Tratamento Quimioterápico no Osteossarcoma e Cuidados de Enfermagem no Câncer Infantil: Uma Revisão

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Tratamento Quimioterápico no Osteossarcoma e Cuidados de Enfermagem no Câncer Infantil: Uma Revisão
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PAZ, Maria José Santos [1]

GUIMARÃES, Mateus Henrique Dias [2]

SILVA, Renata Roberta Dantas [3]

PAZ, Maria José Santos; GUIMARÃES, Mateus Henrique Dias; SILVA, Renata Roberta Dantas. Tratamento Quimioterápico no Osteossarcoma e Cuidados de Enfermagem no Câncer Infantil: Uma Revisão. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 2, Vol. 15. pp 63-78., fevereiro de 2017. ISSN: 2448-095

RESUMO

O osteossarcoma é o tumor ósseo maligno primário, e pode ocorrer em qualquer faixa etária, porém, atinge principalmente crianças, adolescentes e adultos jovens. Trata-se de uma revisão bibliográfica com o objetivo de descrever o tratamento quimioterápico no osteossarcoma e assistência de enfermagem no paciente oncológico pediátrico. Para a realização do estudo utilizou-se a revisão bibliográfica referente ao período de 2004 a 2016, utilizando as bases de dados Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Instituto Nacional do Câncer (INCA). O estudo ressalta a contribuição positiva do enfermeiro assistência e/ou no cuidado, pois ele contribui para a melhoria da qualidade de vida para a criança hospitalizada e de fornecer informações e orientações inerentes à doença e seus respectivos cuidados não só aos familiares bem como à criança portadora de câncer e à necessidade de capacitação e apoio psicológico dos profissionais que atuam frente ao cuidado.

Palavras-Chaves: Osteossarcoma, Quimioterapia, Enfermagem Oncológica.

1. INTRODUÇÃO

O osteossarcoma é o tumor ósseo maligno, e pode ocorrer em qualquer faixa etária, porém, atinge principalmente crianças, adolescentes e adultos jovens, sendo mais recorrente em crianças e adolescentes. Os sinais e sintomas mais comuns são: dor óssea progressiva, fadiga e dor noturna, seguidos de edema e limitação de movimentos. Os sintomas respiratórios são raros ao diagnóstico e estão presentes em casos de doença pulmonar avançada. Também sintomas sistêmicos tais como: febre ou perda de peso, e linfadenopatia não são comuns (FUNDATO et.al, 2012), no entanto com o tumor ósseo pode desenvolver-se em adultos, mas com uma menor incidência, com menores números de casos se comparados com crianças e adolescentes.

Segundo levantamento realizado pelo RHC – Registros Hospitalares de Câncer, entre o ano de 2007 a 2011 foram registrados 511.444 casos de câncer no Brasil, na região nordeste foi contabilizado 157.026 casos e em Sergipe 2.424. O percentual de tumores ósseos malignos no país foi 1.158, desse total 737 foram osteossarcoma (Instituto Nacional do Câncer, 2015).

Segundo Fundato (et.al, 2012) a incidência na população geral é de 2 a 3 casos/milhão de pessoas por ano, porém, em adolescentes, esse número pode atingir de 8 a 11 casos/milhão/ano de jovens entre 15 e 19 anos. No Brasil, apesar das dificuldades para obtenção de registros de base populacional de câncer, estima-se que o número de casos novos de tumores ósseos até 19 anos é de cerca de 670 casos/ano por milhão de habitantes.

O paciente portador de osteossarcoma apresenta uma sobrevida, evolução para o óbito, de até 70% em cinco anos para os não metastáticos e sobrevida global de até 80%. Quando recaem, essa sobrevida atinge 20% em um ano, podendo atingir 40% em cinco anos, quando é possível ressecção completa da metástase pulmonar, se desenvolver nesse órgão. A maioria dos sobreviventes terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado e, atualmente, a cura não visa apenas à ausência de doença, mas uma cura biopsicosocial e redução do risco de sequela em longo prazo (MARTINS, PEREZ, 2012).

O curso e/ou resultado provável da doença para o paciente portador de osteossarcoma melhorou muito nas últimas décadas após a introdução de quimioterapia intensiva, porém a ocorrência de efeitos colaterais também aumentou. A ocorrência de segunda neoplasia é o efeito colateral mais grave do tratamento quimioterápico intensivo. A leucemia mielóide aguda (LMA) é a neoplasia secundária mais comum e letal. Após quimioterapia é mais comum o surgimento de metástases ou uma segunda neoplasia em pacientes com doença de Hodgkin e tumores cerebrais. Sendo a Leucemia Mielóide Aguda a mais frequente à quimioterapia (SILVA et.al, 2006).

Com a introdução da quimioterapia, nas últimas décadas, vários autores têm reportado a detecção de metástases em sistema nervoso central (SNC), abdômen, coluna espinhal, coração, mediastino e subcutâneo (MENDES, GRAÇA, CAMARGO, 2004), sendo que o tratamento visa à destruição de células micro-metastáticas para que não haja recidiva local.

A manifestação metastática mais comum são as metástases pulmonares, que representa a manifestação mais comum da doença do osteossarcoma (OS); mais de 90% dos pacientes com essa doença morrem com acometimento pulmonar. Disseminações neoplásicas ósseas podem ocorrer, mas geralmente são tardias no curso da doença ou são achados de necropsia (MENDES, GRAÇA, CAMARGO, 2004).

Pacientes com OS metastático e recorrente compreendem um vasto grupo que pode ser alocado em diferentes categorias, desde os potencialmente curáveis por quimioterapia, cirurgia ou intervalo longo de recidiva aos que evoluíram rapidamente para óbito, devendo ser incluídos em estudos clínicos (Gimenez et all, 2007).

Assim, este estudo objetiva identificar na literatura científica, na área de enfermagem, quais foram às publicações realizadas sobre tumor ósseo (câncer infantil), tratamento quimioterápico e assistência de enfermagem, no intuito de identificar o conhecimento e as reações do enfermeiro frente ao cuidar do paciente oncológico pediátrico que possam contribuir para a melhoria e prática de enfermeiros acerca do tema.

 2. MÉTODO

Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica pelo método revisão integrativa da literatura para coleta e análise, onde toda vez que tiver citações diretas ou indiretas, o autor será citado conforme a referência bibliográfica. Os dados foram coletados em fevereiro de 2016 e para o levantamento dos mesmos foram utilizadas plataformas e fontes adotadas como: Artigos do Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Como estratégias de busca, foram utilizados descritores do assunto contidos nos Descritores em Ciências da Saúde – DeCS, a saber: Osteossarcoma. Quimioterapia. Enfermagem oncológica.

Delinearam-se como critérios de elegibilidade: estudos completos publicados com resumos disponíveis em inglês, português, publicados não em períodos delimitados, por em alguns anos intercalados não apresentarem tanta disponibilidade de material contidos do assunto, que apresentassem índices epidemiológicos de crianças com osteossarcoma, tratamento do câncer infantil a perspectiva da criança ao tratamento e o cuidado do enfermeiro junto à criança com câncer.

Após o levantamento bibliográfico, teve início à organização, e para selecionar as publicações, foram considerados os critérios de inclusão: artigos na temática de câncer infantil; em inglês e português; disponível na íntegra para leitura e disponíveis eletronicamente. As informações foram organizadas e analisadas entre si para proporcionar o conhecimento sobre essa temática, sendo selecionados 50 artigos e desses foram utilizados 18.

 3. TRATAMENTO QUIMIOTERÁPICO

A terapia é utilizada tanto com o objetivo de cura e controle quanto de tratamento paliativo. Podendo ser classificada em: quimioterapia adjuvante, neoadjuvante, primária, paliativa, monoquimioterapia e poliquimioterapia (Calvi Sampaio, 2014 apud Silva D.R.F et all, 2009).

O tamanho do tumor primário ao diagnóstico é fator prognóstico importante (Castro HC, Ribeiro KCB, Bruniera P, 2008). Pois esses fatores irão nortear no que diz respeito à escolha do tipo de tratamento e as chances de sobrevida.  Existem diversos estudos correlacionando essa característica à resistência das células neoplásicas aos agentes quimioterápicos e mostrando que, quanto maior o tumor, menor o grau de resposta à quimioterapia. Entretanto, não há um consenso sobre qual a melhor forma ou método para mensurar o tamanho do tumor primário; na literatura há descrições de medidas do comprimento, do volume, da percentagem e do diâmetro do tumor (CASTRO HC, RIBEIRO KCB, BRUNIERA P, 2008).

No entanto é escolhida a poliquimioterapia, um tipo de quimioterapia, por ser este uma associação de medicamentos com fim de se obter uma remissão ou aparente normalidade do tumor. Segundo informativo do (INCA, 2016) esse tipo de tratamento é comumente usado no tratamento da leucemia onde seguiu um grande progresso para se obter a cura total da leucemia e de controle das complicações infecciosas. Portanto se obriga a continuidade do tratamento na leucemia para que não haja intercorrências posteriores ao tratamento: a recidiva (o retorno do câncer) ou até mesmo que podem restar no organismo muitas células leucêmicas (doença residual), contribuindo para uma nova manifestação (INCA, 2016).  Em se tratando do osteossarcoma, um tumor ósseo e pelas altas taxas de mortalidade, o tratamento para este tipo de câncer não é diferente se comparado ao tratamento da leucemia, pois se devem ter cuidados semelhantes para que não haja recidiva local (se for um tumor localizado), para que possa contribuir para diminuição do tamanho de tumor e preservação de membro.

Nas últimas décadas houve melhoras no prognóstico de pacientes com osteossarcoma, principalmente nos pacientes com doença localizada. Essa melhoria se deu a partir da introdução do tratamento quimioterápico associado à cirurgia, muitas delas para a redução do tumor que contribuíam para a preservação de membro, além de avanços nas próteses ortopédicas que contribuíram para a melhora da qualidade de vida desses pacientes (Castro et all, 2014).

Conforme afirma (Rubira et.al, 2012) a quimioterapia é a mais comum e constitui-se em um conjunto de drogas que atua em várias fases do metabolismo celular, atingindo além das células malignas, as sadias do organismo. Mesmo com todos os efeitos colaterais que podem surgir durante o tratamento é importante que a frequência dos ciclos seja mantida, para obtenção do sucesso do tratamento. Os efeitos adversos comumente conhecidos são: anemia, fadiga, leucopenia, apatia, perda do apetite, alopecia, perda de peso, diarreia, hematomas, mucosite, náuseas e vômitos. Não há de se negar que a quimioterapia tem contribuído bastante para a melhoria desses pacientes. Ao mesmo tempo em que oferece uma aparente melhora e até mesmo a cura, os pacientes tem sofrido com os efeitos adversos da droga, sendo necessária uma atuação da equipe multidisciplinar que desempenha um papel fundamental no tratamento, atuando todos os integrantes em promover bem-estar, melhoria da qualidade de vida do paciente e do fator biopsicosocial.

Sem um tratamento adequado o paciente pode ter uma recaída e quando ocorre, o resgate é limitado e a sobrevida é muito ruim, chegando a 20%, dependendo do tipo de recaída, sendo a maioria pulmonar (Martins, Perez, 2012). Entretanto, muitos pacientes que apresentam metástase, como acometimento pulmonar, por exemplo, dentre outras que podem surgir, diminuem as chances de sobrevida por conta das disseminações neoplásicas que podem ocorrer, dificultando o processo de controle e/ou tratamento e cura.

Apesar de apresentar algumas complica­ções como as renais e auditivas e efeitos co­laterais como náuseas, vômitos, desidratação, distúrbio eletrolítico, depressão entre outros, o tratamento por quimioterapia ainda é o mais indicado em casos graves. É importante ter cuidado ao escolher as drogas de maneira que seus efeitos tóxicos não se somatizam, di­minuindo as complicações para o paciente (Castro et.al, 2014).

Estudos feitos por (Bacci et.al, 2005) avaliaram 235 pacientes com recaída depois de terapia neoadjuvante, e, dentre os pacientes tratados com cirurgia, foi possível a cura em 25% da amostra, no entanto o tratamento da recaída pulmonar deve ser imperativo quando possível, pois a sobrevida de pacientes com ressecção de metástase pulmonar é muito expressiva, conforme demonstrado por Bacci et.al, 2005 (Martins, Perez, 2012 apud Bacci et.al, 2005).

No entanto os metastáticos provavelmente refletem um comportamento mais agressivo da doença do que em pacientes com doença localizada. Os resultados menos favoráveis nesses pacientes que apresentam doenças metastáticas se devem provavelmente mais ao fato de que são portadores de doença volumosa e com menor possibilidade de ressecção cirúrgica completa do que por ser primariamente mais resistentes à quimioterapia (Rech et.al, 2004).

Usualmente a possibilidade de cura dos cânceres infantil ou controle da doença fornecida atualmente pela quimioterapia está ligada a uma série de efeitos colaterais e incômodos que exigem, tanto das crianças quanto de seus cuidadores, o uso de modos para lidar com os problemas, a fim de facilitar o enfrentamento das sequências de mudança e transformações do adoecimento e tratamento (Almico & Faro, 2014).

O tratamento quimioterápico também afeta outras células saudáveis, e não apenas as cancerígenas, provocando inúmeros efeitos colaterais desagradáveis (Almico e Faro, 2014 apud Ribeiro & Castro, 2007). Em decorrência da desospitalização ao término da sessão de administração dos medicamentos, os efeitos colaterais tendem a surgir, em sua maioria, em casa, cabendo aos pais alguns cuidados, para os quais, muitas vezes, não estão preparados (Almico & Faro 2014 apud Costa & Lima, 2002). Desde então, é necessário identificar estratégias que possam auxiliar as crianças e os pais no enfrentamento do processo quimioterápico e aos enfermeiros sobre os cuidados de enfermagem que devem ser oferecidos tanto ao portador não só do osteosssarcoma que causa uma dor “fantasmagórica” nas crianças portadoras, e também para outros tipos de cânceres, para que se possa amenizar o impacto do tratamento e os sofrimentos trazidos, principalmente nas crianças que apresentam uma sensação de medo e insegurança. Os enfermeiros devem auxiliar no enfrentamento da doença, contribuir para o bem-estar, melhorias da qualidade de vida e sensação de conforto, mesmo em meio à situação em que se encontra.

4. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO CÂNCER INFANTIL

Saueiro et.al, 2015 ressalta a importância para a família ser orientada sobre os efeitos colaterais dos quimioterápicos. Assim, os familiares poderão identificá-los para atuarem da melhor forma possível para o bem-estar da criança. Há destaque para as orientações voltadas aos familiares das crianças, entre as possibilidades de atuação da enfermagem ante os desafios que a família enfrenta na alimentação da criança. Além das orientações dadas à família, e que também se faz relevante as orientações voltadas à criança, principalmente no que diz respeito à alimentação da criança por recusar-se a alimentar-se devido às náuseas e vômito.

A deficiência de conhecimento sobre a patologia e o seu respectivo tratamento gera na criança sensação de perigo e de que algo ruim está acontecendo com ela, principalmente pelo fato de as limitações consequentes da doença interferir em sua vida social, impedindo-a de ir à escola, de brincar e realizar as atividades cotidianas. Logo, ajustes são necessários também na família e, especialmente, na vida do principal cuidador, para que todos possam se adaptar ao novo contexto da doença e aos desafios inerentes ao processo (Almico & Franco, 2014 apud Ribeiro & Castro, 2007).

Os enfermeiros devem se destacar como educadores, possuindo uma habilidade de ensinar e orientar aos familiares e as crianças para a manutenção dos cuidados cotidianos e de reparação que assegurem a qualidade de vida desse modo à família da criança necessitam de apoio e orientação (Saueiro et.al, 2015). Nesse sentido são os enfermeiros, pois são os profissionais mais próximos dos pacientes hospitalizados por estar ali continuamente ofertando a assistência e por serem os profissionais que são tidos como elos entre paciente e família.

Almeida e Sabatés (2008) mencionam as diversas limitações na capacidade de compreensão das crianças devido ao seu perfil fantasioso e egocêntrico de pensar, o que repercute na vigência de se encontrar doente, diante de procedimentos diagnósticos e terapêuticos (TUROLLA; SOUZA, 2015).

São deveres primários da equipe de saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2003) de cuidado paliativo: afirmar a vida e ver a morte como um processo natural, não lhe adiando nem lhe apressando, proporcionando alívio da dor e outros sintomas aflitivos, integrando aspectos psicológicos e espirituais; oferecer apoio para uma vida o mais ativa possível até a morte e apoio aos familiares para enfrentarem o processo de morte do paciente e seu próprio luto; e por fim, aumentar a qualidade de vida. O reconhecimento do paciente terminal em sua inteireza, sua história de vida, suas experiências e importância, sua expectativa promove autoestima e resgata a dignidade do paciente (TUROLLA; SOUZA, 2015 APUD POTTER; PERRY, 2009).

Há uma necessidade de o enfermeiro ter consciência do seu importante papel na liderança de equipe de enfermagem, pois o cuidado à criança com câncer requer do enfermeiro o desenvolvimento de habilidades e competências gerenciais para que possa atender as complexas necessidades da criança e sua família. O enfermeiro deve estar atento não somente as necessidades da criança e sua família, como também, as necessidades de sua própria equipe (Silva et.al, 2013). Pois, se o enfermeiro não desenvolver as competências e as habilidades que são cabidas, ocorrerá um desfalque na sua equipe, porque o papel do enfermeiro não concentra apenas no gerenciar ou liderar, mas exige dele e de sua equipe, planos assistências, humanistas que possam contribuir para a melhoria da qualidade de vida do paciente e a resiliência do mesmo diante o enfrentamento e superação da doença.  No entanto deve desenvolver atividades com sua equipe para que suas ações não se limitem ao cuidar “mecanizado” e sim para uma ótica humanista e empática, principalmente para os portadores de osteossarcoma, onde os mesmos apresentam medo “exacerbado” por causa da dor que lhe é provocada devido à localização, tamanho do tumor, prognóstico e tratamento quimioterápico.

Quando afirmamos “estar atento as necessidades de sua equipe não significa dizer que se não atento o enfermeiro não está apto para a ocupação que lhe cabe”, por estar em uma ocupação que dá uma alusão de gerenciamento e liderança, deve estar atento para as faltas de recursos para a realização do seu trabalho profissional, pois segundo (Silva et,al, 2013). A falta de recursos para o profissional trabalhar a sua dimensão psicológica resulta em traumas e barreiras gerando conflitos e ansiedades que podem influenciar negativamente a relação entre equipe e família.  Desafios e dificuldades aqui revelam que os profissionais que atuam no cuidado de criança portadora de câncer e mesmo no setor de oncologia pediátrica necessitam de um apoio psicológico e constante capacitação para se sentirem acolhidos e motivados a continuarem nesse ambiente de cuidado.

As ações de enfermagem abrangem planejamento, supervisão, execução e avaliação de todas as atividades no setor quimioterápico. A assistência de enfermagem deve ser prestada de forma sistematizada e individualizada. Nesse sentido, o processo de enfermagem serve de estrutura sistemática na qual o enfermeiro busca informações, responde a indicações clínicas, identificações e respostas a questões que afetam a saúde do paciente. Fundamentado nesses preceitos, o cuidado de enfermagem terá maior qualidade de resolubilidade no atendimento ao paciente (SILVA et.al 2010 apud GUIMARÃES; ROSA, 2008).

A arte de examinar em pediatria é uma tarefa difícil, que requer habilidade técnica e sensibilidade por parte do examinador. Além de muitas vezes, ele ter que lidar com crianças extremamente irritadas pelo tratamento e pela própria patologia, o enfermeiro também precisa lidar com pais ansiosos, que se encontram diante de um filho com um tumor e que, muitas vezes, buscam respostas e responsáveis pela tragédia familiar que estão vivendo. Nesse momento, o enfermeiro e sua equipe precisam ser pacientes, compreensivos, utilizar uma linguagem acessível e acolhedora (Silva et all APUD BRASIL, 2009).

 CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorrer desta pesquisa observou-se que a atuação do enfermeiro frente à criança portadora de osteossarcoma, propriamente dito, e de diversos tumores é de fundamental importância no câncer pediátrico, pois ele contribui para a melhoria da qualidade de vida para a criança hospitalizada e de fornecer informações e orientações inerentes à doença e seus respectivos cuidados não só aos familiares bem como à criança portadora de câncer. Tendo em vista que o cuidador, enfermeiro, tem um grande desgaste como afirma Avanci et.al (2009), pois é uma das profissões em que ocorre um grande desgaste emocional do trabalhador devido à constante interação com seres enfermos, muitas vezes acompanhando o sofrimento, como a dor, a doença e a morte do ser cuidado.

Observamos em nosso estudo que os profissionais de enfermagem sofrem com a perda do paciente como se fosse de alguém de sua família, devido o fato de os profissionais da enfermagem permanecerem um longo período em contato com essas crianças e sua família. Geralmente, torna-se inevitável no cuidado ao outro, sejam eles criança ou idoso, não direcionar um sentimento, pois somos humanos, e sendo assim refletimos nossos próprios sentimentos naquele a ser cuidado, como aqueles que amamos. Que até mesmo alguns relatam que sentem que foi uma luta sem sucesso. Devem-se ser adotadas medidas para o profissional enfermeiro, como por exemplo, uma capacitação.

No entanto, ressaltamos a necessidade de apoio psicológico contínuo ao profissional, bem como para a própria criança, porque se o profissional de enfermagem se mostra insuficiente em sua produção de trabalho e no cuidado humanizado ou hospitalar irá transmitir para os familiares e para a criança sensação de insegurança que irá interferir na percepção da família e do doente sobre a cura e prognóstico da doença.

Conclui-se que a assistência não é algo mecânico de se lidar e sim que vai além dessa percepção, a assistência de enfermagem contribui para o bem-estar da criança, ofertando uma sensação conforto, alívio da dor e promoção da qualidade de vida frente a cuidados paliativos e sua percepção quanto à evolução da doença, principalmente na ocorrência de uma amputação de membro, se for o caso e desenvolvimento de habilidades e competências para lidar com os mesmos.

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[1] Cursando Bacharelado em Enfermagem pela Faculdade de Aracaju – FACAR, Aracaju, Sergipe, Brasil.

[2] Cursando Bacharelado em Enfermagem pela Faculdade de Aracaju – FACAR, Aracaju, Sergipe, Brasil.

[3] Cursando Bacharelado em Enfermagem pela Faculdade de Aracaju – FACAR, Aracaju, Sergipe, Brasil.

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