Educação Física inclusiva para portadores de necessidades especiais no Ensino Regular

0
693
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
PDF

ARTIGO DE REVISÃO

FERRARI, Cássio Luiz [1], MONTENEDO, Carlos Magno [2]

FERRARI, Cássio Luiz. MONTENEDO, Carlos Magno. Educação Física inclusiva para portadores de necessidades especiais no Ensino Regular. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 10, Vol. 15, pp. 75-86. Outubro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao-fisica/especiais-no-ensino

RESUMO

O conceito de educação inclusiva pode ser definido como o desenvolvimento de uma educação apropriada e de alta qualidade para alunos com necessidades especiais na escola regular. O estudo em questão vem investigar como foi realizada a inclusão de um aluno com desenvolvimento atípico nas atividades recreativas de uma escola do ensino regular da cidade de Pelotas. A pesquisa também investiga as questões estruturais da escola, como acesso, corrimão, rampas etc. Foi realizado um estudo de caso qualitativo descritivo de cunho transversal, com base em revisão de literatura. Não foram encontrados comportamentos excludentes no ambiente escolar, entre o aluno com necessidades especiais e os demais alunos e da mesma forma aconteceu com relação aos professores, os quais acabam sendo um elo de ligação entre os alunos proporcionando um ambiente escolar adequado para o seu desenvolvimento afetivo, cognitivo e motor. Valores como respeito, companheirismo e educação são muito bem trabalhados pelos professores. A escola tem como principal filosofia valorizar a bagagem cultural que os alunos carregam aproveitando toda e qualquer manifestação corporal que aconteça, valorizando sempre o coletivo e eliminando qualquer processo de exclusão. As condições estruturais das escolas devem ser melhoradas para que possam oferecer mais qualidade no ensino a portadores de necessidades especiais. Entendemos que novos estudos devam ser feitos na área e durante o processo de formação acadêmica, os professores devem receber mais qualificação profissional para trabalhar com qualquer tipo de portador de necessidade especial.

Palavras-Chave: Educação Física, inclusão escolar, necessidades especiais.

INTRODUÇÃO

O conceito de educação inclusiva pode ser definido como o desenvolvimento de uma educação de alta qualidade apropriada para alunos portadores de necessidades especiais na escola regular. (HEGARTY, 1994 apud RODRIGUES, 2006).

De acordo com a LDB (2016), a educação especial é entendida pela Lei como uma modalidade de educação escolar voltada a alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, em redes regulares de ensino.

Convivemos no ensino regular e na educação em geral com questões de inclusão a portadores de necessidades especiais. Sendo este assunto bastante polêmico, leva-nos a fazer uma profunda reflexão a respeito do histórico inclusivo e da sua evolução, resgatada por Zaboly e Bareto (2006) que ressalta, de modo gradativo, a inclusão das pessoas portadores de necessidades especiais em relações sociais consideradas normais, realçando a cultura dos espartanos, na Idade Antiga, que eliminavam as crianças que apresentavam algum tipo de deficiência, considerando as sub-humanas.

Cabe ressaltar, ainda, que o processo de inclusão é amplo, não se limitando apenas ao espaço físico, mas a uma transformação profunda em todas as esferas da educação inclusiva, pela aplicação das leis que já existem e que, no entanto, deveriam ser aplicadas de forma mais positiva.

Com tudo isso, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no capítulo V da Educação Especial, artigo 58, parágrafo 1º (1996), especifica que quando necessário, serviço de apoio especializado na escola regular para atender as peculiaridades da clientela de educação especial.

Ainda, o artigo 59, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no capítulo V da Educação Especial, parágrafo 3º (1996) afirma que será assegurado aos educandos, professores especializados de maneira adequada em nível médio ou superior para atendimento especializado, assim como professores do ensino regular capacitados para integração destes educandos nas escolas comuns.

Em razão de suas necessidades (quando trabalhadas), os portadores de necessidades especiais adquirem autonomia e capacidade de auto-organização a partir de suas vivências e bagagens culturais.

Diante disso, o professor de Educação Física é um dos principais agentes de transformação na sociedade, ele prioriza a importância da inclusão escolar, assim como, promove o desenvolvimento cognitivo afetivo e social entre os colegas durante as suas práticas pedagógicas.

OBJETIVOS

Verificar como é feita a inclusão de um aluno portador de necessidade especial nas aulas de Educação Física do ensino regular.

Verificar a estrutura da escola com relação a acessibilidade com rampas de acesso e corrimão para acesso à escola.

REVISÃO DE LITERATURA

Por desconhecimento, receio ou mesmo preconceito, muitos indivíduos que apresentam algum tipo de deficiência foram (e são) excluídos das aulas de Educação Física. Dito isso, vale salientar que a prática dessas aulas pode acarretar muitos benefícios a estas crianças, principalmente no desenvolvimento das capacidades afetivas, de integração e inserção social. (BRASIL, 1997)

A   Declaração de Salamanca na Espanha (1994, s.p) – A qual, por meio de suas recomendações, fortalece os direitos dos portadores de necessidades especiais – recomenda:

Toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem, toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas, sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades.

Zaboli e Barreto (2006, p.77) ratificam:

Quando se fala em inclusão da pessoa em condição de deficiência na rede regular de ensino, precisa-se ter a sensibilidade para perceber que as questões de acesso desse portador não passam somente pelo viés do acesso físico que é apenas parte do processo. Uma escola inclusiva é aquela que, além de programar adaptações no ambiente físico, acredita no valor da diversidade humana, contempla as diferenças individuais, efetua mudanças fundamentais nas práticas administrativas, adapta procedimentos e instrumentos de trabalho e treina todos os recursos humanos na questão da inclusão.

É fundamental, que o professor verifique a segurança do local sempre que realizar suas práticas pedagógicas. Primeiramente, é necessário analisar o tipo de necessidade especial que o aluno possui, pois deve-se considerar os diferentes tipos e graus de limitações, que requerem procedimentos distintos e específicos.

Para que esses alunos possam participar das aulas de Educação Física deve haver uma orientação médica e, se possível a supervisão de uma equipe multidisciplinar pois as restrições de movimentos, posturas e esforço podem implicar em consequências graves, no entanto, sabemos que essa realidade ainda está distante. (BRASIL,1997).

A Educação Física pode ser um importante instrumento para a construção de valores, além de resgatar a autoestima, atua na consolidação da cidadania, preparando o aluno para a vida. Além disso, contém em sua proposta profissional o trabalho e o desenvolvimento de suas competências físicas, como (RODRIGUES, 2006, p.68):

Resistência, flexibilidade, força e outros componentes importantes para aperfeiçoar a aptidão física de portadores de necessidades especiais e da população em geral. Quando tais competências físicas, mesmo que de modo limitado, não são trabalhadas implica em dificuldade nas tarefas diárias, além de atrofia muscular, déficit de oxigênio em qualquer atividade, problemas articulares como artrose, diminuição da autoestima e do convívio social, o que afeta a sua inclusão na sociedade.

Com base em evidências, Costa e Duarte (2006) ratificam que a prática regular de atividades físicas podem beneficiar de modo significativo o ganho de aptidão muscular, envolvendo o desenvolvimento de capacidades físicas como a força, a resistência muscular localizada e a flexibilidade, que contribuem naturalmente para a diminuição das limitações físicas do sujeito, estimulando a realização de suas tarefas cotidianas.

MEDOLOGIA

Foi realizado um estudo de caso com um aluno cadeirante – portador de “Deficiência Física Permanente – Má formação congênita”.  Do 3º ano do ensino fundamental da rede regular de ensino estadual de Pelotas. Foram observadas 12 aulas de recreação física pelo período de 30 minutos. As aulas foram realizadas nas quartas e sextas-feiras. Também tivemos a oportunidade de observar – por mais 16 aulas nas segundas, terças, e quintas-feiras no período do dia 03 de setembro a 08 de outubro – Atividades desenvolvidas no período do recreio, durante 15 minutos, totalizando assim 28 aulas de atividades físicas ou recreativas do aluno cadeirante no ensino público regular.

A pesquisa de campo iniciou no dia 02 de setembro e ocorreu até 09 de outubro, período no qual tivemos a oportunidade de observar o aluno que é tema de nossa pesquisa.

A escolha da escola e do aluno surgiu a partir de atividades recreativas realizadas em ocasiões anteriores, as quais eram parte de componentes curriculares.

Após a escolha da escola e do aluno, estipulamos os dias nos quais seriam observadas as atividades recreativas. O estudo foi descritivo, qualitativo de cunho transversal, sendo utilizado um questionário com respostas objetivas, com observações e registros. Foram entrevistados:

a) alunos

b) aluno portador de necessidades especiais

c) responsável pelo aluno portador de necessidades especiais

d) professores

RESULTADOS

Valores como respeito, companheirismo e educação são muito bem trabalhados pelos professores, logo não foram registrados nenhum processo excludente entre o aluno com necessidades especiais e os demais alunos da mesma, sendo que da mesma forma aconteceu com relação aos professores, os quais acabam sendo um elo entre os alunos.

A escola tem como principal filosofia de trabalho a contemplação da bagagem cultural que os alunos carregam. Sendo que essa estratégia aproveita toda e qualquer manifestação corporal que aconteça, valorizando sempre o coletivo e eliminando qualquer processo de exclusão.

Foi constatado, ainda no que se refere ao aluno portador de necessidade especial, que em momento algum ele se sentiu inferior, e ficando à vontade para participar de todas as atividades recreativas.

Com relação às atividades que o aluno participou, podemos elencar as seguintes:

a) Caçador adaptado – Consiste em receber um passe e devolver a bola para outro colega, dando sequência à jogada com todos os alunos no solo.

b) Pega-Pega – O aluno cadeirante é conduzido por outro companheiro em sua cadeira de rodas para que ele tocasse o companheiro que fugia. Ao tocar no companheiro, esse passava a pegar.

c) Futebol adaptado – Com todos os alunos ao solo, o objetivo era o de dar o passe com os pés, podendo levantar a bola com as mãos, visando a fazer o gol.

d) Futebol adaptado – Variação do anterior, com o aluno cadeirante jogando como goleiro e impedindo que os colegas façam o gol. Neste caso, o gol é mais baixo demarcado por uma cordinha.

Zaboli e Barreto (2006, p.79) em seus estudos afiram que:

A pessoa em condições de deficiência se auto (re) organiza assim como tudo que tem vida, ela o faz a partir de sua unicidade, de suas multiplicidades, de suas vivências de mundo, de seus estímulos. Ela o faz de modo diferente, “assim como todos e como tudo.

Com relação ao material pedagógico da escola, foi constatado que existem limitações de material para que os professores possam trabalhar a questão da coordenação motora e da comunicação facilitando o processo de ensino e aprendizagem.

Ou ainda, para que possam realizar outras atividades com segurança, uma vez que o espaço em sala de aula é pequeno e o pátio possui o piso totalmente áspero e sem proteção do sol e da chuva. Portanto, as constatações realizadas a respeito das recomendações presentes na declaração de Salamanca na Espanha não condizem com a realidade apurada na escola em que realizamos o estudo de caso.

Com relação à formação dos professores, suas competências para trabalhar com portadores de necessidades especiais e toda a temática realizamos as seguintes observações:

a) Os professores entrevistados responderam que as disciplinas para educação especial foram insuficientemente trabalhadas durante o período acadêmico, tendo, desse modo, pouco suporte para trabalhar com portadores de necessidades especiais;

b) Todos os professores reconhecem a dificuldade de realizar atividades recreativas com portadores de necessidades especiais, especialmente se o aluno for portador de uma “deficiência física permanente – má formação congênita” como é o caso específico deste

c) No entanto, os professores procuram superar suas dificuldades esforçando-se para incluir este aluno nas atividades recreativas, pois estas fazem parte da filosofia de ensino da escola;

d) Registramos, ainda, de acordo com nossa pesquisa, que nenhum professor – dos nove professores entrevistados – sente-se totalmente preparado para trabalhar com alunos portadores de necessidades especiais. O que talvez aconteça em razão de os professores não terem recebido em seu currículo formativo o treinamento e a preparação como formação adequada.

e) Com relação às condições de acessibilidade à escola, registramos limitações estruturais as quais são superadas no dia a dia devido à dedicação dos professores.

Podemos citar algumas limitações:

a) Não existe rampa de acesso à escola;

b) Não há rampas de acesso ao pátio;

c) Não tem corrimão nos corredores e nos banheiros;

d) Não tem classes adaptadas;

e) Não há bebedouros adaptados;

f) Não existe serviço de apoio aos professores;

g) Não há adaptação ao banheiro, o professor é responsável por auxiliar o aluno;

h) No pátio, o piso é muito áspero e pode machucar ou estragar as roupas do aluno durante as atividades recreativas.

Verificamos a necessidade da acessibilidade na escola, mas também é imprescindível ter profissionais capacitados para o processo de ensino/aprendizagem aos portadores de deficiência.

De acordo com Zaboli e Barreto apud Rodrigues (2006), sob a perspectiva da inclusão de uma pessoa portadora de deficiência em uma rede regular ensino, há a necessidade de termos sensibilidade quanto as condições do portador. O mesmo autor ressalta que, uma escola de caráter inclusivo possui programas de adaptações no ambiente físico, apresenta empatia para com o próximo, contempla os valores individuais da diversidade humana, modificam práticas administrativas e capacitam todos os recursos humanos na questão da inclusão.

DISCUSSÕES

A temática inclusiva passa por um processo de evolução cultural lento e gradativo que ocorre ao longo dos tempos. Com isso, a legislação assegura que portadores de necessidades especiais devem estar matriculados preferencialmente na rede regular de ensino, contexto nos quais muitos órgãos mundiais procuram estabelecer leis e direitos, além de recomendações que venham ao encontro das necessidades destes alunos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, art. 26 (1948), enfatiza que:

Todos têm direito à educação […] A educação deve ser gratuita, pelo menos nos níveis elementar e básico. A educação elementar deve ser obrigatória. A educação deve ser direcionada para o completo desenvolvimento da personalidade humana e o fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais. Promoverá à compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações, raças e grupos religiosos e assegurará as atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.

 Entendemos que a Educação Física também participa desse processo inclusivo, mesmo contrariando a sua história inicial, voltada para a formação de indivíduos fortes e saudáveis, passando por constantes transformações, desde a fase militar até a busca de sua identidade nos dias atuais.

Desta maneira, o professor de Educação Física, através de uma proposta metodológica adequada ao contexto, pode contribuir significativamente para o desenvolvimento motor e cognitivo desses alunos, além de trabalhar as competências físicas, melhorar a autoestima e colaborar no desenvolvimento de valores éticos e morais que ajudarão na formação da cidadania.

“Não é somente pela coação que a Educação Física pode atuar na sociedade. A cooperação é um canal que, adequadamente utilizado, ajuda na formação de valores significativos para o grupo social” (OLIVEIRA, 1983, p.98).

Ainda seguindo a mesma linha de pensamento:

Nesse aspecto, a atividade física regular pode proporcionar um ganho significativo no que o American College of Sports Medicine denomina de aptidão muscular, que compreende o conjunto de capacidades como força, resistência muscular localizada e flexibilidade (BLAIR et al., 1994 apud OKUMA, 1997), a melhoria dessa aptidão muscular concorre naturalmente para a diminuição das limitações físicas, pois, com o ganho de força, resistência e flexibilidade, equilíbrio e outras habilidades físicas, o participante se torna apto a realizar suas tarefas cotidianas (COSTA e DUARTE, 2006, p.126).

Inquestionavelmente, a qualidade de vida a portadores de necessidades especiais passa pela orientação de profissionais da área da Educação Física, seja do Bacharelado ou da Licenciatura. Entende-se, portanto, que qualidade de vida é o resultado de uma maneira saudável de viver, cuidando da parte física, espiritual e psicológica. Costa e Duarte (2006, p.127), afirmam:

Qualidade de vida, no despertar do terceiro milênio, tem sido não somente uma simples expressão ou mesmo um jargão popular, mas tem-se tornado uma meta perseguida pelo ser humano na busca de uma experiência harmoniosa nos seus hábitos de vida. Qualidade de vida deixou de representar apenas uma vida sem doenças físicas, mas acima de tudo uma busca pela felicidade e satisfação pessoal em todos os aspectos da vida, no âmbito profissional, social, fisiológico e espiritual em um conjunto de equilíbrio harmonioso.

Investigamos em nossos estudos se os portadores de necessidades especiais são realmente incluídos nas atividades recreativas durante as aulas de Educação Física no ensino regular. Os estudos realizados sinalizaram que a temática inclusiva para a Educação Física poderia ser mais bem explorada, pois os profissionais da área vêm em uma luta constante para assegurar seus direitos e seu espaço.

Tanto é que no ensino regular de 1ª a 4ª série da rede estadual apenas no primeiro semestre de 2020 foi inserida a disciplina de Educação Física, ficando uma lacuna a ser preenchida com professor específico para a área de Educação Física até então. Por isso, os professores ficam com a responsabilidade de desenvolver a recreação física, sobrecarregando-os.

Por outro lado, na rede municipal de ensino regular, há professor de Educação Física, e este é importantíssimo no desenvolvimento das atividades físicas, além do trabalho nas questões relativas à sua competência as quais já foram amplamente elencadas neste estudo.

Ainda com base em evidências, Rodrigues (2006, p.79) consolida nossos estudos:

O tema Educação Física inclusiva, para a Educação Física, tem sido insuficientemente abordado, devido ao fato de se considerar que a Educação Física não é essencial no processo de inclusão social ou escolar. Este assunto, quando observado, é considerado face de um conjunto de ideias e lugares comuns, que não correspondem aos verdadeiros problemas sentidos. É como se houvesse uma dimensão de realidades e constatações.

Dessa forma, ao aprofundarmos no assunto, verificamos em alguns estudos que entre a teoria e a realidade ainda há muitas diferenças, pois, a temática necessita de políticas públicas que contribuam com o crescimento do professor e das escolas, assim como todo o sistema educativo.

Lima (2001, p.80) corrobora:

Alguns participantes do fórum (IV congresso brasileiro de atividades motoras adaptadas realizadas em Curitiba, de 30 de outubro a 03 de novembro de 2001 sobama) com seus anseios e expectativas descreveram: ‘que confusão! Como irão ficar as pessoas que possuem deficiência mais severa?’; ‘como fazer se os professores não estão preparados?’; ‘como fazer se a conscientização deverá ocorrer também com os pais, familiares, diretores, enfim, toda a sociedade, saber sobre a importância da não discriminação?’; ‘a escola atual já tem dificuldade de incluir e atender alunos com dificuldades, como poderá ela dar conta de atender adequadamente a todos?’; ‘espero que não seja somente modismo’; ‘falta um projeto político pedagógico com uma abordagem clara e objetiva’; ‘eu acredito na inclusão e acho válido, se não for apenas uma lei no papel’.

Ao constatarmos as diferenças entre a realidade da educação inclusiva e o grande número de leis criadas por órgãos como a LDB, a Declaração de Salamanca, a Declaração Universal dos Direitos Humanos dentre outros, percebemos que realmente existe uma infinidade de projetos e recomendações para melhorar as condições de vida dos portadores de necessidades especiais.

Lima (2001) e Rodrigues (2006) afirmam ainda:

Não obstante, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n°. 9.394/96), no capítulo V da educação especial, no ensino regular no Parágrafo 1, artigo 58, especifica: “Escola regular, para atender as peculiaridades da clientela de educação especial “Haverá quando necessário, serviços de apoio especializados na escola regular, para atender as peculiaridades da clientela da educação especial”. E, ainda, no Parágrafo 3°, do artigo 59: Professores com especializações adequadas em nível médio ou superior para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para integração desses educandos nas classes comuns.

Ao conversarmos com uma professora de rede pública no ensino de 1ª a 4ª série do ensino fundamental, ainda com relação a profissionais para o trabalho com cada caso específico no ensino regular, ela contribuiu com o seguinte relato:

“É muito difícil incluir diferentes portadores de necessidades especiais em uma mesma aula, porque suas necessidades são muito diferentes e o professor sozinho e sem suporte não consegue dar atenção necessária a todos os alunos.”

Relatou também que pelo fato de o país aspirar uma condição de 1° mundo, é preciso mostrar em suas estatísticas, que o país tem índices muito altos de alfabetização, pois a recomendação é de que os alunos devem ser aprovados. Além disso, vem ocorrendo no país um processo muito grande de inclusão de portadores de necessidades especiais, pelo fato de que o governo talvez já não consiga mais devido à demanda, reunir verba suficiente para manter entidades assistenciais.

CONCLUSÕES

Encontramos diversas evidências que indicam a necessidade de melhorias na estrutura da escola que foi o objeto do estudo, melhorando a acessibilidade, construção de rampas de acesso, corrimões, investimento em tecnologias, qualificação do corpo docente e incentivo do governo em formação continuada.

Também consideramos que durante a formação acadêmica, os professores reconhecem a fragilidade e devem receber mais qualificação profissional para trabalhar com qualquer tipo de portador de necessidade especial, corroborando, portanto, com os estudos de Paiva e Taffarel (2001), citados por Lima e Duarte (2006), na qual denunciam o desligamento dos vieses de conhecimento entre a teoria e a prática, comprometendo expressivamente a construção dos saberes no processo de formação profissional. E, ainda, identificam que há uma divergência entre as universidades e a realidade social, no que diz a respeito as práxis históricas social e o entrelaçamento de saberes.

Por fim, ressaltamos que as aulas de Educação Física, contribuíram de forma significativa para inclusão do aluno portador de necessidades especiais, sendo abraçado por todos os aluno e professores da escola, que desempenham um papel fundamental no processo de desenvolvimento afetivo, cognitivo, afetivo e motor, sendo a escola o melhor ambiente para o desenvolvimento do aluno.

Acreditamos que o assunto é inesgotável, sendo que novos estudos devem ser feitos na área contribuindo com a produção do conhecimento para que as comunidades possam ter um melhor conhecimento acerca da inclusão e como trabalhar no âmbito escolar com a diversidade e todo o processo de inclusão na escola.

REFERÊNCIAS

APOLONIO, A. Atividade Motora Adaptada e Inclusão Escolar, Caminhos Que Se Cruzam, 2006.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental, Parâmetros curriculares nacionais: Educação física / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: 1997. (P.31).

COSTA, A.; DUARTE, E. Atividade física, saúde e qualidade de vida das pessoas com deficiência. In: Atividade Motora Adaptada: a alegria do corpo. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006.  (P.P 126,127)

DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf> Acesso em 2009.

LDB – Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. LEI No. 9.394, de 20 de dezembro de 1996.  (D.O. U. de 23 de dezembro de 1996, seção 1) (capítulo V, Da Educação Especial, art. 58, p 142, Parágrafo 1°,), (parágrafo 3°, do artigo 59). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm Acesso em 2009.

LIMA, S. TOYOSHIMA, M. Educação Física e a escola inclusiva. In: Temas em educação física adaptada. Sociedade Brasileira de Atividade Motora Adaptada: SOBAMA, 2001. (P.80,95)

OLIVEIRA, V. O que é Educação Física? São Paulo: Editora Brasiliense, 1983. (P.98)

RODRIGUES, D. Atividade Motora Adaptada: a alegria do corpo. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006. (P.P 65,68,77,79)

ZABOLI, F.; BARRETO, S. A corporeidade como fator de inclusão das pessoas com condições de deficiência. Atividade Motora Adaptada: a alegria do corpo. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006. (P.P 72, 77, 79)

[1] Pós Graduado em Educação Física Escolar; Pós graduado em Treinamento Desportivo e Personal Trainer; Licenciatura Plena em Educação Física.

[2] Pós Graduado em Educação Física Escolar; Licenciatura Plena em Educação Física.

Enviado: Agosto, 2020.

Aprovado: Outubro, 2020.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here