Jogos educativos no processo de desenvolvimento cognitivo pedagógico [1]

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SILVA, Valdenize Alves [2]

SILVA, Valdenize Alves. Jogos educativos no processo de desenvolvimento cognitivo pedagógico. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 08, Vol. 14, pp. 107-114, Agosto de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

este artigo trata dosrecursos pedagógicos para a Educação Infantil, que estão em evidência nos últimos tempos, tendo em vista que as crianças repetem no jogo as impressões que vivenciam no cotidiano. Em meio aos problemas desta época é preciso refletir sobre a postura do educador frente à relação aluno-brincadeiras. Assim, este artigo, – em pesquisa quali-quantitativa, tem como objetivo analisar a relação entre aprincipal e melhor forma para uma prática educativa na formação lúdica do educador infantil. E buscando-se desvelar a discussão teórica de autores que articulam as temáticas referentes à Educação Infantil. O artigo, utiliza-se do método dedutivo, em que acontecem considerações na área de organização e planejamento de suas atividades. Haja vista que, o trabalho propõe uma saída criativa e inovadora para tornar essas ações pedagógicas ainda mais envolventes na hora da construção do conhecimento.

Palavras-chave:Educação infantil, Brincadeiras, Aprendizagem.

INTRODUÇÃO

Relembrando que brincar é um direito fundamental de todas as crianças no mundo inteiro, cada criança deve estar em condições de aproveitar as oportunidades educativas voltadas para satisfazer suas necessidades básicas de aprendizagem. A escola deve oferecer oportunidades para a construção do conhecimento através da descoberta e da invenção, elementos estes indispensáveis para a participação ativa da criança no seu meio.

Os jogos constituíram sempre uma forma de atividade do ser humano, tanto no sentido de recrear e de educar ao mesmo tempo. A relação entre o jogo e a educação são antigas, Gregos e Romanos já falavam da importância do jogo para educar a criança. Portanto a partir do século XVIII que se expande a imagem da criança como ser distinto do adulto o brincar destaca-se como típico da idade. As brincadeiras acompanham a criança pré-escolar e penetram nas instituições infantis criadas a partir de então. Nesse período da vida da criança, são relevantes todos os aspectos de sua formação, pois como ser bio-psico-social-cultural dá os passos definitivos para uma futura escolarização e sociabilidade adequadas como membro do grupo social que pertence.

Sobre o aspecto lúdico/sociedade, Kischimoto (1994, p. 110) nos diz que:

“Brincando (…), as crianças aprendem (…) a cooperar com os companheiros (…), a obedecer às regras do jogo (…), a respeitar os direitos dos outros (…), a acatar a autoridade (…), a assumir responsabilidades, a aceitar penalidades que lhe são impostas (…), a dar oportunidades aos demais (…), enfim a viver em sociedade.”

Isso nos deixa a entender que é brincando que a criança desenvolve suas responsabilidades e que conseguem viver em sociedade. Entenderemos melhor o que os jogos podem nos ensinar mais adiante.

2 OS JOGOS NA APRENDIZAGEM.

Nestes tempos de mudanças educacionais, nós educadores temos que ser multifuncionais, ou seja, não apenas educadores, mas filósofos, sociólogos, psicólogos, psicopedagogos, recreacionistas e muito mais para que possamos desenvolver as habilidades e a confiança necessária em nossos educandos.

“Educar não se limita a repassar informações ou mostrar apenas um caminho, aquele caminho que o professor considera o mais correto, mas é ajudar a pessoa a tomar consciência de si mesma, dos outros e da sociedade. É aceitar-se como pessoa e saber aceitar os outros. É oferecer várias ferramentas para que a pessoa possa escolher entre muitos caminhos, aquele que for compatível com seus valores, sua visão de mundo e com as circunstâncias adversas que cada um irá encontrar. Educar é preparar para a vida”. (KAMI, 1991, 125).

A ludicidade e a aprendizagem não podem ser consideradas como ações com objetivos distintos. O jogo e a brincadeira são por si só, uma situação de aprendizagem. As regras e imaginação favorecem á criança comportamento além dos habituais. Nos jogos ou brincadeiras a criança age como se fosse maior que a realidade, e isto, inegavelmente, contribuem de forma intensa e especial para o seu desenvolvimento (Rego, 1932, p.36).
As atividades lúdicas são a essência da infância. Por isso, ao abordar este tema não podemos deixar de nos referir também à criança. Ao retornar a história e a evolução do homem na sociedade, vamos perceber que a criança nem sempre foi considerada como é hoje. Antigamente, ela não tinha existência social, era considerada miniatura do adulto, ou quase adulto, ou adulto em miniatura. Seu valor era relativo, nas classes altas era educada para o futuro e nas classes baixas o valor da criança iniciava quando ela podia ser útil ao trabalho, colaborando na geração da renda familiar.

Os jogos e brinquedos, embora sendo um elemento sempre presente na humanidade desde seu início, também não tinham a conotação que têm hoje, eram vistos como fúteis e tinham como objetivo a distração e o recreio. O aparecimento do jogo e do brinquedo como fator do desenvolvimento infantil proporcionou um campo amplo de estudos e pesquisas e hoje é questão de consenso a importância do lúdico.

Dentre as contribuições mais importantes destes estudos, segundo Negrine (1994, p. 41), podemos destacar:

  • As atividades lúdicas possibilitam fomentar a “resiliência”, pois permitem a formação do autoconceito positivo;
  • As atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança, já que através destas atividades a criança se desenvolve afetivamente, convive socialmente e opera mental-mente.
  • O brinquedo e o jogo são produtos de cultura e seus usos permitem a inserção da criança na sociedade;
  • Brincar é uma necessidade básica assim como é a nutrição, a saúde, a habitação e a educação;
  • Brincar ajuda a criança no seu desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social, pois, através das atividades lúdicas, a criança forma conceitos, relaciona idéias, estabelece relações lógicas, desenvolve a expressão oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integra-se na sociedade e constrói seu próprio conhecimento.

Apesar do jogo, ser uma atividade espontânea nas crianças, isso não significa que o professor não necessite ter uma atitude ativa sobre ela, inclusive, uma atitude de observação que lhe permitirá conhecer muito sobre as crianças com que trabalha.

A criação de espaços e tempos para os jogos é uma das tarefas mais importantes do professor, principalmente na escola de educação infantil. Cabe-lhe organizar os espaços de modo a permitir as diferentes formas de jogos, de forma, por exemplo, que as crianças que estejam realizando um jogo mais sedentário não sejam atrapalhadas por aquelas que realizam uma atividade que exige mais mobilidade e expansão de movimentos.

O professor precisa estar atento à idade e às capacidades de seus alunos para selecionar e deixar à disposição materiais adequados. O material deve ser suficiente tanto quanto à quantidade, como pela diversidade, pelo interesse que despertam pelo material de que são feitos. Lembrando sempre da importância de respeitar e propiciar elementos que favoreçam a criatividade das crianças.

Com relação ao jogo, Piaget (1998) acredita que ele é essencial na vida da criança.  De início tem-se o jogo de exercício que é aquele em que a criança repete uma determinada situação por puro prazer, por ter apreciado seus efeitos. Em torno dos 2-3  e 5-6 anos nota-se a ocorrência dos jogos simbólicos, que satisfazem a necessidade da criança de não somente relembrar o mentalmente o acontecido, mas de executar a representação.
Já Vygotsky (1989), diferentemente de Piaget, considera que o desenvolvimento ocorre ao longo da vida e que as funções psicológicas superiores são construídas ao longo dela. Ele não estabelece fases para explicar o desenvolvimento como Piaget e para ele o sujeito não é ativo nem passivo: é interativo. Segundo ele, a criança usa as interações sociais como formas privilegiadas de acesso a informações: aprendem à regra do jogo, por exemplo, através dos outros e não como o resultado de um engajamento individual na solução de problemas.  Desta maneira, aprende a regular seu comportamento pelas reações, quer elas pareçam agradáveis ou não.

Enquanto Vygotsky fala do faz-de-conta, Piaget fala do jogo simbólico, e pode-se dizer segundo Oliveira (1990), que são correspondentes. “O brinquedo cria uma Zona de Desenvolvimento Proximal na criança”. (Oliveira, 1990), lembrando que ele afirma que a aquisição do conhecimento se dá através das zonas de desenvolvimento: a real e a proximal.  A zona de desenvolvimento real é a do conhecimento já adquirido, é o que a pessoa traz consigo, já a proximal, só é atingida, de início, com o auxílio de outras pessoas mais “capazes”, que já tenham adquirido esse conhecimento.

As maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro tornar-se-ão seu  nível básico de ação real  e moralidade. (Vygotsky, 1989). Piaget (1998) diz que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, sendo, por isso, indispensável à prática educativa.

CONCLUSÃO

Os professores de Educação Infantil, devem através de jogos, facilitar a aprendizagem e o desenvolvimento da criança nos aspectos físicos, cognitivo, motor, social e político.

O jogo pode ser considerado um recurso pedagógico para a Educação Infantil, uma vez que através dele a criança aprende sobre a natureza, eventos sociais, e dinâmicas internas. Os jogos se configuram a inúmeras brincadeiras infantis. A criança repete no jogo as impressões que vivencia no cotidiano. O jogo é uma atividade que a criança necessita para atuar em tudo que a rodeia e desenvolve seu conhecimento.

Esperamos que as informações contidas neste trabalho possam ajudar ao educador infantil, na organização e planejamento de suas atividades. É importante colocar que o educador que trabalha diretamente com crianças pequenas deve sempre que possível ler artigos, textos e livros que falem sobre jogos, brincadeiras, brinquedos, e ainda sobre a criança e o seu desenvolvimento. Por isso esperamos que os conteúdos abordados venham colaborar de forma objetiva e concreta para uma melhor compreensão do universo lúdico infantil. E principalmente para uma melhor qualidade educativa na formação lúdica do educador infantil. Caro educador não esqueça que existem várias formas de brincar e nem sempre é preciso dinheiro para isso, só precisa de imaginação, ser criativo e acreditar em sonhos.

REFERÊNCIAS

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BOCK, Ana M; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes T. Psicologias: Uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo, SP: Saraiva, 1999.

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CAMPOS, D. M. S. – Psicologia da Aprendizagem, 19º ed., Petrópolis: Vozes, 1986.

CARVALHO, A.M.C. et al. (Org.). Brincadeira e cultura: viajando pelo Brasil que brinca . Vol. 1 e 2. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

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FONTANA, Roseli A. C. & CRUZ, Maria Nazaré. Psicologia e Trabalho Pedagógico – São Paulo –1997, Atual.

FREIRE, P. (1995). A Educação na Cidade (2ª ed.). São Paulo: Cortez

PIAGET, J. A. Formação do símbolo na criança, imitação, jogo, sonho, imagem e representação de jogo: São Paulo: Zahar 1971.

VYGOTSKY, L. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 1992.

[1] FACULDADE GRADUARTE

[2] formada em História. Especialização em História do Brasil e Gestão Estratégica de Recursos Humanos. Concluindo mestrado em Ciências da Educação em Assunção, na Universidade Autônoma de Assunção. Cursando 3° período em Ciências Sociais pela UFRPE.

formada em História. Especialização em História do Brasil e Gestão Estratégica de Recursos Humanos. Concluindo mestrado em Ciências da Educação em Assunção, na Universidade Autônoma de Assunção. Cursando 3° período em Ciências Sociais pela UFRPE.

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