A mídia impressa, o culto ao corpo e a educação física

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao-fisica/culto-ao-corpo
A mídia impressa, o culto ao corpo e a educação física
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ARTIGO ORIGINAL

CELESTINO, Kellen Thaelen Matos [1], OLIVEIRA, Euzébio de [2], DENDASCK, Carla Viana [3], BAHIA, Mirleide Chaar [4], FERNANDES, Roseane da Silva Matos [5]

CELESTINO, Kellen Thaelen Matos. A mídia impressa, o culto ao corpo e a educação física. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 03, Vol. 05, pp. 28-46. Março de 2019. ISSN: 2448-0959.

RESUMO

Este estudo tem por objetivo descrever o corpo feminino valorizado pela mídia impressa. Seus atributos e implicações para a condição feminina e como o professor de Educação Física pode intervir a esses ideários que nem sempre correspondem ao corpo real. Caracteriza-se por ser uma pesquisa documental, de caráter qualitativo, no que foram analisadas em seis edições da revista Boa Forma, no ano de 2016, o perfil das modelos das capas, o escopo das matérias relacionadas a essas modelos e o editorial que sublinha o objetivo de cada edição. A organização dos dados empíricos se deu pela análise de conteúdo. À guisa de conclusão, foi possível constatar que o culto ao corpo é modificado socialmente e a mídia impressa é responsável por propagar modelos de corpos considerados perfeitos, induzindo o público feminino a uma mercadorização do corpo e ao professor de Educação Física cabe desmitificar essa idealização midiática apresentada.

PALAVRAS-CHAVE: Mídia impressa, Culto ao Corpo, Educação Física.

1. INTRODUÇÃO

“Na segunda metade do século XX o culto ao corpo ganhou uma dimensão social inédita: entrou na era das massas” (GOLDENBERG, 2007, p.8). “Ser bela é estar ligada às qualidades estéticas, explicitadas nos atributos físicos e que estão constantemente veiculadas pela mídia” (SAMPAIO; FERREIRA, 2009), é ser belo conforme o que a sociedade estabelece como parâmetros, produtos, procedimentos estéticos, entre outros.

Embora seja quase impossível estabelecer com certeza quando as expressões “culto ao corpo” e “cultura do corpo” apareceram pela primeira vez, numerosos antropólogos, sociólogos e historiadores vêm se utilizando destes termos para designar um comportamento no qual o corpo figura como elemento central e definidor de identidades (BERGER, 2010, p.70).

Podemos observar isto pelo modismo de certas roupas que valorizam atributos (decotes, fendas, ombros expostos…), pela alimentação adequada (isenta de radicais livres, glúten, por exemplo), pela ingestão de suplementos, pelos procedimentos estéticos, pelos cosméticos (que prometem retardar o envelhecimento), até intervenções cirúrgicas para modelagem sem/com próteses.

“Assistimos, no Brasil, especialmente nos grandes centros urbanos, a uma crescente glorificação do corpo, com ênfase cada vez maior na exibição pública do que antes era escondido, mas controlado” (GOLDENBERG, 2007, p.24). O corpo vira um espetáculo à parte!!!!!

“Devido à nova moral, a da “boa forma”, a exposição do corpo, em nossos dias, não exige dos indivíduos apenas controle de suas pulsões, mas também o (auto) controle de sua aparência física” (GOLDENBERG, 2007, p.25), tornando-a passaporte para um grupo social em progressiva emergência – os que cuidam de si. Até aí nada comprometedor, o problema está na relação que se estabelece no cuidar de si com o cuidar, exclusivamente, da aparência.

Valores inverteram na sociedade contemporânea, tanto que:

Na época de Freud os psiquiatras consideravam o culto excessivo à própria imagem como uma doença; hoje, além de perder o caráter patológico passou a significar sinônimo de bem estar consigo mesmo (CODO; SENNE, 1986, p.15).

Nesse contexto, a indústria em torno do corpo (LE BRETON, 2012), tem uma forte aliada – a mídia, que estampa corpos, propaga comportamentos e comercializa produtos em prol de um objetivo – alcançar o corpo que você deseja, geralmente em estreita relação com os conceitos de beleza/feiura.

Apesar de não haver consenso sobre o que significa ser belo, por se tratar de um conceito subjetivo, temporal, histórico, já que a estética corporal é um elemento cultural que muda constantemente e a mídia se incube de difundi-la (QUEIROZ; OLTA, 2000,17).

Neste contexto, os professores de Educação Física, sofrem também essa pressão do padrão corporal, por trabalharem com o corpo. São notórias, em bancas de revistas, por exemplo, publicações com capas estampadas com imagens de mulheres consideradas belas, geralmente magras, saradas, músculos definidos, com a pele e cabelos irretocáveis.

O corpo está em evidência por todas as dimensões da vida social, tanto que Berger (2010, p.71-72) ressalta: “foi-se o tempo em que ele estava restrito aos estádios e ringues de luta; hoje ele aparece a todo instante pelas telas de cinema, pela televisão e, principalmente, nas ruas”.

No Brasil, as revistas destinadas ao público feminino como Boa Forma, Corpo a Corpo, Elle, Estilo, Marie Claire, Glamour, dentre outras, trazem em suas publicações diversos assuntos ligados à saúde, à moda e ao bem estar, tendo como público mulheres de diferentes faixas etárias, cada vez mais preocupados com a aparência física.

Além de dicas de treinos, suplementos, cardápios saudáveis, moda, ainda trazem novidades em tratamentos estéticos, com editorial que contempla várias dimensões do que deve se ocupar a mulher para ser bem sucedida (fisicamente, afetivamente, socialmente…).

[…] as revistas femininas, em especial, são meios essenciais para a criação dos padrões estético-corporais ao reproduzirem imagens de mulheres com o corpo magro, reportagens com atrizes ou modelos contando como conseguem manter a forma e a pele perfeita (FLOR, 2010, p.6).

Essas celebridades estampam capas e constroem conteúdos que incidem sobre um biotipo – mulheres magras, com maior percentual de massa muscular e definição corporal, revelando suas dietas e treinos que fazem com que alcancem o corpo desejado. Ao tratarem de temas ligados à beleza e estampar em suas capas mulheres famosas com seu corpo perfeito, reproduz fascínio no imaginário feminino. Isso reflete no vestir, na alimentação e nos cuidados em geral com o corpo.

Este cenário nos faz refletir sobre o papel do professor de Educação Física nas academias orientando o treino, por exemplo, de mulheres que consomem esse tipo de mídia como as revistas anteriormente citadas e nessa direção definimos como objetivo desse estudo: descrever o corpo feminino valorizado pela mídia impressa.

Sobre o papel do professor de Educação Física é necessário elucidar que ele caminha de acordo com os mais variados estilos de vida escolhidos pelos sujeitos no cotidiano, assim sendo precisa se articular de acordo com essas práticas diárias. Junior et al (2019) frisam que se trata de um profissional fundamental porque por meio da disciplina da Educação Física conseguem fazer com que os alunos vivenciem as mais diversas práticas por meio de múltiplas manifestações culturais que devem ser exploradas em sala de aula. É uma disciplina muito rica pois permite que os discentes vivenciem as mais variadas combinações de influências da vida cotidiana na atividade física aprendida na escola.

Este estudo é de cunho qualitativo, de natureza documental, que segundo Gil (2008, p.51): “[…] vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa […]”.

Foram analisadas seis edições da revista Boa Forma (julho a dezembro de 2016), no que estabelecemos como recorte temático – perfil das modelos das capas, o escopo das matérias relacionadas a essas modelos e o editorial que sublinha o objetivo de cada edição.

A organização dos dados empíricos se deu pela técnica de análise de conteúdo, no que os pesquisadores se propõem a analisar a comunicação – o dito e o interdito nas entrevistas. Segundo Bardin (1977, p.95), “corresponde a uma etapa que tem por objetivo […] sistematizar as idéias iniciais”, com fragmentos e coerência interna de cada resposta, para que ideias e expressões sejam asseguradas e vistas na íntegra, gerando a pré-análise e, consequentemente, os eixos temáticos e as categorias de análise.

2. O CULTO AO CORPO: CONTEXTUALIZANDO ESSA HISTÓRIA

O culto ao corpo é uma produção cultural e o conceito da mulher bela se modifica com o passar dos anos:

Padrões de beleza diferentes estiveram sempre expostos nas sociedades. No século XVIII, as mulheres usavam corpete por baixo dos longos vestidos para afinar a cintura, mostrar o decote e os quadris, pois era uma maneira de ficarem bonitas para os padrões exigidos na época (CASSIMIRO, 2012, p.76).

O papel da mulher independente, no crescimento da indústria de cosméticos e bens são ligados à beleza, ressaltando que essa realidade está atrelada na maior disseminação de informações, contribuindo assim para o crescimento do culto ao corpo.

É claro que a beleza sempre foi importante, mas ganha uma dimensão avassaladora após os anos de 1980. Vários motivos explicam este fenômeno: a globalização, as melhorias técnicas na área de cosméticos, alimentos e aparelhos de ginástica, os recursos imagéticos e sua penetração em todas as classes sociais, o fato da mulher cada vez mais ingressar no mercado de trabalho e ter renda e autonomia para se dedicar a investimentos estéticos, dentre outros (BERGER, 2010, p.72).

O Brasil sofre influência dos E.U.A, onde o culto ao corpo foi gerado e sua perfeição sendo disseminada pelas mídias – corpos mais definidos e músculos aparentes:

O desejo deste corpo feminino magro e definido e a cultura visual que irá se desenvolver a partir dele é muito antigo, mas explodiu nos E.U.A definitivamente a partir de 1980, quando ocorreu um desenvolvimento considerável do mercado do corpo magro e musculoso e do consumo de bens e serviços ligados à sua manutenção, além de todo um aparato da mídia que nos reforça o tempo todo como este corpo é desejável e necessário (BERGER, 2010, p.71).

No Brasil, principalmente na contemporaneidade, o culto ao corpo alavancou o mercado de cosméticos, de vestuário fitness, suplementos alimentares, tecnologias estéticas, entre outros. Tal realidade constrói um simbolismo na subjetividade de nossa época (DANTAS, 2011), tanto que em entrevista à Revista E[6], o filósofo Carlos José Martins, ressalta:

o que chamamos hoje de sociedade do espetáculo se intensifica cada vez mais à medida que criamos uma série de modelos de corpo, de saúde, de beleza, de eficiência e de capacidade de atração e sedução (MARTINS, 2011, p.2).

Corpos são exibidos, há uma necessidade de a pessoa estar sendo vista, apreciada, de preferência por um biotipo desejado pela maioria, há uma aparência a ser sustentada e, consequentemente, para ser aceita. De acordo com Rocha (2018) essas imagens de feminino cristalizadas na história podem ser, a qualquer momento, retomadas no contexto atual, de forma voluntária ou não, por meio de um indivíduo ou de grupos. Ambos reproduzem ideias estereotipadas de feminilidade e masculinidade que são aproveitadas pelas mais diversas mídias. São imagens de mulher transmitidas por meio de gerações, por isso existem perfis que não representam a contemporaneidade, devido ao choque de ideias, entretanto ainda são reproduzidos por grande parte da sociedade, pois é bem aclamado e aplaudido, sobretudo pelas mídias.

De acordo com Baião; Souza (2011, p.4), no caso feminino, “acredita-se, pois, que para ser aceita na sociedade, a mulher deve seguir padrões de consumo que levarão ao corpo perfeito e ao tão sonhado bem-estar” e na tentativa de induzir a esse consumismo, nada tão interessante como fazer uso de certas celebridades como garotas propagandas, em mídias televisivas e digitais. Tanto que o Brasil ostenta um outro fenômeno, a FHITS[7], a primeira plataforma de influenciadores digitais de moda e lifestyle do mundo, que ocupam as primeiras filas nos desfiles das semanas de moda internacionais, por exemplo.

Esses influenciadores, numa rotina diária, apresentam seu modo de viver, viajar, consumir, cuidar do corpo, entre outras demandas, ganhando cifras milionárias para cada postlook do dia no que revelam os créditos, por exemplo, das roupas que vestem, do sapato que calçam, entre outros.

O mercado tem aproveitado desse momento de “mercadorização do corpo” (LIMA, 2009, p.32) e com a ajuda das tecnologias midiáticas tem aumentado a produção de bens de consumo ligados à estética corporal, tanto que o Brasil tem o maior número de usuários do Instagram[8] no mundo, aplicativo gratuito para usuários de Android e iPhone, que pode ser baixado e, a partir dele, é possível tirar fotos no celular, aplicar efeitos na imagem e compartilhar com seguidores. Há ainda, a possibilidade de postar imagens no Facebook, Instagram ou Twitter.

Outro mercado da beleza que abarca recordes no país é o das cirurgias plásticas. Em todo o mundo, segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética, no ano de 2015, os EUA lideravam esse ranking com cerca de 1.414.335 cirurgias realizadas somente no ano de 2015, seguido do Brasil com o segundo lugar, realizando 1.224.300 procedimentos com liderança da lipoaspiração e dos implantes de próteses de silicone, principalmente, nos seios[9].

“Aos corpos que não se enquadram nos modelos normativos “oferecidos” pela publicidade, moda e indústria de cosméticos perpassam sentimentos de culpabilidade e inadequação” (SILVA, 2008, p.2). Muitas pessoas podem se sentir fora desses padrões de beleza, sendo que essa “inadequação” pode levá-las a buscarem a alteração de sua aparência física, podendo gerar malefícios como distúrbios alimentares, deformações no corpo por cirurgias plásticas que não dão certo, que podem causar sequelas ou morte em muitos casos, por exemplo.

3. A REVISTA BOA FORMA E SUAS GAROTAS DA CAPA

A Boa Forma é uma publicação mensal, da editora Abril, no período de análise desse estudo[10], seu custo ao consumidor era de 13,00, tendo um reajuste para 14,00 na última edição adquirida. “[…] é uma publicação já solidificada no mercado editorial, que existe desde 1988” (BAIÃO, 2012, p.2). Tem uma tiragem mensal, em média de 215.000 exemplares, com circulação líquida de 116.653 exemplares, com 87.483 assinaturas e 29.170 aquisições avulsas.

A maioria das leitoras é de classes média alta e média baixa, com idade entre 20 a 50 anos ou mais e com maior número de leitoras na região Sudeste (publiabril.abril.com.br). Dispõe também de versão online, podendo o usuário acessá-la por meio da aquisição de uma conta. Em suas publicações, as modelos de capas e das reportagens internas, são mulheres. A seguir apresenta-se as garotas da capa:

Revista julho 2016

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Fonte: Editora Abril.

Modelos de capa: Sheilla, 33 anos; Fabiana Claudino, 32 anos e Dani Lins, 32 anos; atletas da Seleção Brasileira de Vôlei.

Editorial mensal: edição especial das Olimpíadas do Rio, traz um treino para quem está com o IMC alto, dicas de saúde, moda e beleza e, ainda, o estilo de vida das meninas de ouro do Vôlei Brasileiro.

Temáticas-chave da capa: beleza olímpica; pele bem cuidada; cabeleira poderosa; reforço power; concentração 100% saudável.

Revista agosto 2016

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Fonte: Editora Abril.

Modelo de capa: atriz Giovanna Antonelli, 40 anos.

Editorial mensal: a Boa Forma não acredita nos modismos e é a favor da tendência em adotar um estilo de vida saudável.

Temáticas-chave da capa: Sempre jovem; queimar calorias; ficar saudável; disciplina; crossfit; dieta; motivação; boa alimentação.

Revista setembro 2016

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Fonte: Editora Abril.

Modelo de capa: atriz Giovanna Ewbank, 30 anos.

Editorial mensal: edição (Tempo que importa) traz a questão de uma vida muito corrida que deixa as pessoas sem tempo para cuidar de si.

Temáticas-chave da capa: sempre correndo; sempre na luta por uma barriga sequinha; sempre linda mesmo de cara (quase) lavada; de repente esteira.

Revista outubro 2016

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Fonte: Editora Abril.

Modelo de capa: atriz Leandra Leal, 34 anos.

Editorial mensal: edição de Verão aborda diversas novidades em receitas simples e saudáveis e treinos funcionais aliados aos movimentos de luta.

Temáticas-chave da capa: dieta anti-stress; para o alto sem dó; acelerômetro; exercício com seriedade.

Revista novembro 2016

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Fonte: Editora Abril.

Modelo de capa: cantora Gaby Amarantos, 38 anos.

Editorial mensal: edição Verão sem padrão defende que a leitora assuma o poder do seu próprio corpo, não se preocupando com padrões estabelecidos socialmente – corpo perfeito, intensificação do treino.

Temáticas-chave da capa: gostosas, coloridas, autênticas e felizes; grávida fitness; dieta self service; ovo e determinação na marmita.

Revista dezembro 2016

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Fonte: Editora Abril.

Modelo de capa: atriz Juliana Paes, 37 anos.

Editorial mensal: proposição para a leitora resgatar sua essência, decidir ser ela mesma e se auto aceitar.

Temáticas-chave da capa: sem filtro; crossfiteira; dieta da Ju; treino da Ju; dieta low carb.

4. PARA O CORPO PERFEITO: QUAL O MELHOR TREINO E QUAL A DIETA QUE LHE CONVÉM?

Para responder a essa pergunta, a Revista Boa Forma lança mão de matérias de capa intituladas: Reforço Power, Crossfiteira; Treino da Ju; Crossfit; Grávida fitness; Para o alto sem dó; Queimar calorias; Disciplina; De repente esteira; Exercício com seriedade. Essas temáticas são as mais exploradas ao longo de seis edições. São treinos que objetivam o ganho de massa muscular (hipertrofia), a diminuição do percentual de gordura (emagrecimento), melhora do condicionamento físico e aumento do tônus muscular. Para mostrar a eficácia – destes treinos – na modelagem de corpos femininos, se valem dos depoimentos das modelos de capa: “mesmo se levantasse 300 quilos, não ficaria com os braços gigantes” (SHEILLA, ed.357, p.34).

Esta frase pode se justificar pelo fato da atleta ter características de velocidade e não hipertrofia, contudo no decorrer da matéria um treino que visa agilidade, força e consciência corporal é exposto de forma a repassar ao leitor a “fórmula” para ser uma atleta, que se traduz na frase: “Pronta para ser uma atleta?” (BOA FORMA, ed.357, p.35).

“O crossfit acorda meu corpo para começar bem o dia. Não vou lá para competir com ninguém. Quero queimar calorias, endurecer e ficar saudável” (GIOVANNA ANTONELLI, ed.358, p.44). A atriz, mostra seu objetivo principal – ficar magra e ser saudável, mas nem sempre esse é o padrão, afinal nem todo magro é saudável. Ressalta ainda, que prefere malhar com um personal trainer, para ter certeza de fazer os movimentos corretos. Chama-nos atenção o ‘queimar calorias’, ‘endurecer’, que é justamente conceitos atrelados ao emagrecimento e a hipertrofia e ao chamado corpo perfeito que a mídia apresenta.

“Quando a Titi faz a soneca dela, à tarde, eu vou correndo para a esteira ou para a escada malhar” (GIOVANNA EWBANK, ed.359, p.37), estratégias adotadas pela atriz, mesmo com o tempo corrido, devido a nova fase que está vivendo – ser mãe. Apesar das dificuldades, não abre mão dos exercícios e dos cuidados com o corpo, que sempre é possível se dar um jeito para malhar, que as atividades como mãe, trabalhadora não impedem a leitora de malhar. Ou seja, só é descuidada quem quer.

“Até então eu me pautava nas personagens. Tinha fases mais magra, outras menos. Foi então que eu dei uma guinada e comecei a cuidar do corpo de modo consciente” (LEANDRA LEAL, ed.360, p.40), eleita para ser capa após a exibição de seu corpo ter gerado repercussão nacional positiva, em minissérie que atuou. Isso mostra o poder que o corpo exerce – ao ser prestigiado, a atriz tornou-se alvo (modelo a ser seguido) do padrão estabelecido. Tanto que na capa, seu corpo é definido como “O shape do momento”.

Assistimos, especialmente nos grandes centros urbanos do mundo ocidental, uma crescente glorificação do corpo, com ênfase cada vez maior na exibição pública do que antes era escondido e, aparentemente, mais controlado (MAROUN, VIEIRA, 2008, p.174).

Há um controle social nas imagens de corpo, em uma ordem que sacrifica a mulher, que estando fora do padrão não deve se expor publicamente – por que este incômodo em aceitar a opção de ser o que se é?

Uma surpresa editoral foi a capa estampada pela cantora Gaby Amarantos, que após participar de um programa reality de perca de peso, decidiu continuar com as dicas e com a rotina de treinos e a alimentação equilibrada no seu dia a dia. Estampou a campanha #Verão sem padrão: “Uma mulher fitness não precisa ser sarada nem ter o abdômen trincado. Eu malho, como bem e sou saudável” (GABY AMARANTOS, ed.361, p.32).

Sua intenção é mostrar que para ser fitness a pessoa não precisa seguir o ‘padrão’ estabelecido, porém a cantora leva uma rotina de treinos e dietas e também já passou por intervenções cirúrgicas para remodelar o corpo.

Outra celebridade da capa confessa: “Meu treino atual é tão dinâmico e mais divertido! Ele foca em ganhar força, velocidade. Priorizo o tônus e flexibilidade. Ficar seca vem como consequência, não é o objetivo principal” (JULIANA PAES, ed.362, p.22).

Na rotina da atriz, treinos de segunda a sábado, com descanso apenas aos domingos e um rigoroso controle alimentar. Será, de fato, que toda essa dinâmica é só para ganhar força e velocidade? Porque o discurso aponta em primeiro plano a saúde, a esbelteza vem como consequência, embora todas malhem com frequência e mantêm dieta rigorosa durante a semana e, consequentemente magras, há exceção de Gaby Amarantos que não é longilínea, mas que mantém um ritual similar às das outras celebridades.

A mídia e a indústria da beleza são aspectos estruturantes da prática do culto ao corpo. A primeira, por mediar a temática, mantendo-a sempre presente na vida cotidiana, levando ao leitor as últimas novidades e descobertas tecnológicas e científicas, ditando e incorporando tendências (CASTRO, 2004, p.7).

Isso é o que a Boa Forma faz quando estampa celebridades com corpos e comportamentos dentro de um padrão vigente – cuidar-se, que é cuidar do corpo esteticamente, conduzindo a uma patrulha que aponta as celulites, as gorduras extras, os músculos poucos definidos, entre outras regras que não devem ser aceitas socialmente.

5. AS REVISTAS FEMININAS E SEU PROJETO (DE ENTRELINHAS) DE CULTO AO CORPO E OS POSSÍVEIS IMPACTOS NA ATUAÇÃO DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Nas edições analisadas, todos os treinos são orientados por profissionais da área da Educação Física – preparador físico da seleção brasileira feminina de voleibol; os personal trainer Chico Salgado, Cau Sadd, Rafa Lund; ex-lutador e professor de Pilates, Jun Igarashi.

Fica claro o poder que a mídia exerce sobre seus leitores, pois em cada exposição de treinos há a tentativa de induzir o público feminino a seguir o treino para determinado objetivo, seja ele de ganhar tônus, ficar magra, melhorar o condicionamento, ganhar força, dentre outros.

Nas capas, há destaque para o fenômeno do culto ao corpo por meio de dietas, treinos e cuidados específicos, que sempre inovam de edição a edição, expondo às suas leitoras o corpo ‘belo’. Valem-se de dicas que podem ser realizadas tanto em academias, ao ar livre, quanto em casa, com ressalto de que basta ‘força de vontade’.

[…] para que seu corpinho se transforme em um corpão, um corpaço, a mídia brasileira convida a pensar no corpo como uma obra de arte, uma espécie de auto-retrato que deve desenhar e esculpir, copiando o modelo que estiver na moda e praticando a malhação que permite definir e acertar o trabalho (GOLDENBERG, 2007, p.98).

Assim, as academias acabam por serem vistas como a ‘fábrica de corpos’ desejados, onde lá são moldados conforme os modelos apresentados e valorizados socialmente e os professores de Educação Física qualificados por uma formação acadêmica para essa remodelagem corpórea. Por isso, ao falar de culto ao corpo é tocar em aspectos e espaços profissionais como as escolas, as academias, os clubes, entre outros.

Segundo Antonio (2009, p.21-22) sobre a Educação Física destaca:

no século XVIII, despontam preocupações com questões até então pouco relevantes como: higiene pessoal, atividade física, saúde e bem-estar. […] A partir do século XIX, amplia-se a preocupação das pessoas em relação a questão do corpo, beleza e estética.

Aí temos a intensificação do olhar sobre o próprio corpo, maior cuidado com ele e a crescente valorização da estética – cuidar de si. Só que esse cuidar está atrelado a uma ideia coletiva que nem sempre faz uso da prática esportiva ou do exercício físico para a melhoria da saúde e do bem estar do indivíduo, mas em padronizar um estilo de vida que busca melhorar o que ‘não está bom’.

Em certa medida, alterando o estado natural do corpo como a ingestão de anabolizantes, a alteração da imagem por meio de intervenções plásticas – com ou sem próteses, dietas, estilo de alimentação, entre outros recursos. Virou um mercado rentável, com riscos de uma histeria coletiva pela busca de uma perfeição que pode levar a um adoecimento, por exemplo.

Nas academias, principalmente, o culto ao corpo é evidenciado por meio de preocupações em obter um corpo com maior volume muscular tanto para os homens quanto para as mulheres, ressaltado sempre por um perfil magro que muitas vezes traz como modelo pessoas famosas.

Assevera-se o discurso de que você é responsável por sua forma física e pessoas que fogem aos padrões estabelecidos são vistas como descuidadas. Castro (2004, p.7) ressalta em sua pesquisa que:

Saúde, estética e busca por sociabilidade foram apontadas como motivações mais fortes para a frequência da academia, aliadas a uma quarta importante motivação para a prática de atividade física: a culpa, resultado da atribuição ao indivíduo da responsabilidade pela aparência de seu corpo, sendo os defeitos e imperfeições corporais entendidos como produto da negligência e falta de cuidados consigo.

A crescente busca de espaços para cuidados com o corpo faz com que seja crescente o número de academias, que estão sempre ligadas às novidades de mercado.

Todas as novidades relacionadas ao corpo resultam do fascínio da sociedade em busca das novidades e tendências que dizem respeito à prática de atividade física, às dietas exóticas, às cirurgias plásticas, ao uso de produtos e cosméticos que prometem um corpo com aparências ideais (CASSIMIRO, 2012, p.76).

Pensar o professor de Educação Física nesse contexto, com um fenômeno tão forte, ir na contramão de um discurso hegemônico do cuidar-se, não é tarefa das mais fáceis, tanto que Goldenberg (2012, p.94) destaca: “O corpo apresentado pela mídia é um corpo de mentira, medido, calculado e artificialmente preparado antes de ser traduzido em imagens e de tornar-se uma poderosa mensagem de corpolatria (culto exagerado do corpo)”.

São corpos moldados com exercícios físicos, submetidos a tratamentos em clínicas de estética, frutos de um vasto mercado que utiliza a tecnologia e as mídias como aliadas. Algumas mulheres, ao se depararem com esse modelo, passam a se vê como fora do padrão social e buscam nas academias, nos cosméticos, nos procedimentos estéticos, a construção dessa ‘boa forma’. Tudo isto têm custos – geralmente, pagos com cifras altíssimas.

A exposição de corpos femininos invariavelmente jovens, malhados, bonitos, parece ser o atestado das mulheres saudáveis e o passaporte para a felicidade de todas aquelas que se submeteram às recomendações do discurso midiático sobre saúde e estética (ARAÚJO, 2011, p.4).

O que demonstram as mulheres que estampam as capas da revista Boa Forma – felizes, de bem consigo mesmas, o que acaba por influenciar a leitora de que um corpo belo é sinônimo de felicidade.

Cabe ao professor de Educação Física, na academia, orientar seus alunos a respeitar sua individualidade biológica, no que envolvem tipos de fibras musculares, genética e outras séries de fatores (sedentarismo, sobrepeso ou obesidade) que podem ser prejudicados na busca do corpo perfeito, exibido midiaticamente. Um programa não pode ser consumido por qualquer um, há que ser respeitada as singularidades de cada sujeito.

Travar embate com o projeto midiático do corpo é uma atitude complicada para este profissional porque, às vezes, a academia onde atua vende este projeto, institui-o como seu marketing. Assim como para ser contratado, além da qualificação, sua aparência também entra em jogo – professor com sobrepeso ou obeso não é um ‘cartão de visita’ do mais adequado para se apresentar a um aluno que busca um espaço para malhar. “A corporeidade enquanto estrutura simbólica e, assim, destacar as representações, os imaginários, os desempenhos, os limites que aparecem como infinitamente variáveis” (LE BRETON, 2012, p.30) acaba destituída de sua atuação.

São tantas as circunstâncias éticas que fragilizam este profissional na trama social, porque há um “apagamento do corpo” (LE BRETON, 2013, p.11) real para a construção de rituais que aproximem o sujeito de uma matriz corpórea socialmente difundida – há maior preocupação em ter um corpo do que ser um corpo, o que é preocupante.

Porque a medida que sua aparência corporal colide com as injunções sociais, existe a chance de se produzir uma vergonha de si mesmo. “Ao mudar seu corpo o indivíduo deseja mudar sua existência, isto é, remodelar um sentimento de identidade que se tornou obsoleto” (LE BRETON, 2011, p.182). Ainda mais quando se tem como referência as celebridades que ostentam os holofotes midiáticos por conta de sua (ou quase) perfeição corpórea.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A revista Boa Forma estampa em suas capas mulheres que por meio de treinos, dietas e estética modificam seu corpo. Famosas em suas áreas de atuação, dão dicas de como é seu treino, sua alimentação, seus cuidados estéticos entre outros, geralmente em um discurso que sustenta a saúde como primeiro objetivo desses investimentos – contudo, nos parece que a estética prepondera, porque todas são magras, definidas, tem personal trainer e declaram que seguram na dieta alimentar durante a semana para comerem o que desejam no final de semana. Para que, então, tanta privação alimentar se todas dispõem de uma rotina fitness? Porque não basta só malhar, há que ser magra. Aí paira um conceito – ser magra é ser saudável.

As capas da revista demonstram a necessidade de ser magra por meio de temáticas relativas à perda de peso, com o intuito de ter o shape do momento. É notória a variedade de informações ligadas a busca de uma beleza instituída socialmente, apresentada pelas celebridades.

O mercado dispõe de produtos aos custos de qualquer classe social – assim se retroalimenta o culto ao corpo – isto impede que mulheres tenham aparência descuidada. Só não é belo quem não quer.

Outra aliada neste projeto de corpo são as academias, que o vendem como um negócio promissor – corpo malhado, definido, o que dificulta a intervenção do professor de Educação Física no esclarecimento de que há limites para cada individualidade biológica, na segurança maior à saúde.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, E. M. N. Histórias do corpo e do feminino no Brasil do tempo presente. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH. São Paulo, julho 2011.

BAIÃO, U. B.; SOUZA. J. L. DE A. Revistas Femininas de Bem-estar: um estudo comparativo entre boa forma e women´s health. 2012. Disponível em: http://www.assine.abril.com.br/assinar/revista-womenshealth. Acesso em 10.1. 2017.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.

BERGER, M. “Felicidade é entrar num vestido P”: culto ao corpo na sociedade urbana contemporânea. Cadernos de Campo, São Paulo, n.19, p.1-384, 2010.

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7. Alice Ferraz, empresária brasileira do setor da moda e indústria, funda em 1998, sua agência de comunicação, atualmente uma das empresas líderes do mercado de comunicação com foco em moda, beleza e lifestyle. Em 2011, cria o F*hits, network de influenciadores digitais, que a premiou internacionalmente no mundo da moda. Em 2013, foi reconhecida como uma das personalidades mais influentes do Brasil, pela revista Época. Entre os anos de 2013 a 2015 foi premiada como uma das 500 personalidades que estão moldando o mundo da moda mundial (http://www.fastcompany.com/3019479/most-innovative-companies-2012/fhits).

8. “Desde 2015, a presença de brasileiros na plataforma é maior do que a média global – naquele ano, 55% dos usuários da internet estavam presentes na rede social de fotografias, mais do que a média global de 32%. Em 2016, esse número subiu para 75%, mais do que os 42% da média global do mesmo ano. […] Curiosamente, não se trata apenas de uma rede social utilizada pelos jovens – 57% dos usuários brasileiros de internet estão na faixa etária dos 55 aos 65 anos” (https://pt.wikipedia.org).

9. Fonte: g1.com.br/bemestar/noticia/2016. Acesso 30.3.2017.

10. Ano de 1997.

[1] Graduada em Educação Física.

[2] Dr. em Doenças Tropicais. Docente e Pesquisador do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará – ICB/UFPA.

[3] Dra. em Psicanálise Clínica: Pesquisadora do Centro de Pesquisa e estudos avançados -CEPA/ São Paulo.

[4] Dra. em Ciência: Desenvolvimento Sócioambiental. Docente e Pesquisadora do Núcleo de Autos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará – NAEA/UFPA.

[5] Dra. em Educação. Docente e Pesquisadora do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Pará – ICS/UFPA.

Enviado: Fevereiro, 2019.

Aprovado: Março, 2019.

 

Teóloga, Doutora em Psicanálise Clínica. Atua há 15 anos com Metodologia Científica ( Método de Pesquisa) na Orientação de Produção Científica de Mestrandos e Doutorandos. Especialista em Pesquisas de Mercado e Pesquisas voltadas a área da Saúde.

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