Controle de Qualidade Microbiológico de Creme Lanette Manipulados e Comercializados no Município de Araras-SP

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Controle de Qualidade Microbiológico de Creme Lanette Manipulados e Comercializados no Município de Araras-SP
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MORAIS, Eryca Morais [1], CARDOSO, Letícia Garcia Rodrigues [2], PRADO, Marnie Chaves Genari Brandão [3]

MORAIS, Eryca Morais; et.al. Controle de Qualidade Microbiológico de Creme Lanette Manipulados e Comercializados no Município de Araras-SP. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 02, Vol. 01, pp. 35-48, Fevereiro de 2018. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O creme Lanette é uma base dermatológica utilizada para a incorporação de ativos em formulações cosméticas ou cosmecêuticas, é classificada como base galênica sem propriedade terapêutica. Em farmácias de manipulação são muito utilizadas, e consiste em um sistema de duas fases oleosa e aquosa que fundem a determinada temperatura para a mistura homogênea formada denominada emulsão. Os produtos cosméticos mais suscetíveis à contaminação são os que apresentam água em sua formulação como emulsões, géis, suspensões ou soluções e para garantir a qualidade dos produtos e segurança dos consumidores o controle de qualidade microbiológico é de suma importância. Assegurando a qualidade, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabeleceu parâmetros rígidos através da RDC Nº67, de 8 de outubro de 2007, que aprova o regulamento técnico de Boas Práticas de Manipulação que têm por objetivo que os produtos sejam manipulados de acordo com os padrões e qualidade para o uso O objetivo desse trabalho é assegurar que os produtos estejam dentro das especificações estando próprios para o uso. Para evitar a contaminação microbiana nos produtos farmacêuticos é de suma importância conhecer as fontes e os mecanismos responsáveis por essa contaminação. Sendo assim, contaminante microbiano oriundo de matérias-primas serão invariavelmente transferidos ao produto, equipamentos e ambientes produtivos, operadores envolvidos e dos materiais de embalagem. Foram analisadas três amostras do creme Lanette de distintas farmácias de manipulação do município de Araras-SP, analisando quanto a pesquisa de mesofilos e patógenos, os resultados de todas as amostras estavam dentro dos limites microbianos estabelecidos e ausentes de microrganismos patogênicos, seguindo a farmacopeia brasileira 5ª ed. Portanto, os produtos analisados estão próprios para uso indicando que as farmácias de manipulação estão seguindo as Boas Práticas de Manipulação de acordo com a legislação.

1. Introdução

As farmácias de manipulação reforçam o papel do profissional farmacêutico como agente de saúde, sendo esse responsável por conferir as prescrições, manipulação, dispensação e atenção farmacêutica (CLEANGELA BUSANELLO, 2017).

Segundo o Conselho Federal de Farmácia (2015), existiam no ano de 2015, 8.235 farmácias especializadas em manipulação registradas. Esta possui como vantagem poder proporcionar tratamento personalizado, atendendo a uma prescrição médica conforme a necessidade do consumidor, associação de medicamentos e ainda ser até 20% mais barato que os produtos industrializados.

As emulsões são comumente utilizadas como bases dermatológicas para a incorporação de ativos para formulações cosméticas ou cosmecêuticas. O Creme Lanette é uma base galênica sem propriedade terapêutica e classificado como uma emulsão, consistindo em um sistema de duas fases oleosa e aquosa que fundem a determinada temperatura para a mistura homogênea formada (CORRÊA, 2012). E os produtos mais suscetíveis à contaminação são os que apresentam água em sua formulação como emulsões, géis, suspensões ou soluções (BRASIL, 2004).

O controle de qualidade é fator primordial para garantir a qualidade e segurança dos produtos manipulados, verificando a conformidade das matérias primas, matérias de embalagem e do produto acabado, conforme as especificações estabelecidas. Assegurando a qualidade, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabeleceu parâmetros rígidos através da RDC Nº67, de 8 de outubro de 2007, que aprova o regulamento técnico de Boas Práticas de Manipulação (BRASIL, 2007).

As Boas Práticas de Manipulação têm por objetivo que os produtos sejam manipulados de acordo com os padrões e qualidade para o uso. “Esse conjunto de medidas dispõe desde suas instalações, equipamentos e recursos humanos, aquisição e controle da qualidade da matéria-prima, armazenamento, avaliação farmacêutica da prescrição, manipulação, fracionamento, conservação, transporte, dispensação das preparações, além da atenção farmacêutica aos usuários ou seus responsáveis, visando à garantia de sua qualidade, segurança, efetividade e promoção do seu uso seguro e racional. ” (BRASIL, 2007, p.1).

Durante a década de 1960, ocorreram estudos relacionados aos vários relatos de infecções atribuídas a produtos contaminados. Nas amostras analisadas foram identificados microrganismos comumente não patogênicos, sendo esses bacilos Gram (+) e micrococos e patogênicos, Pseudomonas, Alcaligenes, Flavobacterium, Acinetobacter, Serratia e Citrobacter. Devido a este e outros históricos, atualmente, universalmente são aceitas variações em determinados limites microbianos que são listados na Farmacopeia Brasileira 5ª edição (PINTO; KANEKO; OHARA, 2010).

A análise microbiológica em produtos não-estéreis, ou seja, produtos que são permitidos um limite de carga microbiana, desde que assegurada pelo controle de qualidade, esta não comprometa a estabilidade do mesmo ou segurança do consumidor. Entretanto, a presença de cepas patogênicas é proibitiva, já que se tratando de um consumidor imunodeprimido existe um potencial risco de um caso clínico infeccioso (PINTO; KANEKO; OHARA, 2010).

A estabilidade é definida por manter o limite microbiano dentro dos especificados durante todo o uso do produto e ainda manter suas características e propriedades. Os fatores que influenciam a estabilidade podem ser extrínsecos, como temperatura, umidade, luz, fatores ambientais em geral. E intrínsecos, como pH, a composição da forma farmacêutica, impurezas presentes, entre outros fatores relacionados a própria fórmula (PINTO; KANEKO; OHARA, 2010).

Um dos cuidados que devem ser citados são as medidas tomadas para garantir a qualidade antes mesmo do início da produção, sendo estes, treinamento dos profissionais envolvidos e disponibilização de equipamentos de proteção individual (EPI’s). E até medidas tomadas com o local como, proporcionar fácil limpeza, pisos paredes e tetos isolados do meio externo, ventilação, temperatura e umidade adequadas, filtros de ar, além de um controle de sanitização. A água utilizada deve ser potável e quando destilada ou deionizada deve apresentar fluxo adequado (PINTO; KANEKO; OHARA, 2010).

Assim como os produtos manipulados a água utilizada na formulação também deve passar por um controle de qualidade para avaliar a qualidade da mesma, já que a água é considerada matéria-prima produzida pela própria farmácia de manipulação por purificação da água potável. Sendo assim alguns aspectos são importantes como, providência da água, sistema de purificação utilizado, higienização do mesmo e armazenamento da água que são informados na RDC 67/2007 (BRASIL, 2007).

Um aspecto a ser considerado é a contaminação de produtos tópicos durante o uso, utilizar as mãos para aplicação do mesmo se torna uma fonte de contaminação, a pele normal é colonizada por bactérias e fungos que podem ser transferidos ao produto. Medidas possíveis para evitar a contaminação seriam evitar contato direto com o produto utilizando uma espátula ou acondicionar o produto em bisnagas (PINTO; KANEKO; OHARA, 2003).

A pele embora seja geralmente inóspita para maioria de microrganismos, suporta o crescimento de certas bactérias, que fazem parte de sua flora microbiana normal. As infecções cutâneas superficiais mais comuns são por Staphylococcus e Streptococcus (TORTORA; FUNKE; CASE, 2000).

Este trabalho prático teve como objetivo comprovar a inexistência de microrganismos patogênicos e determinar o número de microrganismos mesofilos, assim garantindo que o produto esteja dentro das especificações.

2. Metodologia

As atividades foram realizadas no Laboratório de Controle de Qualidade Microbiológico da Farmácia Ensino da Fundação Hermínio Ometto – Uniararas. Nesse projeto foram analisadas três formulações de Creme Lanette, manipuladas em farmácias na cidade de Araras-SP e todas as amostras encontravam-se dentro do prazo de validade. As amostras foram identificadas em números 1, 2 e 3.

A formulação para Creme Lanette base, está descrita na tabela 1.

Tabela 1: Formulação de Creme Lanette

Composição Porcentagem de uso
Cera Lanette 10%
Óleo Mineral 3%
Propilenoglicol 5%
BHT 0,05%
Metilparabeno 0,18%
Propilparabeno 0,02%
Água destilada qsp 100%

 

Os meios de cultura foram preparados conforme instrução do fabricante, localizado nos próprios frascos.

O preparo das amostras foi realizado segundo a Farmacopeia Brasileira 5ª ed., que preconiza que amostras de natureza lipídica sejam diluídas em tampão fosfato na proporção 1:10 e após diluição adicionou-se 0,5 mL de polissorbato 80 estéril para inativar o conservante presente nas amostras. Esse procedimento foi feito no fluxo laminar para controle de contaminação cruzada e as amostras foram preparadas igualmente para pesquisa de microrganismos mesofilos e patogênicos.

Para contagem do número total de microrganismos mesofilos, preparou-se em placas de Petri os meios de cultura específicos de cada, para pesquisa de fungos e leveduras o Ágar Sabouraud-Dextrose e Ágar Caseína-soja para pesquisa de bactérias. As inoculações das amostras foram feitas em duplicatas (FARMACOPEIA BRASILEIRA, 2010).

Segundo a Farmacopeia Brasileira 5ª ed. (2010), após a homogeneização das amostras, pipetou-se 0,1 mL de cada amostra e fez-se a inoculação em superfície usando a técnica de espalhamento. Incubaram-se as placas de Petri para pesquisa de fungos e leveduras em estufa adequada a 22,5°C  2,5°C por 7 dias. Enquanto as placas de Petri para pesquisa de bactérias viáveis foram incubadas a 32,5°C  2,5°C por 3 dias. Após a incubação realizou-se a contagem de unidades formadoras de colônias (UFC).

Para contagem do número total de microrganismos patogênicos foram utilizadas as amostras preparadas em diluição e seguindo o procedimento para cada microrganismo.

A pesquisa de bactérias gram negativas bile tolerantes, adicionou-se 1 mL das amostras diluídas, em tubo de ensaio contendo Caldo Caseína-Soja, para cada amostra, sendo incubadas a 22,5°C  2,5°C por 2 horas. Após esse processo transferiu-se 1 mL de cada amostra para outros tubos de ensaio contendo Caldo EE Mossel, incubando-se a 32,5°C  2,5°C por 24 horas. Após incubação transferiu-se uma alça em estria simples para placa de Petri em Meio Ágar Violeta Vermelho Bile Glicose, levando a incubação a 32,5°C  2,5°C por 24 horas e observou-se o resultado (FARMACOPEIA BRASILEIRA, 2010).

A pesquisa de Escherichia coli, adicionou-se 1 mL das amostras diluídas em tubo de ensaio contendo Caldo Caseína-Soja, sendo incubadas a 32,5°C 2,5°C por 24 horas. Após transferiu-se 1 mL de cada amostra para tubos de ensaio contendo Caldo Mac Conkey, incubando-se a 32,5°C  2,5°C por 24 horas, em seguida transferiu-se uma alça em estria simples para placa de Petri em Meio Ágar Mac Conkey, levando a incubação a 32,5°C  2,5°C por 24 horas e observou-se o resultado (FARMACOPEIA BRASILEIRA, 2010).

A pesquisa de Salmonela, adicionou-se 1 mL das amostras diluídas em tubo de ensaio contendo Caldo Caseína-soja, sendo incubadas a 32,5°C  2,5°C por 24 horas. Após transferiu-se 0,1 mL de cada amostra para tubos de ensaio contendo Caldo Rappaport Vassiliadis, sendo incubados a 32,5°C  2,5°C por 24 horas. Em placa de Petri em meio Ágar XLD transferiu-se uma alça em estria simples, sendo incubadas a 32,5°C  2,5°C por 24 horas e observou-se o resultado (FARMACOPEIA BRASILEIRA, 2010).

A pesquisa de Pseudomonas, adicionou-se 1mL das amostras diluídas, em tubo de ensaio contendo Caldo Caseína-soja, incubou-se a 32,5°C 2,5°C por 24 horas. Após transferiu-se uma alça em estria simples para placa de Petri em Meio Ágar Cetrimida, levando a incubação a 32,5°C  2,5°C por 24 horas e observou-se o resultado (FARMACOPEIA BRASILEIRA, 2010).

A pesquisa de Staphylococcus aureus, adicionou-se 1mL das amostras diluídas, em tubo de ensaio contendo Caldo Caseína-soja, sendo incubadas a 32,5°C  2,5°C por 24 horas. Após, transferiu-se uma alça em estria simples para placa de Petri em Meio Ágar Manitol, levando a incubação a 32,5°C  2,5°C por 24 horas e observou-se o resultado (FARMACOPEIA BRASILEIRA, 2010).

A pesquisa de Candida albicans, adicionou-se 1mL das amostras diluídas, em tubo de ensaio contendo Caldo Sabouraud Dextrose, sendo incubadas a 32,5°C  2,5°C por 3 dias. Após a incubação transferiu-se uma alça em estria simples para placa de Petri em Meio Ágar Sabouraud Dextrose, e incubou-se a 32,5°C  2,5°C por 24 horas e observou-se o resultado (FARMACOPEIA BRASILEIRA, 2010).

3. Resultados e Discussão

As amostras foram avaliadas quanto à pesquisa de microrganismos mesófilos e a presença de agentes patogênicos, sendo oferecidos meios de cultura propícios para o crescimento, seguindo a Farmacopeia Brasileira 5ª edição. Foram analisadas três amostras do Creme Lanette de farmácias de manipulação distintas do município de Araras-SP, todas as amostras foram manipuladas entre abril e maio de 2017 e estavam dentro do prazo de validade.

As emulsões, no caso o Creme Lanette, são facilmente contamináveis, sendo assim o uso de conservantes imprescindível na formulação. Tendo como função a inibição da proliferação de fungos e bactérias (CORRÊA, 2012).

O Creme Lanette é considerado uma base, sendo assim, ativos podem ser adicionados à fórmula. Esta deve conter os conservantes Metilparabeno e Proprilparabeno e ainda ser submetido ao controle de qualidade. Segundo a metodologia da Farmacopeia Brasileira 5ª ed., as amostras de natureza lipídica devem ter os conservantes inativados com polissorbato para a realização das análises microbiológicas.

Os resultados dos testes realizados para avaliação microbiológica das amostras de Creme Lanette, identificados como amostras 1, 2 e 3, por meio do log de UFC/g (Unidade Formadora de Colônia), de acordo com cada amostra e pesquisa. Para a pesquisa de bactérias aeróbias mesófilas os resultados estão demonstrados na tabela 2.

Tabela 2: Contagem do número total microrganismos mesófilos nas amostras de cremes Lanette

Amostras Contagem total de bactérias aeróbias Especificação
1  20 UFC/g 10³ UFC/g
2  Ausente 10³ UFC/g
3  Ausente 10³ UFC/g

Fonte: Farmacopeia Brasileira 5ª edição.

Conforme a Farmacopeia Brasileira 5ª ed. todas as amostras estão dentro do limite estabelecido, sendo esse 10³ UFC/g. Na amostra de número 1 houve crescimento de 20 UFC/g. Logo, as amostras de número 2 e 3, não apresentaram crescimento de colônias.

Com esse teste é possível determinar o número total de microrganismos mesófilos em produtos e matérias-primas não estéreis e é aplicado para determinar se o produto satisfaz às exigências microbiológicas farmacopeicas (FARMACOPEIA BRASILEIRA, 2010).

Para a pesquisa de fungos e leveduras viáveis os resultados estão demonstrados na tabela 3.

Tabela 3: Contagem do número total de fungos e leveduras nas amostras de cremes Lanette

Amostras Contagem total de fungos e leveduras Especificação
1 35 UFC/g 10² UFC/g
2 20 UFC/g 10² UFC/g
3 20 UFC/g 10² UFC/g

Fonte: Farmacopeia Brasileira 5ª edição.

Todas as amostras analisadas apresentaram crescimento de fungos e leveduras dentro dos limites estabelecidos pela Farmacopeia Brasileira 5ª ed., a amostra de número 3, apresentou crescimento excessivo da uma das colônias, esse crescimento pode ser oriundo de diversas fontes de contaminação, tais como, manipulação, erro da técnica utilizada no momento da inoculação da amostra na placa ou mesmo dentro da capela aonde pode ter sido exposto a um ambiente não estéril. Apesar do crescimento excessivo a amostra 3 encontrou-se dentro dos limites estabelecidos.

Na figura 1 a seguir, estão as placas de Petri com meio de cultura específico para cada análise e as UFC contadas para a pesquisa de micro-organismos mesófilos.

Figura 1: As 3 fotos à esquerda mostram as placas de Petri com os meios de cultura específicos para contagem de bactérias viáveis totais e as 3 fotos da direita para contagem de fungos e leveduras.

Os polissorbatos, além de possuir ação neutralizante dos conservantes, são agentes emulsificantes e são amplamente utilizados na produção de diversos produtos cosméticos. A neutralização de substâncias antimicrobianas presentes na amostra é necessária uma vez que a presença de conservantes pode inibir o crescimento microbiano, impedindo desse modo a determinação precisa do número total de colônias presente na amostra, ou a presença de microrganismos patógenicos (VASCONCELOS; MEDEIROS; NASCIMENTO, 2015).

Para a pesquisa de microrganismos patogênicos os resultados estão demonstrados na tabela 4

Tabela 4: Pesquisa de patógenos.

Microrganismos Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3 Especificação

 

Bactérias gram-negativas bile tolerantes Ausente Ausente Ausente Ausente
E. coli Ausente Ausente Ausente Ausente
Salmonella Ausente Ausente Ausente Ausente
Pseudomonas Ausente Ausente Ausente Ausente
Staphylococcus aureus Ausente Ausente Ausente Ausente
Cândida albicans Ausente Ausente Ausente Ausente

Fonte: Farmacopeia Brasileira 5º edição.

Na Figura 2 a seguir, estão as placas de Petri com meio de cultura específico para cada análise para a pesquisa de microrganismos patógenos.

Figura 2: O quadrante superior esquerdo mostra a foto da pesquisa para bactérias gram negativas bile tolerantes, enquanto o da direita mostra a pesquisa para E. coli. Nos quadrantes do meio estão às fotos para pesquisa de C. albicans à esquerda e Salmonela à direita. Nos quadrantes inferiores à esquerda estão às placas para pesquisa de S. aureus e no direito Pseudomonas.

De acordo com os resultados, todas as amostras apresentaram ausência para agentes patogênicos, estando dentro dos padrões exigidos pela Farmacopeia Brasileira 5ª edição e os produtos aptos para utilização.

Segundo a Farmacopeia Brasileira 5ª ed. (2010) esse método possibilita verificar a presença ou a ausência de microrganismos específicos em meios seletivos. Os procedimentos experimentais devem incluir etapas de pré-enriquecimento para garantir a recuperação dos microrganismos, se presentes no produto.

As RDC 87/2008 e RDC 67/2007 determina que as farmácias de manipulação realizem análises microbiológicas das bases galênicas mensalmente, adotando um sistema de rodizio considerando o tipo de base e manipulador, a fim de garantir pureza microbiológica (BRASIL, 2008).

O controle de qualidade microbiológica constitui uma etapa importante no processo de manipulação, pois garante eficácia do produto, e segurança dos usuários. Segundo a Farmacopeia Brasileira (2010), a contaminação microbiana de um produto não estéril pode conduzir não somente à sua deterioração, com as mudanças físicas e químicas associadas, mas também, ao risco de infecção para o usuário.

Alguns produtos que não apresentam alterações sensoriais evidentes também podem ser portadores de populações microbianas. Em pessoas saudáveis, o contato com produtos contaminados não representa problema sério, a menos que o organismo seja patogênico primário. Entretanto, em paciente com sistema imunológico fragilizado pode ocorrer infecção, ou se o produto se destinar a introdução em área normalmente estéril, pele lesada, membrana mucosa, ou olhos, esse risco de infecção depende de fatores como, características qualitativas e quantitativas envolvendo microrganismo, resistência do hospedeiro e via de administração (PINTO; KANEKO; OHARA, 2003).

As bactérias Gram(-) em particularmente se multiplica rapidamente em espaços mortos, como juntas e válvulas, onde a água e resíduos do produto se acumulam, ocasionando contaminação persistente e de difícil eliminação. Em áreas úmidas, como pias e drenos, particularmente, ocorre o acumulo de Pseudomonas e Acinetobacter, que não apenas sobrevivem, mas proliferam (PINTO; KANEKO; OHARA, 2010).

Outros critérios a serem considerados seriam a carga microbiana da matéria-prima, o processo de fabricação, a formulação do produto e os resultados de determinação da atividade de água, quando aplicável. Resultados de baixa atividade de água (igual ou inferior a 0,75 medidos à 25 ºC), assim como baixo ou alto pH, ausência de nutrientes e adição de conservantes ajudam a prevenir a contaminação microbiana (FARMACOPEIA BRASILEIRA, 2010).

Sendo assim, para evitar a contaminação microbiana nos produtos farmacêuticos é de suma importância conhecer as fontes e os mecanismos responsáveis por essa contaminação. Os possíveis contaminantes microbianos seriam os oriundos de matérias-primas que podem ser transferidos ao produto, assim como a falta de manutenção nos equipamentos e ambientes produtivos, os operadores envolvidos em relação à falta de treinamentos e dos materiais de embalagem (PINTO; KANEKO; OHARA, 2010).

Conclusão

As análises realizadas para pesquisa de microrganismos mesófilos e de fungos e leveduras cumprem com os limites estabelecidos pela Farmacopeia Brasileira 5ª ed., assim como ausência nas análises realizadas para pesquisa de microrganismos patogênicos. Indicando que as amostras coletadas nas três farmácias de manipulação no município de Araras-SP estão de acordo para o uso.

Portanto, é possível concluir que as Boas Práticas de Manipulação estão sendo cumpridas de acordo com a legislação, garantindo a qualidade dos produtos, eficácia e a segurança dos consumidores. Sendo assim, acredita-se na importância de adoção da lavagem correta das mãos, uso adequado de equipamento de proteção individual (EPI’s), limpeza correta dos equipamentos e ambiente, minimizando a possibilidade de contaminação por parte dos manipuladores e ambiente. Além de um sistema conservante eficaz, assegurando assim, a estabilidade microbiológica dos produtos e a segurança do consumidor durante o uso do mesmo.

Referência

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BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 67 de 8 de outubro de 2007.

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CLEANGELA BUSANELLO. Farmácia com Manipulação: Guia da profissão farmacêutica. 2017. Disponível em: <http://www.crf-pr.org.br/uploads/pagina/28666/ jUk3grXdUY90lsSM7Hko1sH3XFX03v1A.pdf>. Acesso em: 15 jun. 2017.

CORRÊA, Marco Antonio. Cosmetologia: Ciência e Técnica. São Paulo: Medfarma, 2012.

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GONZALO Vecina Neto (Ed.). Guia Para Avaliação de Segurança de Produtos Cosméticos. Brasília: Anvisa, 2003.

MILTON PAES (Brasília). Conselho Federal de Farmácia (Org.). Manipulação de remédios em expansão: Noticias Gerais. 2013. Disponível em: <http://www.cff.org.br /noticia.php?id=1280>. Acesso em: 12 set. 2017.

PINTO, Terezinha de Jesus Andreoli; KANEKO, Telma Mary; OHARA, Mitsuko Toba. Controle Biológico de Qualidade de Produtos Farmacêuticos, Correlatos e Cosméticos. 3. ed. São Paulo: Atheneu Editora São Paulo, 2010.

TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L.. Microbiologia. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

VASCONCELOS, Thalles Yuri Loiola; MEDEIROS, Débora Patrícia Feitosa; NASCIMENTO, Aristides Ávilo do. A inibição do sistema conservante de duas emulsões o/a por polissorbato 80. 2015. InFarma Ciências Farmacêuticas. Disponível em: http://revistas.cff.org.br/?journal=infarma&page=article&op=view&path%5B%5D = 1223 . Acesso em: 12 set. 2017.

[1] Centro Universitário Hermínio Ometto – FHO|Uniararas.

[2] Discente do Curso de Graduação em Farmácia

[3] Orientador e Docente da FHO|Uniararas.

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