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A Fotografia como Memória na Vida dos Candangos

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A Fotografia como Memória na Vida dos Candangos
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OLIVEIRA, Rita Barreto de Sales [1]

MANINI, Miriam Paula [2]

OLIVEIRA, Rita Barreto de Sales Oliveira; MANINI, Miriam Paula. A Fotografia como Memória na Vida dos Candangos. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 2, Vol. 13. pp 349-367, Janeiro de 2017. ISSN:2448-0959

RESUMO

Este trabalho apresenta as conclusões da dissertação de mestrado intitulada A Fotografia como Memória na Vida dos Candangos, um estudo sobre a reconstrução e a ressignificação da história de vida dos Candangos, primeiros moradores de Brasília, na recriação de suas identidades e direitos. O objetivo principal é acrescentar informações ao construto histórico produzido sobre o Distrito Federal, mediante o auxílio de fotografias de acervo pessoal, demonstrando como a imagem pode ser um instrumento valioso na reconstrução da memória dos indivíduos. O estudo baseia-se nas histórias, percepções e interpretações de fatos mediante o auxílio de fotografias dos acervos pessoais e de relatos dos indivíduos pesquisados. A metodologia utilizada engloba pesquisa de campo, coleta de fotos de acervo pessoal e entrevistas. O trabalho procurou evidenciar o valor de indivíduos anônimos e propiciou o contato e a compreensão entre classes sociais e gerações, além de um sentimento de pertencimento a determinado lugar e a determinada época.

Palavras-chave: Fotografia, Memória, Candangos, Construção de Brasília, História Oral, Ciências Sociais.

1. Introdução
O presente trabalho é um estudo sobre a reconstrução e a ressignificação da história de vida de alguns indivíduos – os Candangos, primeiros moradores de Brasília – na recriação de suas identidades e direitos. Abrange não somente moradores de Brasília, mas outros, de diferentes localidades do Distrito Federal e do Entorno, de diversas classes sociais. O objetivo principal é acrescentar informações ao construto histórico produzido sobre o Distrito Federal, mediante o auxílio de fotografias de acervo pessoal, demonstrando como a imagem pode ser um instrumento valioso na reconstrução da memória dos indivíduos, possibilitando, posteriormente, a criação de um documento que recupere uma parcela da memória social de um povo, no caso, os Candangos. O estudo baseia-se nas histórias, percepções e interpretações de fatos mediante o auxílio de fotografias dos acervos pessoais e de relatos dos indivíduos pesquisados.

A fotografia, neste trabalho foi utilizada como fonte histórica, indício, vestígio de que algo aconteceu. A esse respeito, Cavalcante (2005, p. 1777) afirma que:

[…] ao se legitimar a fotografia como fonte histórica, faz-se necessário retomar a questão da postura que se tem da investigação em relação a qualquer documento, sejam decretos, tratados, registros de arrendamento, publicações parlamentares, correspondência oficial, cartas, diários particulares e, agora, as fotografias: o que nos dizem estes documentos quando nos ocupamos deles?

As fotografias prestam-se a múltiplas interpretações: como portadoras de mensagens a serem perenizadas ou como documentos. Para Gandara (2005, p. 1780), “as fotografias interpretadas como imagem/mensagem exigem a percepção de que existem outras formas de comunicação mais profundas e menos advertidas que as verbais”. Nas fotografias existem muitos sistemas sígnicos que integram o quadro cultural de uma sociedade. É necessário, entretanto, perceber as relações existentes entre a imagem e o que ela representa.

2. Tema da pesquisa

O tema do presente trabalho é fotografia; não a fotografia como mera ilustração, mas como um elemento a ser estudado, analisado, pesquisado, capaz de indicar elementos de uma narrativa, tornar-se testemunha de uma história, compartilhar lembranças e causar emoções.   Mas, afinal, o que é fotografar? Ortensi (2005) afirma que “fotografar, segundo a origem grega do termo, significa ‘escrever com a luz’ (do grego ‘phótos’ = luz; ‘graphos’ = escrita)”, e que a fotografia consiste na fixação em meio físico de uma imagem a partir dos raios luminosos que a compõem. Antes da evolução das modernas técnicas fotográficas, o homem já se preocupava em registrar imagens do seu mundo, seja por motivos práticos como transmitir uma informação; seja pelo sentido da beleza e da estética. O “sentido do belo deu origem às artes, incluindo a fotografia” (s/p).

Olhar para uma imagem e poder descrever com detalhes o fato acontecido, a vestimenta dos personagens, o lugar fotografado, os sentimentos vivenciados na ocasião do clique da máquina sempre é um exercício muito fascinante, pois faz renascer em nós os mesmos sentimentos outrora vivenciados, tais como alegria, saudade, tristeza, dor, esperança. Tal exercício pode nos levar a rememorar não apenas o que está revelado na fotografia, mas outros acontecimentos que tenham algum tipo de verossimilhança com aqueles retratados naquele suporte de papel.

Neste trabalho, tentou-se levar em conta o fato de que as fotografias, além de trazerem recordações à tona, servem como objetos de adorno ou como objetos de arte. Algumas fotografias realmente merecem esse adjetivo não apenas pela imagem em si, mas também pelos efeitos visuais que possuem, ou por ambos.

Segundo Kossoy (1989), a fotografia, uma das invenções surgidas à época da Revolução Industrial, teve um papel fundamental como portadora de informação e conhecimento, mostrando-se um instrumento de apoio à pesquisa nos mais variados campos da ciência como forma de expressão artística. Novidade interessante, seu consumo crescente e ininterrupto levou ao gradativo aperfeiçoamento das técnicas, mas foi nos Estados Unidos e nos grandes centros europeus que seu consumo aumentou, justificando inversões significativas de capital na indústria, nas pesquisas e na produção de equipamentos e materiais fotográficos. A grande aceitação da fotografia, principalmente a partir de 1860, favoreceu o surgimento de verdadeiros impérios industriais e comerciais.

Além disso, para Kossoy (1989), o advento da fotografia possibilitou que as expressões culturais dos povos, tais como costumes, tipos de habitação ou religiões pudessem ser documentadas. Foram muitos os temas captados pelos fotógrafos a partir de então: a arquitetura das cidades, os conflitos armados, as expedições científicas e os retratos. O mundo conhecido apenas pela tradição escrita, verbal e pictórica agora mostrava uma nova face: um mundo em detalhe (uma vestimenta, uma arquitetura, uma cerimônia). Essa invenção viria possibilitar ao homem um novo tipo de conhecimento, uma aprendizagem do real de forma diferente, em função da nova informação visual e direta de povos distantes. Dessa forma, as fotografias constituíram-se em documentos, embora seu conteúdo não revele apenas informações, mas funcione como um gatilho, um detonador de emoções.

Por falar em emoções, a máquina fotográfica, independentemente de marca, preço ou resolução, é, sem dúvida, um objeto fascinante. Barthes (1989, p. 27) comenta sua emoção à frente da máquina fotográfica: “Diante da objetiva sou ao mesmo tempo: aquele que me julgo, aquele que eu gostaria que me julgassem, aquele que o fotógrafo me julga e aquele de que ele se serve para exibir sua arte”. Tal é a emoção que sentimos, também nós, ao capturar um objeto em nossa máquina.

Ao observarmos a fotografia de um evento vivenciado por nós, podemos lembrar os detalhes daquele acontecimento, rememorar até mesmo coisas que não estão presentes na fotografia, recordar qual era a tonalidade exata da roupa que vestíamos, o perfume que usávamos, as pessoas com quem estivemos, as conversas que entabulávamos. Podemos rir e chorar, tal é a força que a imagem exerce sobre as nossas emoções e os nossos sentimentos.

Com este trabalho “A Fotografia como Memória na Vida dos Candangos”, escrevemos a história de vida de alguns indivíduos, primeiros moradores de Brasília, apontando suas identidades e direitos, mostrando como a fotografia pode ser um instrumento valioso na reconstrução do passado.

Como explicita o título, nosso tema está ligado ao Candango. Nesta pesquisa, Candango é entendido como o operário das grandes obras de construção da cidade de Brasília, ou mesmo o nome dados a qualquer dos habitantes de Brasília (Ferreira, 1978).

Contatando moradores de diferentes localidades do Distrito Federal (Plano Piloto e cidades satélites) e região do Entorno, de diversas classes sociais, pudemos verificar na prática que “um dos elementos mais essenciais para a consolidação da identidade é justamente o jogo dialético entre semelhança e diferença” (BRANDÃO, 1986, p. 32).

Com a realização de entrevistas pudemos perceber que estas podem acrescentar outros significados sociais ao processo de construção da memória, das identidades e de poderes que emergem na interação entre os indivíduos e sua cidade: relações, caminhos, tempos e espaços. Dessa forma, baseando-nos nessas entrevistas, reproduzimos a história contada por esses Candangos com a maior fidelidade possível, tentando reconstruir, do ponto de vista de seus habitantes pioneiros, a memória da cidade sob a perspectiva da narrativa detonada a partir das observações de fotografias de acervos pessoais.

3. Objetivos

O objetivo geral foi acrescentar informações ao construto histórico produzido sobre o Distrito Federal, mediante o auxílio de fotografias de acervo pessoal, demonstrando como a imagem pode ser um instrumento valioso na reconstrução da memória dos indivíduos, possibilitando, posteriormente, a criação de um documento que recupere uma parcela da memória social de um povo, no caso, os Candangos.

Os objetivos específicos foram:

Trazer à tona a história de pessoas que vieram para a construção de Brasília no período de 1956 a 1960, mediante relatos evocados pela memória a partir de entrevistas e da observação de fotografias de seus acervos pessoais;

Coletar fotografias para a criação de um banco de imagens pessoal sobre os Candangos;

Demonstrar a importância da fotografia como um instrumento metodológico de criação e expressão do conhecimento histórico.

4. Justificativa

Como portadoras de um conteúdo documental, as fotografias, que retratam diferentes aspectos da vida passada de um país, de um povo, são importantes para os estudos das diferentes áreas do conhecimento. Essas imagens são muito úteis para a obtenção de informações em diversas áreas: Antropologia, Arquitetura, Etnografia, Arqueologia, História Social e demais ramos do saber. Nas palavras de Kossoy (1989, p. 35-36), elas “representam um meio de conhecimento da cena passada e, portanto, uma possibilidade de resgate da memória visual do homem e do seu entorno sociocultural”.

Na visão de Brayner (2000), a questão imagética ocupa cada vez mais espaço nos debates das Ciências Humanas e Sociais, não se restringindo apenas às imagens como fonte de pesquisa, mas como instrumento metodológico para a produção do saber. Até bem pouco tempo, as imagens em trabalhos de pesquisa em Ciências Humanas e Sociais tinham apenas a característica de ilustração ou complemento ao texto escrito (MANINI, 2007). Para Brayner (2000), as imagens não eram consideradas como objeto de estudo, contribuindo potencialmente para a pesquisa. Atualmente, a iconografia leva o pesquisador a buscar uma metodologia voltada para o estabelecimento de um diálogo com a imagem, já que:

É certo que as diferentes linguagens convivem articulando-se umas às outras, porém, suas especificidades impõem-se desde o momento em que escolhemos uma e não outra para expressar aquilo que desejamos. Num primeiro momento faz-se necessário abordar a questão das relações entre o texto verbal e o visual numa pesquisa científica (BRAYNER, 2000, p. 77).

A autora acima citada afirma que esse tipo de abordagem nos faz pensar em questões relativas à objetividade ou à subjetividade da pesquisa, principalmente no caso das chamadas imagens técnicas [3], como a fotografia, por exemplo. Essa autora acha necessário que se questione a noção de verdade que parece vir inerente a essas produções, sendo que esse tipo de questionamento só é possível a partir de um estudo aprofundado das linguagens de cada uma dessas formas de expressão, que precisam ser percebidas num universo além das simples discussões da realidade. “Por que, por quem e para quem foi produzida essa imagem? São perguntas refeitas a cada momento de pesquisa” (p. 78).

A coleta de imagens, aqui, possibilitou o estudo de uma parte da documentação visual sobre o Distrito Federal. Tal estudo nos permitiu levantar aspectos políticos, sociais e culturais que dizem respeito a diferentes momentos da história da cidade, além de diferenciar a forma como vários grupos sociais se relacionam com o passado e com o presente. Nishikawa (2005, p. 1800) escreve que “na tentativa de se construir um passado, constrói-se o presente. E nada melhor que a fotografia para reconstruir, de certa maneira, os acontecimentos passados”.

Quando nos deparamos com uma imagem do passado e, através dela, podemos acessar nossa memória, na verdade estamos construindo o nosso momento atual, as lembranças que estamos tendo suscitam em nós sentimentos relacionados com o passado, mas não são o passado: são o presente.

5. Metodologia, técnicas e procedimentos de pesquisa

Abaixo enumeramos e explicamos a metodologia, as técnicas e os procedimentos que possibilitaram a realização do trabalho como um todo.

  • Pesquisa bibliográfica – levantamento da bibliografia pertinente aos temas: fotografia (história e considerações), memória (reconstrução do passado), História Oral (reflexões sobre a ética na História Oral, relações entre História Oral e memória, identidade coletiva) e a construção de Brasília;
  • Pesquisa de campo – foi criado um formulário como instrumento de pesquisa para ser aplicado aos entrevistados, que descreve dados e informações sobre as suas vidas, sendo analisado e interpretado posteriormente para se chegar às conclusões e aos resultados na pesquisa;
  • Coleta de fotografias de acervo pessoal – foi pedido aos entrevistados que nos mostrassem suas fotografias de acervo pessoal para que, com base nos relatos suscitados por elas, pudéssemos escrever a história de vida daquelas pessoas. Ao observá-las – e até lê-las – elas podiam se recordar dos momentos passados, relembrando o modo como estavam vestidas, as emoções que sentiram, as situações que viveram etc.;
  • Tomada de fotografias – a cada entrevista iniciada, pediu-se ao entrevistado que permitisse ser fotografado, agregando sua imagem ao trabalho de pesquisa, de forma que se pudesse fazer uma associação imediata entre o entrevistado e sua história;
  • Histórias de vida – o formulário respondido pelo entrevistado, juntamente com as fotografias de acervo pessoal, objetivou possibilitar a escrita da sua história de vida. As fotografias serviram como meio de inspiração para que seu dono pudesse relatar sua história, relembrando cenas que, de outro modo, ficariam esquecidas, tais como: De quem foi aquele batizado? Quando foi mesmo que fulano se casou? Quem é aquela pessoa que está escondida atrás desta cena?;
  • Quadros-resumo – foi utilizado um quadro-resumo de Shatford (1986), onde pudemos verificar, na prática, os conhecimentos sobre análise de imagens, como o DE genérico, o DE específico, o SOBRE, além dos elementos QUEM, ONDE, COMO, QUANDO e O QUE;
  • Entrevistas – num primeiro momento, foram feitos contatos com moradores de diferentes localidades do Distrito Federal (Plano Piloto e cidades satélites) e região do Entorno, de diversas classes sociais, e, num segundo momento foram realizadas entrevistas com esses indivíduos, nas quais eles responderam perguntas a respeito de suas histórias, percepções e interpretações de fatos, mediante o auxílio de fotografias;
  • Autorização – foi pedido aos entrevistados que lessem e assinassem uma autorização para a posterior edição e publicação das entrevistas;
  • Edição do “memorial do projeto de pesquisa” – foi levantada a história do projeto de pesquisa desde o momento anterior à sua realização até o momento de sua concretização;
  • Inserção de uma cópia da carta de JK – foi utilizada uma cópia da carta de JK aos trabalhadores do governo, muito bem guardada por Dona Maria Ascendina da Silva;
  • Edição da carta de JK – pelo fato de a carta de JK ser manuscrita, foi feita uma transcrição da mesma;
  • Visita e registros fotográficos da Casa da Memória Viva – foi realizada uma visita a este museu na Ceilândia, uma das cidades satélites de Brasília, com o objetivo de conhecer o espaço, que possui exposição permanente, biblioteca e história dos Candangos, especialmente os que foram removidos dos lugares onde se fixaram na chegada a Brasília para a Ceilândia;
  • Entrevista com o professor Manoel Jevan – foi realizada uma entrevista com o professor Manoel Jevan para saber como funciona o museu. O relato foi transcrito e editado;
  • Comparação de imagens de Brasília – foram comparadas quatro fotografias, duas dos anos 1960 e duas do ano de 2004;
  • Transcrição e edição das entrevistas – trabalho de organização escrita dos dados orais e das impressões suscitadas durante o contato com os entrevistados.

O título da pesquisa A Fotografia como Memória na Vida dos Candangos indica a utilização de fotografias como meio de criação e expressão do conhecimento histórico. Essa decisão coloca uma questão fundamental: a relação entre imagem visual e história de vida, numa investigação que utiliza dois recursos básicos – a fotografia e a entrevista –, para reconstruir histórias e memórias de pessoas comuns em Brasília.

Definido o tema, a pesquisa foi iniciada com o levantamento de pessoas que poderiam ser entrevistadas: aquelas que vieram para Brasília no período 1956-1960. Em seguida foi criado um formulário de entrevista, já citado anteriormente, com 17 perguntas que deveriam ser respondidas pelos entrevistados. Foi feito também um levantamento de estudos interpretativos sobre Brasília. Esta última atividade foi importante porque revelou muitas maneiras de se escrever a história de Brasília por parte de diferentes autores que buscam o ponto de vista dos pioneiros.

Para os primeiros contatos, de caráter informal, utilizamos apenas o caderno de anotações de campo, onde registrávamos os nomes e endereços das pessoas contatadas; se elas possuíam fotografias, especialmente da época da construção da capital; o conteúdo das conversas; o dia e a hora do próximo encontro para a realização da entrevista.

As informações obtidas nesses momentos eram posteriormente avaliadas segundo sua importância para o tema em estudo, o que nos permitia fazer a seleção de quem poderia ser entrevistado. Caso percebêssemos, nessas primeiras abordagens que algumas pessoas não possuíam experiência significativa, não possuíam fotografias ou apresentavam dificuldades para fazer um relato oral, não as incluíamos na entrevista.

Na data marcada para a entrevista, num segundo contato com as pessoas, utilizamos o caderno de campo, o formulário de entrevista e a câmera fotográfica. A cada entrevistado pedimos que posasse para algumas fotografias que viriam a integrar a entrevista. Tiradas as fotografias, iniciava-se a entrevista com o auxílio do formulário e das imagens separadas previamente pelo entrevistado.

Quando o entrevistado relatava algo além do que estava no formulário, isto era acrescentado à entrevista. Algumas colocações dos entrevistados suscitavam dúvidas que, para serem esclarecidas, precisavam de outros questionamentos além dos já previstos. A cada caso específico foram se agregando novas informações que constariam no trabalho já editado. Cabe aqui ressaltar que as fotografias previamente escolhidas foram verificadas uma a uma, sendo que o entrevistado ia descrevendo a que ocasião cada uma pertencia.

Durante a realização das atividades acima descritas, vínculos afetivos foram criados entre entrevistado e entrevistadora, que foi convidada para participar de alguns eventos que ocorreram nas comunidades dos entrevistados, assim como para almoçar e/ou lanchar nas casas dos mesmos. Como resultado dessa relação entre entrevistadora e entrevistado surgiu uma interpretação da realidade investigada, fruto das relações de troca entre os dois. Essa interpretação deu origem a uma outra, no momento em que fizemos a transcrição dos relatos orais, analisando as informações resultantes das observações advindas da documentação escrita e visual.

Esses relatos orais foram transcritos primeiramente para o caderno de anotações de campo e, posteriormente, para o computador. As fotos, assinaladas no verso por um número, foram digitalizadas, editadas e acrescidas de uma legenda. Num capítulo da dissertação intitulado “Relato dos entrevistados”, cada entrevista foi editada juntamente com a fotografia tirada por nossa câmera fotográfica e acompanhada de imagens dos acervos pessoais dos indivíduos escolhidos.

6. Análise dos resultados

A pesquisa objetivou escrever as memórias de alguns indivíduos da comunidade brasiliense[4] – os Candangos – não se restringindo à reconstrução de um passado que já não existe mais, dentro de uma abordagem nostálgica, como se só os acontecimentos passados fossem bons e valorosos. Na verdade, visou à reconstrução de memórias de pessoas mais velhas que serão passadas às gerações mais novas pelas palavras, gestos, sentimentos de comunidade e de destino. O trabalho evidenciou o valor das pessoas que vêm da maioria desconhecida do povo e, assim sendo, poderá inspirar outros pesquisadores a fazerem trabalhos semelhantes, cujo enfoque se dá a partir da história que vem das comunidades. Isso propicia o contato e a compreensão entre classes sociais e gerações, além de um sentimento de pertencimento a determinado lugar e a determinada época.

Esse estudo acrescentou novas informações à história do Distrito Federal, pois possibilitou aos indivíduos uma percepção viva do passado, que não seria apenas conhecido, mas sentido pessoalmente. Essa rememoração se mostrou muito importante para a constituição da cidadania. Com base nas lembranças das pessoas de um lugar podemos escrever textos literários ou de história, uma vez que as reminiscências também são consideradas fontes de pesquisa para a produção de textos históricos.

A pesquisa de campo foi realizada com o intuito de acrescentar informações ao construto histórico produzido sobre o Distrito Federal, mediante o auxílio de fotografias de acervo pessoal, demonstrando como a imagem pode ser um instrumento valioso na reconstrução da memória dos indivíduos, de forma que os novos dados pudessem contribuir, de alguma forma, para o reconhecimento dos direitos de indivíduos e comunidades quanto à sua participação na constituição da história de Brasília.

Para tal, foram realizadas oito entrevistas. Uma das entrevistas não teve fotografias, mas trouxe informações bastante interessantes, além de um documento de grande valor histórico: uma carta de próprio punho do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.

O questionário formulado serviu como base para iniciar a conversação, mas ao longo da conversa foram surgindo assuntos que nos obrigaram a fazer novos questionamentos. Ao serem questionados sobre cada um das fotos escolhidas, notamos bastante emoção sobre as vivências evidenciadas nas imagens.

Reportando-nos à teoria sobre fotografia, pudemos comprovar o que foi dito por Bourdieu (1979) quando afirma que o que um grupo social considera digno de ser fotografado revela o que este grupo considera digno de ser solenizado. No grupo estudado, as imagens que se repetiram ao longo da pesquisa foram, basicamente, as crianças, os entrevistados quando jovens, as famílias reunidas, as fotos dos amigos e vizinhos, os parentes, as festas religiosas, o ambiente de trabalho, as confraternizações, os enterros, os bebês da família, os aniversários, os batizados, as crismas, os sobrinhos, os eventos, as antigas moradias, os netos, os passeios, os soldados no Exército, as formaturas. Tais imagens indicam o que as pessoas consideram solene, importante, para que fique registrado para a posteridade, digno de ser mostrado.

Também não foi difícil de comprovar o que foi afirmado por Paiva (1998, p. 218-220): “Não há nada mais forte do que um rosto, não há fotografia mais contundente do que o retrato. Fotografia que muito provavelmente sobreviverá a nós”. Nos acervos pessoais pesquisados encontramos fotografias de várias pessoas que já não estão entre nós. Também pudemos perceber que um dos conceitos deste autor sobre fotografia – recordação – é realmente válido. Inúmeras foram as fotografias encontradas nos acervos pessoais caracterizadas como lembranças, inclusive com dedicatória.

Constatamos, dessa forma, que as pessoas daquela época costumavam revelar várias fotografias iguais para enviá-las aos parentes e amigos de diferentes localidades, como lembranças. Outra consideração que ousamos fazer é a respeito da afirmação de Carvalho e Lima (1998, p.111) sobre a apropriação de imagens do passado, cuja função principal, segundo estas autoras, é “tornar familiar o momento presente”.

Quando nos reunimos em família, entre amigos ou entre colegas para ver álbuns de fotografias, ou fotografias avulsas de algum evento do qual tenhamos participado, como, por exemplo, as de uma festa na qual tenhamos ido, o momento é de descontração, de aproximação com os companheiros, um momento genuinamente familiar, onde temos a liberdade de fazer comentários, dar risadas, criticar ou fazer sugestões. Foi o que aconteceu nos encontros com os entrevistados: o momento presente tornou-se, com a evocação do passado, um momento genuinamente familiar.

As narrativas nem sempre foram lineares: um assunto evoca outro e, às vezes, passamos muito tempo com uma única fotografia. Havia também assuntos recorrentes, como festas na família, batizados, enterros, viagens. Em regra, os assuntos relacionados à própria família vêm muito carregados de emoção. O entrevistado, às vezes, demora em se lembrar de algo, mas se concentra e vai relembrando alguns detalhes revelados na foto ou não. É o que chamamos de extracampo (MANINI, 2002, p. 52): “aquilo que não está na foto, mas pode ser lembrado porque fazia parte da paisagem, embora tenha ficado de fora no momento do enquadramento para o clique fotográfico”. Muitas vezes, a simples visão da foto traz à tona comentários sobre assuntos que não estão enfocados ali.

Reportando-nos sobre o assunto memória, pudemos constatar a veracidade do comentário de Nishikawa (2005) que diz que toda vez que observamos certa fotografia sobre determinada paisagem, automaticamente a imagem expressa, já existente na memória do observador, será atualizada de forma que elementos pictográficos não envelheçam como memória, mas se atualizem como referência. Nos relatos dos entrevistados, verificamos que, ao olhar determinadas fotografias, automaticamente, a pessoa sabia do que se tratava e logo tecia comentários a respeito. Isso significa que quanto mais vemos uma fotografia, mais detalhes são apreendidos, mais atualizados ficamos sobre a sua imagem.

Também foi percebida a importância do comentário de Callegaro (2007) que afirma que existem pesquisas as quais apontam que a lembrança que temos do passado não é uma reconstrução literal dos eventos, mas uma construção influenciada pelas expectativas e crenças do sujeito e pelas informações do presente. Em algumas visitas, em que o entrevistado não estava sozinho em casa, pudemos verificar que, ao relatar um evento ou afirmar que tal fotografia se referia a tal ou qual evento, outra pessoa também conhecedora do fato ou da fotografia interferia na conversação com a intenção de esclarecer um detalhe do qual estaria discordando.

Pode-se concluir desse fato que a lembrança do passado não estava sendo reconstruída de maneira literal, mas de acordo com a vivência de cada um. Ainda sobre a memória, foi possível perceber o quão importante é a concepção de Bosi (1992, p. 28), que afirma que a linguagem permite conservar e reavivar a imagem que cada geração tem das anteriores. “Memória e palavra, no fundo inseparáveis, são a condição de possibilidade do tempo reversível”.

Halbwachs (1990) afirma que há necessidade de que as memórias concordem entre si e tenham muitos pontos de contato para que a lembrança possa ser reconstruída sobre um fundamento comum. Observamos que alguns acontecimentos se repetem ao longo das entrevistas, ou seja, são comuns a mais de um personagem. Na verdade, alguns dados de uma entrevista complementam e até esclarecem os dados de outra. É o caso, por exemplo, das informações sobre os acampamentos onde ficavam os Candangos quando vinham para Brasília. Cada entrevista conta uma faceta desses acampamentos.

A respeito da relação entre História Oral e Memória, detivemo-nos nas palavras de Gonçalves Filho (1988), para quem o fluxo da memória vem todo margeado por pontos ou acontecimentos de profunda significação, como mudança de casa ou de lugar, morte de um parente, formatura, casamento etc. Estes e outros eventos vão modelando o sentido das coisas que durante anos teriam resistido a nós e acabaram tomando algo do que fomos.

Benjamin (1983) considera que a arte de narrar é a de continuar contando histórias e que esta se perde quando as histórias não são mais retidas. A realização desta pesquisa mostrou-se uma excelente oportunidade de retenção de histórias. Foi possível obter informações necessárias e pertinentes sobre a história de alguns Candangos e as fotografias de seus acervos pessoais foram instrumentos muito úteis na evocação de lembranças. Foi observado que existe um sentimento comum de pertencimento à cidade de Brasília, e cada um dos personagens entrevistados colaborou, de forma singular, com dados interessantes sobre a história da construção da capital.

Ao nos remetermos às conjunturas de identidade coletiva, verificamos que Castells (2001, p. XXI) afirma que “O nosso mundo e a nossa vida têm vindo a ser moldados pelas tendências em conflito da globalização e da identidade”. Na realização da pesquisa, procuramos conhecer um pouco sobre a identidade dos Candangos entrevistados, não apenas no seu aspecto individual, mas também como um indivíduo que faz parte de uma comunidade, no caso a comunidade candanga, que viu na construção de Brasília uma oportunidade de crescimento tanto para si como para suas famílias.

É consenso entre os entrevistados que Brasília, que ajudaram a construir e que os acolheu, é uma cidade abençoada porque foi nos limites desta cidade que o progresso e melhores condições de vida foram possíveis para eles.

A gama de dados obtidos durante as entrevistas nos permite dizer que muitas informações estão interligadas como se pertencessem a uma rede originária de diferentes aspectos. Na verdade, elas pertencem à mesma rede, pois têm em comum a construção de Brasília, sendo que muitos indivíduos tiveram nos assentamentos improvisados os mesmos problemas e dificuldades, assim como a esperança de dias melhores para si e seus familiares. Em resumo, o resultado da pesquisa sinaliza para uma maior compreensão da própria vida, uma vez que, ao relembrar de assuntos passados, normalmente se faz uma revisão dos acontecimentos ocorridos ao longo da existência.

7. Análise de dados levantados nas entrevistas

Analisando alguns elementos durante e após as entrevistas, verificou-se que:

  • Foram entrevistados três homens e cinco mulheres;
  • Os entrevistados encontram-se na faixa etária entre 56 e 81 anos;
  • O ano de chegada é variável: vai de 1956 a 1960, tal qual foi colocado no projeto de pesquisa;
  • Os entrevistados são oriundos de lugares variados: Goiás, Bahia, Guanabara (Rio de Janeiro), Rio Grande do Norte e Pernambuco;
  • Três entrevistados nunca voltaram a morar em seu lugar de origem nem foram morar em qualquer outro lugar; quatro entrevistados saíram de Brasília para morar em outros estados uma vez; um entrevistado saiu para morar em seu estado de origem duas vezes;
  • Os meios de transporte utilizados pelos entrevistados para vir para Brasília foram ônibus e caminhão;
  • O número de filhos dos entrevistados varia de dois a oito;
  • Dos oito entrevistados, apenas um mora em Brasília. Os outros tiveram que ir para o Entorno ou para as cidades satélites, isto é, para a periferia;
  • Dois entrevistados tiveram a data de nascimento alterada;
  • Cinco entrevistados apresentam nível de escolaridade primário, variando entre a segunda e a quarta série;
  • Um entrevistado apresenta nível de escolaridade de segundo grau; um outro chegou a iniciar este ciclo, mas não conseguiu completá-lo;
  • Um entrevistado possui nível superior completo;
  • Quatro entrevistados são funcionários públicos aposentados, sendo que um destes continua na ativa por conta própria;
  • Uma entrevistada é costureira;
  • Três entrevistadas são donas de casa;
  • Dois entrevistados são desquitados;
  • Dois entrevistados são casados;
  • Duas entrevistadas são solteiras;
  • Dois entrevistados são viúvos.

Embora a amostragem seja pequena, os dados apresentados coincidem com as expectativas da pesquisa, pois abrangem homens e mulheres, que chegaram a Brasília no período 1956/1960, oriundos de diversas localidades, acompanhados ou não de suas famílias; moradores de Brasília e Entorno de diversas classes sociais.

Conclusões

Estudar a fotografia mostrou-se um exercício muito útil. Para bem entendê-la, recorreu-se à sua história e a diferentes pontos de vista de diversos autores. Para entender melhor como utilizar a evocação de lembranças, verificou-se a necessidade de estudar a memória e a História Oral. Pelo fato do trabalho ter como tema central os Candangos, foi necessário recorrer a trabalhos interpretativos sobre a construção de Brasília, sob o enfoque de diferentes pesquisadores.

Em relação à História Oral, foi possível perceber que, através desta prática, pode-se obter um melhor conhecimento da história da sociedade contemporânea, pois a interação entre o pesquisador e o entrevistado traz à tona, relatos de experiências significativas. Foi nesta perspectiva de conhecimento dos Candangos que as entrevistas foram realizadas.

Em relação ao uso de fotografias no corpo do trabalho, a ação mais difícil foi colocá-las em ordem cronológica, porque muitas delas não têm um sinal sequer de data de produção, e as pessoas nem sempre sabem o momento exato da ocorrência de determinado fato. No entanto, procurou-se colocá-las na ordem mais correta possível. As fotografias mais antigas, geralmente em preto-e-branco, vêm no início e, naturalmente, as coloridas vêm depois.

Ainda sobre o estudo da fotografia propriamente dito podemos enumerar as seguintes constatações:

  • Em toda família parece existir um guardião das fotografias, alguém que se considera o responsável pela conservação das fotos mais importantes de todo o clã. Na realização da pesquisa, ouvimos várias vezes a expressão “tenho que pegar as fotos na casa de fulano, porque foi ele que ficou com a maioria das fotos da família”.
  • As fotografias são utilizadas como um meio de evocar as lembranças, servindo para que a família fixe seus eventos fundadores, como casamentos, batizados, crismas, primeira comunhão, e reafirme periodicamente sua unidade: em reuniões de famílias; é comum folhear os álbuns de fotografias para rememorar e recontar fatos de modo que as lembranças não fiquem esquecidas e que os mais jovens saibam como foi a vida de suas famílias mesmo numa época em que não eram nascidos;
  • As fotografias fortalecem os vínculos familiares, uma vez que as pessoas guardam recordações daquilo que consideram mais importante, como, por exemplo, o nascimento dos filhos, o aniversário de 15 anos e os demais aniversários, os casamentos, as formaturas, as mortes em família, assim como a imagem dos entes mais queridos: avós, pais, tios, filhos, sobrinhos, netos e amigos;
  • As crianças são um tema recorrente nas fotografias, aparecendo em mais de 50% dos acervos pessoais;
  • Outro dos temas recorrentes são as viagens que as pessoas costumam realizar ao longo de suas vidas.
  • Os entrevistados, ao rever as fotografias, muitas vezes, ficavam emocionados: ora sorriam, ora choravam, dependendo do tipo de lembrança que estavam experimentando.

Se evocar a memória através da oralidade (História Oral) e da visualidade (fotografias) foi uma tarefa complexa, editar e transcrever as entrevistas também não foi muito fácil. Um cuidado todo especial foi seguido desde o início da escrita da dissertação para que todos os assuntos relacionados não ficassem desconexos e, assim, mantivessem a unidade.

Retomando o nosso objetivo geral – que era acrescentar informações ao construto histórico produzido sobre o Distrito Federal, mediante o auxílio de fotografias de acervo pessoal, demonstrando como a imagem pode ser um instrumento valioso na reconstrução da memória dos indivíduos, no caso, os Candangos – chegamos à conclusão de que ele foi atingido, pois é possível, a partir de relatos, com técnicas de História Oral e com o auxílio da fotografia, produzir um conjunto de informações que possa contribuir com a história de Brasília e com o reconhecimento da participação dos indivíduos na sua constituição, pois, segundo Bellotto:

Existem, porém, outras categorias de fontes que não os oficiais e não obrigatoriamente recolhidas aos arquivos públicos. No entanto, são da maior importância, pois trazem a urdidura necessária que completa a trama do sentido humano que todo fato histórico necessariamente carrega em si: são os depoimentos pessoais, devidamente tratados pelas técnicas da chamada História Oral. Nem sempre o historiador poderá contar com este tipo de fonte, sobretudo o que trabalha com épocas mais remotas. Mas para eventos enquadrados na história contemporânea, tal como a construção de Brasília, os depoimentos não só são possíveis, como são na verdade indispensáveis (BELLOTTO, 1994, p. 13).

Quanto aos objetivos específicos – que eram: a) trazer à tona a história de pessoas que vieram para a construção de Brasília no período de 1956 a 1960, mediante relatos evocados pela memória a partir de entrevistas e da observação de fotografias de seus acervos pessoais; b) coletar fotografias para a criação de um banco de imagens pessoal sobre os Candangos; c) demonstrar a importância da fotografia como um instrumento metodológico de criação e expressão do conhecimento histórico –, consideramos que também foram atingidos porque escrevemos os relatos dos entrevistados, mediante a evocação de suas lembranças e da observação de suas fotografias; coletamos as fotografias dos acervos pessoais dos entrevistados para criar um banco de dados pessoal sobre os Candangos, além de utilizá-las na dissertação; e, finalmente, pudemos constatar que a fotografia é um instrumento metodológico de criação e expressão do conhecimento histórico, conforme atesta Bourdieu (1979, p. 15), ao propor a seguinte pergunta: “a prática da fotografia e a significação da imagem fotográfica podem e devem proporcionar material para a Sociologia?”; assim também atesta outro estudioso do assunto, Recuero (2005, p. 1869), ao afirmar que, se antes a fotografia ilustrava galerias, informava em jornais e anunciava o consumível, agora busca no seio da ciência o lugar que lhe foi reservado: “Não ser arte, mas conter a arte. Não ser realidade, mas conter a realidade. Não ser ciência, mas mostrar a ciência”.

Recomendamos outros estudos sobre a fotografia porque é um meio de se preservar a história dos habitantes de um lugar, deixando para as gerações futuras um legado; unir o estudo da fotografia, da memória e da oralidade pode resultar em composições inéditas a respeito de fatos, indivíduos, locais e grupos sociais.

Referências

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BELLOTTO, Heloísa. Prefácio de Heloísa Bellotto. In: Catálogo de depoimentos orais.

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[1] Universidad Iberoamericana. Licenciatura em Letras Plena – CEUB -. Mestrado em Ciência da Informação – UnB. Doutorado em Ciências da Educação – Universidad Americana. Pós-Doutorado em andamento – Universidad Iberoamericana. Professora da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal

[2] PGCInf/UnB. Bacharelado e Licenciatura em Ciências Sociais pela UNESP/Araraquara. Mestrado em Multimeios pela UNICAMP. Especialização em Conservação e Preservação Fotográfica pelo Centro de Conservação e Preservação Fotográfica da FUNARTE. Especialização em Organização de Arquivos pelo Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Doutorado em Ciências da Comunicação – ECA/USP. Professora Associada I da Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasíli

[3] Fotografia, cinema, vídeo (BRAYNER, 2000, p. 78).

[4] Os indivíduos foram escolhidos entre cidadãos brasilienses que vieram morar em Brasília no período compreendido entre 1956 e 1960.

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