REVISTACIENTIFICAMULTIDISCIPLINARNUCLEODOCONHECIMENTO
Pesquisar nos:
Filter by Categorias
Administração
Administração Naval
Agronomia
Arquitetura
Arte
Biologia
Ciência da Computação
Ciência da Religião
Ciências Aeronáuticas
Ciências Sociais
Comunicação
Contabilidade
Educação
Educação Física
Engenharia Agrícola
Engenharia Ambiental
Engenharia Civil
Engenharia da Computação
Engenharia de Produção
Engenharia Elétrica
Engenharia Mecânica
Engenharia Química
Ética
Filosofia
Física
Gastronomia
Geografia
História
Lei
Letras
Literatura
Marketing
Matemática
Meio Ambiente
Meteorologia
Nutrição
Odontologia
Pedagogia
Psicologia
Química
Saúde
Sem categoria
Sociologia
Tecnologia
Teologia
Turismo
Veterinária
Zootecnia
Pesquisar por:
Selecionar todos
Autores
Palavras-Chave
Comentários
Anexos / Arquivos

Avaliação alimentar entre estudantes de medicina, SP, Brasil

RC: 68856
185
Rate this post
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI
SOLICITAR AGORA!

CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

NEPONUCENO, Moyséis Ribeiro [1], FERNANDES, João Rosa [2], CAMILO, Vinicius Lopes [3], VASCONCELOS, Manuel Fernando Colares de Souza [4], KELM, Letícia [5], GOMEZ, Gustavo Pizzocaro [6], RAMOS, Jamile Fernandes [7], JÚDICE, Wagner Alves de Souza [8]

NEPONUCENO, Moyséis Ribeiro. Et al. Avaliação alimentar entre estudantes de medicina, SP, Brasil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 11, Vol. 16, pp. 105-117. Novembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/avaliacao-alimentar

RESUMO

O estudo teve como objetivo avaliar a mudança dos hábitos alimentares e os grupos de alimentos consumidos durante os três primeiros anos pelos alunos de graduação de um curso de medicina na região leste metropolitana de São Paulo, comparando estudantes que se mantêm em suas residências com os familiares e os que passam a morar longe deles. Trata-se de um estudo quantitativo e transversal no qual os dados foram obtidos através da aplicação de um questionário para avaliar a alimentação dos estudantes de acordo com o Guia Alimentar Para a População Brasileira. A amostra incluiu 147 acadêmicos de faixa etária entre 17 a 26 anos, sendo 60,5% acadêmicos do gênero feminino. Verificamos pequeno aumento da porcentagem de participantes que consomem alimentos in natura/minimamente processados e redução no consumo de processados e ultraprocessados após ingresso no curso de medicina. A porcentagem de indivíduos que moram sozinhos e antes do ingresso no curso apresentou hábito de maior consumo tanto de alimentos in natura/minimamente processados quanto processados. Cursar medicina promoveu redução na porcentagem de indivíduos consumidores de alimentos ultraprocessados independente de morar ou não com familiares. As maiores porcentagens de alunos consomem alimentos in natura/minimamente processados e processados no almoço, contudo, o consumo de ultraprocessados apresentou maior porcentagem de indivíduos no intervalo das aulas.

Palavras-chave: Avaliação alimentar, estudantes de medicina, alimentos in natura, alimentos processados, alimentos ultraprocessados.

INTRODUÇÃO

A alimentação é um direito humano e embora seja uma necessidade básica (SOUZA, 2012), ela está ligada de forma intrínseca a fatores socioculturais (BRASIL, 2005), em que as pessoas comem não só para obter nutrientes a fim de manter um equilíbrio fisiológico, mas vivenciam experiências relacionadas com seleção, escolhas, ocasiões e rituais de uma sociedade (SOUZA, 2012). Esses atributos socioculturais estão muito envolvidos com essas práticas alimentares de grupos humanos, que se entende como comportamento alimentar, em que fatores como quanto, quando, onde e com quem se come fazem diferença (RAMOS, 2000).

Os hábitos alimentares começam a se instaurar na infância e vão se consolidando, e na maioria das vezes se mantém ao longo da vida adulta (MAJEM et al., 2003). As maiores fontes de conhecimento sobre saúde e nutrição que esses indivíduos têm são a família e a escola, o que se modifica durante a adolescência e o início da juventude por causas diversas (GONZÁLES-GROSS et al., 2003). Uma dessas causas pode ser o ingresso desses jovens no ensino superior, pois na maioria das vezes é nessa fase da vida em que passam a escolher seus próprios alimentos e a cozinhá-los (CHOUDARKIS et al, 2010; ORTIZ-MONCADA et al., 2012; BURRIEL et al., 2013), pois é o período, em que muitos saem da casa dos pais e começam a morar sozinhos (FEITOSA et al., 2010), sendo que seus hábitos alimentares desse período refletirão na demanda por determinados produtos no futuro (AMO et al., 2016).

Sabe-se que o graduando passa a ter novas responsabilidades, o que consome muito do seu tempo. Com isso, passa a ter sobreposição de atividades, de modo a refletir no seu comportamento alimentar e, passa a ter uma dieta inadequada (COTA e MIRANDA, 2006). Assim, como a tendência atual é o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados (LOUZADA et al., 2015), esses indivíduos tornam-se potenciais consumidores, pois esse grupo alimentar é caracterizado por comidas de fácil consumo, e de cor, sabor, aroma e textura extremamente atraentes.

Devido a seus ingredientes, os alimentos ultraprocessados – como biscoitos recheados, salgadinhos “de pacote”, refrigerantes e macarrão “instantâneo” – são nutricionalmente desbalanceados (BRASIL, 2014). Ao aumentar a presença de alimentos dessa categoria em sua alimentação, o jovem acaba por comprometer o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados – como caldos, sopas, saladas, molhos, arroz, feijão, macarronada, refogados de legumes, verduras e farofas, pois esse tipo de alimento requer um tempo para ser comprado e preparado, ao contrário dos ultraprocessados. Também, a renda disponível, status socioeconômico, demografia, cultura (KEARNEY, 2010) e, por último, a falta de controle da família são contribuintes que influenciam a adoção de hábitos ruins que comprometem a nutrição adequada desses indivíduos (DELIENS et al., 2014). Com isso, percebe-se que o tema alimentação saudável é de elevada importancia (RANGEL-S et al., 2012), pois uma alimentação desbalanceada, com consumo excessivo de calorias, pobre em fibras e rica em açúcares, gordura e sódio, leva à uma maior propensão a desenvolver obesidade, desordens metabólicas – como diabetes, doenças cardiovasculares entre outras, de forma a prejudicar a saúde do graduando como um todo (WHO, 2000).

Dessa forma, o objetivo desse estudo foi avaliar a mudança dos hábitos alimentares e os grupos de alimentos consumidos durante o início (primeiro, segundo e terceiro ano de graduação) do curso de Medicina, comparando estudantes que se mantêm em suas residências com os familiares e os que passam a morar longe deles.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo quantitativo e transversal, cujo alvo foram os estudantes do primeiro, segundo e terceiro ano de graduação de um curso de medicina. Dos 265 alunos matriculados no segundo semestre de 2018, de ambos os sexos, foram excluídos os alunos que não cursavam sua primeira graduação ou que não forneceram as informações suficientes para a análise dos dados, independente de faixa etária, perfazendo uma amostra total de 147 acadêmicos.

Os dados foram coletados através da aplicação de um questionário utilizando a ferramenta online “Google Forms”, elaborado pelos pesquisadores, visando avaliar as características alimentares dos voluntários participantes, com base na literatura sobre a temática. Esse questionário teve como finalidade identificar dados como: idade, sexo, peso e altura (referidos), local de moradia, grupos de alimentos consumidos (in natura/minimamente processados, processados e ultraprocessados), classificados segundo o Guia Alimentar Para a População Brasileira (BRASIL, 2014), e em que refeições foram consumidas.

De acordo com esse perfil relacionamos as divergências da alimentação dos estudantes que moram sozinhos com os que moram com familiares, antes e após o ingresso na universidade.  A partir dos resultados do questionário, os dados foram tabulados em uma planilha do programa Excel, versão 16.26, foram calculados percentuais e realizados testes Qui-Quadrado de Pearson entre as variáveis, com nível de significância de 5% (p < 0,05). Os resultados foram analisados e categorizados segundo o Guia Alimentar Para a População Brasileira (BRASIL, 2014).

Todos os voluntários assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), após serem informados sobre o protocolo da pesquisa. Foram respeitados os princípios éticos estabelecidos na Resolução no 466/2012 e 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. O estudo foi avaliado pela Comissão de Ética em Pesquisa com número de processo CAAE 78875617.9.0000.5497 e parecer de aprovação número 2.398.621.

RESULTADOS

Os resultados foram obtidos através de uma amostra composta por 147 estudantes de um Curso de Medicina com idades entre 17 e 26 anos, pertencentes ao primeiro, segundo e terceiro ano do curso, sendo 60,5% mulheres (Figura 1).

Figura 1. Distribuição de idade e sexo dos estudantes de medicina entrevistados.

Fonte: os autores

Nesse estudo, em função das modificações dos números de participantes que residem ou não com familiares antes e após ingresso no curso de medicina os dados foram avaliados em porcentagem.

Verificamos pequeno aumento da porcentagem de participantes que consomem alimentos in natura/minimamente processados (crescimento de 0,7%) e redução no consumo de processados (queda de 2,1%) e ultraprocessados (queda de 13,6%) após ingresso no curso (TABELA 1). Esperava-se aumento no consumo de ultraprocessados uma vez que o curso de medicina por ser de tempo integral e alto nível de cobrança, impactaria negativamente os hábitos alimentares, que apresentou valor de p = 0,3604, sem relação significativa.

Tabela 1. Percentual do consumo diário de alimentos in natura/minimamente processados, processados e ultraprocessados, segundo o Guia Alimentar Para a População Brasileira, antes e após o ingresso na faculdade.

Participantes Total in natura/minimamente processados Processados Ultraprocessados
  n % n % n % n %
Antes do curso 147 100 138 93,9 114 77,6 83 56,5
Durante o curso 147 100 139 94,6 111 75,5 63 42,9

Amostra (n = 147). Fonte: os autores.

Antes de ingressarem na universidade, 89,1% dos estudantes moravam com os familiares e 10,9% sozinhos ou com colegas, e após o ingresso ao ensino superior, somente 35,4% residem com os familiares, e 64,6% passaram a morar sozinhos ou com colegas, compreendendo um aumento de quase 6 vezes no número de alunos que passaram a morar sozinho (TABELA 2).

Tabela 2. Percentual do consumo diário de alimentos in natura/minimamente processados, processados e ultraprocessados de acordo com o local de moradia e dos hábitos alimentares antes e após o ingresso à faculdade.

Amostra (n=147) Total In natura/minimamente processados Processados Ultraprocessados
n % n % n % n %
Antes do curso Mora com familiares 131 89,1 122 93,1 100 76,3 74 56,5
Mora sozinho 16 10,9 16 100 14 87,5 9 56,3
Durante o curso Mora com familiares 52 35,4 52 100 42 80,8 22 42,3
Mora sozinho 95 64,6 88 92,6 69 72,6 41 43,2

Fonte: os autores

Analisando se o fato do participante residir ou não com seus familiares impactaria em seu hábito alimentar, observamos que a porcentagem de indivíduos que moram sozinhos e antes do ingresso no curso apresentaram hábito de maior consumo tanto de alimentos in natura/minimamente processados (aumento de 6,9%) quanto processados (aumento de 11,25%). Ao ingressar no curso de medicina, verificamos redução na porcentagem de participantes que moram sozinhos no consumo de in natura/minimamente processados (redução de 7,4%) e processados (redução de 8,2%) comparativo aos que moram com familiares (TABELA 2). O fato de estar cursando medicina promoveu redução na porcentagem de indivíduos consumidores de alimentos ultraprocessados em 14,2% e 13,1% entre os que moram com familiares e os que moram sozinhos, respectivamente (TABELA 2).

Contudo, morar ou não com familiares não interfere na porcentagem de indivíduos consumidores de ultraprocessados, cujos valores mantiveram praticamente estáveis antes (aproximadamente 56%) e após (aproximadamente 43%) ingresso no curso de medicina. Isso denota que a família não tem peso sobre as preferências alimentares de um indivíduo adulto os quais promovem suas próprias escolhas provavelmente em função do escasso tempo.

O teste de Qui-Quadrado para verificar a relação entre morar ou não com familiares e os hábitos alimentares antes e depois do ingresso a faculdade apresentou valor de p = 0,9272, o que sugere não haver correlação.

No tocante ao período do dia em que os participantes consomem os tipos de alimentos in natura/minimamente processados, processados e ultraprocessados durante o curso de medicina, observamos que a maiores porcentagens de alunos consomem alimentos in natura/minimamente processados e processados no almoço sendo de 73,5% e 30%, respectivamente (TABELA 3), contudo, o consumo de ultraprocessados apresentou maior porcentagem de indivíduos (30%) no intervalo das aulas (TABELA 3). Isso é facilmente explicado devido ao curto espaço de tempo entre as aulas obrigando aos alunos a ingerirem alimentos rápidos.

Tabela 3. Distribuição da frequência de consumo diário de grupos alimentares pelos estudantes durante os 3 primeiros anos do curso de Medicina da FMUMC, segundo o horário da refeição.

Durante o Curso de Medicina in natura/minimamente processados Processados Ultraprocessados
n % n % n %
Café da manhã 5 3,4 14 9,5 4 2,7
Almoço 108 73,5 44 30 3 2
Intervalo 6 4,1 25 17 44 30
Jantar 17 11,5 23 15,6 11 7,5
Não soube responder/ Não consomem 11 7,5 41 27,9 85 57,8
Total 147 100 147 100 147 100

Fonte: os autores.

DISCUSSÃO

Em relação aos hábitos alimentares dos estudantes de medicina da UMC, foi encontrado um alto consumo de alimentos in natura/minimamente processados, uma vez que 94,6% deles consomem diariamente esse tipo de alimento. Esse resultado é muito superior ao encontrado nos estudos de Kretschmer et al., (2015) e Santos et al (2014) que observaram um consumo diário de alimentos dessa categoria de aproximadamente 60% entre os estudantes.  Outros estudos também encontraram valores menores para a ingestão de in natura/minimamente processados, com estudantes consumindo verdura, legumes e frutas em uma frequência menor que 7 dias na semana (CORREIA, 2016; RAMALHO et al., 2012; LEITE et al., 2012).

Observou-se em nosso estudo que o maior consumo de alimentos in natura/minimamente processados ocorreu principalmente no almoço (73,5% dos entrevistados). Esse dado é compatível aos achados de Busato et al., (2015) que verificou maior consumo de arroz, feijão, carne e salada no horário do almoço dentre 89% dos universitários.

A população brasileira passa atualmente por uma transformação nos hábitos alimentares, de modo que há uma tendência à diminuição do consumo de alimentos in natura/minimamente processados e aumento dos processados e ultraprocessados (MUNIZ et al., 2013; MARTINS et al., 2013). Somando-se a isso, a população universitária é predominantemente jovem, com falta de habilidades culinárias e, bem como de tempo livre para se dedicar ao preparo dos seus alimentos (CORREIA, 2016; CAFURE et al., 2018). Desta forma, especialmente os alimentos ultraprocessados, tornam-se ainda mais atrativos, pois são práticos, mais saborosos, de baixo custo, com maior durabilidade e não necessitam de nenhum ou quase nenhum preparo culinário (BRASIL, 2014; MUNIZ et al, 2013).

Entre os estudantes de medicina da UMC, mesmo com essa tendência atual da população e outros fatores que contribuem para piora dos hábitos alimentares, observamos uma redução no número de indivíduos que consomem alimentos processados e ultraprocessados diariamente de 13,6% em relação aos ultraprocessados e 2,1% aos processados, acompanhados de aumento de 0,7% dos que consomem in natura/minimamente processados, após ingressarem na universidade. Os estudos de Georgiau et al., (1997)  e Franca e Colares (2008) também relataram melhora na alimentação de  estudantes após ingressarem na universidade.

Diferentemente a esses achados, estudos que avaliaram a alimentação de universitários após ingressarem na universidade mostraram resultados diferentes. CARDOSO (2016) observou aumento no consumo de alimentos ultraprocessados e diminuição de in natura/minimamente processados. Vários estudos similares também encontraram piora nos hábitos alimentares dos estudantes entrevistados (CORREIA, 2016; MCARTHUR et al, 2018; BORGES, 2004).

As alterações na porcentagem de alunos que consomem alimentos ultraprocessados e in natura/minimamente processados em nosso e em outros estudos mostraram a importância das instituições de ensino superior (faculdades e universidades) da área saúde como forma de motivar os estudantes a melhorarem seus hábitos alimentares (CORREIA, 2016), pois as práticas alimentares ruins tem invadido o eixo familiar brasileiro (MARTINS et al., 2013). Desta forma, a presença da família que antes era um fator de proteção contra maus hábitos alimentares para os universitários, pode não ser mais, como obervado nesse estudo e TEO et al., (2014), em que a presença da família não impactou o comportamento  alimentar dos universitários.

Apesar dessa melhora nos hábitos alimentares dos estudantes após ingressarem na universidade, ainda é alto o consumo de alimentos ultraprocessados uma vez que 42,9% dos entrevistados consumiam esse tipo de alimento diariamente, contudo, essa porcentagem é menor do que a observada por SIMÃO et al., (2006), em que 73% dos universitários apresentaram ingesta de ultraprocessados. Por outro lado, no estudo de Correia (2016), apenas 25% dos alunos consumiam diariamente ultraprocessados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É importante a redução do consumo de alimentos ultraprocessados e aumento dos in natura/minimamente processados, pois os ultraprocessados são alimentos que aumentam o risco do surgimento de sobrepeso, obesidade (CARDOSO, 2016), diabetes mellitus, hipertensão arterial e outras doenças crônicas não transmissíveis (MONTEIRO e CASTRO, 2009). Além disso, a redução no consumo de alimentos in natura/minimamente processados é um dos dez principais fatores de riscos para ocorrência dessas patologias (LEITE et al., 2012).

Desta forma, além de ter sido observado aumento na porcentagem de alunos que consomem alimentos in natura/minimamente processados após ingresso na universidade, a porcentagem de alunos que consomem esse tipo de alimento é elevada dentre os participantes. Esses dados são interessantes, pois esse tipo de alimento é considerado um marcador de alimentação saudável (CORREIA, 2016).

Assim, é de extrema importância o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis como método preventivo de doenças e consequentemente melhora na qualidade de vida (MONTEIRO e CASTRO, 2009).

REFERÊNCIAS

AMO, E.; ESCRIBANO, F.; GARCIA-MESEGUER, M.J.; PARDO, I.  Are the eating habits of university students different to the rest of the Spanish population? Food availability, consumption and cost. Spanish journal of agricultural research, v. 14, n. 2, p. 1, 2016.

BORGES, C.M.; LIMA, F.D.O. Hábitos alimentares dos estudantes universitários: um estudo qualitativo. Seminário em Administração, FEA-USP, 2004.

BRASIL – Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Departamento de Atenção Básica. O que é uma alimentação saudável? considerações sobre o conceito, princípios, características: uma abordagem ampliada, 2005

BRASIL – Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed., 1. reimpr.–Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

BUSATO, M.A.; PEDROLO, C.; GALLINA, L.S.; ROSA, L. Ambiente e alimentação saudável: percepções e práticas de estudantes universitários. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, v. 36, n. 2, p. 75-84, 2015.

BURRIEL, F.C.; URREA, R.S.; GARCÍA, V.C.; TOBARRA, M.M.; MESEGUER, M.J.G. Hábitos alimentarios y evaluación nutricional en una población universitaria. Nutrición Hospitalaria, Madrid, v. 28, n. 2, p. 438-446, 2013.

CAFURE, F.; SCHIMIDT, J.; DURÉ, L.S.; FUBETA, P.H.; MORAES, R, GABAN, R.A.S. Prevalência de excesso de peso e obesidade central em acadêmicos do curso de Medicina da Universidade UNIDERP. RBONE-Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, São Paulo, v. 12, n. 69, p. 94-100, 2018.

CARDOSO, G.A. Consumo alimentar e estilo de vida: um estilo longitudinal com estudantes universitários. 2016. 203 f. Tese (Doutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos), Escola superior de agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba , 2016.

CHOURDAKIS, M. Eating habits, health attitudes and obesity indices among medical students in northern Greece. Appetite, v. 55, n. 3, p. 722-725, 2010.

CORREIA, B.A. Determinantes do consumo de alimentos processados e ultraprocessados em estudantes da Universidade de Brasília (UnB). 2016. 61 f. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em Nutrição), Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

COTA, R.P.; MIRANDA, L.S. Associação entre constipação intestinal e estilo de vida em estudantes universitários. Revista brasileira nutrição clínica, Porto alegre, v. 21, n. 4, p. 296-301, 2006

DELIENS, T.; CLARYS, P.; BOURDEAUDHUIJ, I.D.; DEFORCHE, B. Determinants of eating behaviour in university students: a qualitative study using focus group discussions. BMC public health, v. 14, n. 1, p. 1-12, 2014.

FEITOSA, E.P.S.; DANTAS, C.A.O.; ANDRADE-WARTHA, E.R.S.; MARCELLINI, P.S.; MENDES-NETTO R.S. Hábitos alimentares de estudantes de uma universidade pública no Nordeste, Brasil. Alimentos e Nutrição Araraquara, Araraquara, v. 21, n. 2, p. 225-230, 2010.

FRANCA, C.; COLARES, V. Estudo comparativo de condutas de saúde entre universitários no início e no final do curso. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 42, p. 420-427, 2008.

GONZALEZ-GROSS, M.; CASTILLO, M. J.; MORENO, L.; NOVA, E.; GONZALEZ-LAMUÑO, D.; PÉREZ-LLAMAS, F.; GUTIÉRREZ, A.; GARAULET, M.; JOYANES, M.; LEIVA, A.; MARCOS, A. . Alimentación y valoración del estado nutricional de los adolescentes españoles (Estudio AVENA): Evaluación de riesgos y propuesta de intervención. I. Descripción metodológica del proyecto. Nutr. Hosp., Madrid, v. 18, n. 1, p. 15-28, 2003

GEORGIAU, C.C.; BETTS, N.M.; HOERR, S.L.; KEIM, K.; PETERS, P.K.; STEWART, B.; VOICHICK, J. Among young adults, college students and graduates practiced more healthful habits and made more healthful food choices than did nonstudents. Journal of the American Dietetic Association, v. 97, n. 7, p. 754-759, 1997.

KEARNEY, J. Food consumption trends and drivers. Philosophical transactions of the royal society B: biological sciences, v. 365, n. 1554, p. 2793-2807, 2010.

KRETSCHMER, A.C.; RODRIGUES, G.O.; RISTOW, A.S.; PEIXOTO, N.C. Estado nutricional e hábitos alimentares de acadêmicos de uma universidade do norte do Rio Grande do Sul. Saúde (Santa Maria), Santa Maria, v. 41, n. 2, p. 121-128, 2015.

LEITE, A.C.B.; GRILLO, L.P.; CALEFFI, F.; MARIATH, A.B.; STUKER, H. Qualidade de vida e condições de saúde de acadêmicos de nutrição. Revista Espaço para Saúde, Londrina, v. 13, n. 1, p. 82-90, 2012.

LOUZADA, M.L.C; MARTINS, A.P.B.; CANELLA, D.S.; BARALDI, L.G.; LEVY, R.B.; CLARO, R.M, et al. Alimentos ultraprocessados e perfil nutricional da dieta no Brasil. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 49, 2015.

MAJEM, L.S.; BARBA, L.R.; RODRIGO, C.P., VINÃS, B.R.; BATRINA, J.A. Hábitos alimentarios y consumo de alimentos en la población infantil y juvenil española (1998-2000): variables socioeconómicas y geográficas. Medicina clínica, v. 121, n. 4, p. 126-131, 2003.

MARTINS, A.P.B.; LEVY, R.B.; CLARO, R.M.; MOUBARAC, J.C.; MONTEIRO, C.A. Participação crescente de produtos ultraprocessados na dieta brasileira (1987-2009). Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 47, p. 656-665, 2013

MCARTHUR, L.H.; FASCZEWSKI, K.S.; WARTINGER, E.; MILLER, J. Freshmen at a university in Appalachia experience a higher rate of campus than family food insecurity. Journal of community health, v. 43, n. 5, p. 969-976, 2018.

MONTEIRO, C.A.; CASTRO, I.R.R. Por que é necessário regulamentar a publicidade de alimentos. Ciência e Cultura, v. 61, n. 4, p. 56-59, 2009.

MUNIZ, L.C.; ZANINI, R.V; SCHNEIDER, B.C.; TASSITANO, R.M.; FEITOSA, W.M.N.; GONZÁLEZCHICA, D.A. Prevalência e fatores associados ao consumo de frutas, legumes e verduras entre adolescentes de escolas públicas de Caruaru, PE. Ciência & Saúde Coletiva, v. 18, n. 2, p. 393-404, 2013.

ORTIZ-MONCADA, R.; NAVARRO, A.I.N.; MARTI, A.Z.; SÁEZ, J.F.; BLANES, M.C.D. ¿ Siguen patrones de dieta mediterránea los universitarios españoles?. Nutrición Hospitalaria, Madrid, v. 27, n. 6, p. 1952-1959, 2012.

RAMALHO, A.A.; DALAMARIA, T.; SOUZA, O.F. Consumo regular de frutas e hortaliças por estudantes universitários em Rio Branco, Acre, Brasil: prevalência e fatores associados. Cad. Saúde Pública, v. 28, n. 7, p. 1405-1413, 2012.

RAMOS, M.; STEIN, L.M. Desenvolvimento do comportamento alimentar infantil. Jornal de Pediatria, Rio de janeiro, v. 76, n. Supl 3, p. 229-237, 2000

RANGEL-S, M.L.; LAMEGO, G.; GOMES, A.L.C. Alimentação saudável: acesso à informação via mapas de navegação na internet. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 22, p. 919-939, 2012.

SANTOS, A.K.G.V.; REIS, C.C.; CHAUD, D.M.A.; MORIMOTO, J.M. Qualidade de vida e alimentação de estudantes universitários que moram na região central de São Paulo sem a presença dos pais ou responsáveis. Revista Simbio-Logias, São Paulo, v. 7, n. 10, p. 76-99, 2014.

SIMÃO, C.B.; NAHAS, M.V.; OLIVEIRA, E.S.A. Atividade física habitual, hábitos alimentares e prevalência de sobrepeso e obesidade em universitários da Universidade do Planalto Catarinense-UNIPLAC, Lages. SC. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde, Lages, v. 11, n. 1, p. 3-12, 2006.

SOUZA, E.C.M.P.  Alimentação como cerimônia indispensável do convívio humano. 2012. 19 f. Monografia (Pós-Graduação em Gestão de Projetos Culturais e Organização de Eventos) – Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012

TEO, C.R.P.A.; SÁ, C.A.; DALL’AGNOL, P, WELTER, S. Ambiente alimentar e vulnerabilidade de adolescentes universitários: um estudo com foco no convívio familiar. Revista Brasileira de Pesquisa em Saúde, v.16, n.1, p. 49-58, 2014.

WHO – World Health Organization. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO consultation on obesity. Geneva: World Health Organization; 2000.

[1] Estudante de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes, UMC.

[2] Estudante de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes, UMC.

[3] Estudante de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes, UMC.

[4] Estudante de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes, UMC.

[5] Estudante de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes, UMC.

[6] Estudante de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes, UMC.

[7] Mestre em Nutrição em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública  e professora da Universidade de Mogi das Cruzes, Mogi das Cruzes, UMC.

[8] Doutor em Biologia Celular e Molecular, professor e pesquisador da Universidade de Mogi das Cruzes, UMC, Centro Interdisciplinar de Investigação Bioquímica, Mogi das Cruzes, SP, Brasil.

Enviado: Outubro, 2020.

Aprovado: Novembro, 2020.

Rate this post
Wagner Alves de Souza Júdice

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POXA QUE TRISTE!😥

Este Artigo ainda não possui registro DOI, sem ele não podemos calcular as Citações!

SOLICITAR REGISTRO
Pesquisar por categoria…
Este anúncio ajuda a manter a Educação gratuita