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A percepção do enfermeiro frente à permanência do acompanhante durante a internação na unidade de terapia intensiva adulto

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CONTEÚDO

REVISÃO INTEGRATIVA

SILVA, Lucas dos Santos [1], MACEDO, André Vinícius da Silva [2], TORRES, Renato Oliveira [3]

OLIVEIRA, Marcela Alves de. A percepção do enfermeiro frente à permanência do acompanhante durante a internação na unidade de terapia intensiva adulto. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 09, Ed. 09, Vol. 02, pp. 05-21. Setembro de 2024. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/permanencia-do-acompanhante, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/permanencia-do-acompanhante

RESUMO

Introdução: As Unidades de Terapia Intensiva nasceram com a necessidade da existência de um setor especializado em prestar assistência à paciente em estado crítico. Visto que este cenário é dotado de tecnologias e mão de obra especializada com objetivo de promover a melhor assistência ao paciente inserido nesse local. Objetivo: Descrever a percepção dos enfermeiros nas Unidades de Terapia Intensiva em relação à política de visitação flexível, discutir os benefícios dessa visitação e analisar a visão dos enfermeiros sobre este processo. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa qualitativa com abordagem exploratória através de uma revisão sistemática. Utilizando-se como critérios de inclusão que tenham sido publicados nos últimos dez anos, seja na língua portuguesa ou inglesa. Utilizadas as bases de dados Scielo,Biblioteca Virtual Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS),Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) e Índice Bibliográfico Español en Ciencias de la Salud (IBECS). Discussão: O cuidado integral ao paciente inserido no ambiente de Terapia Intensiva acaba prejudicado, já que o profissional de enfermagem utiliza a tecnologia aliado a prática para embasar a profissão, desconsiderando a família como corpo adjunto ao processo curativo. De acordo com o Programa Nacional De Humanização, a humanização é a inclusão das diferenças nos processos de gerir e de cuidar, e a inserção de familiares no processo de cuidar de um paciente grave é uma forma de inclusão. A comunicação efetiva da equipe multiprofissional com os familiares dos pacientes é de suma importância, e essa prática, que deve ser realizada com uma alta frequência. Conclusão: O presente trabalho evidenciou que, no Brasil, a política de visitação aberta ou estendida enfrentará grandes barreiras para ser implementada. A visitação humanizada na UTI não pode mais ser enxergada como um momento de tensão e desorganização do setor pela equipe,e sim um tempo de troca de informações e de comunicação com aqueles que mais se preocupam com o atendimento.

Palavras-chave: Unidades de Terapia Intensiva, Humanização da Assistência, Visitas a Pacientes, Cuidados Críticos, Acolhimento.

1. INTRODUÇÃO

As Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são setores especializados em prestar assistência a pacientes em estado crítico, contando com tecnologias avançadas e profissionais altamente qualificados para promover a melhor assistência possível”.

No âmbito da terapia intensiva, existe a utilização de diversas tecnologias, destacando-se as tecnologias leve, dura e leve-dura. Apesar do grande investimento em tecnologias duras, com equipamentos avançados e treinamentos voltados para o aprimoramento da capacidade técnica do profissional envolvido nessas unidades, o cuidado aplicado em tecnologias leves, com acolhimento, vínculo e escuta, não foi tão explorado, geralmente sendo negligenciado por grande parte dos profissionais (Almeida; Fófano, 2016).

Atualmente o processo de adoecer é uma ocasião que gera angústia, desgaste emocional e físico aos familiares e entes queridos, principalmente durante o cenário exacerbado gerado pela pandemia do vírus COVID–19, onde tivemos o aumento drástico do número de internações e mortes. Este processo pode acarretar desconforto físico, psicológico e patológico. Dentro do contexto de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), é ainda mais desafiadora e complexa, devido ao grau de instabilidade e periculosidade da vida do paciente e a dificuldade que os familiares e entes queridos encontram de obter informações sobre o quadro clínico e sobre o prognóstico da doença do enfermo.

Esse processo pode ser menos desafiador através da visitação hospitalar flexível e abrangente, no qual o familiar tem como principal atribuição diminuir os processos estressantes causados a partir da internação. O modelo de visitação flexível pode ser considerado uma tecnologia leve.

A visita flexível é caracterizada pela permanência alongada, variada e de horário, pré-definida pela unidade de saúde, onde o enfermo pode ser beneficiado com inúmeros ganhos. Segundo Silva et al. (2018, pág. 10), “estudos com pacientes hospitalizados na UTI mostram que o toque de familiares e membros da equipe de saúde pode alterar o ritmo cardíaco do mesmo, principalmente quando seguram sua mão”. Sendo assim, conclui-se que a participação da família em paralelo com a equipe de saúde visando a melhora clínica do paciente é uma estratégia exitosa e deve ser aplicada indispensavelmente.

De acordo com Reis, Gabarra e Moré (2016), os escritores preservam que a presença dos familiares é essencial ao paciente em cuidados intensivos, sendo esse período de maior desejo dos visitantes, os quais visam estar próximos e oferecer o conforto necessário. Segundo as autoras, as alterações que o processo de internação ocasiona em um dos integrantes da família são pertinentes, propicia alterações nas condutas entre os familiares e excede o ambiente nosocomial, de modo que atinja a rotina dos envolvidos.

Dentro de um contexto de uma UTI, a situação se torna ainda mais desafiadora devido à instabilidade do estado de saúde dos pacientes e à dificuldade que os familiares enfrentam para obter informações claras sobre o quadro clínico e o prognóstico.

Atualmente, através de uma pesquisa realizada pela Revista Brasileira de Terapia Intensiva com 162 UTI no Brasil, revelou-se que apenas 2,6% das unidades utilizam a política de visitação vinte quatro horas por dia, em detrimento dos benefícios já sabidos quando esse tipo de modelo é empregado.

Em um estudo realizado no Reino Unido sobre políticas de visitação em UTIs, observou-se que 99% das UTIs adotam política de visitação irrestrita, contrastando com os 2,6% observados no Brasil (Hunter et al. 2010).

O objeto deste estudo é a percepção do enfermeiro frente a visita flexível na unidade de terapia intensiva.

2. OBJETIVOS

  • Descrever a percepção dos enfermeiros frente à visita flexível no CTI adulto;
  • Discutir os benefícios da visita flexível;
  • Analisar a percepção dos enfermeiros frente à visita flexível no CTI adulto.

3. JUSTIFICATIVA

Este estudo é necessário devido aos baixos índices de adesão às políticas flexíveis de visitação na UTI, além do reduzido número de pesquisas sobre o tema na América Latina. A vivência durante as práticas assistenciais revelou a necessidade de parâmetros que permitam maior interação entre familiares e pacientes.                             

4. METODOLOGIA

O presente estudo trata-se de uma revisão sistemática, a qual é uma forma de pesquisa que utiliza a literatura existente sobre um determinado tema como fonte de dados. Baseia-se na síntese de textos relevantes, empregando métodos explícitos e sistemáticos de busca e análise.

Com o intuito de agregar informações relevantes ao dito estudo, foram utilizados nesta revisão sistemática artigos pesquisados na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), sendo posteriormente selecionados das seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) e Índice Bibliográfico Español en Ciencias de la Salud (IBECS).

Os descritores selecionados foram: Unidades de terapia intensiva, acompanhante de paciente, tempo de internação, acompanhantes formais em exames físicos, Acompanhante papel do profissional de enfermagem. A partir disso, foram utilizados com o operador booleano AND, resultando nas combinações seguintes:

  • Unidade de Terapia intensiva AND acompanhante de paciente;
  • Tempo de Internação AND acompanhantes formais em exames físicos AND unidades de terapia intensiva;
  • Tempo de Internação AND acompanhante AND unidades de terapia intensiva.

Para complementação da pesquisa, foram também utilizados os descritores: Cuidados Intensivos, Humanização da Assistência, Equipe de Assistência ao Paciente. Porém estes não estarão presentes na figura 1.

De forma a selecionar melhor os artigos que abordavam o tema da presente pesquisa, a busca foi refinada segundo os seguintes critérios de inclusão: Critérios de inclusão: artigos em português, inglês ou espanhol, publicados entre 2006 e 2023, disponíveis em texto completo. E ainda, Critérios de exclusão: estudos duplicados, textos incompletos e os que não se alinham ao tema. A seleção dos artigos foi realizada, primeiramente, com a leitura do título e do resumo para identificação da aproximação com a temática abordada. Posteriormente, o artigo foi lido na íntegra, para reafirmar a aproximação com o tema, obedecendo aos critérios de inclusão.

Sendo assim, no total, foram pré-selecionados 22 artigos em um total de 29, contudo 7 fugiam do tema e encontravam-se 5 duplicados. Sendo assim, restaram 10 publicações, dessas: 1 encontravam-se no BDENF, 2 no IBECS, 1 no LILACS, 5 no LILACS/BDENF e 1 no MEDLINE. Após a leitura na íntegra dos textos foram selecionados 9 artigos para análise, pois possuíam aproximação com a temática, conforme apresentado na Figura 1.

Figura 1 – Fluxograma do processo de seleção das publicações

Fonte: elaborado pelos autores (2023).

5. RESULTADOS

Quadro 1 – Distribuição dos artigos por autor, título, ano de publicação, bases de dados, onde foram selecionados e os seus principais achados em 2023

Ano Autor(es) Título Principais Achados Base
2006 Márcia Rodrigues Maciel, Mariana Fernandes de Souza Acompanhante de Adulto na Unidade de Terapia Intensiva: uma visão do Paciente. Constatou-se que na amostra de 138 clientes, 58.7% manifestaram a preferência sobre ter acompanhante, enquanto internados em UTI, e 41.3% preferiram não ter a presença de acompanhante. Dentre os motivos que levaram ao resultado, estavam a preocupação com o familiar permanecer em ambiente hospitalar e confiança na equipe de saúde. E ainda, o estudo trouxe as potencialidades do acompanhante, sendo este fonte de Conforto e segurança, e um elo com a equipe, um fator de melhoria da qualidade da assistência prestada. A permanência de um acompanhante contribui para a humanização, sendo um avanço tecnológico transformando o ambiente e as pessoas que nele trabalham. LILACS/BDENF
2009 Carla Ferreira da Luz et al. Compreendendo as restrições dos técnicos de enfermagem sobre a permanência de acompanhantes em unidade de terapia intensiva. Constatou-se que as restrições dos técnicos de enfermagem à permanência dos familiares no ambiente de terapia intensiva deram-se pela sensação de sobrecarga e falta de proteção. A insegurança da equipe pela observação constante dos familiares também foi um fator determinante. Além destes, destacou-se também a pouca valorização do trabalho do técnico perante os demais membros da equipe e da família. Apesar disso, não foi constatada nenhuma aversão da equipe de enfermagem à ideia da UTI aberta e não houve questionamentos acerca dos benefícios que a família pode trazer ao paciente. LILACS/BDENF
2010 Verônica Lopes Louzada Vidal Indicativos para inserção do familiar acompanhante no centro de terapia intensiva. Foi possível perceber que houve forma marcante a demanda da equipe de enfermagem para assegurar a permanência do familiar na unidade de terapia intensiva, visto que a equipe possuía claro entendimento de ser ele um agente facilitador da comunicação do paciente com a equipe de saúde, assim colaborando para a sua recuperação física e emocional. Não restou dúvidas sobre a importância da implementação            de rotinas que viabilizem a inserção da família durante a permanência do paciente no CTI, a fim de minimizar a sua fragilidade emocional decorrente            da hospitalização, evitando aumento da dor, sentimentos de insegurança e medo, demonstrações de desconforto e falta de privacidade, fatores que dificultam o tratamento e a recuperação, além de contribuírem para o aumento do tempo de internação e para o risco de complicações secundárias. LILACS/BDENF
2011 María Gálvez González et al. Acompañamiento familiar: una herramienta para dignificar el proceso de muerte en la unidad de cuidados intensivos Foi perceptível no estudo as dificuldades que a equipe de enfermagem das unidades de terapia intensiva possuem no manejo das famílias de pacientes internados e em processo de morte. A partir disso, apostas em uma profunda reforma no atendimento, visando no modelo centrado na relação paciente-família-profissional, trarão benefícios, principalmente para os pacientes internados/em processo de alta e ao seu processo de morte. IBECS
2011 Roberta Costa, Maria Itayra Padilha Percepção da equipe de saúde sobre a família na UTI neonatal: resistência aos novos saberes Apesar dos destaques sobre o fato da permissão a presença da família na UTIN como um avanço nas práticas de cuidado, e levando em consideração as mudanças ocorridas na legislação brasileira sobre a permissão dos pais acompanhantes na UTI neonatal, ainda é presente à permanência da resistência por parte dos profissionais das unidades sobre o assunto. Tal fato é permeado por diversos fatores tais como disputa por espaço, o poder sobre o corpo do RN e a hegemonia médica no ambiente hospitalar. Além disso, os profissionais não percebiam que, ao limitar a presença da família, prejudicava o vínculo afetivo pais/recém-nascido. LILACS/BDENF
2015 A. M. Aliberch Raurell,  I. M. Miquel Aymar Necesidad de rol en los familiares del paciente en la unidad de cuidados intensivos O estudo evidencia que há benefícios na presença dos acompanhantes familiares nas unidades de terapia intensiva que gera diminuição dos níveis de estresse nos familiares e no paciente, assim como a ansiedade e a sensação de impotência por falta de controle da situação, também aumenta os níveis de satisfação dos familiares no final da internação. IBECS
2017 Francisneide Gomes Pego do Nascimento, Vilma Ribeiro da Silva Importância da visita a criança em unidade de terapia intensiva pediátrica: opinião dos acompanhantes Na entrevista realizada com os familiares, os mesmos atribuíram importância à visita hospitalar e acreditam que esta impacta na qualidade da recuperação da criança. e ainda revelam que o tempo disponível para a visita hospitalar à criança, é insuficiente, mesmo à unidade hospitalar adotando à “visita ampliada”, como forma de flexibilizar as visitas dos familiares. BDENF
2018 Fabio Luiz Banhara et al. Visitação aberta em unidade de terapia intensiva neonatal: percepções da equipe de enfermagem. Durante a pesquisa, destacaram-se quatro pontos centrais: Expectativa dos profissionais antes da visitação aberta: Evidenciou-se as expectativas referentes à reação dos pais frente aos procedimentos realizados com seus filhos, em ambiente de uma unidade de terapia intensiva, visto que não possuíam conhecimento sobre os mesmos. Enfrentamento das dificuldades na visitação aberta: Os profissionais expressaram as dificuldades referentes às limitações de entendimento e falta de adesão por parte dos pais às normas e rotinas da UTIN, ocasionando conflitos com a equipe, em razão de preocupação e ansiedade. Por último, os benefícios da visitação aberta: Em relação à equipe de enfermagem, houve relatos de mudança de comportamento, relacionados à melhor interação com familiares; isso gerou maior confiança e segurança dos pais com a equipe. Outros benefícios incluem fortalecimento do vínculo parental e estímulo da sensibilidade dos neonatos ao estado emocional transmitido pelos pais. LILACS/BDENF
2021 Marlon Corrêa, Flávia Del Castanhel, Suely Grosseman Percepção de pacientes sobre a comunicação médica e suas necessidades durante internação na unidade de cuidados intensivos O estudo revela que os pacientes internados em unidade de terapia intensiva esclareceram sobre a necessidade de apoio social e afetivo, com maior frequência e duração das visitas e presença e acompanhante na UCI. Outras necessidades abrangeram silêncio, atenção psicológica e de serviço social, banheiro que pudessem usar e melhor qualidade da comida na unidade de cuidados intensivos. MEDLINE

Fonte: elaborado pelos autores (2023).

6. DISCUSSÃO

6.1 O PROCESSO DE INTERNAÇÃO NO AMBIENTE INTENSIVO

O ambiente de terapia intensiva é destinado a pacientes graves, que necessitam de cuidados críticos e mão de obra especializada para o tratamento adequado. Esse ambiente é formado por um conjunto de elementos que englobam tecnologia leve e dura para o desenvolvimento da assistência especializada ao enfermo, garantindo a melhor prestação de cuidados possíveis. Entretanto, algo que é pouco abordado, porém de suma importância é a forma com que o paciente é emocionalmente e psicologicamente abalado durante o processo de internação.

A hospitalização na UTI provoca sentimentos negativos tanto nos pacientes quanto nos familiares, devido à percepção de ameaça à vida. Este evento é abrupto e assustador, causando sofrimento a todos os envolvidos.

Apesar destes sentimentos, a presença do familiar junto ao paciente traz a confiança necessária para o doente vencer todas as barreiras em relação ao seu processo de internação (Freitas; Mussi; Menezes, 2012).

Durante o período de internação é comum que os familiares fiquem apreensivos em relação ao quadro de saúde do seu ente querido, já que normalmente, nesses ambientes é adotado uma política de visitação mais restritiva. Nessa política, que é a preferencialmente adotada pela maioria das instituições brasileiras de saúde, há um engessamento do horário e uma reserva no número de familiares que podem ter acesso ao doente, diminuindo consideravelmente o contato com os entes e não atingindo tantos efeitos positivos quanto uma política aberta (Ramos et al., 2014).

Dito isso, podemos afirmar que o processo de internação em uma unidade de terapia intensiva apresenta grandes desafios, que, na maioria das vezes não estão relacionados somente ao processo de doença do paciente, mas também em questões emocionais que envolvem sentimentos de angústia, solidão e ansiedade por não ter por perto seus familiares.

Dentro deste cenário perturbador de internação em um ambiente tão complexo, podemos elucidar o papel importantíssimo que a enfermagem desempenha, sendo responsável por estabelecer um elo entre família-paciente.

6.2 IMPLEMENTAÇÃO DA HUMANIZAÇÃO PELA EQUIPE DE ENFERMAGEM DENTRO DO AMBIENTE DE TERAPIA INTENSIVA

De acordo com o Programa Nacional De Humanização (PNH), a humanização é a inclusão das diferenças nos processos de gerir e de cuidar, ou seja, é a equidade transformada em realidade, é levar cuidado a quem precisa de maneira individualizada e integral, e a inserção de familiares no processo de cuidar de um paciente grave é uma forma de inclusão que pode e deve ser utilizada na realidade diária de uma UTI.

A PNH destaca que a comunicação vem para transversalizar o cuidado, tendo como pressuposto que aquele que é cuidado e seus familiares também têm conhecimento sobre seu bem-estar e podem contribuir de maneira significativa para a restauração de sua saúde, sendo os mesmos protagonistas no projeto de cuidado e não coadjuvantes. Nesse sentido, não há maneira mais pungente de impedir que o familiar participe do que engessar sua permanência com a equipe e com o doente por não mais que uma ou duas horas por dia, em horários que, muitas das vezes, são inviáveis para suas realidades.

Dentro do exposto acima, percebe-se que o enfermeiro tem um papel fundamental para garantir a implementação da humanização dentro do ambiente de terapia intensiva, já que, através de nós, é prestado a maioria dos cuidados referente ao paciente, e somos na maioria das vezes o primeiro contato ou o elo entre o paciente e seus familiares.

Os familiares desempenham um papel fundamental durante o período de internação do doente. No entanto, é necessário que saibam como se portar diante de situações estressantes e inesperadas, evitando comentários indesejados que tenham repercussão negativa perante os doentes. Além disso, também devem abolir atitudes superprotetoras. Essas são duas características conhecidas que fazem com que o paciente apresenta declínio do seu quadro de saúde (Freitas; Mussi; Menezes, 2012).

Conhecendo melhor a doença e tendo um diagnóstico claro, a família passa a ser uma aliada eficiente, em conjunto com a medicação e a terapêutica proposta pela equipe multiprofissional (Zinn; Silva; Telles, 2003). A companhia de um membro da família diante ao paciente, denota a sua participação contínua no modelo assistencial; ou seja, um membro da família deve ser visto como um elo entre a equipe multidisciplinar, as necessidades, limitações e o tratamento proposto ao paciente. Sendo assim, a assistência centrada no paciente deve ser abordada nos serviços de saúde, logo planos necessitam surgir, a fim de corroborar a visitação de modo flexível nos centros de terapia intensiva adulto.

6.3 A PERCEPÇÃO DO ENFERMEIRO FRENTE À VISITAÇÃO FLEXÍVEL

Diante do exposto acima, fica evidente os benefícios que a visitação flexível traz aos pacientes e familiares que estão envolvidos no processo de adoecer. Se de um lado podemos abordar todos os benefícios para o doente, de outro temos que elucidar como os enfermeiros visualizaram esse modelo de visitação.

O momento da visitação é visto como uma forma de acolhimento, mantendo sempre o momento com postura para elucidar saberes, dúvidas e afins. Ele também pode estar ligado ao processo organizativo do cuidado, onde o corpo de profissionais pode utilizar para levantar o histórico de saúde do cliente, sendo parte constituinte do Processo de Enfermagem (PE) (Passos et al., 2015).

Considera – se que o acolhimento realizado pela equipe interprofissional, ao familiar antes de ver o seu ente proporciona: minimização do impacto da internação, redução das possibilidades de descompensação psicológica, estimula comportamentos adaptativos e resilientes, como também, fortalece os recursos internos de enfrentamento dos familiares. Ou seja, melhora a capacidade de enfrentamento do familiar (Carrias et al., 2018).

Para nós enfermeiros, é um desafio enorme a implementação da visitação flexível no ambiente de terapia intensiva. Esse ambiente dotado de tecnologia dura e de procedimentos invasivos, que muitas vezes são desconhecidos pelos familiares, podem gerar questionamentos por sua parte, ocasionando em estresses e conflitos desnecessários. Por isso, antes de realizarmos os procedimentos e cuidados necessários aos pacientes, faz-se necessário a elucidação aos acompanhantes, para que, assim possamos trabalhar com mais tranquilidade a respeito de possíveis dúvidas que possam surgir.

7. CONCLUSÃO

O tema abordado neste estudo é de extrema importância no contexto da Terapia Intensiva. A família deve ser vista como parte integrante no processo de cuidar, necessitando ser tratada de forma individualizada e respeitando as necessidades emocionais e fisiológicas do binômio familiar-paciente.

O enfermeiro deverá orientar os familiares e profissionais de saúde sobre a forma de agir dentro do ambiente de visitação prolongada, a necessidade de interrupção da visita devido a instabilidades hemodinâmica súbita e diversas outras orientações durante o período de permanência.

Tanto a família quanto a equipe responsável pelo paciente necessitam estar alinhadas, objetivando-se adquirir confiança e vínculo, para que se estabeleça uma relação de aceitação do tratamento, o que irá garantir a efetivação do tratamento e a consequente melhoria do paciente (Maestri et al., 2012).

A visitação humanizada na UTI não pode mais ser enxergada como um momento de tensão e desorganização do setor pela equipe, e sim um tempo de trocas de informações e de comunicação com aqueles que mais se preocupam com o atendimento.

REFERÊNCIAS

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NOTA

Os autores utilizaram a Inteligência Artificial ChatGPT versão 4.0 foi para correções gramaticais e realizações de tabelas. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.

[1] Pós-graduado em Saúde Mental (Faculdade Dom Alberto) e em Enfermagem do Trabalho (Faculdade Venda Nova do Imigrante); Graduado em Enfermagem (Universidade do Grande Rio Professor José de Souza Herdy). ORCID: https://orcid.org/0009-0006-2983-2400.

[2] Graduado em Enfermagem (Universidade do Grande Rio Professor José de Souza Herdy). ORCID: https://orcid.org/ 0000-0002-2084-7124.

[3] Graduado em Enfermagem (Universidade do Grande Rio Professor José de Souza Herdy). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3360-4014.

Material recebido: 15 de fevereiro de 2024.

Material aprovado pelos pares: 28 de agosto de 2024.

Material editado aprovado pelos autores: 10 de setembro de 2024.

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Lucas dos Santos Silva

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