Cantos temáticos: brincando também se aprende

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/cantos-tematicos
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ARTIGO ORIGINAL

NEVES, Valdete Ferreira [1]

NEVES, Valdete Ferreira. Cantos temáticos: brincando também se aprende. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 03, Vol. 02, pp. 38-53. Março de 2019. ISSN: 2448-0959.

RESUMO

O presente artigo está direcionado à temática dos cantinhos em sala de aula, com o intuito que o professor possa trabalhar com a ludicidade na Educação Infantil, trazendo a importância do brincar para que relação entre educador e brincadeira seja estabelecida de forma clara no âmbito educacional promovendo aprendizagem, dessa ação educativa a favor do desenvolvimento global das crianças, o trabalho tem como objetivo geral organizar, compreender o conceito dos cantos temáticos na Educação Infantil, a metodologia pautou em pesquisa bibliográfica a partir de livros e artigos científicos e autores que relatam sobre o tema, no artigo há referências sobre tipos de cantos temáticos que possibilitam orientar de diferentes maneiras que o professor possa organizar o espaço da sala de aula proporcionando um ensino de qualidade diante das necessidades das crianças, sendo um recurso fundamental, para o seu desenvolvimento, com o novo olhar para Educação Infantil, as escolas precisam de se reestruturar seus espaços físicos e suas práticas pedagógicas que possibilitara a interação dos alunos com diferentes linguagens, estabelece a manipulação de diferentes materiais para proporcionar um atendimento de qualidade diante das necessidades das crianças, para que trabalhem o lúdico como ferramenta para o seu desenvolvimento cognitivo, a importância do brincar para que a relação entre educador e brincadeiras sejam estabelecidos deforma clara no âmbito educacional provendo aprendizagem, analisar o interesse do brincar tanto individuais e grupais, para o desenvolvimento das competências relacionadas a escolarização na etapa da Educação Infantil.

Palavras-chave: Escola, Professor, Ludicidade Brincadeiras e Rotina.

INTRODUÇÃO

Trata se de um artigo, no qual fala sobre cantos temáticos em sala de aula e como criar, no qual o professor utilizara a seu favor como ferramenta pedagógica, e deixando claro, a importância do lúdico na Educação Infantil como um recurso eficiente que ajuda a criança a desenvolver a sua linguagem na relação com si mesma, além de intervir positivamente do desenvolvimento integral e social, como um instrumento para a construção do conhecimento da criança no espaço escolar, onde a mesma desenvolvera através de momentos lúdicos, acontecendo um desenvolvimento de forma prazerosa.

O espaço escolar precisa ser um ambiente rico de estímulos par as crianças possam desenvolver, e uma sala de aula organizada nessa modalidade de cantos temáticos que proporcionam grandes aprendizagens para os alunos, pois além delas adquirirem conhecimentos e terem os momentos das brincadeiras asseguradas, podendo desenvolve-se a interagir com os adultos e amigos da sala de aula.

Os professores devem organizar e proporcionar uma sala rica de estímulos e analisar quais os materiais necessários para os cantinhos, dando segurança e conforto, importante que o professor seja o mediador e sempre observação para ver como as crianças estão lidando com a situação e se estão mostrando interesse diante do brincar nos espaços oferecidos.

DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento da realidade, a falta de conhecimento e compromisso do educador no que tange a ludicidade na Educação Infantil, são um dos problemas que as escolas enfrentam no seu dia-a-dia, pois o mesmo sente-se desafiador a repensar a prática pedagógica, inscrevendo a possibilidade de novos procedimentos. Esse processo de parceria possibilita um desenvolvimento muito importante e enriquecedor na formação do ser humano.

Com o novo olhar para a Educação Infantil, as escolas precisam de se reestruturar seus espaços físicos e suas práticas pedagógicas para proporcionar um atendimento de qualidade diante das necessidades das crianças. Assim dar maior atenção às características sócio físicas dos ambientes e as relações entre estes e a criança, garantindo a ela oportunidade de interagir e estar em contato com espaços variados, tanto construídos pelo homem quanto naturais, é uma maneira de proporcionar à infância condições plenas de desenvolvimento, gerando a consciência de si e do entorno que são provenientes da riqueza experiencial.

O espaço escolar, devido ao seu importante papel na formação infantil, a escola é considerada um dos principais elementos do ambiente social da criança, conceito definido por Lima (1989) como o conjunto de espaços onde ela interage, cujo apego e apropriação são facilitados pela familiaridade.

A escola deve aproveitar todas as manifestações de alegria da criança e canaliza-la emocionalmente através de atividades lúdicas educativas. Essas atividades quando bem direcionadas, trazem grandes benefícios que proporcionam saúde física, mental, social e intelectual à criança.

Na escola, o professor deve estar sempre atento às etapas do desenvolvimento do aluno, colocando-se na posição de facilitador da aprendizagem e enfatizando seu trabalho no respeito mútuo, na confiança e no afeto.

Para alguns teóricos, o professor que trabalha com o lúdico em sala de aula permite que as crianças desenvolvam suas atividades alcançando excelentes resultados na linguagem, na motricidade, na atenção e na inteligência.

Segundo Drouet (1995, p.21), afirma que:

O papel da escola é promover a facilitação corporal (conhecimento do corpo e suas potencialidades); exercícios realizados com olhos fechados facilitam esse conhecimento; – espacial, posicionando a criança em espaços diferenciados; Temporal, vivida a partir da marcação rítmica, escrita, através da movimentação ampla, direção esquerdo-direita.

Lembrando sempre, que o papel da escola é formar cidadões preparados para ser inserido na sociedade, e o professor é o instrumento desse processo.

Para responder as novas demandas e exigências da educação, precisamos de estratégias, habilidades e procedimentos que correspondem na prática as novas necessidades e expectativas da educação, inclusive da educação infantil, pois leva consigo uma identidade profissional, que dá uma segurança indispensável para que seja capaz de transmitir segurança ao educando, também favorecendo o trabalho do professor, assim realizando um trabalho de qualidade, já que ele é responsável pela aprendizagem e consequentimente aos valores que passa aos alunos, permeando por suas relações e atitudes, pois elas são assimiladas facilmente e têm uma função muito grande na formação do educando, pois o professor tem que tomar cuidado, já que ele é responsável pela aprendizagem e consequentimente aos valores que passa aos alunos, permeando por suas relações e atitudes, pois elas são assimiladas facilmente e têm uma função muito grande na formação do educando.

O professor ao ensinar com carinho e respeito às individualidades e potencialidades de cada criança estará mais próximo de prevenir os fracassos escolares, com este trabalho estará melhorando o desenvolvimento dessas crianças, dando sentido ao que é realmente significante para quem quer aprender. Ao envolver com o processo de aprendizagem cabe a esses educadores, resgatar nelas o gosto pelo aprender, a vontade pela busca de conhecimento, reconhecendo-se que através do brincar e dos jogos isso se processa mais facilmente.

Olhar a criança como um sujeito pensante, orgânico, corporal, intelectual e simbólico é ponto de partida para uma nova concepção de aprendizagem, aquela que realmente buscará o sucesso. Pesquisar, investigar, propor e mediar situações de jogos em sala, acontecendo momentos lúdicos, fazendo com que ocorra um desenvolvimento significativo e uma socialização de forma natural.

Descobrir que a criança sabe e gosta de fazer produziria uma relação na qual ela era capaz. É possível identificar a problematização por pior que sejam as dificuldades econômicas, intelectuais ou afetivas por que passam algumas crianças (MACHADO, 1996, p.09).

A infância é uma fase importantíssima para a formação do ser humano, então a Educação Infantil torna-se uma etapa imprescindível para a aprendizagem de valores, incluindo valores de acordo com a cultura de paz, como respeito, cooperação, a igualdade, a ternura, autonomia, justiça e a solução de conflitos de forma pacífica, e também um espaço para brincar e ser feliz. “O fundamental para as crianças menores de seis anos é que elas se sintam importantes, livres e queridas” (Lisboa, 2001).

Para que o professor trabalhe com o lúdico no âmbito do espaço escolar com a devida “seriedade”, ele tem que saber relacionar o processo de desenvolvimento infantil ao surgimento das brincadeiras, considerando que o brincar vai além das questões estritamente cognitivas, sendo, culturalmente uma atividade humana. Pensar a importância do brincar nos remete às mais diversas abordagens existentes, tais como cultural.

Grandes teóricos como ROUSSEAU, FROEBEL, DEWEY e PIAGET confirmam a importância do lúdico para a Educação da criança.

Segundo Rousseau (1968, p.109), “as crianças têm maneira de ver, sentir e pensar que lhe são próprias e só aprendem através da conquista ativa, ou seja, quando elas participam de um processo que corresponde à sua alegria natural”.

Para Froebel (1826, p.230), a educação mais eficiente é aquela que proporciona atividades, a outo expressão e participação social às crianças. Ele afirma que a escola deve considerar a criança como atividade criadora e despertar, mediante estímulos, as suas faculdades próprias para a criação produtiva. Sendo assim, o educador deve fazer do lúdico uma arte, um instrumento para promover a facilitara educação da criança. A melhor forma de conduzir a criança à atividade, à auto-expressão e à socialização seria através do lúdico.

Já Dewey (1952, p.34), pensador norte-americano, afirma que o jogo faz o ambiente natural da criança, ao passo que as referências abstratas e remotas não correspondem ao interesse da criança. Em suas palavras: somente no ambiente natural da criança é que ela poderá ter um desenvolvimento seguro.

É através do brincar que as crianças interagem e socializam por meio de descobertas e da criatividade que elas vão transformando a realidade.

Segundo Vygotsky (1984), com as brincadeiras, as crianças desenvolvem a expressão corporal, gestos e posturas. A relação que se estabelece entre o corpo, a mente da criança e o seu ambiente tem uma enorme importância para o seu desenvolvimento.

Tanto para Vygotsky (1984), como para Piaget (1975), o desenvolvimento não é linear, mas evolutivo, nesse trajeto, a imigração se desenvolve. Uma vez que a criança brinca e desenvolve a capacidade para determinado tipo de conhecimento, ela dificilmente perde esta capacidade. É com a formação de conceitos que se dá a verdadeira aprendizagem e é no brincar que está um dos maiores espaços para a formação de conceitos.

O lúdico deve estar inserido nas práticas de educação sendo uma estratégia poderosa na formação da personalidade, nos domínios da inteligência e na evolução do pensamento da criança.

Luckesi (2007), em sua concepção sobre o lúdico, alerta, no entanto, para o fato de que a ludicidade não deve ser confundida com divertimento. Em sua visão, a atividade lúdica é um “fazer” humano mais amplo, que se relaciona não apenas à presença das brincadeiras ou jogos, mas também a uma atitude verdadeira do sujeito envolvido na ação. Nos primeiros anos de vida, a criança ao brincar “desenvolve a inteligência, aprendendo progressivamente” a representar simbolicamente sua realidade. Deixa em parte o egocentrismo que a impede de ver o outro diferente dela, aprende a conviver de forma dinâmica, criativa e prazerosa.

O brincar é uma característica da infância, direito assegurado pelo estatuto da criança e do adolescente, no artigo 16, inciso IV, no qual a liberdade compreende vários aspectos, entre eles, o brincar, praticar esportes e divertir-se, portanto, privá-las disso é não garantir o seu pleno desenvolvimento.

A ludicidade ou brincar baseado no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil permite que as crianças possam exercer sua capacidade de criar, sendo imprescindível que haja riqueza e diversidade nas experiências que lhes são oferecidas nas instituições.

A brincadeira é uma linguagem infantil que mantém um vínculo essencial com aquilo que é o “não-brincar”. Se a brincadeira é uma ação que ocorre no plano da imaginação isto implica que aquele que brinca tenha o domínio da linguagem simbólica. Isto quer dizer que é preciso haver consciência da diferença existente entre a brincadeira e a realidade imediata que lhe forneceu conteúdo para realizar-se. Nesse sentido, para brincar é preciso apropriar-se de elementos da realidade imediata de tal forma a atribuir-lhes novos significados.

No ato de brincar, os sinais, os gestos, os objetos e os espaços valem e significam outra coisa daquilo que aparentam ser. Ao brincar as crianças recriam e repensam os acontecimentos que lhes deram origem, sabendo que estão brincando. Brincar contribui, assim, para a interiorização de determinados modelos de adulto, no âmbito de grupos sociais diversos. Essas significações atribuídas ao brincar transformam-no em um espaço singular de constituição infantil.

A dimensão lúdica aparece como secundária em relação à dimensão da aprendizagem. Trata-se, realmente. Segundo BROUGÉRE, (2004) “de aprender brincando, sem ter a impressão de que se aprende”.

O adulto criativo vai existir de acordo com os estímulos que se tem na infância, privar uma criança de brincar é limitá-la, é sufocá-la cognitivamente, deve-se repensar nas práticas de ensino atuais torna se decisivo o papel do professor como mediador ou empate desse processo. De acordo com Santos (1999), a história tem nos mostrado que as crianças sempre brincaram e certamente continuarão brincando. Brincar faz parte da essência da criança e quando isso não acontece algo não pode estar bem.

O surgimento da modernidade e a falta de espaço para as brincadeiras, as crianças não brincam tanto quanto no passado, se envolvem com a mídia e brinquedos eletrônicos, aí que entra o papel da escola, proporcionar momentos de brincadeiras no ambiente escolar, resgatando a liberdade de brincar.

Desde a antiguidade os seres humanos jogam e brincam entre si, o jogo acompanhou a evolução histórica e esteve presente em todas as civilizações.

É certo que ao longo do tempo, esses jogos vão agregando novas características e mudanças, pois é resultado das interações que os indivíduos fazem durante o uso de tais práticas.

A compreensão das brincadeiras e recuperação do sentido lúdico de cada povo depende do modo de vida de cada agrupamento humano, em seu tempo e seu espaço. (Kishimoto, 2004, p. 63)

Ariés apud Marcellino (2006) argumenta que para os adultos, o brincar não era importante para a formação das crianças, a criança que brincava e jogava não produzia, pois seu prazer estava no brincar e este não interessava para sociedade. O autor ainda nos mostra como os jogos e as brincadeiras eram praticados sem distinção de idade ou classe social. Porém, a partir dos surgimentos dos sentimentos da infância, “a escola e a família retiraram juntas a criança da sociedade dos adultos”.

Com o aparecimento da modernidade, a sociedade passou a estimular a convivência das crianças com outras crianças, principalmente por meio da escola, tirando-as das atividades de trabalho.

No passado as crianças tinham maior liberdade para brincar, mais espaço e mais tempo, nas ruas e praças as pessoas se encontravam para brincar, correr, jogar e aprender uns com os outros.

Os jogos tradicionais infantis aparecem de forma mais abundante no cotidiano dos agrupamentos infantis de tempos passados, marcados por um ritmo de vida mais lento. (Kishimoto 2004, p. 81)

Atualmente, por falta de espaço e segurança nas ruas, os jogos e brincadeiras na vida das crianças tem se limitado ao espaço da escola, é a falta de tempo da criança que tem atividades programadas para o dia todo, como natação, inglês, judô e etc., por isso não sobra tempo para brincar, restando apenas o espaço da escola.

Muitas vezes a criança se vê obrigada a brincar sozinha, ou porque mora longe de outras crianças, ou mora em apartamentos que não dispõem de espaços, em lugares movimentados, que não permitem brincadeiras ao ar livre ou em grupos.

Diante dessa realidade, a criança também é estimulada a assistir desenhos na televisão, filmes infantis, como forma de brincar, resultado da transformação da sociedade, como ela não pode brincar na rua ou com outras crianças, esta é uma alternativa assertiva na opinião de muitos pais, preocupados com a segurança de seus filhos.

A brincadeira ou ato de brincar pode ser conduzido independentemente de tempo, espaço, ou de objetos, é fato que na brincadeira a criança cria, recria e inventa, usando sua imaginação.

A brincadeira é uma linguagem infantil que mantém um vínculo essencial com aquilo que é “não-brincar”. Se a brincadeira é uma ação que ocorre no plano da imaginação isto implica que aquele que brinca tenha domínio da linguagem simbólica. Isto quer dizer que é preciso haver consciência da diferença existente entre a brincadeira e a realidade imediata que lhe forneceu conteúdo para realizar-se. Nesse sentido para brincar é preciso apropriar-se de elementos da realidade imediata de tal forma a atribuir-lhes novos significados. Essa peculiaridade da brincadeira ocorre por meio da articulação entre a imaginação e a imitação da realidade. Toda brincadeira é uma imitação transformada, no plano das emoções e das ideias, de uma realidade anteriormente vivenciada. (RCNEI, v.1, p.27).

A brincadeira é alguma forma de divertimento típico da infância, uma atividade natural da criança, que não implica em compromisso, planejamento ou seriedade e que envolve comportamentos espontâneos e geradores de prazer. É através do brincar que a criança se humaniza, aprendendo a criar vínculos afetivos ,bem como a construção de sua autonomia e sociabilidade, enfrenta o desafio de aprender a andar com as próprias pernas e a pensar com sua própria cabeça. O brincar é essencial à criança. Revela-se de diversas formas, buscando maneiras, contextos, símbolos, objetos, movimentos reveladores do sujeito que nos habita. Constitui o auxílio na boa formação infantil, nos aspectos emocionais, intelectivo, social e físico. O brincar faz parte da vida e, ao oferecermos à criança a possibilidade de brincar, oferecemos muito mais do que o ato em si mesmo, visível aos olhos.

A brincadeira é consagrada como atividade essencial no desenvolvimento infantil. Historicamente, assim como o lúdico sempre esteve presente na Educação Infantil. No Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998), a brincadeira está colocada como um dos princípios fundamentais, defendida como um direito, uma forma particular de expressão, pensamento, interação e comunicação entre as crianças, sendo assim, a brincadeira é cada vez mais entendida como atividade que, além de promover o desenvolvimento pleno das crianças, incentiva a interação entre os pares, a resolução construtiva de conflitos, a formação de um cidadão crítico e reflexivo.

A aprendizagem da criança se dará com mais facilidade a partir do momento em que o processo educativo espontâneo permite que a mesma brinque livremente em interação com seu meio ambiente, no entanto este ambiente normalmente limita essa liberdade por não haver espaços adequados que estimulem as brincadeiras.

Para trabalhar com a Educação Infantil, é de suma importância que o professor crie uma rotina, as atividades escolares devem adaptar-se à prática diária da criança. Quando não se levam em conta as necessidades e objetivos presentes no desenvolvimento infantil a prática rotineira constitui um funcionamento forçado e empobrecido. Neste sentido o educador deve apresentar situações de ensino que leve em conta o papel (utilidade e importância) que as atividades representam na vida do aluno, também quando trabalho com o lúdico.

Historicamente diferentes concepções acerca de infância surgiram e passaram por inúmeras transformações a partir do final do século passado. Nesta perspectiva, dois pesquisadores, sócio interacionistas, Vygotsky e Wallon, na área da psicologia trouxeram grandes contribuições teóricas sobre desenvolvimento infantil. As teorias sócio interacionistas ressaltam o desenvolvimento infantil como processo dinâmico, cabendo ao adulto proporcionar experiências rotineiras diversificadas e enriquecedoras, a fim de que as crianças possam fortalecer a autoestima e desenvolver suas capacidades. Com possibilidade de alteração no desempenho de uma pessoa pela interferência da outra é fundamental em Vygotsky (1984). Assim sendo, cabe a escola fazer a criança avançar na sua compreensão de mundo a partir do desenvolvimento já consolidado, tendo como meta etapas posteriores ainda não alcançadas. Neste sentido o papel do educador consiste em intervir, por meio de uma rotina estruturada e previamente planejada, na ZDP da criança, provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente.

Para compreender a teoria de Wallon (1989) num contexto de rotina escolar planejada é necessário ressaltar as características centrais dos três primeiros estágios dos desenvolvimentos psicogenéticos definidos por ele. A passagem de um estágio para outro não é uma simples ampliação, mas uma formulação do estágio anterior. O ritmo pelo qual as etapas do desenvolvimento vão se sucedendo é descontínuo e marcado por rupturas, retrocessos e reviravoltas, isto é um comportamento que parecia já ter sido superado em fase anterior pode voltar em uma nova fase. O estágio impulsivo-emocional, sensório-motor e do personalismo nas teorias, Henri Wallon, nos dá indícios de que a rotina pedagógica é um elemento indispensável à prática docente no contexto histórico atual da educação infantil. Ele propôs o estudo integrado do desenvolvimento infantil, contemplando os aspectos da afetividade, da motricidade e da inteligência. Segundo Wallon, o desenvolvimento da inteligência depende das experiências oferecidas pelo meio e do grau de apropriação que o sujeito faz delas. Assim, os aspectos físicos do espaço a mediação das pessoas próximas, recursos materiais e linguagens utilizadas ao seu redor, bem como os conhecimentos presentes na cultura contribuem efetivamente para formar o contexto de educação infantil.

Para Oliveira (2002), os conflitos que surgem das interações significativas com outras pessoas possibilitam à criança formar representações coletivas, que amplia o seu acesso ao meio simbólico e cultura que a rodeia. Ao manifestar reflexos e movimentos, a criança exterioriza estados de satisfação ou insatisfação que são transformados em recursos expressivos, suscitando das pessoas que delas cuidam, intervindo e possibilitando a criança uma ruptura na organização que ela havia até então construído. Isto implica destacar quanto os profissionais das escolas infantis têm a responsabilidade de planejar uma rotina escolar competente e bem fundamentada pedagogicamente, que se aproxime ao máximo das necessidades sócio educativas das crianças.

As atividades lúdicas têm que fazer parte da vida escolar da criança, assim ela aprende a descobrir o mundo de maneira lúdica e divertida. “Brincar fornece à criança a possibilidade de construir uma identidade autônoma, cooperativa e criativa” (ABRAMOWICZ, p. 56).

O professor através de observação dos cantinhos pode fazer uma avaliação individual ou em grupo, havendo a necessidade de intervir para acontecer um desenvolvimento maior. Para Kramer (1998):

A utilização de cantinhos na sala de aula é de fundamentação importância para o bom desenvolvimento da criança, pois assim os alunos teram a oportunidade de estudar em um ambiente propício para desenvolver suas habilidades de uma maneira prazerosa e lúdica.

A escola é um espaço no qual prepara a criança para viver em sociedade, um cidadão autônomo com direitos e deveres, por isso a forma do professor trabalhar pode refletir positivamente ou negativamente nesses futuros cidadãos, por conta disso, o professor tem que conhecer e confiar na sua forma de trabalhar, uns dos métodos pedagógicos, sãos os cantinhos temáticos.

Os cantos temáticos podem ser chamados também como zonas circunscritas, que representam áreas fechadas, com apenas três ou quatro lados delimitando o espaço. “Com a chegada dos “cantos” e a organização funcional das salas de aula aconteceu uma verdadeira revolução na forma de conceber uma aula de Educação Infantil e na forma de organizar o trabalho na mesma”. (ZABALZA, 1998, p. 229). Quando falamos sobre a organização dos cantos temáticos, é preciso pensar que este, segundo Almeida (2011), refletindo na visão de Barboza e Horn (2006, p. 40), “[…] deve considerar a faixa etária das crianças […]”, ser prazeroso, acolhedor, rico e estimulador para que as crianças tenham oportunidades de se expressar, brincar, explorar o ambiente e sentir-se autônoma. Oportunizar cantos temáticos na Educação Infantil faz com que a criança tenha estímulos para o desenvolvimento da imaginação, faz-de-conta, autonomia, socialização e cognição.

O educador pode estar fazendo uma organização de cantos, como o da casinha, da leitura, dos jogos, da arte e vários outras essas são alguma e ideias de cantos temáticos, que permitirá que a crianças se interaja melhor dentro de um espaço pequeno.

Uma sala de aula de Educação Infantil dever ser, antes de qualquer coisa, um cenário muito estimulante, capaz de facilitar e sugerir múltiplas possibilidades de ação. Deve conter materiais de todos os tipos e condições, comerciais e construídos, alguns mais formais e relacionados com atividades acadêmicas e outros provenientes da vida real, de alta qualidade ou descartáveis, de todas as formas e tamanhos, etc. (ZABALZA, 1998, p. 53). Nesse contexto o autor esclarece também, que uma das funções fundamentais do professor desse segmento educacional constitui: […] saber organizar um ambiente estimulante e possibilitar às crianças que assistem a essa aula terem inúmeras possibilidades de ação, ampliando, assim, as suas vivências de descobrimento e consolidação de experiências de aprendizagem. (ZABALZA, 1998, p. 53). Podemos analisar um canto temático como um simples espaço do brincar, mas organizar cantos temáticos irá permitir que a criança tenha escolhas em brincar sozinha ou em pequenos grupos, e, além disso, permitirá que a criança desenvolva a sua criatividade, possibilitando assim, diferentes formas de linguagens.

CONCLUSÃO

Ao concluir esse Artigo, com uma das maiores verdades discutidas por teóricos, pensadores, professores e profissionais envolvidos na área da educação, de que a criança aprende enquanto brinca. Deste modo, pude verificar que esta prática de ensino muito contribui com a construção de um trabalho pedagógico mais envolvente, na medida em que explora novas práticas no ambiente escolar quando reconhece o lúdico como uma ferramenta no desenvolvimento da criança.

Neste contexto, é de suma importância que os professores repensem suas práticas pedagógicas e vençam paradigmas culturalmente transmitidos de geração em geração que ainda buscam reafirmar práticas de uma educação tradicional pautadas na transmissão de informações. Práticas essas, que inibem uma postura mediadora do professor diante da produção de novos conhecimentos e muitas vezes impedem a presença da ludicidade na Educação Infantil.

Neste contexto, o brincar através dos cantinhos da leitura, criatividade e construção desperta na criança, curiosidade, imaginação, criatividade, socialização e consequentemente um conhecimento significativo. Sabe-se que em qualquer fase da vida, através das atividades lúdicas, o educando explora muito mais sua criatividade, ajudando do desenvolver cognitivo e afetivo, despertando sua autoestima.

No entanto, o professor precisa conhecer a ludicidade para poder exercer sua função de maneira lúdica. Para isso é necessário que o professor saiba entender o porquê de planejar as atividades antes de realiza-las. Nada pode ser feito por acaso ou de improviso. É fundamental que tenha um conhecimento prévio do que se vai fazer.

Conclui-se inferindo que a ludicidade muito contribui para o desenvolvimento integral da criança na fase da Educação Infantil. No entanto, este fato se estende também no processo de aquisição da alfabetização e do letramento, quando o professor reconhece a ludicidade como uma ferramenta metodológica.

O artigo trata-se de criar cantinhos, criando assim o Cantinho da Leitura, e outros trazendo a Construção e Atividades, havendo a necessidade de trazer para dentro da sala de aula a ludicidade, oportunizando às crianças momentos descontraídos e alegres, pois nesses cantinhos acontecem um desenvolvimento e uma troca de experiência entre elas, as mesmas se interagem e socializam.

REFERÊNCIAS

LIRA, Natali Alves Barros. RUBIO, Juliana de Alcântara Silveira. A Importância do brincar na Educação Infantil. Disponível em: <http://www.uninove.br/marketing/fac/publicacoes_pdf/educacao/v5_n1_2014/Natali.df/>. Acesso em: 23 nov. 2016.

MACHADO LIBÂNO, José Carlos. Democratização da escola pública: A pedagogia crítico social dos conteúdos. 14ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 1996.

MEC. Referencial curricular para educação infantil. 1998. V. 1.

MEC. Referencial curricular para educação infantil. 1998. V. 2.

VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente, São Paulo: Martins Fontes, 1984. .

<http://unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/cadernodeeducacao/sumario/35/06042015200227.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2016.

<https://www.portaleducacao.com.br/educacao/artigos/25992/cantos-tematicos>. Acesso em: 23 nov. 2016.

APÊNDICES

Ao realizar esse Artigo de conclusão do Curso de Pós-Graduação de Especialização em Educação Infantil, concluo meu pensamento que:

(Autora: Valdete Ferreira Neves, 2016).

Um olhar de uma criança reflete a esperança, tem um brilho cintilante. Bondade, ternura e doçura com sua infinita espontaneidade.

[1] Especialização Em Educação Infantil, Professora Da Rede Municipal De Colíder-MT.

Enviado: Março, 2018.

Aprovado: Março, 2019.

 

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