Análise De Riscos E Conforto Hospitalar: Um Estudo De Caso

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/administracao/conforto-hospitalar
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ARTIGO ORIGINAL

PÓVOAS, Marcelo dos Santos [1], MOREIRA, Jéssica Freire [2]

PÓVOAS, Marcelo dos Santos. MOREIRA, Jéssica Freire. Análise De Riscos E Conforto Hospitalar: Um Estudo De Caso. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 05, Vol. 14, pp. 46-60. Maio de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/administracao/conforto-hospitalar, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/administracao/conforto-hospitalar

RESUMO

A gestão de projetos hospitalares para o aumento da ergonomia e do conforto, tanto para os profissionais, quanto para os pacientes tem grande relevância e vem sendo pesquisada há muito tempo. Quando os pacientes e os profissional estão em ambientes onde se sentem confortáveis, o processo de recuperação acontecem com mais rapidez e qualidade, aumentando a excelência dos serviços executados e gerando maior segurança para os profissionais. Esse trabalho objetiva preencher uma lacuna na literatura, buscando dados de redes hospitalares e a percepção de pacientes e profissionais, usando trabalhos anteriores realizados na área como base para um questionário a ser aplicado para entender quais fatores são mais relevantes e que impactam na gestão de projetos hospitalares, a fim de atingir a excelência no conforto ambiental nesses estabelecimentos. Em resposta, verificou-se que a arquitetura hospitalar dispõe de variadas alternativas, se tratando de conforto ambiental, para tornar o espaço agradável, confortável e humanizado, ergonomicamente falando. Este estudo é muito importante para profissionais da construção civil e para gestores de hospitais para certificar que este esteja contemplando as diretrizes propostas, depois da finalização do projeto, avaliando o resultado, e ainda pode ser aplicável a edifícios hospitalares já construídos, contribuindo para futuros levantamentos.

Palavras-chave: Avaliação de riscos, Analytic Hierarchy Process (AHP), Conforto Hospitalar.

1. INTRODUÇÃO

Tendências atuais como globalização, uso de inteligências artificiais (IA), machine e deep learning, e urbanização, combinadas com o aumento da expectativa de vida da população e o crescimento populacional, resultam em novos desafios para a saúde e os ambientes de saúde. Para abordar essas questões complexas, uma abordagem social multidisciplinar deve ser considerada e várias figuras profissionais devem colaborar na análise, defesa e ação (BRAMBILLA; BUFFOLI; CAPOLONGO, 2019). Para Cotrim (2019), as construções hospitalares, relacionam suas características físicas com suas questões organizacionais de atendimento. O foco dos equipamentos assistenciais de saúde não se direciona sobre a funcionalidade, que é tratada de forma mínima, critério este, que no contexto hospitalar, pode colaborar para controle da assepsia, da organização espacial e visual dos equipamentos assistenciais de saúde.

Os novos projetos de construção, ampliação ou reforma de estabelecimentos de saúde, tem experimentado um processo de mudança nos últimos anos em função da preocupação emergente com o bem-estar dos pacientes e equipe profissional. Isto motivou muitas alterações nas instalações e nos tratamentos de saúde, trazendo a atenção para a qualidade ambiental hospitalar e buscando retirar o aspecto hostil que sempre prevaleceu neste tipo de edificação. O ambiente pode ser hostil para os pacientes e seus familiares. O objetivo do projeto de humanização dentro de hospitais é servir de ponto de encontro entre pacientes, familiares e profissionais; com ênfase em atividades relacionadas à humanização da assistência; promover a capacitação em habilidades de humanização, comunicação, auxiliando no relacionamento, entre outros; e foco na atenção humanizada, estabelecendo padrões e garantindo o cumprimento que o solicitem (HERAS; ZIMMERMAN; HIDALGO, 2020). Esta nova perspectiva incorpora a ideia de humanização dos ambientes hospitalares, considerada indispensável para o bem-estar físico e psicológico do paciente, além de contribuir também para uma melhor eficiência dos trabalhos realizados pela equipe médica. A humanização reúne o ambiente físico dos valores humanos, trazendo o homem como foco do projeto. Consiste na busca pela qualidade do espaço construído através de atributos projetuais que instigam estímulos sensoriais promissores aos seres humanos.

No contexto das arquiteturas para a saúde, é uma prioridade máxima operar uma atualização regular e contínua dos processos de qualidade, eficácia e eficiência. Com efeito, a promoção e prevenção da saúde acontecem através de uma gestão e concepção adequadas dos espaços de cura, em particular no que diz respeito aos utilizadores mais sensíveis. Nas últimas décadas, tem havido uma atenção crescente à qualidade do ar interno em instalações de saúde. Hoje em dia, esta questão deve envolver a implementação de um conjunto de intervenções adequadas, com uma abordagem global de prevenção e redução dos fatores de risco para a saúde dos utilizadores, que permita, para além de uma gestão correta do ambiente hospitalar, a realização de ações concretas (SETTIMO; GOLA e CAPOLONGO, 2020).

Durante as últimas 2 décadas, os efeitos do ambiente físico e social no processo de cura, recuperação e bem-estar de pacientes, famílias e funcionários em hospitais foram comprovados. Há um reconhecimento crescente de que a arquitetura de saúde poderia fazer mais promovendo globalmente bem-estar, e isso requer a expansão do foco para a cura (MORADI; HOSSEINI e SHAMLOO, 2018). As intervenções de humanização considerando a atenção raramente foram avaliadas e comparadas (TRIPODI et al., 2019). Atualmente, são poucos os métodos de avaliação que analisam os aspectos sociais nas questões de saúde, em especial a humanização e o bem-estar, percebidos pelos usuários em serviços de emergência, locais em que o bem-estar psicofísico do paciente é determinante (BUFFOLI et al., 2016).

O tema da humanização do processo de cura, que pretende dar atenção à pessoa em sua totalidade, composta de elementos psicológicos e a necessidades de relacionamento, é uma realidade importante nos dias de hoje. Nas últimas décadas, de fato, uma crescente atenção desenvolveu-se em direção à definição de soluções de planejamento não centradas apenas na funcionalidade e eficiência do serviço sanitário, mas também na humanização e conforto oferecido à pacientes, visitantes e todos os serviços médicos e sociais equipe de assistência, administrativa e técnica (SIVO; BALDUCCI, 2020).

Nesse sentido, Gomes (2019), define como elemento essencial para a humanização do espaço arquitetônico hospitalar a integração entre o interior e exterior do prédio, por incluir uma grande variedade de estímulos vindos do ambiente externo que provocam reflexos no corpo humano, como por exemplo, sons, temperatura, aromas, ventilação, intensidade luminosa, texturas, cores e diversas formas. Deve-se observar os níveis de iluminação e ventilação natural, com base em outros hospitais de referência, e sendo observado como foi aplicada a arquitetura hospitalar humanizada e instrumentos metodológicos como o mapa comportamental, entre outros, para auxiliar no entendimento e diagnóstico do espaço e assim contribuir nas soluções para um melhor layout dos ambientes e melhor conforto bioclimático (ventilação e iluminação naturais).

Segundo Leitner e Pina (2020), no contexto do processo de projeto de arquitetura humanizada, a valorização das percepções do indivíduo e o entendimento de suas necessidades tem sido incorporada e dedicada por diversas metodologias coparticipativas que buscam envolver e conscientizar o paciente de seu papel em um projeto de implementação dessa metodologia de sucesso. Em projetos para locais que envolvem saúde, o envolvimento dos pacientes e funcionários é reconhecido e valorizado, ainda mais em situações acentuadas pela complexidade ou gravidade do tratamento, como ambientes de quimioterapia, radioterapia ou hemodiálise. Essas situações necessitam de estratégias que estimulem a reunião dos aspectos que acalmem os usuários e de uma arquitetura mais humanizadora.

Para Silva (2019), a restauração do sistema de saúde pública brasileiro ocorreu de maneira simultânea ao processo de democratização, sendo liderada por profissionais da saúde e pessoas de movimentos e organizações da sociedade civil. Ainda falando do Brasil, embora atenda aos requisitos básicos de “mais trabalho, mais recompensas e melhor desempenho”, que é propício para aumentar o entusiasmo do pessoal médico, o foco está no interno qualidade médica e benefícios econômicos da organização, e não atenção suficiente às necessidades de pacientes e os benefícios sociais do hospital (YALI; ZHENG, 2020). Assim sendo, Arrighi (2020) nota que a construção de unidades hospitalares é bastante complexa, visto o grande número de instalações e a variedade dos serviços que são oferecidos. Por isso é essencial que os profissionais responsáveis pelo projeto entendam profundamente o funcionamento dessa instituição e conheçam os fatores que podem ser críticos na elaboração desses projetos.

Os trabalhos já realizados e descritos anteriormente sobre pessoas com deficiência em ambientes industriais não abordaram a questão de riscos na inserção de pessoas com deficiências em ambientes industriais. Visando preencher essa lacuna, este trabalho busca responder às seguintes perguntas:

RQ1: Quais são os fatores críticos a serem considerados na inserção de áreas hospitalares buscando conforto ambiental e humanização?

RQ 2: Quais ações devem ser tomadas em projetos hospitalares para se obter conforto ambiental e humanização nos hospitais?

Este trabalho procura explorar as questões acima, utilizando-se de teorias pertinentes ao tema e do conhecimento da realidade através do estudo de casos, de forma a contribuir com futuras pesquisas relacionadas ao assunto e, principalmente, com projetos de ambientes hospitalares.

2. METODOLOGIA

Neste tópico serão explicadas as metodologias utilizadas para a aplicação das mesmas no estudo de caso.

2.1 NORMAS BRASILEIRAS

Estabelecimento assistencial de saúde (também conhecidos como EAS), segundo a Portaria 1.884, é qualquer prédio onde ocorra prestação de assistência à saúde à população brasileira, podendo ter internação ou não, independente do seu nível de complexidade (BRASIL, 1994).

Segundo Arrighi (2020), em 2002 a ANVISA publicou a Resolução RDC nº 307, essa resolução faz algumas alterações no regulamento técnico, obrigando todos os projetos de estabelecimentos assistenciais de saúde a serem elaborados em conformidade com essas resoluções. E ainda, em 2003, a ANVISA publicou a RDC nº 189, que altera esse documento no que diz respeito à regulamentação dos procedimentos de análise, avaliação e aprovação dos projetos de EAS, ficam de responsabilidade das vigilâncias sanitárias estaduais ou municipais e tem a obrigatoriedade de ter a presença de um profissional especializado do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) compondo a equipe de inspeção do projeto.

Os acessos, estacionamentos e áreas de circulações horizontais ou verticais devem estar de acordo com a norma ABNT NBR 9050 – Acessibilidade a edificações, espaço, mobiliário e equipamentos urbanos. As normas para controle acústico que devem ser seguidas por todos os EAS são as normas da ABNT: a NBR 10152 (que substitui a NB-95 – Níveis de ruído para conforto acústico) e a NBR 12179 (que substituiu a NB-101 – Tratamento acústico em recintos fechados). Essas normas estão sendo atualizadas e sua atualização deve ser anunciada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Para conforto luminoso, a norma que deve ser seguida por todos os EAS é a norma da ABNT, a NBR 5413, antiga NB-57 – Níveis de iluminância de interiores (ARRIGHI, 2020).

2.2 ANALYTIC HIERARCHY PROCESS (AHP)

Os três principais elementos do AHP são construção de hierarquia, análise de prioridade e verificação de consistência. Primeiro, os tomadores de decisão precisam dividir os complexos problemas de decisão de múltiplos critérios em suas partes componentes, das quais todos os atributos possíveis são organizados em vários níveis hierárquicos. Em segundo lugar, os tomadores de decisão devem comparar cada cluster no mesmo nível de maneira pareada com base em seus próprios julgamentos. Para garantir que os julgamentos sejam consistentes, o terceiro elemento, denominado verificação de consistência, que é considerado uma das vantagens mais significativas do AHP, é incorporado para medir o grau de consistência entre as comparações de pares por meio do cálculo da razão de consistência. Se a razão de consistência exceder o limite, os tomadores de decisão devem revisar e revisar as comparações entre pares. Uma vez que todas as comparações de pares são realizadas em todos os níveis e são comprovadas como consistentes, os julgamentos podem ser sintetizados para descobrir a classificação de prioridade de cada critério e seus atributos (EMROUZNEJAD e HO, 2018).

Para Mu e Pereyra-Rojas (2018), para analisar a decisão pelo processo de hierarquia analítica devemos seguir os próximos passos:

  1. Desenvolva um modelo para a decisão: Divida a decisão em uma hierarquia de objetivos, critérios e alternativas.
  2. Derive as prioridades (pesos) para os critérios: A importância dos critérios é comparada aos pares em relação à meta desejada para derivar seus pesos. Em seguida, verificamos a consistência dos julgamentos; ou seja, uma revisão dos julgamentos é feita a fim de garantir um nível razoável de consistência em termos de proporcionalidade e transitividade.
  3. Derive as prioridades locais (preferências) para as alternativas: Derive as prioridades ou as alternativas em relação a cada critério separadamente (seguindo um processo semelhante ao da etapa anterior, ou seja, compare as alternativas aos pares com relação a cada critério). Verifique e ajuste a consistência conforme necessário.
  4. Derive as prioridades gerais (síntese do modelo): Todas as prioridades alternativas obtidas são combinadas como uma soma ponderada – para levar em conta o peso de cada critério para estabelecer as prioridades gerais das alternativas. A alternativa com a maior prioridade geral constitui a melhor escolha.
  5. Realizar análise de sensibilidade: Um estudo de como as mudanças nos pesos dos critérios podem afetar o resultado é feito para entender a razão por trás dos resultados obtidos.
  6. Tomando uma decisão final: Com base nos resultados da síntese e na análise de sensibilidade, uma decisão pode ser tomada.

Nesse ponto, o leitor pode se sentir um pouco intimidado por termos como julgamentos, prioridades, comparação entre pares e consistência; entretanto, a discussão a seguir esclarecerá esses tópicos.

Um importante estudo sobre o AHP, é o conduzido por Maris; Souza e Barros (2009), no qual o autor afirma que a programação multicritério por meio do Analytic Hierarchy Process é uma técnica utilizada para a tomada de decisão em ambientes complexos nos quais diversas variáveis ​​ou critérios são considerados. Segundo o autor, o AHP transforma comparações, muitas vezes empíricas, em valores numéricos que são comparados e essa capacidade de conversão de dados empíricos em modelos matemáticos é o principal diferencial do AHP em relação às demais técnicas comparativas. A tabela de hierarquia estabelecida por Saaty (2009) é mostrada na tabela 1:

Tabela 1: Nível de Importância segundo Saaty (2009)

Importância Definição
1 Ambos os elementos de igual importância
3 Moderada importância de um elemento para o outro
5 Forte importância de um elemento para o outro
7 Muito forte importância de um elemento para o outro
9 Extrema importância de um elemento para o outro

Fonte: Saaty (2009)

Bhushan e Rai (2004) também realizaram um importante estudo sobre o AHP, afirmando que o AHP foi desenvolvido e tem sido amplamente estudado desde então. Atualmente é aplicado para a tomada de decisão em diversos cenários complexos, nos quais as pessoas trabalham juntas para tomar decisões e onde as percepções, julgamentos e consequências humanas têm repercussão de longo prazo. Saaty (2009) realizou um estudo afirmando que o uso do AHP começa com a decomposição do problema em uma hierarquia de critérios mais facilmente analisados ​​e comparáveis ​​de forma independente. A partir do momento em que essa hierarquia lógica é construída, a decisão dos segurados avalia sistematicamente as alternativas, comparando dois a três dois, dentro de cada um dos critérios. Fayer (2018), o estudo descreve lacunas na aplicação do método que geralmente partem do tomador de decisão. Para superar esses problemas, os pesquisadores usaram outras metodologias lógicas para gerenciar a probabilidade de ocorrência de risco.

Os pesos de prioridade de cada critério são calculados por meio da equação 2.

Equação 2: Fórmula dos pesos de prioridade de cada critério

Onde A é a matriz que representa a comparação entre os fatores de risco

Matriz 1: Matriz que representa a comparação entre os fatores de risco

A fim de provar a consistência dos dados, temos que calcular o Índice de Consistência (IC) (ver equações 3 e 4)

Equação 3: Fórmula do índice de consistência

Onde:

𝑛 é a ordem da matriz A

𝜆𝑚𝑎𝑥 é o autovetor dominante que satisfaz a equação

Equação 4: Fórmula do somatório para o índice de consistência

Depois de calcular o IC, os resultados precisam ser verificados quanto à consistência. Isso será verdade, se a razão de consistência (CR), for igual ou inferior a 0,10. CR é calculado com a equação 4.

Equação 4: Fórmula da razão de consistência

Onde Random Consistency Index (RCI), é obtido da Tabela 2.

Tabela 2: Random Consistency Index

2.3 DESCRIÇÃO DO TRABALHO REALIZADO

A seguir são apresentados os passos que foram utilizados para a elaboração do modelo de avaliação de riscos:

1 – Os métodos utilizados para coleta de dados basearam-se no levantamento de dados, de pesquisadores da área de arquitetura hospitalar, incluindo teses, dissertações, artigos e trabalhos acadêmicos que abordam o assunto.

2 – Para a elaboração do questionário, foram estabelecidos subfatores críticos inclusos nesses principais fatores encontrados.

3- Uma vez definido os fatores críticos, elaborou-se o questionário a ser aplicados aos usuários, ou seja, aos pacientes e equipe de funcionários.

4 – O questionário foi aplicado de forma online, usando o Google Forms.

5 – Os dados obtidos foram analisados visando identificar os fatores críticos propostos na pergunta da pesquisa.

Como vantagem da metodologia ressalta-se o diferente perfil de profissionais e partes interessadas da área estudada e como desvantagem a limitação o reduzido número de profissionais de uma comunidade específica.

3. RESULTADOS OBTIDOS

Nesse capítulo são demonstrados os resultados das pesquisas proposta. 20 pessoas responderam ao questionário para determinação dos fatores críticos, os fatores foram determinados de acordo com a literatura explorada pelos autores. O resultado do questionário em relação à probabilidade de cada risco gerar um desconforto ergonômico está explicitado na tabela 1.

Tabela 1: Questionário

Nome Pontuação
Ventilação 0,02
Iluminação 0,04
Ruídos Internos 0,17
Ruídos Externos 0,17
Cores 0,29
Privacidade 0,46
Limpeza 0,52
Mobiliário 0,58

Fonte: Os autores (2021).

Após, a análise do questionário no Google Forms, a elicitação de probabilidades foi continuada através de uma reunião via Google Meet, com os 20 entrevistados para a determinação em conjunto do impacto de cada risco em relação ao outro, por análise paritária dos fatores. Como resultado, a AHP demonstrada na tabela 2 foi gerada.

Tabela 2: AHP normalizada

Fonte: Os autores (2021).

Com a probabilidade encontrada na metodologia das redes bayesianas e o impacto determinado pelo AHP, a pontuação foi dada de acordo com a tabela 3.

Tabela 3: Pontuação das Metodologias

Nível de pontos de probabilidade Nível de pontos de impacto
Pontos Nível de probabilidade Probabilidade Pontos Nível de impacto Impacto
5 Esperado Mais de 0,80 5 Alto Mais de 0,16
4 Muito provável 0,51 -0,80 4 Elevado 0,12-0,16
3 Provável 0,31-0,50 3 Moderado 0,08-0,11
2 Improvável 0,11-0,30 2 Baixo 0,04-0,07
1 Quase não há probabilidade Menos de 0,11 1 Limitado Menos de 0,04

Fonte: Os autores (2021).

Após realizar a multiplicação e classificação de risco de cada etapa, os valores finais de pontuação dos riscos para cada categoria de riscos foi finalmente encontrada utilizando a tabela 4, a qual apresenta uma representação utilizando cores para facilitar a compreensão, sendo o amarelo claro os riscos insignificantes para o estudo; o amarelo “ovo”, ou mais escuro, riscos toleráveis; laranjas os riscos indesejáveis e que devem ser mitigados e o vermelho, riscos que devem ser urgentemente eliminados ou, pelo menos, mitigados. A matriz de probabilidade x impacto, com as devidas cores está descrita na tabela 5, nessa matriz, os riscos são classificados através da multiplicação dos pontos definidos na tabela 3.

Tabela 4: Classificação dos fatores de risco

Riscos
Limitado Baixo Moderado Elevado Alto
1 2 3 4 5
Probabilidade Quase não há probabilidade 1 1 2 3 4 5
Improvável 2 2 4 6 8 10
Provável 3 3 6 9 12 15
Muito provável 4 4 8 12 16 20
Esperado 5 5 10 15 20 25
1-5 Insignificante 6-9 Tolerável 10-16 Indesejável 17-25 Intolerável

Fonte: Os autores (2021).

A matriz de probabilidade x impacto, com as cores descritas na tabela 4 está descrita na tabela 5.

Tabela 5: Classificação dos fatores de risco

Fonte: Os autores (2021).

Os fatores mais impactantes, segundo a metodologia aplicada são: Limpeza e Mobiliário.

Levando em consideração Limpeza: Deve-se certificar que a equipe de limpeza esteja conseguindo atingir áreas de difícil acesso, como cantos, teto e arestas, para isso concentrar em contratar uma equipe de limpeza treinada ou terceirizar uma equipe certificada é fundamental. Deve-se lembrar que não é apenas limpeza, mas também descontaminação e desinfecção dos ambientes e materiais. Para Siteware (2018), é imprescindível:

  1. Seguir todas as instruções de uso dos produtos de limpeza;
  2. Nunca reutilizar roupas sujas ou panos;
  3. Evitar desorganização;
  4. Não esquecer dos cantos e arestas.

Levando em consideração Mobiliário: deve-se seguir todos os aspectos relevantes da norma NBR 9050 – Adequação das edificações e do mobiliário. Entre os estabelecimentos desta norma estão: Tecnologia assistiva; Sinalização; Rampas de acesso; Plataforma elevatória; Características do tipo de piso; Obrigatoriedade de se ter informações em Braile; Obrigatoriedade de se ter Banheiros acessíveis; Estacionamento. É importante ressaltar que a NBR 9050 não é direcionada especificamente a pessoas com deficiência.

4. CONCLUSÕES

Há inúmeros aspectos importantes a se considerar quando se trata de conforto e hospitais. Este trabalho levou em consideração aspectos macro, ou seja, aspectos que ainda podem ser desdobrados gerando subtópicos para uma análise mais profunda, o que é uma proposta de trabalho futuro.

Em resposta a primeira pergunta, os fatores mais impactantes, segundo a metodologia aplicada são: Limpeza e Mobiliário.

Em resposta a segunda pergunta, levando em consideração Limpeza: Deve-se certificar que a equipe de limpeza esteja conseguindo atingir áreas de difícil acesso, como cantos, teto e arestas, para isso concentrar em contratar uma equipe de limpeza treinada ou terceirizar uma equipe certificada é fundamental. Deve-se lembrar que não é apenas limpeza, mas também descontaminação e desinfecção dos ambientes e materiais.  Levando em consideração Mobiliário: deve-se seguir todos os aspectos relevantes da norma NBR 9050 – Adequação das edificações e do mobiliário.

REFERÊNCIAS

ARRIGHI, R. A gestão da arquitetura hospitalar em busca do conforto ambiental e a humanização: um estudo em EAS de Juiz de Fora – MG. Dissertação (Mestrado em Gestão de Sistemas de Engenharia) – Universidade Católica de Petrópolis, 2020.

BRAMBILLA, A.; BUFFOLI, M.; CAPOLONGO, S. Measuring hospital qualities. A preliminary investigation on Health Impact Assessment possibilities for evaluating complex buildings. Acta Biomed, Vol. 9, pp. 54–63, 2019.

BUFFOLI, M.; BELLINI, E.; DELL’OVO, M.; GOLA, M.; NACHIERO, D.; REBECCHI, A.; CAPOLONGO, S. Humanisation and soft qualities in emergency rooms. ANNALI, Vol. 52, No. 1, 2016.

COTRIM, N. Proposta de método para análise de qualidade ambiental e humanização em maternidades. Estudo de caso: Maternidade Nascer Cidadão – Goiânia – Brasil. 162 f. Dissertação (Mestrado em Projeto e Cidade) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2019.

GOMES, R. Humanização da Arquitetura Hospitalar Através de Diretrizes Projetuais Utilizando Parâmetros do Sistema Único de Saúde (SUS) e Conforto Bioclimático. Instituto Federal do Espírito Santo. Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação de Ciências da Sociais Aplicadas, 2019.

HERAS, G.; ZIMMERMAN, J.; HIDALGO, J. Humanizing Critical Care, Critical Care Administration, pp 189-197, 2020.

LEITNER, A.; PINA, S. Arquitetura sob a ótica da humanização em ambientes de quimioterapia pediátrica. Ambient. constr., Porto Alegre, Vol. 20, No. 3, pp.179-198, 2020. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S167886212020000300179&lng=en&nrm=iso>. Acesso em:  07 Out. 2020.

MORADI, A., HOSSEINI, S., SHAMLOO, G. Evaluating the impact of Environmental Quality Indicators on the degree of humanization in healing environments. Space Ontology International Journal, Vol. 7, No. 1, pp. 1-8, 2018.

SETTIMO, G.; GOLA, M.; CAPOLONGO, S. The Relevance of Indoor Air Quality in Hospital Settings: From an Exclusively Biological Issue to a Global Approach in the Italian Context. Atmosphere, Vol. 11, No. 361, 2020.

SILVA, G. A trajetória da Política Nacional de Humanização no estado de São Paulo e seu reflexo na gestão da saúde. 59 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Biomédica) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2019.

SITEWARE. Tudo sobre limpeza hospitalar: padrões e cuidados para equipe e pacientes. 2018. Disponível em: <https://www.siteware.com.br/blog/processos/tudo-sobre-limpeza-hospitalar/> Acesso em 13/04/2014.

SIVO, M.; BALDUCCI, C. Quality in Healthcare: The New Frontier of “Patient-Centered Care Approach” in Day Clinics. Journal of Civil Engineering and Architecture, Vol. 14, pp. 160-167, 2020.

TRIPODI, M.; SIANO, M.; MANDATO, C.; ANSERIS, A.; QUITADAMO, P.; NUZIO, S.; SIANI, P.; VAJRO, P. Humanization interventions in general pediatric wards: a systematic review. European Journal of Pediatrics, Vol. 178, pp. 607–622, 2019.

YALI, Z; ZHENG, D. Double QSSE innovative hospital management model based on JCI standard and its application in private hospital in China. Research Square, 2020.

[1] Mestre em Sistemas de Gestão de Engenharia pela UCP, Engenheiro Mecânico pela UERJ.

[2] Mestre em Sistemas de Gestão de Engenharia pela UCP, Pós-graduanda em Lean Manufacturing, Engenheira de Produção pela UCP.

Enviado: Abril, 2021.

Aprovado: Maio, 2021.

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