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Atividades Circenses como Ferramenta Educacional para as Aulas de Educação Física Escolar: Percepção dos Professores.

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Atividades Circenses como Ferramenta Educacional para as Aulas de Educação Física Escolar: Percepção dos Professores.
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ARTIGO EM PDF

COSTA, Allan Sabatine da Silva [1]

DIAS, Inaê Dandara Silva [2]

VELASCO, André Almeida [3]

BORRAGINE, Solange De Oliveira Freitas [4]

COSTA, Allan Sabatine da Silva Costa. Atividades Circenses como Ferramenta Educacional para as Aulas de Educação Física Escolar: Percepção dos Professores. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 04. Ano 02, Vol. 01. pp 697-713, Julho de 2017. ISSN:2448-0959

RESUMO

Este estudo tem o objetivo de investigar como o conteúdo Atividades Circenses é percebido por professores de Educação Física e se ele é aplicado no âmbito escolar. Para essa finalidade foi realizada pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo, com a aplicação de um questionário com questões abertas e fechadas à professores da Educação Física escolar da região de Carapicuíba e Barueri. A Educação Física escolar utiliza os conteúdos da área para que a cultura corporal seja apresentada e construída com os alunos. As Atividades Circenses representam um dos conteúdos que podem ser abordados. Diante a pesquisa de campo realizada constatamos que as Atividades Circenses é um conteúdo conhecido pelos professores de Educação Física escolar, porém é pouco aplicado nas aulas, devido a falta de material didático e por se prenderem aos conteúdos programáticos tradicionais e sugeridos pela instituição. A implantação das Atividades Circenses no ambiente escolar pode trazer um diferencial de culturas e provocar mais interesse dos alunos pelas aulas de Educação Física, possibilitando ser empregada como forma de diversificar as práticas cotidianas.

Palavras chave: Educação Física, Educação Física Escolar, Atividades Circenses.

INTRODUÇÃO

Observam-se inúmeros estudos que discutem os conteúdos possíveis de serem aplicados nas aulas de Educação Física na Educação Básica, no entanto, ainda são apresentados poucos que tratam das Atividades Circenses no âmbito escolar, logo, isso nos despertou interesse na busca para melhor compreender o assunto.

Em nossas vivências nos estágios obrigatórios e como futuros professores de Educação Física entendemos que esse seja um tema pouco explorado no âmbito escolar e, consequentemente pouco vivenciado pelos alunos, no entanto, acreditamos que o assunto seja possível de ser desenvolvido em aulas de Educação Física, auxiliando o professor na abordagem de propostas diferenciadas, que motivem os alunos a participarem das aulas, além de oportunizar o conhecimento e valorização de diferentes manifestações da cultura corporal.

Podemos considerar as Atividades Circenses conteúdos possíveis nas aulas de Educação Física escolar? O que registram os estudos que discutem as Atividades Circenses como conteúdo nas aulas de Educação Física?  Essas atividades são aplicadas na escola? Qual é a visão do professor de Educação Física que atua na escola sobre isso? Esses foram alguns questionamentos que nos motivaram a pesquisar o assunto e discutir sobre as possibilidades de inserção das Atividades Circenses na prática docente como conteúdo e ferramenta educacional a ser desenvolvida na Educação Física escolar.

O objetivo da nossa pesquisa, portanto, é investigar como o conteúdo Atividades Circenses é compreendido pelos professores de Educação Física e se ele é aplicado no âmbito escolar.

EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

A Educação Física é compreendida como prática pedagógica da Motricidade Humana, em que o aluno é entendido como ser global, que faz parte de um contexto, de uma realidade, que tem sentimentos, emoções, portanto, que age sob a sua história. O objetivo da Educação Física escolar é potencializar o “todo” do indivíduo, contribuindo para que os alunos se movimentem com autonomia. (FRANCO, 2011).

A Educação Física é uma área de conhecimento que lida com ações corporais vivenciadas de diversas formas, formando o que se conhece como cultura corporal. De acordo do Daólio (1995, p. 39), o ser humano, por meio do seu corpo, vai assimilando e se apropriando dos valores, normas e costumes sociais, num processo de incorporação. Em outros termos, o ser humano incorpora a cultura por meio do seu corpo.

 Educação Física e seus conteúdos

Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), documento oficial do Mistério da Educação (BRASIL, 1998), a Educação Física é componente curricular obrigatório na Educação Básica, uma disciplina complexa como as demais da escola, onde abrange diversos conteúdos educacionais que, ao mesmo tempo, trabalha suas próprias especificidades e se relaciona com outros componentes curriculares.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998) definem conteúdos como uma seleção de formas ou saberes culturais, explicações, conceitos, raciocínios, linguagens, habilidades, crenças, valores, atitudes, sentimentos, modelos de conduta entre outros. A assimilação desses conteúdos é essencial para que se produza socialização e desenvolvimento adequado aos alunos.

Como disciplina que possui conteúdos teóricos e práticos a serem aplicados, a Educação Física nas escolas é constituída e desenvolvida em três blocos de conteúdos e em três dimensões ou categorias de conteúdos.

Os PCNs (BRASIL, 1998), conforme Zabala (1998) esclarecem que essas categorias de conteúdos podem ser assim apresentadas: a conceitual está ligada a fatos, conceitos e princípios, ou seja, essa categoria trata, na Educação Física, além das questões de regras, táticas, história e recordes, do entendimento de como e porque realizamos movimentos corporais, como se constitui uma dança, dos motivos que levam as pessoas à prática de esportes, das mudanças de nosso organismo com a prática de atividades físicas, dentre outros conhecimentos. Ela está relacionada ao que o aluno deve “saber” (grifo nosso).

A categoria procedimental está voltada ao fazer ou saber fazer, ou seja, trata do aprendizado e execução, por exemplo, de gestos esportivos, dos movimentos rítmicos, dos movimentos de lutas, da elaboração / organização e desenvolvimento de uma partida esportiva, do trabalho em grupo para a criação de novas regras e jogos, dentre outros.

A categoria atitudinal, ligada às questões de atitude, comportamento do aluno, é vinculada às normas, valores e atitudes. É tratada por meio de discussões, debates e comportamentos, por exemplo, em que as atividades tragam à tona temas como a violência, a cooperação, a competição, o coletivo, a justiça, a autoridade, a solidariedade, o respeito e como tudo isso aparece na cultura corporal de movimento e na sociedade.

Os conteúdos sugeridos para serem desenvolvidos nas aulas de Educação Física, ainda de acordo com os PCNs (BRASIL, 1998); e Darido (2012), são identificados pelos “blocos de conteúdos”, que são divididos em três:

Primeiro bloco, “Jogos, Ginásticas, Esportes e Lutas”, concentram-se neste bloco, por exemplo, os esportes individuais ou coletivos, onde se realizam as práticas em que são adotadas regras de caráter oficial e competitivo; os diversos tipos de lutas que se caracterizam por uma regulamentação específica, a fim de punir atitudes de violência e de deslealdade; jogos que podem ser, por exemplo, populares e/ou tradicionais exercidos com um caráter competitivo, cooperativo ou recreativo e diferentes tipos de ginásticas, onde se exercitam técnicas de trabalho corporal, e é um conteúdo, como registra Pereira e Silva (2010) que se acredita ser essencial nas escolas.

Conforme os autores acima citados, em relação ao conteúdo “Ginástica”, este proporciona além do divertimento e satisfação, o resgate do núcleo primordial da ginástica: o desenvolvimento da criatividade, da ludicidade e da participação, e ainda a aquisição pelos alunos das inúmeras interpretações da ginástica e a busca de novos significados e possibilidades de expressão gímnica. (AYOUB, 2003 apud PEREIRA e SILVA, 2010).

Segundo bloco, “Atividades Rítmicas e Expressivas”, abrangem atividades relacionadas à expressão corporal, como os diferentes tipos de dança (popular, folclóricas, clássicas, de salão e contemporânea), além de outras práticas que se utilizem do corpo como meio expressivo. Os conteúdos deste bloco podem ser bastante diversificados e variar de acordo com o local que se tem disponível, além de resgatar as manifestações culturais tradicionais da coletividade.

O terceiro bloco, “Conhecimentos sobre o Corpo”, propõe ensinar aos alunos conceitos básicos sobre o corpo, que trás desde a noção estrutural anatômica até a reflexão sobre como as diferentes culturas lidam com esse instrumento.  Propõe que o professor trabalhe aspectos biológicos, anatômicos e sociais referentes ao corpo. (PEREIRA e SILVA, 2010).

Franco (2011) registra que a Educação Física deve ser efetivamente matéria do currículo escolar, e deve ser entendida como um componente escolar que também objetiva o ensino de conhecimentos, sendo esses os movimentos culturalmente construídos pelo homem.

Dentre os diversos conteúdos possíveis da disciplina de Educação Física, as Atividades Circenses devem ser consideradas um conhecimento produzido historicamente nas aulas, logo, deve ser trabalhado para que o aluno compreenda também essa manifestação cultural. (PILATO, 2010).

O CIRCO E AS ATIVIDADES CIRCENSES

O circo é uma das manifestações artísticas mais antigas do mundo. (AGUIAR e BELLUMAT, 2013). Ele representa cultura humana e, segundo Ayala (2010) foi construída ao longo de séculos, desde que o homem começou a registrar suas descobertas, suas ideias e seus feitos.

Breve histórico do circo

De acordo com Torres (1998) citadas por Ayala (2010), o Circo é uma atividade corporal secular e sua origem é de difícil precisão, mas acredita-se que o primeiro artista circense tenha surgido com o homem das cavernas.

Ayala (2010) registra que as raízes das artes circenses estão na Grécia antiga e no Império Egípcio, e que os primeiros desenhos de equilibristas e contorcionistas tenham sido gravados em pirâmides egípcias, como na tumba de Beni Hassan, onde o malabarismo era utilizado como parte de rituais. Conforme o autor, outra hipótese pode ser considerada: na China, local onde se descobriram pinturas de quase 5.000 anos, que aparecem acrobatas, contorcionistas e equilibristas.

A acrobacia, inclusive, chegou a ser uma forma de treinamento para os guerreiros, onde se exigia agilidade, flexibilidade e força. Com o passar dos anos essas qualidades se juntaram à graça, à beleza e à harmonia. Em 108 a.C., citado por Ayala, (2010), foi realizada uma grande festa em homenagem a visitantes estrangeiros, brindada com uma grande apresentação acrobática e, a partir deste evento o imperador decidiu que seriam realizados anualmente.

O primeiro circo europeu moderno, batizado com o nome de Astley’s Amphitheatre foi inaugurado em Londres no ano de 1770 por Philip Astley, um oficial inglês da Cavalaria Britânica. Inicialmente organizou um espetáculo equestre, com rigor e estrutura militares, mas percebeu que, para despertar o interesse do público, teria que reunir outras atrações, foi nesse momento que decidiu incluir saltimbancos, equilibristas, saltadores e palhaço (AYALA, 2010).

No começo da grande Era Medieval e com o fim do reinado de César, pessoas com grandes talentos se apresentavam em lugares públicos, em todo o mundo era possível encontrar pessoas que praticavam essas artes.

Na Inglaterra, Philip Astley, reuniu artistas e montou em 1768, seu circo na cidade de Londres. Este funcionava como um quartel, onde se utilizava uniformes, o rufar dos tambores e as vozes de comando para a execução dos números de risco. O próprio Astley dirigia e apresentava o espetáculo, criando, com isso, a figura do mestre de cerimônias.

Buscando eliminar a violência que era caracterizada nos circos antigos, Astley decidiu montar seu espetáculo com características engraçadas e agradáveis para contagiar seu público, colocando acrobacias, ilusionismo, entre outros que conhecemos nos circos de hoje.

Para maior entretenimento e divertimento como cita Aguiar e Bellumat (2013), Astley também decidiu introduzir em seu circo o palhaço, pessoa que costumava ser do batalhão e um soldado campônio, que se tornava o “clown”, que em inglês significa caipira. O palhaço normalmente não sabia montar, entrava no picadeiro montado ao contrário, caía do cavalo, subia de um lado, caía do outro, passava por baixo do cavalo. Como tudo isso fazia muito sucesso, começaram a surgir novas atrações e, ao longo dos anos, Astley acrescentou saltos acrobáticos, dança com laços e malabarismo.

Ayala (2010) apresenta que o termo “circus” foi utilizado pela primeira vez em 1782, quando Charles Hughes, o rival de Astley, inaugurou o Royal Circus. A partir do século XIX surgiram outros circos permanentes em algumas das grandes cidades europeias e, além disso, circos ambulantes, que se deslocavam de cidade em cidade em carretas cobertas.

O circo no Brasil

O circo, com suas características e em geral itinerante, existe no Brasil desde o século XIX. Em 1977 surgiu a primeira escola de circo, localizada no Estádio do Pacaembu, e em 1982 nasceu a primeira escola nacional de circo no estado do Rio de Janeiro.

Diante os registros apresentados sobre o circo, observa-se que a arte circense pode ser tratada como um conteúdo, dentre muitos, também nas aulas de Educação Física, como apresenta Ferreira e Conceição (2013):

As atividades Circenses devem ser entendidas como um saber relativo à cultura corporal a ser trabalhado com os alunos, de maneira que possamos promover a compreensão, valorização e apropriação desta manifestação artística, através de uma abordagem que também possibilite, a cada aluno, a descoberta de suas possibilidades físicas e expressivas. (p. 01).

O universo circense e suas modalidades

Conforme Duprat (2007) existe grande variedade de modalidades e técnicas nas Atividades Circenses, podendo ser classificadas em ações motoras gerais ao tipo e ao tamanho de materiais utilizados. Essas podem ser verificadas na figuras 1 e 2 abaixo, conforme Duprat (2007).

Figura 1 - Classificação das modalidades circenses de acordo com as ações motoras gerais
Figura 1 – Classificação das modalidades circenses de acordo com as ações motoras gerais
Figura 2 - Classificação das modalidades circenses de acordo com o tamanho do material
Figura 2 – Classificação das modalidades circenses de acordo com o tamanho do material

Analisando e colocando em tese a infraestrutura existente na maioria das escolas, a aplicabilidade de atividades que se utilizam de materiais de pequeno porte e as que não necessitam de materiais são as mais acessíveis, além de possibilitar a construção de materiais de baixo custo. Nesse sentido é possível a realização de uma Educação Física diversificada, com necessidades mínimas e infraestrutura básica, enriquecendo sobremaneira o repertório motor e cultural dos alunos, promovendo uma variação de ações corporais, de conteúdos, além de gerar maior motivação (BORTOLETO, 2007).

ATIVIDADES CIRCENSES COMO CONTEÚDO E FERRAMENTA EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Segundo Wallon (1975), o desenvolvimento motor da criança depende de quatro elementos, tais como: emoção, pensamento, linguagem e movimento (p. 45), seguindo essa linha de raciocínio podemos afirmar que aprendemos com melhor eficácia quando trabalhamos com o corpo inteiro, logo, por ter uma grande possibilidade no quesito de movimento e cultura, as Atividades Circenses se tornam uma ferramenta de grande potencial.

Considerar o circo como parte integrante da cultura humana (…) pode justificar sua presença no universo educativo, como conteúdo pertinente (…) neste sentido, considerando que grande parte das atividades típicas do circo possui um caráter motor, podemos considerar que, ao menos esta parte do repertório circense, forma parte como conteúdo pertinente à Educação Física, quanto disciplina que se ocupa de transmitir a cultura corporal dentro do marco escolar (BORTOLETO, 2003, p.125-133);

O professor de Educação Física, tendo o conhecimento básico sobre o assunto, pode trabalhar de várias formas com os alunos, tornando suas aulas mais prazerosas, dando espaço para que o aluno expresse e sinta a magia que essas atividades fornecem, logo, porque não utilizarmos o que Bortoleto sugere? porque não fazemos da escola um circo? Não no sentido de bagunça, mais sim de um lugar lúdico e rico de ideias majestosas para que os alunos tenham o prazer de participar. (BORTOLETO, PRODÓCIMO e PINHEIRO, 2011).

Segundo Darido (1999), as Atividades Circenses é uma ferramenta onde conseguimos ampliar as capacidades motoras, cognitivas e culturais dos alunos.

Entendemos as Atividades Circenses, conforme também descreve Invernó (2003) citado por Duprat (2007), como uma atividade expressiva, que reúne uma série de conhecimentos de alto valor educativo, pois está ligada diretamente à cultura do movimento que lhe dá coerência e justifica sua presença no currículo educativo, portanto devem fazer parte.

Nesse sentido, como cita Franco (2011) julga-se que a Educação Física possui uma vantagem educacional que é o poder de adequação do conteúdo ao grupo social em que será trabalhada. Esse aspecto permite uma liberdade de trabalho que pode ser bastante benéfica ao processo geral do aluno.

o professor de Educação Física, ao ensinar o conteúdo de Atividades Circenses deve abordar aspectos culturais e motores, sendo esses: conhecimento corporal “se expressar com o corpo”, conhecimento dos aparelhos circenses, suas modificações sofridas ao longo do tempo, das nomenclaturas utilizadas nas atividades, seus costumes e valores. Os estudantes “desenvolvem diferentes aspectos pessoais como a sensibilidade na expressão corporal, a cooperação, o desenvolvimento da criatividade, a melhora da auto-superação e melhora da auto-estima” (DUPRAT, 2007 p.14).

Levar as Atividades Circenses para o âmbito escolar é um meio de despertar o interesse pela Educação Física, favorecendo a aprendizagem dos movimentos aos alunos, propondo trabalho cooperativo, social e cultural.

Segundo Duprat e Bortoleto (2007) o profissional de Educação Física que busca o conhecimento das Atividades Circenses diferencia-se por
perceber que essa prática tira todo contexto das aulas rotineiras,
formando um leque para o desenvolvimento das aulas no seu dia a dia.

Como todas as aulas de Educação Física, o professor tem que entender e respeitar as capacidades físicas de cada aluno, analisar as vivencias motoras que o aluno traz, que segundo Coll, C. et al (2006), é uma etapa realizada na avaliação inicial do aluno, tornando um método mais eficaz de conhecê-lo.

Soares et al (1998) registra que as Atividades Circenses na Educação Física relacionam-se com as atividades da ginástica geral, baseando-se nos mesmos benefícios. As características das Atividades Circenses, segundo Duprat e Bortoleto (2007) estão identificadas pela ludicidade.

Outros aspectos que as Atividades Circenses trazem de essencial para a sua aceitação no âmbito escolar são, além de atividades prazerosas, alegres e de divertimento, o desenvolvimento da criatividade e, também, proporcionam o conhecimento corporal e o desenvolvimento das habilidades motoras (força, agilidade, equilíbrio, flexibilidade, coordenação) e, sobretudo a capacidade comunicativa e expressiva (FRANCO, 2011, p. 16).

Conforme Franco (2011), a escola deve ser um dos principais meios de ensino e aprendizagem, considerando as Atividades Circenses um conteúdo a ser ensinado, pois é parte importante do patrimônio cultural da humanidade.

METODOLOGIA

Este estudo teve o objetivo de identificar e compreender a percepção de professores de Educação Física da Educação Básica em relação as Atividades Circenses como conteúdo possível de ser aplicado em suas aulas.

Para atingir esse objetivo realizou-se uma pesquisa de natureza qualitativa, do tipo descritiva, tendo como instrumento um questionário aplicado a professores que ministram aulas de Educação Física no Município de Carapicuíba e Barueri. Foram contatadas 5 (cinco) escolas, sendo que 3 (três) permitiram a realização da pesquisa. Após esclarecimentos aos docentes, tivemos um total de 7 (sete) professores que se disponibilizaram participar, sendo 3 (três) mulheres e 4 (quatro) homens, atuantes na Educação Infantil,  Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Os procedimentos iniciais foram realizados com o contato com os diretores das escolas e entrega da “Carta de Apresentação e Autorização para a Aplicação da Pesquisa na instituição” e a entrega do “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido de Participação” aos professores que se disponibilizaram participar.

O questionário foi composto por duas partes. A primeira com 05 perguntas fechadas com a intenção de obter um conhecimento sobre os professores participantes e a segunda parte com 05 questões abertas que versavam sobre o conhecimento das Atividades Circenses; a aplicação destas atividades na escola; e as contribuições proporcionadas por elas. O instrumento foi elaborado tomando por base o trabalho realizado por Pilato (2010) intitulado: Percepção dos professores de educação física em relação ao desenvolvimento de atividades circenses nas aulas de educação física.

APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

Os questionários foram aplicados a 7 (sete) Professores (as) de Educação Física escolar que se disponibilizaram participar da pesquisa. Foram 6 (seis) professores do município de Carapicuíba e 1 (um) do município de Barueri. Os professores possuem idades entre 27 e 55 anos, sendo 4 (quatro) professores do sexo masculino e 3 (três) do sexo feminino. Seis professores exercem a função há mais de 11 (onze) anos e um professor atua em torno de 7 (sete) anos. Um professor trabalha nos níveis de ensino infantil e fundamental I. Dois (2) professores atuam nos níveis de ensino fundamental I e II. Dois professores trabalham somente nos níveis de ensino fundamental I, e 2 (dois) trabalham somente nos níveis de ensino fundamental II.

Gráfico 1 - As Atividades Circenses já foram utilizadas nas aulas de educação física?
Gráfico 1 – As Atividades Circenses já foram utilizadas nas aulas de educação física?

Conforme os dados coletados nas questões sobre se o professor já utilizou, em sua trajetória profissional, as Atividades Circenses como possibilidade de conteúdo nas suas aulas, constatamos que 71% dos professores de Educação Física, em algum momento, já as utilizaram (figura 1), e uma pequena parte 29%, nunca as utilizaram.

Segundo os entrevistados que indicaram nunca terem desenvolvido as Atividades Circenses em suas aulas, o motivo alegado foi de não fazer parte do currículo ou por priorizar os 4 pilares (futebol, basquete, vôlei, handebol) ou ainda por não terem o conhecimento para trabalhar esta atividade.

Quanto à colocação do professor sobre a preferência em aplicar as tradicionais modalidades esportivas em suas aulas e não demonstrar interesse nas Atividades Circenses como conteúdo, citamos os autores Caramês, Silva e Rodrigues (2013, p. 139), que indicam que as Atividades Circenses caracterizam-se como uma atividade diferenciada no âmbito escolar e, por esse motivo, pode auxiliar no sentido de ampliar os conhecimentos dos alunos, indo além da monocultura esportiva, e proporcionando mais uma possibilidade a ser aplicada nas aulas de Educação Física. As Atividades Circenses possibilitam sair da mesmice e das tradicionais aulas de jogos.

Diante os apontamentos da pesquisa podemos citar Bortoleto (2011) quando apresenta que, se o profissional de Educação Física buscar o conhecimento básico sobre o assunto pode trabalhar as Atividades Circenses de várias formas com os alunos, tornando suas aulas mais prazerosas, dando espaço para que o aluno se expresse e sinta a magia dessas atividades.

Gráfico 2 - As atividades circenses ainda fazem parte das suas atuais aulas de educação física?
Gráfico 2 – As atividades circenses ainda fazem parte das suas atuais aulas de educação física?

Analisando os dados coletados na questão em relação se as Atividades Circenses são conteúdos trabalhados atualmente em suas aulas de Educação Física (figura 2), pode-se constatar que a maior parte dos docentes não as utiliza. Segundo um dos nossos entrevistados, as Atividades Circenses não são praticadas por motivos de falta de espaço (estrutura física) e materiais (bola, claves, fitas e etc.).

Em relação à argumentação do professor sobre a necessidade de estrutura física e materiais para a aplicação dessas atividades, concordamos com Bortoleto (2007) quando registra que as Atividades Circenses utilizam materiais de pequeno porte, podendo ser construído com materiais de baixo custo, e que existem atividades que não necessitam de materiais, sendo, portanto acessíveis. Por meio das Atividades Circenses é possível a realização de uma Educação Física diversificada, com necessidades mínimas e infraestrutura básica, enriquecendo sobremaneira o repertório motor e cultural dos alunos, promovendo uma variação de ações corporais, de conteúdos, além de gerar maior motivação (BORTOLETO, 2007).

Gráfico 3 - Quais atividades circenses são de conhecimento dos profissionais?
Gráfico 3 – Quais atividades circenses são de conhecimento dos profissionais?

Conforme os dados apresentados na figura 3, referente ao nosso questionamento sobre se o professor aplica as Atividades Circenses em suas aulas e quais modalidades dessa cultura são desenvolvidas, o fato nos leva a acreditar que exista uma falta de conhecimento sobre os assuntos possíveis de serem tratados nas Atividades Circenses.

De acordo com Garcia e Marroni (2014) a atividade circense pode ser tratada como uma das propostas de “inovação” (grifo nosso) das atividades escolares. Elas vêm se constituindo como aliadas da Educação Física escolar, “por serem atividades que geram atitudes com um potencial educativo, não se limitando somente ao simples controle do corpo”. (INVERNÓ, 2003 apud GARCIA e MARRONI, 2014, p. 2). Podendo os alunos desenvolver diferentes aspectos pessoais, como a sensibilidade na expressão corporal, a cooperação, o desenvolvimento da criatividade, a melhora da auto superação e da autoestima.

Portanto, para constatarmos se o professor trabalha efetivamente as Atividades Circenses e não apenas a ginástica geral em suas aulas, seria importante a realização de uma pesquisa de campo mediante a observação e acompanhamento das aulas desses professores, para desfazer a dúvida existente se realmente é aplicada como mencionada no questionário.

Segundo Soares (1998) as Atividades Circenses se relacionam com a ginástica geral, no entanto, como apresenta Duprat e Bortoleto (2007) o grande diferencial das Atividades Circenses é o seu caráter lúdico, logo os alunos podem adquirir conhecimentos sobre essa cultura e desenvolvimento motor, com descontração e diversão.

As atividades Circenses devem ser entendidas como um saber relativo à cultura corporal a ser trabalhado com os alunos, de maneira que possamos promover a compreensão, valorização e apropriação desta manifestação artística, através de uma abordagem que também possibilite, a cada aluno, a descoberta de suas possibilidades físicas e expressivas. (FERREIRA e CONCEIÇÃO, 2013, p.2).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse estudo buscou compreender a percepção dos professores sobre a aplicação das Atividades Circenses, identificar se elas são utilizadas nas aulas de Educação Física e, se trabalhadas, como isso acontece, uma vez que, conforme os autores pesquisados é um conteúdo bastante interessante e diferente dos tradicionais aplicados na escola, possibilitando uma motivação a mais para os alunos.

Diante a pesquisa realizada constatamos que as Atividades Circenses é um conteúdo conhecido pelos professores de Educação Física escolar, porém é pouco trabalhado nas aulas, devido a falta de material didático e por ficarem mais centrados aos conteúdos programáticos sugeridos pela instituição, normalmente as tradicionais modalidades esportivas.

Entendemos as Atividades Circenses como possível componente das aulas de Educação Física, constituindo-se como um recurso ao professor, o qual pode considera-la, agregada às outras possibilidades da sua ação pedagógica, atender à todos os aspectos para a formação do aluno. Acredita-se que esse conteúdo transmita o conhecimento de vivências motoras promovendo desenvolvimento motor, cognitivo e sócio afetivo de forma prazerosa e lúdica.

Julgamos, por esse motivo, que essa pesquisa possa contribuir no sentido de despertar maior interesse e um breve conhecimento ao professor de Educação Física para a aplicação de novos conteúdos para regência de suas aulas, além de reforçar que existem inúmeras possibilidades de aplica-las, mesmo quando o professor não dispõe de muitos recursos físicos ou materiais.

REFERÊNCIAS 

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[1] Graduado em Educação Física – Habilitação Licenciatura (Estácio / FNC)

[2]  Graduada em Educação Física – Habilitação Licenciatura. Discente Curso de Educação Física Habilitação Bacharelado (Estácio / FNC)

[3] Graduado em Educação Física – Habilitação Licenciatura (Estácio / FNC)

[4] Graduada em Educação Física (UNISA), Pós-graduada em Administração Esportiva (FMU), Mestre em Psicopedagogia (UNISA). Docente da Faculdade de Educação Física – Estácio / FNC

Como publicar Artigo Científico

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