O que dizem os estudos sobre violência urbana? Uma análise das abordagens nacionais e internacionais

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ARTIGO DE REVISÃO

GOMES, André Luis [1], PINTO, Neide Maria de Almeida [2], FIÚZA,  Ana Louise de Carvalho [3], SANTOS, Marco Aurélio Oliveira [4]

GOMES, André Luis. Et al. O que dizem os estudos sobre violência urbana? Uma análise das abordagens nacionais e internacionais. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 01, Vol. 07, pp. 14-40. Janeiro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/ciencias-sociais/violencia-urbana

RESUMO

A violência urbana tem se constituído como um dos mais graves problemas na vida da população brasileira, gerando grandes impactos no setor de segurança pública e saúde, bem como na forma de construção das sociabilidades e uso dos espaços públicos. Dentro desse contexto, o objetivo desse estudo foi verificar como esse tema tem sido abordado nos estudos nacionais e internacionais entre os anos de 2014 e 2018. Para tanto, tomou-se para análise os artigos publicados nesse interstício e disponibilizados no Google Acadêmico e no Portal de Periódicos da Capes, utilizando como método, a análise de conteúdo e o software Iramuteq. Os resultados evidenciaram a presença de diferentes abordagens sobre o tema, tanto nos estudos nacionais como nos internacionais. As abordagens sobre o tema foram tão amplas, quanto são os casos de violência urbana. As temáticas enfatizaram aspectos da segurança pública, interações sociais, saúde, resiliência, comunicação e segurança, sendo a questão espacial e as representações sociais elementos importantes nas aproximações e distanciamentos de alguns desses temas. Além disso, percebeu-se a persistência de temas antigos no debate atual, a exemplo dos estudos sobre a violência oficial do Estado e a não oficial praticada pelos traficantes e milicianos, o surgimento de novas abordagens, aliado à presença de lacunas nos estudos brasileiros, especialmente associadas a representações da violência urbana por diferentes indivíduos, relacionando-as aos espaços de ocorrência dos casos de violência.

Palavras chave: Violência urbana, análise de conteúdo, produção acadêmica. 

1. INTRODUÇÃO

A violência urbana tem se constituído como um dos problemas mais graves e de difícil solução na vida da população brasileira. Considerando-se apenas o seu extremo, os homicídios, entre os anos de 2005 e 2015, esses passaram de 48.136 para 59.080 casos, um aumento de 22,7%. Tamanha é a magnitude do problema que, ao se analisar os casos ocorridos em 2015, percebe-se que eles são mais elevados do que a soma dos ataques terroristas ocorridos no mundo, nos cinco primeiros meses de 2017, que foram 498 ataques com 3.314 vítimas fatais (ATLAS DA VIOLÊNCIA, 2017)).

Esse alto índice de violência registrado tem grande impacto no setor público, que passa a gastar cada vez mais com a segurança da população, nomeadamente, com o policiamento, aprisionamento e justiça. Tais gastos, segundo Minayo (2005), são três vezes mais do que se gasta com ciência e tecnologia no país. Além da segurança, a violência tem sérias consequências sobre as sociabilidades e uso dos espaços públicos, pois modifica as rotinas cotidianas dos habitantes da cidade e a forma de eles interagirem uns com os outros (SILVA, 2004) e com o espaço público. O qual, como aponta Bauman (2005), passa a ser evitado em decorrência do medo e da insegurança gerados pela violência.

Essas questões, associadas à violência urbana, permeiam o debate que emerge em diferentes setores da sociedade, quer seja, na mídia, na segurança pública, na saúde, nos movimentos sociais e na academia, agregando pesquisadores de diferentes partes do país e campos do conhecimento, resultando em uma vasta produção de artigos, dissertações e teses.

No âmbito acadêmico, a violência urbana emerge como tema de investigação nas décadas de 1970 e 1980, quando aparecem as primeiras pesquisas sociológicas sobre violência. As quais se multiplicaram nas décadas de 1970 e 1980, com foco nos diferentes tipos de violência que ocorriam no espaço urbano da cidade como: violência doméstica, violência contra homossexuais, violência contra mulheres, violência contra crianças, violência policial, violência nas prisões, violência nas escolas, violência de torcedores de futebol, violência na mídia, violência no trânsito e violência de gangues (LIMA, MISSE, MIRANDA, 2000).

Os autores supracitados ao falarem sobre os tipos de violência, definidas como violência urbana, afirmam que os mesmos tendem a englobar questões de outros campos temáticos, o que gera a necessidade de abordagens analiticamente mais abrangentes, como as produzidas por: Velho (1996), que chama a atenção para uma crise na reciprocidade; Adorno (1998), que discute o esgotamento dos modelos convencionais de controle social; Zaluar (1999c), que fala sobre um retrocesso civilizatório, tendo como base as teorias de Nobert Elias; Machado da Silva (1999), que sugere a emergência de um outro tipo de sociabilidade, a sociabilidade violenta, capaz de atuar sobre as rotinas cotidianas dos indivíduos e; Misse (1999) que fala de uma acumulação social da violência.

Nos estudos de Gilberto Velho, percebe-se a influência da Escola de Chicago, mais precisamente das teorias de Becker, para o estudo do comportamento desviante e de Goffman, sobre as interações face a face no espaço público (GONDIM, 2016). Ao falar sobre violência, Gilberto Velho, chama a atenção para o urbano, como elemento que está relacionado às mudanças na vida social, propiciadora de um comportamento individualista nas grandes cidades.

De acordo com Velho (2000), o crescimento das cidades e a difusão dos valores ligados ao meio urbano como o individualismo, dimensão fundamental da cultura urbana, passa a ser cada vez mais abrangente e, atrelado a ele, o consumismo, como forma de afirmação social e de definição da identidade (MARTINS, 2003). No entanto, para Velho (2004), essa cultura do consumismo tende a agravar as frustrações, estimulando aspirações e desejos que tendem a aumentar ainda mais o sentimento e a percepção de desigualdade.

Todas essas questões convergem para possíveis episódios de violência, como forma de resolução de conflitos, de expor a insatisfação social e de satisfazer as necessidades individuais. Logo, para Velho (2004), as experiências diretas ou indiretas com casos de violência é resultado de uma radical mudança nas expectativas e padrões de sociabilidade, sendo mais dramáticos, os casos vividos pelas populações mais pobres, principalmente as residentes nas favelas. Isso porque essas populações estão expostas a ações tanto de gangues e traficantes, como também de policiais, por meio de ações, muitas vezes, não seletiva, arbitrária e truculenta.

Essas mudanças na dinâmica da cidade e da violência provocam uma mutação nas suas relações, acarretando uma concentração de atos de violência nos espaços urbanos e, ao mesmo tempo, a existência de uma violência com características urbanas. Neste sentido, pode-se entender que a violência urbana é um fenômeno complexo, que não está relacionado a um ou outro fator, mas a um conjunto deles, sendo, portanto, um fenômeno cujas causas e efeitos são muito variados e que se manifesta sobre diferentes formas e contextos.

Nesta perspectiva, o fenômeno da violência passa a ser retratado com mais intensidade na produção acadêmica brasileira, a partir do ano de 1970. Zaluar (1999), apresenta uma síntese do que fora produzido entre os anos de 1974 e 1998, apontando as principais questões e abordagens dos estudos nesse período. Segundo a autora, a produção sobre violência, anterior ao ano de 1970, pouco a vinculava à criminalidade, entendida como um problema a ser enfrentado, já que não havia a comoção pública e o destaque da mídia, como ocorreu a partir do ano de 1980. Na década de 1970, a atenção se voltava para a relação entre o estado ilegítimo, violento e autoritário, e os movimentos sociais, considerados pré-políticos, pela utilização de métodos violentos e destrutivos (ZALUAR, 1999).

Na análise dos estudos desenvolvidos na década de 1980, o enfoque se desloca para a violência oficial do Estado e a não oficial e clandestina, empreendida pelas organizações paramilitares, pelo esquadrão da morte e pelos linchamentos, interpretados tanto como justiça popular, como também revolta pela ineficiência do estado em resolver o problema da violência. Os estudos também se voltam para os grupos de extermínio, formados por policiais e moradores de determinada área, com o objetivo de punir com a morte aqueles considerados criminosos. O tráfico de drogas, com as suas regras próprias; o número de mortes que produz; suas formas de recrutamento; o ethos guerreiro e o ethos da virilidade; a cultura de honra e; os conflitos entre jovens do tráfico e entre eles com a polícia, corrompida pela lucratividade do tráfico, também são discutidos. Juntamente com a positividade da violência e a violência estrutural, responsável pelo desemprego, miséria, baixos salários, entre outros (ZALUAR, 1999).

Entre os anos de 2001 e 2010, os estudos desenvolvidos por Barreira e Adorno (2010) sobre violência buscaram analisar a violência urbana no país, relacionando-a à: família, jovens, escola, trabalho, etnia e cultura, criminalidade e violência policial, e instituições de reparação social. A partir desse painel, os autores evidenciam que a criminalidade comum, constitui apenas uma parte da violência, bem como o “caráter costumeiro, institucionalizado e de imperativo moral de que ainda se revestem as ações violentas na sociedade brasileira contemporânea (BARREIRA; ADORNO, 2010, p. 304)”. Os autores evidenciam ainda que a mesma não é privilégio de uma determinada classe e que o autoritarismo presente na sociedade brasileira não é apenas uma característica do Estado, mas é constitutivo da própria sociedade.

Finalmente, a partir desta breve síntese sobre o tema da violência urbana na produção acadêmica brasileira,  situamos o nosso objetivo neste trabalho que foi o de contribuir com o “estado da arte” sobre o tema da violência urbana a partir do ano de 2014, ano em que a violência alcançou o seu mais alto índice, 29,1 homicídios por 100 mil habitantes (ATLAS DA VIOLÊNCIA, 2016).

Este avanço na violência pode ter impulsionado a pesquisa e a produção acadêmica sobre o tema nos anos seguintes. Por essa razão, se optou por analisar a produção durante os 5 primeiros anos após a divulgação desse índice, ou seja, entre os anos de 2014 e 2018. Para tanto, se buscou fazer uma varredura em periódicos acadêmicos relacionados à área, para levantamento de publicações sobre esse tema. Nas próximas páginas serão apresentados os procedimentos metodológicos para a análise da composição deste “estado da arte” e, por fim, os resultados e as considerações finais sobre o estudo.

2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

No intuito de contribuir com o “estado da arte” sobre violência urbana no Brasil, esse estudo teve como objetivo analisar como a violência tem sido abordada nos artigos em língua inglesa, espanhola e portuguesa, nos periódicos de diferentes áreas do conhecimento. Para tanto, foi escolhido como período de análise o intertício que vai de janeiro de 2014 – ano em que a violência urbana no Brasil alcançou o seu mais alto índice – até dezembro de 2018. Para a realização da pesquisa, inicialmente, buscou-se artigos publicados em periódicos por meio da palavra “violência urbana”, a qual deveria estar presente no título dos periódicos.

Como base de dados para a busca desses artigos, foi escolhido o Portal de Periódicos da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), por ser uma biblioteca virtual que reúne e disponibiliza o melhor da produção cientifica internacional das instituições de ensino e pesquisa do país. Essa base de dados, é composta por um acervo com mais de 45 mil títulos, 130 bases referenciais, 12 bases dedicadas exclusivamente a patentes, bem como livros, enciclopédias e obras de referência (PORTAL DE PERIÓDICOS DA CAPES, 2019).

Além do Portal de Periódicos da Capes, foi utilizado também, o Google Acadêmico, visto que nele é possível localizar uma ampla literatura acadêmica, formada por artigos, teses, dissertações, livros, citações e resumos. Os resultados do Google Acadêmico são apresentados de acordo com a sua relevância, sendo as variáveis, autor, publicação na qual a pesquisa foi divulgada e frequência de citações do trabalho, de fundamental importância para essa apresentação (GOOGLE ACADÊMICO, 2019).

Após a busca e localização da produção acadêmica, procedeu-se à seleção da mesma, onde foram excluídos os trabalhos que não se enquadraram aos seguintes critérios: a) não foram publicados em periódico, b) não tinham sido publicados entre os anos de 2014 e 2018; c) não continham a palavra “violência urbana” no título; d) não foram publicados em inglês, espanhol ou português; e) não estavam disponíveis em PDF e; f) se repetissem nas duas bases de dados.

Neste sentido,  foram identificados em língua inglesa: no Google Acadêmico, 140 trabalhos sobre violência urbana e no Portal de Periódicos da Capes, 16. Após a aplicação dos critérios de exclusão, ficaram para análise, 35 produções. Em língua espanhola, foram encontrados no Google Acadêmico 80 publicações e no Portal de Periódico da Capes 15. Com as exclusões, restaram 20 artigos em espanhol. Por fim, dos artigos em língua portuguesa, no Google Acadêmico foram encontradas 189 publicações e no Portal de Periódico da Capes, 11. Entretanto, após a aplicação dos critérios de exclusão, ficaram para ser analisados, 37 artigos.

Após essa etapa, os artigos foram submetidos à análise de conteúdo,  de acordo com os critérios de Bardin (2011). Para auxiliar na análise, foi utilizada a técnica Classificação Hierarquia Descendente (CHD) e Análise Fatorial de Correspondência (AFC) do software Iramuteq 0.7 Alpha 2. Os resultados da Unidade de Contexto Elementar (UCE), onde vocabulários semelhantes são apresentados em um cluster e os diferentes em outro. Os resultados pela AFC, que foram obtidos também a partir da CHD, são apresentados na forma de um plano fatorial, representação em um plano cartesiano das diferentes palavras e variáveis associadas a CHD (CAMARGO; JUSTO, 2013).

Para que esses resultados sejam gerados, segundo Aquino (2015), na CHD o programa calcula a frequência das palavras no texto, fazendo uma relação das frequências de ocorrências com as posições do texto onde cada palavra se apresenta. Pelo cálculo efetuado, o software determina o qui-quadrado (x²) das palavras, sendo que, quanto maior o qui-quadrado (x²) maior é a representatividade ou a frequência dessas palavras dentro de um cluster.

Logo, o critério de inclusão ou exclusão de uma palavra dentro de cada cluster apresentado no estudo é a frequência maior do que a ocorrência média no corpus e uma associação com o cluster, tendo como base, o qui-quadrado (x²) igual ou maior que 3,84 (ANDRADE JUNIOR; ANDRADE, 2016). Nessas análises, as palavras de interesse de classificação, são os verbos, os substantivos e os advérbios, visto que estes denotam ação, característica e qualidade.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A leitura das publicações acadêmicas sobre violência urbana e as análises feitas por meio das técnicas de CHD e AFC do Iramuteq, permitiu a divisão dos estudos sobre violência urbana em clusters, ou seja, abordagens/perspectivas sobre o tema. Para a construção dessas abordagens, dois fatores foram fundamentais: 1) as palavras com maior qui-quadrado (x²) que compunham cada cluster e que remetiam a determinada abordagem sobre o tema e; 2) os artigos que mais contribuíram para cada cluster, identificados também a partir do qui-quadrado (x²).

A seguir serão apresentados esses resultados, por meio de dois subcapítulos, o primeiro, a violência urbana nas perspectivas internacionais, abordará as perspectivas sobre violência urbana a partir das produções em língua inglesa e espanhola. Já o segundo, a perspectiva brasileira sobre violência urbana, abordará as perspectivas identificadas em língua portuguesa sobre violência urbana, as aproximações e distanciamentos entre alguns estudos e as lacunas identificadas nos mesmos.

3.1 A VIOLÊNCIA URBANA NAS PERSPECTIVAS INTERNACIONAIS

Como dito anteriormente, as perspectivas internacionais construídas sobre violência urbana, foram resultado da análise de 35 artigos em língua inglesa e 20 artigos em língua espanhola. No caso da produção em língua inglesa, a partir da análise feita para os 35 artigos, foi possível constatar a presença de um corpus geral constituído por 70 textos (introdução e conclusão) o qual fora composto por 40.015 ocorrências (palavras, formas ou vocábulos), sendo 8.168 palavras distintas e 1.929 com uma única ocorrência. Essas palavras foram separadas em 1.118 segmentos de texto (ST) onde 993 segmentos (88,82%) constituíram o material explicativo utilizado nas análises.

A partir do dendograma da figura 1, percebe-se que o conteúdo analisado deu origem a 3 clusters, sendo estes: cluster 1, estado, controle social e violência urbana, formado por um conjunto de vocábulos que explicam 25,48% da problemática estudada; cluster 2, controle da violência urbana, com percentual de explicação de 55,29% e; cluster 3, efeitos da violência urbana, com capacidade de explicação de 18,93%.

Figura 1: Dendograma das perspectivas sobre violência urbana em língua inglesa

Fonte: Elaborado pelos autores com base em dados da pesquisa realizada em 2018

No cluster 1, Estado, controle social e violência urbana, se situaram as palavras: comunidade, assentamento informal, Estado, sociedade civil, local, autogoverno, controle social e organização comunitária, as quais estão associadas aos estudos sobre violência urbana relacionada às comunidades, organizações não governamentais e aos programas nacionais e internacionais voltados para populações expostas a violência.

Esses estudos evidenciam como, na relação Estado e Sociedade, a coesão social tem o poder de controle social, de adaptação e direcionamento das ações públicas capazes de influenciar nas taxas de violência. O estudo de Doucet e Lee (2015), por exemplo, identifica que, as comunidades mais fortes, coesas e eficazes, têm maior capacidades de regular o comportamento de seus membros e, ao mesmo tempo, de resolver os problemas da comunidade. Nesse sentido, os autores discutem a relação entre os componentes das comunidades cívicas (teoria focada no controle social, nas relações entre instituições econômicas e não econômicas e na violência urbana) e as taxas de homicídio.

Samper (2017), outro autor que contribui para essa perspectiva, analisa em assentamentos informais na Colômbia, a relação entre autogoverno comunitário, no que tange aos assentamentos informais, boa parte controlados por organizações criminosas, e o seu impacto sobre a violência urbana. Para esse autor, a informalidade dessas áreas faz com que elas sejam desamparadas pelo poder público e isso possibilita que atores armados não estatais atuem nessas áreas. Nesse contexto, o autogoverno é considerado essencial na gestão de ameaças a essas comunidades, uma vez que sua organização permite que busquem internamente ou externamente soluções para os diversos problemas que surgem como, por exemplo, os de infraestrutura, saúde, educação e segurança. Entretanto, o crescimento do assentamento informal impacta diretamente nas redes sociais, fragmentando-as e fazendo com que, nesse contexto, essa forma de organização não seja efetiva.

Por fim, contribuem para essa abordagem, Cerdá, Trace e Keyes (2018), que discutem em seu estudo, o Cure Violence, um programa de prevenção da violência, cujo foco é reduzir a violência. O programa se concentra em vizinhanças violentas e trabalha com organizações comunitárias integradas a comunidade a partir de três frentes: a) trabalho direcionado a familiares e amigos das vítimas de violência urbana de modo a evitar a retaliação e mediar as disputas em andamento; b) procurar mudar o modo de pensar dos indivíduos mais sensíveis a perpetração de atos violentos e; c) agir sobre as normas do grupo sobre violência na comunidade em geral de modo modifica-la.

O cluster 2, controle da violência urbana, é formado pelas palavras violência, cidade, violência urbana, Medellín, redução, compreensão, país e formas de violência. As palavras desse cluster estão associadas às discussões sobre violência urbana que enfocam as altas taxas de homicídios e os atores perpetradores dessa violência, bem como a redução drástica dessa violência experimentada pela cidade de Medelín na Colômbia. Caso, por exemplo, de Doyle (2018) que estudando a redução da violência na cidade citada, afirma que no ano de 1991 ela era a mais perigosa do mundo e teve sua taxa de homicídios reduzida drasticamente. Em seu estudo, a autora abandona a explicação política “ortodoxa” sobre a redução da violência e procura apresentar uma explicação alternativa para essa redução.

Outro estudo que também discute a redução da violência em Medelín, é o de Moncada (2016). A autora parte da política de violência urbana, para entender o caso da cidade de Medellín argumentado que, um foco na política econômica urbana e nos padrões de controle territorial armado, ajudam nessa compreensão. Por fim, focando também na redução da violência urbana, Hoelscher e Nussio (2016), afirmam que o fortalecimento das instituições políticas e sociais são de fundamental importância no processo de redução da violência letal, comprovando essa afirmação a partir de um estudo comparativo entre as cidades de Bogotá na Colômbia e do Recife no Brasil.

O cluster 3, efeitos da violência urbana, agregou as palavras: criança, estudo, juventude, família, exposição, escola, risco e vizinhança. Essas palavras, foram algumas das mais significativas nessa classe e estão relacionadas aos estudos que discutem o impacto da violência na vida de comunidades, famílias e crianças. Caso, por exemplo, do estudo de Rendón (2014), que trata da violência a qual estão expostos os jovens residentes em bairros pobres e a influência dessa violência na não conclusão escolar desses jovens; Mello et al (2014), que analisam a relação entre crianças pobres, com famílias desestruturadas, expostas a um certo nível de violência no ambiente doméstico e a adesão a algum tipo de trabalho na rua, como uma forma de “escapar” dessa violência. E Cividanes et al (2014), que abordam a relação entre trabalho na rua e os sintomas de ansiedade e depressão em crianças e jovens que exercem esses trabalhos e que por isso estão expostos a alto nível de violência urbana.

Com relação à produção acadêmica em língua espanhola, a partir dos resultados foi possível observar no Software Iramuteq a presença de 40 textos (introdução e conclusão dos 20 artigos). Desses textos emergiram 27.058 ocorrências (palavras, formas ou vocábulos), 5.803 palavras distintas e 4.030 com uma única ocorrência. Essas palavras formaram 759 segmentos de texto, sendo que deste total, 678 segmentos, ou seja, 89,33% compôs a análise.

Como pode ser visto no dendograma da Figura 2, o conteúdo analisado gerou 3 classes de palavras. A classe 3, à qual foi dado o nome de “Compreensão e análise da violência urbana”, teve capacidade de explicação de 49,9% do corpus textual; a classe 1 “Efeitos da Violência urbana”, com capacidade explicativa 26,7% e, a classe 2, “Violência e comportamento social”, 23,4% de capacidade de explicação.

Figura 2: Dendograma das perspectivas sobre violência urbana em língua espanhola

Fonte: Elaborado pelos autores com base em dados da pesquisa realizada em 2018.

As palavras Colômbia, conflito armado, compreensão, Medelín, segurança cidadã, representação social, narcotráfico, relações sociais, guerrilha e cidades latino-americanas estão relacionadas ao cluster 3, “Compreensão e análise da violência urbana”. Esse cluster refere-se aos estudos de cunho mais teórico que procuram entender e analisar a violência de forma geral e o conflito armado, perpetrado por traficantes e grupos paramilitares em cidades da América Latina como Medellín na Colômbia. Esse é o caso do estudo de Borde e Hernández (2018), que, criticando as abordagens que entendem a violência como algo não pertencente à natureza humana e masculina, mantendo o foco no agressor e na sua possível natureza violenta, discutem o que chamam de processos de determinação social da violência urbana. Esse estudo tem por base as chaves analíticas da Medicina Social e Saúde Coletiva Latino-Americana.

Contribuem também nessa abordagem, Morera (2018) que analisou as posições teóricas e conceituais na Colômbia no que tange às políticas de segurança cidadã. Esta é entendida como o conjunto de medidas implementadas pelas diferentes agências estatais, tanto em nível nacional quanto em nível local utilizados para enfrentar ações políticas violentas, violência criminal, violência social e processos de conflito. Compõe também este cluster, o estudo de Dávila (2016) que fez uma revisão bibliográfica de estudos que abordam a violência urbana, conflitos e criminalidade na cidade de Medellín na Colômbia, cidade considerada uma das mais violentas do mundo devido à guerra entre carteis de drogas, conflito armado interno e à interação de múltipla violência espontânea.

No cluster 1, efeitos da violência urbana, algumas palavras significativas foram: Espanha, indivíduo, insegurança, grupos sociais, Slam, seguro, ideológico, redes sociais, imigrante e drogas ilícitas. Essas palavras remetem aos estudos que abordam as consequências da violência na vida dos indivíduos, fenômeno capaz de gerar medo e insegurança e que tem grandes impactos no modo como os indivíduos se relacionam entre si e com o ambiente ao redor.

Uberti (2017), um dos representantes dessa perspectiva, apresenta uma discussão, onde entende, o bairro como local de interação e integração social. A partir da formação e construção de tipos de relacionamentos que são estabelecidos neles, como: segurança ou insegurança, ajudar ou estorvar, violência ou solidariedade. Nesse sentido, o autor discute em seu texto, os problemas enfrentados pelas organizações locais; os flagelos que o tráfico de drogas impõe diariamente e como são registradas diferentes práticas com resultados que custam vidas jovens.

Chapellín (2016), autor que também contribui para essa discussão, afirma que o medo da violência tem imposto novas condutas aos citadinos, que passam a evitar frequentar determinados espaços e interações sociais, com receio de serem vítimas de violência. E quando crianças, adolescentes, parentes ou entes queridos são as vítimas, há modificações na conduta diária das vítimas diretas e as vezes também das indiretas. Dentro desse contexto, a partir de um estudo clínico, o autor discute os efeitos da violência urbana na saúde mental de uma criança.

Já Duarte (2017), entende que existe uma associação e representação da favela com a violência e a criminalidade, sobretudo, com o tráfico de drogas, onde as intervenções do Estado, basearam-se na segurança pública e na guerra contra o crime. Esse autor, procura em seu estudo, problematizar as conceituações sobre favela e violência urbana e analisar como essas definições orientam a implementação das políticas de segurança.

O cluster 2 “violência e comportamento social” foi constituído pelas palavras: situação, pessoa, cidadão, proteção, vigilância, serviços públicos, segregação espacial, vítima, exclusão e medo. Essas palavras estão associadas às percepções sobre violência urbana de diferentes indivíduos no cotidiano das cidades e na utilização dos espaços públicos, bem como aos sentimentos de insegurança e medo ao frequentar esses espaços e a possibilidade de serem vítimas de violência.

Alguns estudos que abordam essas questões são o de García e Esteves Junior (2017), que, ao discutirem violência e espaço público, chamam a atenção para a violência e o medo, bem como, para a insegurança deles derivados, como uma ameaça constante à vida da população. Nesse sentido, os autores procuram analisar como esses fatores afetam o uso e percepções do espaço público, de modo a poder informar sobre o alcance e impacto deles no espaço público e na comunidade.

Martínez (2016), outro representante dessa perspectiva, a partir da representação que se tem do homem, como desprovido de medo e temor, invulnerável, dominador do espaço público e perpetrador da violência, discute as experiências e percepções da população masculina sobre serem vítimas de violência no espaço público.

3.2 A PERSPECTIVA BRASILEIRA SOBRE VIOLÊNCIA URBANA

Nesse tópico serão apresentados e discutidos os clusters produzidos a partir da produção acadêmica em língua portuguesa, evidenciando os autores e as palavras mais significativas nos estudos, como foi feito nas perspectivas em língua inglesa e espanhola. Ao final, visando tornar mais evidente a posição e contribuição desses autores em língua portuguesa, será apresentado o plano fatorial gerado pela análise fatorial (figura 4).

As perspectivas brasileiras sobre violência se deram a partir da análise de 37 artigos. Na análise no Software, o corpus geral, foi formado por 74 textos (introdução e conclusão), o qual foi constituído por 37.636 ocorrências (palavras, formas ou vocábulos), sendo 7.631 palavras distintas e 5.146 com uma única ocorrência. Essas palavras originaram 1.095 segmentos de texto (ST), sendo 895 segmentos de textos (81,74) aproveitados na análise.

Como se percebe no dendograma da figura 3, o conteúdo analisado gerou 5 clusters, sendo esses: cluster 1, “Comunicação, representação social e violência urbana”, com capacidade de explicação de 29,2%; cluster 4, “Violência e comportamento social” com potencial explicativo de 16,9%; cluster 5, “Saúde pública e violência urbana”, 12,8%; Cluster 2, “Violência e resiliência”, 15,8% e; cluster 3, “Espaço, território, segurança e insegurança urbana”, com poder de explicação de 25,4%.

Figura 3: Dendograma das perspectivas sobre violência urbana em língua portuguesa

Fonte: Elaborado pelos autores com base em dados da pesquisa realizada em 2018.

As palavras, revista, mídia, temática, influência, discurso, reportagem, jornal, leitor, público e linguagem estão relacionadas ao cluster 1 “Comunicação, representação e violência urbana”. Essas se referem ao modo como a violência é apresentada nos discursos dos meios de comunicação, mais especificamente, pela mídia impressa e televisiva.

Os estudos chamam a atenção para a relação que a violência tem estabelecido com o tráfico de drogas, sobretudo na cidade do Rio de Janeiro, a qual é apresentada nos meios de comunicação, bem como a influência dela sobre a população, que passa a se sentir insegura e com medo, clamando ao poder público cada vez mais por segurança. Esse é o caso, por exemplo, do estudo de Ferreira Junior e Costa (2016) que, ao discutir sobre violência e mídia, chamam à atenção para o modo como ela transmite as notícias, dando mais ênfase as exposições pontuais de ocorrências criminosas e violentas do que o debate sobre o tema e, ao mesmo tempo, ignorando outras formas de violência, que não chamariam tanta a atenção do público. Segundo os autores, nessas notícias, ao expor cadáveres, a desumanização de mortos e de pessoas envolvidas em crimes, se promove e reitera a violência simbólica, principalmente contra a população pobre, de áreas periféricas e vítimas de violência, aumentando ainda mais o medo da população.

Logo, o que se percebe nos estudos, é a violência transmitida como um espetáculo, objetivando aumentar a audiência, apelando para discussões que tendem a relacionar a violência com moralidade, maldade humana e pobreza. Nesse contexto, não tratam a violência como um problema, cujas variáveis são diversas e, às vezes, de difícil mensuração. Nessa perspectiva, Ferreira Junior e Costa (2016) discutem o modo como a cobertura sobre violência urbana na Amazônia Paraense, realiza dois movimentos de organização simbólica da experiência e realidades sociais, que são o enquadramento e a produção de representações sociais sobre a violência.

Já Palermo (2018), procura evidenciar as distâncias e proximidades presentes nos discursos de dois jornais impressos da empresa Infoglobo, Extra e O Globo, ao apresentaram notícias sobre a ocupação policial na favela Santa Marta no Rio de Janeiro. Leal e Souza (2014), analisaram como a violência é retratada pelas revistas Veja, Isto é, Época e Carta Capital. Revistas essas, consideradas com grande capacidade de difusão de informações e que tem grande poder no imaginário coletivo por serem consideradas sérias e éticas. Por fim, Oliveira e Barbosa (2015), discutem como acontece a violência no cenário social e como ela é enunciada nas charges, considerada uma forma jocosa e sarcástica de avaliar a violência, de forma particular, por um indivíduo observador dos fatos sociais, bem como os sentidos construídos.

O cluster 4, “Violência e comportamento social”, tem como palavras significativas: ator, morador, cidadania, miliciano, Rio de Janeiro, Machado da Silva, favela, linguagem da violência, representações sociais e senso do justo. Essas palavras, referem-se à forma como a violência perpetrada por traficantes e policiais tem modificado a rotina cotidiana dos moradores, bem como as sociabilidades estabelecidas nesses espaços. Discussões que estão relacionadas à representação social, ou seja, ao modo como essa situação de violência é representada pela população e as modificações que provoca em suas vidas.

Muitas dessas discussões, perpassam pela sociabilidade violenta debatida por Machado da Silva.  Freire (2014) é um dos autores que aborda essas questões e discute em seu estudo o “senso do justo” na visão de moradores de um condomínio de classe média na cidade do Rio de Janeiro, bem como a relação entre a linguagem da violência urbana, ou seja, “o controle das relações interpessoais indispensáveis à continuidade das rotinas cotidianas (SILVA, 2012, p. 3)” e a gramática condominial, “um conjunto de regras a serem seguidas para agir de forma ajustada diante das outras pessoas que com­partilham a mesma situação (LEMIEUX, 2000; BOLTANSKI, 1990 e THÉVENOT e BOL­TANSKI, 1991 apud  FREIRE, 2014, p. 74)”.

Já Werneck (2014) analisa o papel do miliciano na efetivação da violência urbana na cidade do Rio de Janeiro, ou seja, a influência desse ator e de sua representação sobre o modo de agir dos atores sociais. Essa discussão também perpassa pela linguagem da violência urbana e se desenvolve relacionando o miliciano a outros atores violentos que são: o traficante, o policial corrupto e o matador ou justiceiro. Conceição (2014) discute a representação social que moradores de uma favela no Rio de Janeiro tinham de traficantes e de milicianos. Considerados como grupos criminosos armados e violentos que marcam a organização social e política da cidade pela sua presença ostensiva nas favelas, influenciando as sociabilidades e as relações dos habitantes da favela com a cidade.

No cluster 3 “Espaço, território, segurança e insegurança urbana” as palavras que apareceram como significativas no cluster foram medo, manifestação, lazer, espaço público, insegurança, poder público, atos violentos, vítimas diretas, força física e segurança. Essas palavras dizem respeito às discussões sobre a espacialização da violência urbana, ou seja, as áreas de maior e menor ocorrência de violência. Essas geralmente se remetem às áreas periféricas, onde residem a população de renda mais baixa, exposta a ação de grupos armados como, por exemplo, traficantes e milicianos. Os estudos discutem ainda, a violência nos espaços públicos de lazer, a qual causa medo e insegurança na população.

Magrini (2014), por exemplo, uma das autoras que discute essas questões, afirma que, embora as cidades apresentem dimensões e funções muito variadas na rede urbana, há uma tendência em se relacionar a cidade com violência e insegurança. Nesse sentido, o seu objetivo é contribuir para o estudo dessas interações, evidenciando que a violência urbana é um fenômeno socioespacial, uma vez que não se manifesta da mesma forma em todos os espaços, pois varia em função de fatores como situação econômica dos habitantes e grau de segregação.

Essa discussão também perpassa o estudo de Alvarez et al (2017), que entende as periferias como locais segregados, onde se manifestam as principais formas de violência, ou seja, a exploração econômica, social e política e que são passíveis de diferentes formas de territorialização. Nesse sentido, os autores procuram evidenciar os espaços territorializados, os aglomerados de exclusão e de execução, bem como, a forma como os locais onde as instituições de segurança e a violência estão mais presentes. Lima (2015), é outro autor que contribui para essa perspectiva. Para ele, a violência e o seu corolário, o medo da violência, tem provocado a privatização dos espaços comuns, a progressão das identidades territoriais, o isolamento social e, ao mesmo tempo, o próprio crescimento da violência, juntamente com a sensação de perigo, nesses espaços. Nesse sentido, seu foco é discutir os pontos considerados importantes para entender a percepção e utilização dos espaços públicos de lazer das cidades contemporâneas.

As palavras resiliência, estratégia, luto, enfrentamento, morte, saúde mental, adversidade e estressante, dizem respeito ao cluster 2, “Violência e resiliência” e estão associadas à relação entre violência e as distintas formas que os atores, vítimas diretas e indiretas de violência urbana, utilizam para se recuperar e enfrentar o problema. Essas discussões são abordadas nos estudos de Santos et al (2018) que, ao falarem sobre violência urbana e resiliência, afirmam que a resiliência é um processo continuo, capaz de potencializar aspectos saudáveis e, com isso, auxiliar de forma mais acertada, os indivíduos no enfrentamento de situações de risco, vivenciadas no contexto urbano das cidades.

Nesse sentido, suas análises, focam, na importância que tem a resiliência para lidar com a violência urbana, bem como, os fatores protetivos, na compreensão da influência da violência e os danos que podem acarretar a saúde humana. Já Sonoda (2018) discute o modo como as vítimas indiretas, indivíduos que perderam algum familiar, devidos a casos de violência urbana, lidam com essa perda e de como algumas conseguem elaborar o luto e “seguir com a vida” e outras ficam estagnadas em um processo de luto.  Por fim, Sonoda, Assis e Schenker (2015) investigam o modo como ativistas na condição de vítimas diretas ou indiretas da violência urbana, especificamente aqueles moradores de favela onde atuam traficantes, policias e milicianos, vivenciam, reagem e lidam com a violência à qual foram expostos ao longo da vida.

Com relação ao cluster 5, “Saúde pública e violência urbana”, algumas palavras significativas desse cluster são: atendimento, jovem, rede de atenção, profissionais de saúde, assistência social, saúde, políticas públicas e obesidade infantil. Essas palavras, estão relacionadas aos estudos sobre políticas públicas de saúde e violência urbana e que tem como foco, tentar entender o modo como vítimas de violência urbana e profissionais de saúde, lidam com esse problema e os impactos da violência sobre a saúde dessas vítimas.

De acordo com Pereira et al (2016) o setor de saúde é para onde convergem os diferentes tipos de casos de violência urbana, com forte pressão das vítimas sobre os serviços de urgência, atenção especializada, reabilitação física, reabilitação psicológica e assistência social. Os autores enfatizam o fato de que os profissionais no atendimento de emergência desse setor, diante de casos de violência, podem utilizar estratégias distintas de conduta, emoções e reações positivas ou negativa para seu enfrentamento. Nesse sentido, procuraram conhecer, a forma como esses profissionais, veem e reagem frente a casos de violência simbólica como, por exemplo, da dor do trauma físico e emocional e do sofrimento do outro.

Machado e Daher (2015), também fazem uma discussão próxima da que foi desenvolvida por Pereira et al (2016), procurando identificar as repercussões da violência urbana, no trabalho dos profissionais de uma unidade de Saúde de Família e analisar as suas consequências. Para esses autores, os profissionais e serviços de saúde têm dificuldade em lidar com o enfrentamento da violência urbana, por ser um problema recente e por não fazer parte do cotidiano desses profissionais, causando tensão e medo. Esses aspectos fazem com que o profissional dessa área, não saiba como atuar diante desses casos, que exigem uma abordagem ampla, integral e multidisciplinar.

Por fim outros estudos dentro dessa perspectiva são o de Araújo e Ataíde (2018), sobre o papel do assistente social na assistência ao jovem vítima da violência urbana, atendidos pelo serviço público de urgência e emergência. E o de Pimenta e Pereira (2014), que discute os fatores ambientais capazes de provocar a obesidade em crianças, os processos de estigmatização social da obesidade, as formas de violência que sofre a criança obesa e as contribuições de uma esquipe multiprofissional de intervenção da doença.

No plano fatorial (figura 4), são apresentadas essas perspectivas em língua portuguesa, anteriormente discutidas, por meio dos códigos de identificação dos artigos “Arti” e “Artc”. Nota-se no plano fatorial, que os artigos que compõem o cluster 3 (espaço, território, segurança e insegurança urbana) de cor verde, apresentam grande interação com o cluster 2 (violência e resiliência) de cor cinza. Entretanto, essa interação se revela menor com os clusters, 1 (comunicação, representação social e violência urbana) de cor vermelha e 4 (violência e comportamento social) de cor azul. Já o cluster 5 (saúde pública e violência urbana) de cor rosa, se apresenta isolado dos demais clusters.

Figura 4: Plano fatorial das perspectivas sobre violência urbana em língua portuguesa

Fonte: Elaborado pelos autores com base em dados da pesquisa realizada em 2018.

De forma geral, percebe-se no plano, que as abordagens dos clusters 1, 2, 3 e 4 têm mais afinidade entre si, uma vez que nelas a representação social, a espacialização da violência e a criminalidade estão relacionados à forma do indivíduo interagir com outros indivíduos e com as diferentes espacialidades, contribuindo umas com as outras no que tange os estudos sobre violência urbana, situação que não se verifica no cluster 5. Além disso, embora os artigos dos clusters 1, 2, 3 e 4 estejam mais próximos da região central, ainda existem lacunas a serem preenchidas nos estudos sobre violência urbana em língua portuguesa como, por exemplo, estudos que tratem das representações de distintos atores sobre violência urbana.

Esses clusters e as lacunas identificadas são reflexo das abordagens sobre violência urbana, que no Brasil, tendem a tratar de questões específicas, como, por exemplo, grupos armados, mídia, resiliência, saúde, educação e trabalho. Em muitos estudos, as vítimas e os autores de atos violentos, aparecem como pertencentes a classes sociais especificas. Ou seja, de forma geral, são pobres, moradores de áreas periféricas, em muitos casos, até segregadas, sujeitos a ações de traficantes e milicianos.

Essas vítimas e autores tendem a não variar no que se refere ao sexo, faixa etária e cor. Poucos estudos abordam os efeitos da violência, referindo-se às interações sociais e uso dos espaços públicos, para homens e mulheres com faixas etárias especificas, heterogêneos no que tange a cor, situação socioeconômica e local de moradia, a exemplo de bairros: pobres e ricos; segregados e não segregados. Essa perspectiva se revela importante e necessária à discussão para o caso brasileiro, país com altas taxas de desigualdade social, violência e criminalidade, onde a violência, já foi identificada como constitutiva da sociedade, a qual tem naturalmente tendências autoritárias.

Nesse sentido, percebe-se que mesmo reconhecendo a incidência dos estudos que enfatizam a questão espacial, a interação e a representação social nos estudos que abordam a violência urbana, a exemplo dos estudos de Vieira et al (2016) e Anjos-Júnior, Lombardi-Filho e Amaral, (2018), acredita-se que essa perspectiva ainda é pouco trabalhada nos estudos. Como demonstrado nas perspectivas 1(comunicação, representação social e violência urbana) e 4 (violência e comportamento social), estudos que abordem estas questões conjuntamente, podem ajudar a preencher essas lacunas que ainda existem.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como dito anteriormente, o objetivo deste estudo foi o de verificar como o tema “violência urbana” tem sido abordada nos artigos nacionais e internacionais. A partir das análises realizadas com o auxílio do software Iramuteq, foi possível perceber a presença de 3 abordagens sobre violência urbana em língua inglesa e em língua espanhola e 5 em língua portuguesa. As abordagens e análises desses estudos, chamaram a atenção para o campo difuso que existe nas três línguas analisadas. Embora, os artigos analisados discutam violência urbana, as abordagens desses estudos são diferentes: algumas abordagens se aproximam umas das outras, em alguns casos até se misturam, indicando grande afinidade e contribuição umas com as outras, contudo, com um foco diferente.

No que concerne à produção em língua portuguesa sobre violência urbana percebe-se uma distinção na abordagem dos estudos de Zaluar (1999) cuja ênfase se coloca na violência oficial perpetrada pelos Estado e a não oficial, da qual fazem parte os traficantes e milicianos, bem como naqueles conduzidos por Barreira e Adorno (2010), que relaciona a violência as insituições de controle e raparação social.

Assim, os estudos investigados à frente, com ênfase na violência urbana, incorporam a perspectiva da resiliência, com foco nas vítimas diretas e indiretas de violência urbana. Destacam-se também as discussões sobre saúde pública e violência urbana, centradas no papel dos agentes de saúde pública e as suas dificuldades em lidar com as situações de violência, bem como a necessidade da humanização no atendimento as vítimas. Pode-se citar ainda, o maior enfoque na mídia televisiva e na imprensa a partir dos estudos que tomam os discursos e as imagens desses meios de comunicação, mostrando a forma como expõem os fatos e os seus modos, nem sempre de compromisso com a verdade, na apresentação das notícias e a sua influência na representação social do outro e da violência.

A análise fatorial permitiu perceber que existem abordagens que se mostram totalmente opostas, indicando um foco especifico sobre o tema. Além disso, mesmo havendo grande proximidade entre algumas abordagens e de algumas dessas abordagens, se aproximarem do eixo principal, ainda existem lacunas a serem preenchidas nos estudos sobre violência urbana em língua portuguesa. Como, por exemplo, as relacionadas as representações de distintos atores sobre violência urbana. A serem contempladas a partir de pesquisas que abordem as representações da violência urbana por diferentes indivíduos, em termos de cor, sexo, classe social, relacionando-as aos espaços de ocorrência dos casos de violência.

Os resultados das análises evidenciam que, enquanto o conceito de violência urbana é abrangente, englobando uma infinidade de tipos de violência percebidos no espaço urbano das cidades, as abordagens sobre o tema presente nos estudos, tendem a retratar aspectos específicos da violência. Promovendo um maior distanciamento entre as abordagens e por consequência, lacunas nos estudos, como foi evidenciado no plano fatorial.

Por fim, esse cenário exposto, aponta que a produção brasileira sobre violência urbana, ainda carece de estudos que tratem de questões ainda não abordadas por outros autores ou façam links com temas que já foram estudados, como, por exemplo, a percepção e representação de diferentes atores sobre os efeitos da violência nas interações sociais e uso dos espaços públicos. Estudos cada vez mais necessários tendo em vista o alto índice de violência vivenciado nas cidades, o seu impacto na vida das famílias, nas sociabilidades, segurança e saúde pública.

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[1] Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Graduação em Economia Doméstica também pela Universidade Federal de Viçosa (UFV).

[2] Doutorado em Ciências Sociais. Mestrado em Economia Doméstica. Graduação em Economia Doméstica.

[3] Doutorado em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. Mestrado em Extensão Rural. Especialização em Ciência da Religião. Graduação em Bacharelado Em Ciências Sociais. Graduação em Licenciatura Em Ciências Sociais. Graduação em Educação Física.

[4] Doutorado em andamento em Extensão Rural. Mestrado em Agronegócios. Graduação em Agronegócio.

Enviado: Dezembro, 2019.

Aprovado: Janeiro, 2020.

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