Sífilis materna e sífilis congênita: Uma abordagem bibliográfica

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ARTIGO ORIGINAL

OLIVEIRA, Leane Santos [1], NOGUEIRA, Daisy Castro Morais [2]

OLIVEIRA, Leane Santos. NOGUEIRA, Daisy Castro Morais. Sífilis materna e sífilis congênita: Uma abordagem bibliográfica. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 08, Vol. 14, pp. 21-36. Agosto de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/sifilis-materna

RESUMO

A sífilis é uma doença infecciosa sistêmica, ocasionada pela bactéria Treponema Pallidum, sua transmissão ocorre por via sexual e vertical (transplacentária) e pode se apresentar de forma adquirida ou congênita, sendo a mesma, uma doença de notificação compulsória. A sífilis na gravidez necessita de intervenção imediata para que haja possibilidade de redução da transmissão vertical. Esta é uma doença milenar que dispõe de tratamento e cura, entretanto permanece na condição de patologia com elevada incidência e prevalência, carregando consigo danos irreversíveis, sobretudo, para os bebês filhos de mães portadoras. O diagnóstico pode ser feito por meio de testes laboratoriais, e o tratamento farmacológico é realizado principalmente com penicilina benzatina. O profissional de enfermagem está presente em todo o acompanhamento da gestação, possuindo um ofício relevante no combate à doença. Este artigo tem como objetivo identificar a incidência da sífilis gestacional e sífilis congênita relatados na literatura, e a assistência de enfermagem prestada. Para a busca dos artigos utilizou-se as bases de dados eletrônicos: Literatura latino-americana e do caribe em ciências da saúde (LILACS), scientific electronic library online (SCIELO) e Base de Dados da Enfermagem (BDENF), no período agosto de 2018 a outubro de 2019. Como critérios de inclusão estabeleceram-se: artigos publicados entre 2010 a 2019, no idioma português e que possuíssem conexão com a temática definida. O critério de eliminação ateve-se à não utilização de artigos que não estivessem disponibilizados na sua totalidade nas bases de dados ou em outra língua. Utilizou-se para este estudo, a pesquisa de método bibliográfico, sendo a abordagem qualitativa, de cunho descritivo.

Palavras- Chave: Sífilis materna, sífilis congênita, assistência de enfermagem.

1. INTRODUÇÃO

As moléstias conhecidas como Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) representam um grande problema de saúde pública que ocasionam danos sociais, econômicos e sanitários de enorme repercussão às populações, especialmente entre mulheres e crianças. Magalhães et al (2013), afirma que, entre as IST’s, é necessária ênfase no estudo e tratamento da sífilis, já que esta possui características importantes a serem consideradas no processo de combate, como a desenvoltura infecciosa e sistêmica, evolução crônica causada pelo Treponema pallidum, e ainda possui abrangência universal, sendo o homem seu único hospedeiro, transmissor e reservatório.

Dantas et al (2017) corrobora que a bactéria Treponema pallidum é a responsável pelo surgimento e desenvolvimento da sífilis, sendo o contato sexual, transfusão de sangue, transplante de órgãos e transmissão congênita os meios de contaminação.

Para Tannous et al (2017) esse modo de transmissão representa-se como transmissão vertical, principalmente quando a mulher grávida se encontra na fase recente da doença e entre as 16ª e 28ª semanas de gestação. O índice de transmissão nas fases primárias e secundárias da patologia (sífilis recente) sofre variação de 70% a 100%. Já a fase terciaria (sífilis tardia), o índice de transmissão é reduzido em cerca de 30%.

Brasil (2014) descreve os sintomas ocorridos no período da sífilis secundária, quando todos os órgãos e líquidos do corpo já estão comprometidos, com expressão clínica, como a erupção cutânea. Em se tratando da sífilis terciária, o organismo desenvolve uma inflamação acentuada, destruindo assim, tecidos e ossos. Aparecem gomas sifilíticas, tumorações amolecidas, dentre outros. Ainda segundo o autor, para que essa fase se manifeste, pode decorrer 10, 20 anos ou mais, desde o momento da infecção.

A sífilis terciária, por sua vez, aparece aproximadamente um ano depois da infecção inicial, no entanto, há casos que levam cerca de 10 anos para que se manifeste. As principais características desta etapa são: formação de gomas sifilíticas, tumorações amolecidas sobre a pele e nas mucosas. Existe ainda a possibilidade de aparecer em outras partes do corpo, inclusive no sistema ósseo. Dentre as ocorrências mais graves estão a neurossífilis e a sífilis cardiovascular. (Pires et al, 2007 apud Teixeira, 2015).

Segundo Mororó et al (2015) a sífilis congênita (SC) consiste em uma patologia que afeta o concepto/criança em consequência da ausência ou falha no tratamento da mãe portadora de sífilis durante o período da gestação. Caracterizada como uma das causas de morbimortalidade perinatal no Brasil, embora disponha de meios diagnósticos e terapêuticos acessíveis e eficazes para prevenir e reduzir as complicações dessa doença na criança.

Segundo Mesquita et al (2012) apud Queiroga et al (2014), a sífilis postula como a patologia que apresenta os maiores índices de transmissibilidade dentre as diversas que podem ser propagadas durante o ciclo gravídico-puerperal.

Magalhães et al (2013) demonstram em seu estudo que, a sífilis em mulheres grávidas tem sido correlacionada com o baixo nível socioeconômico. Apesar de não ser uma patologia restrita apenas às classes menos favorecidas, tais resultados indicam que a pouca escolaridade e baixa renda podem ser marcadores significativos de escasso acesso aos serviços de saúde.  Por conseguinte, a assistência pré-natal ineficaz, colabora para a insistência da transmissão vertical da sífilis nessa população.

Dados do Ministério da Saúde (2017), dão conta que, no Brasil, foi constatado avanço no número de casos de sífilis nos últimos cinco anos. Esse aumento diz respeito à sífilis congênita e adquirida. Os registros apontam os principais fatores responsáveis por esse crescimento:

i) aumento da cobertura de testagem;

ii) ampliação do uso de testes rápidos;

iii) redução do uso de preservativo;

iv) resistência dos profissionais de saúde à administração da penicilina na Atenção Básica;

v) desabastecimento mundial de penicilina, entre outros.

Para Siqueira et al (2016) a saúde pública exerce um papel importante nesse contexto, garantindo consultas mensais e exames periódicos, priorizando a descoberta precoce da sífilis e o tratamento apropriado. A consulta de enfermagem em conjunto com o ginecologista é de grande valia para identificar as patologias ainda no início da gravidez e, assim, orientar as gestantes no que diz respeito à importância do próprio tratamento, bem como de seus parceiros.

Desse modo, o Ministério da Saúde (MS) preconiza que, no percurso da assistência pré-natal, todas as gestantes sejam submetidas, pelo menos, a dois exames de VDRL, um na ocasião da primeira consulta e outro por volta da 28ª semana de gestação. É preciso ainda fazer novo teste de Venereal Disease Research Laboratory (VDRL) na hora do parto, para assegurar ao recém-nascido a possibilidade de tratamento precoce, caso a gestante não tenha realizado o tratamento ou tenha se reinfectado após o tratamento (BRASIL, 2012).

Segundo Furtado (2014), dados epidemiológicos recentes fazem um alerta no que diz respeito ao aumento da incidência tanto Materna quanto Congênita, o que pode ser indicado como uma falha na qualidade da assistência ao pré-natal, ainda que diversas ações tenham sido estabelecidas ao longo do tempo pelo Ministério da Saúde (MS), como uso de protocolos de atendimento exclusivo às gestantes com diagnóstico de sífilis estabelecido em todo território nacional, no intuito de combater esse avanço.

Tendo em vista que o controle epidemiológico da Sífilis consiste em um dos maiores desafios atuais da saúde pública no país e no mundo, esta abordagem objetiva identificar a ocorrência da sífilis materna e sífilis congênita relatados na literatura. Tencionando responder a seguinte pergunta: Qual a assistência de enfermagem prestada aos portadores de tal patologia?

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

De acordo com Silva (2016), a sífilis na gravidez precisa ser diagnosticada de maneira precoce, além de ser tratada de forma apropriada. O tratamento envolve não só a mulher, bem como o seu parceiro. É necessário que ambos sejam tratados para que o feto não seja afetado, tendo em vista que essa enfermidade pode ser transmitida verticalmente, com sérias consequências para o bebê, pois apesar de obter um diagnóstico simples e tratamento resolutivo, a sífilis gestacional continua sendo um grave problema de saúde pública devido à prevalência preocupante, principalmente em países pobres ou em desenvolvimento.

Os testes laboratoriais para o diagnóstico da sífilis são divididos em duas categorias: Provas diretas e provas sorológicas. As provas diretas são aquelas em que se realiza a pesquisa do patógeno em amostras coletadas diretamente da lesão. As provas sorológicas caracterizam-se pelos testes nos quais se realiza a pesquisa sorológica de anticorpos anti-T. pallidum.

Os testes sorológicos são subdivididos em duas classes; os treponêmicos e os não treponêmicos. Para a definição do diagnóstico são necessários exames treponêmicos e não treponêmicos, ficando a ordem de realização a critério do serviço de saúde. Entretanto, os pacientes deverão iniciar o tratamento com apenas um teste reagente, sem esperar o segundo teste (BRASIL 2015, p. 4).

Siqueira et al (2016) apontam que, tal patologia é fator marcante de morbimortalidade perinatal. A medicamentação da mulher grávida com penicilina benzatina, até trinta dias antes do parto, limita bastante as complicações advindas da doença, como abortamento, prematuridade, natimortalidade, sequelas nos bebês bem como o óbito neonatal.

Preferentemente o tratamento é feito com penicilina benzatina, pois o mesmo tem capacidade de penetrar a barreira transplacentária e tratar mãe e feto conjuntamente, com dose padrão de 2.400 UI partilhado nos dois glúteos, por via intramuscular (IM). O quantitativo de doses deve variar conforme o progresso da sífilis, tanto na gestante, quanto no parceiro ou em situação de profilaxia. A utilização de ceftriaxona 1.000mg por via IM ou endovenosa é indicada para gestantes e não gestantes, sendo sua aplicação diária por até 10 dias (MOREIRA et al, 2017).

Para Araújo et al (2012) não obstante ter um tratamento confiável, seguro e de baixo custo, até então é perceptível um pequeno número de notificação e acompanhamento nas fichas de atendimento, nos dados coletados, entre outros, isso tem chance de estar ligado com a falha no momento da definição do diagnóstico, pelo fato da mesma poder ser confundida com outra patologia.

Em síntese, o MS declara que o Brasil vive uma época de aumento dos casos de sífilis nos últimos anos. Na Figura 1, é possível constatar a evolução das taxas de percepção dos danos notificados de sífilis no período de 2010 a 2016. Observa-se o aumento das taxas de incidência de sífilis congênita e as taxas de identificação de sífilis em gestante por mil nascidos vivos durante esse período. No caso da Sífilis congênita o quantitativo quase triplicou, sendo que em 2010 apresenta indicador de 2,4 evoluindo em 2016 para 6,8. Em se tratando das confirmações de sífilis em gestante por mil nascidos vivos, os números apresentaram expansão ainda maior, atingindo a marca de 12,4 em 2016. Já a sífilis adquirida, que teve notificação compulsória implantada em 2010, obteve sua taxa de detecção ampliada de 2,0 casos por 100 mil habitantes em 2010 para 42,5 casos por 100 mil habitantes em 2016 (BRASIL, 2017).

Figura 1. Taxa de detecção (por 100.000 habitantes) de sífilis adquirida, taxa de detecção de sífilis em gestantes e taxa de incidência de sífilis congênita por mil nascidos vivos. Brasil 2010 a 2016.

Fonte: Brasil, 2017

Tendo em vista a necessidade de redução da incidência de Sífilis Congênita, mostra-se primordial que os profissionais e os gestores da saúde tenham informações ao alcance, e que estas possam demonstrar a relevância do problema, afim de dispor de subsídios para planejar novas intervenções e estratégias voltadas a diminuir os índices da enfermidade (SOARES et al, 2017).

Levando em consideração a significância científica, essa pesquisa é importante pois deverá levantar dados que poderão contribuir para a produção de novos estudos, e especialmente cooperar para a melhoraria do conhecimento dos profissionais da saúde, subsidiando assim, para que os mesmos possam prestar uma assistência com mais qualidade ao recém-nascido, bem como promovendo um cuidado mais endereçado para a gestação e puerpério.

2.2 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

A sífilis é uma patologia de possível manejo no contexto da atenção primária; no entanto, é necessário que todas as parturientes disponham de atendimento especializado por meio de medidas preventivas. Tendo em vista as várias políticas delineadas pelo Ministério da Saúde (MS), ainda pode-se destacar a Política Nacional de Atenção Integrada à Saúde da Mulher (PAISM); que consiste em uma política estruturada, na qual a proposta é a assistência de serviços à mulher (LORENZI, 2001 apud SILVA; VIEIRA, 2018).

Conforme declara Siqueira et al (2016), a atenção à mulher no período da gestação é de suma importância e deve ser iniciada na primeira consulta pré-natal, com término na consulta puerperal. Desse modo, a atenção ao pré-natal tem a capacidade de identificar patologias na gravidez, possibilitando uma gestação sadia e um recém-nascido saudável.

É válido ressaltar que a Assistência de Enfermagem deve ser realizada tanto com as gestantes, quanto com os parceiros, sendo necessário o  desenvolvimento de atividades conduzidas pelo enfermeiro, proporcionando um acompanhamento mais robusto e conclusivo sobre a sífilis na consulta Pré-Natal, bem como ações relacionadas à educação em saúde, monitoramento de casos da patologia, fazendo sempre a notificação para um tratamento eficaz dos parceiros sexuais, orientando na realização de exames sorológicos e tratamento para promover possibilidades de cura (OLIVEIRA; FIGUEIREDO, 2011 apud SILVA; VIEIRA, 2018).

Em relação aos cuidados de enfermagem perante a sífilis adquirida estão relacionados ao diagnóstico da infecção através dos testes rápidos, nos quais a execução, leitura, e interpretação do resultado ocorrem em média de 30 minutos, sem a necessidade de enviar para laboratórios facilitando a detecção da sífilis, sendo necessário sangue total obtido por punção digital ou venosa e também através de amostras de soro ou plasma (BRASIL, 2016 apud SOUSA et al 2017).

Mororó et al (2015) destaca que, uma das medidas fundamentais de controle da Sífilis Congênita efetuada por profissionais da Estratégia Saúde da Família, consiste na realização de consultas periódicas e rastreamento da doença por meio do exame VDRL, dessa forma, é possível ofertar uma assistência pré-natal satisfatória. A realização desses procedimentos é recomenda no primeiro e no início do terceiro trimestre da gestação. Recomenda-se também a triagem sorológica da mãe na admissão da maternidade, como uma maneira de investigação dos casos de mulheres infectadas pela doença que não continuaram com o tratamento na gestação.

Para Matos e Costa (2015), as ações educativas na Atenção Básica contribuem como uma alternativa para realização do controle de altos índices de sífilis congênita, apontando como indispensável a educação em saúde na prevenção e na promoção da saúde no tocante à sífilis. Dessa forma, cabe ao enfermeiro dispor do seu conhecimento técnico-científico como forma de produzir tais ações para as gestantes e a comunidade, promovendo assim, a transmissão de conhecimentos e informações.

Dessa forma Queiroga et al (2014) diz que, levando em consideração a problemática da sífilis, espera-se que o profissional de enfermagem disponha de conhecimento e habilidade técnica para desenvolver intervenções voltadas ao controle e manejo adequado do agravo, assegurando assim uma assistência integral, resolutiva e de qualidade.

É válido ressaltar que segundo Dantas et al (2017) a Sífilis Congênita fora incluída no rol das doenças de notificação compulsória no ano de 1986, e esta peça de averiguação passou por variações no decorrer dos anos, na procura de uma detecção mais favorável e assistência no procedimento de eliminação assinado em parcerias internacionais pelo Ministério da Saúde. A Sífilis adquirida ganhou esse status apenas em 2005, através da Portaria MS/SVS nº. 33, tendo a ficha de investigação liberação para digitação no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN) em 2007.

No ano de 2016, foram notificados 87.593 casos de sífilis adquirida, 37.436 casos de sífilis em gestantes e 20.474 casos de sífilis congênita – entre eles, 185 óbitos – no Brasil. A maior proporção dos casos foi notificada na região Sudeste. Quando observadas as taxas, individualmente para cada estado, destacam-se as elevadas taxas de sífilis em gestantes encontradas no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul (BRASIL, 2017, p. 6).

A assistência de enfermagem é imprescindível, pois, a qualidade do auxílio na gestação é determinante para a delimitação da transmissão vertical da sífilis, bem como de outras doenças infecciosas e contagiosas, ressalta-se a importância da execução da notificação compulsória, pois é por meio desta que serão assinalados os dados epidemiológicos e as devidas decisões a serem tomada para o manejo de casos subsequentes (MAGALHAES et al, 2011).

Em termos gerais, no que se refere à sífilis adquirida ou à sífilis congênita, é indispensável o desenvolvimento de mais estratégias de prevenção, também eficientes, bem como o incentivo à utilização regular de preservativos, a redução da quantidade de parceiros sexuais, o diagnóstico precoce, o tratamento dos envolvidos e a diminuição do índice de usuários de drogas, conforme afirma (STAMM, 2015).

Diante do exposto, Sousa et al (2017) ressalta que podemos observar a carência de uma contínua melhoria na capacitação da equipe de enfermagem através da educação permanente e continuada, concedendo dessa forma, uma assistência mais qualificada e resolutiva que contribuirá na detecção mais precoce da sífilis, melhorando a possibilidade da quebra de transmissão e cura da infecção da sífilis. Dessa forma, pode-se concretizar ações efetivas de apoio aos profissionais de enfermagem e aos demais profissionais de saúde, para fortalecer o combate e prevenção da sífilis em cada região do país.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para a elaboração desta revisão bibliográfica quatro etapas foram percorridas, sendo elas: 1ª etapa: seleção das hipóteses e a identificação do tema para a elaboração da revisão; 2ª etapa: definição dos critérios para exclusão e inclusão dos artigos, busca na literatura e análise dos estudos; 3ª etapa: avaliação de cada estudo relacionado à revisão; 4ª etapa: discrição e discussão dos resultados.

Para a busca dos artigos utilizou-se as bases de dados eletrônicos: Literatura latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), scientific electronic library online (SCIELO) e Base de Dados da Enfermagem (BDENF), no período agosto de 2018 a outubro de 2019. Para a coleta da amostra, foram utilizados os seguintes descritores: “Sífilis materna”, “sífilis congênita” e “assistência de enfermagem” no idioma português. Como critérios de inclusão estabeleceram-se: artigos publicados entre 2010 a 2019, no idioma português e que estivessem relacionados com a temática escolhida. O critério de exclusão limitou-se a não utilização de artigos que não se encontravam disponibilizados na íntegra nas bases de dados ou em outra língua.

Utilizou-se para este estudo, a pesquisa de método bibliográfico, sendo a abordagem qualitativa, de cunho descritivo.

A pesquisa bibliográfica é desenvolvida visando abordar um problema com base em teorias já publicadas em diversos tipos de fontes: livros, artigos, manuais, enciclopédias, anais, meios eletrônicos, dentre outros. A realização da pesquisa bibliográfica é imprescindível para o conhecimento e análise das principais contribuições teóricas acerca de determinado tema ou assunto (FONTANA, 2018).

De acordo com Guerra (2014) o método qualitativo tem o objetivo de aprofundar-se na compreensão de fenômenos, ação ou indivíduo, seu ambiente ou contexto social, interpretando-os conforme a perspectiva dos próprios sujeitos envolvidos na situação, sem preocupação com representatividade numérica, generalizações estatísticas e vinculações lineares de causa e efeito.

Essa pesquisa se caracteriza como descritiva, porque de acordo com Prodanov e Freitas (2013) as pesquisas descritivas têm como finalidade principal a descrição das características de determinada população ou fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Demonstra correlações entre variáveis e define sua natureza. E não têm o compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considera-se, por fim, que este estudo vem contribuir para o planejamento de ações mais abrangentes, voltadas ao cuidado integral de gestantes com diagnóstico de sífilis, bem como valora a prevenção da Sífilis Congênita, na proporção em que aborda uma sequência de dificuldades enfrentadas por essas mães durante o período de gestação, parto e nascimento de seus filhos. Evidencia-se a necessidade de averiguação de todo o contexto sociocultural e programático de vulnerabilidade no qual se encontram essas mulheres que vivenciaram tal experiência.

Através desta revisão bibliográfica, observou-se que a sífilis ainda é um grande problema de saúde pública, por ainda apresentar novos casos, anualmente, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Nessa perspectiva, é possível observar a necessidade de implementações e/ou renovações de políticas públicas voltadas, sobretudo, ao rompimento da cadeia de transmissão dessa patologia. Dentre estas, está a melhoria na qualidade da assistência no pré-natal, uma vez que através dela pode-se prevenir a forma congênita da doença e captar os indivíduos acometidos pela sífilis adquirida. Além disso, ampliar e qualificar as medidas preventivas das infecções sexualmente transmissíveis, entre as quais está à sífilis, com o intuito de diminuir o número de casos, interferir no avanço clínico da doença e comprometimento das próximas gerações.

Assim, ressalta-se a importância da qualidade dos registros referentes ao acompanhamento das gestantes, com o propósito na melhoria do cuidado pré-natal à mãe e bebê. Além disso, sugere-se novos estudos com dados primários que possam complementar essas informações, objetivando a melhoria da atenção à saúde da mulher e ao controle dessa doença.

Portanto, é indispensável que essas mulheres tenham condições de ser melhor acompanhadas/monitoradas, garantindo então, a finalização do tratamento no próprio serviço hospitalar, seja na permanência do contato com a paciente, seja na atuação de maneira ativa com projetos de extensão para que esse controle possa acontecer.

O estudo denota que a transmissão vertical é evidenciada com persistência, tendo como causa explícita a má qualidade da atenção pré-natal e neonatal, requerendo que os profissionais de saúde, especialmente o profissional enfermeiro, realize ações de qualificação e capacitação, que integrem a assistência materno-infantil, para uma melhor abordagem as gestantes com diagnóstico da sífilis. Pois, apesar das atuais políticas de saúde pública e das estratégias utilizadas, esses números continuam crescendo cada vez mais e acometendo um grande número de bebês.

REFERÊNCIAS

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[1] Graduada em Enfermagem.

[2] Mestre em Ciências Ambientais e Saúde PUC/GO.

Enviado: Abril, 2020.

Aprovado: Agosto, 2020.

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