade para uma vida autônoma, crítica e consciente. Para ampliar essa reflexão, é necessário considerar também o letramento, que complementa e dá novos significados ao processo de alfabetização.
2.3 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
A alfabetização e o letramento são dois fatores muito importantes no processo de escolarização. Faz-se necessário que o professor conheça quais são as similaridades e as diferenças entre os termos, para que consiga planejar sua aula compreendendo a distinção entre um e outro. Embora sejam parecidos, têm significados diferentes.
Soares (2016, p. 64), afirma que é necessário, por um lado, reconhecer que a alfabetização, entendida como a aquisição do sistema convencional de escrita, distingue- se do letramento, entendido como o desenvolvimento de comportamentos e habilidades de uso competente da leitura e da escrita em práticas sociais.
Entende-se, então, que, por mais que tenham significados diferentes, alfabetização e letramento são processos interligados.
Para Soares (2016, p. 64), a alfabetização e o letramento devem ser compreendidos como direitos fundamentais, articulando-se às políticas públicas e à legislação vigente, como a LDB nº 9.394/1996 (BRASIL, 1996, art. 32, § 1º) e a LDB nº 14.407/2022, que reforçam o compromisso da educação básica com a formação do leitor e o estímulo à leitura “Por outro lado, também é necessário reconhecer que, embora distintos, alfabetização e letramento são interdependentes e indissociáveis.”
Um indivíduo alfabetizado é aquele que consegue ler e escrever. A alfabetização, portanto, trata da decodificação das letras. Uma pessoa alfabetizada sabe ler e escrever; já no letramento, o indivíduo vai além da alfabetização, desenvolvendo o uso competente da leitura e da escrita nas práticas e contextos sociais. É nesse âmbito que se desenvolve a compreensão do sentido e do significado da leitura de mundo.
Por esse motivo, é importante compreender que os processos de alfabetizar e letrar precisam caminhar juntos para produzir melhores resultados de aprendizagem, ou seja, “alfaletrar”, título dado sabiamente por Soares (2016, p. 64). Conforme a autora explica que alfabetização e letramento são conceitos distintos, mas “interdependentes e indissociáveis”, de modo que não adianta a criança aprender apenas as letras e formar palavras se não consegue usar essa leitura e essa escrita na vida real. Alfabetizar letrando significa ensinar a decodificar o sistema de escrita e, ao mesmo tempo, desenvolver a competência de interpretar textos, produzir ideias e utilizar a escrita em diferentes contextos sociais, como na escola, na família, no trabalho e na comunidade.
A alfabetização é, portanto, um requisito fundamental para o letramento, mas não o garante. O ideal é que a alfabetização ocorra de forma conjunta ao desenvolvimento do letramento para que as crianças não apenas saibam ler e escrever, mas também consigam aplicar essas habilidades de maneira significativa em sua vida.
Carvalho (2017, p. 69), exemplifica sobre como deve ser esse trabalho:
Para alfabetizar letrando, deve haver um trabalho intencional de sensibilização, por meio de atividades específicas de comunicação, por exemplo: escrever para alguém que está presente (bilhetes, correspondências escolares), contar uma
história por escrito, produzir um jornal escolar, um cartaz etc. Assim, a escrita passa a ter função social.
Partindo desta reflexão que envolve processo de ensino-aprendizagem na etapa de alfabetização e letramento trazidos pelas autoras, abordaremos as contribuições trazidas pelo curso de Pedagogia na formação do professor alfabetizador.
2.4 AS CONTRIBUIÇÕES DO CURSO DE PEDAGOGIA NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO
O curso de Pedagogia durante todo o processo de formação do pedagogo, propõe preparar o profissional em formação para atuar na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, etapa em que ocorre a alfabetização. Nesse contexto a criança tem a oportunidade de ter contato com a leitura e a escrita, e o professor precisa saber articular o uso teórico e prático para conduzir esse processo.
De acordo com o Parecer CNE/CP nº 5/2005 (Brasil, 2005, p. 7), documento este que fundamentou a elaboração das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia, “O curso de licenciatura em Pedagogia destina-se à formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o que vem reforçar a preparação que o curso oferece para a aprendizagem dos alunos.”[4]
O curso também oferece conhecimentos sobre metodologias de ensino, organização curricular e sobre o desenvolvimento das crianças. Isso é muito importante, pois cada aluno tem seu próprio jeito e tempo para aprender, e o professor precisa estar apto para lidar com essas diferenças.
Como afirmam as Diretrizes Curriculares (Brasil, 2006, p. 13):
Torna-se imprescindível que, no decorrer de todo o curso, os estudantes e seus professores pesquisem e interpretem fundamentos teóricos, políticos e sociais de processos educativos; aprofundem e organizem didaticamente os conteúdos; ao ensinar, compreendam, valorizem e levem em conta o planejamento, as situações de ensino, os processos de desenvolvimento de crianças, adolescentes, jovens e adultos em suas múltiplas dimensões: física, cognitiva, objetiva, estética, cultural, lúdica, artística, ética e biopsicossocial.
Nesse sentido fica claro que a proposta do curso de Pedagogia não se aplica a apenas para transmitir conteúdos, mas para preparar professores que compreendam melhor a realidade da escola e dos alunos. No entanto, existem algumas lacunas que precisam ser superadas, especialmente no que se refere ao aprofundamento nos aspectos linguísticos relacionados ao ensino da leitura e da escrita.
Piccoli (2015, p. 140) concorda que “Pouco se tem investido na formação do alfabetizador no que se refere aos aspectos linguísticos para o ensino da leitura e da escrita, sendo isso, sim, sob meu ponto de vista, uma das lacunas a serem reparadas.”
Diante disso, percebe-se que o curso de Pedagogia é essencial e importante para a formação do professor alfabetizador, pois oferece a base para trabalhar com metodologias de ensino, organização curricular e desenvolvimento infantil. Contudo, ainda existem pontos que precisam melhorar, principalmente quando se trata de preparar o docente para ensinar leitura e escrita. Por esse motivo, a formação do professor deve ser vista como um processo contínuo, que esteja em constante atualização, para que o pedagogo consiga ensinar de forma mais segura, consciente e qualitativa.
A formação se concretiza de maneira ainda mais sólida durante a realização do Estágio Curricular Supervisionado Obrigatório, quando ocorre o encontro da teoria e a prática.
2.5 RELATO DE EXPERIÊNCIA ENQUANTO ESTAGIÁRIA NO CURSO DE PEDAGOGIA
O Estágio Supervisionado Curricular Obrigatório do Curso de Pedagogia, conforme a Lei nº 11.788 de 25 de setembro de 2008, dispõe sobre a regulamentação do estágio de estudantes no Brasil, definindo-o como um ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho e integrado ao projeto pedagógico do curso. Essa legislação estabelece que o estágio pode ser obrigatório ou não obrigatório, sendo o primeiro requisito indispensável para a conclusão do curso e obtenção do diploma.
Além disso, a lei determina que o estágio deve contar com acompanhamento efetivo de um professor orientador da instituição de ensino e de um supervisor da parte concedente, garantindo que as atividades estejam vinculadas à formação acadêmica do estudante. Também prevê direitos e deveres, como a celebração de termo de compromisso, a contratação de seguro contra acidentes pessoais e a definição de carga horária compatível com as atividades escolares, assegurando que o estágio cumpra sua função formativa e contribua para a preparação profissional do futuro pedagogo tornando-o apto a atuar na sua área de formação.
De acordo com a legislação vigente a realização da etapa do Estágio Supervisionado Curricular Obrigatório do curso de Pedagogia, foi possível vivenciar e conhecer de uma maneira mais próxima a realidade da sala de aula, como tudo funciona. Foi uma experiência maravilhosa! As etapas de efetivação do Estágio me possibilitaram compreender a dinâmica do trabalho do professor de acordo com as diversas séries e observei como tudo é diferente de uma série para outra. O modo de falar e agir das professoras em sala de aula, impacta diretamente no convívio com a criança. Observou- se diferentes práticas pedagógicas que eram usadas por cada professor.
No momento da regência, confesso que senti um pouco de receio e insegurança, pois era tudo muito novo, por outro lado o coração palpitava de alegria. No decorrer de cada dia de estágio fui adquirindo confiança. Pude fazer planejamento de aula, organizar o material que seria utilizado e definir como seriam desenvolvidas as atividades. Foi então que percebi a importância do papel do professor como mediador da aprendizagem.
Houve situações encantadoras e motivadoras, como poder observar as diferentes formas como cada professora ensina e como a criança aprende, o tempo que cada uma gastava para realizar as atividades, cada uma com o seu jeitinho, e como é necessário que o professor busque sempre adaptar suas estratégias para atender a todos. Como afirma Fontana (2005, p. 55), “o professor que adapta suas estratégias de ensino às necessidades e características dos alunos favorece a construção do conhecimento e promove a participação de todos no processo educativo.”
A experiência tornou-se mais rica, quando foi possível refletir sobre a necessidade que um professor tem de estar em constante formação, buscando novas metodologias e práticas que facilitem o processo de ensino e aprendizagem.
Na convivência com os alunos durante o estágio percebi a importância de criar vínculos de confiança e respeito, pois esses fatores influenciam diretamente na motivação e no aprendizado de cada criança. Essa convivência reforçou minha escolha pela Pedagogia e me fez perceber que ser professora vai além de ensinar conteúdos: envolve dedicação, compromisso e sensibilidade para lidar com as diferentes realidades dos sujeitos aprendentes, já que, dentro de sala de aula, é preciso vencer e conviver não só com vidas diferentes, mas também com realidades diferentes.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir da abordagem da temática proposta, fica claro que a alfabetização no Brasil passou por diferentes etapas ao longo da história, mas ainda enfrenta dificuldades relacionadas à permanência de elevados índices de analfabetismo, às desigualdades regionais no acesso à escola e às limitações na formação docente, aspectos evidenciados ao longo do estudo. Mesmo com leis e programas que buscam garantir o direito à educação, persistem situações em que alunos não têm as mesmas oportunidades de aprendizagem, sobretudo em contextos marcados pela pobreza e pela falta de infraestrutura escolar.
Vale destacar que o professor alfabetizador tem um papel fundamental, pois ele vivencia e acompanha de perto o processo de aprendizagem das crianças. Por esta razão, sua formação precisa ser valorizada, reconhecida e compreendida como processo contínuo, que não se encerra na graduação. É necessário que esses profissionais estejam em constante atualização para acompanhar as mudanças sociais, pedagógicas e tecnológicas e responder de forma crítica e criativa às novas demandas educacionais.
Conclui-se, portanto, que alfabetizar e letrar são processos de aprendizagens que simultaneamente possibilitam o desenvolvimento, não basta que a criança apenas decifre o código escrito, é essencial que desenvolva competências para utilizar a leitura e a escrita em situações reais de comunicação e participação social. Investir na formação dos professores alfabetizadores significa investir em um futuro mais justo e igualitário para todos.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Parecer CNE/CP nº 5/2005, aprovado em 13 dez. 2005. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia. Relatoras: Clélia Brandão Alvarenga Craveiro; Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. Brasília, DF: MEC/CNE, 2005.
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BRASIL. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Portaria nº 62, de 27 de fevereiro de 2024. Altera a Portaria nº 220, de 21 de dezembro de 2021, que dispõe sobre o regulamento do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica – Parfor. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 29 fev. 2024. Seção 1.
CARVALHO, Marlene. Alfabetizar e letrar: um diálogo entre a teoria e a prática. 12. ed. 2. reimpr. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.
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PICCOLI, Luciana Teresinha. Como formar um professor alfabetizador no curso de Pedagogia? Discussões sobre a formação inicial nas universidades federais da região Sul do Brasil. Revista Brasileira de Alfabetização – ABAlf, Vitória, v. 1, n. 1, p. 132-154, jan./jun. 2015.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
SOARES, Magda Becker. Alfabetização e letramento. 6. ed. São Paulo: Contexto, 2016.
INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES
[1] Graduanda em Pedagogia pelo Centro Universitário de Goiatub (UNICERRADO). ORCID: https://orcid.org/0009-0003-8388-869X. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/8378167214149605.
[2] Orientador. Mestrado (Stricto Sensu) em Educação – Linha de Pesquisa “Teorias da Educação e Processos Pedagógicos” (Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUCGO, 2019); Especialização (Pós-Graduação Lato Sensu) em Psicopedagogia (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba, 2002); Graduação em Pedagogia (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba, 2001). ORCID: https://orcid.org/0009-0004-5335-3552. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1798010037675633.
Contribuição dos autores:
Natália Silva Pereira: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do Trabalho.
Elis Maria de Sousa: Orientação e revisão do trabalho.
INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL
Conflito de interesse:
Não há conflito de interesses.
Agradecimentos e Financiamento:
Não há financiamento.
Nota:
Os autores utilizaram a Inteligência Artificial Microsoft Word – corretor automático (versão não identificada na plataforma) para correções automáticas de ortografia e gramática, recurso comum do editor de texto, sem interferência na redação, conteúdo ou estrutura do artigo. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos, classificação da qualidade dos artigos e elaboração textual foram realizadas de maneira integralmente autoral.
Apêndice – Nota de Rodapé:
- É uma iniciativa da CAPES voltada à oferta de cursos superiores gratuitos para professores em exercício na rede pública, visando à sua formação inicial ou continuada. A Portaria CAPES nº 62, de 27 de fevereiro de 2024, alterou dispositivos da Portaria nº 220/2021, especialmente no que se refere aos critérios e valores de custeio por curso e por aluno.
- O Parecer CNE/CP nº 5/2005 apresenta a fundamentação teórica e pedagógica para a criação das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Pedagogia. Já a Resolução CNE/CP nº 1, de 15 de maio de 2006, é o documento normativo que institui oficialmente essas Diretrizes, conferindo-lhes caráter legal.
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Histórico da Publicação:
Material recebido: 03 de outubro de 2025.
Material aprovado pelos pares: 16 de outubro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 26 de novembro de 2025.



