Prevalência do diagnóstico de infecção urinária durante a gestação: revisão integrativa

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CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

ALENCAR, Celiane Vieira Silva [1], Leite, Cristina Limeira [2]

ALENCAR, Celiane Vieira Silva. Leite, Cristina Limeira. Prevalência do diagnóstico de infecção urinária durante a gestação: revisão integrativa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 10, Vol. 08, pp. 60-74. Outubro 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/prevalencia-do-diagnostico

RESUMO

A infecção urinária é uma patologia que acomete mulheres de todas as idades. Prevalecendo o maior número de casos quando esta mulher se encontra gestante, onde sua vulnerabilidade se torna ainda maior devido às mudanças fisiológicas que ocorrem durante esse processo. Nesta perspectiva, a problemática de tal estudo é responder ao questionamento: qual a prevalência de casos de infeção urinaria (ITU) durante a gestação e qual período da gestação mais ocorre mais casos de ITU? O objetivo deste trabalho é relatar a prevalência de infecção urinária durante a gestação e demonstrar o período da gestação no qual foram identificados mais casos de infecção urinária. Para tal, foi realizada uma revisão integrativa da literatura utilizando os descritores indexados em Descritores em Ciências da Saúde, sendo selecionados 5 artigos publicados no período de 2008 a 2020. Observou-se que todos os estudos pesquisados enfocavam como temática em comum sobre a ocorrência da infecção urinária na gestação. Quanto aos resultados, verificou-se que os estudos apresentaram divergências quanto a prevalência de infecção urinária durante a gravidez e em relação ao período da gestação que mais ocorre os casos de ITU, foi verificado maior ocorrência ao longo do terceiro trimestre de gestação, entretanto também há queixas a partir do segundo trimestre de gestação, seguindo até o terceiro trimestre. Conclui-se que se todos os profissionais agissem conforme preconizado pelo Ministério da Saúde, quanto ao acompanhamento das gestantes, com um pré-natal de qualidade, evitariam muitos casos de ITU e/ou mesmo minimizariam os problemas relacionados a ela. Se a infecção urinária não for tratada corretamente e logo que se suspeita dela, pode haver complicações graves tanto para a mãe como ao bebê.

Palavras-chaves: Diagnóstico, Infecção urinária, Gravidez.

1. INTRODUÇÃO

A infecção urinária é uma patologia que acomete mulheres de todas as idades, isso se dá pela própria anatomia do corpo da mulher. Prevalecendo o maior número de casos quando esta mulher se encontra gestante, onde sua vulnerabilidade se torna ainda maior devido às mudanças fisiológicas que ocorre durante esse processo. Para Duarte et al. (2002) a infecção do trato urinário representa uma das doenças infecciosas mais comuns que acometem a mulher durante o período gestacional.

A infecção urinária é caracterizada devido a permanência de agentes de origem infecciosos e da invasão dos tecidos urinários, e decorrente disso pode ser classificada segundo a sua localização, podendo assim ser uma infecção alta ou baixa (GUERRA et al., 2012), que pode ou não apresentar sintomas, exigindo um olhar atento da equipe de saúde que acompanha essa mulher gestante para que haja o tratamento adequado, seguido da cura.

Caso a infecção urinaria não for tratada corretamente e logo que se suspeita dela, pode haver complicações graves tanto para a mãe como para o bebê, sendo a principal causa de sepse ao longo da gestação, associando-se a prematuridade, ruptura prematura de membranas amnióticas, aborto – se for logo ao primeiro trimestre da gestação sem ser tratada -, prematuridade, baixo peso após nascer e óbito perinatal, podendo causar, ainda, esterilidade (DARZÉ; BARROSO; LORDELO, 2011).

Esse quadro geralmente acontece em qualquer fase da gestação seja no primeiro, segundo ou terceiro trimestre, devido as alterações que as mulheres passam, seja emocional, física e fisiológica, que as tornam mais vulneráveis a infecção do trato urinário (ITU). Esta é a terceira intercorrência clínica mais comum na gestação, acometendo de 10% a 12% das gestantes (BARROS, 2013).

Esse é um dos motivos que o ministério da saúde recomenda iniciar o acompanhamento da gestante no primeiro trimestre da gravidez e a realização de no mínimo 6 consultas de pré-natal e exames laboratoriais. Desde que ocorra a atenção qualificada do pré-natal esses problemas já frisados podem ser evitados ou minimizados (NARCHI; KURDEJAK, 2008).

Nesta perspectiva, a problemática de tal estudo é responder o questionamento: qual a prevalência de casos de infeção urinaria (ITU) durante a gestação e qual período da gestação mais ocorre mais casos de ITU?

Portanto, essa pesquisa tem como objetivo relatar a prevalência de infecção urinária durante a gestação e demonstrar o período da gestação no qual foram identificados mais casos de infecção urinária por meio de uma revisão integrativa da literatura, entre os anos de 2008 a 2020.

2. METODOLOGIA

Estudo realizado através de uma revisão integrativa da literatura sobre a prevalência do diagnóstico de infecção urinária na gestação entre os anos de 2008 a 2020.

A revisão integrativa é um método que faz a análise e sintetiza os resultados obtidos em pesquisa. A revisão integrativa é feita de maneira abrangente, sistemática e ordenada. Esse método auxilia para tomada de decisões e ações, bem como é considerada ferramenta para os profissionais da área da saúde, que em sua maioria não possuem tempo para realizar uma leitura de todo material disponibilizado em periódicos (POMPEO; ROSSI; GALVÃO, 2009).

Para a realização da revisão integrativa, seguiu-se algumas etapas, são elas: identificar o tema, elaborar a questão norteadora, delimitar a pesquisa através dos critérios de inclusão e exclusão, definir quais a informações que deveram ser retiradas das pesquisas escolhidas, avaliar o material escolhido, interpretar os resultados obtidos bem como apresentá-los (MENDES et al., 2008). Este estudo teve como questão norteadora: Qual a prevalência de casos de infecção urinária (ITU) durante a gestação e qual período da gestação ocorre mais casos de ITU?

O levantamento bibliográfico foi realizado na primeira quinzena de fevereiro de 2021 nas seguintes bases de dados: Base de Dados da Enfermagem (BDENF); Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências de Saúde (LILACS), Biblioteca Virtual em Saúde (BIREME) e Scientific Electronic Library Online (SCIELO).

Para o levantamento dos artigos utilizou-se como descritores aqueles indexados nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), a saber: Diagnóstico; Infecção urinária; gravidez; prevalência. A partir deste levantamento, identificou-se que mesmo com tanta informação a respeito dessa patologia que acomete com frequência mulheres gestantes, ainda existem poucos artigos publicados com essa temática. Elegeram-se como critérios de inclusão: artigos completos e disponíveis eletronicamente nas bases de dados supracitadas, publicados entre os anos de 2008 e 2020, nos idiomas português, espanhol e inglês. Foram excluídos desta revisão os artigos encontrados em duplicidade nas bases de dados utilizadas e que não correspondessem ao objetivo do estudo.

Em princípio, utilizando os descritores, diagnóstico, infecção urinária, gravidez e prevalência, foram encontrados 876 estudos. Destes 861 na base BIREME onde deste quantitativo apenas 2 contemplaram o objetivo do estudo, na base LILACS 10 foram encontrados, sendo que apenas 3 contemplaram o objetivo do estudo, e 5 foram encontrados na base SCIELO e apenas 3 contemplaram o objetivo do estudo, sendo que foram os mesmos encontrados na base de dados LILACS. Ao término do levantamento encontrou-se apenas 5 (cinco) artigos que atendiam aos critérios de inclusão e exclusão e respondiam à questão norteadora.

A coleta das informações a serem extraídas dos estudos selecionados se deu através de um instrumento adaptado (SILVEIRA, 2005) ao tema que foi apresentado, foi levado em consideração o título do artigo, o ano a qual foi publicado, o título do periódico, o delineamento da pesquisa; a metodologia; os objetivos, os resultados bem como as conclusões.

A avaliação crítica foi realizada através da leitura na íntegra dos materiais que foram selecionados, e posteriormente realizando a elaboração de quadros contendo as principais informações sobre cada trabalho como: título do estudo; período realizado a pesquisa; ano da publicação do trabalho; metodologia aplicada, objetivos do trabalho, os sujeitos empregados ao estudo; os resultados obtidos e conclusões. Os artigos foram organizados em ordem decrescente em relação ao que foi publicado, e os dados foram organizados de acordo com a definição das informações que desejava-se retirar.

3. RESULTADOS

Os artigos incluídos nesta revisão foram publicados entre 2008 e 2020. Todos são resultantes de pesquisas nacionais, realizadas por docentes e/ou discentes ligados a Departamentos de Enfermagem de universidades públicas. Com relação aos sujeitos envolvidos nos estudos analisados, observou-se que se tratava de gestantes na faixa etária de 14 a 46 anos de idade, em todas as fases da gestação, desde o primeiro ao terceiro trimestre.

Acerca da metodologia empregada nos estudos selecionados, 1 utilizou os prontuários de pré-natal das gestantes atendidas, 3 realizaram entrevistas com as pesquisadas após elas terem sido esclarecidas sobre o objetivo do estudo e assinou o termo de consentimento livre e esclarecido, 1 utilizou tanto a ficha de pré-natal da gestante quanto entrevistas com questões abertas e fechadas após as pesquisadas terem assinado o termo de consentimento livre e esclarecido. Quanto ao delineamento do estudo um abordou estudo transversal e descritivo, um abordou estudo analítico prospectivo do tipo transversal, um abordou estudo prospectivo de corte transversal, um abordou estudo transversal de natureza quantitativa, e um abordou estudo descritivo com abordagem quantitativa.

Quadro 1 – Estudos incluídos na revisão integrativa sobre Diagnóstico de infecção urinária na gestação: revisão integrativa.

BASE DE DADOS/ANO SUJEITOS DE ESTUDO METODOLOGIA DELINEAMENTO DO ESTUDO
01 Lilacs/2013 Feito com 124 gestantes (amostra consitária) que deram entrada no pré-natal e período compreendido entre julho de 2009 e junho de 2010. Analisado ficha de pré-natal e entrevistas com questões abertas e fechadas. Quantitativa
02 Lilacs/2012 Feito com 164 gestantes admitidas na enfermaria de gestação de alto risco do Instituto de Medicina Integral em Recife de janeiro a junho de 2011. Através de entrevistas depois que todas assinaram o termo de consentimento livre esclarecido. Analítico, prospectivo/transversal
03 Bireme/2011 Feito com 504 prontuários de pré-natal de gestantes atendidas pelo ISEA entre 1° de janeiro a 31 de dezembro de 2009. Utilizou-se prontuários de pré-natal das gestantes atendidas. Quantitativo
04 Lilacs/2011 Feito com 260 gestantes, atendidas em ambulatório de pré-natal de baixo risco do Ambulatório Docente da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública. Através de entrevistas após terem assinado o termo de consentimento livre e esclarecido. Corte Transversal
05 Bireme/2008 Feito com 100 puérperas internadas no alojamento conjunto de uma maternidade filantrópica do município de São Paulo. Através de entrevistas após terem assinado o termo de consentimento livre e esclarecido. Quantitativo

Fonte: autora da pesquisa (2021).

Os objetivos dos estudos de Barros (2013); Guerra et al. (2012); Kluczynik (2011); Darzé; Barroso e Lordelo (2011); Kurdeiak (2008), enfocam como temática a ocorrência de infecção urinária na gestação, porém cada um com uma particularidade em especial. O estudo de Barros (2013), seguindo a ordem do quadro acima, tem como objetivo verificar a prevalência de infecção urinária na gravidez e sua correlação com a dor lombar, bem como analisar a assistência de pré-natal e orientações prestadas por duas enfermeiras durante o atendimento a gestante; no estudo de Guerra et al. (2012), o objetivo é identificar a acurácia do exame de urina simples para diagnóstico de infecção urinária em gestantes de alto risco; no terceiro estudo, Kkuczynik (2011), o objetivo é avaliar a ocorrência de infecções geniturinárias em gestantes atendidas no Instituto de Saúde Elpídio de Almeida, identificando a cobertura de exames no pré-natal os agentes etiológicos e o perfil de sensibilidade aos antimicrobianos; no estudo de Darzé; Baroso e Lordelo (2011), é estimado a prevalência de bacteriúria assintomática entre gestantes atendidas em pré-natal de serviço universitário e identificado as prováveis preditores clínicas; já o estudo de Kureiak (2008), tem como objetivo verificar a ocorrência e o registro das infecções geniturinárias em gestantes.

Quanto aos resultados, verifica-se que nos estudos de: Barros (2013); Guerra et al. (2012); Kluczynik (2011); Darzé; Barroso e Lordelo (2011); Kurdeiak (2008), encontraram porcentagem de gestantes que apresentaram ITU em alguma fase da gestação a infecção do trato urinário, mudando de um estudo para o outro apenas a porcentagem de mulheres encontradas, uns com porcentagens baixas outras relativamente altas.

Esses estudos concluem, que há uma falta de conhecimento adequado das mulheres quanto a real presença de infecção do trato urinário durante a gestação, que o registro sobre essa patologia é deficiente seja nos prontuários ou cartão da gestante, e que essa problemática necessita de um tratamento adequando e seguimento do tratamento, e que muitos profissionais ainda não dão a devida atenção durante o pré-natal para essa evidência e que a forma de diagnóstico preconizado pelo ministério da saúde que é o exame simples de urina não é totalmente seguro, necessitando da padronização da urocultura onde realmente pode-se concluir um diagnóstico de ITU com segurança, e que muitas vezes o profissional ainda precisa se aperfeiçoar pois muitos ainda não sabem interpretar de forma precisa esses exames e que os profissionais de saúde precisam rever o modo de como assistem o pré-natal, especialmente ao que se refere a informação das mulheres e ao registro adequado de resultados de exames e de condutas apropriadas.

No quadro 2 mostra as particularidades de cada estudo segundo título, objetivo do estudo, resultados e conclusões.

Quadro 2 – Estudos incluídos na revisão integrativa, segundo título, objetivo do estudo, resultados e conclusões.

AUTOR/ANO TÍTULO OBJETIVO DO ESTUDO RESULTADOS CONCLUSÕES
BARROS, 2013 Infecção urinária gestação sua correlação com a lombar versus intervenções de enfermagem Verificar prevalência infecção urinária na gravidez e correlação com dor lombar, como analisar assistência de pré-natal e orientações prestadas por duas enfermeiras durante atendimento gestante Sobre a ocorrência de infecção urinária durante a última gravidez, 51% das mulheres relataram infecção do trato urinário (ITU), 38% negaram, 3% disseram não recordar ou desconhecer dessa informação e 8% informaram infecção genital A prevalência de ITU na gestação foi de 42% para o GI e 33% para o GII. A lombalgia foi a principal sintomatologia referida pelas gestantes com diagnóstico confirmado de ITU. Observou-se progressiva difusão dos conhecimentos em saúde e educação durante assistência pré-natal prestada pelo profissional do GII como possível associação da redução de incidência de ITU.
GUERRA et al., 2012 Exame simples urina diagnóstico de infecção urinária gestantes de alto risco Identificar acurácia do exame de urina simples para diagnóstico de Infecção urinária em gestantes alto risco Quando se considerou o critério diagnóstico de bacteriúria /infecção urinária apenas pela presença de mais de 4 piócitos por campo, o exame simples de urina foi considerado sugestivo de infecção urinária em 72 mulheres (43,9%) das quais 63 (87,5%) eram assintomáticas Na presença de alteração de exames simples de urina não necessariamente está em curso uma infecção urinária, sendo necessária a realização da urocultura. Porém, quando o exame simples de urina for normal, a urocultura pode ser dispensada
KLUCZYNIK, 2011 Ocorrência de infecções do trato geniturinário. Em gestantes atendidas no Instituto de Saúde Elpídio De Almeida (ISEA), Campina Grande- PB Avaliar a ocorrência de infecções geniturinárias em gestantes atendidas no ISEA, identificando a cobertura de exames no pré-natal os agentes etiológicos e o perfil de sensibilidade aos antimicrobianos Foram considerados válidos 411 prontuários. Observou-se que na faixa etária entre 12-18 anos houve maior frequência de ITU (30%) Conclui-se que não há relação significativa entre a presença de ITU e piúria. Desta forma urocultivo deveria ser o método de escolha para diagnóstico de ITU em gestantes de alto risco, independente de sintomatologia e piúria
DARZÉ; BARBOSA e LORDELO, 2011 Preditores clínicos de bacteriúria assintomática na gestação Estimar a prevalência de bacteriúria assintomática entre atendidas em de serviço universitário e identificar preditores clínicos Foram rastreadas 260 gestantes, onde episódio prévio de infecção do trato urinário foi relatado por 42,3% das mulheres A prevalência de bacteriúria na população estudada é alta. A escore Preditor criado com o modelo final de regressão logística possui uma acurácia de 91,9% para bacteriúria
NARCHI e KURDEIAK, 2008

 

Ocorrência e registro de infecções do trato geniturinário na gestação Verificar a ocorrência e o registro das geniturinárias gestantes Os dados coletados por meio da entrevista com 100 puérperas mostraram que 51% das mulheres referiram infecção urinária na gestação É possível concluir que os profissionais de saúde precisam rever o modo como assistem o pré-natal, especialmente no que se refere a informação da mulher e ao registro adequado de resultados de exames e de condutas apropriadas

Fonte: autora da pesquisa (2021).

4. DISCUSSÃO

Visto que esta é uma revisão integrativa que propõe sintetizar estudos sobre diagnóstico de infecção urinária na gestação, observa-se que os estudos de: Barros (2013); Guerra et al. (2012); Kluczynik (2011); Darzé, Barroso e Lordelo (2011); Kurdeiak (2008), foram analisados, mesmo que com algumas particularidades que diferenciam um pouco a evolução do trabalho um do outro, concluíram sobre a ocorrência de infecção urinária em algum período da gestação, sendo ele relatado por meio de entrevistas ou simplesmente comprovado através de exames simples de urina preconizado pelo atendimento de pré-natal ou urocultura.

Percebe-se pelos estudos que todas as mulheres são suscetíveis a desenvolver infecção do trato urinário (ITU) em alguma fase da vida, mas que há uma predisposição maior quando esta mulher se encontra gestante. Isso pode ser justificado através das alterações hormonais peculiares a essa fase, as quais favorecem a colonização vaginal por bactérias nefritogênicas que migrando para parte Peri uretral podem ascender pelo trato urinário e causar a ITU (KLUCZYNIK, 2011).

É interessante destacar outra patologia que é bem parecida com a infecção urinária e é relatada em alguns desses estudos, pois se o profissional da área não souber interpretar da forma certa os exames laboratoriais poderá se confundir na hora de fechar o diagnóstico, a chamada bacteriúria assintomática que é definida como o isolamento de bactérias na urina, quando a quantidade contida na urina for igual ou superior a 105 unidades formadoras de colônias por mililitros, sem sinais ou sintomas locais ou sistêmicos de infecção (GUERRA et al., 2012).

Para Lenz (2006, p. 8) apud Williams (1988), na gravidez: “a bacteriúria persiste durante a gestação, e está presumivelmente relacionada com as alterações anatômicas e fisiológicas que ocorrem no aparelho urinário destas mulheres”.

Salientando que tanto bacteriúria quanto as infecções urinárias podem ser assintomáticas e ambas podem ser detectadas através de exames laboratoriais como exames simples de urina e urocultura, porém a ITU também pode ser sintomática, tanto localmente como na forma sistêmica.

Dos 5 estudos analisados 3 relatam que a principal causadora da ITU é a bactéria chamada Escherichia Coli, relatada em 59,4% segundo Darzé; Barroso e Lordelo (2011); 28% das infecções segundo Guerra et al. (2012), cerca de 98% dos casos de infecção urinária segundo Kluczynik (2011).

Destaca-se que isso pode ocorrer devido à má higienização realizada pelas mulheres, já que a Escherichia Coli é uma bactéria presente na flora intestinal e que fora do seu sítio pode se tornar patogênica, essa situação de má ou até mesmo a falta de higienização está bem explanada no estudo de Barros (2013), onde a população estudada foi dividida em dois grupos de atendimento com enfermeiras diferentes, onde no grupo I após as eliminações vesicointestinais e coito na gravidez, observou-se que a maior proporção (50%) higienizava-se, limpando com papel higiênico em movimentos de frente para trás e 33% no sentido poster anterior e 17% não realizavam nenhuma higiene. Já no grupo II, 83% limpavam-se com papel higiênico no sentido anteroposterior, 17% no sentido poster anterior e 66% realizavam a lavagem da região genital, conforme orientações da enfermeira II do pré-natal.

Observou-se, ainda no estudo de Barros (2013) que após as evacuações o GI 50% realizava da maneira errada poster anterior e apenas 16% das gestantes realizavam a lavagem da região genital. O GII conservou-se o sentido da higienização anteroposterior e 66% das gestantes realizavam a lavagem da região genital.

Em relação a prevalência de casos de infecção urinaria (ITU) durante a gravidez e a qual período mais ocorre esses casos os estudos apontam o seguinte:

  • No estudo de Barros (2013), a prevalência de Infecção Urinaria durante a gestação teve dois resultados, já que foram analisados dois grupos de pessoas, o primeiro grupo obteve um resultado de 42% de prevalência de infecção urinaria, o grupo continha 62 gestantes que iniciaram o pré-natal no segundo semestre do ano de 2009 e tiveram assistência pré-natal durante seis meses. O segundo grupo obteve o percentual de 33%, com 62 pessoas que iniciaram o pré-natal no primeiro semestre do ano de 2010. A principal sintomatologia referida pelas gestantes deste estudo foi a Lombalgia. Os dois grupos apresentaram queixas e consequentemente ocorrência dos casos no início do segundo e no terceiro trimestre da gestação;
  • No estudo de Guerra et al. (2012), 164 gestantes foram analisadas no primeiro semestre de 2011 admitidas na enfermaria de Gestação de Alto Risco do Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira. Apresentaram queixas no terceiro trimestre de gestação. Foi observado que, quando o exame simples de urina foi normal (utilizando apenas o critério de piócitos), apenas em 13% a cultura de urina foi discordante, isto é, positiva, assim resultando em um valor preditivo negativo para o exame simples de urina de 86,9%. Porém, é importante destacar que, quando acrescentamos à presença de nitritos como critério diagnóstico, a especificidade do exame simples de urina aumenta de 62,5% para 98,5%, mantendo o valor preditivo negativo semelhante;
  • No estudo de Kluczynik (2011), nos 52 exames de urocultura realizados a prevalência foi 25% testando positivo para infecção urinaria sendo isolados: Escherichia coli (38%), Staphylococcus epidermidis (31%), Staphylococcus aureus (15%), Staphylococcus (8%), Enterobacter sp. (8%). As incidências de infecção urinarias apresentadas pelas gestantes nesses estudos foi durante o terceiro trimestre de gravidez;
  • No estudo realizado por Darzé; Barbosa e Lordelo (2011), foram rastreadas 260 gestantes, e 42,3% dessas gestantes relataram episódio prévio de infecção do trato urinário, também houve uma alta prevalência de bacteriúria na população estudada. A escore Preditor criado com o modelo final de regressão logística possui uma acurácia de 91,9% para bacteriúria, as queixas foram de caso de ITU durante o terceiro trimestre de gestação;
  • O estudo de Narchi e Kurdeiak (2008) foi destinado a mulheres que já tinham passado pelo período gestacional, em relação a prevalência de infeção urinaria 51% afirmaram que nas suas últimas gestações tiveram infecção urinaria, já 38% delas negaram ter tido, e 3% relataram não se recordar e até mesmo desconhecer, e 8% delas confirmaram ter tido infecção genital com presença de leucorreia. As mulheres que afirmaram ter tido infecção urinariam durante a gestação relataram também que isso ocorreu por volta do terceiro trimestre na gestação.

Nos estudos de Barros (2013), Guerra et al. (2012), Kluczynik (2011), Darzé; Barroso e Lordelo (2011) e Kurdeiak (2008), a metodologia utilizada para diagnosticar a ITU foram os exames simples de urina e em alguns ainda se utilizou de urocultura, visto que o resultado do exame de urina não foi norteador, pois estavam em desacordo com os sintomas relatados por algumas gestantes. Em alguns estudos as pacientes tiveram uma boa orientação quanto à coleta asséptica da amostra da urina e então submetidas ao exame de urina (KLUCZYNIK, 2011).

Portanto por ser uma patologia comum e de grandes riscos para a mãe e filho, é que o profissional de saúde deve sempre se atentar durante a realização do pré-natal para o pedido corretamente dos exames, a interpretação certa e se preciso for o tratamento e acompanhamento dessa gestante, sempre orientando e esclarecendo todas as dúvidas que essa gestante possa ter e que mesmo que a gestante não pergunte deve-se informá-la do que é normal ou não de forma que ela se sinta segura e confiante.

Segundo Narchi e Kurdejak (2008), estes problemas podem ser evitados desde que ocorra atenção pré-natal qualificada que pressupõe, inclusive, o registro de dados de modo que seja possível acompanhar as gestantes de forma adequada e sistematizada. Nesse cartão da gestante deve conter todos os dados do histórico de vida e saúde da mulher, especialmente a ginecológica e obstétrica, bem como informações da evolução da gestação atual, resultados dos exames, consultas e tratamentos e/ou procedimentos instituídos, acompanhamentos e/ou encaminhamentos efetuados.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A infecção urinária é uma doença que apesar de fácil tratamento, ela pode ter uma proporção enorme na vida das gestantes gerando consequências ruins tanto para mãe quanto para o filho se não detectada precocemente, ou ainda pior se não for tratada e acompanhada da forma correta. É uma patologia que pode ser simplesmente evitada desde que essa mulher, gestante seja bem orientada, durante o pré-natal mesmo, nas consultas, sobre assuntos simples como realização de uma higienização correta, importância de ingerir muita água e líquidos como sucos, a importância de não prender a urina, pelo contrário orientar que logo que sentir vontade de realizar micção deve o fazer.

São medidas simples, mas que requer um bom conhecimento dos profissionais que acompanham e realizam o pré-natal sejam eles médicos ou enfermeiros, é preciso se atentar, se atualizar e dispensar tempo com essas gestantes orientando-as, e fazendo aquilo que o Ministério da saúde preconiza, pedir todos os exames necessários, saber interpretá-los, e como tratar as patologias que porventura vier a aparecer, e principalmente registrar na ficha da paciente e no cartão da gestante.

Conclui-se que, nos estudos analisados, foram obtidos resultado diferentes quanto a prevalência de infeção urinaria, alguns apresentaram resultados altos e outros não: no estudo de Barros (2013), obteve 42% de prevalência para seu primeiro grupo amostral e 33% de prevalência para o seu segundo grupo amostral de pesquisa. No estudo de Guerra et al. (2012) a prevalência de infecção urinaria durante a gestação, foi de 13% para o grupo amostral de 164 gestantes; No estudo de Kluczynik (2011), dos 52 exames de urocultura realizados a prevalência foi 25% testando positivo para infecção urinaria sendo isolados: Escherichia coli (38%), Staphylococcus epidermidis (31%), Staphylococcus aureus (15%), Staphylococcus sp. (8%), Enterobacter sp. (8%); No estudo de Darzé; Barroso e Lordelo (2011), em seu grupo amostral de 260 gestantes obtiveram o resultado de 42,3% de prevalência. No estudo de Narchi e Kurdeiak (2008), a prevalência de infeção urinaria foi 51% para o grupo amostral de 100 mulheres.

Ou seja, os resultados foram diferentes em cada trabalho. Já em relação ao período da gestação que mais ocorre os casos de ITU, foi verificado que nos estudos de Barros (2013), Guerra et al. (2012), Kluczynik (2011), Darzé; Barroso e Lordelo (2011) e Kurdeiak (2008), o período com mais casos foi o terceiro trimestre de gestação, entretanto, no estudo de Barros (2013), também se registra queixas a partir do segundo trimestre de gestação seguindo até o terceiro trimestre da gestação.

Por fim, acredita-se que se todos os profissionais fizessem o devido registro de acompanhamento tanto na ficha da paciente como no cartão da gestante com toda certeza esses quantitativos aumentariam, o que mostra que, apesar de tanta informação, ainda há uma grande deficiência ou porque não dizer uma certa negligência por parte dos profissionais de saúde de realizar um pré-natal com qualidade, conforme o que o ministério da saúde preconiza.

REFERÊNCIAS

BARROS, S. R. A. F. Infecção urinária na gestação e sua correlação com a dor lombar versus intervenções de enfermagem. Rev Dor. São Paulo, 2013. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rdor/a/CmfTz3m7vk9PJ6Qxn7GtqFy/?l-ang=pt&format=pdf>. Acesso em: 20 de agosto de 2021.

DARZÉ, O. I. S. P; BARROSO, U; LORDELO, M. Preditores clínicos de bacteriúria assintomática na gestação. Rev Bras Ginecol Obstet. 2011. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/rbgo/a/YcntGRTLgWTHJKcZdYGp5-Rc/?lang=pt&format=pdf>. Acesso em: 27 de agosto de 2021.

DUARTE, G.; et al. Infecção urinaria na gravidez: análise dos métodos para diagnóstico e do tratamento. Rev RBGO. v24. (7):471-477,2002. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbgo/a/YKfSL379fvpmYFBT4dbWBRD/?for-mat=pdf&lang=pt >. Acesso em: 10 de agosto. 2021.

GUERRA, G. V. Q. L; et al. Exame simples de urina no diagnóstico de infecção urinária em gestantes de alto risco. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgo/a/vrbDdTqd9SbF8DFZT9qVkFt/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 22 de agosto de 2021.

KLUCZYNIK, C. E. N. Ocorrência de infecções no trato geniturinário em gestantes atendidas no Instituto de saúde Elipidio de Almeida (ISEA). Campina Grande -PB. 2011. Disponível em: http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/bitstream/123456789/822/1/PDF%20-%20Caroline%20Evelin%20Nascimento%20Kluczynik.pdf. Acesso em: 02 de Set de 2021.

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[1] Bacharelanda em enfermagem. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7359-8179

[2] Orientadora. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7321-1496

Enviado: Setembro, 2021.

Aprovado: Outubro, 2021.

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