A Experiência Do Ensino Médio Nas Lentes Dos Jovens

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

SANTOS, Marijara Barbosa Bragato [1], NUNES, Marcus Antonius da Costa [2]

SANTOS, Marijara Barbosa Bragato. NUNES, Marcus Antonius da Costa. A Experiência Do Ensino Médio Nas Lentes Dos Jovens. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 03, Vol. 08, pp. 29-58. Março de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/lentes-dos-jovens ‎

RESUMO

O presente artigo é resultado de uma pesquisa realizada em uma escola pública na cidade de São Mateus – ES, cujo objetivo é analisar as percepções que os estudantes da 3ª série do Ensino Médio têm sobre a experiência escolar e suas expectativas com relação ao processo formativo. Com este objetivo, num primeiro momento, busca-se dialogar sobre Ensino Médio brasileiro, e o conceito de juventude como categoria sociológica, pois entendem-se que existem “Juventudes” e não apenas “juventude”, para, em seguida, trazer a fala dos próprios jovens sobre a escola e suas expectativas em relação ao processo formativo. Para tanto, fez-se uso de pesquisa qualitativa, utilizando como instrumento, entrevista semiestruturada para identificar o perfil social, econômico e cultural, além de análise dos discursos dos estudantes. A pesquisa contou com a participação de 85 jovens na faixa etária dos 16 aos 21 anos de idade. Através dos resultados, constatou-se que a escola possui uma missão quanto à vida dos jovens, os quais reconhecem e legitimam a importância da escola na sua formação e na construção dos seus futuros projetos. Contudo, eles apontam mudanças importantes para que a escola cumpra seu papel social, não afastando a juventude dos seus sonhos e de suas perspectivas de futuro. Os estudantes entrevistados almejam concluir seus estudos, ter uma formação de qualidade e conseguir uma profissão que lhes permita ter uma estabilidade financeira e vida digna.

Palavras-chave: Ensino Médio, Juventude, Escola Pública, Projeto de Vida.

1. INTRODUÇÃO

Nos estudos acerca da temática das juventudes no Brasil, o foco dos debates está centrado na presença das instituições na vida dos jovens. Ainda é restrito os estudos dedicados a compreensão do modo de vida dos jovens estudantes, das condições de vida, os sentidos e as experiências vividas. Vários são os desafios a serem enfrentados pelo Ensino Médio em nosso País, para Krawczyk (2009), existem sete desafios centrais: a obrigatoriedade e a expansão das matrículas para o Ensino Médio, o que impulsiona a pensar no financiamento; o currículo do Ensino Médio, o que nos provoca a pensar na identidade dessa etapa de ensino; a questão do público e privado nas políticas educacionais voltadas para a juventude; a importância das tecnologias educacionais no ambiente escolar; as relações professor/estudante e jovem/adulto; o papel da escola de Ensino Médio na vida dessa juventude.

Junto a esses desafios não podemos esquecer de destacar o envolvimento e a participação da juventude no dia a dia das unidades escolares e a importância de apurar o sentido que ela dá a educação, isso impulsionaria a implementação de uma proposta político pedagógica voltada para as reais demandas das juventudes.

Diante disso, há duas dimensões que devem ser vistas como peça central: a caracterização dos jovens estudantes e o processo de escolarização pelo qual são submetidos, que, por sua vez, precisam se ajustar às particularidades dessa juventude. Deixando explícito a necessidade de uma reflexão por parte da escola quanto ao sentido que esses jovens estudantes dão à escola, além de sua relação com seus projetos futuros.

Salientamos que na construção de um bom relacionamento entre os jovens estudantes e a escola é indispensável a prática de um processo dialógico. Esse processo dialógico é fundamental para o conhecimento e a compreensão das perspectivas das juventudes que frequentam o Ensino Médio. Independentemente do sexo, da idade, da origem social ou das experiências sociais vividas, é a sua condição de estudante, quase sempre na sua dimensão cognitiva, que irá informar a compreensão que o professor tem desses atores.

Para isso, as peculiaridades da vida juvenil, a etnia, o gênero e a origem social, precisam ser consideradas, a vida do estudante fora do ambiente escolar, precisa ser levada em consideração. O momento dessa fase de vida, as experiências escolares juvenis e as expectativas dos estudantes que frequentam o ambiente escolar, precisam ser compreendidas, nesse processo de escolarização.

Porém, o que podemos verificar no cotidiano escolar, é que esse momento de vida, é visto por uma parcela dos profissionais, como uma fase difícil, cercada por conflitos de personalidade, emocionais e de autoestima. Essa visão equivocada pode rotular a juventude, criando um panorama juvenil negativo. Além disso, é muito comum por parte da escola e dos profissionais não se levar em conta as demandas e as expectativas dos jovens estudantes no cotidiano escolar.

Em uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação e Cultura no ano de 2012 sobre o Ensino Médio, foram constatados indicadores alarmantes: mais de 70% dos jovens estudantes do Ensino Médio consideram o ensino ofertado desatualizado e com conteúdos desinteressantes, além de pouco contribuir com a formação pessoal. Este cenário deixa claro que a escola precisa se aproximar da realidade dos estudantes, entender as suas expectativas e anseios e envolvê-los nas questões escolares de forma a adequar melhor os projetos pedagógicos às necessidades.

O Ensino Médio, última etapa da educação básica, tem por finalidade a garantia de uma formação integral, que vai além de uma formação profissional, propiciando aos estudantes a construção da cidadania, e a construção de novas concepções culturais, oportunizando aos jovens ampliarem seus horizontes e sua autonomia intelectual, assegurando-lhes a possibilidade de aquisição dos conhecimentos historicamente acumulados e à produção coletiva de novos conhecimentos (BRASIL, MEC, 2013).

É em virtude disso que, ultimamente, o Ensino Médio tem sido alvo de discussões em muitas reuniões relacionadas a educação brasileira quanto a sua estrutura, os seus conteúdos e as suas condições atuais, visto que se encontram distantes do real objetivo em atender às necessidades dos estudantes, tanto nos aspectos da formação para a cidadania quanto nos aspectos relacionados ao mundo do trabalho. (BRASIL, MEC, 2011, p.1).

Arroyo (2014) defende que, o reconhecimento dos jovens que vão chegando ao Ensino Médio, considerados os outros, “de outras origens: sociais, raciais, étnicas, dos campos e das periferias” (ARROYO, 2014. p, 55), faz parte do processo de reinvenção do Ensino Médio. Partindo desses pressupostos é que foi realizada a investigação “O que pensam, buscam e desejam os jovens estudantes da 3ª série do Ensino Médio de uma escola pública da cidade de São Mateus/ES”, suas concepções sobre a escola e quais as expectativas que eles têm quanto ao Ensino Médio.

Quanto à pesquisa bibliográfica, embasamo-nos em autores, cujo as obras discutem sobre a questão da juventude, dos jovens e do Ensino Médio no Brasil, entre eles Abramo (2005), Arroyo (2010), Carrano (2010), Dayrell (2013), Pais (1990), Zibas (2005) e outros.

Nosso intuito neste artigo é analisar o seguinte problema: Como os jovens estudantes da 3ª série do Ensino Médio veem o processo formativo dessa etapa da educação básica? Do ponto de vista epistemológico, o estudo não tem a intenção de esclarecer a situação, ou mostrar uma verdade sobre o objeto de investigação, e sim compreender quem são os jovens estudantes do Ensino Médio, além de oportunizar um olhar sobre os sentidos, as experiências e as vivências que os jovens estudantes têm a acerca desta última etapa da educação básica. Na verdade, enfocar o Ensino Médio, neste momento, de mudança em sua estrutura curricular é de total relevância.

O artigo está organizado da seguinte forma. Inicialmente abordaremos a discussão sobre o Ensino Médio brasileiro, a juventude e suas concepções, e o compromisso da escola na formação dos jovens. A seguir descreveremos a metodologia de coleta de dados. E, por fim, apresentaremos nossos resultados e discussões.

2. O ENSINO MÉDIO NO BRASIL

Desde 1990 a Educação Básica brasileira vem passando por intensas mudanças estruturais. Com isso, várias demandas vêm sendo discutidas acerca da qualidade da educação, da permanência dos estudantes na escola, da equidade acadêmica e do acesso à educação. Para Krawczyk (2009), Jakimiu e Silva (2016), além das questões citadas acima há também as demandas relacionadas à identidade e à finalidade do Ensino Médio.

O Ensino Médio apresenta apenas os três ou quatro últimos anos da educação básica, mas talvez, os mais controvertidos, o que traz dificuldades no momento de definir políticas para essa etapa da escolarização. Fala-se da perda da identidade quando na verdade, o Ensino Médio nunca teve uma identidade muito clara que não fosse o trampolim para a universalização ou formação profissional (KRAWCZYK, 2009, p.755).

Com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394 em 1996, a Educação Básica inicia um processo de estruturação em sua organização, nessa mudança a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio passam a integrar a Educação Básica. Porém, apenas seria obrigatório a etapa do Ensino Fundamental. Somente em 2009, com a Lei 12.061, foi que o Ensino Médio passou a ser gratuito e universal.

Neste período ocorreu um aumento significativo nas matrículas do Ensino Médio, avançando de 3.772.330, em 1990, para 8.312.815, em 2013 (JAKIMIU; SILVA, 2016), dentre as matrículas 85% são de escolas da rede pública de ensino. Entretanto, essa expansão de matrículas nas escolas de Ensino Médio é apenas um dos dados que devem ser considerados quando analisamos a escolarização do jovem. Esse crescimento no número de estudantes vem ocorrendo em uma escola engessada, com foco em outras realidades e demandas, com uma cultura escolar ainda primária para o atendimento dos jovens estudantes de hoje.

Nora Krawczyk (2011) aponta em seu estudo sobre os desafios enfrentados pelo Ensino Médio, que a expansão, a universalização, a democratização e a massificação do ensino em nível médio complexifica essa etapa da educação básica. Concluímos, juntamente com a autora, que a evasão, a crise de legitimidade da escola, a infraestrutura não adequada, a insuficiência de equipamentos e materiais didáticos pedagógicos, a escassez de profissionais, as questões de difíceis resoluções no interior da escola e na gestão, a violência escolar, os investimentos públicos, dentre outros, são atualmente os principais desafios desta etapa de escolaridade.

O desafio posto às escolas e ao poder público é a construção de uma educação que possibilite uma aprendizagem em consonância com o mundo contemporâneo para todos, só assim irá ser garantido a equidade e a democracia. Sem dúvida esse é o desafio do Ensino Médio e da Educação Básica.

O fato é que, quando paramos para refletir sobre nosso sistema brasileiro de educação, o Ensino Médio salta aos olhos, intensificando os debates e provocando divergências de opiniões. Essa etapa final da educação básica, representa talvez uma das etapas mais polêmicas, o que pode dificultar a elaboração de políticas voltadas para o Ensino Médio. Fala-se da falta de interesse por parte dos jovens, dos altos índices de evasão e fracasso escolar, da falta de professores, do baixo investimento, do déficit de vagas, entre outros.

Tais desafios influenciam na baixa qualidade da educação ofertada aos jovens estudantes que, por sua vez, interrompem seus estudos abandonando a escola antes de concluírem o Ensino Médio, em alguns casos por demandas financeiras ou pelo desinteresse nos estudos e consequentemente na formação acadêmica. Em alguns casos é nítido a falta de interesse dos jovens pelo ensino.

Na reforma do Ensino Médio a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN – representou um importante marco legal, ocupando uma posição de instrumento regulador do ensino público e privado. A LDB 9394/96 ratifica o direito à educação, garantido pela Constituição Federal, desde a educação básica até o ensino superior, além de que determina os princípios da educação e os deveres do Estado quanto à educação escolar pública, estabelecendo as responsabilidades, sobre um regime de colaboração, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.

Em relação a organização do Ensino Médio, as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio determinam que (BRASIL, 2012):

XI – A organização curricular do Ensino Médio deve oferecer tempos e espaços próprios para estudos e atividades que permitam itinerários formativos opcionais diversificados, a fim de melhor responder à heterogeneidade e pluralidade de condições, múltiplos interesses e aspirações dos estudantes, com suas especificidades etárias, sociais e culturais, bem como sua fase de desenvolvimento;

 XII – Formas diversificadas de itinerários podem ser organizadas, desde que garantida a simultaneidade entre as dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura, e definidas pelo projeto político-pedagógico, atendendo necessidades, anseios e aspirações dos sujeitos e a realidade da escola e do seu meio;

XIII – A interdisciplinaridade e a contextualização devem assegurar a transversalidade do conhecimento de diferentes componentes curriculares, propiciando a interlocução entre os saberes e os diferentes campos do conhecimento.

Em 2018, o Ministério da Educação publicou no Diário Oficial a Resolução nº 3, de 21 de novembro, que atualizou as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, estabelecendo sua organização curricular, suas formas de ofertas e sua proposta pedagógica.

Nessa perspectiva, a proposta pedagógica se torna um documento primordial para as unidades escolares. Ao ser implementada dentro das instituições de ensino, a mesma deve considerar os estudantes e professores indivíduos históricos e de direitos, integrantes atuantes e protagonistas de sua diversidade e singularidade.

No ano de 2019 iniciou-se os primeiros passos rumo a mudança dos processos, porém, percebe-se que no interior das escolas ainda há muitas dúvidas e diversos pontos a serem esclarecidos. Até 2022, as mudanças propostas para o Ensino Médio pela Reforma precisam ser efetivadas, as legislações e os documentos educacionais passarão por efetivas alterações, transformando o modelo tradicional de escola que conhecemos.

Segundo o MEC, dentre as mudanças, o Ensino Médio está passando por três principais modificações: uma trajetória dividida em formação geral básica (comum a todos) e flexível (composta por itinerários formativos); mais articulação com o ensino profissionalizante e o aumento progressivo da carga horária. Para a efetivação das referidas mudanças dois pontos são fundamentais: o apoio técnico e financeiro e a liberdade para organizar formatos pedagógicos que venham a atender a realidade local e as demandas dos jovens estudantes.

3. O PAPEL DA ESCOLA NA FORMAÇÃO DOS JOVENS

 A escola ocupa uma posição de destaque em nossa sociedade, assumindo uma responsabilidade voltada para a formação intelectual e moral, oportunizando assim, a inserção social. Depois do âmbito familiar, ela assume de maneira intencional os processos de aprendizagem, oportunizando aos indivíduos a apropriação de conteúdos sociais e culturais de maneira crítica e reflexiva. Conforme Libâneo; Oliveira e Toschi (2009, p. 994),

A escola é uma organização em que tanto seus objetivos e resultados quanto seus processos e meios são relacionados com a formação humana, ganhando relevância, portanto, o fortalecimento das relações sociais, culturais e afetivas que nela têm lugar.

A relação dos jovens com a escola é mediada por múltiplos sentidos e significados, pensamentos positivos e negativos. Sendo parte da construção da identidade juvenil a escola, é um espaço onde os jovens se identificam coletivamente com grupos culturais segundo suas convicções e conhecimentos, e nesse meio como se fossem tribos, onde se reúnem em troca de aceitação, interesses e semelhanças culturais. Não apenas destinada à aprendizagem de conteúdos curriculares, a escola para os jovens é em especial um espaço de interação e socialização.

Um sujeito leva em um percurso normal 12 anos para concluir a educação básica, se for cursar o ensino superior, a escolarização, dependendo do curso, pode levar de 16 a 18 anos, mesmo que ele não goste do ambiente escolar, a escola irá intervir em seu futuro social e na construção da biografia pessoal. É por intermédio da escola que os estudantes são direcionados a percursos distintos, podendo representar um caminho curto para a formação profissional ou para o mercado de trabalho, ou ainda, um longo caminho em direção a formação de nível superior e mais tarde o mercado de trabalho.

Ao analisarmos o atual cenário da escola, podemos observar, que não houve muita mudança na estrutura escolar, ela ainda apresenta-se presa a um modelo tradicional, necessitando se reinventar, para que assim venha colaborar de forma mais ampla com a formação do sujeito de forma integral, além de contribuir com a diminuição das desigualdades de acesso ao conhecimento, através de abordagens inovadoras.

Dayrell (2005, p. 37), argumenta que um ensino que pensa nos jovens é aquele “em que se consideram os processos educativos necessários para lidar com um corpo em transformação, com os afetos e sentimentos próprios dessa fase da vida e com as suas demandas de sociabilidade”. Quando pensamos em conceber um contato com a juventude, precisamos segundo Carrano e Dayrell (2014), refletir sobre as múltiplas dimensões da condição juvenil, com ênfase nas culturas juvenis, na sociabilidade, no trabalho, na relação dos jovens com o tempo e o espaço, e na participação juvenil. 

Quando a escola desenvolve práticas escolares contextualizadas ao cotidiano das suas juventudes, ele estimula o interesse do estudante no processo de ensino-aprendizagem, além de prepará-los para os desafios futuros. Desta forma, se faz necessário o desenvolvimento de um plano de trabalho que leve em conta os aspectos sociais e a situação atual da sociedade. De acordo com Dayrell (2005, p.03):

Quanto mais o jovem conhece a realidade em que se insere, compreende o funcionamento da estrutura social com seus mecanismos de inclusão e exclusão e tem consciência dos limites e das possibilidades abertas pelo sistema na área em que queira atuar, maiores serão as suas possibilidades de elaborar e de implementar o seu projeto. As duas variáveis demandam espaços e tempos de experimentação e uma ação educativa que a possa orientar.

Desta forma, o papel da escola na vida dos jovens estudantes é fruto das condições sociais, é por essa razão, que se questiona tanto sobre o verdadeiro papel da escola pública. Transformar a escola em um espaço de inserção social que oportunize uma transformação da realidade é o grande desafio para a educação.

Para Freitas (2011) é função da escola formar cidadãos críticos, reflexivos e conscientes sobre os seus direitos e deveres, de modo a lhes tornar aptos a contribuir na construção e/ou desconstrução de uma sociedade, visando à igualdade e à justiça. A escola não é mera instituição de transmissão de conhecimento, ela vai além disso, pois assume um compromisso social. Deve importar-se em promover a capacidade do estudante em buscar informações segundo as exigências de seu campo profissional ou a partir das suas necessidades de desenvolvimento individual e social.

4. CONCEPÇÃO DE JUVENTUDE

 Ao longo do tempo os estudos sobre a Juventude determinam diversas formas de considerá-la, pois, em cada sociedade, em diferentes contextos históricos e culturais, são estabelecidos períodos etários que indicam uma série de direitos e deveres para essa fase da vida.

A Organização Mundial de Saúde – OMS – define que o conceito de juventude:

(…) resumiria uma categoria essencialmente sociológica, que indicaria o processo de preparação para os indivíduos assumirem o papel de adulto na sociedade, tanto no plano familiar quanto no profissional, estendendo-se dos 15 aos 24 anos (SILVA; LOPES, 2009, p.88).

A definição do período juvenil em determinadas culturas pode ampliar para baixo ou para cima, sendo que a faixa etária máxima, vai de 12 aos 35 anos de idade. Entretanto, no Brasil, não há uma determinação clara ou referências etárias à juventude. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, determina que dos 12 aos 18 anos é o período da adolescência, mas a expressão juventude não é mencionada. Nesta perspectiva e baseados nas concepções de Silva e Lopes (2009), o termo juventude precisa ser fundamentado nas teorias sociológicas e históricas, prevalecendo a visão do coletivo sobre a faixa etária dos jovens. Para elas, “a juventude só poderia ser entendida na sua articulação com os processos sociais mais gerais e na sua inserção no conjunto das relações sociais produzidas ao longo da história” (SILVA; LOPES, 2009, p. 88). Precisamos compreender que, juventude não é um fenômeno natural, mas uma construção social e histórica.

Quando pensamos no conceito de juventude muitos discursos e compreensões são pensados, afinal:

Juventude é um desses termos que parecem óbvios, dessas palavras que se explicam por elas mesmas e assunto a respeito do qual todo mundo tem algo a dizer, normalmente reclamações indignadas ou esperanças entusiasmadas. Afinal, todos nós somos ou fomos jovens (há mais ou menos tempo), convivemos com jovens em relações mais ou menos próximas, e nas últimas décadas eles têm sido tema de alta exposição nos diferentes tipos de mídia que atravessam nosso cotidiano (ABRAMO, 2005, p. 37).

No Brasil, considera-se jovem as pessoas que possuem entre 15 a 29 anos de idade completos. Tal definição entrou em vigor no ano de 2010 mediante a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional n. 65, conhecida posteriormente como a PEC da Juventude. O termo jovem foi inserido, portanto, no texto da Constituição Federal e dividido em três subgrupos: o jovem-adolescente, que compreende as idades entre 15 e 17 anos; o jovem-jovem, que compreende as idades entre 18 e 24 anos; e o jovem adulto, que compreendem as idades entre 25 e 29 anos. Contudo, o recorte etário não é suficiente para dar conta de todas as possibilidades que a Juventude oferece como objeto, ao examinar, por exemplo, as diferenças relacionadas aos aspectos socioculturais.

Considerando essa diversidade muitos autores têm preferido a utilização do termo juventudes no plural, para designar esse imenso grupo, pois estes entendem que os jovens não estão inseridos na mesma realidade, não tendo as mesmas opiniões, necessidades e oportunidades.

Segundo Silva e Lopes (2009, p. 92)

A relevância dessas questões produziu a necessidade de uma concepção que pudesse abarcar sentidos múltiplos da juventude, aliás, das juventudes – substantivo no plural – para alcançar uma compreensão mais ampla e fiel com relação às heterogeneidades produzidas pelos coletivos sociais dos jovens.

Sendo assim, usar o termo juventudes, não poderia ser mais apropriado, pois nos possibilita compreender as múltiplas diferenças existentes dentro dessa categoria, o que aponta para a necessidade de não se homogeneizar os jovens dentro de uma mesma sociedade, sendo oportuno a identificação de suas especificidades, bem como a necessidade de uma atenção especial para suas principais demandas.

Diante disso, a(s) juventude(s), considerada neste estudo assumem as múltiplas formas de expressão cultural e associativismos juvenis que marcam as experiências de ser jovem nas sociedades contemporâneas – é conceituada contextualmente, conforme as manifestações dos comportamentos dos jovens observados: seu território, suas formas de vestir, de falar, de se agrupar, de consumir; sua inserção na instituição escolar, suas diferenças sociais perante outros grupos, aspirações e projetos de futuro, conflitos e necessidades de rupturas e/ou manutenção do laço social.

5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para a presente pesquisa fizemos uso de uma abordagem qualitativa, entretanto, não desprezamos a apresentação de alguns dados sob o ponto de vista quantitativo, a fim de que fique claro a representatividade que tais observações assumem no grupo de estudantes. Participaram do estudo 85 estudantes da 3ª série do Ensino Médio diurno, na faixa etária de 16 a 21 anos de ambos os sexos (77,6% são do sexo feminino e 22,4% do masculino) de uma escola pública estadual da cidade de São Mateus, situada em uma região de bairros de periferia, caracterizados por um nível socioeconômico desfavorecido.

Na investigação empírica utilizamos a análise de conteúdo apoiados em Bardin (2016) como metodologia de exploração dos dados da pesquisa. Inicialmente, realizamos a pesquisa bibliográfica, que nos forneceu dados e informações atuais e relevantes. Este estudo abrangeu: livros, periódicos, legislação brasileira, documentos da Escola estudada e sites da internet.

Em seguida, fizemos uso da pesquisa de campo, cujo instrumento utilizado para a coleta de dados foi a entrevista. A entrevista ocorreu em dois momentos, o primeiro nos permitiu levantar o perfil social, cultural e econômico dos sujeitos. O questionário foi estruturado com 30 questões abertas e fechadas, participaram desse momento 85 estudantes. No segundo momento realizamos as entrevistas grupais com uma amostra de 19 estudantes, por meio de Webconferência realizamos entrevistas a partir de um questionário semiestruturado de 13 questões.

As entrevistas ocorreram na modalidade online, através de um formulário criado especialmente para esse fim, e por meio de um aplicativo de webconferência. O uso das novas metodologias para a realização das entrevistas foi adotado, pois durante o percurso do estudo, passávamos por uma situação de isolamento social, devido a pandemia do Covid 19. Sendo este um instrumento mais acessível aos estudantes.

Os dados coletados foram submetidos à análise e organizados em duas dimensões: a caracterização dos perfis socioeconômicos e culturais dos estudantes; e as percepções que os jovens estudantes têm, acerca do Ensino Médio e sobre a função da escola na construção de seus projetos de vida. Como dados subjetivos, as falas dos estudantes foram todas consideradas e analisadas a partir dos referenciais aqui estudados.

6. ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Apresentaremos inicialmente a caracterização dos perfis socioeconômicos e culturais dos estudantes. Apesar de apresentarmos os resultados em unidades separadas, eles não devem ser entendidos como unidades individuais, uma vez que todas as informações e dados estão estreitamente relacionados.

A Tabela 1, mostra o número oficial de estudantes que efetivamente participaram da pesquisa e a caracterização da faixa etária.

Tabela 1 – Faixa Etária dos Sujeitos Pesquisados.

Faixa Etária Qtd. %
15 a 16 anos 5 5,9
17 a 18 anos 73 85,9
19 a 20 anos 5 5,9
21 ou mais 2 2,4

Fonte: Dados da pesquisa.

Os dados evidenciam que 85,9% dos estudantes estão entre a faixa etária dos 17 a 18 anos de idade, ou seja, em sua maioria eles apresentam idade esperada para a série.

Em relação a identidade racial, declaram-se de cor parda 45,9%, preta 27,1%, branca 18,8%, amarela 7,1% e indígena 1,2%. Apesar desta categoria (etnia) não ser foco de análise desta pesquisa, é importante ressaltar que, entre os estudantes, parece haver uma dificuldade de reconhecimento quanto ao pertencimento étnico, visto que, grande maioria apresenta-se com traços físicos característicos dos negros, declaram-se como amarelos e pardos, com exceção de 23 estudantes que se declararam negros.

Sobre os aspectos relacionados à situação de moradia dos estudantes, a grande maioria, 81,2%, moram em residências próprias, 12,9% residem em moradias alugadas, 2,4% em ocupações e 3,5% em moradia cedida. Em suas falas eles relatam que ter uma moradia própria traz segurança.

Em se tratando da renda familiar, a maioria sobrevive com 1 salário mínimo representado por 48,2%, 28,2% vivem com uma renda de 1 a 1 salário mínimo e meio, 15,3% possuem renda de 2 salários mínimos e 8,3% declararam receber mais de 2 salários mínimos. Evidenciando de forma majoritária que o perfil da renda familiar desses estudantes fica entre 1 a 1 salário mínimo e meio, representando assim, 76% das famílias. Tais dados nos fazem lembrar Dayrell e Carrano (2014, p. 114) ao afirmarem:

Grande parte da população juvenil se encontra nas camadas mais empobrecidas da população. Ao lado da sua condição que interfere diretamente na trajetória de vida e nas possibilidades e sentidos que assumem a vivência juvenil. Um grande desafio cotidiano é a garantia da própria sobrevivência. Numa tensão constante entre busca de gratificação imediata e um possível projeto de futuro.

Algumas diferenças também podemos notar quanto aos arranjos familiares dos estudantes, 54,1% moram com pai e mãe, 32,9 % apenas com a mãe, 3,5% apenas com o pai, 3,5% com o companheiro, 3,5% apenas com irmãos e 2,4 % com avós. Evidenciando que em sua maioria os jovens estudantes ainda residem com os pais. Outra informação a ser considerada é o número de pessoas que residem juntos aos estudantes. Ao serem questionados sobre o quantitativo de pessoas que residem junto a eles, os estudantes em sua maioria relatam que 4 pessoas moram em sua casa.

Se tomarmos como base a família composta por 4 pessoas que recebe um salário mínimo, podemos concluir que a renda per capita dessa família é de R$ 261,25 mensal por pessoa, demonstrando um cenário de insegurança financeira familiar. Com relação ao vínculo empregatício dos pais, embora a maioria seja composta por empregados com carteira assinada (56,5% dos responsáveis), um percentual considerável (17,6% dos responsáveis) estão desempregados, e 16,5% exercem algum tipo de trabalho informal.

Os dados coletados sobre a situação de trabalho dos responsáveis pelos estudantes, demonstram que um percentual considerável de famílias encontram-se em situações de desemprego ou ainda exercem algum trabalho informal (bico). Pode-se inferir, então, que a necessidade dos jovens trabalharem é imperativa, visto que precisam ajudar nas despesas da família, especialmente nos casos em que a figura paterna não é presente, sendo representada nessa pesquisa 33% das famílias.

O gráfico 1 aponta outro fator relevante que nos ajuda a entender o contexto de onde vem os jovens, diz respeito a baixa escolarização de seus responsáveis.

Fonte: Dados da pesquisa.

Os dados coletados demonstram que 41,2% possuem o ensino médio completo, seguido por 23,5 % com ensino fundamental incompleto, 11,8% não concluíram o ensino médio e 8,2 % não terminaram o ensino fundamental. Sobre o grau de escolaridade dos pais, nota-se uma grande incidência de interrupção dos estudos, visto que um percentual significativo não concluiu o Ensino Fundamental e nem o Ensino Médio.

Em linhas gerais, observa-se uma tendência no aumento da escolarização desta geração em comparação ao nível de escolarização da geração anterior, tendo em vista a expansão da educação básica e as políticas de inclusão social no campo da universidade que começou a exigir fortemente a admissão no ensino superior. Contudo, o que se percebe é que jovens com melhor poder aquisitivo tendem a procrastinar a sua introdução no mercado de trabalho e continuar os estudos, ao passo que a maioria dos jovens trabalhadores precisam conciliar o trabalho e o estudo noturno, a fim de que seja possível a conclusão dessa etapa enquanto enfrentam as suas adversidades da vida, dando sentido à sua permanência na escola.

Em síntese, os dados revelaram que 43,3% dos pais não conseguiram concluir a educação básica, ou seja, a maioria dos pais não chegaram a terminar o ensino fundamental e o ensino médio.

Em relação aos estudantes que estão trabalhando, a pesquisa revelou que a maioria, 52,9% não estão trabalhando, mas estão procurando emprego, como podemos constatar no Gráfico a seguir.

Fonte: Dados da pesquisa.

Os dados evidenciam que 23,5% dos estudantes não estão trabalhando e só dedicam o tempo aos estudos, enquanto 18,8% trabalham em emprego fixo e também estudam, e apenas 4,8% dividem os estudos com trabalhos informais os conhecidos “bicos”. Em sua maioria 52,9% estão à procura de trabalho para ajudar a família, entendemos que a necessidade de os jovens trabalharem é imperativa, visto que precisam ajudar nas despesas da família.

Outro aspecto a ser ponderado, diz respeito à avaliação que os estudantes fazem do Ensino Médio e suas pretensões futuras. Para 47,1% dos entrevistados, o Ensino Médio ofertado corresponde às suas expectativas, evidenciando que para uma parcela dos jovens o ensino atende aos seus anseios e contribui com o planejamento do futuro tanto almejado. Em contrapartida, 35,3% que representa uma parcela significativa dos jovens, enfatiza que o ensino de hoje não corresponde às suas expectativas para o futuro, demonstrando uma insatisfação com o modelo de ensino, eles avaliam que o ensino médio não é atraente e não está adequado à realidade dos jovens de hoje. O restante, 17,6% não souberam opinar, evidenciando que este grupo de jovens está perdido e indeciso em relação às suas escolhas e seus projetos futuros.

Quanto à função do Ensino Médio, a pesquisa nos evidencia que para 45,9 % dos estudantes da 3ª série do Ensino Médio, a preparação para o ENEM deve ser a sua principal função. Sendo o ENEM hoje a principal porta de entrada no ensino superior do Brasil, os dados mostram que a maioria dos estudantes almejam cursar o ensino superior após a conclusão do Ensino Médio. Em contrapartida, 30,6% acreditam que o Ensino Médio deve formar para o mercado de trabalho, 14,1% formar para a vida em sociedade e 9,4% não souberam opinar.

Entendemos que os objetivos educacionais do Ensino Médio não podem se restringir à preparação para o ingresso no ensino superior e nem na formação profissional, deve-se buscar seu principal objetivo, que é o da formação para a vida, de preparar os estudantes com ferramentas que lhes sejam eficazes na resolução de situações-problemas no seu cotidiano.

Uma outra abordagem que a pesquisa realizou foi por que os jovens estudavam, na análise dos dados constatamos que a maioria, 64,7% estudam para prestar o ENEM e dar continuidade aos estudos, esses dados reafirmam e estão em sintonia com dados já demonstrados. Porém, uma outra parcela 27,1% para conseguir um emprego. Isso nos remete à compreensão de que a condição de concluir os estudos e depois se inserir no mundo trabalho não está se reproduzindo, uma vez que a pesquisa também evidenciou que 52,9% dos estudantes entrevistados estão à procura de emprego, esses dados deixam claro a importância do trabalho para os jovens, e nos fazem compreender que o trabalho faz parte da condição juvenil

Outro aspecto a ser destacado, são as percepções que os jovens estudantes têm, acerca do Ensino Médio e sobre a função da escola na construção de seus projetos de vida. Nesta dimensão utilizamos as entrevistas grupais com uma amostra de 19 estudantes, por meio de Webconferência. Todas as questões foram dissertativas, assim, as respostas variam bastante, mas é possível descrevê-las.

Quando questionamos os estudantes sobre o planejamento que eles fazem para o futuro, constatamos que a maioria, representada por 42%, planejam para o futuro fazer um curso superior e se dedicar apenas aos estudos, porém, há também um quantitativo significativo de 21%, que almejam fazer um curso superior e entrar para o mercado de trabalho de imediato, e 16% desejam abrir seu próprio negócio. Evidenciamos então, que há um forte predomínio do “fazer uma faculdade”.

Nas falas dos demais estudantes, podemos verificar que eles idealizam um futuro promissor e capaz de garantir seus desejos pessoais, ter seu próprio negócio, ter liberdade financeira, ter um bom emprego, ajudar os pais, ser independente. Contudo, para que tudo isso seja possível, fica evidente a crença de que é necessário ter uma vida estável, com estabilidade financeira, isso nos remete a necessidade de ter uma profissão e bons salários. Os jovens idealizam que cursar uma faculdade, ter uma carreira profissional é o caminho para realizar seus sonhos, desejos e projetos.

Os jovens querem continuar estudando e são as condições materiais que determinam, para muitos deles, a impossibilidade de concretizarem o ingresso no ensino superior. Embora muito se tenha a transformar na escola, não tem sido ela a maior responsável pela exclusão dos jovens pobres da vida escolar. Considerando as exceções, a entrada precoce no mercado de trabalho não é uma escolha individual estabelecida no abstrato, mas é fundamentalmente, determinada pela condição de classe (OLIVEIRA, 2017, p. 42).

Os dados do Gráfico a seguir, evidenciam as respostas mais citadas na entrevista quando questionamos sobre o que os jovens têm feito e o que acreditam que devem fazer para alcançar a realização de seus projetos.

Fonte: Dados da pesquisa.

De forma majoritária (58% dos entrevistados) os estudos são citados como uma estratégia principal para a realização de seus projetos. Evidenciando assim, que eles acreditam na educação e atribuem importância a ela. Terminar o Ensino Médio, fazer um curso superior, trabalhar, estudar, buscar especialização e experiência, são estratégias que esses jovens acreditam que vão lhes proporcionar a concretização de seus projetos futuros, de sua independência financeira para uma vida estável, e assim poderem ajudar sua família, construir sua vida e realizar os sonhos tão almejados.

Para esses jovens a realização de seus projetos de vida, só será possível quando concluírem o Ensino Médio, fazerem uma faculdade e conquistarem um bom emprego, como cita Damon (2009), os jovens “parecem estar cientes de que para atingir a felicidade pessoal e profissional futura, necessitam preparar-se por meio dos estudos e iniciar-se em uma profissão” (DAMON, 2009, p. 11).

Quando questionamos o que ou quem tem ajudado os jovens estudantes a realizarem seus projetos futuros, constatamos em suas respostas que eles atribuem o auxílio a alguém próximo do seu convívio social. O gráfico a seguir mostra as falas mais citadas na entrevista.

Fonte: Dados da pesquisa.

A família foi disparadamente o agente mais influenciador (58% dos entrevistados). Os dados do gráfico 4, nos revelam que os jovens contam com alguém próximo a eles, a palavra família foi a que mais se destacou nos resultados, considerando as palavras pais, mãe e irmãos, isso evidencia o resultado do papel da família como aporte na realização de seus projetos. Além disso, os resultados dessa pesquisa apontam que a educação e trabalho são assuntos considerados importantes para a discussão, buscando o mundo adulto familiar como referência (SPOSITO, 2005).

Nas falas dos estudantes, também evidenciamos que são influenciados pelos amigos (10,5% dos entrevistados), e pelos professores (5,25% dos entrevistados), por mais que os estudos apareçam nas respostas, a palavra escola não foi identificada.

Segundo Santos (2005), a família tem o poder de ajudar ou dificultar no momento da escolha de um projeto que o jovem deseja realizar. Ele ainda destaca que o indivíduo precisa de projetos para viver, mas para construí-los é necessário transformar o presente recordando o passado, prevendo o futuro, sempre retornando à família.

 O processo de escolha de uma profissão é baseado na realidade do adolescente, que vive em família e que convive com “outros”, seus pares; que constrói a sua história sendo influenciado por seus pais e por terceiros; que tem que se decidir, construir sua própria identidade e, ao mesmo tempo, tornar este um momento de união familiar, buscando apoio dentro e fora do seu lar (SANTOS, 2005, p. 65).

Quanto à não identificação nas respostas dos jovens da palavra escola, podemos compreender que esse tema é pouco abordado dentro dos muros da escola, configurando a ideia de que a escola pouco tem ajudado os jovens na construção de seus projetos futuros.

Dentre as dificuldades apontadas pelos jovens para a realização de seus projetos de vida, a falta de dinheiro foi a que mais se destacou. Outras dificuldades como a desorientação (se veem perdidos) e a concorrência também nos chamou atenção. Foram citadas diferentes dificuldades, a falta de reconhecimento, de informação, de curso, de compreensão dos professores, de ânimo, de coragem, de pensamento positivo, dentre outros, que veremos no gráfico 5.

Fonte: Dados da pesquisa

A falta de dinheiro para 26,5% desses jovens é o fator que os impede de investir nos estudos, em uma formação de qualidade que os colocaria diante de oportunidades melhores. Eles continuam preocupados com os estudos, uma vez que, são os estudos que irão lhes proporcionar a realização de seus projetos. Contudo, a falta de dinheiro representa uma limitação. Apesar de estudarem e pensarem em prosseguir com os estudos e em fazer um curso superior, a falta de incentivo financeiro pode lhes obrigar a ter que optar pelo trabalho, caso a necessidade assim determinar.

Oliveira (2017) afirma que a questão financeira representa a maior dificuldade encontrada pelos jovens, sobretudo, para concluir os estudos. O problema financeiro caracterizado pelos jovens como maior dificuldade para realizarem seus projetos de vida toma ainda mais força com o poder da mídia no contexto capitalista, eles são cercadas pressões e cobranças sociais que podem retardar os sonhos e interpretá-los como um fracasso pessoal. Para Damon (2009) desprezar um sonho “torna-se uma prova da inadequação pessoal, que, por sua vez, é interpretada como uma razão para postergar ou desistir de outros sonhos, e assim por diante, em um ciclo de desesperança e derrota” (DAMON, 2009, p. 137).

Fonte: Dados da pesquisa

Quando perguntamos sobre o que facilitaria a realização de seus projetos, o “dinheiro” aparece como fator mais forte nas opiniões dos jovens (31,75% dos entrevistados). Apesar de surgirem outros elementos em suas falas, percebe-se que muitos deles estão relacionados diretamente com o financeiro, pois só será possível viabilizá-los tendo uma condição financeira que assim permita (gráfico 6).

Ter mais colaboração da escola, mais oferta de cursos gratuitos e maior dedicação, evidencia a crença dos jovens na escola. Em suas respostas fica nítida a preocupação com a carreira profissional futura, eles almejam cada vez mais ter uma formação acadêmica, pois confiam nela para realizar seus projetos. É nítida a necessidade de novas oportunidades no campo dos estudos, para eles uma condição financeira melhor garantiria uma formação adequada, cursos e uma educação que os assista.

No que diz respeito às experiências escolares e as contribuições da escola na construção dos projetos futuros, contabilizamos as respostas em duas categorias, “A escola contribui” e “A escola não contribui”. Os dados apontaram que 52% dos estudantes afirmaram que as experiências vividas no cotidiano da escola “contribuem” para a elaboração de seus projetos futuros. Evidenciando a importância dada às aprendizagens desenvolvidas em sala de aula, e pela escola como os projetos, feira de ciências, seminários, teatro e trabalhos em grupo. Podemos confirmar essa contribuição nas afirmações a seguir:

A convivência com meus colegas e professores me trouxe novas perspectivas sobre coisas que eu sozinha não teria considerado.

 Trabalhos em grupo e individuais e trabalhos artísticos que ajudam a focar nas nossas responsabilidades.

 Ter os meus professores como exemplo ajudou bastante, pude conversar e tirar minhas dúvidas, a ajuda e o apoio deles é uma experiência muito boa, acredito que grande parte dos jovens de hoje, não tem nenhuma noção de seus projetos de vida devido à falta de comunicação e de conhecimento sobre o assunto.

 As atividades mencionadas pelos estudantes, apresentam ações mais interativas e dinâmicas, possibilitando o protagonismo juvenil, onde os estudantes podem atuar e se expressar de forma mais autônoma, desenvolvendo aprendizagens e potencialidades ao longo de sua trajetória escolar.

 Contudo, um número considerado de estudantes 48%, acham que a escola “não” contribui com a elaboração de seus projetos futuros, vale ressaltar que para esses jovens há um distanciamento do que é ensinado na escola com a necessidade da vida vivida na realidade.

A fala dos estudantes deixa isso bem claro:

 A escola nunca me ajudou a tomar uma decisão para minha vida, são tantas opiniões colocadas em debates desnecessários e desmotivadores.

 Tecnicamente nenhuma experiência vivida em ambiente escolar ajudaram na escolha, levando em conta que não há sequer educação financeira BÁSICA nas escolas, o que de meu ponto de vista é um conhecimento de extrema importância para a vida dos cidadãos em sociedade.

Para esse grupo de estudantes, o modelo tradicional de escola, centrado apenas na apreensão e uniformidade de conteúdos, não atende à necessidade e as expectativas juvenis.

Um dos maiores desafios até hoje para a educação pública brasileira, tem sido esse, tornar o currículo escolar mais atrativo, coerente e significativo, de forma que seja contemplado a realidade dos jovens estudantes. Para Carrano (2010):

A falta de escuta aos jovens por parte da escola em relação aos “conteúdos programáticos” também pode fazer parte do rol de queixas que comumente escutamos dos jovens estudantes. E, vislumbrando a vida para além da escola, denunciam que o que lhes é oferecido como conhecimento se apresenta de pouca praticidade para os desafios que precisam enfrentar no mundo do trabalho (CARRANO, 2010, p. 145).

Quando questionamos sobre as disciplinas escolares que são oferecidas pela escola, ao contrário do que esperávamos, quatorze jovens afirmaram que as disciplinas “contribuem” na construção de seus projetos, três disseram que elas “não contribuem” e outros dois, falaram que apenas “algumas” disciplinas contribuem. Mesmo tendo a maioria dos estudantes afirmando que as disciplinas escolares contribuem com a elaboração de seus projetos futuros, verificamos nas respostas dadas na entrevista que a temática em si, sobre os projetos de vida, de forma mais específica, não é abordada pela escola:

Conhecimento sempre é importante, então sim, matemática por exemplo ajuda muito nesse ramo.

 Até certo ponto sim, com os conteúdos de ciências biológicas e física e química, dá uma noção das coisas da área que desejo.

 Os conhecimentos básicos acerca de cada ciência, como é ensinado nas escolas, são sim de extrema importância, mas tendo em vista que o modelo de ensino das escolas é o mesmo a mais de 50 anos, chega a ser óbvio, dizer que esse modelo não contribui de forma tão significativa para os projetos de vida da maioria dos estudantes.

 A escola apresenta várias opções, porém não ajuda os alunos a tomarem decisões importantes, não existe diálogo válido entre os profissionais e os alunos.

Percebemos nas falas dos estudantes que alguns conteúdos ensinados pela escola são necessários e não contribuem para a realização dos planos futuros de uma parcela dos jovens. Diante disso, o que falta então na escola na opinião dos jovens que contribuiria com suas escolhas e decisões futuras? Apesar de surgirem outros elementos em suas falas, podemos perceber que uma parte significativa dos estudantes sugerem que a escola realize mais eventos interativos, eles propõem a realização de palestras, feira de profissões, eventos motivacionais, e projetos voltados para vocações (gráfico 7).

Fonte: Dados da pesquisa.

Estruturamos as sugestões descritas na pesquisa em dois agrupamentos, o primeiro é referente a ausência na escola de discussões sobre seus projetos futuros e menções relacionados a escola, o segundo é referente a alegações relacionadas a escola. Para o primeiro agrupamento de declarações verificamos que os jovens investigados sentem falta de discutir sobre seus projetos de vida; de mais incentivo para a elaboração de seus projetos e aulas/ações que tragam mais informações sobre a carreira a seguir. Observamos abaixo:

Mais projetos que incentivem a descoberta de sua vocação, e até mesmo mais simulados de vestibular desde o primeiro ano, para nós prepararmos com antecedência e não deixar tudo para o último ano, e corremos o risco de passar por uma situação como a de agora com o início da pandemia, muitos alunos despreparados para o vestibular e sem perspectiva de vida.

 Um momento reservado para falar sobre profissões e vestibular/ENEM. Falta uma orientação que nos ajudar a construir nossos projetos.

 Para o segundo agrupamento os jovens estudantes declararam a falta de aulas práticas e dinâmicas; aulas motivadoras; o uso de mais tecnologia, o distanciamento entre a escola e os estudantes, a falta de contextualização dos conteúdos e sugerem uma reformulação no modelo de escola.  Vejamos algumas de suas falas:

 Falta de contextualização das matérias estudadas, como o que foi estudado na sala de aula poderia ser aplicado no futuro.

 Se a escola desse um pouco que seja de atenção na área virtual e tecnologia daria mais ânimo pois teria um base de onde começar.

Nas falas dos jovens percebe-se um desejo de mudança na forma em que a escola direciona seu trabalho. Percebemos o desejo desses jovens de aprender mais sobre a vida, seu cotidiano, seu futuro e sua capacidade de discernir e agir. A educação que almejamos deve ser produto de uma dialética com múltiplas dimensões. Concordamos com Carrano (2010) quando diz que:

Hoje uma das mais importantes tarefas das instituições é contribuir para que os jovens possam realizar escolhas conscientes sobre suas trajetórias pessoais e constituir os seus próprios acervos de valores e conhecimentos, os quais já não mais são impostos como heranças familiares ou institucionais. O peso da tradição se diluiu e os caminhos a seguir são mais incertos (CARRANO, 2010, p. 155).

Esse desejo de mudança almejada pelos estudantes pode ser evidenciado na fala do estudante a seguir:

Mudança na estrutura do ensino da escola propriamente dita, trazendo novas perspectivas e a influência de debates sobre os diferentes problemas da vida em sociedade, tendo em vista que o foco da escola é preparar os alunos para vestibulares, sendo que existe uma vida inteira pela frente além dos vestibulares; por esse motivo se faz necessária a educação financeira, empatia dos funcionários, exclusão da atitude de exaltar alunos e desmerecer outros, o que é injusto e desanima os estudantes.

As falas evidenciam a ausência do protagonismo escolar no dia a dia da escola. A falta de diálogo, incentivo, motivações, orientação, inovação, valorização, ajuda pedagógica etc., se estende a toda escola. A falta que os jovens mencionam em suas falas deixam a formação desses jovens empobrecida, sobretudo, porque para muitos deles a escola é o único espaço frequentado de sistematização de saberes. É evidente que os problemas do ensino médio não pertencem apenas à escola, mas advêm de fatores internos e externos a ele. Para Gentili(1996):

Não faltam escolas, faltam escolas melhores; não faltam professores, faltam professores mais qualificados; não faltam recursos para financiar as políticas educacionais, ao contrário, falta uma melhor distribuição dos recursos existentes. Sendo assim, transformar a escola supõe um enorme desafio gerencial: promover uma mudança substantiva nas práticas pedagógicas, tornando-as mais eficientes; reestruturar o sistema para flexibilizar a oferta educacional; promover uma mudança cultural, não menos profunda, nas estratégias de gestão (agora guiadas pelos novos conceitos de qualidade total); reformular o perfil dos professores, requalificando-os, implementar uma ampla reforma curricular, etc. (GENTILI, 1996, p.18).

Fechamos nossa pesquisa buscando identificar e compreender as percepções dos jovens sobre o que eles sugerem para que a escola se torne mais interessante e significativa, isto é, qual seria a escola ideal para eles.

Tomamos como ponto inicial que não existe um único modelo de escola ideal, pelo contrário, a escola ideal de qualidade atende necessidades que são singulares e que originam-se de um cenário particular, compostos de atores e de demandas reais que surgem nos campos de possibilidades de cada sujeito e região. De acordo com Dourado e Oliveira (2009), um primeiro aspecto a ser ressaltado é que “qualidade é um conceito histórico, que se altera no tempo e no espaço, ou seja, o alcance do referido conceito vincula-se às demandas e exigências sociais de um dado processo histórico” (2009, p. 203-204).

Para os estudantes entrevistados uma escola ideal é aquela que apresenta melhores estruturas físicas, tem mais aulas práticas e dinâmicas, têm laboratórios, biblioteca com bom acervo, recursos tecnológicos, aconselhamento psicológico, que respeite as individualidades dos estudantes, tem um diálogo constante, que realiza um trabalho focado no ENEM e que oriente os estudantes quanto os projetos futuros e as profissões. Para a maioria deles, a escola ideal é a que oferece aulas práticas, interativas e lúdicas (gráfico 8).

Fonte: Dados da pesquisa.

Esse dado corrobora com a opinião de um estudante, que expressa em sua fala “na minha opinião o ensino tinha que nos incentivar a criatividade e experimentação pois assim saberíamos realmente que carreira seguir. #MAISEXPERIMENTAÇÃONAESCOLA.” Para esses jovens a escola deve proporcionar uma formação de qualidade e para isso precisa integrar em sua prática uma proposta que objetivem desenvolver no indivíduo autonomia cognitiva e pessoal.

Os resultados mostram que eles se preocupam com uma formação de qualidade que será a base para a entrada em um curso superior, eles também ressaltam a importância de aulas práticas na escola que os oportunizem o desenvolvimento de suas capacidades cognitivas, emocionais e físicas. Os jovens não desejam conhecimentos limitados que apenas os levarão a um futuro incerto e trabalhos precários, eles almejam por uma educação completa, inteira, melhor dizendo, uma educação integral.

No nosso entendimento a definição de uma escola de qualidade não deve se limitar somente no processo ensino-aprendizagem, uma educação de qualidade envolve os acontecimentos externos ao ambiente escolar, ou seja, uma educação de qualidade que abrange questões intraescolares que influenciam nos resultados educacionais. Segundo Dourado, Oliveira e Santos (2009).

a necessidade do estabelecimento de políticas públicas e projetos escolares para o enfrentamento de questões como fome, drogas, violência, sexualidade, famílias, raça e etnia, acesso à cultura, saúde etc.; a gestão e organização adequada da escola, visando lidar com a situação de heterogeneidade sociocultural dos estudantes; a consideração efetiva da trajetória e identidade individual e social dos estudantes, tendo em vista o seu desenvolvimento integral e, portanto, uma aprendizagem significativa; o estabelecimento de ações e programas voltados para a dimensão econômica e cultural, bem como aos aspectos motivacionais que contribuem para a escolha e permanência dos estudantes no espaço escolar, assim como para o engajamento em um processo de ensino aprendizagem exitoso (DOURADO; OLIVEIRA; SANTOS, 2009, p. 207).

Posto isso, a escola ideal que os jovens desejam, não é a escola possível, é uma escola que desenvolve um o processo de ensino e aprendizagem com qualidade, que se preocupa com todos os aspectos relacionados à educação, que trabalha para à garantia da equidade, assegurando uma formação indispensável para o exercício da cidadania e para preparação da vida produtiva.

CONSIDERAÇÕES

Voltando à nossa indagação inicial: “que percepções os jovens matriculados no Ensino Médio têm sobre a experiência escolar e suas expectativas com relação ao processo formativo e seus projetos futuros?” agora podemos responder que a escola tem uma utilidade na vida dos estudantes. Porém, embora essa utilidade não seja perfeita, eles reconhecem que a escola é importante e essencial para a sua formação. Mesmo que para muitos desses jovens o currículo não faz sentido e não terá utilidade fora dos portões da escola, visto que, muitas aprendizagens não são obrigatórias para cursar uma formação superior, ser um empreendedor ou arrumar um emprego.

Para eles escola real não é a escola ideal e a escola real não aborda em suas dinâmicas assuntos relevantes como sonhos, projetos futuros e realizações de objetivos, os jovens evidenciam em suas falas a falta de diálogo e incentivo das descobertas e construção do futuro, esses pensamentos ficam sob responsabilidade deles, que muitas vezes se sentem perdidos e desmotivados, não sabem o que fazer, quando e como fazer. As expectativas futuras almejadas pelos estudantes, é alcançar uma formação e um emprego estável, isso garantiria a tão sonhada autonomia financeira.

Constatamos a necessidade dos jovens de ter alguém para se espelhar, alguém que os influencie, que oriente o que fazer, como fazer e por onde começar, e é a família que aparece como grande influenciadora, deixando evidente a forte influência familiar na vida desses jovens.

É cada vez mais nítido a necessidade de novos incentivos na educação, pois, os jovens estão cada vez mais curiosos, questionadores, atentos e sedentos em saber novidades, criticar e ajudar a construir sua identidade num espaço que lhes é muito seu. Diante disso, a escola precisa esforçar-se buscando soluções para enfrentar esse universo jovem, é preciso um olhar atento sobre eles para que saibamos entendê-los como sujeitos de seu tempo.

Para os estudantes uma escola ideal é aquela que valoriza os estudantes em suas individualidades, que proporciona dinâmicas do diálogo, que orienta e contribui com a construção dos projetos de vida, que trabalha com projetos escolares, que oportuniza aos estudantes atendimento psicológico, enfim, uma escola onde os estudantes são ouvidos e sua contribuição tem valor.

Em suma, a pesquisa nos revelou alguns desafios que apontamos em conjunto com os jovens estudantes, entendendo seus apontamentos, suas críticas e suas sugestões, que precisam ser enfrentados para que o processo formativo possa tornar-se cada vez mais significativo para a juventude que busca realizar sua formação de educação básica: Desejam fazer um curso superior e ter uma formação de qualidade; Desejam ser compreendidos e ouvidos nas decisões tomadas quanto a eles na escola; Sentem a necessidade de trabalhar seus projetos de vida na escola em busca de encontrar respostas para suas dúvidas quanto ao rumo de suas vidas; Objetivam ocupar trabalhos melhores e alcançar a estabilidade financeira; Querem dialogar mais com os professores sobre assuntos além dos conteúdos curriculares; Sentem a necessidade de incentivos e motivações para conclusão de sua formação, e seus projetos futuros, e destacam a necessidade de diálogo com a escola para que possam ser ouvidos em relação às questões que envolvem a comunidade.

Diante do exposto, os resultados deste trabalho trouxeram novas questões. Acredito que a principal delas seja: O que a escola de Ensino Médio vem fazendo para atender as expectativas e as reais demandas dos estudantes? Deixo este questionamento em aberto, como uma possibilidade de novas investigações.

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[1] Mestra em Ciência, Tecnologia e Educação pela Faculdade Vale do Cricaré. Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal do Espírito Santo.

[2] Doutor em Engenharia Mecânica, área Vibrações e Ruído, pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Enviado: Janeiro, 2021.

Aprovado: Março, 2021.

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