O brincar na era antiga e moderna

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/antiga-e-moderna
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ARTIGO ORIGINAL

MACHADO, Carolina dos Santos [1]

MACHADO, Carolina dos Santos. O brincar na era antiga e moderna. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 10, Vol. 03, pp. 05-11. Outubro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/antiga-e-moderna, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/antiga-e-moderna

RESUMO

Atualmente no contexto da educação brasileira a prática de brincar é um direito de toda criança, indiferente de classe social, cultura ou raça. O brincar é uma ação com diversas esferas, todas elas são importantíssimas para o bom desenvolvimento das crianças, pois, é através do brincar que a criança descobre o mundo, seus limites, desperta o senso crítico, desenvolve sua personalidade, responsabilidade e capacidade de autonomia, desenvolvendo também, as potencialidades de cada um como: raciocínio, memória, sentidos, capacidades físicas, aptidão para se comunicar, bem como, enfrentar problemas e contribuir para uma melhor compreensão do outro. Neste sentido, como problema de pesquisa se busca compreender como podemos propor uma educação democrática participativa que possa promover a aprendizagem de práticas de cidadania com o brincar? Sendo assim, objetivo geral desta pesquisa é entender o processo de desenvolvimento e formação de valores da criança através da prática do Brincar, entender como era antigamente e de que forma as crianças se desenvolviam. A metodologia utilizada foi através de pesquisa bibliográfica, em livros e artigos científicos previamente selecionados de acordo com o tema do projeto. Por fim, pode-se concluir que desde a era antiga, até os dias atuais, o brincar é muito importante e fundamental para que as crianças se desenvolvam e desenvolvam suas principais habilidades, sendo um mundo de descobertas e é através disso que elas irão aprender os limites e respeito para com o próximo.

Palavras-chave: Brincar, criança, infância.

1. INTRODUÇÃO

Pensar e discutir o assunto educação e infância no momento atual requer um grande esforço e uma profunda reflexão por parte da sociedade e escola. Ao longo dos tempos, as crianças estão assumindo diferentes papéis de acordo com a sociedade que estão inseridas e épocas. Sabe-se que a criança se desenvolve pela experiência social, pela experiência e vivência com os adultos e com outras crianças do seu meio, desta forma, o brincar é uma atividade humana, sociocultural e educativa, onde recriam experiências, inventam, criam histórias, memórias e se desenvolvem no geral.

O tema brincar foi abordado devido ao interesse de compreender um pouco mais como foi se desenvolvendo com o passar dos anos, como eram as brincadeiras antigamente e o que mudou nos tempos atuais.

Segundo Teixeira (2012), as brincadeiras, os brinquedos e os jogos desde sempre ocuparam um lugar essencial na vida e desenvolvimento das crianças, desde os povos antigos, todos tinham suas formas, maneiras e instrumentos de brincar. Em qualquer lugar, país, pobre ou rico, distante ou próximo, na cidade ou no campo existiu e se mantém até hoje as atividades do brincar.

Sendo assim, como objetivo principal deste artigo é entender o processo de desenvolvimento e formação de valores da criança através da prática do Brincar, entender como era antigamente e de que forma as crianças se desenvolviam. A metodologia utilizada na pesquisa foi através de artigos científicos e livros, previamente selecionados sobre o tema proposto. Desta forma, o problema de pesquisa foi buscar compreender como podemos propor uma educação democrática participativa que possa promover a aprendizagem de práticas de cidadania com o Brincar?

2. O BRINCAR NA IDADE MÉDIA

Na idade média não existia algum sentimento que distinguisse os adultos das crianças em diversos meios. A criança era considerada um adulto de tamanho pequeno, que executava as mesmas tarefas, a infância naquela época era vista como uma transição para a vida adulta, não eram tratadas de forma especial ou como crianças, o que tornava sua sobrevivência um tanto quanto difícil.

Tanto que, para os adultos da sociedade medieval era de suma importância que as crianças crescessem rapidamente, para poderem participar do trabalho e atividades do mundo adulto, sendo assim, a partir dos sete anos de idade, todas as crianças, independente da condição social, eram colocadas em famílias distintas e estranhas para aquela criança, assim, poderiam aprender com os mestres, que eram os anfitriões da família, os serviços domésticos. (POSTMAN, 1999)

De acordo com o mesmo autor, quando as crianças completavam a idade de cinco a seis anos, encerrava-se um ciclo da vida desta, começando um novo, a escravização. Dos seis aos doze anos, a criança desempenhava pequenas tarefas e depois dos doze anos, meninas e meninos já eram vistos como adultos, no que se refere ao trabalho e à sexualidade.

De acordo com Ariès (2006, p.156) “era através do serviço que o mestre transmitia a uma criança, não a seu filho, mas ao filho de outro homem, a bagagem de conhecimentos, a experiência prática e o valor humano que pudesse possuir”.

Ainda, no século XI, surgiram pequenas miniaturas de objetos que eram utilizados pelos adultos, estes serviam como enfeites das estantes ou eram depositados em túmulos dos entes falecidos como uma forma de amuleto. Na idade média, também foram surgindo as réplicas, elas foram dando lugar aos brinquedos e os objetos despertavam interesse nas crianças. Esses brinquedos surgiram através dos entalhadores de madeira, dos artesãos, dos caldeireiros, dos produtores de vela, entre outros. (PORTO, 2005)

Já na segunda metade do século XIX, a industrialização de brinquedos se expandiu, a madeira começou a perder o lugar para outros tipos de materiais como: vidros, metais, alabastro e papel. Desta forma, os brinquedos passaram a se tornar mediadores entre as crianças e o mundo. (KISHIMOTO, 1993)

3. O BRINCAR NA IDADE MODERNA

No período de transição do feudalismo para o capitalismo, na Europa Ocidental, ocorreram alterações na organização familiar e nas relações sociais, refletindo na organização escolar e no sentido da infância. As crianças se tornaram fonte de alegria e a atenção e cuidados tornaram-se redobrados. A criança tornou-se educável, com o objetivo de torná-los mais tarde, pessoas honradas, racionais, incumbindo aos colégios parte dessa tarefa.

Nesse contexto, a criança tornou-se alguém que precisava de cuidados, precisava ser escolarizada, sendo assim, foi instituído o ensino primário a classes populares, esse ensino tinha uma duração muito pequena, pois era única e exclusivamente para praticado com o intuito de formar mão de obra. Já para a burguesia e aristocracia, foi instituído o ensino secundário, que privilegiava a formação de pensantes, mandantes e eruditos.

Anos passados, diferente da idade antiga, até a primeira metade do século XVII, a primeira infância ia até os cinco ou seis anos de idade da criança, já aos sete anos, começavam a frequentar a escola.

De acordo com Kramer (2007, p.15):

Crianças são sujeitos sociais e históricos, marcadas, portanto, pelas contradições das sociedades em que estão inseridas. A criança não se resume a ser alguém que não é, mas que se tornará (adulto, no dia em que deixar de ser criança). Reconhecemos o que é específico da infância: seu poder de imaginação, a fantasia, a criação, a brincadeira entendida como experiência de cultura. Crianças são cidadãs, pessoas detentoras de direitos, que produzem cultura e são nela produzidas. Esse modo de ver as crianças favorece entendê-las e também ver o mundo a partir do seu ponto de vista. A infância, mais que estágio, é categoria da história: existe uma história humana porque o homem tem infância.

O brincar se tornou um importante processo psicológico, motor, fonte de aprendizagem e desenvolvimento das crianças com o passar dos anos, ele envolve a realidade e a fantasia, sendo de uma importância gigantesca na aprendizagem das crianças.

Como ressalta Machado (2003, p.37):

Brincar é também um grande canal para o aprendizado, senão, o único canal para verdadeiros processos cognitivos. Para aprender precisamos adquirir certo distanciamento de nós mesmos, e é isso o que a criança pratica desde as primeiras brincadeiras transicionais, distanciando-se da mãe. Através do filtro do distanciamento podem surgir novas maneiras de pensar e de aprender sobre o mundo. Ao brincar, a criança pensa, reflete e organiza-se internamente para aprender aquilo que ela quer, precisa, necessita, está no seu momento de aprender; isso pode não ter a ver com o que o pai, o professor ou o fabricante de brinquedos propõem que ela aprenda.

Dentre as brincadeiras que mais estimulam as crianças, está a do faz-de-conta, fazendo as mesmas respeitar regras que valerá não só para a brincadeira, mas também para a vida. O faz-de-conta também ativa a criatividade, pois através da escolha dos papéis terá que criar a representação da brincadeira e reproduzi-la.

Desta forma, é assim que cabos de vassoura se tornam cavalos, com eles as crianças cavalgam para outros lugares e outros tempos, os pedaços de pano transformam-se em capas de super-heróis, princesas e príncipes, areia e pedrinhas transformam-se em comidinhas, cadeiras em meios de transporte, crianças em professores, pais, motoristas, monstros, etc, tudo no faz de conta. (BORBA, 2006)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorrer desta pesquisa, pode-se levantar informações e adquirir conhecimento em relação ao brincar na era antiga e moderna. De acordo com a pesquisa bibliográfica, conseguimos compreender e atingir o objetivo geral do trabalho, sendo que, é de suma importância assegurar às crianças condições para o seu desenvolvimento e conhecimento, não só na letra da lei, mas no plano real e concreto onde, o direito de brincar seja reconhecido legitimamente, assim como, o seu espaço e o seu tempo sejam respeitados e ganhem também sua devida importância. Trabalhar as adversidades e os desafios do cotidiano exige cada vez mais práticas críticas e reflexivas em torno da realidade que nos cerca.

Tanto na era antiga como na moderna, os brinquedos e brincadeiras, de diferentes formas é claro, como explanados na pesquisa, fizeram e fazem parte da infância das crianças, antigamente mais restrito devido a forma de como as crianças eram tratadas, atualmente, com as tecnologias avançadas que chegam todos os dias ao mercado, tomam conta e fazem as crianças se interessarem pelos brinquedos e brincadeiras com maior frequência e curiosidade.

Portanto, cabe aos pais, aos professores e todos os envolvidos no dia a dia dessa criança, trazer os brinquedos e brincadeiras para o desenvolvimento dessas crianças, fazendo com que essas interajam e sejam criativas cada vez mais.

REFERÊNCIAS

ARIÈS, P. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: LTC, 2ª ed., 2006

BORBA, Ângela M. O brincar como um modo de ser e estar no mundo. In: BRASIL, MEC/SEB Ensino fundamental de nove anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade/ organização Jeanete Beauchamp, Sandra Denise Rangel, Aricélia Ribeiro do Nascimento – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006

KISHIMOTO, T. M. Jogos Infantis: o jogo, a criança e a educação. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 12ª ed., 1993.

KRAMER, Sônia. A infância e sua singularidade. In: Ensino fundamental de nove anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade/ organização Jeanete Beauchamp, Sandra Denise Rangel, Aricélia Ribeiro do Nascimento – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007.

MACHADO, M. M. O brinquedo-sucata e a criança. Edições Loyola, 2003.

PORTO, C. L. Brinquedo e brincadeira na brinquedoteca. In: KRAMER, S. e LEITE, M. I. F. P. (orgs.). Infância e produção cultural – Campinas, São Paulo: Papirus, 4ª ed., p. 171-198, 2005.

POSTMAN, Neil. “Quando não havia crianças”. In: POSTMAN, N. O desaparecimento da Infância. Rio de Janeiro: Grapha, p. 17-33, 1999.

TEIXEIRA, Sirlândia Reis de Oliveira. Jogos, brinquedos, brincadeira e brinquedoteca: implicações no processo de aprendizagem e desenvolvimento/Sirlândia Reis de Oliveira Teixeira -2. Ed. RJ: Wak Editora,2012.

[1] Pós Graduada em Educação Inclusiva pela Uniasselvi Centro Universitário Leonardo da Vinci, 2020. Pós Graduada em Atendimento Escolar Especializado pela Fael Faculdade Educacional da Lapa, ano 2020. Graduada em Pedagogia pela Uniasselvi Centro Universitário Leonardo da Vinci, 2019.

Enviado: Setembro, 2020.

Aprovado: Outubro, 2020.

Pós Graduada em Educação Inclusiva pela Uniasselvi Centro Universitário Leonardo da Vinci, 2020. Pós Graduada em Atendimento Escolar Especializado pela Fael Faculdade Educacional da Lapa, ano 2020. Graduada em Pedagogia pela Uniasselvi Centro Universitário Leonardo da Vinci, 2019.

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