Diferenças na aptidão física entre os gêneros de 11 a 13 anos de idade

0
575
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
ARTIGO EM PDF

SOUZA, Ramon Leonel [1]

SOUZA, Ramon Leonel. Diferenças na aptidão física entre os gêneros de 11 a 13 anos de idade. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 09, Vol. 05, pp. 163-176, Setembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Ao se relacionar desenvolvimento motor com aptidão física em crianças é possível verificar a existência de diferenças entre o gênero, embora estes dados não sejam consistentes na literatura. Desta forma, o objetivo deste estudo foi investigar as possíveis diferenças no desempenho motor de meninos e meninas, através da bateria de testes do Eurofit. A amostra do presente estudo foi composta por 108 crianças, sendo 49 meninas e 59 meninos com idade entre 11 e 13 anos, pertencentes às escolas públicas de ensino formal. Para avaliação entre o gênero foi utilizada a bateria de testes EUROFIT. Para os procedimentos estatísticos foram adotados à análise descritiva (média e desvio padrão), teste de Kolmogorov-Smirnovz para verificar normalidade dos dados, teste Levene para verificar a homogeneidade das variâncias e o teste t para amostras independentes no intuito de verificar possíveis diferenças entre grupos, com o nível de significância de 5% (p≤0,05). Os resultados mostram que os meninos foram superiores nos testes de: força de pressão manual, força de tronco, impulsão horizontal sem corrida, velocidade de movimento do membro superior, força de membros superiores, agilidade e resistência aeróbica, enquanto as meninas apresentaram melhor resultado nos testes de flexibilidade e equilíbrio. O presente estudo demonstrou a existência de diferenças em relação ao gênero na análise inferencial, sendo que os meninos mostraram maior proficiência nos testes de resistência, velocidade do membro superior e agilidade, enquanto as meninas mostraram superioridade no teste de equilíbrio. Provavelmente esta diferença ocorreu devido a diferentes estágios maturacionais e repertório motor, evidenciando a influência dos aspectos culturais, sociais, econômicos e biológicos na aptidão física.

Palavras-chave: Aptidão Física, Crianças, Desenvolvimento Motor

INTRODUÇÃO

De acordo com Krebs et al. (2011), existem diversos tipos de baterias de testes que mensuram o desenvolvimento motor e o crescimento do indivíduo, sendo que o Eurofit se apresenta como uma proposta difundida e utilizada em diversos estudos mundiais. Krebs et al. (2008) afirmam que o Eurofit, apesar de aparentar ser uma bateria de testes simples, contém mecanismos de percepção visual e proprioceptivos, com mudanças alternadas de direção, que para poder ser executada necessita de componentes da aprendizagem, pertinentes ao período escolar. A estrutura da bateria de teste EUROFIT (1988), embora centrado no desempenho, contém quase todos os itens das baterias centradas na saúde, sendo essencialmente aplicados a populações jovens, de seis a dezoito anos. Os testes constituem-se como base para esta pesquisa, uma vez que oportuniza a mensuração de vários componentes da aptidão física e da saúde no contexto escolar.

O conhecimento da aptidão física e motora de crianças e adolescentes permite observar os níveis adequados de saúde que repercutem por toda a vida do indivíduo (Luguetti; RÉ; Bohme, 2010). Contudo, Caetano; Silveira; Gobb (2005) observaram que nos anos da infância (três a sete anos) há um desenvolvimento não homogêneo, que não ocorre igualmente para todos os componentes da motricidade, caracterizando-se pela não linearidade, já que o desenvolvimento motor define-se como um processo dinâmico.

A falta de desenvolvimento pleno das potencialidades motoras e, em específico das habilidades motoras fundamentais, tem sido demonstrada no conjunto de habilidades motoras em geral (BRAGA; KREBS; VALENTINI et al., 2009). O desempenho motor de crianças e adolescentes constituem-se em uma preocupação permanente entre os especialistas da área da saúde (GUEDES; BARBANTI, 1995). O interesse neste conhecimento justifica-se devido à atividade física possibilitar um importante papel na prevenção, conservação e melhoria da capacidade funcional e, por conseguinte, na saúde dos jovens (Powell; Paffenbarger, 1985; MORROW et al., 2003).

Guedes (2007) salienta que a aptidão física (AF) pode ser dividida em dois segmentos. O primeiro, que envolve a saúde, relaciona-se com resistência cardiorrespiratória, força, resistência muscular e flexibilidade. Já o segundo envolve o desempenho motor e abrange a potência (ou força explosiva), velocidade, agilidade, coordenação e equilíbrio. A aptidão física é considerada um importante indicador de saúde, uma vez que se observa a relação inversa com diversos fatores de risco cardiovascular (ORTEGA et al., 2008).

A aptidão física de escolares pode ser considerada insatisfatória (Dorea et al., 2008) e um mapa das aptidões físicas relacionados à saúde de crianças e adolescentes evidencia que um grande número de escolares apresenta indicadores de risco à saúde, sendo eminente a intervenções no âmbito da educação física escolar (Barbosa et al., 2012).

As crianças e adolescentes mostram resultados abaixo do esperado no que tange os aspectos relacionados com a saúde (Pelegrini et al., 2011), sendo que a partir dos onze anos ocorre um decréscimo nestes em ambos os gêneros (Guedes; Guedes, 1995, Ronque et al., 2007).

Os ritmos de desenvolvimento se alteram e são distintos nas crianças. Estas diferenças se devem por razões biológicas, socioculturais e ao acúmulo de experiências motoras vividas. Segundo o Eurofit (1988), a aptidão física é um componente importante, não apenas do desporto e educação física, mas também na educação da saúde, sendo necessária a uma condição de bem estar geral.

As pesquisas mostram inconsistência ao analisarem a diferença na aptidão física entre os gêneros, uma vez que alguns estudos demonstraram superioridade dos meninos em relação às meninas nos testes de força/resistência muscular (Guedes; Neto; Silva, 2011; Pelegrini et al., 2011; Saraiva; Rodrigues, 2011; Dumith et al., 2010; Dorea et al., 2008) e aptidão cardiorrespiratória (Guedes; Neto; Silva, 2011; Pelegrini et al., 2011; Saraiva; Rodrigues, 2011; Dorea et al., 2008); superioridade das meninas em relação aos meninos na flexibilidade (Pelegrini et al., 2011; Dorea et al., 2008), força de tronco e aptidão cardiorrespiratória (RONQUE et al., 2007); não observaram diferenças entre os gêneros na flexibilidade (Saraiva; Rodrigues, 2011; RONQUE et al., 2007) e agilidade (Marques et al., 1992). Desta forma, o objetivo deste estudo foi investigar possíveis diferenças na aptidão física entre os gêneros. A idade selecionada justifica-se devido ao aumento da capacidade cognitiva e por apresentar maior ênfase em aspectos quantitativos no desempenho do movimento, por meio do refinamento de habilidades motoras mais complexas (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Esta pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética e pesquisa sob o protocolo nº CAAE 30207314.5.0000.5284.

MÉTODO

A amostra do presente estudo foi composta por 108 crianças, sendo 49 meninas e 59 meninos com idade entre 11 e 13 anos, respectivamente. Estas crianças eram pertencentes a escolas públicas de ensino formal e nasceram entre os anos de 2003 a 2005. Para a participação nesta pesquisa os diretores das instituições de ensino preencheram uma carta de anuência, bem como os voluntários e os responsáveis destes assinaram o termo de consentimento livre esclarecido.

TESTES DE APTIDÃO FÍSICA:

As crianças participaram dos testes em dois dias. No primeiro dia realizaram-se os testes de equilíbrio, velocidade de movimento do membro superior, impulsão horizontal sem corrida, força de tronco e agilidade. No segundo dia realizaram-se os testes de flexibilidade, força de pressão manual, força de membros superiores e resistência aeróbica. Os dias de testes foram separados por um intervalo de 48 horas.

Os testes utilizados nesta pesquisa encontram-se descritos abaixo, segundo especificações do EUROFIT (1988) e do Ministério de Educacion y Ciência (2006).

Teste de equilíbrio: O voluntário ficou sobre a perna de preferência numa posição em que a mão segurou o outro pé (pé contrário) imitando um flamingo. Este se manteve na posição referida sobre um apoio metálico, durante um minuto. Sempre que o voluntário se desequilibrou e tocou o chão, o procedimento foi repetido. O número de tentativas necessárias para o voluntario manter-se em equilíbrio durante um minuto foi o resultado final deste teste.

Teste de velocidade de movimento do membro superior: O voluntário ficou em frente a uma mesa com as mãos ligeiramente afastada. Este colocou uma das mãos à escolha em um dos discos laterais e realizou 25 ciclos entre um disco e outro, mantendo a mão de apoio sobre uma superfície retangular. Foram realizadas duas tentativas e consideradas como resultado o menor tempo dentre estas.

Teste de flexibilidade: O voluntário sentou com os joelhos em extensão, de tal forma em que os pés apoiaram no banco de Wells. Este manteve os joelhos em extensão e realizou a flexão do quadril em sua amplitude máxima. O maior valor alcançado, em centímetros, foi registrado como resultado.

Teste de impulsão horizontal sem corrida: A partir de uma posição estática, o voluntário saltou a maior distância possível para frente. Foram realizadas duas tentativas e a maior distância alcançada, em centímetros, foi registrada como resultado final.

Teste de pressão manual: O voluntário segurou o dinamômetro com a sua mão de preferência, e em seguida o realizou a maior força de pressão manual possível (o dinamômetro ficou longe do corpo). Foram realizadas duas tentativas e considerou-se o maior valor obtido.

Teste de força do tronco: O voluntário realizou o maior número de abdominais possíveis em 30 segundos. Adotou-se como resultado o número de execuções corretas realizadas no tempo pré-determinado.

Teste de força de membros superiores: O voluntário manteve os cotovelos flexionados com angulação inferior a 90° e com o queixo acima da “linha” da barra o maior tempo possível. Para adquirir essa posição utilizou-se uma cadeira. Após o voluntário posicionar-se adequadamente, retirou-se a cadeira para a manutenção da posição e iniciou o registro do desempenho. Assim que o queixo do voluntário ficou abaixo da “linha” da barra, o tempo do cronometro foi parado e o resultado registrado.

Teste de agilidade: É um teste em regime de corrida de ida e volta (Shuttle run) à máxima velocidade. Tem início atrás de uma linha, e quando, o voluntário foi autorizado, ele correu o mais rápido possível para a outra linha e regressou a primeira linha, representando um ciclo. O resultado registrado foi o tempo gasto pelo voluntário para concluir 5 ciclos ininterruptamente.

Teste resistência aeróbica: Foi utilizado o yo-yo teste. Os voluntários posicionaram-se atrás de uma das linhas e começaram a correr quando autorizados. O teste foi interrompido, quando o sujeito não conseguiu atingir a distância estipulada de 20 metros em função do tempo determinado por duas tentativas consecutivas. O voluntário saiu da prova ou parou quando não suportou mais realizar o teste. O resultado foi obtido por meio da tabela de análise presente no EUROFIT.

PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOS

Aplicou-se o Teste de Kolmogorov-Smirnovz para verificar normalidade dos dados e o Teste Levene para verificar a homogeneidade das variâncias.

A partir disso verificou-se a existência de diferenças entre o gênero e os testes de aptidão física. Para a análise descritiva adotou-se os testes de média e desvio padrão (DP).

Na tentativa de verificar diferenças entre os grupos, utilizou-se o teste t para amostras independentes. O nível de significância adotado foi de 5% (p≤0,05). O software empregado para análise dos dados foi o SPSS for Windows versão 20.0.

RESULTADOS

Gênero é uma construção social que conduz meninos e meninas a manifestarem diferentes comportamentos na sociedade. Esses comportamentos trazem repercussões no desempenho motor

A análise descritiva (tabela 1) mostrou superioridade dos meninos nos seguintes testes: teste de velocidade de movimento do membro superior, teste de impulsão horizontal sem corrida, teste de força de pressão manual, teste de força de tronco, teste de força de membros superiores, teste de agilidade e teste de resistência aeróbica, enquanto as meninas apresentaram melhor desempenho nos testes de equilíbrio e flexibilidade.

Tabela 1 – Análise descritiva das variáveis estudadas

`TESTES Gênero Média Desvio padrão
EQUILIBRIO Meninos 2.58 quedas 1.44
Meninas 1.95 quedas 1.14
Velocidade de movimento do membro superior Meninos 7.46 segundos 1.38
Meninas 8.69 segundos 2.65
FLEXIBILIDADE Meninos 23.45 centímetros 6.96
Meninas 24.25 centímetros 8.01
Impulsão horizontal sem corrida Meninos 1.55 metros 0.22
Meninas 1.41 metros 0.22
FORÇA DE PRESSÃO MANUAL Meninos 22.93 Quilogramas 8.85
Meninas 21.43 Quilogramas 8.99
FORÇA DE TRONCO Meninos 15.52 abdominais 4.89
Meninas 14.67 abdominais 3.85
FORÇA DE MEMBROS SUPERIORES Meninos 11.49 segundos 8.29
Meninas 10.82 segundos 9.03
AGILIDADE Meninos 15.49 segundos 1.89
Meninas 16.54 segundos 3.14
RESISTÊNCIA AERÓBICA Meninos 25.24 ml.Kg-¹.min-1 7.31
Meninas 21.15 ml.Kg-1.min-1 2.71

A tabela 2 corresponde à análise bidimensional para comparação das médias, evidenciando que os meninos apresentaram melhor desempenho nos testes de velocidade de movimento do membro superior, força de tronco, agilidade e resistência aeróbica, enquanto as meninas apresentaram melhor desempenho no teste de equilíbrio.

Tabela 2 – Comparação de médias entre os grupos

TESTES F Valor de p
EQUILIBRIO 6.008 0.016
Velocidade de movimento do membro superior 4.431 0.037
FLEXIBILIDADE 1.424 0.235
ImpulsÃo horizontal sem corrida 0.409 0.523
FORÇA DE PRESSÃO MANUAL 0.002 0.962
FORÇA DE TRONCO 3.269 0.073
FORÇA DE MEMBROS SUPERIORES 0.800 0.373
AGILIDADE 7.144 0.008
RESISTÊNCIA AERÓBICA 43.582 0.000

DISCUSSÃO

Os resultados descritivos mostram que o desempenho dos meninos foi superior nos testes de velocidade de movimento dos membros superiores, impulsão horizontal sem corrida, força de pressão manual, força de tronco, força de membros superiores, agilidade e resistência aeróbica, enquanto as meninas foram superiores nos testes de equilíbrio e flexibilidade. Estes resultados corroboram com Marques et al. (1992), onde verificou-se a aptidão física de 212 indivíduos dos dois sexos e os meninos foram superiores as meninas em todos os testes, com exceção ao teste de flexibilidade. Dumith et al. (2010) verificaram, em 526 alunos entre sete e quinze anos, e os meninos mostraram desempenho superior em relação às meninas, sendo que a diferença aumentou diretamente com a faixa etária.

A análise inferencial das médias mostrou superioridade dos meninos nos testes de velocidade de movimento do membro superior, agilidade e resistência aeróbica (F=4.431, F=7.144 e F=43.582, respectivamente, para p<0.05) e superioridade das meninas no teste de equilíbrio (F=6.008, para p< 0,05), evidenciando que o gênero masculino mostrou melhor aptidão física que o gênero feminino nos testes de resistência e velocidade, enquanto o gênero feminino apresentou melhor resultado no teste de equilíbrio.

Gulias et al. (2014) corroboram parcialmente com presente estudo, ao analisarem 1.725 crianças de ambos os sexos, por meio da bateria de teste EUROFIT e observarem superioridade do sexo masculino em todos os componentes da aptidão física, exceto para a flexibilidade.

Em outro estudo, Saraiva e Rodrigues (2011) analisaram 140 crianças (constituídas de 52% de meninos e 48% de meninas) e verificaram a superioridade dos meninos nos testes de força/resistência muscular, salto em distância sem corrida preparatória, corrida de agilidade 4×10 metros e a corrida de resistência em vai e vem de 20 metros, enquanto que as meninas mostraram superioridade no teste de flexibilidade, corroborando parcialmente com o presente estudo.

Os resultados encontrados por Bronsato e Romero (2001) em sua pesquisa corroboram parcialmente com este estudo ao concluírem que em oito das nove provas aplicadas, os meninos obtiveram respostas motoras melhores que as meninas, nas provas de: a) equilíbrio; b) tocando os discos; c) salto em extensão; d) apreensão manual; e) sente e levante; f) suspensão na barra; g) Shuttle Run; h) resistencia aeróbica. As meninas foram melhores do que os meninos apenas na prova do sente e alcance. Na prova de agilidade, tocando os discos, os resultados percentuais apontaram uma pequena diferença em favor do sexo masculino.

Discordando do presente estudo, Ronque et al. (2007) analisaram o desempenho motor em 511 escolares (274 meninos e 237 meninas) e observaram que as meninas apresentaram resultados semelhantes aos meninos em todos os testes, exceto no teste de flexibilidade onde as meninas se mostraram superiores. Em outro estudo, Moselakgomo Monyeki e Toriola (2014) observaram que as meninas apresentaram melhor desempenho no teste de flexibilidade em relação aos meninos, não observando outras diferenças da aptidão física entre os sexos. Estas diferenças podem justificar-se pelo pobre repertório motor das crianças, sendo que neste caso a presente pesquisa pautou-se em alunos de instituições do ensino particular. Provavelmente, a baixa experiência motora, advinda dos fatores socioeconômicos e culturais, resultou nas diferenças encontradas neste estudo.

Santos et al. (2014), por meio de um estudo de 2 décadas, observaram que as crianças de 1992 apresentaram melhores desempenhos em teste de aptidão física em relação às crianças de 2012, sugerindo que esta tendência negativa se deve as mudanças sociopolíticas, educacionais e econômicas.

A falta de oportunidade de prática sistematizada e estruturada com objetivos de proporcionar experiências motoras diversificadas, e a falta de instruções apropriadas tem sido indicada como razões para que crianças não alcancem níveis mais elevados de desempenho motor nas habilidades motoras fundamentais (COTRIM; LEMOS; NÉRI et al., 2011) ficando aquém do nível esperado para as respectivas idades (BRAGA; KREBS; VALENTINI et al., 2009). Assim, o nível baixo de desenvolvimento motor, vem causando dificuldades na execução das habilidades motoras fundamentais constitui uma barreira para o desenvolvimento motor pleno das crianças, a barreira de proficiência motora, conforme apontado por alguns autores (CLARK, 2007), GALLAHUE, 1989; SEEFELDT; HAUBENSTRICKER, 1982). No entendimento de CARDOSO (1994) a Educação Física, em sua especificidade (o movimento) pode estimular ações que venham contribuir com posturas adequadas a cada indivíduo, sem distinção de sexo, permitindo que sua potencialidade motora o habilite a fugir de estereótipos, instalados social e culturalmente.

O desempenho motor apresenta diferenças entre meninos e meninas desde os seis anos de idade, com aumento gradual ocorrendo conforme a idade avança (GUEDES; NETO; SILVA, 2011). Entretanto, torna-se necessário avaliar o estágio maturacional das crianças, garantindo a comparação entre os pares que se encontram no mesmo nível de desenvolvimento. Neste sentido, o controle do estágio maturacional é baseado na idade cronológica, uma vez que há um padrão esperado de comportamento maturacional segundo as faixas etárias (GUEDES, 2011).

CONCLUSÃO

Os resultados encontrados neste estudo conduzem a conclusão de que existem diferenças na aptidão física entre os gêneros, sendo que os meninos mostraram maior proficiência motora na bateria de testes do Eurofit, sendo esta superioridade evidenciada em sete dos nove testes realizados, sendo eles os testes de Impulsão horizontal sem corrida, força de pressão manual, força de tronco, força de membros superiores, agilidade, resistência aeróbica, e velocidade de movimento dos membros superiores, já as meninas foram melhores nos testes de equilíbrio e flexibilidade. Sendo que a análise das médias mostrou superioridade dos meninos nos testes de velocidade de movimento do membro superior, agilidade e resistência aeróbica respectivamente, e superioridade das meninas no teste de equilíbrio estes apresentaram maior significância em relação a diferença nos resultados entre os grupos

Provavelmente estas diferenças ocorreram devido aos diferentes estágios maturacionais e repertório motor. Neste sentido, os ritmos de desenvolvimento mostram-se distintos, evidenciando a influência dos aspectos culturais, sociais, econômicos e biológico sendo assim o presente estudo demonstrou a existência de diferenças em relação ao gênero.

Este estudo corrobora parcialmente com as pesquisas da área. Contudo, se faz necessário mensurar o estágio maturacional das crianças e adolescentes, permitindo uma análise de pares que se encontrem no mesmo estágio de maturação. Contudo, mostra-se necessário estabelecer o envolvimento dos gêneros com aulas formais de educação física, bem como a participação em atividades extracurriculares.

Sugere-se que futuras pesquisas busquem investigar a participação das crianças com as aulas de educação física escolar, por meio da observação e até mesmo filmagens destas. Por fim, torna-se interessante complementar este tipo de pesquisa com uma abordagem qualitativa dos professores acerca da participação dos alunos nas atividades motoras e até mesmo quantas vezes ocorrem esta participação, podemos sugerir também condições apropriadas para a promoção de desenvolvimento, mesmo no ensino infantil, perpassam pela atuação do professor de educação física. Neste caso, o professor tem papel crucial atuando como promotor de atividades estruturadas e planejadas, de acordo com a faixa etária, e atuando como fornecedor de informação, corrigindo e orientando a realização correta de habilidades motoras, mesmo das consideradas fundamentais, como anteriormente sugerido (PELLEGRINI; BARELA, 1998).

REFERÊNCIAS

BARBOSA, T. S.; GARLIPP, D.; PINHEIRO, E.; MACHADO, D,; GAYA, A. L.; GAYA, A. Mapas da aptidão física relacionada à saúde de crianças e jovens brasileiros de 7 a 17 anos. Motricidade, v.8, n. S2, p.289-294. 2012.

BRAGA, R.K.; KREBS, R.J.; VALENTINI, N.C; TKAC, C.M. A influência de um programa de intervenção motora no desempenho das habilidades locomotoras de crianças com idade entre 6 e 7 anos. Revista da Educação Física/UEM, P.171-181. 2009

BRONSATO, T. M. S; ROMERO, E. Relações de gênero e de desempenho físico e motor de alunos submetidos aos testes de eurofit. Revista de Educação Física da UFRGS v. 7, n. 15. 2001

Caetano; M. J. D.; Silveira; C. R. A.; Gobb, L. T. B. Desenvolvimento motor de pré-escolares no intervalo de 13 meses. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho. Humano, v.7, n.2, p.5-13. 2005.

CLARK, J.E. On the problem of motor skill development. JOPERD. p. 39-45. 2007

COTRIM, J.R.; LEMOS, A.G.J.; NÉRI, J.E.; BARELA, J.A. Desenvolvimento de habilidades motoras fundamentais em crianças com diferentes contextos escolares. Revista de Educação Física/UEM, p.523-533. 2011

DOREA, V.; RONQUE, E. R.; CYRINO, E. S.; JUNIOR, H. S.; GOBBO, L. A.; relacionada à saúde em escolares de Jequié, BA, Brasil. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v.14, n.6, p.494-499. 2008.

DUMITH, S.; RAMIRES, V.; SOUZA, M.; MORAES, D.; PETRY, F.; OLIVEIRA, E.; RAMIRES, S.; MARQUES, A. Aptidão física relacionada ao desempenho motor em escolares de sete a 15 anos. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v.24, n.1, p.5-14. 2010.

EUROFIT. Handbook for the Eurofit Test of Physical Fitness. Council of Europe. Committee for the Development of Sports, Rome. 1988.

GALLAHUE, D.L .Motor Developmentalists. All Motor Development Academy Newsletter – National Association of Sport and Physical Education. p.1-5. 1989

GALLAHUE, D.L.; OZMUN, J.C.; GOODWAY, J.D. Compreendendo o Desenvolvimento Motor – 7ed: Bebês, Crianças, Adolescentes e Adultos. Editora AMGD. 2013.

GUEDES, D. P.; BARBANTI, V. J. Desempenho motor em crianças e adolescentes. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v.9, n.1, p.30-43. 1995.

GUEDES, D. P.; GUEDES, J. E. R.P. Aptidão física relacionada à saúde de crianças e adolescentes: avaliação referenciada por critério. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde, v.1, n.2, p.27-38. 1995.

GUEDES, D. P.; NETO, J. T. M.; SILVA, A. J. Desempenho motor em uma amostra de escolares brasileiros. Motricidade, v.7, n.2, p.25-38. 2011.

GUEDES, D.P. Implicações associadas ao acompanhamento do desempenho motor de crianças e adolescentes. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 21, p.37-60. 2007.

GUEDES. D. P. Crescimento e desenvolvimento aplicado à Educação Física e ao esporte. Revista brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v.25, p.127-40. 2011.

GULIAS, G. R., SÁNCHEZ, L. M., OLIVAS, B. Á., SOLERA, M. M. and MATTÍNEZ, V. V. Physical Fitness in Spanish Schoolchildren Aged 6–12 Years: Reference Values of the Battery EUROFIT and Associated Cardiovascular Risk. Journal of School Health. v. 84, p. 625–635. 2014.

KREBS, R. J.; BORGES JUNIOR, N. G.; SANTOS, M. B.Implicações da percepção visual e proprioceptiva no desempenho de uma tarefa motora contínua e fechada. IV Congresso Brasileiro de Comportamento Motor, Apresentação Oral e Resumo. 2008.

KREBS, R. J.; DUARTE, M. G.; NOBRE, G. C.; NAZARIO, P. F.; SANTOS, J. O. L. Relação entre Escores de Desempenho Motor e Aptidão Física em Crianças com Idades entre 07 e 08 Anos. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v 13, n. 2, p. 94-99. 2011.

Luguetti, C. N.; Ré, A. H. N.; Bohme, M. T. S. Indicadores de aptidão física de escolares da região centro-oeste da cidade de São Paulo. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, v. 12, n.5, p.331-337. 2010.

Marques, A.T.; Gomes, P.; Oliveira, J.; Costa, A.; Graça, A.; Maia, J. Aptidão Física. In: F. Sobral; A.T Marques (eds). FACDEX, Desenvolvimento Somato-motor e Factores de Excelência Desportiva na População Portuguesa. Volume 2. Relatório Parcelar Área do Grande Porto. Ministério da Educação. Lisboa. p.21-43. 1992.

Ministerio de Educacion y Ciencia. Real Decreto 1513/2006, de 07 de diciembre, por el que se establecen lasen senanzas minimas de la Educacion primaria. Royal Decree 1513/2006, the 7th December, laying down the Curriculum for Primary Education. Government Gazette, n. 293, p.43075-43080. 2006.

Morrow, J.; Jackson, A.; Disch, J.; Mood, D.; Silva, M. Medida e Avaliação do Desempenho Humano. Porto Alegre: Artmed. 2003.

MOSELAKGOMO, V. K.; MONYEKI, M. A.; TORIOLA, A.L. Physical activity, body composition and physical fitness status of primary school children in Mpumalanga and Limpopo provinces of South Africa : physical activity. African Journal for Physical Health Education, Recreation and Dance, v.20, n.2.1, p.343-356. 2014

ORTEGA, F. B.; RUIZ, J. R.; CASTILLO, M. J.; SJÖSTRÖM, M. Physical fitness in childhood and adolescence: a powerful marker of health. International Journalof Obesity, England, v. 32, n. 1, p.1-11. 2008.

PELEGRINI, A.; SILVA, D. A. S.; PETROSKI, E. L.; GLANER, M. F. Aptidão física relacionada à saúde de escolares brasileiros: dados do projeto esporte Brasil. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v.17, n.2, p.92-96. 2011.

PELLEGRINI, A.M.; BARELA, J.A. O que o professor deve saber sobre o desenvolvimento motor de seus alunos. Alfabetização: Assunto para pais e mestres (pp. 69-80). Rio Claro: Instituto de Biociências. p.69-80.1998

POWELL, K.E.; PAFFENBARGER, R.S. Workshop on epidemiologic and public health aspects of physical activity and exercise: a summary. Public Health Reports, v.100, p.118-26. 1985.

RONQUE, E. R. V.; CYRINO, E. S.; DÓREA, V.; JÚNIOR, H. S.; GALDI, ENORI, H. G. A. M. Diagnóstico da aptidão física em escolares de alto nível socioeconômico: avaliação referenciada por critérios de saúde. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 13, n. 2, p.71-76. 2007.

SANTOS, F. K.; PRISTA, A.; GOMES, T. N. Q. F.; DACA, T.; MADEIRA, A.; KATZMARZYK, P. T.; MAIA, J. A. R. Secular trends in physical fitness of Mozambican school-aged children and adolescents. American Journal of Human Biology. v. 26, n. 5, p.1-6, 2014.

SARAIVA, J. P.; RODRIGUES, L. P. Relações entre a atividade física, aptidão física, morfológica e coordenativa em crianças de 10 anos de idade. Revista da Educação Física, v. 22, n.1, p.1-12. 2011.

SEEFELDT, V.; HAUBENSTRICKER, J. Patterns, phase, or stages: An analytical model for the study of developmental movement. In KELSO J. A. S.; J. E. CLARK (Eds.), The development of movement control and coordination. New York, NY: John Wiley & Sons, Ltd. p. 309-318. 1982

[1] Pós-Graduado em Educação Física pela Universidade Estácio De Sá/RJ; Graduado em Educação Física pelo Centro Universitário da FESBH em 2014; atua como Tutor de Educação Física na UNOPAR POLO CENTRO – Belo Horizonte/MG; Treinador de Futsal no Colégio Nossa Senhora Das Dores – Floresta – Belo Horizonte/MG

Pós-Graduado em Educação Física pela Universidade Estácio De Sá/RJ; Graduado em Educação Física pelo Centro Universitário da FESBH em 2014; atua como Tutor de Educação Física na UNOPAR POLO CENTRO – Belo Horizonte/MG; Treinador de Futsal no Colégio Nossa Senhora Das Dores – Floresta - Belo Horizonte/MG

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here